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dai86


CAPÍTULO 4

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Que petulância daquela mulher! Inacreditável!

Sasuke respirava fundo enquanto olhava para a calçada lá embaixo, observando-a caminhar em direção à esquina. Com quem aquela moça pensava estar brincando? Será que acreditava que poderia ir longe com uma mentira daquelas? Aliás, será que a garota achava mesmo que ele não lembraria se tivesse dormido com alguém igual a ela? Aquela jovem não era do tipo que Sasuke esqueceria logo. Por um simples motivo: era seu tipo ideal.

Sasuke sempre fora atraído por mulheres altas e voluptuosas, sobretudo quando possuíam traços exóticos e olhos brilhantes. Não esqueceria jamais daquelas formas, muito menos daquelas madeixas róseas. Mulheres assim o agradavam ainda mais quando eram desafiadoras. Oh, sim, ele teria recordado se tivesse dormido com...

Droga, nem mesmo sabia o nome da garota! A mulher fornecera a Agari apenas o nome do bebê: Megumi. Como se isso devesse significar algo...

Sasuke viu-a desaparecer rua abaixo, certo de que aquela seria a última vez que a veria. Para seu espanto quase se arrependia de tê-la botado para fora de maneira tão intempestiva. Podia pelo menos ter feito algumas perguntas, escutado sua história, descoberto o que queria dele.

"Dinheiro", Sasuke concluiu, afastando-se da vidraça e caminhando na direção da porta. O que mais poderia ser? Estacou com a mão no batente, arqueando as sobrancelhas. Mas por que ele fora escolhido como alvo para uma vigarista? Lógico que não tinha nada a ver com sua reputação, pois não costumava se comportar com promiscuidade. Não era alguém que podia ser convencido de que dormira com uma estranha sob a influência de álcool ou drogas. Ele jamais bebia tanto assim, e jamais se drogara.

Talvez a mulher o tivesse confundido com outro. Podia ser que ela tivesse esquecido com quem dormira... O pai da menina podia até mesmo ser alguém que trabalhava na Uchiha & Associados, ou até outra firma do edifício. Alguém que se parecesse com ele.

Sim, tinha de ser isso, decidiu com firmeza. Tratava-se de um caso de identidade trocada. Agora, precisava deixar aquilo tudo de lado e voltar ao trabalho. Já desperdiçara tempo demais por um só dia!

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O endereço da Sra. Uchiha era no bairro de Hiruzen Gardens, um antigo e exclusivo subúrbio na região norte, próximo à baía de Nakano. Lá, as casas mais humildes custavam cerca de cem milhões de ryos. A residência da Sra. Uchiha, entretanto, não era nem um pouco simples. A luxuosa construção de dois andares cercada por jardins impecáveis apresentava um cenário magnífico.

Sakura arregalou os olhos ao ver a mansão, e sua mente apressou-se em tirar algumas conclusões. A família de Uchiha Sasuke fizera fortuna há décadas atrás, e aquele ambiente sempre acabava produzindo gente que achava estar acima do seres humanos comuns. A arrogância era tão natural para eles quanto respirar.

Aquilo era um problema, pois, se a Sra. Uchiha provasse ser uma esnobe, não admitiria uma neta ilegítima, mesmo que fosse tão adorável como Megumi. Talvez a senhora fosse tão cética e rude quanto o filho, e colocasse Sakura e Megumi porta afora como Sasuke fizera.

Por um instante a resolução de Sakura pareceu esmaecer. Mas ao olhar a criança que tinha nos braços acabou recuperando a confiança. Nenhuma mulher no mundo poderia resistir a Megumi. Pelo menos ninguém que tivesse um coração.

De súbito, entretanto, uma questão lhe ocorreu: e se a Sra. Uchiha não estivesse em casa? Sakura suspirou. - Você se incomoda de esperar alguns momentos até eu checar se há alguém? - ela perguntou ao motorista do táxi ao pagá-lo.

- Tudo bem - o homem assegurou, saindo do veículo para abrir a porta para Sakura.

Sorrindo agradecida, apanhou a bolsa, as coisas do bebê e ajeitou Megumi. Sentia-se nervosa demais para admirar o belíssimo canteiro de lírios que dominava todo o jardim na parte dianteira.

Uma coisa havia sido confrontar o pai de Megumi, porque desde o começo sabia que ele dificultaria as coisas. A mãe dele, por outro lado, podia ter uma reação bastante diferente. Tudo o que restava à Sakura naquele momento era a esperança.

Mas tinha de dar certo! Desejava tanto que Megumi pudesse ter uma avó que lhe dedicasse um amor incondicional! Do tipo que apenas uma avó verdadeira conseguiria demonstrar. Não que a própria Sakura tivesse experimentado esse sentimento. Sua vida familiar fora apenas um sonho acalentado por ela e Ino durante os duros anos de juventude.

Sakura também queria que a Sra. Uchiha falasse com o filho sobre reconhecer a menina e concordar em ajudá-las, fornecendo-lhes uma boa pensão. Isso sem que ela tivesse de recorrer à lei.

Depois de caminhar até a entrada e subir os quatro degraus de pedra que conduziam à varanda de madeira, Sakura tocou a campainha e respirou fundo. Por irritantes 20 segundos, pareceu-lhe que não havia ninguém. Mas então a porta se abriu, e lá estava uma senhora com cerca de 60 anos. Vestia-se com casualidade, usando calça de linho e uma blusa com motivos florais. Era alta e magra, bonita, de traços delicados e cabelos negros com indícios de um grisalho que começava a surgir. O melhor de tudo, entretanto, era que havia uma reconfortante suavidade em seus inteligentes olhos negros.

- Sim? - A senhora esboçou um sorriso inquisidor.

- Sra. Uchiha?

- Sou eu, querida. Como posso ajudá-la?

A palavra "querida" operou um milagre, assim como a doce oferta de ajuda. Sakura estudara a psicologia humana durante toda sua carreira de atriz, e tornara-se uma boa juíza de caráter, ainda mais quando se tratava de mulheres. A Sra. Uchiha não era esnobe, para começar. E o mais importante de tudo: era uma pessoa gentil. Sorrindo, aliviada, Sakura virou-se e acenou para o motorista.

- Tudo bem, você pode ir agora.

- Certo, moça. - Ele acenou e se foi.

Sakura voltou a virar-se ao mesmo tempo que a Sra. Uchiha aproximava-se alguns passos. Estava perto o bastante para ver o rostinho de Megumi.

- Que lindo bebê! - exclamou, inclinando-se para ver mais de perto. - Uma garota, presumo. - acrescentou, encarando Sakura.

- Sim.

- Posso segurá-la? Ela está acordada...

- Por favor.

Uma sensação agradável percorreu todo o corpo de Sakura ao observar a senhora acalentar a neta com tanto carinho. Depois de 7 dias cuidando de Megumi, aprendera que a criança adorava ser ninada daquela forma. Ela jamais chorava quando alguém estava fazendo aquilo, limitando-se a olhar tudo com uma expressão extasiada em seu adorável semblante infantil.

- Qual o nome dela? - Mikoto quis saber.

- Megumi.

- E o seu, meu bem?

- Haruno Sakura.

- Então, o que está vendendo, Sakura? - a Sra. Uchiha perguntou, sem deixar de sorrir para Megumi. - Se é uma representante de cosméticos, sinto muito, pois não uso maquiagem, só um pouco de batom, às vezes. E se vende aqueles potes plásticos, temo informá-la de que possuo tudo o que abre e fecha nesse departamento. Meu filho não tem muita imaginação quando se trata de presentes, e já me deu todos os utensílios de que uma casa necessita. No quesito praticidade basta pensar em Sasuke.

- Na verdade, Sra. Uchiha, não estou vendendo nada. Vim até aqui para falar-lhe justamente sobre seu filho Sasuke.

Aquilo chamou a atenção de Mikoto, que piscou confusa, antes de fitar Sakura com firmeza.

- Sasuke? Verdade? E veio falar sobre o quê?

- Sobre Megumi. - Sakura acenou na direção do bebê e engoliu em seco, preparando-se para uma reação negativa ao que seguiria: - Ela... é filha dele.

Sakura ficou surpresa com a velocidade e a intensidade das várias emoções que cruzaram as belas feições da Sra. Uchiha. A surpresa inicial logo deu lugar a um momento desinibido de alegria, que foi seguido por uma expressão de profunda preocupação.

Mikoto caminhou devagar para aproximar-se mais de Sakura, ainda perturbada.

- Sasuke sabe disso, Sakura?

- Tentei contar-lhe hoje mas cometi um erro estúpido, e por isso seu filho mandou a segurança me colocar para fora do prédio.

A preocupação no rosto da senhora deu lugar ao ultraje. - Ele o quê?

- Foi minha culpa, Sra. Uchiha - Sakura explicou apressada. - Compreendo isso agora. Quando disse que Megumi era filha dele, esqueci de emendar que eu não era a mãe. Acho que seu filho me olhou e, percebendo que não me conhecia, deduziu que eu devia ser uma vigarista querendo aplicar-lhe um golpe.

O ultraje deu lugar ao espanto.

- Mas se você não é a mãe... então, quem é? Sua irmã?

- Não, minha melhor amiga. - Sakura pigarreou, sentindo sua garganta arranhar. Aquilo sempre acontecia quando pensava na morte de Ino. - Ela trabalhou na Uchiha & Associados no ano passado, era secretária de Sasuke. Pelo menos exerceu essa função de julho a novembro. Megumi nasceu em 19 de agosto deste ano. Mas Ino foi atropelada por um ônibus no mês passado. Viveu alguns dias, mas não conseguiu suportar os ferimentos. Antes de falecer, me nomeou tutora legal de Megumi. A certidão de nascimento da menina na verdade diz "pai desconhecido", mas eu sei que é seu filho.

- Tem certeza?

- Absoluta, Sra. Uchiha.

Mikoto suspirou.

- Sua amiga lhe contou que Sasuke era o pai?

Sakura hesitou. Não queria mentir, mas a verdade era tão complicada e tão difícil de entender para qualquer um que não conhecesse Ino bem... Identificar Sasuke como pai de Megumi fora um processo baseado em provas circunstanciais. Talvez a Sra. Uchiha achasse que Sakura tirara conclusões equivocadas. Era melhor não comentar o assunto naquele momento.

- Ino e eu éramos confidentes.

Aquilo era verdade. Fora sempre assim, pelo menos até que ela e a amiga rompessem relações.

- Éramos mais como irmãs do que amigas. Seu filho é mesmo o pai de Megumi, Sra. Uchiha. Um teste de DNA poderá tirar a dúvida se ele continuar a negar.

- O que... o que quer dizer com continuar!

- Ino foi vê-lo quando descobriu que estava grávida. Sasuke recusou-se a acreditar que o filho era dele. Mas mesmo assim lhe deu dinheiro para uma "outra solução".

- Mas ela não...

- Não. Ino não concordou em fazer um aborto.

- Graças a Kami! - Mikoto sorriu para Megumi, e, ao tornar a olhar para Sakura, ela viu lágrimas em seus olhos. - Sempre quis ter uma neta, você não faz idéia do quanto. E, para ser honesta, cheguei a pensar que nunca a teria. Sasuke é tão teimoso quanto a não querer saber de casamento ou filhos! E então o irmão dele, Itachi... bem... Mikoto exalou outro suspiro.

- Disse-me que é a tutora legal da menina. Por que isso, Sakura? Sei que eram quase irmãs, você e Ino, mas e quanto aos pais de sua amiga? Ou tios e tias?

- A mãe de Ino morreu num incêndio quando ela estava com 9 anos. Minha amiga nunca conheceu o pai ou os avós. Na verdade, a mãe dela era um tipo de ovelha negra se é que me entende. Tinha fugido de casa, mudando-se para a cidade quando ainda era adolescente. Não era casada quando teve Ino. Acho que o pai as abandonou antes que o nenê nascesse. Portanto, não há outros parentes interessados em Megumi. Eu sou tudo que ela tem no momento.

- Entendo. E quanto a você, querida? É casada?

- Não, não sou.

Mikoto tornou-se pensativa.

- Certo... Desse modo, pretende criar a pequena Megumi sozinha?

- Farei isso se for preciso, Sra. Uchiha. Mas preferia ter alguma ajuda, porque também não tenho família. Mamãe faleceu no mesmo incêndio que a mãe de Ino. Também era solteira... Como eu disse antes, um tipo de ovelha negra.

Isso para não mencionar que era uma mulher da noite. Ambas mulheres tinham sido. De qualquer forma, Sakura achava melhor não tocar naquele assunto no momento.

- Como o serviço social não conseguiu encontrar parentes interessados em nós – Sakura continuou num tom casual - Ino e eu passamos o resto da infância numa instituição do Estado. Isso quando não estávamos em algum período de testes em um lar adotivo.

- Oh, pobrezinhas!

- Nós sobrevivemos Sra. Uchiha. Mas acho que agora pode entender por que nos tomamos tão íntimas. Ino me confiou o cuidado e o bem-estar de sua filha, e pretendo me certificar de que Megumi terá o melhor. Não tenho intenção de permitir que o bebê termine como nós, sem dinheiro e nenhum adulto para amá-la.

- Não terá de se preocupar com isso, meu anjo. Estarei aqui para ampará-la. E a você também. E Sasuke fará sua parte, é claro, depois que eu conversar com ele. Pode apostar nisso! Agora, acho melhor que entre e me conte todos os detalhes. Melhor que isso, deve ficar até que meu filho volte para cá à noite, para que façamos uma pequena reunião para discutir o assunto.

- Seu filho vive aqui?

- Bem, sim... Sasuke mora comigo.

- Oh, céus!

- Ele não é um garoto mimado se é isso o que está pensando. Sua decisão de viver comigo foi baseada em seu infalível lado prático.

- Não se trata disso, senhora. Apenas tenho a impressão de que ele não ficará nem um pouco satisfeito ao me encontrar quando chegar. Talvez seja melhor telefonar para o escritório e avisá-lo.

- De jeito nenhum! Nunca! Sasuke não merece nenhum aviso - Mikoto Uchiha parecia determinada. - Além disso, as sextas-feiras nunca são um bom dia para ligar para Sasuke no escritório. Eu mesma já tentei hoje, e recebi um tratamento nada cordial... O que me faz lembrar de outra coisa. É melhor ligar para Temari e cancelar o convite que lhe fiz para jantar.

- Não por minha causa, espero...

Sakura queria adivinhar quem poderia ser a tal Temari. Seria uma amiga da Sra. Uchiha ou de Sasuke?

Os lábios da Sra. Uchiha curvaram-se num sorriso enigmático.

- Não é incômodo nenhum. Temari é apenas uma amiga minha, viúva. Poderá vir numa outra ocasião qualquer. Também enviuvei, por isso a pequena Megumi não terá um avô. Mas terá a mim, não é, amor? Bem, vamos, entre. Você carrega a bolsa, e eu levo Megumi. Tomaremos um chá e conversaremos. E podemos passar o resto da tarde comprando algumas coisinhas para essa riqueza. Você se incomoda?

- Oh! Bem... Não, lógico que não!

Ao seguir Mikoto para dentro da mansão, Sakura não pôde deixar de constatar que a Sra. Uchiha era mesmo uma alma boa e gentil. Sim, sem dúvida que era. Mas também deixara transparecer uma aura de energia e decisão. Como uma senhora tão amorosa pudera gerar um filho como Sasuke Uchiha?

Sasuke Uchiha.

Uma mulher mais frágil ficaria em pânico ao imaginar a reação dele quando chegasse, mais tarde. Sakura podia imaginar aqueles duros olhos negros fitando-a, ameaçadores. As sobrancelhas arqueadas e os ombros rígidos. A expressão ultrajada e o corpo todo tenso. Como se estivesse pronto para explodir em segundos!

Sorriu. Mal podia esperar pelo espetáculo.


O que estão achando da história. O original se passa em Sidney na Austrália, mas na minha adaptação usei referências do Universo de Naruto pra dar nome às personagens e lugares... detalhes só para os mais fanáticos notarem, rs.

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dai86