Pra começo de conversa, Supernatural, Sam e Dean não me pertencem, se pertencessem eu seria rica, feliz e em "Created by..." aparecia meu nome e não o do Eric Kripke.
"Tudo o que ele quer é" contém Slash e Incesto! Não sabe o que é? Eu explico, são dois homens, no caso irmãos, se pegando ou pretendendo se pegar. Na verdade, nesse capítulo, eles já estão se pegando. Gosta do gênero? Boa leitura! Não gostou? É bem simples, não leia!
A Fanfic se passa em alguma parte da 2º temporada, não importa qual, se você não assistiu não vai fazer diferença.
Esse capítulo contém doses suaves de NC17! (avisando, só por via das dúvidas)
Tudo o que ele quer é – Capítulo Quatro
Os carros passavam pela estrada, alguns ultrapassando o limite de velocidade permitido. Sam tinha andado o caminho todo até ali, completamente desnorteado, revivendo a cena daquele quarto e do que tinha feito centenas de vezes.
Não acreditava na sua estupidez, não acreditava que tinha sido capaz de beijar Dean daquela forma sem maiores explicações, e o olhar que seu irmão mais velho lhe lançou antes de Sam sair do quarto deixou muito claro que aquilo não era recíproco, e sim doentio, sórdido e Sam tinha enterrado a relação deles ao ter feito aquilo.
Nunca tinha chorado tanto na sua vida como tinha chorado hoje, talvez até já tivesse chorado, mas o motivo era totalmente diferente do motivo de estar chorando agora. Ele chorava em silêncio, enquanto andava, com a mochila nas costas e imaginava se Dean ainda ia querer ver a cara dele depois daquilo tudo. Foi quando chegou naquele posto de gasolina que pegou o celular e resolveu fazer a única coisa que estava ao seu alcance agora, ligar para Bobby, a única pessoa que poderia lhe ajudar.
Foi o que fez.
- Alô?
- Bobby? – Sam tentou elevar a voz que estava fraca e meio rouca.
- Sam? – Bobby fez uma pausa. – Sam, tudo bem?
- Tudo, tudo. – Respirou fundo, se odiando por não conseguir parar de chorar. – Tudo bem por aí, Bobby?
- Sam, o que foi? Aconteceu alguma coisa?
Resolveu ir direto ao assunto, até porque sabia que não podia enrolar alguém como Bobby por muito tempo.
- Dean e eu brigamos. – Sam disse. Não ia mentir, mas também não ia dizer toda verdade. – Nós finalmente chutamos o balde, sabe? E eu acho que ele não vai querer ver minha cara tão cedo...
Riu, tentando transparecer despreocupação com o assunto, mas não conseguia fingir tão bem assim.
- O que aconteceu dessa vez? – Bobby estava sério, com aquele tom de bronca paternal na voz.
- Você sabe, a coisa ficou intolerável, mas não foi nada demais, nada grave. Eu só acho que é melhor dar um tempo antes de ir falar com ele, então eu pensei que... – Respirou fundo de novo, tentando engolir aquela vontade insana que tinha de chorar mais ainda. – Que talvez eu pudesse passar um tempo aí.
Bobby ficou em silêncio, por breves segundos.
- Claro, Sam. Mas depois você vai ter que me explicar direito o que é que aconteceu.
- Tudo bem, obrigado. – Sam deu um sorriso curto, sem emoção. Até lá teria tempo de inventar uma desculpa. – Eu acho que chego aí pela manhã, por enquanto vou ficar hospedado num Motel qualquer...
- Não acredito que o Dean deixou você ir embora. – Bobby estava mais sério ainda. – Você vai ficar hospedado aonde, garoto?
- Ahm... – Sam puxou um papel do bolso, lendo o nome. – Um tal Red Stripes, provavelmente...
- Certo.
- Bem, a gente se fala então, Bobby. Tchau.
E desligou.
Tinha perdido a noção das horas, estava dirigindo sem saber para onde ia. Só queria espairecer as idéias, e voltar a ter o controle da situação, ou até mesmo esquecer o que tinha acontecido. Se pudesse colocar uma pedra em cima daquilo, se pudesse voltar a ser como era antes. Se ele pudesse se fingir de desentendido, fingir que não sabia nada, mas Sam tinha que ter dito aquilo na sua cara, tinha que ter feito a mente de Dean dar um nó de tão confusa que estava.
Seria tão mais fácil se ele não tivesse dito nada, seria tão mais fácil se fosse só ciúme bobo de irmão mais novo. Seria tão, mais tão mais fácil se aquilo não tivesse nada a ver com incesto. Dean tinha se esquecido dos deveres, tinha se esquecido de ir procurar Rachel, tinha se esquecido de tudo a sua volta, e só o que havia na sua cabeça agora era Sam, Sam e aquela maldita declaração.
E pensar que por um segundo, um segundo sequer Dean pensara em corresponder, Dean quase correspondera, até que se deu conta do erro que estava cometendo. Porque aquilo era um erro, e ele não sabia se deixava Sam ir embora de vez ou se ia atrás dele.
No fim das contas ele achou melhor deixar Sam ir, e só agora se dava conta da merda que tinha feito.
O que Dean sentia a respeito de Sam? Não sabia responder, estava tudo tão confuso, tão estranho. Sam era seu irmão, seu irmão mais novo, Sam era aquele cara que Dean sempre ia proteger, nem que pra isso precisasse dar a sua vida pela dele. Sam era o seu Sammy e de uma hora pra outra todo esse sentimento inocente e puro se tornou sujo e indecente.
Sempre que Dean fechava os olhos ele podia rever aquela cena toda, ele podia rever um Sam desolado chorando na sua frente sem se importar. Sam com aquele olhar de culpa e súplica, implorando qualquer coisa que fosse, fixado em Dean.
Se Dean fechasse os olhos agora ele poderia sentir novamente a textura dos lábios do irmão, tão macios e tão...
- Deus, como isso é doentio! – Dean disse a si mesmo, tentando manter toda a sua atenção na estrada, nas ruas. Foi quando passou em frente aquele bar em que esteve hoje mais cedo que Dean freou o carro, e enfiou a mão no bolso da calça para pegar seu celular.
Era um erro e tanto, daqueles que não tem volta, daqueles que não tem perdão. Mas ele não podia deixar Sam para trás, não podia deixar que Sam fosse embora. Porque Dean não conseguia imaginar sua vida sem ele, não conseguiria passar por aquilo de novo. Não conseguiria ver seu irmão ir embora por tempo indeterminado sem poder fazer nada para impedi-lo.
Era diferente agora, Sam não estava indo embora porque tinha brigado feio com seu pai, tinha ido embora porque achava que Dean o odiava, e Dean não podia deixar as coisas como estavam.
Ele discou o número do celular de Sam, e esperou pacientemente até que o caçula atendesse, mas ele não atendeu. Discou de novo e de novo, até que o celular começasse a dar na caixa postal.
Sam não queria falar com ele.
- Mas que porra, Sam! – Dean retrucou, meio alterado, apoiando a cabeça no volante do carro, fechando os olhos com força e se questionando: se ele deveria ir atrás ou deixar as coisas como estavam. O que ele deveria fazer depois disso? Como olhar para Sam depois disso? Como voltar a tratar ele como antes depois de tudo isso? Não dava pra fingir que não aconteceu.
Então Dean ligou novamente o celular e sem pensar nas conseqüências, discou o único número que tinha quase certeza que Sam ligaria numa situação dessas. Enquanto esperava impacientemente ser atendido, observava o bar logo ali à frente.
Ele precisava mesmo era encher a cara e esquecer que seu nome é Dean Winchester. Sim, era disso que ele precisava.
Rachel desligou seu celular, jogando ele dentro da bolsa preta. A garota estava usando uma blusa cinza de manga cumprida e um short curto demais, com um coturno preto pra fechar o visual. Ela entrou na oficina de mecânica e pegou uma garrafinha de água em cima de uma mesa velha, então fez sinal para um dos caras que estava concertando um carro.
- Eu volto mais tarde. – Ela disse para ele, e sem esperar resposta saiu da oficina em direção ao seu carro, não estava tão distante.
Dean não ia acreditar no que ela tinha descoberto a respeito do caso que ele estava investigando. Pelo visto, a família Fiennes não era tão perfeita quanto parecia. Algumas semanas atrás Rachel pudera ouvir uma discussão do casal, já que estava passando em frente da casa deles para ir até a casa da sua irmã, que ficava ali por perto, e eles não se preocuparam muito em manter o tom de voz baixo. Eles discutiam feio, o senhor Fiennes até chegou a bater na esposa!
Não conseguiu ver o resto porque eles fecharam a cortina, e Rachel não ia ficar ali parada bancando a intrometida, foi embora. Mas nesses últimos dias Rachel descobriu por uma fonte segura que Agatha Fiennes tinha um caso, ou pelo menos teve um caso no passado, alguns anos atrás, com um cara que simplesmente desapareceu do mapa, ninguém mais soube nada a respeito dele, era como se nunca tivesse existido. A fonte era uma atendente de um Motel aonde ela dissera que eles passaram a noite uma vez, e só contou a Rachel porque ela disse que era importante, ou talvez porque a garota oferecera algum dinheiro.
Ela estava tão disposta a se provar para Dean, provar que era capaz e que não era só mais um rostinho bonito. Porque ela estava gostando mesmo dele, de verdade, porque além de Dean ser bonito pra caramba ele tinha um emprego fixo, era um bom cara, e Rachel contava as horas só para vê-lo de novo. Naquela noite mesmo, ela mal via a hora de ir até o Hotel e os dois poderem sair pra tomar umas cervejas, porque é claro que depois da discussão de Dean com seu irmão mais novo ela não se arriscaria a ir até lá com cervejas de novo. Como ela ia adivinhar que Sam estava lá?
Rachel abriu a porta de seu Dodge Charger preto e assim que jogou a bolsa no banco do passageiro e estava para entrar no carro, sentiu uma forte dor na nuca e logo, tinha caído inconsciente no chão.
Não fazia uma noite muito bonita. Estava frio lá fora, estava frio ali dentro e o céu estava cheio de nuvens ralas e cinzentas, parecia até que ia chover. Sam estava sentado na sua cama de casal, com um moletom de dormir e uma camiseta cinza escuro. A televisão estava ligada e o programa que estava passando era um noticiário sobre qualquer porcaria que fosse, mesmo Sam estando com o olhar na tela da televisão, ele não prestava a mínima atenção naquilo. Andara a tarde toda pelas ruas daquele lugar, até chegar naquele Motel de beira de estrada, e era melhor ficar por ali só essa noite, compraria algumas passagens pela manhã e então iria até a casa de Bobby, pelo menos até achar um lugar onde pudesse ficar permanentemente.
Pelo menos até as coisas se resolverem.
A sua atenção foi desviada da tela da televisão por causa de um som vindo lá do lado de fora, e ele podia jurar que era AC/DC, e ele também podia jurar que conhecia aquele som que com certeza vinha de algum carro antigo.
Quase que instintivamente, Sam desligou a televisão e apurou os ouvidos, ao mesmo tempo em que seu coração ia batendo com mais velocidade. Assim que a música, que ele podia jurar que era Highway to Hell, parou de tocar, Sam não se agüentou e foi até a janela do quarto. Antes de qualquer coisa ele apagou as luzes, então afastou um pouco a cortina abrindo uma pequena fresta para poder ver o que acontecia lá fora, e foi quando bateu os olhos no Chevy Impala '67 estacionado ali em frente que alguém bateu na sua porta.
O seu coração foi até a garganta e se Sam não tivesse fechado a boca, ele teria saltado para fora.
Fechou a cortina com uma velocidade absurda e ficou parado ali mesmo, estático, encarando a porta fixamente quase como se pudesse enxergar através dela. Estava chocado, assustado e nervoso demais para mover um músculo sequer.
A pessoa insistiu, e bateu com mais impaciência. Três batidas rápidas e duas mais lentas.
Sam respirou fundo, não podia ser ele, não podia ser ele quem estava ali. Como foi que ele achou Sam? E, droga, o que ele queria? Tomado pela curiosidade e por um leve rastro de coragem, Sam foi até a porta e envolveu a maçaneta com a mão, e estava prestes a girá-la quando se parou.
Não sabia se queria ver ele depois daquilo tudo, não sabia se estava preparado psicologicamente para outra discussão.
Como foi que ele encontrou Sam naquele motel? Nem era perto do hotel onde eles estavam... Ok, tinha quase certeza que deixou escapar o nome do motel onde estaria hospedado para Bobby, e com certeza Dean tinha ligado para ele. Nessa hora xingou Bobby mentalmente pela primeira vez na sua vida, mas com certeza ele não tinha culpa de nada, era isso. Sam não quis explicar o que estava acontecendo e Bobby, na sua responsabilidade, achou melhor dar o endereço do motel onde Sam estava para Dean, para então os dois resolverem seus problemas sozinhos.
O problema era que Bobby não tinha idéia da gravidade desse problema, ele simplesmente não tinha idéia do motivo de Sam querer se afastar de Dean.
Finalmente girou a maçaneta e abriu a porta, e se arrependeu profundamente de ter feito isso. Dean o encarava de um jeito fixo, ele estava encostado na grade oposta à porta com os braços cruzados, com um jeitão largado.
- Dean? – Sam perguntou assim que recuperou a capacidade de falar, tentando aparentar surpresa. – O que você está fazendo aqui?
Dean sorriu de canto de lábios, espiando Sam desde o último fio de cabelo castanho até os pés. Sam estava descalço, só com a roupa de dormir, e mesmo assim sentiu o rosto esquentar diante daquele olhar de Dean. Até parecia que o caçula não estava vestindo nada.
- Dean, o que diabos você está...?
A pergunta morreu na garganta, Dean tinha se aproximado de repente, estava perigosamente próximo, e ele ainda deu uma boa olhada em Sam antes de entrar no quarto sem ser convidado. Foi nessa hora que Sam sentiu que o seu medo não o permitia ter o mínimo controle da situação.
Fechou a porta, engolindo em seco, e então encarou o irmão que estava de costas para ele, observando o quarto.
- Dean... – Sam chamou, no que Dean o encarou. – O Bobby te passou o...
- Você acha mesmo que ele não ia me dizer? – Dean o cortou, a voz soando um pouco enrolada. "Não pode ser", Sam pensou, "Dean está bêbado!".
- Você bebeu, Dean? – Perguntou, no seu típico tom de bronca.
- Talvez eu tenha bebido um pouco sim... – Ele sorriu de um jeito malicioso, dando passos lentos na direção de Sam, se aproximando aos poucos.
- Você dirigiu bêbado? – Dean riu, e quando estava para ficar mais próximo de Sam que o normal, o caçula o segurou pelos ombros e tentou forçá-lo a se sentar na cama. Dean resmungou, tentando se desvencilhar dos braços de Sam.
- Eu preciso falar com você! – Ele se desvencilhou de Sam, empurrando o mais novo. Sam começava a perder a paciência, e olha que ele é uma pessoa muito paciente.
- Você está bêbado, Dean! Senta aí, você não vai poder dirigir desse jeito!
- Eu não quero ir embora daqui mesmo! – Dean retrucou, feito uma criança mal criada, empurrando Sam com força assim que o caçador tentou forçá-lo a se sentar de novo. Sam o encarou indignado.
Ainda não estava acreditando que Dean tinha enchido a cara e ido até ali, Sam não estava com pique para ouvir as reclamações do irmão, muito menos as com referência ao que tinha feito no hotel onde estavam hospedados.
Não é a hora nem o lugar para isso.
- Você precisa de um banho gelado, isso sim!
- Eu não vou a lugar nenhum até você me ouvir, porra!
- Eu não tenho nada pra ouvir, porque nós não temos nada pra conversar! – Sam retrucou, bastante sério.
- Não? – Dean sorriu debochado, dando passos na direção de Sam de novo.
- Não, Dean. Eu acho que tudo ficou muito esclarecido entre nós.
- Você acha que eu ia deixar você cair fora assim sem mais nem menos? – Dean perguntou, olhando fixo nos olhos de Sam, e ele estava mais próximo ainda. Sam tratou de se afastar, dando passos curtos para trás. Ele não queria brigar com Dean agora, ele não queria ouvir o que quer que o irmão tivesse para falar.
- Assim sem mais nem menos?! – Quem sorriu debochadamente dessa vez foi Sam, mostrando sua indignação com o mais velho. – Você ia mesmo concordar que eu ficasse do seu lado depois de tudo aquilo?
Dean abriu a boca para falar, mas Sam disse antes:
- Muito obrigado, mas eu não estou a fim de ficar debaixo do mesmo teto que você tendo que suportar você me encarando como se eu fosse uma aberração!
- E você acha que isso é muito normal? Pelo amor de Deus, eu sou um idiota de não ter percebido antes... Não, não, eu já tinha notado que tinha alguma coisa errada com você, mas eu não achei que fosse isso! – Dean tinha alterado o tom de voz, estava falando mais alto que o normal, parecia até que a bebida tinha dado coragem a ele para esfregar tudo aquilo na cara de Sam. Ele não era de beber, não era de beber até chegar a esse ponto pelo menos.
Sam não olhava diretamente para ele, porque não tinha a mínima vontade de fazer isso. Olhava para baixo, algum ponto fixo no chão. Dean continuava a se aproximar aos poucos e quando fazia isso, Sam procurava se afastar. Dean tinha bebido demais, o suficiente para fazê-lo cometer uma loucura.
Que loucura era essa, Sam não queria saber.
- Era isso, não era? - A voz de Dean soou mais baixa, rouca. Ele começava a ficar impaciente, dava pra notar, e Sam podia sentir o hálito de álcool mais forte conforme ele se aproximava.
- Não era. – Respondeu em seguida, a primeira resposta que veio a sua mente, não queria prolongar aquele assunto quando já sabia aonde ele ia dar.
- É claro que era! É claro que é! – Dean fez uma pausa, no que Sam o olhou por breves segundos, só para poder ver o sorriso sarcástico estampado naqueles lábios que perturbavam Sam rotineiramente. – Eu notei o modo como você me olhava, como você me olha...
Sam se calou, não tinha resposta nem argumento, então só ficou calado olhando nos olhos de Dean, finalmente. Dean o encarava, intensamente, um olhar fixo e profundo, os olhos esverdeados negros de pura revolta, de pura luxúria, e era impossível Sam dizer o que se passava na cabeça do irmão agora, e ele daria qualquer coisa para saber, mesmo que tivesse quase certeza que se arrependeria caso soubesse. Dean devia sentir nojo dele, raiva por ele ter escondido isso por tanto tempo, por ter tido a cara-de-pau de observá-lo todas as vezes em que ele estava distraído, por ter sonhado com ele e pensado nele daquela forma pervertida.
- Sabe por que eu ignorei? Porque eu achei que fosse paranóia minha, ou então que estivesse ficando louco por pensar isso de você, Sam. Porque o pensamento era tão sujo e absurdo que eu sentia vergonha de mim mesmo só por considerar a idéia do meu único irmão estar me fodendo com os olhos!
Ele praticamente cuspiu cada palavra, apontando o dedo indicador contra Sam, o acusando. Sam parou de se afastar, ficou parado sem quebrar o contato visual, sentiu o coração vir à boca, o rosto esquentar de constrangimento e arrependimento. Nunca estivera tão arrependido por ter feito algo como estava agora, como estivera esse tempo todo. Dean o odiava, Dean sentia nojo dele, como esperado. Sam tinha sido um fraco por não ter controlado o que sentia, por não ter ido embora mais cedo antes que as coisas ficassem tão extremas como estavam agora.
- Era isso não era? No fundo, no fundo, você só queria era me fod...
- Não! – Sam o cortou, antes que ele tivesse tempo de terminar a frase. Dean fazia aquilo soar extremamente sórdido. - Dean, por favor...
- Por favor, o quê? Quer que eu vá embora? – Dean estava alterando o tom de voz outra vez, se aproximando cada vez mais. – Como você pôde esconder isso por tanto tempo? Como você pôde ser tão dissimulado a ponto de...
- A ponto de o quê? – Sam tinha perdido a paciência. – De ter me controlado esse tempo todo? De ter respeitado você e o seu espaço? Quer me odiar, odeie, quer me desprezar? Despreza, Dean! Mas isso não vai me fazer parar de sentir o que eu sinto por você!
Dean arregalou os olhos, estavam tão próximos agora que mais um pouco e seus corpos se tocariam.
- Acredite, Dean. Eu tentei, tentei de todas as formas possíveis parar de pensar em você dessa forma, mas não dá! Não dá! – Sam se afastou, andando até perto da cama e ficando de costas para Dean, as mãos na cintura e o olhar fixo em algum ponto na parede, estava tenso. – Por favor, vai embora!
Dean não disse nada por alguns minutos, breves minutos, então Sam ouviu passos e Dean estava se aproximando novamente. Por Deus, o que ele queria? Torturá-lo mais um pouco? Esfregar na cara de Sam que aquilo era errado e indecente? Não precisava disso, já sabia.
- Dean, vá embora!
- Olha pra mim, droga! – Dean exclamou, puxando Sam pelo ombro e forçando o mais novo a ficar de frente para ele de novo, o puxou pela gola da camisa, empurrando Sam em direção a parede com mais força que o habitual. Sam prendeu a respiração, se preparando para levar um soco, era isso, dessa vez Dean ia mesmo socá-lo, Sam ia apanhar feio.
- Você é um grande desgraçado, Sam! – Dean pressionou seu corpo contra o de Sam, agora o caçula já não sabia se prendia a respiração de medo ou por causa daquela aproximação com o corpo do mais velho. Estava prestes a afastá-lo, a forçá-lo a sair dali, quando sentiu os lábios de Dean ao pé da sua orelha, roçando na sua pele. A voz sussurrada do mais velho fez os pêlos da sua nuca se arrepiarem. – Você gosta disso, Sammy?
Sam não conseguiu empurrar Dean, por mais que isso fosse o certo a se fazer. Suas mãos caminharam até o peitoral do irmão com a intenção de mantê-lo afastado, mas com um movimento rápido Dean segurou seus pulsos e os prendeu acima da sua cabeça, deixando-o imobilizado. Sentiu a perna do outro entre as suas, e o corpo do mais velho encostar completamente contra o seu. Sam sentiu a respiração falhar, a vontade absurda de chorar sem motivo nenhum aparente vir à tona.
Aquilo era o que ele andava querendo, era o que ele queria de Dean, mas estava tudo errado, muito errado. Dean estava brincando com ele, brincando com seus sentimentos, estava machucando Sam emocionalmente de uma forma que ele nunca esperou ser possível, e de todos que pudessem machucá-lo assim, Dean era a última pessoa que Sam acreditava que faria isso um dia, mas ele estava fazendo agora, exatamente agora, e ele não tinha idéia de como aquilo doía internamente.
- Dean...
- Era isso o que você queria, Sam? Era isso o que você queria de mim? – A voz de Dean estava baixa, sussurrada, a respiração quente contra a sua pele. Sam fechou os olhos, virando o rosto para o lado. Não queria olhar nos olhos dele agora, não queria olhar para ele. Dean prendia seus pulsos com uma mão só, a outra mão chegou ao seu queixo lentamente e o segurou, forçando Sam a virar o rosto novamente.
- Responde.
Sam negou com um movimento rápido de cabeça, e com receio que Dean pensasse que era uma negação de quem não quer responder coisa alguma, completou ainda de olhos fechados:
- Não, não assim, não desse jeito...
Dean riu sem emoção, pressionou mais ainda o corpo contra Sam e roçou os lábios no pescoço do caçula. Sam mordeu o lábio inferior, sentindo os olhos arderem e sentindo a vontade insana de chorar e a vontade insana de que Dean o beijasse agora mesmo, que o usasse e que brincasse com ele à vontade.
Merda, não era pra ser assim!
- Você é um mentiroso, sabia? Um mentiroso desgraçado e cínico!
Tudo foi rápido, rápido demais. Num momento Sam abria os olhos para encarar o irmão, e no outro Dean o empurrava sem a mínima delicadeza em direção a cama. Sam caiu de costas sobre o colchão macio, e o olhar surpreso e assustado se fixou em Dean, que caminhou até ele e segundos depois estava sentado sobre o seu quadril, e antes que Sam pudesse reagir de qualquer forma que fosse, Dean segurava seus pulsos com mais força acima da sua cabeça, abaixando o rosto até ficar próximo o suficiente do rosto de Sam.
Não entendia nada do que estava acontecendo.
- Você está bêbado, Dean! – Sam exclamou, no desespero de que Dean fizesse alguma loucura por causa do álcool e Sam não conseguisse resistir por causa do que sentia pelo mais velho, e depois tudo ficasse muito pior entre os dois.
- Eu estou perfeitamente lúcido, Sam. – Dean disse com uma seriedade de causar medo, e então completou, sorrindo de lado. – Ok, não tão lúcido assim.
Mas Sam não teve tempo de protestar, de tentar resistir, Dean pressionava os lábios contra os seus, a língua tocando eles numa quase ordem para que ele abrisse a boca. Sam não pensou duas vezes, os lábios se abriram, convidando Dean a tornar aquilo mais intenso.
Dean o beijou, e foi melhor do que nos sonhos, foi diferente de todos os beijos que já dera, foi diferente de tudo, até mesmo do primeiro beijo entre eles, naquele dia. Suas línguas exploravam a boca de cada um com sede, fome, não querendo perder qualquer parte que fosse, e se tocavam, como se já se conhecessem há anos, como se fosse absolutamente normal. Dean não segurava mais seus pulsos, ele estava mais interessado em puxar a camisa de Sam, quase rasgando o tecido fino da mesma ao fazer isso.
Sam levantou o tronco, ajudando Dean a retirar sua camisa, e nesse meio tempo os lábios do primogênito desviaram a atenção para a sua bochecha, então para o seu pescoço, mordendo e chupando cada pedaço de pele que tocava. A cada toque, por mais sutil que fosse, os gemidos escapavam da boca de Sam sem ele poder pensar em controlá-los, e Dean o beijava, descia os lábios na direção do seu peitoral e beijava cada parte, tudo muito intenso, forte demais e com pressa demais, mas Sam não estava reclamando, ele não estava pensando em nada muito concreto agora.
As mãos de Dean alcançaram a dobra da sua calça, foi nesse instante que Sam se obrigou a abrir os olhos e encarar o irmão, que por sinal o encarava, o olhar negro de luxúria pairando por todo seu corpo desnudo da cintura pra cima. A respiração de ambos estava agitada, e todo o ambiente parecia ter ficado mais quente.
- Dean... – Sussurrou sem saber se era um pedido para ele reconsiderar o que estava fazendo ou se era uma súplica para que ele continuasse o que estava fazendo, e Dean sorriu nessa hora, um sorriso de lado carregado de malícia.
Foi quando Dean se preparou para fazer algo mais impróprio que Sam o barrou com a mão. O mais velho o encarou sem entender, mas antes que tivesse tempo de formular a pergunta Sam o estava beijando de novo. Seria repetição ele dizer que não estava entendendo nada, seria repetição dizer para si mesmo que era errado, que eram irmãos.
É errado, eles são irmãos, e ele realmente não estava entendendo muita coisa. Dean estava usando ele, Dean estava brincando com ele, Sam iria se machucar.
Mas quem se importa?
Sam se levantou um pouco, quase se sentando, com Dean ainda sobre o seu quadril. Ele tirou a jaqueta de Dean e a deixou cair no chão, puxou a camiseta de Dean num puxão só fazendo os botões da mesma saltarem para o chão, se perdendo por ali. Suas mãos tremiam de ansiedade e nervosismo, mas ele não pensava em hesitar, estava fazendo o que queria fazer há muito tempo. Seu olhar pousou sobre o corpo de Dean, desnudo da cintura pra cima, um olhar cobiçoso, fixo. Mas Dean não teve tempo de fazer comentário algum, Sam o beijou de novo, com mais intensidade, com mais sede. Os sapatos foram caindo no chão, o tempo foi passando rapidamente, até que Dean estivesse deitado de costas e Sam estivesse por cima dele, as mãos já não tão tremulas desafivelando o cinto com uma pressa desesperada, sem pararem de se beijar um minuto sequer. Os sons que Dean emitia o levavam a loucura, era isso, aquilo tudo era uma loucura, um pecado, eles iriam para o inferno por estarem fazendo aquilo. Ia contra todas as leis da sociedade.
Mas Sam estava pouco se lixando. Ele iria ao inferno com Dean e por Dean, se fosse preciso.
Sentiu o mais velho afundar as unhas na sua pele, o beijo se tornou mais selvagem e cheio de um desespero desconhecido, era como se aquilo fosse um sonho e a qualquer segundo um deles poderia acordar, e então tudo estaria acabado, com certeza era melhor aproveitar cada segundo.
O ambiente estava quente, ou era só ele? Não tinha certeza do que fazia, não tinha certeza do que ia acontecer e do que seria daqui em diante, mas esses eram pensamentos concretos demais para aquele momento.
Num movimento rápido Dean jogou Sam contra a cama, e trocou as posições, quem estava por cima agora era ele, beijando cada parte do corpo do caçula que ele via, cada parte daquela pele com uma devassidão e um cuidado em não perder cada detalhe de causar arrepios em qualquer um. E então ele partiu para os lábios, a boca de Sam, um beijo bem mais demorado, puxando o mais novo pelos cabelos, quase sorrindo insanamente quando ouviu o gemido vindo de Sam assim que começou a se esfregar contra ele, os membros enrijecidos, e Dean sentia mais vontade de rir de satisfação conforme Sam gemia, tinha certeza absoluta que aquele era o melhor som que já ouvira em toda sua vida.
Então eles se livraram das últimas peças de roupa que impediam o contato direto.
Os movimentos adquiriram velocidade, mais pressa, mais força, um investindo contra o outro, os corpos começavam a suar, o silêncio do quarto era preenchido por todos aqueles sons que eles emitiam, de prazer, satisfação, e não tinha espaço para culpa nem nada parecido. Pareciam movimentos calculados, vai e vem, lento às vezes, mais rápidos às vezes, até que Dean olhasse fundo nos olhos de Sam, vendo ele morder o lábio inferior com força, o rosto avermelhado de calor, o calor que os corpos de ambos emanava.
Foi nesse instante, ao pronunciar o nome do caçula, que Dean colocou tudo para fora, já sem fôlego, e Sam o acompanhou poucos segundos depois, sentindo o corpo do mais velho cair sobre o seu.
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N/A: Olá minha gente! Capítulo postado, finalmente. Desculpem a demora (Demorou muito?)!
Esses dias eu fiz uma capa para a fanfic, não ficou lá essas coisas, mas... O que vale é a intenção, certo? Pra quem quiser ver, é só colar o link substituindo o que está entre parênteses: http(dois pontos)(barra)(barra)i241(ponto)photobucket(ponto)com(barra)albums(barra)ff20(barra)Lemooni(barra)Tudooqueelequer(barra)jpg
A garota no canto direito da foto é a Avril Lavigne, pra quem não sabe (dã!), não sei porque, mas quando bati os olhos nessa foto dela eu me lembrei da Rachel e, deu no que deu! E, Deus do céu, aquele é um dos meus photoshoots preferidos do Jensen!
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Cap Luh – Atualizei, depois de um bom tempo! Dean te obedeceu, viu? Foi atrás do Sam! Hahaha Obrigada por deixar reviews, posso dizer que eu sou uma autora movida a reviews e saber que eu sempre vou ter as suas por aqui me deixa muito feliz! Obrigada de novo, beijos!
Katthy – Na primeira vez que eu escrevi o rascunho do capítulo não tinha aquela parte, mas daí do nada me veio aquilo na mente e, por que não? Auhauhauahaua O Dean bancando o super-irmão pra cima do Sam é a coisa mais fofa e apertável do mundo, né? Obrigada por deixar review, beijos!
Selma Carvalho – Vai me deixar na curiosidade? É assim, é?! xP Obrigada hein, assim você me deixa sem graça, e faz meu ego ir parar no céu também! auhauhauaha Beijos, moça!
Crica – Uh, obrigada Crica! . mesmo, mesmo, mesmo, você não sabe como isso aumenta o ego de uma autora! uahauahuaauha Continuo escrevendo sim, obrigada mais uma vez! Beeeeijos!
NinaWong – Capítulo novo postado! Você não é a única que ama o Sam, eu também sou louca por ele! Beijos, moça, obrigada por comentar!
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É isso, pessoal! Não se esqueçam de deixarem reviews, elas fazem a minha alegria e ajudam com a minha inspiração! Até a próxima ;D
