Clímene sabia que estava longe de ser uma mulher espartana. Mas ouvir isso de outras mulheres era sempre difícil. Naquela manhã, tendo ido ao mercado, um grupo de mulheres a reconheceu e se acercou a ela. Ela já ia embora com uma cesta de maçãs, não tinha andado muito, quando quatro mulheres se colocaram no caminho, todas muito bonitas. Uma delas perguntou:

"Você é aquela com quem Stelios se casou, não é?"

"Sim, sou", Clímene respondeu um tanto hesitante, sentindo que aquela conversa não seria amistosa.

A mulher que havia feito a pergunta franziu o cenho e levou as mãos à cintura, como se alguma coisa a intrigasse.

"Como pode ser que um espartano como ele tenha uma esposa assim?"

Foi a vez de Clímene franzir o cenho, apertando o cesto nas mãos.

"Olhe para você", ela continuou, "mal se nota. Tem uma presença insignificante."

"O que Stelios estava pensando quando se casou com você?", emendou outra.

"Por Hera, o que ele estava pensando?", disse a terceira.

"Como espera que ele vá ficar satisfeito com você?", falou a quarta.

A próxima coisa de que Clímene se lembrava era de passar apressadamente por entre elas e ir em direção à sua casa. Embora o tom daquelas mulheres fosse mais de incompreensão do que de desprezo, sentira-se humilhada como se estivesse sendo acusada em praça pública. E a acusação, a de não ser uma esposa digna de um guerreiro espartano.

Sentia-se como se as Erínias a acompanhassem no caminho, lembrando-a de que não era uma mulher espartana. Cada nervo de seu corpo parecia querer saltar da pele. Quando chegou em casa, soltou a cesta de maçãs sobre a mesa e teve que apoiar-se nela, para acalmar a respiração e aliviar o peso sobre os pés, que haviam caminhado muito rápido. Mas não conseguia voltar a si.

Ouviu passos vindos da porta. Era Stelios, que devia ter sido dispensado do quartel. Tratou de respirar normalmente e de tentar parecer o mais calma possível, porém não teve muito êxito. Permaneceu de costas, para que ele não visse suas feições transtornadas.

"Olá", ouviu-o dizer.

"O-olá".

"Foi ao mercado hoje?"

"Ah... sim, fui...". Ouviu sua voz tremer. E jurou que quase pôde vê-lo franzir o cenho.

"Está nervosa. O que aconteceu?"

"Ah... bem...", tentou pensar em algo, mas certamente soaria como uma mentira. Era melhor que contasse logo.

"Eu... encontrei algumas mulheres no mercado que...", começou, tentando manter a voz firme. Mas ainda podia senti-la tremer.

"Hm", ele fez, com o queixo apoiado em seu ombro.

"E... bom...", a proximidade dele a desconcertou.

"Sim", ele falou indicando que continuasse.

"Elas me disseram... que...", teria continuado, se não tivesse sentido o nariz dele em seu ombro. Sentia a sua respiração na pele indo até a base do pescoço. Reuniu suas forças e continuou:

"Que não era possível que um homem como você tivesse se casado com alguém como eu...", a última palavra saiu em um sussurro ao senti-lo espalhar pequenos beijos do ombro até perto da orelha. Teve que encontrar novamente sua voz e a força em seus joelhos:

"Alguém que... nem se nota..."

"Hm-rmm", ele disse bem perto de seu ouvido. O nariz dele estava bem atrás de sua orelha. Ela mal conseguia pensar assim.

"Alguém... insignificante...", nem ela mesma sentia o efeito das suas palavras com ele fazendo aquilo. Engoliu um seco e não resistiu a virar o rosto. Deixou um "Am..." escapar de seus lábios, como se procurasse o que dizer, e nisso Stelios aproveitou para beijá-la.

Seu beijo tinha quase um efeito silenciador. Ela ainda ficou alguns segundos com a boca meio aberta, como se estivesse sob o efeito dele. Não conseguia pensar no que falar, como se fosse isso o que Stelios quisesse. Mas recobrando os sentidos, conseguiu virar o rosto, fechando os olhos para que ele não pudesse distraí-lo e dizer quase em um sussurro:

"Você não está ouvindo..."

"Ah, eu estou sim", ele respondeu, "só não está valendo a pena".

Ela abriu os olhos, em espanto. Ele estava fazendo pouco dela? Virou-se contrariada, e Stelios pegou o seu queixo com um ar divertido nos olhos:

"É bom mesmo que essas mulheres fiquem com inveja".

Inveja?

"Não é possível, como elas teriam inveja de mim? Se o que elas disseram foi que..."

"Deixe-me te contar um segredo, sua pobre menina inocente", ele interrompeu, com um riso brincando nos lábios. E chegando mais perto para falar ao ouvido dela, sussurrou: "As pessoas fingem".

Ela não estava gostando daquele tom sarcástico, se afastando com o cenho franzido. E ainda não estava entendendo como aquelas mulheres teriam inveja dela. Stelios tinha um sorriso travesso, divertindo-se com a dúvida dela.

"Elas fingem não ter inveja porque me casei com você e não com uma delas, as tão perfeitas espartanas."

Clímene arregalou os olhos. Era mesmo verdade aquilo?

"Não que elas não sejam bonitas", ele continuou com o mesmo sorriso, dando passos em direção dela, "São lindas", emendou fechando os olhos. Clímene apertou os lábios. "Mas eu prefiro você", terminou parando a centímetros dela. E o que aquela frase queria dizer?

Ele sorria como se soubesse que ela se fazia aquela pergunta. Seus olhos semicerrados, suas mãos apoiadas na borda da mesa fazendo com que ela tivesse que inclinar o corpo um pouco para trás, toda a sua postura dizia que ele sabia muito bem o que dizer.

"Inocentemente bela", ele por fim disse.

Clímene arqueou as sobrancelhas, surpresa. Ela devia estar fazendo jus ao "inocentemente" com aquela cara, mas não se importava.

"Adoro essa sua cara", ele falou alargando o sorriso, certamente se divertindo com a expressão dela. Clímene baixou os olhos dando um discreto sorriso. Stelios deu uma risadinha abafada, aquela menina nunca deixava de diverti-lo. Deu-lhe um demorado beijo no rosto e foi para o quarto. Clímene tocou a bochecha radiante, aprovando em seu íntimo o modo como ele havia dito que ela era bonita. Agora entendia por que ela devia ser invejada...


Oi, gente! Só para vocês saberem, a Clímene é insegura, então ela continuará tendo dúvidas... sorte que tem o Stelios para entende-la! hahaha