Particularmente, eu não me agradei totalmente com o capítulo, então gostaria da opinião de vocês.
Também não tive tempo de revisar o capítulo então me desculpem por qualquer erro.
-Hoje a cidade de Bradfort acorda em clima de luto. Três adolescentes foram encontrados mortos na praça central. A polícia local fazia uma ronda quando os policiais de plantão viram os três corpos pendurados nos postes pelos pés. Os corpos não apresentavam nenhum sinal de violência, exceto pelo fato de terem tido suas cabeças decapitadas, e os corações arrancados. Por enquanto a perícia encara o fato como obra de um serial killer. A polícia também alerta a população para que todos fiquem bem atentos a qualquer movimento suspeito. As vítimas foram reconhecidas como Howard Collins, Hanna Thompson, e Elizabeth Mary. Por enquanto, a causa da morte ainda é desconhecida. A perícia ainda mantém a praça interditada para a investigação. Continuem ligados aqui, no canal 4, para mais informações sobre essa fatalidade. –A reportagem foi encerrada, dando espaço ao intervalo comercial.
-Meu Deus... –Sussurrou tampando a boca, horrorizada com a notícia.
-Bom dia mãe.
-Bom dia. Selena, pega o jornal pra mim? –Pediu desligando a TV.
A garota saiu de casa, logo depois voltando apressada e jogando o jornal no sofá, ao lado da mãe.
-Vou acabar me atrasando, tchau.
-Espera! –A garota parou em frente à porta. – Você não vai pra aula hoje.
-E por que não? –Franziu o cenho.
-Tem um assassino a solta na cidade, não quero você andando por aí sozinha.
-Mãe, eu estou indo pro colégio, não dar um passeio.
-Hoje você fica, amanhã você pode ir.
Selena bufou irritada fechando a porta e largando a mochila no sofá, indo até a cozinha.
-Você não tinha que fazer um trabalho com aquela sua amiga nova hoje? –Perguntou da sala.
-Ela não é minha amiga! –Gritou para ser escutada. – E eu não tinha que fazer nenhum trabalho, eu ainda tenho. –Abriu a geladeira pegando a jarra de suco.
Se serviu do liquido doce bebendo-o em goles grandes.
-Por que não liga pra ela e pede que ela venha aqui?
-Não tenho o número dela.
Largou o copo sujo na pia e guardou a jarra novamente. Voltou para a sala e viu a mãe lendo o jornal, pegou a mochila do sofá e subiu as escadas, indo para seu quarto.
"Elizabeth Mary, 16, Hanna Thompson, 18, e Howard Collins de 17 anos foram encontrados mortos na praça central de Bradfort na madrugada passada (segunda-feira, 18). Os adolescentes tiveram suas cabeças decapitadas e os corações arrancados. A perícia ainda está no local do crime brutal tentando achar evidências que levem ao(s) assassino(s).
Depois de ter acesso a algumas informações sobre a cena do crime, a redação resolveu destacar um fato que pode ser classificado como extremamente estranho:
-Sinais indicam que os corações das vítimas foram arrancados por mãos humanas.
A polícia ainda não tem nenhum suspeito em vista."
-x-
Já se passava de uma da tarde quando Selena teve sua leitura interrompida pelo toque de seu celular.
Fechou o livro e olhou desconfiada para o aparelho em sua mão em ver que o número que o número era restrito, mas mesmo assim atendeu.
-Faltando aula logo no segundo dia, Gomez?
Se jogou de costas na cama ao reconhecer a voz, ela ainda queria matar a garota por ter dado aquele susto nela na noite anterior.
-Como conseguiu meu número?
-Digamos que eu tenho os meus meios. Mas isso não importa. Se a senhorita ainda se lembra, temos um trabalho a fazer. –Selena ouviu um barulho parecido com uma porta se batendo e logo depois o ronco de um motor.
-Infelizmente. –Resmungou. – Pode vir na minha casa agora?
-Chego em cinco minutos. –Respondeu antes de encerrar a ligação.
Jogou o celular na cama e foi até o banheiro. Depois de tomar um banho e se vestir, resolveu ir até a sala esperar Demetria.
Ao chegar na metade do caminho ouviu algumas risadas vindas da cozinha e resolver ver o que era. Chegando à porta do cômodo, viu Demi sentada de costas para ela, conversando com sua mãe. A garota vestia um jaqueta de couro com spikes nos ombros, calças skinny preta e sapatos de salto. Percebeu que Baylor, seu cachorro, dormia tranqüilo com a cabeça sobre os pés de Demi.
-Olha essa, que coisa linda. –Ouviu sua mãe dizer. Franziu o cenho confusa e pigarreou, chamando a atenção das duas.
-Boa tarde. –Estranhou o tom gentil que a garota usava, nada de sarcasmo, ironia e nada do sorriso debochado que estampava a face bonita a maior parte do tempo.
-O que vocês estão vendo?
-Eu estava mostrando algumas fotos suas pra Demi enquanto você não descia.
-Mãe! –Repreendeu fazendo Demi reprimir o riso.
-Seu cachorro é uma graça. –Ajeitou a franja olhando para o cachorro adormecido em seus pés.
-Meninas, eu vou dar uma saidinha rápida, vocês vão ficar bem sozinhas? –Perguntou enquanto se levantava.
-Ah, sim. –Demi sorriu educada.
-Eu não tenho tanta certeza. –Sussurrou inaudível.
-Tudo bem então, até mais.
Deu um abraço em Demi e foi até a filha, lhe dando um beijo na testa. Depois pegou a bolsa na mesa e acenou para as garotas antes de sair de casa.
-Você era uma fofa quando era pequena. –O sorriso educado de segundos antes se transformando no meio sorriso que era a marca da garota.
Selena revirou os olhos e foi até a mesa da cozinha fechando o álbum de fotografias com raiva, fazendo Baylor acordar assustado e correr para os fundos da casa.
-Parece que tem alguém mau-humor hoje. –Comentou sonsa.
-Será que a gente pode pular a parte que você é irritante e ir logo fazer o trabalho?
-Não. Mas eu posso ser irritante enquanto fazemos nosso trabalho. Ah, e antes que eu me esqueça, eu tomei a liberdade de escolher um filme. Se você concordar, podemos começar a resenha hoje mesmo.
-Que filme você escolheu?
-The green mile, de Frank Darabont.
-Adoro esse filme. –Confessou deixando escapar um sorriso.
-Aqui. – Pegou a sacola que repousava na cadeira a seu lado e a entregou a Selena.
-O que é isso?
-Abra e olhe. –Deu de ombros.
Abriu a sacola média e observou seu conteúdo. Barras de chocolate, m&m's, um DVD, um papel dobrado ao meio, e mais algumas guloseimas.
-Que papel é esse? –Perguntou enquanto pegava o mesmo.
-Um contrato que eu vou te obrigar a assinar, e então sua alma será minha.
-Engraçadinha. –Ironizou.
-É só um rascunho que eu fiz. –Disse enquanto via Selena ler.
Após terminar a leitura, Selena dobrou o papel novamente e o colocou dentro da sacola.
-Detesto ter que admitir, mas... Isso está ótimo, nem parece um rascunho.
-Eu sei. Disse que era só um rascunho para parecer modesta.
-Vamos logo fazer esse trabalho antes que eu te mate.
-Está estressadinha hoje, Gomez. Qual o problema? Ainda se sente ameaçada pela chave do meu carro? Porque se for, não tem problema, elas estão guardadas.
-Cala a boca, você realmente me assustou ontem. –Disse logo depois se arrependendo de ter confessado em voz alta.
Demetria gargalhou.
-Tudo bem, isso foi o suficiente. Agora podemos ir fazer nosso trabalho, senhorita Selena Marie Medrosa Gomez?
-Não sou medrosa, você que é assustadora demais. –Rebateu antes de ir para sala.
-x-
Enquanto Demetria e Selena assistiam ao filme e faziam anotações, o celular de Demi emitiu dois bips, indicando a chegada de uma nova mensagem. A garota leu o sms sorrindo e guardou o celular no bolso da calça antes de se levantar.
-Gomez, eu preciso ir. Aqui tem algumas anotações que podem ser importantes e você já tem o meu rascunho. –Disse enquanto entregava um papel a Selena. –Consegue se virar sozinha?
-Uh-huh.
-Okay, tchau. –Disse apressada pegando sua jaqueta no braço do sofá.
-Eu te acompanho até a porta. –Se levantou também.
Depois que Demetria saiu, Selena foi até a janela, chegando a tempo de ver a garota entrar no carro correndo e dar a partida, dirigindo em alta velocidade para algum lugar desconhecido.
-Onde ele está? –Demetria perguntou assim que o amigo atendeu sua ligação.
-Num motelzinho de quinta a duas quadras do grill.
-Ótimo, chego lá em quinze minutinhos. – Disse encerrando a chamada e jogando o celular no banco do carona.
Passou a marcha e fez uma curva fechada à direita, fazendo um barulho alto com os pneus. Uma mulher que atravessava a rua se assustou ao ver o carro ser dirigido em tamanha velocidade e correu de volta para a calçada temendo ser atropelada.
Demetria dirigia a mais 100 km/h e ultrapassava todos os carros que apareciam em seu caminho, e já estava chegando perto do grill quando ouviu uma sirene atrás de si. Olhou pelo retrovisor interno e viu um carro da polícia tentando alcançá-la.
-Era só o que me faltava. Esses idiotas vindo me atrasar. –Resmungou dando um soco no volante.
Reduziu a velocidade aos poucos enquanto encostava o carro a calçada, deixando o motor ligado. Depois de parar a viatura atrás do carro de Demetria o policial andou em passos largos até o carro da garota, dando duas batidas leves no vidro com o seu cassetete. Demetria abriu a janela do carro e percebeu quando o policial riu em escárnio ao vê-la.
-Posso ver a sua carteira de identidade? –Perguntou estendendo a mão para Demi.
A garota nem se moveu.
-Você está me atrasando, e eu estava dirigindo dentro do limite máximo permitido, então você vai entrar naquela viatura e continuar o seu trabalho. E vai se esquecer do que aconteceu. –Disse num tom baixo e ameaçador. – Entendeu?
O homem a encarava com uma expressão embasbacada, como se estivesse em um completo transe.
-Entendi. –Respondeu débil.
-Perfeito. –Disse pisando fundo no acelerador.
Estacionou em uma distancia de uma quadra do motel, e seguiu o resto do percurso andando. Ao atravessar a porta do estabelecimento viu um homem, aparentando seus cinqüenta anos, sentado atrás do balcão. O homem deu um sorriso pervertido ao ver a garota se aproximar
-Posso te ajudar? –Sorriu.
Demetria fez uma careta de nojo, antes de encarar os olhos do velho.
-Em que quarto Sairom Sonnel está hospedado?
A mesma expressão embasbacada do policial de minutos atrás tomou conta da face do homem.
-202, primeiro andar.
-Você tem alguma chave extra?
-Sim.
-Me dê.
O homem foi até um segundo cofre de chaves que ficava ao lado do balcão e procurou pelo número 202. Depois de pegar a chave certa, deu o objeto a Demetria sem nem mesmo pestanejar.
-Eu nunca estive aqui. –Disse antes de ir até o elevador.
Andou pelo corredor sujo sem pressa, parando em frente ao quarto 202 e usou a chave que lhe foi dada para abrir a porta do quarto. Observou o aposento pequeno e ouviu o barulho de água caindo.
-Prevejo que uma certa pessoa terá uma grande surpresa. –Riu fechando a porta com cuidado.
Sentou na beira da cama e cruzou as pernas, paciente.
Sairom, um homem de altura mediana e porte físico forte, saiu do banheiro vestindo uma bermuda. Ele estava de cabeça baixa e enxugava o cabelo com uma toalha, nem percebendo a presença de outra pessoa no quarto.
-Não vai nem me oferecer um café? Pensei que em todos esses anos você tivesse aprendido boas maneiras.
O homem se sobressaltou e acabou tropeçando nos próprios pés, caindo por cima de uma cadeira velha e quebrando-a.
-O que... O que você está fa-fazendo aqui? –Gaguejou em pânico.
-Eu que faço as perguntas aqui. –Se levantou. – O que você está fazendo aqui?
Sairom não respondeu. Demi deu um passo à frente fazendo o homem, que ainda estava jogado no chão, rastejar para trás, batendo as costas na parede.
-Não me faça perguntar de novo. –Ameaçou pegando uma das pernas quebradas da cadeira.
Entortou o pedaço de madeira com as mãos partindo-o ao meio, deixando uma das extremidades levemente pontiaguda. Sairom riu.
-Não me provoque, seu idiota. – Atirou o pedaço de madeira em sua mão a uma velocidade sobre-humana, não dando tempo para Sairom se defender. A madeira perfurou o peito do homem, que gemeu em dor.
-Sua vadia. –Resfolegou arrancando a "estaca" de seu peito, jogando-a de volta na direção de Demetria.
-Não diga que não avisei. –Disse desviando do objeto.
O único segundo que Demi usou para desviar do pedaço de madeira foi suficiente para que Sairom se levantasse e se jogasse por cima da garota, derrubando-a no chão. Levantou a mão, pronto para acertar um soco em Demetria, mas ela foi mais rápida e torceu seu pulso, invertendo as posições. Em mais um movimento extremamente rápido Demetria afundou sua mão no peito de Sairom, que gritou a plenos pulmões ao sentir a dor lancinante.
-Deixe só eu te lembrar de uma coisa. –Sorriu. – Se eu mover minha mão um único milímetro sequer, seu frio e morto coração... Já. Era. –Disse bem devagar
-O que você quer? –Balbuciou sentindo a mão de Demetria bem próxima a seu coração.
-Respostas. Pergunta número um: Que porra você está fazendo de volta à Bradfort? –Gritou.
-E-eu vim porque eu já estava cansado da Itália.
-Não minta! –Gritou novamente.
-Não me mata! Não me mata! –Implorou enquanto fazia de tudo para não se mexer. A cada movimento que seu peito fazia por causa da respiração, Sairom sentia uma dor, que para ele, era equivalente a três estacas perfurando seu peito.
-Pensei que vampiros híbridos fossem mais corajosos. Você é o que? Metade vampiro e metade lobo, ou metade vampiro e metade cachorro? – Riu.
-Eu voltei pra Bradfort, porque eu queria saber o que você, Niklaus e Alexis estavam fazendo aqui. – Sairom falava com dificuldade.
-Quem mandou você vim aqui? Você nunca teria coragem de me enfrentar.
-Nin-
-Não. Minta. –Repetiu a frase pausadamente.
-Foi o Owen, foi ele! Agora por favor, tira sua mão daí.
-Você acaba de ganhar mais alguns dias de vida, Sonnel. Mas não abuse da minha paciência, você sabe que eu nunca tive isso. –Retirou sua mão do peito de Sairom. - Não fuja, vai ser pior se o fizer. –Avisou antes de sair do quarto.
Antes de sair do motel, fechou o zíper da jaqueta escondendo os respingos de sangue e colocou a mão, coberta do liquido escarlate, no bolso.
-x-
Ao estacionar na porta de casa, Demetria estranhou ao ver um carro desconhecido estacionado lá também. Entrou em casa desconfiada e seguiu o som de vozes até o quintal.
-Olha só quem chegou. Problema resolvido? –Alexis perguntou assim que viu Demetria.
-Em partes... Digamos que o problema ainda está por vim. –Respondeu vagamente. – Gomez, a que devo sua presença aqui? –Arqueou a sobrancelha.
-Eu vim trazer o seu filme, ela me convidou pra entrar e ficamos conversando.
-Ah. –Mordeu o lábio. – Eu tenho que fazer uma coisa, então... –Deu as costas sem falar mais nada, se lembrando da mão ensangüentada que escondia no bolso da jaqueta.
-Ela está bem? –Perguntou estranhando a atitude da garota, fazendo Alexis rir.
-Não se preocupe com isso, ela está melhor do que você pode imaginar.
-Alexis? –Demi chamou voltando para o quintal.
-Sim?
-Onde o Klaus se meteu?
-Não sei.
-Okay...
-x-
-Em que inferno você se meteu? –Perguntou irritada assim que o garoto atravessou a porta de entrada.
-Calma meu amor. Só estava satisfazendo a alguns prazeres da carne. –Sorriu.
-Você não cansa de fazer isso com as pessoas?
-Se você experimentasse uma vez, com certeza não reclamaria.
-Muito obrigado, mas a minha diversão com os mortais é outra. E além do mais, deve ser completamente desconfortável possuir um humano.
-Talvez no começo... Você se sente um pouco fraco, mas vale muito à pena.
-Vocês dois vão ficar ai batendo papo ou vamos decidir de uma vez o que fazer com o Sairom? –Interrompeu.
-Okay... –Tomou fôlego. – Não vamos fazer nada.
-Como assim, nada? –A garota perguntou sem acreditar no que tinha ouvido.
-O que eu disse. Nada.
-Eu disse que andar com aquela mortal estava afetando seu juízo. –O garoto debochou.
-Niklaus, cale a boca.
-Está vendo? Você sempre desvia do assunto, ou me manda calar a boca, quando eu falo dela.
-Porque ela não é importante.
-Vocês parecem duas crianças. Vamos manter o foco. O que Sairom veio fazer em Bradfort?
-Uma pessoa o mandou. Agora me deixe ver se você é boa com adivinhações. É obcecado por mim, não tem asas, e eu quase o matei uma vez. Se acertar ganha um pirulito. –Brincou.
-Essa é fácil, Alec Owen. Passa o pirulito pra cá. –Disse rindo.
-Mas o que ele tem haver com o Sairom? Não sabia que eles se conheciam.
-Nem eu. Foi ele quem mandou o Sairom vim aqui, é só o que eu sei, por enquanto.
-Será que em algum momento da existência dele, ele não foi obcecado por você?
-Acho difícil.
-Eu só não entendo o que ele quer. Me matar não pode ser, até porque ele sabe que é impossível.
-Ele deve estar querendo uma passagem de volta pro céu. Até porque ele só caiu por sua causa. –Riu.
-Ele não caiu por minha causa, ele caiu porque ele pecou. E eu ainda era um anjo puro quando isso aconteceu.
-É. Agora seu nome e a palavra "pureza" não cabem mais na mesma frase.
-Até você vai vir com gracinhas pra meu lado, Alexis?
-Desculpa, mas é impossível não fazer uma piadinha de vez em quando.
-Vocês não podem falar de mim. Vocês têm a mesma natureza que eu. – Se defendeu.
-Mas meu amor, entenda uma coisa. –Klaus se aproximou de Demetria, lhe dando um meio abraço. – Você é pior que todos nós. –Disse rindo. –Juntos. –Completou.
-Eu desisto de vocês. –Se rendeu, rindo também.
-Mas voltando ao assunto Alec. O que vamos fazer em relação a isso?
-Esperar. –Suspirou.
-x-
Mais uma madrugada se passou, e mais três corpos foram encontrados. Novamente, duas garotas e um garoto com as cabeças decapitadas e os corações arrancados. A única diferença foi que desta vez os corpos foram encontrados no colégio Bradfort High, logo no início da manhã, pelo zelador. A perícia cancelou as aulas pelo resto da semana para a investigação e limpeza da cena do crime.
A cidade estava aterrorizada.
-x-
O dia estava frio e chuvoso, a tempestade começou de repente e com força total.
-Isso parece até um segundo dilúvio. –Klaus comentou olhando pela janela. – Quem vai ser o alvo da exterminação agora? Da última vez foram os nefilins.
-Eu estou ficando entediada...
-Aceitam uma pequena diversão? –Demetria perguntou brincando com uma faca.
-Com certeza! Eu aceito. –Alexis se apressou em responder.
-Ei, eu também quero.
-Perdeu. Aceitei primeiro. –Deu língua.
-Vamos lá pra cima. –Chamou subindo as escadas.
Parou no terceiro degrau e olhou para trás.
-Ouviram isso? –Franziu o cenho.
-Parece um carro.
-É. Mas pensei que a ruas estivessem bloqueadas por causa da tempestade.
-Pelo visto, nem todas.
-Vou ver o que é. –Disse indo até a porta.
Reconheceu o carro que foi estacionado logo em frente a sua casa e sorriu.
-Alexis, parece que nossa brincadeira terá de ser cancelada.
-Quem é o filho da mãe que chegou pra atrapalhar?
-Na verdade é filha. –Riu.
Observou sua visita inesperada sair do carro e correr em sua direção cobrindo a cabeça com o capuz do casaco. Quando a garota parou em sua frente, colocou a mão em seu ombro puxando-a para dentro da casa.
-Pega de surpresa pela chuva, Gomez? –Viu a garota abraçar o próprio corpo, tremendo.
-E-eu esta-estava saindo d-do mercado. –Balbuciou tentando cessar o bater dos dentes.
-Fique calada. –Riu. – Vem aqui. –Puxou a garota pelo braço.
Subiu as escadas com Selena e a levou até o quarto de hóspedes.
-Toma um banho quente, eu vou arranjar alguma coisa enxuta pra você vestir. –Disse apontando para a porta do banheiro.
Demetria saiu do quarto e desceu as escadas, encontrando Klaus e Alexis na sala.
-Cadê ela? –Alexis perguntou confusa.
-Mandei ela tomar um banho quente. Vou fazer chocolate quente e pegar alguma roupa minha pra emprestar a ela. –Respondeu enquanto andava até a cozinha.
-Olha só, Demetria Lovato sendo boazinha. –Klaus zombou, a seguindo.
-Meu D... – Interrompeu a própria fala e respirou fundo. – Klaus, você viu o estado da garota, ela chegou aqui parecendo um pinto molhado. O que você queria que eu fizesse? Mandasse ela embora no meio desse temporal?
-Considerando que você já fez coisas muito piores...
-Você não vai desistir, não é? –Perguntou enquanto procurava os ingredientes certos.
-De jeito nenhum. –Riu. – Vamos lá, estou esperando.
-Você não vai conseguir isso tão fácil.
-Desafio?
-Desafio. Agora me deixa em paz. Vou pegar uma roupa pra ela...
-x-
Entregou a caneca à garota e se sentou ao seu lado.
-Melhor?
Selena aquiesceu.
-Obrigado.
-Não foi nada. –Sorriu.
-Confesso que eu não esperava que você fosse ser tão gentil. –Riu fraco.
–Vai ver você teve um pouco de sorte hoje. –Riu também. – Não quer ligar pra sua mãe?
-Ah, quero sim.
-Toma, usa meu celular. –Disse entregando o aparelho a Selena, que sorriu em agradecimento.
Observou a garota digitar alguns números e levar o aparelho ao ouvido.
-Alô, mãe? –Demetria a viu revirar os olhos. – Eu estou bem, eu só esqueci o celular dentro do carro. – Fez uma pausa. – Estou na casa da Demetria. –Outra pausa. – Tchau. –Encerrou a ligação, entregando o celular para Demi.
-Não fala nem um "eu te amo mamãe" antes de desligar? –Brincou.
Selena riu e cobriu a boca com as mãos antes de dar um espirro.
-Que ótimo, agora eu vou ficar gripada. –Sua voz era carregada de ironia.
-Relaxe Gomez, você não vai.
-Não, eu tenho certeza que vou ficar. –Espirrou mais uma vez. – Está vendo?
-Mas eu estou dizendo que você não vai, agora cala a boca porque eu sei das coisas. –Disse com ar de superioridade, logo cedendo a um riso curto.
-Tudo bem então, quem sou eu pra contestar sua palavra. –Riu.
-Vem, vamos descer.
Foram até a sala em silêncio e perceberam quando Klaus e Alexis se calaram imediatamente quando viram elas descendo as escadas. Os dois cobriram a boca tentando controlar o riso. Demetria revirou os olhos, ela tinha ouvido muito bem o que os amigos falaram.
-Vocês dois são tão idiotas.
-Mas o que a gente fez? –Klaus perguntou sonso.
-Nada, Klaus... Nada... –Ironizou. – Gomez, aceita um desafio?
-Depende.
-Toma isso aqui. –Pegou um dos controles do videogame em cima do home e o entregou a Selena. –Vamos jogar.
-Jogar o que? –Arqueou uma sobrancelha.
-Need for speed. Quem perder paga mico?
-Okay... –Respondeu meio hesitante.
No meio da partida, altas gargalhadas foram compartilhadas, não só por Demetria e Selena, mas por Klaus e Alexis também, que assistiam a competição das garotas. A cada batida que uma das garotas sofria, era motivo para a outra rir. Ao final das sete voltas disputadas, Demetria acabou ganhando por quatro segundos e meio de diferença.
-Rá, eu ganhei! Eu sou demais! Lá lá lá lá. - Caçoou de Selena, que riu da maneira infantil de Demetria. –Tudo bem... –Riu se recuperando do "surto" momentâneo. – Quer uma revanche ou quer pagar logo o mico?
-Revanche. –Pediu decidida.
No final das contas, Klaus e Alexis se juntaram à Demetria e Selena na disputa e passaram o resto da tarde jogando, sem nem perceber quando a tempestade cessou.
O perdedor final foi Klaus, e as garotas o obrigaram a se vestir de mulher, depois gravaram um vídeo, onde todos estavam dançando e no final, para fechar com chave de ouro, Klaus fez um desfile no meio da sala.
-Vocês foram muito más comigo, mas admito que foi divertido. –Klaus assumiu rindo, já vestido com suas roupas usuais.
-Temos que fazer isso mais vezes. –Alexis falou enquanto se jogava preguiçosamente no sofá.
-Contanto que eu não perca de novo, por mim tudo bem. –Disse fazendo as garotas gargalharem.
-Ah, mas você ficou tão lindo vestido de mulher. –Demetria brincou, fingindo estar triste.
-Isso... Me zoem bastante. Eu vou me vingar de vocês. –Riu.
-Ui que medo.
-Gente, eu tenho que ir. A chuva passou, as pistas já devem estar livres, e já está ficando tarde. –Disse se levantando. – Demi, onde você colocou minhas roupas? –Perguntou sem nem se dar conta de ter chamado Demetria por seu apelido.
-Vai lá pro quarto de hóspedes que eu já levo.
Selena fez o que lhe foi dito e se sentou na beira da cama, esperando Demetria.
-Aqui. –Entrou no quarto e entregou as roupas a Selena, logo depois saindo, dando a ela a privacidade necessária para se trocar.
Quando Selena saiu do quarto, Demetria estava sentada no chão do corredor, a esperando.
-Eu deixei suas roupas em cima da cama. –Avisou.
-Tudo bem, depois eu pego. –Sorriu se levantando.
-Obrigado por ter me ajudado hoje. O único caminho pra chegar à minha casa foi bloqueado e aqui foi o lugar mais próximo do mercado onde eu estava.
-Já falei que não foi nada. Não precisa agradecer.
Selena sorriu tímida, fitando o chão.
-Enfim... Preciso ir.
Demetria acompanhou Selena até a porta e antes da garota ir embora lhe deu um abraço e um beijo na bochecha, que acabou pegando Demi totalmente de surpresa.
-Tchau. –Sorriu acenando para a garota.
-Tchau, nos vemos depois. –Disse antes de entrar no carro.
-Já estão amigas? Que rápido. Você viu? Ela até te chamou de Demi.
-Já vai começar?
-Já. Não estou esquecido do nosso pequeno desafio.
-Tudo bem, que seja. –Deu de ombros.
-Mas espera ai, antes deixa eu te fazer uma pergunta. Posso?
-Desde quando você ou a Lexie precisam me pedir permissão pra me perguntar alguma coisa? –Perguntou sarcástica.
-Por que você não faz a coisa mais simples e invade a mente dela?
-Te respondo depois do duelo.
-Então vamos começar logo isso.
-x-
Demetria, Klaus e Alexis foram até a sala de treinamento, que ficava escondida atrás da biblioteca da casa. Alexis se sentou em um dos cantos da sala, enquanto Demi e Klaus pegaram suas armas e se posicionaram no meio do aposento.
Um duelo entre anjos caídos era bem simples, e para a espécie, bem divertido. Eles não podem sentir nenhuma dor física e seus ferimentos se regeneram em uma velocidade assustadora, mas a luta era algo que os excitava, pelo simples prazer do ato. Eles usam espadas em suas lutas, e deixam suas asas livres.
-De quanto eu preciso pra ganhar o que eu quero?
-Dois cortes. –Fechou os olhos e puxou uma respiração profunda pelo nariz.
Quando Demetria reabriu os olhos, eles brilhavam num tom suave de carmesim. Duas pequenas linhas brilhantes se formaram em suas costas e logo foram se tornando maiores e mais robustas, até que tomaram forma e suas asas foram reveladas. Elas eram negras e felpudas, e tinham três vezes o tamanho de Demetria.
As asas de Klaus também eram negras, mas tinham alguns centímetros a menos que as de sua amiga.
-O que está esperando? Ataque. –Sorriu. Seu sorriso sendo a pura definição de maldade.
Klaus partiu com rapidez na direção de Demetria, o único movimento que a garota fez foi para levantar sua espada, se defendendo do primeiro golpe. Os movimentos seguintes foram tão rápidos, que nenhum olho humano seria capaz de interpretar. O som metálico das espadas era tudo o que se ouvia dentro da sala. Klaus tentava atacar Demi de todas as maneiras e em todos os lugares, mas a garota era mais forte e conseguia se defender com total leveza.
Em algum momento do duelo, depois de uma última investida, Klaus cessou completamente seus movimentos e retraiu suas asas, depois se sentou no chão, completamente estafado. Tudo que ele conseguira fora um pequeno arranhão no antebraço de Demetria.
-Eu desisto. –Sussurrou ofegante, se deitando.
Demetria riu fraco, também um pouco ofegante e se deitou ao lado do amigo.
-Alexis, quando tempo ficamos aqui?
A garota olhou para o relógio em seu pulso.
-Três horas e quarenta e sete minutos.
-Valeu à pena seu esforço. –Deu dois tapinhas leves no peito do garoto deitado ao seu lado. –Você vai ter suas respostas.
-Obrigado. Poderia até comemorar, mas estou cansado demais até para sorrir. –Falou fazendo Demi rir.
-Enfim... A resposta para a pergunta que você me fez quando a Selena foi embora é... –Respirou fundo. – Não quero fazer isso com ela, porque ela parece ser uma pessoa legal, e eu não quero usá-la. E também, eu nunca fiz isso com ninguém, mortal ou imortal. Nem nunca precisei. –Riu.
-Verdade, ninguém resiste a um corpinho sexy e um sorriso sedutor. Nem mesmo eu. –Flertou de brincadeira. Aproveitou a posição favorável em que estavam e se virou, abraçando a garota de lado e mordendo sua mandíbula, fazendo Demi rir novamente.
-E a outra, que na verdade não é bem uma resposta, mas sim uma confissão. Porque você ainda não me perguntou, mas eu sei o que é. - Disse risonha.
-Estou esperando... –Apressou.
-É. Eu também estou louca pra ouvir. –Alexis disse, ainda do outro lado da sala.
-Eugostodeumahumana. –Respondeu rápido, quase tropeçando nas palavras.
-Mais devagar Demi. –Alexis provocou.
-Eu gosto de uma humana. –Falou normalmente.
-Resposta muito vaga. –Foi a vez de Klaus provocar.
Demi se levantou e pegou sua espada do chão, segurando-a como um punhal e a cravando no peito de Klaus, tudo em questão de dois segundos.
-Eu. Gosto. Da. Selena. –A cada palavra, ela empurrava a espada mais fundo. Fazendo Klaus rir e cuspir jatos de sangue. –Satisfeitos? –Sorriu, olhando de um amigo para o outro.
Demetria retirou a espada ensangüentada do peito de Klaus e o garoto tossiu, cuspindo mais sangue.
-Muito satisfeito. – O sorriso manchado de sangue, mas ainda assim, demonstrando todo o seu agrado. – Whoa, isso sangrou bastante. –Disse olhando pra sua camisa, completamente tingida de vermelho. – Demetria,você quer me matar? –Perguntou rindo.
-Sabe que não seria uma má ideia? -Riu, dando a mão ao amigo para ajudá-lo a se levantar.
-Podemos pedir uma pizza? –Mudou completamente de assunto.
-Contanto que você não abra a porta assim.
-Quê? Eu fico lindo assim, sujinho de sangue. –Brincou. Demetria e Alexis riram alto.
-x-
-Então... Você pretende fazer amizade com ela? –Alexis perguntou, colocando um pedaço de pizza na boca.
-Sim.
-Sabe que é arriscado, não sabe?
-Estou disposta a correr o risco. –Bebericou do refrigerante em seu copo. – O pior que pode acontecer é ela descobrir a nossa natureza.
-E está disposta a correr esse risco por uma mortal? –Klaus arqueou uma sobrancelha.
-Não é um risco tão grande. E ela não é uma má pessoa, vocês sentiram isso.
-É. –Klaus teve de concordar. – Mas ainda assim... Nenhum de nós nunca fez amizade com algum mortal.
-Então acho uma boa hora para tentarmos.
