Capítulo 4
Na manhã do terceiro dia após sua primeira noite de amor, o casal Hyuuga foi chamado a comparecer na sala principal da mansão. Qual seria o motivo de tal convocação? Um pouco apreensivos os primos entraram juntos na sala. Hiashi estava os esperando.
- Bom Neji, como você bem sabe eu o encarreguei de treinar Hinata durante os meses que passaram. Eu quero ver o resultado desse treinamento. Quero que Hinata lute comigo. Agora.
Hinata odiava ter que lutar com o pai, mas quanto mais ela fugia mais seu pai a obrigava a fazê-lo. Neji por outro lado não estava preocupado. Ele sabia que Hinata tinha plena capacidade para equilibrar a disputa. Era só ela usar sua "carta na manga".
-Se me permite Hiashi-sama, eu gostaria de dar uma palavrinha com a Hinata-sama antes da luta.
- Como queria Neji.
Neji se dirigiu para fora da sala com Hinata. Uma vez fora o garoto tomou as mãos da amada entre as suas e obrigou-a a olhar em seus olhos.
-Hinata escuta bem. Você pode com ele. É só você... não ser você...
- Como assim Neji-kun?
-Lembra da primeira vez em que nos beijamos? E da primeira vez que fizemos amor?
Não era a intenção de Neji deixá-la corada, mas Hinata era Hinata.
-L-lembro.
-Então!
- Ainda não entendi Neji.
-Quando você ficou zangada, você lutou comigo de igual para igual!
- Mas... mas... Neji... eu não sei se consigo... não sei se posso... ele é meu otou-san... eu realmente não sei se sou capaz.
- Hinata é claro que você é capaz!É o único jeito de mostrar pra ele o que ele quer ver! Ele nunca vai parar de te atormentar se você não mostrá-lo o que realmente pode fazer como excelente kunoichi que eu sei que você é!
Neji se sentia tão inspirado no momento. Tanto que, Hinata viu nos olhos do primo um brilho sem igual. Sentiu-se igualmente inspirada.
- Deixe todo sua raiva e frustração aflorarem. Mostra pra ele do que é capaz!
Hinata consentiu com a cabeça, apertou as mãos do primo e lhe deu um beijinho de agradecimento. Em seguida entrou novamente na sala, decidida como poucas vezes era. Prostrou-se do lado oposto a seu pai e se posicionou no estilo Hyuuga de combate. Ela escutou a porta de correr abrir e viu Neji sentar-se a um canto da sala.
-Pronta? - Seu pai perguntou.
-Hai!
Iniciou-se assim mais um combate pai e filha. Hiashi não tinha pena de Hinata e atacava cada brecha que a garota abria. Um pouco aflito, Neji viu que Hinata ainda se continha.
- "Vamos... vamos!"
Hiashi como sempre proferia palavras não muito agradáveis à filha mais velha. Hinata por outro lado estava calada. Estava apenas lembrando-se das palavras de Neji: raiva... ressentimento... Bom... não seria tão difícil assim com seu pai falando desse jeito tão "carinhoso". Hinata levantou-se, pois o último golpe dado pelo pai a tinha derrubado. Respirou fundo tomou a posição Hyuuga de combate novamente e se concentrou.
Fraca, inútil, despreparada, indigna, desajeitada. Quantos adjetivos seu pai lhe tinha dado. Mas já bastava daquilo! Não era de hoje que as atitudes de seu pai não lhe agradavam. Hinata decidiu que já era hora de revidar e então ativou se Byakugan e cansada de apanhar, física e emocionalmente, foi para o ataque. Seu pai não estava esperando um ataque tão direto, deu meio giro para se esquivar deixando Hinata vazar pela direita. No entanto sentiu o
pé da menina raspar-lhe o rosto num chute dado pela mesma, ainda de costas e quase caindo. Hinata apoiou as mãos no chão e girou de cabeça para baixou, fazendo de seus pés hélices e investindo contra o pai. Hiashi deu alguns passos para trás para se desviar. Ele estava realmente surpreso com a atitude da filha. Hinata, no entanto, não deu muito tempo para o pai pensar. Pondo-se de pé novamente não tardou a atacar o pai outra vez. Hiashi percebeu que a filha tinha evoluído bastante e que para pará-la teria que usar de muita força. O que seria um desperdício inútil de muito chakra.
- Já basta Hinata!
Mas já? Geralmente suas lutas demoravam mais, pensou Hinata.
- Neji, aproxime-se.
Como mandado Neji se aproximou.
- Eu não sei bem o que você tem ensinado a ela, mas seja lá o que for, continue ensinando.
-Hai.
- Hinata filha, hoje você me surpreendeu. Agiu verdadeiramente como uma kunoichi e merecedora do nome Hyuuga. Muito bem. Mas de fato, seu treinamento não pode parar. Você ainda precisa aprimorar bastante suas técnicas.
-"Típico" – pensou Hinata.
- Podem se retirar os dois.
Neji e Hinata se dirigiram para fora da sala e andaram para o mais longe possível. Neji então sentiu uma Hinata quase histérica de alegria pular no seu pescoço e dar-lhe vários beijinhos.
- Acalme-se Hinata!
Corada Hinata se despendurou do pescoço do garoto.
- Gomen Neji.
- Não por isso, mas você parecia à beira de um ataque cardíaco.
Com um sorriso tímido Hinata olhou nos olhos de Neji.
- Arigatou Neji-kun, sem você nada disso teria acontecido.
- Bom... talvez... mas você sempre foi forte, só não acreditava em si mesma.
-Verdade.
-Mas agora acredita e tem alguém que acredita também.
Com lágrimas no olhos Hinata abraçou o primo.
- Mas nós não podemos relaxar não é verdade?Vamos treinar um pouco.
- Hai Neji-kun.
Ficaram ali treinando por um bom tempo. Depois voltaram á mansão Hyuuga para descansarem.
No final de semana que sucedeu a luta. Hinata foi chamada para comparecer à presença de seu pai. Disseram-na que ele queria falar com ela.
-Ohayou otou-san
-Ohayou Hinata.
- Queria me ver?
- Sim, sim. Você sabe que seu aniversário de dezesseis anos é daqui a um mês. E eu gostaria de organizar uma grande festa para você. Eu sinto que fiquei em falta na sua festa de quinze anos e queria que essa fosse de seu total agrado. Quero que você mesma a organize. Os empregados estarão à sua total disposição. Pode ir.
Hinata estava surpresa. Seu pai havia mudado bastante depois daquela luta, mas uma festança de aniversário era a última coisa que ela esperava. Hinata estava realmente feliz por aquilo. Mas por outro lado havia Neji. Com a proximidade do sei aniversário o primo começava a ficar melancólico, pois se aproximava também a data em que seu pai havia morrido.
Perto do anoitecer Hinata encontrou Neji sentado na varanda aos fundos da casa. O menino estava bebendo chá e olhando o vazio. Hinata quis muito abraçá-lo, mas alguém podia chegar de repente. Contentou-se em só sentar ao seu lado.
- Oi.
- Oi.
- Não está com frio?
- Não... o chá está me esquentando.
Hinata não sabia bem o que dizer pro primo. Ele parecia não querer falar muito. Ainda assim insistiu um pouco.
-Está tudo bem?
- Está sim.
- Bem... eu vou entrar... você não quer vir comigo?
-Não... vou ficar aqui mais um tempo.
- Está bem então...
Não era a intenção de Neji falar com ela daquela maneira, mas ele realmente queria ficar sozinho.
