Randgris sabia que não devia vir até Glast-heim, ela nem deveria ter desobedecido Odin e abandonado o templo, mas nos últimos meses uma terrível dúvida se instalara em seu coração, ultimamente estava tendo sonhos, e nesses sonhos Thanatos, o famoso guerreiro arcano sempre aparecia, nesses sonhos ela não era a valquiria Randgris, mas sim uma templária, o que era algo impossível, desde a sua primeira lembrança ela era uma valquiria a serviço de Odin.

Randgris sempre se sentia triste quando sonhava com ele, sentia uma saudade profunda que parecia que ia rasgar o seu peito, sentia saudades dele... Sem nem sequer conhecê-lo.

Mas Thanatos não era o único a aparecer nos seus sonhos, o terrível senhor das trevas começou a habitar a sua mente nos últimos dias, sempre que sua mente se voltava para ele Randgris sentia uma enorme raiva e uma tristeza profunda, mas para a sua surpresa toda essa raiva não era direcionada contra ele, mas sim por ele, ela sentia que havia algo nele que a fazia sentir-se como uma criança novamente, era como se ela conhecesse o senhor das trevas desde há muito tempo atrás, mas como isso seria possível? Em nenhuma das suas memórias antigas ele aparecia, apenas em seus sonhos, então o que estava fazendo ela, uma valquiria se sentir assim em relação a uma criatura que ela devia odiar? Foi procurando respostas para essa pergunta que ela veio até a cidade dos mortos.

Randgris não se surpreendeu ao ver um grupo de sete humanos vagando pelo castelo, provavelmente procurando pelo senhor das trevas para derrotá-lo, por instinto ela escondeu a sua presença, resolveu seguir eles, seria bom ver como iriam se sair contra o senhor de Glast-heim.

- Onde deve estar aquele demônio? – disse o lorde que liderava o grupo, estava sem o seu peco-peco, trazia uma enorme espada de duas - mãos.

- Que tal você parar de gritar, René? – disse a sacerdotisa do grupo.

- Deixa ele a vontade, Cyre, ele venceu o torneio ontem, deixa ele comemorar. – uma professora que vinha mais atrás falou tentando acalmar a sacerdotisa.
Alem dos três uma atiradora-de-elite, um mestre-ferreiro, um mestre e um templário se aproximavam em silencio, eles pareciam fortes, para Randgris eles eram mais do que o suficiente para derrotar o senhor das trevas, ela mesma já havia derrotado a criatura sozinha algumas vezes, mas ela sempre voltava à vida.

- Eiiii, o que vocês estão fazendo? – um espadachim que vinha correndo do cemitério gritou, tinha cabelos loiros e olhos negros, pendurada nas costas estava uma espada larga, Randgris achou estranho e perigoso um espadachim sozinho em Glast-heim, mas ele deveria estar em segurança agora junto do grupo.

- Nós vamos matar o senhor das trevas, garoto, e você devia sair daqui se sabe o que e bom pra você. – o lorde disse enquanto olhava para o espadachim com desprezo, provavelmente devia odiar ter que aturar iniciantes.

- Vocês vão matar ele? Deixa eu ajudar então, deixa? – o espadachim disse com ansiedade na voz.

- Eu já disse para você vazar daqui, não quero ter que me preocupar com ninguém durante a luta. – o lorde disse severo dessa vez.

- Isso mesmo garoto, vai pra casa vai, se você quiser mais tarde eu te ajudo a matar rockers, ou porings se você não der conta dos verdinhos. – A atiradora de elite disse enquanto mandava um beijo e piscava para o espadachim.

O espadachim de cabelos loiros apenas abriu um sorriso maior ainda, Randgris sabia que oferecer ajuda para ele caçar rockers era uma forma de provocação e insulto, até mesmo aprendizes derrotavam aquelas criaturas com facilidade, mas o insulto pareceu não afetar o espadachim, ele apenas continuou a seguir o grupo em silencio, o líder apenas bufou e continuou a caminhar.

Não demorou a encontrarem o senhor das trevas vagando pelo cemitério cercado por três ilusões das trevas, o grupo fez suas preparações de rotina com suas habilidades de suporte, após se prepararem avançaram para cima do monstro, a professora rapidamente usou proteger-terreno para impedir que o senhor das trevas usasse sua famosa chuva de meteoros, com suas magias neutralizadas foi facial para o lorde despachar as ilusões usando a ajuda do mestre-ferreiro e do mestre-monge, mesmo quando as criaturas tentaram revidar não conseguiram causar muito dano, a sacerdotisa curava e os protegia com Kyrie Eleison, até mesmo o espadachim estava ajudando, apesar de não ser muito útil, em menos de três minutos as ilusões estavam mortas, o templário que esteve mantendo o senhor das trevas ocupado logo abriu espaço para o mestre acertar a criatura com um punho supremo de asura com a força ampliada por um lex aeterna.

O senhor das trevas que já havia sofrido algum dano pelo templário e pelas flechas sagradas da atiradora de elite foi jogado há alguns metros de distancia pela força do golpe, ele caiu sobre uma sepultura, quebrando a lapide, ao cair apenas ficou imóvel, como se estivesse morto, o que era estranho, ele sempre desaparecia como poeira ao morrer.

- Isso é o melhor que você consegue fazer? E ainda tem a coragem de dizer que um monge? – O senhor das trevas disse enquanto se levantava, sua voz estava cheia de escárnio, seu corpo parecia intacto, mesmo após ter recebido todo aquele dano. – Eu pensei em dar uma vantagem inicial para vocês, mas mesmo assim vocês estão muito abaixo das minhas expectativas, mesmo para einherjars, ou eu deveria dizer cegos escravos de Odin?

O coração de Randgris bateu rápido ao ouvir aquela voz, e ela não foi a única a se surpreender, todos estavam espantados pelo fato da criatura ainda estar viva.
O lorde foi o primeiro a agir, havia ficado paralisado pelo fato do senhor das trevas nem sequer estar ferido após ser atingido por um poderoso asura, usou todas as suas habilidades de lorde a avançou para cima do monstro.

- Desencantar. – O senhor das trevas disse enquanto as magias de suporte do lorde desapareciam, o lorde estava surpreso demais para reagir, o senhor das trevas aproveitando o momento se teleportou aparecendo na frente dele acertando sua cabeça com o punho, a força do impacto arremessou o lorde longe, mesmo de onde Randgris estava ela pode ouvir o pescoço dele quebrando.

A sacerdotisa tentou ressuscitar o parceiro, mas ela estava perto demais do senhor das trevas.

- Sifão de Alma. – O senhor das trevas usou outra habilidade incomum, queimando toda a energia espiritual da sacerdotisa, antes que ela tivesse tempo de beber uma porção azul ele usou lanças de gelo, as enormes estacas de gelo caíram sem piedade sobre a pobre mulher pregando ela contra o chão, logo o sangue dela pintou o gelo de vermelho, a surpresa jamais deixando o seu rosto.

Ao ver a sacerdotisa morrer daquela forma o Mestre emitiu um grito de fúria e partiu para cima do senhor das trevas, mas ele havia gasto toda sua energia mental naquele asura, o senhor das trevas usou novamente desencantar, dessa vez tendo o mestre como alvo, terminou por usar pântano dos mortos, sem suas magias de suporte e sem energia espiritual o monge ficou muito lento, o senhor das trevas precisou só de uma mão para deter o golpe do mestre, segurando o punho dele firmemente com uma mão agarrou a cabeça dele com a outra mão e a torceu até o mestre soltar sangue pela boca.
Restavam apenas o templário, o mestre ferreiro, a professora e a atiradora-de-elite, o espadachim nem entrava na conta.

- O-o que significa isso? – a professora disse assustada. – O senhor das trevas nunca foi tão forte assim, eu derrotei ele dezenas de vezes, ele nunca usou essas habilidades antes, o que esta acontecendo aqui?
Nesse instante o espadachim começou a rir descontroladamente, todos se viraram para olhar ele, até Randgris se surpreendeu sobre como ele podia rir quando sua própria vida estava em perigo.

- Vocês realmente acharam que iam derrotar um imortal assim tão fácil? O nível de qualidade em prontera caiu muito nesses últimos anos. – o espadachim disse enquanto continuava a rir.

A professora abriu a boca para falar alguma coisa, talvez invocar uma magia, mas o espadachim sem explicação alguma girou sua espada realizando um corte horizontal, cortando na vertical, o corpo ainda ficou em pé alguns segundos antes de cair.

A atiradora de elite apenas ficou olhando com olhos arregalados para o espadachim, até que ela abriu a boca cheia de espanto:

- Impossível... Doppelganger?

- O próprio, aos seus serviços. – o espadachim disse.
Somente agora Randgris reconheceu o espadachim fantasma, no passado nunca havia tido dificuldades para diferenciar a alma dele da de um humano, o que havia de diferente agora?

- Por que você não se junta a nós, valquiria Randgris? – o senhor das trevas disse enquanto seu olhar caia sobre ela.
Surpresa pelo fato de ter sido descoberta, Randgris saiu de seu esconderijo.

- Como você soube? – ela perguntou, valquirias podiam esconder suas presenças com perfeição, uma habilidade dada a elas por Odin.

- Você esta dentro dos meus domínios Randgris, dentro de Glast heim eu faço as regras, ninguém se esconde de min aqui dentro, principalmente você. – ele respondeu com uma voz cheia de zombaria.

- É essa aí que você tinha falado antes? – doppelganger perguntou para o senhor das trevas.

- Sim, a própria, eu sabia que cedo ou tarde ela viria até min, e agora que ela está aqui nós podemos dar inicio a segunda parte do nosso plano. – ele respondeu enquanto olhava para Randgris.

Antes que Randgris tivesse a chance de se mover, tanto o senhor das trevas quanto doppelganger atacaram os humanos restantes, o senhor das trevas se teleportou aparecendo em frente à atiradora-de-elite, antes que ela pudesse puxar uma flecha ele a socou com força, sangue espirrou de sua boca, um segundo depois estava morta.

Doppelganger não teve dificuldades em matar o templário, a espada que ele usava era grande, mas doppelganger a usava como se fosse uma simples faca, por ser mais lento o templário não conseguia defender todos os golpes, em um momento seu escudo foi lento demais para defender um dos golpes, a espada de doppelganger o cortou de cima abaixo, ele caiu com grito, doppelganger apenas golpeou sua garganta para terminar seu sofrimento.

Somente o mestre-ferreiro restava agora, mas antes que o senhor das trevas ou doppelganger pudessem alcançá-lo ela se colocou na frente dele.

- Já chega, você não vai tirar mais nenhuma vida, criatura amaldiçoada. – Randgris gritou com força.

- Achei que todo tipo de massacre deixasse vocês valquirias felizes. – o senhor das trevas disse com sarcasmo. – Quanto mais mortes mais rápido os salões do valhalla se enchem, não concorda? Isso com certeza deve deixar Odin feliz.

- Nenhuma valquiria aprecia a morte de humanos, amaldiçoado, muito menos Odin. – Randgris disse com raiva, não podia aceitar que um ser de trevas ofendesse a honra de Odin.

O senhor das trevas apenas emitiu um som abafado, como se fosse um riso, com uma das mãos realizou uma magia de invocação, e um segundo depois, dois sacerdotes malditos apareceram, após receber ordens do senhor das trevas começaram a ressuscitar os guerreiros que haviam acabado de serem mortos, estranhamente nenhum deles despertou mesmo após terem sidos ressuscitados, ao terminarem abriram um portal e do outro lado estava prontera.

- Vê valquiria? Eu posso atacar prontera a qualquer instante, mas ao contrário do que a maioria dos escravos de Odin pensa, minha guerra não é contra os humanos, mas sim contra o próprio Odin, são esses humanos imbecis que se metem onde não são chamados. -
O senhor das trevas disse enquanto os sacerdotes malditos arrastavam os guerreiros adormecidos e os jogavam no portal, no fim até mesmo o mestre ferreiro foi arrastado até lá.

- Pronto, agora nós podemos cuidar do que realmente importa. – O senhor das trevas disse.

Diante dos olhos de Randgris a criatura cadavérica começou a se transformar, sua estranha armadura desapareceu, e após alguns segundos ela viu que no lugar do senhor das trevas estava um desordeiro de cabelos brancos e olhos verdes.

- Como... Você fez isso? – ela perguntou incrédula, em nenhum livro sobre pesquisa de monstros estava anotado que o senhor das trevas podia mudar de forma.

- Um pequeno presente de Doppelganger, eu vou precisar sair de Glast heim para caçar outros imortais, mas não é por isso que você veio até min, é sobre Thanatos não é?

Ele perguntou enquanto olhava para ela com curiosidade, era estranho ver uma criatura feita de escuridão assumir uma forma humana, e para piorar sua aparência humana não era tão ruim, era até atraente.

Randgris se surpreendeu ao ouvir o nome do guerreiro arcano, como ele sabia? Ele podia ler mentes? Aparentemente ele viu a confusão no rosto de Randgris.

- Então é como eu imaginei, você se sente atraída por Thanatos, mas não se lembra quem ele é, você provavelmente não se lembra de quem você foi na sua vida como uma humana certo? – O senhor das trevas perguntou.

- Do que você está falando? Eu nunca fui humana, eu fui criada por Odin, ele é meu pai e meu senhor, não tente me iludir com suas mentiras, amaldiçoado. – ela disse com fúria.

- Você não se lembra mesmo, e quanto ao nome loki, ele traz alguma memória? – ele perguntou novamente.

- Loki? Aquele traidor que enganou Höðr e o usou para matar Balder por pura inveja? Todos no valhalla conhecem esse traidor. – Ela disse com raiva e desprezo na voz, Loki sempre despertava sentimentos negativos em todas as valquirias, mesmo Randgris nunca tendo se encontrado com ele pessoalmente, já o odiava, fazia milênios que Loki havia sido expulso do valhalla.

O senhor das trevas apenas sorriu com alegria nos olhos, dando a Randgris um olhar do tipo "eu sei algo que você não sabe".

- Eu quero estar por perto para ver a sua cara quando você descobrir a verdade Randgris. – ele disse com prazer na voz. – Ao contrario do que vocês escravos imbecis pensam, foi o próprio Höðr que pediu para loki o ajudasse a matar Balder.
Agora foi a vez de Randgris rir, a idéia de que Höðr havia desejado matar o próprio irmão era tão absurda que beirava o ridículo.

- Você realmente consegue ser engraçado quando quer, e por que na sua cabeça demente Höðr iria desejar a morte do próprio irmão? – ela perguntou com zombaria.

- Por que Balder estuprou a mulher que deveria pertencer a Höðr, você deve ter ouvido falar de Nanna, a esposa do maravilhoso Balder. – O senhor das trevas disse com nojo na voz, e sem dar tempo para Randgris interromper continuou. – Saiba que Balder nunca se interessou por ela antes, ela não era exatamente um modelo de beleza, Balder era filho de Odin, ele podia ter a mulher que quisesse, então por que se contentar com uma mulher de beleza mediana como Nanna quando ele podia ter até mesmo Freya?

Randgris apenas permaneceu em silencio, as heresias que ele estava falando eram demais para ela.

- Foi Höðr que se apaixonou por Nanna, os dois anunciaram seus casamento para o todo o valhalla, foi uma das poucas épocas felizes para Höðr, mas Balder logo se encheu de inveja, Höðr nunca havia tido algo que ele não tivesse provado antes, roupas, comidas, bebidas e mulheres, tinha sido sempre assim, e não ia mudar agora, ele tentou seduzir Nanna, mas ela o recusou, ela realmente amava Höðr, isso apenas enfureceu Balder, ninguém o recusou antes, isso também não iria mudar agora. – O senhor das trevas fez uma pausa para recuperar o fôlego, e depois continuou.

- Não tendo outra alternativa, ele estuprou Nanna, possuiu a noiva do próprio irmão do mesmo modo como um cão possui uma cadela no cio, e depois ainda agiu como se tudo estivesse normal quando se encontrou com Höðr, mas quando Höðr descobriu ele se encheu de fúria, durante toda a sua vida ele tinha estado a sombra de Balder, tudo de bom era apenas para ele, e para Höðr apenas migalhas, e quando ele finalmente ia ter alguma alegria, Balder também tirou isso dele. Höðr tentou convencer Odin a punir o irmão, ou pelo menos permitir um duelo entre os dois pela honra de Nanna, mas Odin não quis nem mesmo ouvir, disse apenas que Nanna era uma mulher entre muitas outras, Höðr com certeza poderia encontrar outra.

O senhor das trevas fez outra pausa, Randgris apenas balançou a cabeça dizendo para ele continuar.

- Mas a verdade é que as Norns haviam profetizado que enquanto Balder vivesse o Valhalla prosperaria, mas se ele viesse a falecer, nada mais poderia deter o Ragnarok, e junto com o Ragnarok viria à morte de Odin, por isso Odin estava disposto a mergulhar o nome de um dos próprios filhos em desgraça, mas Höðr não iria aceitar essa ofensa sem lutar, por isso ele foi até Balder e o desafiou para um duelo, os dois lutaram por mais de uma hora, qualquer um poderia ver que Höðr era um guerreiro melhor, mas devido a promessa de Frigga nenhuma arma podia acertar Balder, não importando o quando Höðr se esforçasse, sua espada nunca alcançava Balder. – O senhor das trevas fez mais um pausa, e continuou no mesmo ritmo. – No final Höðr estava cansado demais para lutar, Balder se aproveitou e acabou cegando Höðr, no final da historia para acalmar o pai de Nanna, Balder foi forçado a casar com ela, um sacrifício pequeno, nada o impedia de trair a esposa, uma coisa que ele fez com freqüência, Höðr com o tempo foi esquecido, os outros deuses se lembravam dele apenas para rir do seu destino.

- O único que se lembrava de Höðr com respeito era Loki, pois mesmo antes daquele incidente ele gostava do filho menos favorecido de Odin, havia outra profecia que dizia que Balder iria encontrar seu fim nas mãos de um irmão, mas como Höðr era cego agora ele não poderia mais fazer nada contra o irmão, ou pelo menos foi isso que Odin e Frigga pensaram em sua arrogância, pelo próprio pedido de Höðr, Loki procurou por toda asgard até encontar o mysteltainn, o pequeno graveto que Frigga havia ignorado, ele avisou para Höðr que ele pagaria com vida pela morte de Balder, mas Höðr não se importava com o preço, ele queria justiça, algo que Odin, o grande senhor da justiça e da verdade havia falhado em lhe entregar. – Mais um pausa para recuperar o fôlego, e ele continuou. – Loki usou sua magia para endurecer o graveto de mysteltainn, e então guiando Höðr ele ajudou o irmão cego de Balder a realizar justiça, Höðr atravessou o coração traiçoeiro de Balder com um imenso prazer, justiça havia sido feita, mas antes que ele pudesse comemorar, aquele verme que vivia se arrastando atrás de Balder o matou, eu creio que o nome do insetinho era Vali, quando Loki viu a forma como Höðr morreu, ele fugiu para que não lhe ocorresse o mesmo.

Randgris estava sem palavras, eram tantas mentiras que ela não havia por onde começar, mas o mais assustador era que se você parasse para pensar...parecia haver uma certa verdade naquilo.

- Vocês no Valhalla acreditam que o graveto de mysteltainn é uma coisa amaldiçoada, não é? muito pelo contrário, aquele graveto é um símbolo da verdadeira justiça, uma justiça que esta acima das mentiras de Odin. – O senhor das trevas continuou com calma.

- Você espera que eu acredite nessas mentiras, senhor das trevas? E se isso é verdade, por que nenhum livro, nenhum bardo sabe dessas historias? – ela perguntou com escárnio.

- Primeiro valquiria, eu não pedi para acreditar em min, a verdade vai ser revelada cedo ou tarde, se você acredita ou não é irrelevante, segundo, todos os livros e bardos são servos de Odin de um jeito ou de outro, e se Odin é um mentiroso, o que isso faz dos servos dele? – ele perguntou com arrogância.

- Você devia tomar mais cuidado ao invocar o nome de meu pai, filho da escuridão, minha paciência esta acabando. – ela falou ameaçadoramente.

- Tudo bem, mas agora eu vou lhe mostrar algo que vai mudar o seu mundo. – O senhor das trevas disse enquanto começava a invocar uma magia, Randgris puxou sua lança por instinto, mas ele apenas invocou uma magia de teleporte, abrindo um portal para a torre de Thanatos.

- O que você pretende fazer na torre de Thanatos? – ela perguntou sem compreender.
- Eu vou te mostrar a verdade, Randgris, a verdade que você tanto procura. – O senhor das trevas disse enquanto atravessava o portal, sendo seguido por doppelganger, sem ter muita escolha ela os seguiu.

A torre de Thanatos nunca falhou em impressionar Randgris, era bela e ao mesmo tempo sombria, Randgris se surpreendeu ao perceber que estavam já no topo da torre.

- Como você é capaz de vir até aqui? Eu pensei que apenas os grandes guardiões e as valquirias fossem capazes disso. – ela perguntou com desconfiança.
- É lógico que eu sou capaz de subir até aqui, afinal eu ajudei a construir essa torre. – ele
disse enquanto colocava novamente aquele olhar de "eu sei algo que você não sabe" no rosto, após alguns segundos observando o topo da torre ele começou a invocar uma magia, surgiram portais de onde os quatro guardiões da torre apareceram, Randgris se preparou para lutar, mas eles nem sequer se moveram, apenas ficaram parado em frente ao senhor das trevas.

- Ódio, desespero, tristeza e desgraça, me diga Randgris, quais são os sentimentos opostos a esses? – O senhor das trevas perguntou quase rindo, Randgris ainda se sentia incomodada pela forma humana dele.

- Amor, esperança, alegria e boa fortuna, apesar do ultimo não ser exatamente um sentimento, e mais uma forma de se sentir quando as coisas estão em paz. – ela respondeu sem esforço algum.

- Boa resposta, já passou pela sua cabeça que foi pensando em você que Thanatos conseguiu invocar esses sentimentos? – ele perguntou com curiosidade na voz.

- Eu? – ela perguntou confusa.

- Sim, foram esses sentimentos que ele usou para selar Rune-midgard, com isso nenhum demônio ou ser muito poderoso poderia entrar, isso evitou por muitos anos que Rune-midgard se tornasse um campo de batalha entre deuses e demônios, mas a hora do selo se partir esta chegando, a hora do lobo. – e dizendo essas palavras ele começou a absorver a essência dos guardiões da torre, após os ter absorvido completamente, ele usou uma estranha magia para mudar a forma das essências, e as enviou para o meio da torre, lentamente elas começaram a tomar a forma de um homem, a forma de Thanatos.

- Ele vai despertar a qualquer instante, lute com ele, e aprenda um pouco da verdade. – o senhor das trevas disse enquanto se afastava.
Randgris se preparou, logo a forma de Thanatos se completou, ele era impressionante, a armadura feita de ossos por si própria já era uma visão magnífica, mas o que realmente chamava a atenção era a massiva espada de duas mãos negra, seu metal negro como a noite parecia beber a luz.

Quando ele abriu os olhos Randgris pode ver belos olhos verdes, que viam tudo... E compreendiam nada, Randgris nunca o havia enfrentado antes de verdade, essa era a primeira vez que ia testar a sua força contra o cavaleiro arcano.
Thanatos preparou a sua espada e avançou contra ela, Randgris se preparou para bloquear o primeiro golpe... Que não veio, Thanatos havia congelado na sua frente, surpresa estampada por todo o seu rosto.

- Ran...dgris, Randgris? É você Randgris? – ele perguntou visivelmente surpreso, mas não mais que a própria Randgris, Thanatos nunca falava, era apenas um fantasma do passado, mas agora ele falou... O seu nome.

- É inútil, ela não se lembra de você, Odin cuidou muito bem disso. – O senhor das trevas disse enquanto se aproximava, Thanatos o observou, e para a surpresa de Randgris um sorriso surgiu nos lábios deles, o sorriso de alguém que vê um velho amigo.

- E você ainda não fez nada para recuperar as memórias dela? Você está ficando pior a cada ano, Adrian. – Thanatos disse enquanto guardava a espada.

- Também estou feliz em te ver, eu não posso fazer nada com o selo que a impede de se lembrar de você, Odin saberia imediatamente que eu o quebrei, e ao contrario de você eu ainda não tenho poder o suficiente para fazer ele pensar duas vezes antes de tentar me matar. – o senhor das trevas, ou Adrian como Thanatos havia dito, falou com uma raiva contida.

- É uma pena. – Thanatos disse enquanto olhava para Randgris, havia tantas coisas misturadas no olhar dele, tristeza, resignação, uma estranha alegria, e acima de tudo, desejo, Randgris compreendeu com espanto o desejo no olhar dele, ele desejava... Ela.

Seu coração começou a bater rápido, pois ela também o desejava, de alguma forma isso parecia errado, mas parecia extremamente certo também.

- E quanto a Morroc? Ele já retornou? – Thanatos perguntou para Adrian.

- Ainda não, mas irá retornar em breve, assim como você, eu estou preparando as coisas para o seu retorno, quando você voltar, estaremos prontos para avançar contra Odin, as dívidas de mais de mil anos finalmente vão ser pagas. – Adrian disse com alegria na voz.
Antes que Thanatos pudesse realizar outra pergunta, Randgris percebeu com apreensão que ele estava começando a desaparecer.

- Sinto muito, mas o selo que você criou é forte, isso é tudo o que eu posso fazer. – Adrian disse com tristeza quando o amigo começou a desaparecer.

Thanatos nem respondeu, ele avançou até Randgris e a segurou nos braços, seu toque era forte, mas ao mesmo tempo gentil, e havia algo nos olhos dele que fazia a sua mente ficar tão branca quanto a folha de um caderno.

- Você provavelmente vai me odiar por fazer isso assim, mas eu não posso me conter agora, um dia você vai entender e vai me perdoar. – ele disse enquanto sorria gentilmente, e antes que ela tivesse a chance de perguntar o que estava acontecendo, ele a beijou.

Sua surpresa foi tão grande que ela nem reagiu no começo, ondas de eletricidade e calor percorreram todo o seu corpo quando a língua dele se encontrou com a sua, ele a estava beijando tão intensamente, Randgris nunca havia sentido nada assim em toda a sua vida, em alguma parte da sua mente uma pequena parte da sua sanidade gritou para ela resistir a ele, mas todo o resto do seu corpo estava respondendo com desejo ao beijo, e no final até mesmo a sua mente se rendeu a intensidade dele, ela fechou os olhos e se entregou, sem se dar conta começou a abraçá-lo, o puxando para mais perto do seu corpo, ele apenas se tornou mais intenso ao perceber que ela estava gostando, suas línguas se enroscaram, sua respiração estava ficando fraca, suas pernas estavam tremendo, e uma parte mais selvagem do seu corpo começou a ficar úmida de desejo e ansiedade.

E assim como o beijo começou, ele terminou, um segundo ele estava na sua frente a devorando, e no outro havia desaparecido, Randgris abriu os olhos e procurou por ele, mas ele já tinha se ido, para seus desespero as únicas pessoas que ele encontrou foram Adrian e doppelganger a observando com enormes sorrisos e olhares maliciosos, ela virou o rosto para longe tentando evitar o olhar deles.

- Ele... Ele não devia ter feito isso. – ela disse tentando soar firme e irritada, o que estava longe de ser o que estava sentindo, quem poderia se sentir irritado depois de um beijo daqueles?

- Tem razão, e você devia ter resistido a ele, mas eu acho que você estava muito ocupada arrancando baba da boca dele com a língua para se preocupar com coisas triviais, mas isso é apenas natural, no passado eu tinha que separar vocês com um balde de água se quisesse dormir a noite. – Adrian disse com zombaria.

- De qualquer forma, como é que você consegue controlar os guardiões dessa torre? – ela perguntou tentado desviar o assunto.

- Eu os criei, quando Thanatos criou o selo, ele levou em consideração o fato de que alguns humanos poderiam vir até aqui tentar tomar o poder dele para si próprios, então eu criei esses guardiões, eles se alimentam dos sentimentos positivos de Thanatos, por isso são tão fortes, eles convertem a energia positiva em energia negativa, e a usam para lutar, caso sejam derrotados, eles podem ser usados para invocar um reflexo da alma de Thanatos, a maioria dos humanos morre tentando enfrentá-lo, e isso nem sequer é o poder total dele, é apenas um reflexo. – Adrian disse com um certo orgulho.

- E agora? Eu compreendo que deve ter uma ligação entre eu e Thanatos, mas um simples beijo não prova nada. – Randgris disse.

- Venha comigo então, valquiria. – ele disse enquanto abria outro portal. – Eu vou te mostrar a verdade sobre quem você foi na sua vida passada.

Ai esta mais um capitulo, obrigado por ler, e se tiver alguma critica ou dica, fique a vontade para falar.