CAPITULO IV
Isabella não conseguia dormir. E como poderia, com aquela ameaça pesando sobre sua cabeça? Por mais que detestasse Edward e quisesse puni-lo, não gostaria de ver aquele passado exposto.
Sabia que aquele homem merecia pagar bem caro por sua arrogância, mas era preciso afastar-se dele! E depressa.
O som da campainha interrompeu seus pensamentos. Ela olhou o relógio e, ao ver que eram duas da manhã, soube que o visitante só podia ser Edward Cullen. Era a única pessoa que teria a arrogância de acordar alguém àquela hora.
Pôs o negligé sobre a camisola e dirigiu-se à porta.
- O que você quer? - murmurou, sem abrir.
- Falar com você.
- Já falou. Na festa, lembra?
- Quero saber por que você saiu tão repentinamente. E quero saber o que Tania lhe disse.
Isabella lembrou-se de sua saída tempestuosa e teve pena de Jacob. O coitado não entendeu nada e, quando se deu conta do que estava acontecendo, já se encontrava no carro, a caminho do apartamento dela. Mas agora não era hora de pensar em Jacob. Precisava fazer Edward ir embora.
- Não sei do que está falando - falou com firmeza, cortando a conversa. - E, se não se importa, eu gostaria de ir para a cama. E você? Não deveria estar com os seus convidados?
- Meu último convidado saiu há quinze minutos. É por isso que estou aqui.
- Todos os seus convidados já se foram? Pobrezinho... - ironizou ela, lembrando-se de que, quando havia saído, Tania estava literalmente colada a ele.
- Pare com isso, Isabella. Quer abrir essa porta e conversar comigo?
- Não.
- Isabella...
- Sinto muito - ela interrompeu-o com firmeza, sabendo que ele estava perdendo a paciência. - Não costumo abrir a porta para ninguém a essa hora da noite.
- Nem para mim?
- Muito menos para você.
Pelo praguejar surdo que ouviu, ela percebeu que atingira o alvo certo.
- Eu voltarei, Isabella. E da próxima vez não pretendo ir embora sem falar com você.
Ela o ouviu tomar o elevador e em seguida foi para seu quarto. Sabia tanto quanto ele que essa última ameaça era tola, pois jamais revelaria seus segredos. Mas com relação a Tania as coisas não seriam assim tão fáceis...
Conseguiu dormir muito pouco e teve um sono conturbado. Na manhã seguinte, ao levantar-se para tomar um café, foi até o espelho e viu olheiras profundas. Maldito Edward! Sua vida tinha sido tão boa nos últimos sete anos. E agora, em poucos dias, ele conseguira virar seu mundo de ponta-cabeça!
Mas o pior ainda estava por vir. Meia hora mais tarde, Isabella ouviu a campainha, abriu a porta e deu com Edward ali, sorrindo, arrogante e irônico.
- Eu disse que voltaria. - Ele entrou no apartamento sem ser convidado e pousou nela seu olhar cinzento, gelado.
- Agora me diga: o que Tania falou para fazê-la sair da festa?
Isabella desviou o olhar. Não conseguia encará-lo.
- Não sei por que acha que saí da festa por causa da srta. Denali.
- Simples, minha cara. Ela me disse que falou com você.
Isabella empalideceu, imaginando o que a outra teria contado. Mas logo se acalmou Tania não poria fora sua carta mais importante. Esperaria até o final do jogo.
- Está bem, sr. Cullen, eu me rendo. Ela falou comigo sim. E pediu para que eu me afastasse de vocês dois.
Tania Denali era uma mulher inteligente, más havia sido bastante tola ao superestimar sua importância ou a de qualquer mulher na vida de Edward. Para aquele homem só havia uma pessoa que merecia consideração: ele mesmo. E era loucura pensar em reconquistá-lo. Edward usava e jogava fora; não tinha o menor respeito pelos sentimentos dos outros. A época de Tania já havia passado. A de Isabella também, há muitos anos.
- Isabella, acredite, não há mais nada entre mim e Tania!
- Pois ela ainda gosta muito de você.
- Sei muito bem do que ela gosta. De mais a mais, Tania conhece os meus sentimentos.
Isabella mordia o lábio inferior de tanta tensão, pois sabia que a atriz não ia deixar aquilo barato. Certamente não iria aceitar a situação.
- Saia comigo pelo menos uma vez, Isabella... - A voz dele havia se tornado calma e persuasiva. - Prometo que vai se divertir muito.
Ele fazia de tudo para encorajá-la a tomar a decisão, mas Isabella não se deixava convencer com facilidade. Não tinha dúvidas de que ele poderia ser bastante interessante se quisesse, mas simplesmente não podia aceitar o convite. Pelo menos por enquanto.
- Sinto muito, sr. Cullen, mas não vai ser possível. Agora, se me dá licença, vou sair.
- Com Jacob?
- Não. Vou ver meus pais.
- Não poderia vê-los outra hora?
- Poderia sim, mas disse a eles que iria hoje e sempre cumpro as minhas promessas.
- Isabella...
- Preciso sair dentro de poucos minutos. Portanto, se não se importa... adeus.
- Eu me importo, sim! Por que você não sai comigo, hein? Ela encolheu os ombros.
- Veja o que aconteceu à srta. Denali. Acha que quero o mesmo fim?
- Nunca prometi nada a ela.
- Nunca prometeu nada a mulher alguma, não é? Para você só vale o aqui e agora.
- E o que há de errado nisso?
- Nada, para você.
- Você quer vestido branco e aliança de ouro, não é?
- Quero um homem que me ame e me respeite, só isso. E você não pode me dar nenhuma das duas coisas.
- Sei que não.
- Então, estamos conversados.
Deu-lhe as costas e foi para o quarto, deixando-o sozinho na sala.
Ocupou-se escolhendo uma roupa bonita para vestir, pois aquele encontro havia acabado com seus nervos. Como pudera amar tanto aquele homem a ponto de se entregar no primeiro encontro? E por que ainda tremia ao vê-o? Era triste constatar, mas ainda sentia a mesma emoção de sete anos atrás, uma emoção que nenhum outro homem conseguira despertar nela. Em seus vinte e seis anos de vida conhecera apenas um amor, e ele a havia tratado tão cruelmente que Isabella não desejara outro. Jamais!
Então, por que se sentia tão atraída por Edward Cullen?
Durante o tempo em que estiveram conversando, não conseguiu deixar de perceber como era bonito, como caíam bem aquela camisa clara e a calça cinza no corpo esguio... Lembrou-se da beleza daquele corpo nu e o êxtase que havia proporcionado a ela, mesmo que por pouco tempo.
Um bom banho a fez sentir-se melhor. O vestido leve, com fitinhas no busto e de saia bem solta, também ajudou. Estava precisando sentir-se bonita, feminina, para incentivar sua auto-confiança.
Os cabelos limpos e dourados emolduravam o rosto perfeito, realçado apenas pelo brilho rosado dos lábios. Ninguém desconfiaria que, sob a aparência jovem e atraente, havia uma mulher torturada por sentimentos cruéis e conflitantes. Edward levantou-se quando ela entrou na sala, não contendo um ar de admiração diante de tanta beleza.
- Valeu a pena esperar. Você está linda.
- Pensei que já tivesse ido embora - disse ela com desinteresse, sentindo a autoconfiança sumir.
- Pensei em levá-la até a casa de seus pais.
O que ele queria? Acompanhá-la para verificar se ela falava a verdade? Isabella não podia permitir isso. Pegou as chaves do carro, decidida.
- Obrigada, mas não é preciso. Aliás, prefiro ir sozinha.
Ele fez que sim com a cabeça, para indicar que concordava com o que ela dizia.
- Então eu a acompanho até o carro. - E segurou-lhe o braço com firmeza.
- Não é necessário – retrucou Isabella, tentando livrar-se do contato.
- Ora, não seja tola. Estou saindo também.
Ah, se ela conseguisse sentir-se menos vulnerável na companhia dele! Na verdade, às vezes se achava uma criança medrosa e boba. Como agora, quando ele a guiava até o elevador.
- Está vendo? Eu não fiz - disse ele em tom de gozação quando saíram para a rua. Isabella parou, surpresa.
- Não entendi. Não fez o quê?
- Não a ataquei dentro do elevador, minha doce Isabella.
Ela empalideceu ao lembrar que, numa noite distante, quase haviam feito amor dentro de um elevador.
- Ei! - o bom humor dele deu lugar a um ar preocupado. - O que foi?
- Eu...
- Olhe aqui, Sr. Cullen! - uma voz gritou, atrás deles.
Ambos viraram-se e quando fizeram isso perceberam o clique de uma máquina fotográfica.
- Obrigado, sr. Cullen. Obrigado, srta. Swan. - O repórter sorriu com simpatia e encaminhou-se para o carro, que o esperava junto à calçada.
Isabella percebeu o que acontecera e tentou correr atrás dele.
- Ei, pare!
- Deixe pra lá - disse Edward, apertando ainda mais os braços dela.
- Mas... ele... Nós vamos sair nos jornais!
- E se você for atrás dele estará dando margem a uma fofoca maior ainda. Imagine algo assim: "A nova namorada de Edward Cullen nega romance!" É isso que quer?
Isabella afastou-se dele, zangada.
- Não há romance algum, sr. Cullen.
- Mas se você lhes disser isso, vai atiçar ainda mais a criatividade deles. O fato de estarmos saindo do apartamento só pode ser interpretado de uma forma: passei a noite aqui.
- Mas não passou! Meu Deus, que loucura!
- E acha que acreditarão nisso?
- Quem me conhece vai acreditar!
- E os que me conhecem?
- Meu Deus, como o detesto! - disse ela com veemência, as lágrimas começando a rolar. - Detesto tudo que diz respeito a você! Especialmente o que acabou de acontecer! Nunca o perdoarei por isto! Nunca!
- Isabella, se acalme...
- Não me toque! Você montou tudo isso para me comprometer, não foi? Seu... seu mau-caráter!
- Não seja ridícula! Também detesto esse tipo de publicidade.
- Mas como o, repórter iria saber que você estava no meu apartamento?
- Pode ter me seguido...
- Ou pode ter sido informado por alguém.
- Mas não por mim.
- E certamente não por mim.
- Então só uma pessoa poderia imaginar que eu viria aqui, hoje!Tania!
Isabella arregalou os olhos ao ouvi-lo pronunciar o nome da atriz. Edward tinha razão; só Tania seria capaz de fazer uma coisa daquelas. Mas o que ela pretendia com isso? Ter um bom motivo para pôr a nu o passado da rival?
Nervosa, Isabella não sabia o que pensar. Então exclamou, com raiva:
- Não me importa saber quem foi! Só não quero que isso aconteça novamente! - Virou-se com determinação e dirigiu-se ao carro.
- Isabella...
Ela virou-se e olhou rapidamente para Edward, antes de entrar no carro.
- Sim?
- Tenha um bom dia.
Nem essa gentileza tirou dela a expressão de descontentamento. Aborrecida, triste, ela deu partida no veículo enquanto Edward acenava e ia embora. Perguntou-se por que aquele homem só lhe trazia dor, mágoa e não encontrou a resposta.
Dirigiu bem devagar pela rua ensolarada, dando tempo a si mesma para pensar e resolver o que fazer da vida. Lembrou-se de como Edward fora taxativo ao afirmar que não tinha nada a ver, com a presença do repórter ali; acreditava nele. O perigo, agora, eram Tania e suas ameaças. O incidente daquela manhã fora o primeiro aviso; Isabella sentia que as coisas poderiam ficar muito piores.
Maldita a hora em que havia aceitado aquele trabalho. Devia ter recusado pintar Tania Denali, mas algo mais forte a impelira a dizer sim. Ela sabia que esse algo se chamava Edward Cullen e isso a deixava furiosa. Por que não conseguia esquecê-lo?
Os pais ficaram muito contentes em vê-la, embora se mostrassem um tanto surpresos com a visita. Afinal, tinham estado juntos há poucos dias. O sr. Swan, alto e atraente nos seus cinqüenta anos, não parecia o homem de negócios bem-sucedido que era, metido num velho jeans e numa camiseta meio puída. Com seu sorriso largo, levou Isabella até o jardim e observou-a com curiosidade.
- Sua mãe está preocupada com você, minha filha.
- Engano seu. Neste exato momento ela está é preocupada com o almoço. - Deu uma piscadela marota. - Você viu? E mal falou comigo e já correu para a cozinha!
- Não mude de assunto,Isabella.
- Está bem, está bem. Então devo informar, sr. Swan de que sua esposa me disse que era o senhor quem estava preocupado. Como é que é? Vão entrar num acordo sobre a questão ou não ? O sr. Swan riu, divertido.
- Certo, você venceu. Nós dois estamos preocupados. Sua mãe me disse que você está envolvida com Edward Cullen.
Isabella recostou-se na cadeira, sentindo-se à vontade naquela casa, que fora seu lar por tantos anos.
- Tenho certeza de que mamãe não falou isso - disse tomando um gole de sherry. - Já expliquei a ela que o sr. Cullen é apenas um cliente.
- Cliente ou não, é melhor você ficar longe desse moço.
- E por quê?
- Sei que tipo de homem ele é. Sempre deseja o que não pode ter, seja no amor ou nos negócios.
- Não sabia que você o conhecia, papai.
- E não o conheço, pelo menos pessoalmente. Ele tentou comprar a minha empresa há alguns anos e estava disposto a pagar qualquer quantia.
Isabella mal disfarçou a surpresa.
- O quê?! Eu não sabia disso!
- Ê que não gosto de aborrecer você e sua mãe com questões de negócios. Mas, voltando ao Sr. Cullen, estou ciente da vida que esse homem tem levado nos últimos anos. E sei que você seria um grande desafio para ele.
- Pois não estou nem um pouco interessada.
A expressão do sr. Swan tornou-se séria.
- Eu também não estava interessado em vender a empresa, querida, mas ele quase conseguiu me convencer. Não quero me intrometer em sua vida, Bella. Só não quero vê-la sofrer novamente.
- Sei disso. E posso assegurar que não vou sofrer.
Fácil dizer isso. Difícil era cumprir. Isabella lembrou-se da atração que sentira naquela manhã, algo forte e primitivo que quase a jogara nos braços de Edward, e percebeu que corria um sério risco. Seu pai tinha razão; o homem era perigoso e, se ela não se cuidasse, acabaria cedendo aos impulsos do corpo, primeiro passo para dar-lhe também o coração.
O dia passou depressa. Isabella relaxou na companhia dos pais esqueceu um pouco os problemas e, quando voltou ao apartamento sentia-se mais leve, feliz. Mas isso não durou muito. Bastou estacionar em frente ao prédio para dar com Edward Cullen.
Ele se aproximou sorrindo, as mãos levantadas num gesto de quem pede trégua.
- Desculpe, Isabella. Sei que você não queria me ver de novo. Mas acontece que fui atrás do repórter e achei que você gostaria de saber o que conversei com ele.
Ela arregalou os olhos, surpresa com a notícia. Afinal, não fora ele quem dissera que seria pior tentar procurar o rapaz e esclarecer tudo?
Confusa, ela murmurou:
- É melhor subirmos.
- Não se preocupe, não há nenhum repórter escondido por aqui. Ninguém vai nos ver.
- Mesmo assim. Acho melhor conversarmos lá em cima.
Entraram e tomaram o elevador. Isabella mantinha a cabeça baixa, na tentativa de esconder o brilho de desejo que iluminava seus olhos. Queria Edward e era impossível negar isso. Queria sentir os braços dele em volta do corpo, os beijos, a carne quente pulsando de desejo. Queria isso tanto que era quase impossível controlar-se.
Ela o fez entrar no apartamento e, num esforço supremo, manteve-se a voz firme ao perguntar:
- O que disse ao repórter?
Edward se esparramou numa das poltronas, muito à vontade.
- Ele já havia vendido a história e a foto, quando o encontrei.
- Tem alguma idéia do que vai ser publicado?
- As besteiras de sempre, imagino.
- Obrigada pela gentileza de me avisar.
- Olhe, eu sinto muito. Ele endireitou-se na cadeira. - Até me ofereci para comprara matéria, mas o jornal nem quis saber de conversa. Disseram que não ia perder o furo.
- Que jornal?
- O mais sensacionalista da cidade...- Notou o ar preocupado de Isabella e revelou, com cuidado- Eles vão publicar a matéria amanhã. Sinto, mas não pude fazer nada.
- De qualquer maneira, obrigada por tentar.
- Não me agradeça. Na verdade, acho que só fiz as coisas piorarem.- Sorriu e olhou-a, com ar amigável.- Agora, será que dava para você me arrumar um sanduíche? Não tive tempo de almoçar, correndo atrás do repórter.
O primeiro impulso de Isabella foi dizer não e mandá-lo embora. Mas depois mudou de idéia.
Afinal, Edward havia andado a manhã toda pela cidade atrás do repórter, tentando evitar que a matéria fosse publicada, e um sanduíche não era um preço tão alto a pagar por aquilo.
- Está bem. Vou pegar algo para você.
Dirigiu-se à cozinha, mas antes virou-se para olhá-lo e observou que estava ocupado com o jornal.
Ele parecia tão à vontade, tão em casa, que Isabella quase se arrependeu por ter concordado em preparar-lhe um simples sanduíche.
No final, dividiu com ele a salada de frango que guardara para o jantar. Sentia-se irritada por sentar-se com aquele homem à mesa, pois isso dava um toque íntimo a uma relação que Isabella preferia ver encerrada. Se quisesse mesmo se vingar, ela teria que manter vivas as lembranças cruéis que ele havia deixado.
Do contrário... Bem, do contrário aquele desejo insano a dominaria por completo e a atiraria nos braços dele.
- Ei, que tal um café? - ele pediu, sorridente. - Você é uma mulher talentosa, Isabella Swan.
- A srta. Denali não cozinha?
- Nunca perguntei. Mas minha ex-mulher não abria nem uma lata de conservas.
Era a primeira vez em que ela o ouvia falar de Beverly, a ex-esposa, desde a noite em que se haviam encontrado, há sete anos. Naquela ocasião ele mencionara o fracasso de seu casamento de modo amargo. Agora, no entanto, falava nisso com a maior naturalidade. Parecia ter vencido a frustração.
Isabella o olhou de soslaio. Ele se mostrava tão descontraído ... quase feliz. Sorriu e arriscou perguntar:
- Sabe cozinhar, sr. Cullen?
Ele pareceu escandalizado com a pergunta.
- Sou grego, lembra-se? Mamãe quis que todos seus filhos cozinhassem. E nada de latas!
- E quantos filhos ela teve que ensinar?
- Seis. - Riu ao vê-la arregalar os olhos. - Cinco mulheres e um homem.
- O que significa que você foi muito mimado, certo?
- Mimado, eu? Pois antes tivesse sido! - Ele não se zangou com a observação. Ao contrário, deu uma boa gargalhada. - Minha mãe nunca foi de mimar os filhos. Todos tinham suas tarefas. E ai de quem não as cumprisse! Mas... e você, Isabella? Como foi a sua infância? Feliz?
O tom de voz era quente, perigosamente íntimo. E a conversa, pessoal demais.
Isabella percebeu que já estava sucumbindo ao charme dele e, na defesa, respondeu, com uma única frase seca:
- Sou filha única. Não sei o que é ter uma família grande.
- Que pena. Você iria adorar.
- Não se sente falta do que não se tem. -O tom ainda era seco. Ela não queria prolongar aquela conversa, mas não resistiu e acabou perguntando: - Você...tem filhos?
- Não. Mas tenho um monte de sobrinhas e sobrinhos, de todas as idades. E isso de certa forma me compensa.
- Imagino que sim. Mas não é a mesma coisa que ter o próprio filho, não?
- Acho que eu não seria um bom pai.
A expressão dele tornou-se tão triste que Isabella teve vontade de abraçá-lo, consolá-lo, acariciá-lo. Assustada com os próprios sentimentos, ela tratou de mudar de assunto:
- Quer mais café?
- Quero sim, obrigado.
Ela saiu da sala, mas não conseguiu livrar-se da imagem de Edward, da sua expressão de desconsolo quando havia falado sobre filhos... Era como se ele tivesse segredos que não queria revelar, dores sobre as quais não desejava falar. Fosse como fosse, ali havia um mistério, um sofrimento solitário, uma mágoa oculta. Edward estava em pé junto à janela quando Isabella voltou. Ela entrou na sala sem ser notada e o observou passar a mão na nuca, num gesto de preocupação.
- Seu café - disse, determinada a não ter compaixão por um homem que nunca sentira isso por alguém, que só vivia para si e não se preocupava com os outros. - E depois acho que você terá que ir embora. Pretendo trabalhar hoje à noite...
- Está bem, Isabella. Não quero abusar da sua hospitalidade.
Isabella teve vontade de dizer que ele já havia feito isso, no momento em que pusera os pés lá, mas calou-se. Afinal, ela o havia convidado a entrar e portanto também tinha sua parcela de culpa.
- Talvez, depois que você tomar seu café... Não quero ser rude, mas...
- Vai ter que me pedir para sair, certo ? - Ele sorriu, sem graça, pegando o café e tomando-o rapidamente.
- Obrigado pelo jantar. Eu adorei.
Ela não podia dizer o mesmo. Era inegável que a companhia dele lhe fazia bem, mas não podia admitir isso nem para si mesma. Na verdade, esse era um motivo mais que suficiente para mantê-lo bem longe.
- Você me acompanha até a porta?
- Claro.
Isabella caminhou até a saída e ia pôr a mão na maçaneta quando se viu agarrada e beijada com violência e paixão. Correspondeu na hora, quase sem perceber, envolta numa aura mágica e doce. Ninguém tocava seus lábios como Edward. Nenhum corpo era como o dele, quente, gostoso... Um verdadeiro porto seguro.
Minutos depois ele se afastou, e não havia nenhum lampejo de triunfo em seus olhos. Havia, isso sim, um brilho terno e apaixonado.
- Não trabalhe muito... - disse ele, tocando o rosto dela com carinho.
- Trabalhar? Ah... sim, claro. - Ela compreendeu que não conseguiria trabalhar aquela noite. - Quero dizer... não. Isto é...
Edward sorriu da confusão dela.
- Venho vê-la amanhã.
- Não!
- Sim.
- Eu trabalho durante o dia, sr. Cullen.
- Eu também. - Sorriu quando ela arregalou os olhos. - Decidi ouvir o seu conselho.
- Meu conselho?! - repetiu ela, espantada, pois não se lembrava de ter dado qualquer conselho àquele homem.
- Há uma semana você disse que eu era um homem entediado, lembra? Pois resolvi deixar de ser.
Isabella não conseguiu esconder a surpresa. Então o arrogante, o autoritário Edward Cullen não só respeitava o que ela dizia como também a acatava!
- E o que pretende fazer?
- Simples: a partir de amanhã vou tomar as rédeas do poder que abandonei há alguns anos.
- Tenho certeza de que o mundo dos negócios já começa a tremer - ela comentou secamente, lembrando-se do que lhe dissera o pai sobre a conduta profissional de Edward.
Ele sorriu.
- Ainda não, ainda não. Mas tremerá!
Isabella acreditava nisso. Edward era um homem teimoso, persistente, determinado. É, segundo ele mesmo, sempre conseguia o que queria.
- Essa decisão já vem de algum tempo. Ser rico e não fazer nada a não ser gastar rios de dinheiro não é exatamente excitante. E o fato de você não gostar do meu estilo de vida contribuiu para essa minha decisão. Seu desprezo por mim é tão evidente que pretendo limpar a minha imagem.
- Para mim isso não fará diferença alguma, sr. Cullen.
- Talvez não. Mas o fato de ter um objetivo na vida faz muita diferença para mim. Anime-se, Isabella! - disse, rindo da expressão intrigada dela. - Você me fez um favor, me abriu os olhos. E isso não tem preço.
Pela primeira vez ela percebeu como Edward estava diferente. Aquele amargor, o desprezo cínico pelas pessoas que ela conhecera no passado não existiam mais. Haviam sido substituídos por um ar mais leve, menos arrogante, que o fazia brincar e contar piadas. E ela não se sentiu muito segura sobre se pretendia mesmo conhecer melhor o novo Edward. Afinal, como poderia odiá-lo se ele não era mais o homem frio que a humilhara há sete anos?
- Por que você abandonou os negócios? Agora parece muito ansioso para voltar, não?
- Eu tive as minhas razões. Mas agora vejo como foram pouco importantes. Bem, mas isso tudo já passou. Falemos do presente, está bem? Ouça, não sei a que horas poderei vir, amanhã.
- Eu prefiro que você não venha.
- Eu sei. Mas hoje não foi tão ruim, foi?
Ele estava com a razão. A noite tinha sido até agradável. E era desse tipo de coisa que Isabella tinha medo.
- Se você não sair comigo, eu ficarei em casa com você. Amanhã trago a comida e o vinho.
- Mas...
- Não se preocupe. Será como hoje; apenas uma refeição e uma boa conversa. Até amanhã. - E saiu.
Isabella não sabia o que fazer. Queria odiá-lo mas não consegui, queria dizer não mas faltavam-lhe coragem e firmeza.
Parecia não ter mais força de vontade, sentia-se arrastada ao sabor de uma correnteza perigosa e mortal.
Aquele homem podia destruir sua vida. E ela, em vez de fugir, simplesmente caminhava para a beira do abismo. A reportagem publicada no jornal, na manhã seguinte, fez Isabella desejar com todas as forças que Edward não aparecesse.
Pela foto, tinha-se a impressão de que estavam abraçados, ela com o rosto enterrado no peito musculoso. Pareciam amantes! A matéria que acompanhava a foto era ainda mais maldosa, pois insinuava que eles haviam passado a noite juntos. E, como Edward havia previsto, sua tentativa de impedir a publicação da matéria havia feito aumentar as especulações em torno do relacionamento dos dois.
Era disso que Tania Denali precisava para revelar seu segredo. E Isabella sentia que ela o faria dentro de muito pouco tempo...
OoOoO
O que acharam do capitulo? O final foi bem tenso né.
No proximo capitulo vocês iram saber sobre o bebe da Bella. E vai ter lemons!
REVIEWS!
