IV

"O Casamento Escondido"

O Sol já estava alto quando ela abriu os olhos.

Por algum tempo tentou entender o motivo de ter acordado tão feliz. Não demorou para lembrar muito o que era e o sorriso voltou a ser desenhado em seus lábios.

- Ah! Vejo que acordou de bom humor. _ ouviu a voz de sua mãe.

- Bom dia, mamãe. Sim. Realmente, tive uma boa noite de sono.

- Fico contente. É bom que esteja disposta. Não podemos causar má impressão a ele.

Hermione ficou rígida. Teria sua mãe descoberto alguma coisa? Mas não tinha contado nada ainda nem para Luna.... Será que não tinham sido tão discretos na noite anterior? Será que ela sabia que se encontraria com Rony Weasley hoje?

Ficou um tempo calada. Deu graças a Deus que tinha acabado de acordar, assim pôde usar o seu despertar como desculpa para pensar.

Depois de um tempo, ela resolver interrogar a mãe. Mas com cautela. Não estragaria tudo se tivesse a chance de ela não saber.

- "Ele?" _ ela perguntou, casualmente _ "Ele" quem?

- O Lorde Krum é um velho amigo do seu pai. Vem nos visitar junto com o filho. Vai almoçar, conosco. _ Hermione sentiu uma onda de alívio percorrer todo o corpo. Então, ela realmente não sabia. Estava imersa nessa sensação, quando ouviu a voz da mãe chamando-a para a realidade. _ Hermione? Ainda está dormindo?

- Não.... Não mamãe, eu só.... Estou meio sonolenta ainda.

- Percebi. _ então, ela sorriu _ Você se lembra do filho dele, não é?

Hermione negou com sinceridade. Tinha sido apresentada a muitos rapazes em sua festa e dedicado muito pouca atenção a eles. Não se lembrava de todos.

- Victor Krum... Aquele rapaz moreno, alto que dançou com você depois do Lorde Elias. _ olhou para ela com impaciência _ O atleta mais velho.

- Ah... _ Hermione finalmente se lembrou _ O famoso? Aquele que as meninas ficaram me enchendo o saco para apresentar?

- Isso! _ Mônica ficou satisfeita que a filha tivesse se lembrado _ Ele mesmo.

- Sei quem é.

- Pois bem. Ele e a família vem comer conosco e quero que se comporte muito bem, hein mocinha? Não quero buxixos que minha filha não teve educação.

Hermione ri.

- Pode deixar, mamãe. Serei uma lady.

- Assim espero.

Mônica ia se encaminhando para a porta.

- Ah, mãe!

- Sim?

- Pode me chamar Luna, por favor?


Seus pés batiam impacientes contra o chão assim como seu coração em seu peito. Porque as missas tinham sempre que demorar tanto?

- Rony... _ ralhou a senhora Molly Weasley, matriarca dos Weasley _ Quer fazer o favor de se aquietar? Estamos em uma igreja.

- Desculpe, mãe.

- É, Rony. _ diz Gina, sua irmã de dezessete anos _ Se não queria vir, porque veio?

- Não fale do que não sabe, Gina!

- Grosso!

- Não briguem, os dois! _ tornou a ralhar Molly. _ Que coisa! Nem parece que lhes dei educação.

- Desculpa, mãe. _ disseram os dois ao mesmo tempo.

A missa transcorreu como de costume.

Terminada, todos começaram a se levantar.

- Ah, mãe... Eu vou ficar mais um pouco, ok?

Molly o olhou com desconfiaça.

- Porque? Não estava impaciente até um minuto atrás?

- É que... Eu gostaria de falar com o frei. Me confessar, sabe?

Molly o olhou mais um pouco e deu de ombros, abrindo um sorriso.

- Tudo bem. Vai se casar em pouco tempo. _ Rony encolheu ao ouvir isso _ É bom que seja perdoado dos seus pecados antes disso.

Ela lhe apertou a bochecha e ele deu um sorriso amarelo.

Os Weasleys saíram do local, deixando Rony sozinho. Assim que a igreja esvaziou, Rony correu para atrás do altar.

- Frei Dumbledore!


"Não se esqueça de procurar por ele, Luna. Você sabe muito bem quem. Estou tão ansiosa! Mal posso esperar para ver a solução do meu amado. Espero que suas palavras e intenções sejam sinceras..."

A voz de Hermione ecoava na cabeça de Luna.

Ela só poderia mesmo estar louca. Se envolvendo com um inimigo desse jeito. Mas ela prometera ajudar em qualquer coisa que a amiga precisasse. Não ia quebrar a promessa agora.

Continuou caminhando rapidamente, olhando sempre em volta. Querendo ou não estava em um território inimigo, apesar de não pertencer a nenhuma das duas famílias, mas tinha uma ligação com eles.

Foi então que ela viu, um grupo de rapazes que fazia farra pelas ruas.

Decidiu arriscar.

- Co-Com licença.

Todos pararam, olhando-a com malícia.

- Vocês... Viram Ronald Weasley?

- Por acaso, vimos. _ diz Fred, zombeteiro.

- O que quer com ele? É um membro do seu arém particular? _ diz Jorge.

- O que? Não, eu...

- Roniquinho tem a cara de sonso mas passa a perna em todos nós. _ diz Fred.

- Mas porque só ele pode? _ diz Colin.

- Ela até que é bonitinha, não acham? _ diz Dênis.

- Concordo... Muito graciosa... _ comenta Lina Jordan, melhor amigo dos gêmeos.

Os rapazes começam a cercar a jovem que se assusta. Em pouco tempo, Luna se desespera ao ver que não há nenhum respeito por parte daqueles caras. Sentiu quando alguém levantou sua saia e se virou a tempo de acertar a cabeça de Colin com a bolsa.

- PERVERTIDO!!

- Que é, gracinha? _ diz Lino _ Já deveria estar acostumada...

- Seus... Brutamontes. Me deixem em paz!

- Calma... Não vai doer nada. _ Jorge a agarra por trás.

- NÃO! ME SOLTEM! SSSOOOCCCOOORRROOO!!!

Ela sente quando uma das mãos começa a subir por suas coxas. Sente as lágrimas encherem seus olhos.

- Deixem ela em paz! _ a voz de Rony surge.

Eles soltam Luna, que corre para o lado do rapaz, que caminha junto com Harry.

- Roniquinho! _ cumprimenta Jorge.

- Vocês não tem vergonha, não? _ ele ralha. Harry tenta acalmá-la _ Agarrando uma dama contra a sua vontade!!

- Nós só estávamos brincando com ela... _ comenta Fred, com voz mole.

- Andaram enchendo a cara de novo, não foi? Vi garrafas caídas por todo o caminho!

- Isso é uma calúnia! _ diz Lino.

- Isso mesmo! Só bebemos socialmente... _ diz Dênis, também com voz mole.

Rony lança um olhar enojado a todos.

- Nem acredito que tenho o mesmo sangue que vocês... Que vergonha! Seus imbecis! _ ele falava isso se dirigindo aos gêmeos.

- Vá, Rony! Você que é um imbecil!! _ os dois disseram em coro.

Rony e Harry afastaram Luna dali.

- Obrigada por me ajudar. _ Luna pôde enfim dizer.

- Não foi nada. _ Harry e Rony disseram juntos.

Luna olhou atentamente para eles.

- Vocês estavam no baile, certo? O baile dos Granger?

Os dois ficaram rígidos. Harry foi o primeiro a falar:

- Nós não queríamos causar nem um tipo de confusão. Nós só...

Luna riu.

- Eu sei. Não estou aqui por isso. Estou procurando um rapaz que estava lá também. Ronald Weasley.

Rony olhou para ela.

- Sou eu mesmo. Esse é Harry Potter, meu amigo e noivo de minha irmã, Gina. E você? Quem é?

Luna sorriu novamente, agora com satisfação.

- Sou Luna Lovegood. Sou afilhada dos Granger. _ Rony sentiu a tensão o invadir. Sabia de quem se tratava. A alegria encheu o seu coração. _ Fui enviada por Hermione para conversar com você.

Os olhos de Rony se iluminaram. Ele pegou as mãos de Luna.

- Diga, boa jovem. O que diz minha amada, Hermione?

Luna olha para Harry.

- Ah! Não se preocupe. _ Rony diz _ Harry é a minha pessoa de confiança. Sabe de tudo pode ficar tranqüila.

- Pois bem... Hermione pediu para que eu perguntasse a você qual foi a decisão que tomou. Quais são as intenções com ela. Pretende agir como se fosse mais uma ou tem alguma intenção mais séria.

Rony sorriu, com malícia.

- Ela tem liberação para se confessar diariamente?

Luna sorriu.


- Luna! Porque demorou tanto? Estou quase tendo um filho aqui!

- Calma, Hermione. Porque a ansiedade toda?

- Vamos, diga! O que meu amado disse?

- Não vai me ajudar com essas compras? Estão muito pesadas.

Hermione ajudou Luna a pôr as sacolas nas mesas. Meio segundo depois, voltou a perguntar:

- E então?

- Está mesmo curiosa, não?

- Não me provoque desse jeito, Luna! O que Rony disse?

Luna sorriu.

- Bom... Como me pediu, perguntei a ele sobre as suas intenções com você.

- E então?...

Pausa.

- Vamos!

- Você tem permissão para se confessar?

Hermione parou, confusa.

- Sim. Para isso eu sempre tenho permissão.

- Então fique bem bonita, ponha seu melhor vestido. Amanhã de manhã você irá a igreja se confessar. Seu futuro marido estará esperando por você no altar.

Hermione sentiu todo o seu corpo estremecer. Soltou um grito eufórico tão alto que Luna pensou ter ouvido Mônica questionar sobre ele no andar de cima.

Quando a garota se acalmou, Luna explicou o plano para ela.


A praça estava lotada e seu movimento ia aumentando conforme as pessoas deixavam a igreja aos poucos após a missa. Os Weasley estavam entre eles. Os Granger normalmente iam na missa da noite. Não queriam se encontrar com "os traidores".

- Rony não veio de novo? _ perguntou Gina.

- Não, querida. Ele queria se confessar com o Frei.

- De novo? Não fez isso ontem?

Molly deu de ombros.

* Fico feliz que esteja ficando mais próximo da igreja. Estava meio afastado ultimante. _ disse Molly.

- E Harry? Porque ficou?

- Para Rony não voltar sozinho, eu acho. Os dois são muito ligados.

- Mas ontem ele não ficou.

- Gina, não tente entender os homens. Harry é seu noivo, não a sua propriedade.

Gina ainda não estava satisfeita, mas se calou. Os gêmeos andavam ao seu lado.

- Pra mim, Roniquinho tá virando um mané. _ diz Jorge, bufando.

- Concordo. Um completo imbecil.

Molly olhou com censura para os gêmeos.

- E vocês deveriam seguir o exemplo dele ao invés de ficar quebrando tudo e bebendo por aí! _ ralhou ela _ Já tive que aturar muitas reclamações por causa de vocês!

Os dois emburraram.

Dentro da igreja, Rony andava impaciente de um lado para outro no altar. Alvo Dumbledore; o frei, um homem de idade, com cabelos e barbas brancas e irmão do governador Aberforth, o olhava paciênte.

- Calma, meu filho. _ ele dizia _ Ficar nervoso desse jeito não vai ajudar em nada.

- Eu sei. Mas será que ela vem mesmo?

- Não confia no julgamento de Hermione?

- Não é isso. Temo que seu pai a tenha impedido de alguma maneira....

- Isso só ocorreria se ele descobrisse.

- Será que não descobriu?

Alvo sorri. Mas é Harry, que está sentado no primeiro banco, quem fala:

- Rony... Você acha que se ele tivesse descoberto você ainda teria pernas para andar de um lado para outro?

Rony olhou torto para o amigo, mas não disse nada. Mais alguns minutos se passaram.

- Pode ficar tranqüilo agora, "Romeu". _ diz Harry, rindo da própria comparação _ Olha só quem está na porta.

Rony ergueu os olhos. Seu corpo inteiro esquentou com a visão mais linda que poderia ter. Não se conteve. Correu ao seu encontro assim como a jovem também o fez. Se encontraram no meio do caminho, onde trocaram muitos beijos apaixonados.

- Er... Olá... _ os dois pararam de se beijar com a voz de Harry, mas ainda estavam muito emocionados _ … Deixa um pouco para a lua-de-mel. Estão deixando o frei e a Luna sem graça;

Hermione corou, mas Rony meramente sorriu.

Luna se juntou a Harry. Os dois seriam os "padrinhos". Rony levou Hermione até o altar. Alvo começou a falar as palavras de sempre. Passaram pelo "sim", até que ele chegou a parte mais crucial antes do encerramento:

- … E se alguém tem algo a dizer, que fale agora ou se cale para sempre.

De repente, uma voz feminina um tanto nervosa ressôou na igreja.

- Rony! O que pensa que está fazendo?!

CONTINUA


Oi!

Estou aqui postando o novo capítulo.

Desculpem se demorei um pouco. Estou dividida entre essa fic e "O DESTINO NOS UNIU".

Mas enfim, aqui está.

Beijos a todos e obrigado pelos reviews.