Maldito Dumbledore!
Capítulo IV
Escrito por Nevilla F.
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Severus Snape, deitado em seu leito, lia um livro de Poções para se distrair. Menos de vinte e quatro horas atrás, ele havia enviado uma coruja para Potter, dizendo para vir vê-lo e em troca lhe daria algumas lembranças de sua mãe e seu pai no tempo de Hogwarts.
Snape tinha certeza que o rapaz viria. A pergunta era: Quando? Quase no final da tarde, a porta se abriu e o Eleito apareceu. Os olhos negros se deliciaram ao ver o rapaz. Ele estava lindo.
"Harry Potter, que surpresa!", disse a voz debochada do ex-diretor de Hogwarts.
"Surpresa, Snape? Você me enviou uma carta. Eu vim pelas lembranças dos meus pais que você me prometeu."
"Se aproxime, Harry", pediu Severus com seu tom imperativo involuntário. Ele depositou o livro no criado mudo próximo a cama.
Incerto, o rapaz andou até o professor.
Snape percebeu que Potter parecia assustado e estava-o analisando como se ele fosse morrer a qualquer momento. Isso irritou o professor.
"O que te falaram, Potter?", indagou com a voz gelada.
Harry desviou o olhar por alguns segundos. Logo em seguida voltou a olhar com incerteza para o ex-professor.
"Do que você está falando, Snape?"
"Falaram alguma coisa para você, não foi? O que Longbottom te contou?"
"Não me falaram nada, Snape."
"Mesmo? Então por que você está me olhando como se tivesse a certeza que eu vou morrer em poucos segundos."
"Você vai?", desafiou.
"Hoje não", respondeu Severus com um sorriso cínico.
Harry ficou olhando para Snape durante alguns segundos. Ao perceber que o bruxo usava Legilimência contra ele, o rapaz piscou. A fim de evitar encarar o Comensal da Morte, Potter tirou o óculos e limpou as lentes na barra da camisa.
"Dumbledore conversou com você sobre as horcruxes?"
Os olhos negros brilharam de diversão.
"Está insinuando que eu devo fazer uma horcrux para salvar a minha frágil vida?", escarneceu.
Potter colocou os óculos antes de responder.
"Não! Estou dizendo que a despeito de todo o seu esforço na Ordem da Fênix, Dumbledore nunca confiou inteiramente em você. Afinal, ele nunca te falou sobre as horcruxes de Voldemort. Ele delegou essa tarefa somente a mim, Ron e Hermione."
Snape sorriu enviesado.
"Você gosta de homens muito mais velhos, Harry? Estou com ciúmes de Albus. Parece que você só pensa nele."
Potter ficou furioso com a brincadeira.
"Dumbledore era um maldito manipulador, jogou com todos nós, incluindo você e eu. Ele jogou com as novas vidas! Nós éramos descartáveis para ele. A única coisa que importava era acabar com Voldemort a qualquer custo."
Impassível, Severus passou o dedo indicador pelos lábios.
"Chega mais perto, Harry."
O garoto olhou para o bruxo com desafio.
"Para você me beijar de novo?"
"Sim. Dessa vez vamos usar a língua."
"Sabe o que eu acho? Você fica fugindo de assunto porque concorda comigo. Também deve achar que Dumbledore é um maldito."
Severus abriu um sorriso cínico.
"Ou talvez eu só goste de beijar você. Você já beijou um homem, Harry? Te garanto que será um pouco diferente de beijar menininhas."
Potter sorriu com maldade. Ele olhou com intensidade para o bruxo, praticamente abrindo a mente para que o professor a penetrasse.
"Eu já beijei outros rapazes", anunciou com orgulho.
Severus retribuiu o olhar intenso de Harry, usando Legilimência não verbal. Ao contrário do que aconteceu na primeira tentativa, agora Potter permitiu o acesso a sua cabeça. O professor observou os recentes envolvimentos do rapaz. A despeito dele não gostar de ver o garoto beijando outros rapazes, Snape não ficou decepcionado. Ao contrário. Ele quase sorriu de alegria. Agora tinha a certeza de que o precioso garoto era bissexual.
"Muggle não conta, Harry. E, por favor, não fique exibindo as suas conquistas para mim."
Potter riu com zombaria.
"Estou me exibindo? Por que? Eu já beijei mais homens do que você?", provocou.
A feição de Snape ficou enigmática.
"Acredite, menino, você não vai querer saber quem eu já beijei."
"Dumbledore?", zombou.
Severus não esboçou reação frente à provocação. Talvez por isso Potter continuou:
"Então foi Voldemort? Lucius Malfoy? Bellatrix Lestrange?"
"Supus, erroneamente, que você já soubesse que bruxos da minha casa não me agradam. Sou inexplicavelmente atraído por bruxos da casa de Gryffindor."
Harry deu um passo par trás. Sua mente fervia. Snape poderia ter beijado a minha mãe?, pensou aterrorizado.
Com um sorriso torto nos lábios, Severus pegou a varinha e a levou a têmpora, retirando lembranças. Ele as guardou em um frasco, depois depositou o frasco em cima do livro na mesinha de cabeceira.
"Aqui, Harry. Você veio apenas para pegar as minhas lembranças, não foi?"
Porém, o rapaz permaneceu onde estava. Olhava para Snape como se ele fosse Voldemort. Um misto de nojo e descrença visivelmente identificados em seu rosto.
Por isso, Severus resolveu ser direto e tirar as dúvidas do garoto.
"Sua mãe e eu fomos somente amigos. Nunca nos beijamos."
Potter precisava mudar de assunto urgentemente. A ideia deles dois terem formado um casal era perturbadora e nauseante. Até porque o rapaz estava começando a aceitar que talvez sentisse atração pelo seu horrível professor de Poções.
"Me mostre o seu patrono de novo, Snape."
"Estou sem lembranças felizes no momento, Harry."
Potter continuou olhando para Severus.
O Comensal da Morte podia sentir a cabeça do garoto repleta de especulações e inseguranças. Snape faria Harry ter certeza de que era ele quem ele queria.
"Me dá um beijo de língua e depois eu faço o feitiço", atiçou, esperando ver alguma reação.
"Mostra logo o patrono!"
"Vai me beijar ou não, Harry?", negociou. Se o rapaz estivesse menos perturbado teria notado que havia uma pontada de súplica na voz de Snape.
Potter ficou olhando para ele, aparentemente sem ação.
"Vou te beijar... Se você mostrar o patrono."
"Que garantias eu terei?"
"A minha palavra terá de ser o suficiente, Severus."
Snape sorriu.
"Severus?"
"Pensei que estávamos nos tratando pelo primeiro nome", respondeu em tom displicente. "E o patrono?"
"Quer saber qual pensamento feliz eu irei usar?"
"Não", respondeu. Em seguida, provocou: "O dia que recebeu a Marca Negra?"
"Vou me lembrar de quando te vi apenas de cueca entrando no lago congelado após ter ido atrás do meu antigo patrono. Eu também estou pensando quando senti seus lábios contra os meus."
Potter corou levemente. Ele nem se lembrava que Snape já o tinha visto seminu naquela floresta. O garoto viu Severus fechar os olhos e sussurrar o feitiço:
"Expecto patronum!"
O jovem cervo saiu da varinha de Snape, galopou pelo quarto e depois foi até Harry e olhou para o rapaz como se o reconhecesse. Potter ficou temporariamente encantado com o animal. Ele ergueu a mão para tocar o patrono. Assim que tocou no cervo, ele se dissolveu.
O tempo todo, Severus ficou olhando para Potter. O encanto de Harry com o patrono só poderia ser superado pelo encanto de Snape pelo rapaz.
"Acho que alguém me deve um beijo."
"Você realmente pode beijar, Sna... Severus?"
O Comensal da Morte se sentou mais reto na cama.
"Eu posso beijar você, Harry."
"Encontrei com Neville no corredor e ele me disse que você não está muito bem."
"Você não vai me matar. Eu te garanto."
"Neville me recomendou fortemente que eu não fizesse nenhum esforço físico com você. Aliás, ele me proibiu."
Os olhos negros cintilaram de raiva.
"Harry, eu ainda não te chamei para transar comigo. Só estou pedindo um beijo."
Potter o olhou com surpresa e um pouco de expectativa.
"Tem essa pretensão, professor?"
"Você continua aqui, após eu insinuar que quero te levar para a cama. Acho tenho grandes chances. O que me diz, Harry?"
Potter riu e se aproximou.
"Vou cumprir a minha promessa e vou te beijar."
Harry se arrepiou ao ver a chama que queimava nos olhos negros. O garoto percebeu o quanto era desejado pelo bruxo. Potter estava tão habituado a ver aquele rosto esboçando desgosto ou ódio, então era regozijante observar desejo naquelas feições duras. Ele olhou sutilmente para o pescoço do professor. O curativo ainda estava branco, então, Snape não estava sangrando. Isso era bom.
O rapaz retirou os óculos e guardou no bolso da calça. Depois, ele se inclinou e se aproximou devagar de Severus.
Snape segurou o queixo de Potter para apreciá-lo de perto. Imaginou que sua face, usualmente inexpressiva, deveria estar mostrando o quanto ele apreciava o adolescente.
"Você é lindo, Harry", sussurrou.
Potter sorriu com o elogio. No instante seguinte, Severus se aproximou mais e o beijou. Inicialmente, parecia um beijo de reconhecimento, bastante calmo. Contudo, com o passar dos segundos, ambos passaram a se impor, aumentando a intensidade dos movimentos. Havia uma necessidade e até um certo grau de desespero no movimento das línguas. Após longos minutos, Potter finalizou o beijo mordendo os lábios do professor.
Ambos arfavam e sorriam de satisfação.
"Foi bom, professor. Foi muito bom", elogio Harry.
Snape não respondeu, apenas se aproximou mais uma vez e eles voltaram a se beijar, um beijo com força. Novamente havia um toque de desespero nos movimentos, como se fosse um último beijo.
Dessa vez foi Severus quem finalizou o beijo. Ele parecia estar sem fôlego e respirava com barulho, puxando o ar.
Potter o olhou com preocupação.
"Você está bem?"
"Me dê... Uns... Minutos... Podemos recomeçar."
Harry queria beijá-lo de novo. Havia sido muito bom, porém, achava melhor que o professor se recuperasse.
"Não precisamos ter pressa, Severus. Eu prometo que venho amanhã. Quem sabe você não me convida para a sua cama?"
O peito de Snape ainda subia e descia rapidamente. Ele sorriu torto para Potter.
"Então vai vir amanhã?"
"Só para você me beijar de novo."
Severus agarrou a camisa e o casaco do garoto e o puxou para perto. Eles se beijaram rapidamente.
"Até amanhã, Potter. Sonhe comigo."
Harry riu enquanto pegava os óculos e os vestia.
"Prometo que pensarei em você antes de dormir, Severus."
Assim que Potter saiu do quarto, Snape sorriu de satisfação. Ele olhou para o frasquinho com as lembranças esquecidas por Harry. O professor ficou muito satisfeito. Isso indicava que o rapaz havia vindo por ele e não pelas lembranças. Ele olhou para a janela encantada que mostrava um entardecer. Era um lindo dia.
Contudo, ao colocar a mão no pescoço ele sentiu a usual umidade do sangue. Seu ferimento havia aberto de novo e sangrava. Frustrado, ele fechou os olhos. O healer teria que vir vê-lo novamente. Mais uma rodada de poções e curativos. Essa rotina era torturante.
-X-
Continua?
Notas da autora: Olá, pessoas queridas! : DDD
Vou ser sucinta: OBRIGADA pelos REVIEWS! Sinto muito pela demora e espero que vocês tenham gostado do capítulo.
Até a próxima! Bjs,
10-05-17
