Capítulo 3 – As Cartas na Mesa
Quando o seu mundo vira de ponta-cabeça e você não sabe o que fazer com isso, o melhor conselho a se seguir é tentar agir como um bom vampiro, e fingir que não está de ponta-cabeça. É claro que se conselho fosse bom, não seria dado de graça.
Eu, assim que me descobri grávida, casada a James Potter (imaginem só que horror: Lílian Evans Potter. POTTER! Nojento), trabalhando com feitiços antigos (eu sou alérgica a pó, pelo amor de Merlim!) e vivendo no corpo de minha mais nova arqui-inimiga (o meu eu do futuro), senti vontade de ser tudo, menos um vampiro. Eu não queria fazer limonada. Eu não queria amar Potter. Eu não queria ficar para sempre presa naquela vida nojenta. Eu queria fugir dali.
Mas é claro que, como a vida é uma merda, nenhum dos meus desejos se tornou realidade. E, assim, eu tive que lidar com meu embucho, minhas cólicas, meus enjôo e, claro, com o ser mais intragável na face da Terra depois do meu eu-futuro: James Potter.
Eles chegaram em casa duas horas, cinco livros sobre gestação, três sessões de gritos, milhares de tapinhas nas costas e mais duas idas ao banheiro para vomitar depois. Ela sentia-se mais doente do que jamais se sentira em toda sua vida, e a nova dieta, a pilha de vitaminas e a idéia de ser forçada a fazer caminhadas todos os dias, apesar do cansaço e do frio invernal, desanimavam Lily, mas não tanto quanto a situação em que ela estava metida.
Se a carta não havia sido apenas um pesadelo – e ela se certificara várias vezes de que as palavras não haviam mudado com o passar do tempo – ela estava presa naquela vida até realizar o maior esforço que podia pensar: parar de querer matar James Potter por tempo o suficiente para enxergar uma ou duas qualidades falhas no moleque. Era impossível. Era ridículo. Era o plano mais lesado que ela já vira.
Indisposta com a própria estupidez – e ela ainda se perguntava a razão de achar que era tudo verdade, além do fato de que nem os Marotos conseguiriam copiar sua letra com tanta precisão (especialmente a tremedeira para cima que ela tinha nos 'o's quando estava com medo) – ela entrou pela porta de madeira gasta na casinha de dois andares, e se esgueirou pela sala vazia como um fantasma, enquanto James desaparecia rapidamente na direção da cozinha. Ele voltou segundos depois, segurando duas taças com líquido escuro, ao que ela franziu as sobrancelhas.
"Potter" ela resmungou com uma careta "Eu não posso beber vinho. Eu estou grávida" apesar de o bebê não ser propriamente seu, ela não tinha nenhum plano de estragar a vida do seu eu-futuro abortando o bebê que ela tanto parecia amar. James Potter apenas riu.
"Eu sei, sardenta" ele chegou mais perto, sorridente, e colocou a taça na mão de Lily a força, enquanto ela xingava mentalmente o apelido estúpido "Isso é suco de uva. Ao bebê" ele acrescentou depois de um segundo.
Ela suspirou e, contrariada ante o olhar de cachorro sem dono dele, ela baixou os olhos e bebeu um gole do suco vermelho, esperando que com isso Potter deixasse-a em paz. É claro que seu plano não deu certo.
"Pois bem, sente-se que eu vou lhe ditar os planos de hoje à noite" ele a empurrou na direção de um dos sofás gigantes da sala e sentou-se ao seu lado, envolvendo sua cintura com naturalidade e apoiando seu queixo no ombro da ruiva, sorridente; ela segurou a respiração, dura como uma pedra, mas resolveu – apiedada de seu eu-futuro – não piorar a situação entre o casal "Os nossos planos por hoje já começaram a ser postos em ação graças a uma coruja mal-criada que eu mandei para cá, expulsando Sirius e Peter... Pois bem... Então agora eu vou te levar lá para cima, te tratar como uma rainha, beijar essa barriguinha linda e depois te deixar dormir" ele deu um beijo suave e morno no pescoço dela como exemplo do tratamento, e ela se viu toda arrepiada e, se possível, ainda mais estática de nojo e medo "Depois, como o maravilhosamente lindo e compreensível marido que eu sou, eu vou te deixar me xingar um pouco por ter te engravidado enquanto te preparo o jantar e, finalmente, nós vamos apreciar a luz das velas, a comida queimada e mal temperada, vamos rir um pouco e fugir para o quarto" ele deu mais um beijo no pescoço de Lily, e isso foi demais para ela.
"Vomitar" ela murmurou, ao que James a soltou imediatamente e ela correu para o banheiro do andar de baixo com passos rápidos (como ela sabia onde ele era, permaneceria um mistério para sempre). Fechou a porta com uma batida forte, arregalou os olhos para sua imagem no espelho, que lhe sorriu e tentou parecer bondosa (falhando miseravelmente).
"Você está pálida... Esqueceu o caminho para fora de casa, querida?" não respondeu nada, apenas sentou-se no chão, em frente ao vaso, sentindo-se tão pouco enjoada que era até engraçado.
Ele esperava que ela fizesse os deveres conjugais com ele! Fosse para cama com ele! O que seu eu-futuro tinha na cabeça? Ela era virgem ainda, pelas barbas mal-escovadas de Merlim! Era virgem!
Sentiu vontade de abrir a porta e gritar aquilo para a maldita cara horrível de James Potter, mas sabia que nunca teria coragem. Ela estava grávida. Esse corpo já havia dormido com ele; apenas essa mente que nunca permitiria tal coisa acontecer. Não havia como fingir uma concepção imaculada. Ele compilaria a idéia de que ela era realmente louca, e a levaria de vez para St. Mungus, prendendo-a em uma camisa de força desconfortável e a impedindo de algum dia voltar para sua antiga vida.
Fechou os olhos e abraçou as pernas, deitando-se no chão e tentando se acalmar diante da idéia de que tinha de se apaixonar por James Potter para sair dali, que tinha de dormir com James Potter para sair dali, que tinha de carregar o filho de James Potter para sair dali. O pânico voltou a tomar conta, e ela se viu sentindo ganas esquisitas de chorar. Ao invés disso, quinze minutos depois de entrar no banheiro, ela levantou-se, ajeitou os cabelos vermelhos e, ainda tremendo levemente, saiu.
James estava parado prontamente do lado de fora, parecendo preocupado.
"Você está bem?" ela nunca levantou os olhos para observá-lo, apenas andou devagar até a cozinha enquanto jogava uma frase sem sentido por cima dos ombros para o moreno. Ele piscou "Lily...?"
"Quê?" ela resmungou, e parou em frente ao refrigerador. Ele piscou os olhos, encarando-a assustado.
"Você... Você não quer ir subindo? Eu te levo um pouco de leite" foi a vez dela piscar, estarrecida. Como ele sabia que ela queria tomar leite? Ao invés de fazer a pergunta para ele, ela apenas deu de ombros e começou a andar calmamente até a porta, passando pelo Maroto sem dar um segundo olhar de agradecimento.
Subiu as escadas lentamente, percebendo pela primeira vez quão pesadas suas pernas eram, e se arrastou pelo corredor até chegar no quarto, onde se jogou na cama. Estava cansada, mas algo dizia a ela para fuçar um pouco antes de James Potter invadir sua calma e privacidade. Sentou-se no que parecia ser seu lado da cama e abriu a gavetinha do criado-mudo, sorrindo sem perceber ao achar uma pequena caixinha dentro. Havia começado a abri-la quando ouviu algumas batidas leves na porta, e ela se escancarou para revelar James Potter com uma pequena bandeja flutuando à sua frente.
"Leite, bolachas, um lírio e uma carta de amor" ele proclamou sorridente, depositando a bandejinha surrada ao lado da garota ruiva, que levantou uma sobrancelha sem entender a animação dele com toda a coisa. Era tudo meio estúpido, a maneira cantada como ele falou, a voz grossa que ele usou, o sorriso boboca que ele estampou. Ele parou de sorrir automaticamente "Ok. O que foi dessa vez? Mais humor de grávida?" ele perguntou, sentando-se no lado dele da cama e apoiando as costas contra a cabeceira, parecendo infeliz. Ela piscou – algo que ela dizia realmente afetava Potter? Hm.
"Nada. Só estou com dor de cabeça" e depois de um segundo, sorriu malevolamente e acrescentou ",querido" ele sorriu para ela mais uma vez, parecendo sequer notar o tom irônico que ela usara.
"Ok, então eu vou te deixar dormir um pouco..." ele disse, abaixando-se e apoiando a cabeça na barriga dela, olhando-a de viés com um sorrisinho feliz "Eu te amo, sabia?" ela não respondeu nada, apenas fechou os olhos e sentiu-o beijar-lhe a barriga com carinho, onde achava que o pequeno bebê estava. E então, com um suspiro, ele foi embora.
Ela abriu os olhos lentamente, finalmente sozinha com seus pensamentos, e pegou o copo de leite, que estava morno do jeito que ela gostava. Tomou um gole e abriu a gavetinha mais uma vez, percebendo que sua mão tremia. Não de medo, não de pavor, não de raiva; tremia, muito para seu espanto, por causa do beijo que James havia dado em sua barriga levemente exposta pela camiseta de 'Sra. Potter'. Tremia porque ele respirava um ar morno, e porque a boca dele parecia permanentemente úmida. Tremia porque sabia que teria de agüentar aqueles beijos e carinhos por muito, mas muito tempo mesmo (se fosse de acordo com as projeções para ela se apaixonar por Potter feitas por ela mesma). Talvez a saída fosse pedir um divórcio rápido e perder o bebê depois de uma bebedeira, concluiu, enquanto abria a caixinha de madeira entalhada.
Muito para sua surpresa, descobriu que a caixinha que tinha no colo continha várias cartas. Algumas eram apenas rabiscos em pedaços de pergaminho, outras eram envelopes gordos, algumas apenas rolinhos amarelados com escrita carinhosa. Espremeu as sobrancelhas e suspirou; o que seria mais aquela?
Pegou a primeira carta, um bilhetinho amassado e meio sujo, e o abriu, apesar de seu ódio profundo estar gritando 'nãooo, cartas, não!'. Ali, acusadora, estava sua própria letra, caprichada e redondinha.
James,
Sabe aquele convite para sair? Ainda está de pé?
Lily Evans.
Ficou encarando as palavras e sentiu-se ainda mais traída pelo seu eu-futuro do que quando descobrira a carta em seu bolso. Aquele bilhete era a prova irrefutável que o seu eu-futuro era completamente louco, tendo em vista que fora quem iniciara toda aquela relação estapafúrdia entre ela e James Potter (de todas as pessoas).
Fechando os olhos e criando coragem, virou o bilhete para achar a resposta na letra garranchada que supostamente pertencia ao moreno.
Lily, amor da minha vida,
Tá tudo bem? Quer dizer, você não está com febre?
Para sempre seu,
James.
Sentindo vontade de vomitar, pegou o próximo bilhete.
James,
Eu estou perfeitamente saudável. Apenas pensei que talvez nós pudéssemos nos encontrar hoje à noite para um passeio no Lago. Mas se você não quiser, eu não insisto.
Lily.
Lils, amada, linda, maravilhosa,
Estaria você finalmente cedendo ao meu charme?
Para sempre seu,
James.
Potter,
Me pergunto se você vai conseguir amadurecer o suficiente para sair comigo hoje. Talvez eu devesse esperar mais três anos.
Lily.
Minha futura esposa,
Eu sou extremamente maduro. Você vai até se espantar com a minha maturidade hoje à noite. Extremamente maduro.
Para sempre seu,
James.
Sentindo o ar faltar em seus pulmões, Lily baixou a caixinha. Era terrível. Ela flertara com James Potter. Descaradamente!
Fuçando pelos outros bilhetinhos, enxergou insinuações das mais diversas, e de todos os tipos, e a cada palavra que ela lia, mais ela se sentia deslocada dentro da própria vida. Essa era ela, a pessoa que mandava bilhetes perguntando se devia ou não comprar lingeries novas para seu próximo encontro com James, a pessoa que ganhara uma estrela com seu nome, a pessoa que dissera que amava James Potter inúmeras vezes. Aquela pessoa esquisita era ela, ela mesma, e o conceito era tão difícil de compreender que ela ficou ali por aproximadamente uma hora, apenas tentando entender o que raios havia acontecido para ela mudar tão drasticamente de água para óleo. Ela não se reconhecia, não àquela garota das cartas. Era muito esquisito para ser verdade.
Enfiou os bilhetinhos dentro da caixinha, sem coragem para abrir os envelopes e ter de se deparar com algo ainda mais profundo – descobrir que o seu eu-futuro não estava brincando, e realmente se preocupava e amava James Potter – e se recostou contra os travesseiros. Não foram nem cinco minutos antes dela cair num sono profundo.
N.A.: Oiiiiiiiiiiiiiiii pessoaaaaaaal/pulando pra cima e pra baixo alegremente/ Eu esotu tão feliz! Olhe só todas essas reviews! Vocês são os leitores mais maravilhosos de todos os tempos!!! Eu ia postar esse capítulo só no domingo, mas vocês são tão lindos que eu o coloquei mais cedo! Obrigadaaaaa mesmooo pelas reviews, pessoal, vocês não sabem quão importante elas são para mim! E agora, a les respostes!
Fezinha Evans, fico feliz que o capítulo passado tenha ajudado a entender a fic! Espero que esse daqui ajude a entender sobre essa vida nova e sobre a Lily-louca/afinal, quem tem o James e não o quer só pode ser louco!/ Adorei sua review! Bouncy!
Moony Ju, minha querida Raven, você foi a primeira pessoa a gostar do meu eu-futuro... Geralmente as pessoas acabam lendo a fic e se identificando com o eu-passado-cabeça-dura, e acabam desgostando, portanto, do eu-futuro, mas tudo beeeem... hehehe Obrigada pelos elogios e por me ter feito perceber que eu escrevi o James maduro sem nem notar (eu só percebi isso agora...)... Mas imagino que ele é apenas o marido dos meus sonhos - e dos seus, e dos de todas - assim como o Sirius, que eu fiz do jeito que sempre sonhei que fosse... Anyways...Obrigada pela review e beijos!
Lulu Star, MERLIM! Sim, eu quero fazer vocês filosofarem e perderem a cabeça! Eu quase fundi o cérebro da minha beta explicando a história pra ela! hauhauauha Espero que você goste tanto da história até o final quanto você está gostando até agora, e continue deixando reviews, porque eu adorei a sua!
Flah, postado! hehehe Espero que continue gostando!
Thati! YAY! Idéias! Mais loucos no mundo! Elogios! Sua review tem todos os elementos que eu gosto em uma, obrigada por ter escrito! Espero que seu cérebro esteja mais descansado e que os próximos capítulos não façam sair fumacinha das suas orelhas... Mas que continuem te instigando a escrever e a deixar reviews e elogios lindos que nem os seus!
Nath Black, obrigada, mesmo! A gente faz o que pode no ramo da criatividade... E alguém pode dizer pra mestra do chall que eu não merecia um mero 8 no quesito "originalidade/criatividade"? Eu passo o e-mail e vocês escrevem xingando? hauhahaua
Thaty, nope, não é nada parecido com o filme... Minha Vida Sem Mim, o filme, é um drama dos mais tristes, e a Drew estava linda, mas não tem nada a ver com a minha história, que cai no ramo da ficção científica/romance/comédia... Mas obrigada pela review e continue tunada que logo, logo, eu posto o próximo capítulo (quanto mais reviews, mais rápido, então eu sugiro nomes falsos)...
Obrigada pelas reviews, pessoal, eu adorei! Beijinhooos e até o próximo capítulo, Confissões de um Super-Potter em Crise!
