Cap 4 – A Trindade

- Sinto-me estranha, é como se estivesse vazia... Sinto-me leve e gelada, a única coisa que ainda consegue me sensibilizar é o seu toque... É como se, de repente, estivesse imune ao mundo e a tudo o que me cerca – Monara comentava com Lucius, seu tom de voz agora era tão frio quanto o do amado; seus olhos desprezavam qualquer sentimento e sua respiração era rítmica e, de certa forma, mecânica.

Enquanto falavam, brindavam bebendo sangue fresco sob os primeiros raios de sol. A semi-claridade, aquela brisa, todo aquele clima espectral que só a madrugada é capaz de fornecer, exercia uma força interessante sobre o casal. Ali sentiam-se vivos, capazes, no auge de todo o seu poder. Sangue agora lhe parecia perversamente delicioso... Em que havia se transformado? Num vampiro? Não, impossível! Ela sequer havia sido mordida... Ainda levaria algum tempo até acostumar-se com sua nova condição.

- Entenda querida, você já não é mais humana... Logo se acostumará – Lucius segurou seu queixo de maneira levemente bruta, enquanto aproximava um pouco mais seu rosto do dela – Confie em mim e apenas desfrute de sua nova natureza! – Beijou-a lentamente.

- Sei que não sou mais humana, mas afinal, o que somos nós Lucius? Por quê apenas você consegue despertar algo bom em mim? – Disse no intervalo do beijo, olhando, de maneira interrogativa, fundo nos olhos dele.

- Somos líderes, somos privilegiados, somos demônios. Fazemos parte da trindade superior de nossa classe... Somos dois dos três signos, temidos e respeitados por todos. – Seu tom de voz era presunçoso e narcisista. – És sensível apenas à mim, pois fui eu quem lhe iniciei, pois foi comigo que firmou o pacto e é à mim que pertence a sua alma.

- E o que seriam exatamente estes signos? O que eu devo fazer? Não existe poder sem responsabilidade.

- Os representantes dos três signos, são os três demônios mais poderosos de todo o nosso reino, sendo eles O General, no caso eu, A Domadora, no caso você e O Pecaminoso, que em breve se juntará a nós. Como General, possuo o poder de controlar o fogo e também o poder para comandar toda a tropa infernal; você como Domadora, comanda os chacais do submundo, seres que aderiram a nossa causa e decidiram por nos apoiar, basta evocar a energia que está em você, se você se concentrar poderá senti-la, e também materializará sua arma. E o pecaminoso, contém dentro de si os sete pecados capitais. Nossa missão é conquistar mais almas, fixar pactos, cobra-los e estender nosso domínio.

- Domadora... – Monara fechou os olhos procurando o poder dentro de si, e percebeu que realmente era bastante intenso.

- Sim querida, logo poderá testar todo o seu poder.

E com um sorriso no rosto, admirou por alguns segundos a face pálida de seu par, reparando em cada traço em seus olhos e lábios um tom roxo muito escuro, quase preto e em seus cabelos negros e lisos, como fios da mais nobre seda. Beijou-lhe novamente nos lábios, degustando-os, explorando-os de canto à canto. Monara apoiou sua mão esquerda sobre a face do General, deixando-se conduzir totalmente por aquele que a dominava. Não resistiu quando ele jogou seu corpo sobre o dela e começou a percorrer com suas mãos por todo o busto da garota totalmente à mercê, detendo-se em seus seios, acariciando-os com certa voracidade; sua mão continuou descendo e agora passava a acariciar sua cintura, suas pernas... No êxtase do momento tirou seu vestido negro ao mesmo tempo em que ela tirava-lhe as vestes também. Uniram seus corpos no delírio voraz da luxúria, compartilhando de uma deliciosa onda de gozo. Passaram a noite juntos e agora já era consumada sua aliança.

- Ah Lucius, obrigado por me mostrar este mundo totalmente novo... Amo-te com todo o meu ser, e juro ser unicamente tua durante toda a eternidade – Monara abraça-se forte ao amado, enquanto assistiam ao amanhecer, colando seus corpos, trocando calor. Como era maravilhoso estar entregue em seus braços!

- Que assim seja querida... Que assim seja – Lucius mantinha sua frieza característica, mas era claro que o sentimento estava vivo nele também. – Mas, agora, temos de ir, precisamos nos preparar, pois ainda temos muitas almas a serem capturadas.

- É claro!

Ambos vestiram-se novamente e saíram cavalgando juntos em Taican, o cavalo negro de Lucius. Apearam um pouco mais adiante, em um vasto trigal deserto.

- Prepare-se, você precisa aprender a controlar seus poderes. Hoje ao anoitecer precisará deles.

- Precisarei? O que faremos?

- No momento isto não importa, apenas faça o que mando.

- Sim, meu senhor!. – Não conseguia resistir a uma ordem vinda dele.

- Concentre-se, busque fundo em você o seu poder.

Monara fechou olhos, e concentrando-se encontrou novamente aquela força monstruosa dentro de si mesma.

- Encontrei!

- Ótimo, agora libere-a... Deixe que venha à tona, sinta-a fluir por todo o seu corpo e conter-se um pouco mais intensamente nas palmas de suas mãos e no centro de sua testa.

- Estou sentindo... – Sentia o poder fluindo, como uma besta feroz querendo a liberdade, o poder crescia, queimava, desejava sair.

- Erga sua mão esquerda e mentalize sua arma materializando-se em sua mão.

- E qual é a minha arma?

- Ora, descubra por si mesma, conheça-se, medite, mergulhe fundo em você mesma!

Foi o que ela fez, descobriu diversas coisas, pôde entender a natureza de seu poder, conheceu a energia dos chacais e também percebeu como usar suas habilidades para evocá-los. Ergueu a mão e um chicote negro materializou-se; segurou-o com determinação, batendo-o contra o chão e causando um forte estalo.

- Isto mesmo, estou gostando de ver... Parece que finalmente compreendeu sua força. Agora vamos, lute comigo! Vença-me se for capaz!

- Lutar?!

- Sim, prepare-se! – Lucius deu um salto, jogando uma bola de fogo em sua direção.

Ela esquivou-se por instinto.

- Que assim seja, Lucius! – Sua expressão facial tornou-se mais perversa, ao tempo que ela fez um movimento circular no ar com seu chicote, batendo-o contra o chão após. Vários círculos vermelhos apareceram no chão, de onde "brotaram" diversos chacais; suas peles eram quase decompostas, seus olhos vermelhos e eles emanavam um cheiro pútrido. Eles rosnavam, mostrando suas poderosas mandíbulas.

- Genial! Estás aprendendo rápido, mas precisará de mais do que isto para me derrotar! – desembainhou sua espada e saiu decepando as criaturas que não paravam de surgir, eventualmente soltava algumas labaredas para repelir algumas delas.

Monara investiu contra ele, usando um golpe rápido com seu chicote. Lucius desviou, respondendo com um chute em sua nuca, jogando-a ao chão. A reação veio depressa, quando ela enrolou o chicote em seu pé direito, puxando e derrubando-o no chão também. Nisso vários chacais atacaram, e um deles conseguiu arranhar-lhe o braço. O General explodiu em uma onda de fogo, destruindo todos eles e numa espécie de tele-transporte apareceu atrás de Monara, agora já em pé, colocando a lámina de sua espada rente ao pescoço da Domadora.

- Lutou bem para uma primeira vez. – Guardou sua espada – É o bastante para hoje. Já está quase na hora, vamos!

- Sim, meu senhor. Agradeço pelo elogio. – Montaram novamente e saíram rumo a outro pequeno vilarejo.

Pararam a alguns bons metros de distância e Lucius desmontou , observando atentamente ao movimento do local.

- Prepare-se, quando eu disparar a primeira chama, ataque também!

- Sim, meu senhor! Mas... Destruiremos este vilarejo... Assim como... Destruiu o meu... – Um instante de humanidade passou brevemente pela mente dela, e pela primeira vez, receou em seguir uma ordem do General.

- Sim Monara, faz parte de nosso objetivo... Prometo que mais tarde explicar-lhe-ei melhor. Agora, apenas faça! Vai! – Ergueu a mão direita e da palma de sua mão saiu uma bola flamejante, em alta velocidade, que atingiu o centro do vilarejo em cheio; espalhando-se em varias fagulhas menores, que causaram incêndios em diversas partes da cidadela.

Monara materializou seu chicote, evocando os diversos chacais , que invadiram a cidade devorando aqueles que cruzavam seu caminho. O vilarejo estava caótico e a morte era iminente. A Domadora sentia uma espécie de remorso em fazer aquilo, mesmo sabendo que era necessário.

- Está na hora de completarmos a trindade! Espere aqui! – Num salto rápido foi até o vilarejo, tirou um bebê que chorava dos braços de sua mãe e cortou a cabeça da mulher com um só golpe de sua espada. Após voltou ao encontro de Monara.

- O que vai fazer com esta criança, Lucius?

- É nosso filho Monara! Não é lindo? – Um tom sádico caracterizava sua voz.

- Filho? Você está louco!

- Sim, esta criança receberá o terceiro signo! Vamos fazer o ritual depressa, já terminamos por aqui.

Deitaram a criança no chão, ao centro de um circulo mágico começando o ritual. A mesma luz roxa de quando Monique se entregara, envolvia o bebê; que gritava histericamente, como se sentisse muita dor. Monique assistia a tudo, perplexa, enquanto aquela criança definhava em sua frente, abandonando suas feições inocentes para dar lugar a uma nova face demoníaca. Lucius bradava palavras em uma língua estranha, e conforme seu comando o ritual progredia.

Agora já não era mais um bebê, era uma criança gorda e bizarra, sua pele era acinzentada, seus olhos eram negros e perversos, e sua boca possuía dentes afiados, capazes de destrinchar qualquer que fosse a presa.

- Boa noite, papai. – Sua voz era infantil, mas macabra.

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Esse foi rápido, estou em boa fase... Bastante criativo :)

Agradeço ao revisor, eterno Brunão! auhauhauhauhauhauhah Valeu mesmo cara :P

ps.: Mais um capítulo salvo pela querida Verônica! Ah, o que seriam de meus textos sem ela? Valeuzaum ;)

Espero que gostem ;)

Até a próxima!