Desejos & Intrigas pertence a Anne Marie Wiston
CAPÍTULO QUATRO
O jogo de tênis foi penoso. James pingava de suor quando caminhou até a rede e apertou as mãos de seu oponente, um jogador do clube de campo com quem ele jogava todas as semanas, de abril a outubro. Depois, virou-se e andou para a porta de saída das quadras de tênis, com um sentimento de expectativa dentro dele.
Lily estava bem do lado de fora da cerca. Ela tinha chegado a tempo de ver o set final e James sentiu satisfação por ter conseguido derrotar seu companheiro.
— Oi — falou, pegando a mão dela. Queria beijá-la, queria muito, mas estava ciente de sua aparência pouco agradável. — Estou contente por ter vindo. Você se importa de esperar um pouco enquanto tomo uma ducha rápida? Estou cheirando mal.
Ela sorriu.
— Não me importo nem um pouco.
— Vou me apressar. — Ele apertou a mão dela, desejando não precisar deixá-la. — Tem algum lugar especial onde queria almoçar?
— Onde você quiser.
— Certo. Eu voltarei logo. — Ele tinha ligado na véspera para o celular dela, convidando-a para um piquenique depois do jogo e ficara satisfeito por ela ter vindo um pouco antes para vê-lo jogar.
Com um aceno final, ele entrou no prédio onde estavam os armários.
Jogando seu equipamento, correu para o chuveiro, se arrumou e voltou para fora.
Sorriu quando a viu ainda sentada no banco onde a deixara. Ela estava tão adorável...
— James! Ei, o que há?
Automaticamente, ele se virou reconhecendo a voz de Sirius. Com o canto do olho, viu Lily levantar.
— Ei, Sirius. — A sua expressão mostrava que ele também tinha visto o melhor amigo de seu primo, Remus Lupin. Remus tinha morado com a família do tio Orion quando eles eram adolescentes e eram praticamente primos.
— Remus! Como vai a vida de casado?
— Excelente. — Remus respondeu, agarrando a mão estendida de James. A pele dele brilhava sob o sol e seus dentes ofereciam um brilho branco. — Logo você se juntará a nós, felizes caras casados.
O rosto de Lily passou pela cabeça de James.
— Nunca se sabe. — Queria virar e chamá-la, queria tanto apresentá-la à sua família que quase podia sentir o gosto. Mas sabia que ela ficaria aborrecida, então, se esforçou para nem desviar o olhar.
— O que isso quer dizer? — Sirius estava atento ao comentário de James.
— Ele tem uma dama — declarou Remus. — James encontrou uma dama, meu amigo.
— Certo, desembuche. — Sirius socou-o levemente no ombro. — Você não pode esconder um segredo desses de nós.
— Quer apostar? — James sorriu. Então, um casal caminhou na direção da sede do clube, chamando a sua atenção, e o sorriso desapareceu. — Ah, inferno, lá está o pai.
Ambos, Sirius e Remus, se viraram.
— Ele está com a Nicola — Sirius observou. — Talvez você possa escapar...
— James! — Pela segunda vez em poucos minutos o seu nome era chamado.
Lentamente, ele se virou para enfrentar o pai, desejando de fato ter sido capaz de escapar.
— Oi, pai. Olá, Nicola.
— Oi, tio Fleamount, Srta. Granville. Lembram de Remus Lupin?
— Claro. — Nicola sorriu enquanto apertava a mão de Remus, embora James achasse que ela parecia distraída. — Bom vê-lo.
— Vocês dois vão almoçar? — Sirius perguntou e James abençoou silenciosamente seu primo por iniciar uma pequena conversa. Ele nunca sabia o que dizer ao pai.
— Sim — Fleamount concordou.
— Não — Nicola falou junto.
O casal se olhou e imediatamente afastaram os olhares. James estava assombrado de ver um leve rubor subir pelo pescoço de seu pai, enquanto a gerente de campanha dele, normalmente atenta, olhava para todos os lados, menos para seu candidato.
— Muito bem — James fez um gesto na direção da quadra, apenas para dizer alguma coisa. — Eu acabei de jogar.
— E nós acabamos de chegar para começar — Sirius fez uma encenação, olhando para seu relógio. — Remus, vamos perder nossa hora se não nos apressarmos.
Remus concordou.
— É melhor irmos. — Ele estendeu a mão primeiro para Fleamount e depois para Nicola. — Boa sorte com a campanha.
Sirius imitou-o. Estava claro para James que os dois homens tinham percebido a estranha tensão entre o casal e não queriam ter nada com aquilo. Ele não podia culpá-los.
Houve um rápido silêncio desagradável com a partida deles. James procurou algo para dizer, mas o que dizer para um homem que fora tão ausente em sua infância, alguém que mal conhecia?
— James — Nicola falou —, tenho aqui uma lista de eventos próximos aos quais gostaríamos que você fosse. — Ela equilibrou a sua mala num braço e pôs a mão no fecho, mas quando a mão de Fleamount ficou sobre a dela, ela pareceu gelar.
— Podemos entregar isso mais tarde — o pai dele falou.
— Está bem. — Ele tentou ignorar como Nicola se afastou de Fleamount, mas imaginou que diabos estava acontecendo.
— Apenas ponha no correio ou mande por fax para meu escritório. Eu aparecerei sempre que você quiser.
— Eu realmente agradeço a sua ajuda — seu pai falou. — Gostaria de vir almoçar conosco?
— Nós não vamos almoçar — Nicola falou, seu rosto endurecendo enquanto encarava Fleamount. — Eu disse que não ficarei.
— Ah, obrigado, mas já tenho planos — James se desculpou. Jesus, o que estava acontecendo com aqueles dois? — Na verdade, já estou um pouco atrasado.
— Então não vamos prendê-lo — seu pai falou. Ele abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas acabou não dizendo. — Foi bom vê-lo, filho.
Uma resposta parecida seria bom, mas o seu pai hesitou e houve novo silêncio, impedindo que ele ecoasse as palavras.
— Eu, ah... estarei naqueles eventos que você mencionou. — Direcionou as palavras a Nicola.
— Obrigada. — Ela acenou para ele e se afastou. Fleamount olhou-a e depois para James.
— É melhor eu ir. — E foi atrás dela.
James ficou parado onde estava. Aquilo tinha sido estranho. Realmente estranho. Era sua imaginação ou seu pai estava pessoalmente envolvido com sua gerente de campanha? Ou talvez quisesse estar?
Ele balançou a cabeça quando os dois desapareceram dentro da sede do clube e virou-se na direção de Lily. Ele estava mais do que pronto para sair dali e encontrar um lugar tranquilo para o piquenique com ela.
O banco onde ela estivera sentada estava vazio.
Seu coração deu um pulo. Olhando em volta, percebeu que ela não estava em lugar algum. Ficou frustrado. Iria rejeitá-lo?
Inferno, ele queria vê-la!
Pegando seu celular, apertou o botão que discava automaticamente para o celular dela. O telefone tocou uma, duas vezes, antes de ser atendido.
— Alô? — A voz de Lily pareceu ligeiramente entrecortada.
— Por que você sumiu?
— Eu vi seu pai. E Nicola Granville. Estava com medo que um deles me reconhecesse.
— E seria o fim do mundo? — No momento em que disse aquilo, se arrependeu. A última coisa que queria era aborrecê-la.
Ela não respondeu. Ele suspirou, sem se importar que ela ouvisse.
— A minha família não é cheia de ogros. Certo, meu pai é um pouco desajeitado quando se trata de ser um pai, mas ele não...
— Não é a sua família, James. — A voz dela parecia tensa, como se estivesse perto das lágrimas.
— Se você nem ao menos permite que seu pai me conheça, como pode prever o que ele vai fazer? Lily, eu...
Te amo. Ele prendeu as palavras bem a tempo, tão chocado quanto, sem dúvida, ela ficaria se ele as dissesse em voz alta.
Céus. Estava se apaixonando por ela. Apesar da dificuldade da situação das famílias deles, ela era a mulher cujo rosto aparecia em sua mente quando alguém falava sobre casamento. Casamento! Bom Deus, ele mal a conhecia.
Mas, pensando nas conversas deles, no interesse que demonstrava pelas coisas que gostava de compartilhar com ela, o sorriso gentil que iluminava seu rosto ao vê-lo, ele percebeu que lá no fundo, onde contava, o seu coração reconhecia sua outra metade.
Anos atrás, tinha pensado estar apaixonado por Emmeline. Mas era uma imagem ideal criada em sua mente, diferente da realidade. Sabia que Lily era real.
— James? — A voz dela estava hesitante. — Desculpe-me. Eu não queria magoá-lo. E que... precisamos esperar até o fim da eleição. Não quero fazer nada que possa afetar a campanha do meu pai.
Ele não entendia como eles dois juntos podiam causar qualquer impacto num dos candidatos, mas ela parecia tão desesperada que não podia discordar.
— Está bem — concordou suavemente. — Eu prometi que esperaríamos, então, esperaremos. Mas no dia seguinte ao término da eleição, visitaremos o seu pai e o meu e anunciaremos nosso... relacionamento.
— Certo, obrigada. — Novamente, ela parecia que ia chorar.
— Onde você está? Eu prometi um piquenique e nunca quebro as minhas promessas.
Ela riu, um pequeno e precioso som que bateu bem fundo em seu coração.
— Estou esperando no jardinzinho, perto do estacionamento.
— Não se mova, estou a caminho.
O dia seguinte era domingo. Quando finalmente eles tiveram o piquenique na véspera, num dos lindos jardins da cidade, James tinha pedido para ela acompanhá-lo à ilha Tybeè.
Ela foi à igreja com seu pai, depois foi direto para seu quarto, pegar uma sacola. Usava a roupa de banho por baixo de sua roupa. Pegou uma toalha de praia, filtro solar, a sua pequena bolsa de toalete para poder tomar um banho se precisasse depois e desceu para ver se o táxi tinha chegado.
— Aonde você vai? — O pai dela veio da cozinha. — O almoço será servido logo.
— Eu avisei para não pôr um lugar para mim — ela respondeu, virando para se olhar no grande espelho sobre a mesa de mármore no saguão. — Vou à praia.
— Você ficou fora a tarde toda ontem.
Ela se virou, exasperada. Tinha vindo para casa para ajudar na campanha.
Ele nunca tinha se importado com onde ela estava, a menos que precisasse dela. Na verdade, tinha deixado bem claro que não a queria à sua volta constantemente. Talvez fosse isso.
— Para que precisou de mim? — Ela perguntou educadamente. — Podia ter ligado, deixando uma mensagem no meu telefone.
— Apenas fiquei pensando onde estava — ele falou, em tom belicoso.
— Almocei na cidade e depois fui às compras — ela resumiu em seu melhor tom. Era em parte verdade. Tinha ido fazer compras depois do piquenique.
— Você precisa de mim para algo hoje?
O pai dela olhou-a com as sobrancelhas arqueadas.
— Não, não hoje.
Um toque de buzina livrou-a de mais interrogatório.
— Certo, então, vou passar o dia no mar. Não sei a que horas estarei de volta.
Enquanto o táxi a levava ao pequeno restaurante onde tinha combinado de encontrar James, ela imaginou o que seu pai faria se descobrisse com quem estava envolvida. Às vezes, ele parecia odiar Fleamount Potter, mas ela não tinha ideia do motivo. O pai de James parecia ser um candidato a meio caminho, cujo serviço militar o fazia parecer atraente aos eleitores. Ele nunca tinha feito nada desonroso ou ilegal e, embora houvesse um provado romance extraconjugal, dificilmente era chocante o bastante para arruiná-lo. De acordo com recentes relatórios da imprensa, Fleamount tinha ficado surpreso ao saber que tinha deixado uma filha para trás depois de sua passagem pelo Vietnã e pretendia fazê-la se adaptar à sua família aqui.
Como seria descobrir que você tem uma irmã que nunca soube existir?
James estava esperando perto do carro estacionado quando ela desceu do táxi. Queria correr para ele e se atirar em seus braços, mas se conteve com um sorriso caloroso quando ele tocou seu cotovelo.
— Olá.
— Oi. — Ele ajudou-a a entrar no carro e deu a volta para o seu lado. — Está pronta para ir à ilha Tybee?
— Mais do que pronta. Eu adoro a praia.
— Você tirava férias na praia regularmente?
— Não com meu pai — ela disse, entendendo a confusão dele. — A minha melhor amiga da escola é francesa. A família dela frequentava a Riviera e, como ela estava sempre me arrastando com ela para casa nas férias, eu ia junto.
— Riviera. A costa Atlântica é linda, mas tenho certeza de que não pode competir com aquilo.
— Tem areia? Surfe? Sol? — Ela sorriu para ele, bem-humorada. — Se tiver todas essas coisas, estará ótimo.
— E uma boa ocasião para ir lá. O verão terminou e a maioria das crianças voltou para a escola, assim, há menos turistas em volta.
Ele estava certo, ela percebeu quando chegaram.
A praia era grande e branca, e ondas de tamanho médio quebravam suavemente. Eles encontraram um lugar afastado de alguns grupos de famílias e James estendeu uma coberta, pousou o refrigerador portátil e abriu uma pequena cadeira dobrável para cada um deles.
— Você pensou em tudo — ela comentou sorrindo.
— Até ordenei tempo bom. — Ele ergueu o rosto para o céu e por um momento ela ficou observando-o absorver os raios quentes do sol. Depois, ele tirou a camisa. Ela não conseguiu afastar o olhar de seu peito e estômago liso e dos surpreendentes músculos de seus braços. Uma linha de cabelos escuros corria pela linha do peito, indo para baixo, girando em volta de seu umbigo e desaparecendo na cintura do calção de banho azul-real.
Quando os olhos dela encontraram os dele, ele estava sorrindo, um sorriso lento, quente, que fez correr uma onda de calor de sua cabeça aos pés.
— Sua vez — ele falou suavemente.
Ela ficou sem fôlego. Lentamente, desabotoou a camiseta larga que tinha combinado com shorts normais. Tirou o short sem olhar para ele, depois, tirou a camiseta e deixou-a nas costas da cadeira.
James fez um som, grave.
— Você é linda.
— Obrigada. — Afogueada, ela ajeitou suas coisas para esconder o prazer diante das palavras dele. Sentando na cadeira baixa que ele tinha montado, ela bateu na outra, para que ele se sentasse ao seu lado.
— Venha e sente-se.
Remexendo em sua sacola, ela pegou os óculos escuros, ciente da proximidade dele, de seu corpo quase nu. Ela nunca tinha ficado constrangida em roupas de banho, mas ali parecia ter necessidade de pegar de volta sua camiseta.
— Conte-me sobre a sua nova irmã — pediu, tentando se distrair.
— Lea? — Ele parecia surpreso. Caiu na cadeira ao lado dela. — O que sabe sobre ela?
Com um sorriso, ela respondeu:
— Só o que a imprensa divulgou. E imagino que a história seja muito diferente.
Os lábios dele se apertaram sombriamente.
— É, a imprensa adora transformar uma situação inocente em uma boa história apimentada. Quem se importa se é ou não verdade? Quem se importa com quem ela magoa?
— Parece uma declaração pessoal. — E de fato, a voz dele dizia que havia mais na história. — Se quiser falar sobre isso, sou boa ouvinte.
— Aconteceu anos atrás. Eu tinha uma sessão de estudo com uma amiga que estava na minha classe em uma das aulas, no segundo grau. Parei na casa dela para pegá-la, mas quando ela começou a sair de casa, desmaiou. Estava com gripe.
— E?
— Consegui pegá-la antes que caísse no chão. A família dela é muito rica e, com frequência, alvo da imprensa. Por acaso, naquele dia tinha um fotógrafo que conseguiu uma picante tomada comigo segurando Karis. Infelizmente, o noivo dela não era o homem mais agradável do mundo e aquilo quase arruinou o relacionamento deles. Não foi grande coisa, mas ainda me deixa um gosto ruim na boca. Inventar histórias sobre pessoas sem conhecer os fatos devia ser ilegal.
— Já inventaram histórias sobre sua nova irmã? Ele assentiu.
— Imagino que o súbito aparecimento dela tenha sido difícil para a sua família — ela comentou cuidadosamente.
— Não exatamente difícil. — Ele suspirou, estendendo o braço e entrelaçando os dedos dela com os seus. — Certamente ficamos surpresos. Meu pai não imaginava que Lea existia.
— Deve ter sido um choque descobrir que seu pai tinha pés de barro — ela tentou ser gentil.
— Ele soube antes. Não foi um bom pai quando éramos pequenos. A sua carreira militar vinha primeiro. Depois que minha mãe morreu, ele não tinha ideia de como lidar com cinco crianças levadas.
— Eu quis dizer que deve ter sido um choque descobrir que ele teve um caso.
— Foi um conjunto de circunstâncias ruins. Não foi como se ele tivesse enganado minha mãe. Ele sofreu vários ferimentos no Vietnã e perdeu a memória. Um grupo de uma vila cuidou dele e ele se envolveu com a mãe de Lea, mas foi resgatado sem saber que ela estava grávida. Então, antes que ele pudesse voltar, a vila dela foi bombardeada e disseram que não havia sobreviventes.
— Oh, que horrível.
— Os vietcongues não tratavam gentilmente quem ajudava americanos. Também teria sido muito complicado se meu pai tivesse descoberto sobre a criança. Afinal, era casado, já com vários filhos legítimos.
— Imagino que seria difícil explicar à esposa.
— De tudo que eu ouvi, a posição da minha mãe na sociedade de Savannah era muito importante para ela. Posso garantir que as coisas não seriam fáceis.
Depois de um pequeno silêncio, ele completou.
— Mas estou contente porque encontramos Lea.
— Então você gosta dela?
— Muito. Ela está realmente começando a parecer uma irmã.
— É como eu me sinto quanto à minha amiga Doe.
— Doe — ele repetiu. — Por favor, diga que é o diminutivo de alguma coisa.
Ela riu.
— Dorcas. Acho que eu contei que ela é francesa. É a única filha, nove anos mais nova do que os outros irmãos, e diz que somos irmãs do coração. — Ficou séria. — A maioria das minhas melhores lembranças é do tempo que passei com Doe e a família dela.
— A maioria das minhas é do tempo na casa do meu tio Orion. Depois que minha mãe morreu, meus irmãos, minha irmã e eu passávamos a maioria de nossas férias escolares lá, em vez de em Crofthaven.
Ela sentiu uma enorme simpatia. Ainda que ele tivesse crescido no seio de uma grande família, parecia muito que James carecia do mesmo sentimento básico de pertencer a um grupo, como ela.
— Meus filhos saberão que são amados. Não, eles vão ser sufocados de amor. — Subitamente, ela percebeu como parecia apaixonada e ficou encabulada. Levantando, tirou os óculos de sol e andou para o mar. — Estou com calor. Acho que vou mergulhar.
— Espere por mim. — Em um minuto, James estava ao seu lado. Ele pegou sua mão e andaram juntos até a água. — Para o caso de eu não ter comentado, você está maravilhosa nesta roupa de banho.
Ela sorriu, relaxando um pouco, enquanto lembrava das palavras dele de antes.
— Tive a impressão de que você gostou. Eu também. Comprei logo que mudei para cá. A maioria das minhas antigas é ilegal nos Estados Unidos.
— Espere — ele disse, enquanto ela se deixava molhar na espuma suave das ondas. — Quer dizer que você fazia topless?
— É. Todo mundo fazia.
— Sim, mas não posso imaginar você à vontade...
— Quando você tem seios relativamente pequenos numa imensa praia de mulheres europeias usando implantes, você não se importa muito — ela falou rindo. — Ninguém olhava para mim.
Uma onda maior do que as outras passou por eles, que tiveram que pular.
James se virou e deu uma braçada lenta em volta dela.
— Não posso imaginar você despercebida. — Ele parou e ficou mais perto, pegando-a pela cintura e puxando-a para ele. — Eu a notaria em qualquer lugar.
Ela pôs as mãos nos ombros dele, gostando do flerte.
— Você é parcial. — Uma onda empurrou-a firmemente contra ele e as pernas deles se enroscaram.
Ele puxou-a ainda mais para perto.
— Venha e deixe-me beijá-la e saberá exatamente como sou parcial por você.
Ela riu até que os lábios dele cobriram os dela. E se entregou à doce invasão, beijando-o, gostando de sentir a pele dele deslizar na dela debaixo d'água.
A perna dele deslizou entre as dela e ela gemeu, enquanto um secreto choque de prazer a atravessava. James manteve-a bem perto, deixando a água apertá-la contra ele, depois afastá-la um pouco. Ele beijou-a. de novo e de novo, enquanto seus corpos se tocavam, separavam e tocavam novamente, enquanto ela deslizava para cima e para baixo da forte, musculosa e dura pressão da ereção dele flertando com a suavidade do estômago dela.
Finalmente, ele afastou-a com um sorriso.
— É melhor pararmos, antes de atrair o tipo errado de atenção — ele tocou os lábios dela com um dedo molhado. — Isto parece particular, mas não é. Há um punhado de pessoas na praia pensando saber o que estamos fazendo agora.
Os olhos dela se arregalaram com a declaração dele.
— Então, definitivamente, é melhor parar. Sermos presos não deixará nossas famílias felizes.
— Também não me faria feliz, considerando que nem mesmo estávamos fazendo o que poderia nos levar à prisão.
Eles sorriram um para o outro, depois ela desatou a rir.
— Você — falou, afastando-se e jogando água nele — é um homem muito mau.
— Nem a metade de como gostaria de ser com você. — As palavras eram provocantes, mas os olhos dele estavam quentes com a promessa. Então ele jogou água nela de volta e o momento sensual estava encerrado.
Depois de brincar e nadar por meia hora, James apontou para a areia.
— Hora de ir. Você precisa de mais filtro solar. Ela apertou um dedo em seu antebraço, vendo sinais de queimadura de sol.
— Obrigada por me lembrar.
Saindo da água, eles se secaram e, deixando as cadeiras de lado, deitaram de braços na grande manta que ele tinha aberto. Ela pegou para cada um deles uma lata de refrigerante e se deixaram aquecer ao sol de setembro, com a agradável brisa secando a umidade de seus corpos.
James ficou quieto por tanto tempo que ela pensou que tivesse dormido, mas, quando olhou para ele, viu que seus olhos cor de avelã estavam sonhadores.
— Você está pensativo. — Ela passou a mão na sobrancelha dele. — O que está pensando?
Para sua surpresa, ele afastou o olhar.
— Apenas... divagando.
Aquilo era importante. Não sabia o motivo, mas ela sentia que, certamente, o que quer que se passasse na cabeça de James naquele momento era a chave para entendê-lo. Pousando o queixo nos antebraços, ela virou a cabeça para poder encará-lo.
— Às vezes, ajuda falar.
Subitamente, os olhos dele pousaram nela de novo. Ele hesitou e ela imaginou o que ele buscava enquanto a olhava tão intensamente, como se tentasse ler sua mente.
— Você não pode rir.
— Quando foi que já ri de você?
— Estou pensando em escrever um livro.
Intrigada, ela perguntou.
— Um livro sobre o quê?
— Um estudo sério sobre os fantasmas e as lendas da área de Savannah.
— Parece um projeto excitante. — Ela não tentou ocultar seu interesse. — O que quer dizer com "estudo sério"?
Um brilho caloroso de gratidão e prazer iluminou os olhos dele e a tensão se afastou de seus ombros enquanto sorria para ela, apoiado em um cotovelo.
— Já existe uma série de livros sobre os fantasmas de Savannah. Mas a maioria deles apenas reconta as histórias mais populares, com um pouco de suspense para excitar os turistas. Quero fazer mais. Quais são apenas lendas e contos inventados? Quais podem ser exageros de algo que aconteceu? Quais não foram explicados e pesquisados o suficiente para poderem ser considerados um verdadeiro fenômeno psíquico?
— Você realmente anda pensando nisso — ela observou. — Eu acho que deve fazer.
— Simplesmente assim?
— Simplesmente assim. Eu ficaria feliz em ajudar com a pesquisa, se você quiser uma parceira silenciosa.
Ele sorria, uma expressão exuberante e sem complicações, que a fez sorrir de volta.
— Você é incrível, sabia? A maioria das mulheres corre quando eu começo a falar sobre a história de Savannah ou seus fantasmas — o sorriso dele desapareceu e uma emoção profunda, quente, iluminou o seu olhar. — Lily... ainda não nos conhecemos há muito tempo. Mas nunca conheci uma mulher como você. Nunca pensei seriamente em casamento e filhos. Agora penso.
— Oh, James. — Ela encostou a cabeça no ombro dele, virando de lado para apertá-lo, por um perigoso, quente e doce momento. — Você também me faz pensar em coisas assim. Mas até esta eleição terminar, não posso, não podemos...
— Eu sei. — Ele beijou a sua testa. — Não quero pressioná-la ou deixar você pouco à vontade. Mas achei que era importante que soubesse como me sinto.
— É muito importante. Você é muito importante.
Mais um capítulo para vocês!
Quero agradecer os reviews de Aninha E. Potter e . Espero que vocês estejam gostando.
Até o próximo capítulo.
