DYNAMITE

Capítulo 4. Esconde-Esconde

"Você trouxe seguranças!" Katsuki gritou. "Puta que pariu, cara redonda! Puta que pariu!"

A garota parecia assustada com sua reação, mas ela franziu a testa, mais preocupada com outra coisa:

"Cara redonda?"

Katsuki não tinha tempo para explicar, nem se importava em fazê-lo. Pensou em todas as suas possibilidades de fuga em um milésimo de segundo:

A primeira opção era pular de uma janela, mas a parede da academia que dava para a rua era feita toda e completamente de vidro. Não tinha nenhum lugar para que Katsuki pudesse pular para fora, visto que não haviam aberturas.

As escadas de emergência, por outro lado, também não eram uma opção viável. Os seguranças/polícia/o que quer que fosse estariam esperando-o no primeiro andar.

A situação parecia não ter uma saída.

"Vocês precisam se esconder por algum motivo?" Pica-pau parecia completamente confuso. Estava de pé na recepção, perdido sobre o que estava acontecendo.

Recepção.

Katsuki olhou para onde o ruivo estava. Como ele estava de pé e não sentado, havia um pequeno espaço - que era onde suas pernas deveriam ficar - disponível.

Parecia ser a única opção: Era pequeno e Pica-pau estava de pé ali, então era improvável que qualquer um fosse checar aquela área, ao passo que os vestiários seriam virados de cabeça para baixo para encontrá-lo.

Ele olhou para a garota de rosto redondo e vestido frufru. Ela era um problema. Ele tinha certeza absoluta que a garota não sabia mentir.

Seu milésimo de segundo passou e o elevador apitou, alertando ter chegado ao segundo andar. Sem tempo para elaborar um plano melhor, ele correu na direção da menina, puxando-a pelo braço.

"Pica-pau." Katsuki deslizava com Vestido frufru para debaixo da recepção, escondendo-se com ela no único canto disponível. "Você e seus amigos nunca nos viram."

Ele não viu, mas sabia que seu tom ameaçador tinha feito o ruivo engolir em seco.

. . .

Eijirou estava um pouco mais do que aterrorizado.

Seguranças. Ele tinha dito seguranças, certo? Eles tinham roubado algum lugar? A garota tinha cometido um erro e trazido eles até Bakugou Katsuki? "Bakugou Katsuki" era sequer um nome verdadeiro? Eijirou tinha acabado de se meter em algo extremamente complicado e que potencialmente ameaçava sua vida?

Pelo menos quinze horríveis possibilidades cruzavam sua mente quando o garoto loiro e a menina de vestido verde deslizaram para debaixo da recepção, próximo aos seus pés.

"Pica-pau." Eijirou sabia que Bakugou estava falando com ele, e a voz que lhe era direcionada era ameaçadora. "Você e seus amigos nunca nos viram."

Ele não teve tempo de olhar para Kayama e Aizawa para confirmar que eles tinham escutado e que obedeceriam ao loiro, mas tinha plena certeza que o fariam. Aizawa era preguiçoso demais para se envolver em qualquer coisa complicada, e Kayama era o tipo de pessoa que desviava o olhar de qualquer situação difícil.

Agora dependia dele.

. . .

Se arrependimento matasse, Uraraka Ochako estaria, muito provavelmente, morta.

Para a surpresa dela e de Katsuki, ela tinha conseguido encontrá-lo. Ele estava no segundo andar da academia All Might Gym.

A tecnologia e suas possibilidades nunca deixavam de impressioná-la. Ela nunca teria conseguido tal feito se não estivesse com seu celular.

Quando ela percebeu que Katsuki estava lá, socando um saco de boxe ao invés de uma pessoa, ela ficou genuinamente feliz por sentir que realmente o entendia. Ele era uma pessoa explosiva, mas lógica, exatamente como ela tinha deduzido.

A felicidade durou pouquíssimo, entretanto, pois logo ele estava gritando. Não com Bakugou Mitsuki, mas com ela. Ochako não tinha pensado como seria ter a raiva do loiro dirigida a si. Era algo que ela não tinha levado em conta.

Em questão de segundos a determinação de conversar com ele e explicar sua situação evaporou, sendo substituída por uma sensação de completa afobação.

Quando Katsuki mencionou seguranças, ela quase morreu de choque. Nunca tinha pensado naquela possibilidade, que para ele era tão óbvia. Não tinha pensado porque não fazia parte do mundo dela. Seus pais mal tinham dinheiro para pagar um uber, imagine se teriam dinheiro para contratar seguranças.

Katsuki a estava acusando, completamente revoltado, e não havia nada que ela pudesse fazer.

Qualquer chance de falar com ele tinha ido por água abaixo se ela tivesse sido realmente seguida. Ele não confiaria nela de maneira nenhuma. Para ele, ela seria simplesmente a garota burra que a mãe tinha mandado ele se casar com.

Céus, ele tinha a chamado de cara redonda. A cara dela não era tão redonda assim, era? E mesmo que fosse, isso queria dizer que ele sequer se lembrava do nome dela?

Era certo de que ele já a odiava. Desde o início. Ochako se sentia completamente ingênua de ter pensado em se aliar a Katsuki.

Por isso, quando ele a puxou pelo braço sem dizer uma palavra, ela ficou tão surpresa que quase caiu no chão. Ela não entendeu ao certo qual era a estratégia que ele tinha em mente, mas entendeu que, para que o que quer que seja funcionasse, ele precisava que ela agisse de alguma maneira.

E ela definitivamente agiria, se fosse o necessário para ganhar a confiança dele.

. . .

Eijirou tinha orgulho de si mesmo por sempre reagir do modo mais honesto às situações. Não gostava de aparentar fraqueza, mas admitia quando era, de fato, fraco. Não entendia como alguns caras se obrigavam a fingir para amaciar o próprio orgulho.

Por isso, não tinha vergonha alguma de admitir que estava extremamente nervoso enquanto a porta do elevador se abria.

De alguma forma ele tinha se metido numa situação que envolvia esconder duas pessoas de seguranças. Se eles eram terroristas ou foragidos da polícia, Eijirou não fazia ideia. Eles deviam ter mais ou menos a sua idade, então pelo menos ele esperava que não fosse algo tão grave.

Nunca fora bom em mentir, mas se preparou psicologicamente para fazê-lo. Em parte, porque meio que acreditava nos dois jovens que estava protegendo - mesmo não tendo motivo nenhum para isso -, e em parte porque estava com medo sobre o que ele podia se meter caso revelasse onde eles estavam.

. . .

Vestido frufru estava tão claramente nervosa que Katsuki estava quase ficando nervoso junto com ela. Ele estava próximo o suficiente da garota para sentir sua respiração irregular, e ele podia jurar que conseguia até mesmo escutar seu coração acelerado.

Os dois estavam enfurnados no pequeno espaço debaixo da recepção, mal respirando e em silêncio. Katsuki estava grato que pelo menos ela tinha entendido que deveria ficar em silêncio, mas a ansiedade que emanava dela estava lhe tirando do sério.

À contragosto, fez um sinal de "calma" para ela, ao mesmo tempo em que Eijirou começava a falar com sabe-deus-quem que sua mãe havia mandado:

"B-boa tarde, em que p-posso ajudá-lo?" A voz de Pica-pau tremeu tanto enquanto ele falava que Katsuki teve vontade de chutar sua canela. Será que não era apenas Vestido frufru que não sabia mentir, mas Pica-pau também?

Se sentia cercado de inúteis.

"Essa academia é nova?" A voz que respondeu a Pica-pau tinha um tom rude, e era grave. Katsuki não se abalou, pois era o que esperava: Um brutamontes pronto para levá-lo para casa. Típico de sua mãe.

A garota de cara redonda ao seu lado, por outro lado, pareceu ter tido a alma sugada.

Ele encostou o dedo indicador na boca, pedindo silêncio dela. A menina estava pálida, mas assentiu com a cabeça.

"Ah. É... Estamos abertos h-há menos de uma semana." Pica-pau ainda parecia a beira de ter um ataque de nervos.

Eles iam ser pegos. Iam ser pegos e Katsuki seria arrastado para onde sua mãe estava. Meu deus, por que ele não tinha matado ela ainda? Velha filha da puta. Teria que ficar escutando um sermão que ele não queria ouvir, e sabe deus o quê mais. Teria que conversar sobre casamento.

Ah, mas nem fodendo. Ele se preparou para sair de debaixo da mesa. Tentaria correr dali. Era improvável que conseguisse, mas era melhor do que ser cercado naquele cubículo, sem nenhuma chance de escapar.

Vestido frufru lhe lançou um olhar assustado ao perceber seu movimento.

"Entendo…" O homem respondeu Pica-pau. Era agora. Era agora que ele perguntaria de Katsuki. Que Eijirou mentiria pateticamente e que ele seria encontrado. Ele precisava fugir. Rápido. O mais rápido possível. "Quanto é a mensalidade?"

Katsuki obrigou seu corpo a parar no meio do movimento de fuga. Ele franziu a testa.

"Depende do que você vai querer fazer." A voz de Pica-pau demonstrava surpresa. Ele tinha parado de gaguejar, "Mas aqui tenho um papel com os pacotes."

Katsuki escutou Eijirou remexer numa gaveta pouco acima de sua cabeça. Houveram alguns segundos de silêncio.

"Gostaria de inscrever eu e meus três filhos." O homem concluiu.

Não era um segurança.

Katsuki teve vontade de revirar os olhos. O timing da chegada de Vestido Frufru com a do cara tinha sido tão perfeito que ele tinha tido certeza absoluta de que ela tinha sido seguida por um segurança. Mas ele estava errado.

Depois de alguns minutos - sufocantes no cubículo atrás da recepção -, o homem agradeceu e foi embora.

Assim que a porta do elevador fechou, Vestido frufru saiu em velocidade máxima de debaixo da recepção.

"Eu quase morri!" Exclamou. Seu rosto estava vermelho, e ela estava bem mais suada do que Katsuki se lembrava. "Eu quase morri!"

"No fim não era um segurança…" Pica-pau comentou, o alívio claro em sua voz. "E até que enfim conseguimos clientes, Kayama, Aizawa!"

Katsuki ouviu a comemoração dos companheiros de trabalho de Pica-pau enquanto saía de debaixo da recepção.

Ele olhou para Vestido frufru, que tinha uma das mãos no seio esquerdo e tentava controlar a respiração:

"É. Pelo visto você não foi seguida." Concluiu. "Por que você não disse isso de uma vez, caralho?" Reclamou.

Ela pareceu levemente surpresa por ele estar se dirigindo a ela.

"É que eu não fazia ideia do que você estava falando!" Ela respondeu, "Você falou de seguranças e perseguição e eu fiquei completamente perdida. Como eu ia saber?"

Katsuki revirou os olhos.

"Bom, agora que já resolvemos isso, você pode ir embora daqui."

Ela colocou as mãos na cintura:

"Não posso, não," Discordou "Eu vim falar com você. Fiquei meio nervosa antes, mas precisamos conversar, Bakugou-kun. É importante. Você me deve. Você me acusou injustamente de ter trazido seguranças até você! Você me deve uma."

"Espera." Pica-pau se meteu, "Vocês dois quase me mataram do coração, e podiam ter feito eu perder o meu emprego. Vocês me devem uma explicação."

Katsuki suspirou.

Tudo que ele queria era dar uns socos, só isso. Era tudo que ele tinha em mente quando saiu de casa.

Ao invés disso, tinha conseguido duas pestes que gastariam do seu precioso tempo.

Fechando os olhos e pedindo paciência para um deus que ele nem acreditava que existia, Katsuki bufou. Era melhor só acabar com aquilo de uma vez:

"Ótimo. Qual dos dois quer conversar primeiro?"

.

.

.

Dear god, como é difícil escrever essa fic. Quer dizer, eu consegui até que escrever esse capítulo rápido (E começar o quinto). Mas aí eu não gostei do resultado e deixei ele parado por duas~três semanas. Aí hoje consegui mudar o que estava me incomodando com a ajuda de um amigo. Uah. E ele me deu a melhor dica que eu recebi nos últimos anos: Escrever a droga de um script! Eu sempre faço isso de planejar o começo e o fim da história, e me viro no meio. Aí é esse tipo de coisa que acontece.

Enfim. Deu pro capítulo sair, então viva la vida! Agora é ver como eu vou me sair com o quinto. Vou tratar de fazer o script da fanfic antes.

Maah. Sakura Chinchila

26/11/2018.