Aviso: Contém Lemon.


# 4 Epílogo - (Nossos Sentimentos)

Iruka não entendia porque estava tão nervoso.
Havia voltado da sede da Vila para sua casa e começado uma verdadeira faxina.
Não que o chão necessitasse ser encerado duas vezes seguidas, ou que os móveis da sala estivessem em lugares errados.
Essa inquietação começara quando o Chuunin sentou-se em sua cadeira após voltar da conversa com Kakashi. Estava mais distraído do que antes, e uma série de pensamentos começavam a povoar sua mente. Fazia praticamente um semestre que estavam separados, e a idéia de receber Kakashi em sua casa novamente era reconfortante, mas ao mesmo tempo embaraçante.
A ansiedade começou a aumentar quando o Sol se pôs e Iruka percebeu que não havia mais nada em sua casa que ele pudesse limpar ou tirar do lugar.
O som de batidas na porta o fizeram arregalar os olhos, passando-os pela sala a fim de confirmar se tudo estava arrumado.

- Yo!

Kakashi acenou assim que Iruka abriu a porta, entregando para o Chuunin as duas sacolas que tinha nas mãos, enquanto tirava as sandálias ninjas.

- Ow, mas que arrumação! - Kakashi olhava para a sala surpreso.

- Impressão sua...

Iruka estava de costas, envergonhado, colocando as sacolas sobre a mesinha no centro. Enquanto ajeitava o jantar, sentiu quando Kakashi sentou-se atrás dele já sem o colete esverdeado e a bandana que cobria o olho esquerdo, abraçando-o. O Chuunin não percebeu um meio sorriso brotando em seus lábios, ao lembrar nostálgico que Kakashi sempre fazia isso quando ele arrumava a mesa. Não reprovou a atitude, inclinando um pouco a cabeça, entregando o hashi para o Jounin com o mesmo meio sorriso.
Kakashi mudou de posição, indo para o lado de Iruka, abaixando a máscara e mostrando um largo sorriso.

- Obrigado pela comida!

Os dois disseram ao mesmo tempo, e Iruka não pôde deixar de comentar que a comida estava deliciosa, principalmente o croquete de camarão.
O jantar correu tranqüilo, Kakashi precisou repetir para Iruka o que já havia dito anteriormente, a pedido do próprio Chuunin que ainda argumentava se era realmente uma boa idéia irem atrás da Akatsuki.
Quanto mais Iruka ouvia do plano, mais pesado ficava seu coração e mais aumentava o nível de sua preocupação. Em vários momentos ele se pegou passando a mão na nuca, demonstrando claramente que não aprovava aquilo. Nem mesmo quando a garrafa de sakê estava na metade, os temores do Chuunin pareciam ter cessado, pelo contrário, com apenas um copo ele havia perdido um pouco do desembaraço, bravejando a todos os pulmões que Kakashi tinha a obrigação de voltar vivo da missão.

- Você me ouviu, se realmente vai nessa missão idiota fique ciente de que precisa voltar inteiro!

Iruka tinha se levantado e andava em direção ao quarto enquanto falava. A temperatura havia diminuído e mesmo que Kakashi não tivesse dito nada, ele sabia que seria uma questão de tempo até o Jounin começar a reclamar do frio.
Ainda está muito cedo para pegar o kotatsu. – pensou enquanto escolhia um cobertor.

Kakashi havia deixado Iruka extravasar suas frustrações sem nem ao menos abrir a boca. Mantinha o meio sorriso nos lábios, se divertindo por dentro com a pose do Chuunin enquanto falava, como se mais ordenasse do que pedisse.
Na realidade Kakashi não ousaria negar qualquer ordem ou pedido que viesse de Iruka, tamanha sua felicidade por estar novamente fazendo uma refeição na casa daquele que se tornou tão precioso para ele. A maneira como o moreno falava e gesticulava, nublavam todos os sentidos de Kakashi, até que ele não pôde mais apenas observar. Quando Iruka levantou-se e caminhou em direção ao quarto, o Jounin levantou-se em seguida ouvindo os praguejos sobre retornar vivo a vila sem pestanejar.

- Você está me ouvindo... É bom que eu não esteja falando soz...

Iruka correu a porta do armário para fechá-lo, virando-se com um cobertor nas mãos, quando suas palavras simplesmente morreram em sua boca. Kakashi estava parado na entrada do quarto já sem a blusa, desabotoando os botões da calça, parando apenas ao notar o olhar de Iruka.
Aquela cena deixara o Chuunin totalmente sem guarda. Seus olhos não conseguiam fugir da figura à sua frente, e seu corpo começava a responder a isso. Engoliu em seco ao sentir um arrepio e uma vontade enorme de desviar o olhar, mas era impossível. Seu bom senso dizia para segurar mais firme o cobertor nas mãos, mas seu corpo afirmava que ele não passaria frio naquela noite por outro motivo. Entre um e outro, Iruka se viu abandonando o pedaço de pano, atirando-se nos braços de Kakashi, antes que sua mente pudesse processar o que ele tinha feito, e um conhecido sentimento de culpa e vergonha se apossasse dele.
Seus lábios logo encontraram os lábios que tanto ansiavam, e o Chuunin não protestou ao abrir um pouco mais a boca para receber a língua astuta de Kakashi. Deixou que o Jounin vasculhasse cada canto da sua boca enquanto se desfazia de sua blusa.
Iruka não percebeu que havia sido conduzido até a cama, notando apenas que encostava as costas no colchão, afastando os lábios dos de seu amante para respirar, envolvendo-se novamente no beijo como se sua vida dependesse inteiramente disso.
Cada toque de Kakashi fazia Iruka estremecer como se fosse a primeira vez que aquelas mãos faziam aqueles caminhos. Ele estava mais sensível do que antes, mais ansioso por cada beijo e por cada toque, o que não passou despercebido por Kakashi, que apenas sorria ao notar como o Chuunin respondia a todas as suas investidas.
Os lábios do Jounin desciam pelo peito de Iruka, dando atenção especial aos mamilos do moreno, que por sua vez, mexia-se na cama suspirando longamente, olhando de relance para a trilha de saliva que Kakashi deixava em seu abdômen. Quando os lábios de seu amante desceram para seu baixo-ventre, um gemido rouco escapou de Iruka, que arqueou o corpo para deleite do homem de cabelos acinzentados. A língua experiente de Kakashi percorria o sexo do Chuunin sem pressa, para total desespero de Iruka, que começava a se mexer ainda mais na cama, murmurando palavras desconexas.
Kakashi fez uma pausa no que fazia ao notar que Iruka estava em seu limite, para terminar de tirar as vestes de ambos, que somente atrapalhavam. Suspirou aliviado ao se livrar da própria calça que o apertava desde o momento que tinha parado na entrada do quarto.

- K..Kakashi-san.. - Iruka abriu os olhos, murmurando com a voz suave, completamente perdido em luxúria.

- Você está realmente sensível hoje, Iruka-sensei! - Kakashi sorriu enquanto levava dois dedos na direção da boca de Iruka, que os lambeu com vontade, arrancando um arrepio do Jounin.

- Sensível...? - O peito do Chuunin subia e descia em espasmos.

- Eu preciso te preparar, já faz alguns meses... ao menos eu acho...

Iruka abriu a boca para retrucar a indireta recebida, mas ao invés de palavras grosseiras, sua boca deixou escapar um gemido ao sentir-se preenchido pelos dedos do Jounin, gemendo ainda mais quando Kakashi começou a movimentá-los, esperando que o corpo se Iruka se acostumasse com a invasão.
Entretanto, naquela noite o Jounin não estava muito paciente, e as expressões de prazer que seu parceiro fazia também não facilitavam seu trabalho.

- Des..culpe, Iruka-sensei..

A mente de Iruka não teve tempo de processar o que tinha ouvido, mas o corpo do Chuunin soube bem como responder quando Kakashi retirou seus dedos para então penetrá-lo com seu sexo, arrancando um gemido alto de Iruka que apertou o lençol com força, numa mistura de dor e prazer. Kakashi tinha afastado as pernas do moreno, inclinando-se e respirando fundo, começando a se mover devagar.
Iruka não conseguiu lembrar se já havia sido tão doloroso nas outras vezes, pois a dor havia dado lugar somente ao prazer, conforme Kakashi aumentava o ritmo das estocadas e manipulava habilmente seu sexo.
O quarto encheu-se logo de gemidos e suspiros, que pareciam aumentar cada vez mais.
O clímax chegou primeiro para Iruka, que se sentiu preenchido por Kakashi em seguida, vendo o meio sorriso nos lábios do Jounin antes que ele caísse em seu peito, esgotado.
Permaneceram assim por alguns minutos. Iruka encarava o teto com a respiração difícil, tanto pela "ação" quanto pelo peso de Kakashi em cima de seu peito, mas não ousaria se quer mencionar tal fato, preferindo apenas abraçar o Jounin, afundando o rosto nos cabelos acinzentados, sentindo novamente o coração pesado.
Kakashi retribuiu o abraço, esperando sua respiração voltar ao normal, para poder erguer o rosto, ficando surpreso por ver uma expressão tão triste no rosto a sua frente, que minutos antes só demonstravam prazer e satisfação.

- Você está preocupado... - Kakashi apoiou as mãos ao lado do corpo de Iruka para poder vê-lo melhor.

Mas não houve resposta para sua pergunta.
Ao invés disso, a expressão de Iruka tornou-se ainda mais séria, e seus olhos desviaram dos olhos de Kakashi, encarando algum outro ponto do quarto. O Jounin tentou não notar, mas era difícil não perceber a tímida lágrima que escorria do olho esquerdo do Chuunin, caindo de encontro ao lençol.

- Iruka.. Iruka, por favor.. - Kakashi virou o rosto de Iruka, sorrindo de canto ao enxugar o canto dos olhos que ainda brilhavam pela lágrima. - Era para você estar sorrindo e não chorando.

- Por que eu deveria sorrir? - A voz de Iruka saiu tão séria quanto a expressão em seu rosto. - Não que eu não queira sorrir, mas... - Houve uma pausa, acompanhada de um suspiro - Não consigo aceitar o fato de que amanhã nessa mesma hora eu vou estar sozinho aqui... - E bateu de leve a mão na cama.

Kakashi olhou-o e após alguns segundos, respondeu com a voz tranqüila:

- Isso não deixa de ser verdade. Durante alguns dias você não terá companhia, mas eu te disse, eu volto. E quando isso acontecer eu espero que esteja aqui para me receber como hoje - As costas de suas mãos desciam pelo rosto choroso de Iruka - Não vou repetir que é nosso trabalho, mas nesse tempo quero que se lembre que não haverá um instante em que eu não vá estar querendo voltar. Então espere por mim, porque não existe outro lugar que eu queira estar do que aqui com você.

O rosto de Iruka tornou-se vermelho e ele esboçou algo que parecia ser um meio sorriso.
Kakashi levantou-se e caminhou até o armário, voltando para cama com a coberta que Iruka havia deixado no chão, cobrindo a ambos, mesmo ouvindo um praguejo sobre eles ao menos colocarem calças para dormir.

- Não tem necessidade, Iruka-sensei... - Kakashi sorria enquanto puxava Iruka para perto de si, acomodando o moreno em seu peito - Você vai ter tempo livre, pode lavá-lo novamente.

- Você acha que eu limparia alguma coisa por você? - Iruka mentiu descaradamente, erguendo os olhos para Kakashi, calando-se ao ser beijado pelo mesmo.

- Eu acho...

Os dois acabaram dormindo entrelaçados, e Iruka não soube dizer a quanto tempo não tinha uma noite de sono tão tranqüila.
O Sol mal havia nascido quando Kakashi já estava arrumado, se despedindo de Iruka com um beijo em seus cabelos desarrumados, mas sem acordá-lo.
Quando o Chuunin acordou horas depois, não havia mais nenhum sinal de companhia, e as verdadeiras lágrimas, aquelas que ele havia escondido saíram junto com um soluço, enquanto ele afundava o rosto no travesseiro sentindo-se ainda pior ao sentir o cheiro de Kakashi.

Os dois dias que se seguiram foram sufocantes e parecia para Iruka que o tempo simplesmente não passava. Havia algo de diferente e ele não podia negar. Aquela era a primeira vez que ficava tão afoito e atento a qualquer notícia que viesse de fora, a ponto de pedir para trabalhar diretamente com os Chuunins do segundo andar.
Porém, a pior parte era o anoitecer.
Nas duas noites que chegou em casa após o trabalho, precisou de forças extras para não se deixar abater e perder-se em pensamentos e idéias pessimistas.
No terceiro dia, as aulas haviam terminado mais cedo, e mesmo não sendo do seu feitio deixar a Escola antes do entardecer, naquele dia em especial Iruka não queria passar mais que o tempo necessário naquelas instalações. Chegou em casa e suspirou, arregaçando as mangas das vestes pronto para uma (inútil) arrumação na sala, quando seus olhos saltaram da mesa para a porta, vendo-a entreabrir.
Os olhos de Iruka se apertaram e ele esqueceu completamente de qualquer outra coisa que não fosse a figura de Kakashi que adentrava. O Jounin não parecia muito bem visivelmente: sem o colete e com várias partes das vestes azuis rasgadas, além de estar sem a bandana. Entretanto, isso foi totalmente irrelevante para o afoito Iruka, que apenas queria sentir que seus olhos não lhe pregavam uma peça, abraçando Kakashi, arrancando um gemido baixo de dor.

- D... Desculpe... - Iruka afastou-se de Kakashi com o rosto vermelho, notando pela primeira vez o estado em que ele se encontrava.

Kakashi fez sinal com a mão para que ele não se importasse, coçando a cabeça em seguida.

- Estou em casa. - O Jounin abaixou a máscara, mostrando o mesmo sorriso de sempre.

Iruka olhou-o surpreso.
Uma série de pensamentos lhe passava pela mente, havia muita coisa que ele queria saber, e muitas outras coisas que ele queria falar, mas naquele momento tudo o que pôde fazer foi segurar as mãos do Jounin entre as suas, retribuindo o mesmo sorriso enquanto seu coração parecia incrivelmente leve, e uma sensação que ele não conseguia descrever percorria-lhe o corpo.

- Bem-vindo de volta!


Notas da Autora:

Finalmente terminei.
Para ser sincera eu estava ansiosa para terminar essa fanfic, já que foi uma das que eu mais gostei de escrever. Esse último capítulo é um "bônus", achei que o Kakashi e o Iruka mereciam um lemon. Confesso que a cena dos dois poderia ser mais detalhada, mas eu percebi que me saio melhor com descrições de sentimentos xD

Não detalhei também o que aconteceu na ausência do Kakashi, pois achei desnecessário por dois motivos: 1) está no mangá, e acredito que a grande maioria dos leitores deve acompanhá-lo, e 2) a fanfic era basicamente focada no Iruka.
Eu não sei exatamente quanto tempo durou a missão do Kakashi com o Time #10, então acabei chutando dois dias.

Enfim, queria agradecer a todos os leitores e aos reviews recebidos.
O meu mais sincero "muito obrigada" por vocês terem lido até aqui :D