Chapter III

Acordei no dia seguinte, eu havia chorado tanto a noite passada, que meus olhos não queriam abrir hoje. Eu estava vestida com uma camisa de flanela dele, que estava comigo á alguns dias.

- Ele não saiu da porta da casa a noite inteira, se serve de prova que ele te ama Elle. – Nez disse, pendurada na janela. Ela já estava normal, com uma caneca de café na mão, outro ponto sobre mestiços, não temos ressaca.

- Eu sei que ele me ama, ele só não confia em mim. – Fui para o banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto, tudo em gestos robóticos.

- Eu acho que você devia ir lá falar com ele. Você não sabe o motivo pra ele não te contar essas coisas Elle. Ele pode estar te protegendo. – Eu sabia que isso podia ser verdade, mas não iria dar o braço a torcer e iria falar com ele, ele devia fazer isso. Se ele realmente me ama, ele faria isso.

- Acho que você não irá precisar ir falar com ele. Ele já está vindo fazer isso. – Nez disse sem tirar os olhos da janela.

- O que? – Meu queixo caiu.

- Se eu fosse você descia e abria a porta garota, antes que Dan faça isso. Você viu como ele ficou ontem quando você chegou naquele estado. – Ela explicou.

- Eu vou. – Disse antes de descer as escadas correndo e parar de frente para a porta.

Três batidas, foi tudo o que eu precisava ouvir antes de abrir a porta. Eu precisava vê-lo novamente. Precisava olhar dentro daqueles olhos vermelhos, mesmo que depois eu tivesse que ignorá-lo completamente.

- Electra. – Ele suspirou com alívio. Ele disse meu nome completo, ele quase nunca fazia isso, só quando o momento realmente pedia.

- E você, quem é de verdade? – Joguei as palavras em cima dele. O que ele fez em seguida me surpreendeu por completo.

- Desculpe o mal habito milady. Karl Wherlocke a seu dispor. – Ele se apresentou ao modo antigo, depositando um beijo nas costas da minha mão esquerda.

- Wherlocke? – Não contive o sorriso que tomou meu rosto. – E dá aonde vem o forasteiro? – Perguntei entrando em seu jogo.

- Inglaterra, mas precisamente a Inglaterra georgiana, fim do século XVII. – Ele sorriu de lado. O meu sorriso favorito. Ele devia ter uns 300 anos, mas ainda sim era o meu Karl.

- Cidade? – Quis ser mais detalhista.

- Rivington. – Ele disse revirando os olhos.

- Um dia eu irei conhecer essa cidade? – Perguntei curiosa, é claro que eu amaria passear pelas ruas que ele andou enquanto era criança.

- Mais é claro, Sra. Wherlock. – Electra Wherlock. Ficava lindo. Corei assim que ele estampou seu sorriso torto em seu rosto.

- Seus olhos? – Eu queria tanto saber aquilo, os olhos dele eram as únicas mudanças realmente drásticas em seu físico. Eu merecia saber isso.

- Castanhos, mas minha mãe costumava dizer que eram castanho mel. Nunca achei que tivesse um pingo de mel neles, mas as mulheres são mais detalhistas, não? – Ele semicerrou os olhos.

- Mãe? - Uau. Eu nunca havia pensado que se eu fosse da idade de Karl eu, provavelmente, teria tido uma sogra. - Como ela era?

- Se chamava Beatrice. Tinha cabelos ruivos alaranjados, olhos verdes e algumas sardas no rosto e sempre achava que eu não usava toda a minha capacidade mental. - Ele mordeu o lábio inferior. Sai para a varanda e me sentei nas escadas.

- Pai? - Eu realmente queria saber tudo sobre ele, cada detalhe me fascinava mais.

- Lorde Julian Wherlocke. - Ele fingiu se arrepiar ao pronunciar o nome. - Eu sou a cópia dele, tirando o fato que a idade o venceu. - Ele riu nervoso. - Ele não me considerava um bom filho. Me chamava de incompetente sempre que tinha a oportunidade.

- Sinto muito. - Ele havia se sentado ao meu lado. - Irmãos?

- Uma Irmã. Chloe. Quando fui transformado ela ainda tinha 14 anos e relutava o fato de ter sido prometida ao filho dos vizinhos. – Ela falou triste, triste demais, devia realmente sentir muita falta dela. - Era muito parecida com minha mãe na aparência, na personalidade, me lembra Nez. - Ele se perdeu em sua mente, isso explicava a forte amizade que havia surgido entre os dois.

- Você disse que ela tinha 14 anos e já era noiva, você tinha 20, tinha uma noiva ou... Era casado? - Perguntei com cautela. Eu disse que não me importaria com suas antigas namoradas, mas se ele tivesse se apaixonado enquanto humano, as coisas mudavam. Se ela fosse loira, era aí que mudavam mesmo.

- É realmente necessário? – Ele me olhou como se eu estivesse fazendo algum tipo de brincadeira. Mantive o olhar sério. – Eu tinha uma noiva, mas fiz questão de atrasar o casamento indo estudar em Londres. Eu não queria me casar com Julie Anne. Ela era normal demais, se isso acontecesse, eu teria uma família normal, filhos normais, uma vida normal, não era isso que eu desejava para meu futuro. – Ele pareceu estar perdido em suas memórias.

- Sua transformação. Onde? Quando? Como? Quem? – Agora que eu já sabia detalhes da sua vida humana, poderia prosseguir para sua transição.

- Eu estava sozinho, voltando tarde da noite de um cabaré. – Ele riu com a declaração. – Indo para o campus do centro de estudos científicos. Eu estudava física quântica. Acredita? – Ele revirou os olhos. – Eu não sei quem foi, ele me abandonou lá, no meio de uma plantação de trigo, talvez só estivesse se testando, ver se era capaz de transformar alguém. Na verdade eu só estava no lugar errado, á hora errada, ou no lugar certo, na hora certa. Assim pude continuar existindo para você.

- E depois? O que você fez? – Me senti mal por lhe fazer essa pergunta, ele estava tão triste, pareceu ficar mais ainda assim que terminei de fazer a pergunta.

- Eu gritei, pedi para morrer, até cansar, ninguém escutou, quando acabou, eu me sentia perdido, desnorteado, segui inconscientemente para as terras da minha família, admirando cada novo detalhe que meus olhos conseguiam captar, cada novo perfume, apreciando o que havia me tornado... E foi quando eu a senti, seu perfume, tão quente, tão molhado, jurava aplacar aquela dor na minha garganta, eu não pensei, eu simplesmente ataquei, quando me dei por mim, quando consegui enxergar, ver quem estava inerte em meus braços, não havia mais volta, eu matei minha irmã, eu matei Chloe. – Então era isso? Era isso que ele não queria remexer? Nez tinha razão, talvez fosse melhor não ter mexido nisso, porque agora ele estava triste e ainda era meu aniversário, não era para ninguém estar triste hoje.

- Você não fez por que quis. – Tentei reconfortá-lo.

- Isso justifica Elle? Eu acabei com a vida da minha irmã, ela só tinha 14 e ia conseguir o que queria, ia conseguir ser livre, eu sei, e eu acabei com tudo, com seus sonhos, nada pode justificar isso. – Ele estava desnorteado, escondia seus olhos de mim.

- Você sabe o porque do seu passado ser tão importante? – Perguntei, ele continuou olhando para a outra direção. – Porque eles foram uma série de acontecimentos que te trouxeram para mim. – Repeti o que ele havia dito e segurei sua mão. – Nada disso faz muita diferença, não muda quem você é pra mim, como você é pra mim. É como se eu estivesse preenchendo uma lacuna na minha vida, entende? Eu não sei da onde venho, por isso queria tanto saber sobre você, eu não queria que você fosse só mais um mistério. Desculpa, eu sou uma egoísta por te forçar a ficar remexendo isso, essa minha curiosidade, eu sei que ela é chata...

- Hey Elle, não havia sido eu a te magoar? Porque então você está se desculpando?- Ele me cortou, sua voz, parecia estar se controlando loucamente, parecia que me ver pedindo desculpas por ser egoísta havia o deixado ainda mais triste. Ele estava realmente estranho.

- É meu aniversário, Alice parece já estar arrumando a casa, por favor, vamos engolir essa tristeza, eu só queria um aniversário que fosse plenamente feliz e eu mesma cacei problemas. Mas se bem que você foi muito altruísta tocando nesse assunto mesmo sabendo que ia doer. Não precisava ter feito isso. – Segurei sua mão, acariciei seu rosto, o forçando a olhar dentro de meus olhos, culpa, eu odiava esse olhar carregado de culpa. – Me beija?

- Você ainda pede? – Ele sorriu, meu sorriso torto, era meu Karl novamente. Ele me beijou, ternamente, docemente, como se eu fosse me desmanchar em suas mãos. Talvez isso já tivesse acontecido, talvez eu já tivesse me desmanchado em suas mãos, seus lábios, seu corpo. – Feliz aniversário!

O dia foi se arrastando, como uma sentença de morte. Passamos o dia trancados no quarto de Nez, Alice ordenou Karl ficar comigo, porque só ele seria capaz de me ocupar o suficiente para a minha curiosidade não acabar me vencendo. Ela estava certa. Estavamos deitados no tapete branco e felpudo assistindo a maratona de O Senhor dos Aneís. Quer dizer, a maratona estava nos assistindo.

- Elle o que você acha de usar meu nome? – Ele me perguntou inocentemente, no pé do meu ouvido, enquanto eu beijava seu ombro.

- Wherlock? – Ele assentiu. – Como se fossemos casados?

- Não faz muito sentido eu continuar usando o Volturi agora que você já sabe meu nome, até Alec e Jane voltaram a usar o Zampier e Dan usa o Cavallieri. Seu nome completo é Electra Cavallieri Volturi, uma italiana legitima, quem diria? – Ele acabou devaneando, mas era verdade, Cavallieri era realmente um nome bonito. – Mas se eu usasse o Wherlock você seria a única a usar o Volturi... É, como se fossemos casados. – Eu sempre seria uma Volturi, estava no meu sangue, mas, Electra Wherlock era tão lindo. – Você não precisa se não quiser, é só uma coisa que surgiu na minha mente...

- É lindo, como se fossemos casados sem precisar ser. Perfeito. – Ele riu deliciado. – Mas se bem que eu sempre quis usar o vestido branco, claro que eu não posso, você fez questão de me impedir, azul bebê é bonito, Dan poderia me levar até o altar... – Ele estava chocado com as palavras que saiam da minha boca.

- Achei que já haviamos concluido que somos praticamente casados. – Ele me parou, colocando a mão sobre minha boca.

- Mas você ia ficar tão lindo de smoking. Você sabe que eu amo quando você usa black tie. – Eu amava brincar com ele, ele ficava desesperado.

- Isso é sério Elle? – Ele caiu do meu lado, respirando descordenadamente, com a mão sobre seus olhos.

- Não seu bobo, eu, casando de véu e grinalda? Fala sério, neim daqui a mil séculos. – Me deitei sobre ele e beijei seu queixo, a mão que estava sobre seus olhos me puxou mais para cima, para mais um de nossos beijos insandecidos... Esse nosso desejo reprimido ia acabar nos matando.

- A festa acabou. – Alice já estava dentro do quarto, tudo bem que o quarto não era meu, mas isso era abuso demais. Continuei o beijando, Karl não era do tipo que recusava um beijo, não importa em qual situação estivessimos, se eu o beijasse, ele iria jogar tudo pro alto. – Sério, você precisa se arrumar Elle.

- Tá legal. – Me sentei em seu colo, contrariada, porque ele tinha que ficar rindo da minha cara?

- Essa é a sua deixa Karl. – Agora era Rosalie que estava ali, Com uma caixa negra envolta em um laço de seda verda nas mãos. Presentes? Ah, não. Karl percebeu meu desespero pela caixa preta e riu ainda mais.

- Obrigado garotas, isso é impágavel. – Ele me levantou e me levou até a frente de Rose que sorria, seu sorriso faiscante e desnorteante. Não é que eu não goste de presentes, é só que eu não era acostumada a ganhar coisas grandes. Eu sempre pedia a Alec, de preferencia alguma lembrancinha do parque de diversões, nada de mais. Mas aquela caixa era enorme. Não havia maneiras de eu retribuir todos os presentes que tenho certeza que todos eles me dariam essa noite, eu estava perdida.

- Vai me dizer que você é como Bella? Naõ é nada demais é só uma coisa para você usar hoje. – Ela me deu a caixa na mão, e eu perdi as contas de quantas vezes fiquei dizendo "Obrigada, mas não precisava...".

- Karl é sério, desce, você não pode ver o presente. – Alice ordenou.

- Já estou indo. Alice você é muito pequena para ser tão irritante. – Ela riu para ele. Karl me lançou um beijo e saiu, agora eu só o veria na "festa".

- Vai, abri! – Alice começou a pedir histérica ao meu lado. Era um vestido, lindo, perfeito, branco com detalhes de borda pretos, era realmente muito "eu". Falei obrigada mais umas cem vezes, Rose já estava ficando entediada com essa minha educação exagerada.

- Que bom, vai combinar perfeitamente com os sapatos que Nessie te comprou. – Alice bateu palminhas e tirou o vestido das minhas mãos.

- Isso é muito feio, agora não vai ser mais surpresa. – Rose a advertiu, mas eu já não podia falar nada, Alice estava "trabalhando" em mim.

Ela fez literamente tudo, maquiagem, unhas, até me ajudou a vestir o vestido, me senti uma boneca de papel, daquelas que você fica trocando as roupinhas toda hora. Rose pediu para fazer meu cabelo, era elegante mais ao mesmo tempo simples, eu estava enfeitada demais para uma simples "festinha" como Alice prometeu. O que será que me esperava lá embaixo?

- Wow, Elle você está linda! – Nez estava ao meu lado, enquanto eu me olhava no espelho, na pequena folga que Alice me deu enquanto a própria se arrumava.

- Está exagerado não? – Perguntei sem graça, não queria que pensassem que eu era mal agradecida.

- Não, está perfeito, é o seu dia lembra? – Ela me deu uma caixa branca, os sapatos. Eram realmente lindos, brancos, com um pequeno laço, combinavam de longe com o vestido.

- Obrigada Nez. – Agradeci enquanto os calçava.

- Alice ficou jogando piadinhas essas ultimas semanas inteiras para eu compra-los, agora entendo o porque. – Ela comentou enquanto olhava o conjunto completo.

- Não é por isso, isso também, mas obrigada por tudo. Você me deixou entrar na sua familia, ficar por aqui, ter um pouco do que você teve. Sério, não ha presente melhor do que esses dias que passei aqui. Obrigada. – A abraçei fortemente. – Você é a melhor amiga que alguém pode ter.

- Hey já está bom, Nessie você vai estragar minha obra-prima. – Alice nos separou. A abraçei derrepente também, a agradecendo pelo que havia e estava fazendo por mim.

- Edward estava certo. Eu acabei te agradecendo por tudo. – Constatei o fato.

- Eu sei que é chato, mas ele quase nunca erra. – Rose entrou no quarto, todas elas já estavam arrumadas. Nessie em um vestido creme com uma faixa azul, Rose em um vestido roxo de paete, sério era poucas pessoas que podiam usa-lo, mais nela ficava perfeito, e Alice vestia uma rosa bebê, cheio de babados, Bella não estava ali, ela realmente não devia gostar dessas coisas.

- Acho que é hora do show. – Choraminguei. Foi como se Alice se tocasse que estava atrasada, saiu me puxando corredor abaixo, a musica do andar inferior vinha de um piano, Edward devia estar tocando, criando seu proprio universo. Descemos todas juntas. Meu queixo caiu quando eu vi a decoração. Eles fizeram tudo isso em um dia? Impossivel. Havia flores, lavandas, por toda a sala, nas mesas, em vasos de canto, em tudo, ela deve ter feito uma pesquisa intensa para saber de qual flor eu gostava. Um bolo enorme, acho que era por isso que os lobos estavam ali, alguém precisava comer tudo aquilo, tinha meu nome escrito nele, e a minha voz havia sumido, porque todo mundo estava me desejando feliz aniversário e eu só ficava lá, com o queixo caido.

Meu aniversário estava sim feliz, estava perfeito. Tão perfeito. Dan estava lá, finalmente, era a primeira vez que eu o via em meu proprio aniversário, Jane ao seu lado, novidade. Estava começando a aceitar o fato que eles deviam estar namorando. Estranho. Mas fazer o que? Ela estava sendo bem legal ultimamente, confesso, e era uma mulher bonita, inegável, todos somos. Andava mais humana, cabelos soltos, que eram lindos, calças jeans e blusas mais ousadas. Era dificil alguém não ceder aos seus encantos.

- Elle esse ano seu aniversário é coisa grande! Feliz? – Alec me perguntou, em meio a uma abraço apertado.

- Eu quero sorvete. – Imitei minha voz de quando era pequeninha, a primeira vez que ele me tirou de dentro daquele castelo em meu aniversário, ele me perguntou o que eu queria fazer e eu disse essas mesmas palavras. Ele riu encantado com a minha lembrança.

- Olha eu sei que você não gosta de coisa grande, mas eu sei que você vai adorar isso. – Ele me deu uma caixa de tamanho médio. – Vai abri logo. – Era uma coletânia, os melhores filmes de zumbi de todos os tempos. Zumbi Branco, Zombie 2, Fome Animal, A Noite dos Mortos-Vivos e A Volta dos Mortos-Vivos. Ele só podia estar de brincadeira. Eu amava aqueles filmes idiotas.

Dan me deu um livro, Poemas e Ensaios por Edgar Allan Poe. Me disse que era o livro de cabeceira de nossa mãe, assim talvez eu podesse conhece-la um pouco melhor, como ela pensava. Karl não me deixou muito tempo com ele, fala sério, eu queria passar um tempo com meu irmão no meu aniversário, acabei deixando a história de lado quando Emmet e Jasper me deram uma caixa e me mandaram abrir, havia alguma coisa errada em seus olhos, estavam tramando alguma coisa. No fundo da enorme caixa havia somente uma guitarra de brinquedo, acho que era uma guitarra daquele jogo, Guitar Hero. O que eles queriam que eu fizesse com aquilo?

- O resto do jogo está montado em outro lugar, loirinha. – Emmet esbarrou em meu ombro e me contou como se eu fosse burra o suficiente para achar que a guitarra era de verdade.

- Que outro lugar? – Perguntei curiosa.

- Não está mais aqui quem abriu a boca. – Emmet saiu andando para longe de mim, me deixando sozinha com aquela pergunta.

O resto da noite passou mais rapido do que eu esperava, em um piscar de olhos, eles já haviam cantado os parabéns, me abraçado novamente, o bolo já havia sumido da mesa e eu estava sentada no sofá ao lado de Dan bebendo uma taça de vinho enquanto ele me contava algumas memórias bobas. A noite estava chegando ao fim, já era quase meia noite.

- Gostou da noite? – Karl sussurrou em meu ouvido, vindo por trás do sofá.

- Foi bem divertido. – Comentei honestamente.

- Não sentiu falta de nada? – Ele me puxou pela mão até eu estar em seus braços.

- Senti falta de um beijo seu, aquele que eu pedi de aniversário. – O lembrei.

- Você realmente achou que eu ia te dar só isso? – Ele ponderou. Assenti levemente, meus lábios caçando os seus. – Estava errada. Sabia que eu também sou mágico? – Ele puxou uma coisa de trás da minha orelha, era uma chave prata, com um laço azul petroléo.

- É a chave de um baú? Onde está preso seu coração de pedra? – Ironizei. Ele riu.

- Boba. É a chave do lugar onde está meu presente. – Ele me confidenciou. Eu ia abrir a boca para perguntar que lugar era esse, mas ele me pediu silencio e foi me guiando para a porta da frente da casa, me despedi de todos, agradecendo, sem saber direito o que viria a seguir.

Entramos em seu Bentley e seguimos a estradinha da casa dos Cullen, depois de algum tempo entramos em uma outra estradinha, subia uma colina, derrepente ele me mandou fechar os olhos, atendi sem pestanejar.

O mistério me envolveu. Eu só conseguia pensar no que veria a seguir. Ele havia feito alguma surpresa para mim? Ou era mesmo o baú com seu coração?