4 – Pioras e Decisões.

Ryan estava inquieto ao lado de Thiago. Não conseguia parar em uma posição favorável. Queria saber o que Harry tinha a contar, o que Krys pode estar descobrindo, e ele não.

- Isso é um absurdo! – Grita Ryan do nada, assustando Thiago.

- Do que você está falando cara?

- Eu sou Auror droga! Como Krys pode saber mais do que nós dois juntos!? Como você pode deixá-la saber mais do que nós? Nós que deveríamos estar lá falando com o seu pai, e não ela! – Reclamou Ryan, andando de um lado para o outro.

- Não vai adiantar nada você agir feito uma criança mimada que não conseguiu o brinquedo favorito Ryan. Deixa de ser infantil. Por que você não vai procurar seu pai para obter maiores informações? É mais fácil e mais produtivo do que você ficar enchendo meu saco com essa ladainha toda. – Disse Thiago, em um tom sério dessa vez.

- Você não entende cara! – Protesta Ryan.

- Olha... Eu sei que você gosta muito da minha irmã...

- EU A AMO! E NÃO É DO JEITO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO! NÃO É SOMENTE UM AMOR FRATERNAL! É AMOR DE VERDADE!

Isso com certeza assustou muito Thiago. O moreno sempre via os dois como irmãos e nada mais que isso. Thiago não estava acreditando nos seus ouvidos. Depois de encarar o amigo durante um tempo, ele começa a rir, uma risada básica que se tornou uma gargalhada gostosa, com um misto de humor e indignação.

- Do que você ta rindo seu idiota? – Pergunta Ryan, visivelmente irritado.

- Eu não estou acreditando, é só isso! – Disse Thiago, se acalmando um pouco. – E eu deixei vocês ficarem sozinhos no quarto durante todos esses anos. Quanta ironia. – Disse Thiago, agora bem mais controlado do ataque de risos.

- Você está me achando com cara de que, hem? Acha mesmo que eu iria abusar da Krys enquanto estávamos sozinhos? O único momento da minha vida e da dela que ela me viu sem roupa foi na última reunião da família, quando ela aparatou no meu quarto e me pegou saindo do banho. – Disse Ryan, se sentando novamente ao lado do amigo.

- Isso tudo é serio? Esse papo de amor e tudo mais? É por isso que você não queria que Edward fosse com ela para o hospital? Ciúmes? – Pergunta Thiago.

- Não sei te dizer se é ciúmes. Só sei que esse menino gosta dela, e muito. Nunca senti isso antes. Não posso dizer o que sinto quando ele está com ela. – Desabafou o ruivo.

- Cara, eu tenho certeza que é. – Ri o moreno, mas, antes que Ryan pudesse dar uma boa resposta a ele, a porta da sala se abriu e por ela entrou Rony.

- Vamos meninos. Temos que ir ao hospital. – Disse Ron, ajudando Thiago a levantar.

- Aconteceu alguma coisa pai? – Perguntou Ryan, pegando o outro braço do moreno.

- Parece que sim. Edward, o amigo de Krysthiane, me mandou uma coruja falando que ela não parece bem. Parece que bateu a cabeça e desmaiou, ou alguma coisa do tipo. E também precisamos levar esse teimoso de volta para ser examinado. Você ainda está muito ferido Thiago. – Disse Ron, se preparando para aparatar.

- Ora... Poupem-me vocês. Eu estou ótimo. – Retrucou o moreno.

- Sei... – Disse Ryan, aparatando com o pai e o amigo tentando esconder a preocupação.

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Ao chegarem ao hospital, foram recebidos pelo mesmo médico que estava cuidando dos Potter.

- Boa tarde senhor Weasley. Senhor Potter! Que bom que decidiu voltar ao hospital! Venham, vou levá-los para o quarto que coloquei a menina. Lá tem outra cama para que você seja examinado senhor Potter. – Disse o médico, guiando o grupo para o quarto.

Chegando lá, o médico abriu a porta e deu espaço para que os outros entrassem. Era um quarto simples e pequeno com duas camas e um sofá, que ficava logo abaixo da janela. As camas tinham suas cabeceiras encostadas na parede do lado esquerdo do quarto, com um criado mudo cada uma.

Logo que Ryan entrou no quarto, soltou o amigo e foi para o lado da morena, verificar como ela estava, enquanto Ron colocava Thiago na outra cama.

- O que aconteceu com ela? – Perguntou Ryan, fitando Edward com desgosto.

Edward percebe o tom arrogante do ruivo, e não perdeu a chance de responder a altura.

- Quando estávamos conversando com o senhor Potter, a senhora Potter apresentou pioras, um avanço nos sintomas do feitiço. Krys tentou acordá-la, já que ela estava dormindo, mas o médico não deixou, e ao invés de pedir para que agente saísse, simplesmente nos arremessou para fora com um feitiço não-verbal. Nós batemos na parede oposta da porta fora da sala, mas acho que ela bateu com a cabeça em algum lugar, por que eu estou perfeitamente bem. – Respondeu o moreno com o mesmo tom de voz e o mesmo olhar, mostrando que realmente não tem o que esconder.

- Ela vai ficar bem? – Thiago perguntou ao medico que estava o examinando naquele exato momento.

- Vai sim. Eu só tive que dar algo forte para ela dormir e poder descansar. Foi um dia duro pra ela, e ainda é muito teimosa. Se eu a deixasse acordada ia sair por ai e não ia se recuperar da pancada, que foi feia. – Disse o médico.

- Se você sabia que poderia ter o risco de alguém se machucar por que nos mandou pra fora daquela maneira? – Perguntou Edward, visivelmente perturbado.

- Pelo simples motivo de saber que vocês não iam me obedecer na hora. – Respondeu o médico com naturalidade, enquanto terminava de examinar Thiago.

- Mas... Doutor... – Começou Thiago.

- Agora não garoto. Depois volto pra falar com vocês. Você ainda precisa descansar muito. Não se recuperou totalmente. – Disse o médico, passando para a cama de Krys e olhando a cabeça dela. – É, não sei onde ela bateu, mas fez um corte feio aqui. Vai ficar por aqui com o irmão. Que delícia. A família Potter inteirinha no hospital. Acho que preciso de uma poção calmante... Essa família é osso duro. – Disse o médico, indo em direção a porta. – Volto daqui uma hora pra saber como vocês estão e pra contar sobre o casal. – Disse o médico saindo da sala.

Tudo ficou no mais absoluto silêncio. Ryan pegou uma cadeira e sentou ao lado de Krys, do lado oposto do moreno de olhos azuis. Depois de um tempo, Ron também teve que partir, deixando os adolescentes sozinhos.

-Edward. – Chamou Thiago, sentando na cama. – Você viu meus pais com a Krys não viu? Gostaria de saber como eles estão.

Por um momento Edward ficou calado pensando em como dizer a Thiago que eles não estão bem. Ele fitou a face de Krys e fez um carinho na sua bochecha. Ryan ficou vermelho de raiva pelo toque do garoto em sua amada.

- Pelo que eu vi Thiago, a coisa não está muito boa. Seu pai ainda estava em condições de conversar. Já sua mãe, parecia desmaiada. Olha... – Disse ele, se levantando e olhando o moreno na cama a frente da de Krys. – Não sou medibruxo e nem nada, mas sei quando uma pessoa está em estágio crítico causado por feitiços. Hermione não estava bem. Mas espero que melhore logo. Gosto muito da família de vocês. São muito importantes pra mim. – Disse ele, agora voltando a acariciar a face da amiga.

Depois disso, o silêncio voltou a reinar. E continuou assim, até que se pôde ouvir gemidos de dor saindo da boca de Krys. Ela estava acordando, e havia se mexido.

- Ai... Mas que coisa. O que aconteceu? – Perguntou ela, ainda de olhos fechados.

- Não se preocupe maninha. Você vai ficar bem. – Respondeu Thiago, se levantando e mancando até a cama da menina.

Krys abriu os olhos assustada quando reconheceu a voz. Levou outro susto quando viu Ryan segurando sua mão.

- O que vocês estão fazendo aqui? - Perguntou a menina, se levantando rápido demais.

- Hei hei! Calma garota. Você bateu forte a cabeça. Precisa descansar. – Disse Ryan, tentando empurrá-la para baixo delicadamente.

Ouvindo isso, foi como se caísse um balde de água fria na cabeça de Krys, que a fez se lembrar do por que estava no hospital. Empurrou as cobertas e tentou se levantar na mesma hora, pegando Ryan de surpresa e quase o jogando no chão.

- Eu tenho que ver como a mamãe está! Tenho que ver se ela está bem! – Disse a menina, correndo em direção a porta.

Ryan se recuperou do transe e a seguiu, segurando em sua cintura antes que ela pudesse sair do quarto. Ele fechou a porta e a levou de volta pra cama, junto com alguns ponta pés e xingamentos.

- Que droga Ryan... Me solta seu ruivo idiota! Eu tenho que ir vê-los! – Dizia ela, se debatendo.

- Não. O médico falou que você precisa descansar. Não se preocupe. Ele vira em torno de meia hora para poder dar notícias. – Disse ele, tentando fazer com que ela sentasse na cama, onde já estava Thiago.

- Você não entende. Mamãe está muito mau Ryan. – Disse ela, agarrando a camisa do rapaz e o olhando nos olhos.

Olhando nos olhos da menina, Ryan viu algo que jamais imaginava ver. Ele sabia que a menina tinha uma personalidade forte. Não levava desaforo pra casa, não era fraca e, principalmente, não chorava na frente de ninguém. Mas o que ele viu foi além de tudo. Ela já olhava pra ele com os olhos brilhando em um esmeralda fortíssimo, e uma lágrima escorria pelas suas bochechas. Nem Thiago, nem Edward puderam ver isso, mas ele sim, ele presenciou pela primeira vez um momento de fraqueza de uma garota tão forte.

Krys não queria chorar. Não. Ela nunca fazia isso. Ficava irritada, quebrava tudo, mas chorar, não. Não mesmo. Mas agora, lá estava ela, chorando pela primeira vez na frente de um amigo, de um amigo querido. Ela não queria que ninguém mais visse isso, então encostou seu rosto no peito do garoto e ficou assim por um tempo tentando esconder os soluços, até sentir as lágrimas secarem.

Depois de um tempinho, os dois se separaram. Krys sentou na cama cansada e olhou para o irmão.

- Vai dar tudo certo né? – Ela perguntou, segurando sua mão.

- Sim... Vai sim. – Respondeu o mais velho, a abraçando.

- Tenho que te contar uma coisa. – E se soltando do abraço, segurou a mão do irmão e narrou toda a conversa que teve com o pai.

Thiago e Ryan ficaram um tempo calados, provavelmente pensando no que Krys havia dito. "Por que Harry iria contar isso pra ela? Pra ela se meter em encrencas novamente?" Se perguntava Ryan, olhando a menina diretamente nos olhos.

- Olha, eu sei que vocês não iam gostar de saber que quero resolver isso por minha conta, mas eu quero. Como vocês já sabem, meu rosto já esta marcado para Lucius. Vamos deixar do jeito que está e não deixar que eles se aproximem da nossa família. Eu cuido do resto. – Disse a menina, se levantando e indo de encontro a uma cadeira onde estavam suas roupas, já que ela vestia roupas de hospital.

Krys alcançou suas roupas e, enquanto estava indo de encontro ao banheiro, Edward e Ryan pararam na frente dela, a impedindo de continuar.

- Do que diabos você está falando? – Perguntou Ed.

- Se você acha que deixaremos você ir atrás deles sozinha, está muito enganada. – Disse Ryan.

- É. – Disse Ed. – Eu vou com você. Eu também estou marcado. Seria mais seguro estarmos juntos. – Disse ele, se aproximando da morena.

- Ei...Ei... Espera aí! Eu vou com ela. – Retrucou Ryan.

- Não cara. – Disse Ed. – Você não está marcado. Aproveite que eles só estão procurando os Potter, e deixe sua família a salvo. Sua mãe está grávida. Você precisa cuidar dela e dos seus irmãos.

- E não se esqueça do meu irmão e da minha maninha. – Disse Krys, abraçando Ryan.

Ele a afastou e a segurou pelos braços. Um aperto possessivo, mas não forte. Krys não esperava por isso, e somente ficou fitando a face do ruivo a sua frente.

- Você acha mesmo que eu tenho coragem de te deixar sozinha Krysthiane? Você acha? Pois bem... Se acha saiba que se enganou direitinho. Se vocês quiserem ir, eu irei junto. – Disse ele, olhando fundo nos olhos esmeraldas da mais nova.

- Nenhum de vocês irá a lugar nenhum. – Disse uma voz atrás de Ryan.

Era Draco, que acabara de chegar com Gina e o medibruxo que estava cuidando dos Potter.

- Como disse? – Perguntou Ryan, se virando para encarar o tio.

- Ele tem razão queridos. – Disse Gina, se aproximando dos jovens e abraçando Krys. – Como você está querida? Ficamos muito preocupados quando Ron contou.

- Não se preocupe madrinha. Eu estou bem. – Disse Krys, sorrindo para a ruiva.

- Ok. Desculpe querida, mas ouvimos vocês discutindo que iam partir atrás das pessoas que atacaram Harry e Hermione, mas isso não será possível. Já colocamos muitos Aurores no caso. Você não vai correr riscos desnecessários minha menina. Sua mãe ia ficar louca se soubesse que eu deixei você fazer uma coisa dessas. – Disse ela, sorrindo.

Krys abaixou a cabeça e fitou suas roupas na sua mão. Ela queria muito poder ir. Não gostava de saber que não podia fazer nada. Enquanto se remoia por dentro, ouviu a voz do médico e voltou sua atenção para ele.

- Bem... Gostaria de informar o estado do casal Potter. – Disse o médico. Krys viu Gina abaixar a cabeça e segurar forte a mão do marido. – O caso deles é complicado. Eu e Gina estamos trabalhando duro. Mas estamos achando que não sobreviverão.

Isso simplesmente acabou com a menina. Ryan teve que segurá-la para que ela não caísse. Após ser levada para a cama e colocada ao lado do irmão, o médico sentou a frente dos dois e segurou uma mão de cada.

- Sou médico, e preciso ser franco. Krys, quando eu atirei vocês para fora do quarto tinha um motivo. Ela tinha entrado em um estágio elevado do feitiço. Pouco tempo depois foi a vez do seu pai. Esse estágio trás as alucinações que parecem ser muito reais. Consegui falar com Harry e ele me contou que estava tendo pesadelos, e nesses pesadelos ele via a morte das pessoas que mais ama. Ele via a filha mais nova sendo torturada pelo Crucius. Via você ser violentada, via Thiago morrendo aos poucos, sem contar o resto da família de vocês. Tenho certeza de que Mione está tendo as mesmas alucinações. Não sei no que isso vai dar. Não encontramos nenhum tipo de contra feitiço ou poção que possa ajudar. – Disse o médico, apertando ainda mais as mãos nas suas.

- Será que a Krys não pode ministrar alguma poção? Ela já criou tantas. – Disse Edward.

- Seria impossível. – Foi a própria Krys que respondeu. – Eu precisaria saber qual é o feitiço e quais são os sintomas. Não existe poção universal para doenças e tratamentos de feitiços. – Ela respondeu, de cabeça baixa.

- Você esta pensando em ser Medibruxa senhorita Potter? – Perguntou o médico.

- Não. Mas não custa nada saber sobre tudo. Eu quero ser como meu pai e meu irmão. Adoro me meter em encrenca. Ser Auror combina melhor comigo. – Disse ela, mas sem sorrir. Ela não conseguia achar graça em nada depois da notícia.

- Vou conta uma coisa que acho que vai te animar menina. – Disse seu padrinho, Draco Malfoy. – Com certeza você sabe que eu estou trabalhando de espião para a ordem, me infiltrado na base como comensal.

- O quê? – Disse Thiago. – Como ela sabe disso e eu não?

- Isso não vem ao caso Thiago. – Disse Draco, voltando sua atenção para a menina. – Krys... Eles estão planejando um ataque. Sei quando, como e onde será. Sei que é muito arriscado e que sua mãe vai me matar quando acordar, mas já que você está se mostrando tão empenhada, quero que esteja conosco na hora da luta. – Disse ele, deixando todos dentro da sala de queixo caído.

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N.A: Olá pessoas! Demorou mais chegou.
Bem, quero dedicar o capítulo para minha amiga Juh, que além de estar me dando a maior força, está betando a fic pra mim. JuH! vc deve estar se perguntando... *pq pra mim?* hahahah... eh pq sei q vc eh a favor do casal Krys/Ryan, e tem partes K/R. Por mais q n seja taum romantico assim, q n tenha bjo e nem nada mais profundo, eu achei bunitinhu^^... hahahaha... tem um triângulo amoroso na fic, se vcs n perceberam ainda... xD
Bem, dessa vez eu não pretendo demorar pra postar. Estou de férias, e já comecei a escrever o cap 5^^.
Portanto, comentem bastantee! Quanto mais comentários, mais rápido vem o cap 5.
Bem, eh isso. Obrigada pelos comentários e pelos incentivos.^^
Um beijo, em especial pra minha amiga-irmã Juh (Kagome)!