Bem mais tarde, naquele mesmo dia do treino, alguns golds resolveram dar uma saída para conversar sobre aquele dia e para dar uma arejada na cabeça.

–Eles não são de confiança! – falou Máscara da Morte dando um murro na mesa de um barzinho onde estava com alguns golds.

– Deve ter outra saída, outra maneira de enfrentarmos Tifão e seus filhos sem precisarmos deles. – falou Shura dando um gole em sua bebida.

– Não, infelizmente não há, amigos. – disse Saga pensativo olhando para o copo de whisk em sua mão.

– Então devemos aceitar na boa essa merda? Estou vendo a hora de quebrar as fuças daquele figlio di puttana e não vai demorar. – fechou a cara Máscara.

– Devemos nos controlar amigos, por mais difícil que possa ser. – tentou amenizar Aldebaran.

– Qual é Deba? Tá dando uma de Mu agora? – reclamou Kanon.

– Ele está certo. Temos que confiar na decisão de Athena por tê-los convocado, mas não significa também que temos de confiar neles. Não sei, mas eles parecem tramar algo.- comentou Saga com uma expressão tensa.

– E como poderíamos confirmar isso? – perguntou curioso o taurino.

– Milo. – disse Afrodite sem hesitar.

– O que tem eu, hein?

– Ora, queridinho, já percebemos você arrastando as asinhas pra mulher do outro lá.

– Lá vem você. – contrariou-se o escorpião.

– Até pode ser uma boa usar o garanhão aí como isca. – falou Máscara.

– Eu tenho namorada.

– Até parece que isso te impede de alguma coisa. – falou Kanon arqueando a sobrancelha.

– Mas voltando, percebi também uns olhares da morena para você e infelizmente acho que Abáris também já, mas não vem ao caso. Continuando, você poderia usar esse seu charme e essa sua conversa fiada para algo útil. – completou o pisciano.

– Ela é muito gostosa, se você não for a isca eu mesmo serei. – falou Kanon deixando o escorpião um pouco irritado.

– Tá eu topo. Mas como vamos fazer isso? O carinha lá está na minha cola, vocês viram como ele voou em cima de mim no treinamento, e olha que eu não estava fazendo nada de mais.

– Não deveria subjugar a inteligência dos outros, lindinho. Até a sua namoradinha já viu suas olhadas, se bem que ela também...

– Ela também o quê? – irritou-se Milo com a insinuação do Dite.

– Ai, pela deusa... deixa pra lá. Mas voltando ao que interessa você deverá jogar esse seu charme na gatinha do submundo na maciota.

– Mas ela mal abre a boca pra falar.

– Então não é perfeito? Você fala por ela e por você. Equilíbrio perfeito. – disse Deba dando uma risada abafada.

– Agora é a hora de você usar a cabeça de baixo junto com a de cima, não é fácil eu sei, é quase uma arte, mas sei que consegue.

– Mas vão ter que me dar cobertura com a Lavínia e com Abáris.

– Isso ele tem razão se qualquer um dos dois souber dele com a gostosinha dos infernos vai se ferrar. – disse Kanon

– Por mais louca que seja essa idéia do Afrodite, pode ser a única maneira de sabermos dos planos deles. – falou Saga

– Mas é bom ter cuidado amigo, aquela lá de boba não parece ter nada. – aconselhou Shura.

– É eu sei.

– Então proponho um brinde a nossa isca. – disse Dite levantando o copo e sendo seguido pelos outros.

Todos voltaram para o Santuário, para as suas respectivas casas. Milo se jogou no sofá e começou a pensar no que estava se enfiando. No fundo não estava gostando nada daquela idéia e não se sentia bem pelo fato de enganar Ana. Algo nela mexia com ele e também sentia uma certa reciprocidade vinda por parte dela. Do sofá mesmo olhou para a gaveta onde estava o colar e sentiu vontade de pegá-lo. Gostava de tê-lo em suas mãos era como se pudesse tocá-la de alguma foram. De repente se sentiu mal por ter aceito aquela tarefa, claro que não estava feliz de enganar Lavínia, mas doía mesmo era o fato de fazer isso com Ana. Mesmo sendo a filha de Hades e mesmo com a possibilidade de estar tramando alguma coisa, não queria fazer tal coisa com ela. "Por que eu fui aceitar a fazer essa besteira? Afrodite seu filho da mãe, sempre atento na vida dos outros" pensava enquanto olhava o medalhão. "Vou até lá dizer que eu não vou participar mais dessa loucura." Falando isso, saiu de sua casa e começou a subir em direção à décima segunda, sem se dar conta do colar que ainda se encontrava em sua mão. Subia muito apressado, perdido em seus pensamentos e mal olhava para o caminho a sua frente. Quando chegou perto da décima, seu corpo instintivamente parou o fazendo olhar para cima. Seus olhos foram diretos para os dela. Ana estava a sua frente, descendo na direção oposta. Milo não conseguia dar nem mais um passo ao contrário dela que continuava vindo em sua direção e quando chegou bem perto disse:

– Então foi você que achou o meu colar? – disse dando um meio sorriso deixando o escorpião desconcertado.

– É, eu ia te devolver. Imaginei ser seu mesmo.

A morena o olhava profundamente como se quisesse descobrir seus pensamentos. De repente, Milo sentiu a mão dela tocar na sua onde se encontrava o colar. Seu coração disparou parecendo que ia saltar, fazendo-o transpirar um pouco apesar do frio. Sem se dar conta, a semideusa retirou o colar da sua mão.

– Pode colocá-lo pra mim? – disse se virando e levantando o cabelo para ele poder fechar. Ele estava gostando daquele toque na pele daquela mulher, sentindo vontade de beijar aquele local do colar. – Obrigada. – disse Ana virando novamente para ele.

– Ana você ficou bem depois do que houve lá no treino? – perguntou pegando a morena de surpresa. Não imaginava que aquele cavaleiro poderia se importar com ela.

– Não se preocupe, já estou vacinada com as grosserias dele. E você, como ficou? Ele te acertou em cheio.

– Ah, não foi nada, mas ele só fez isso porque estava desprevenido, da próxima vez ele vai ver só.

Ana apenas sorriu com aquele jeito quase infantil dele. Não podia deixar de reparar como aquele cavaleiro era bonito e não era só isso, ele também não tinha um ar arrogante e tão cheio de si como Abáris e todos os outros com quem estava acostumada.

– Ana, desculpe perguntar, mas vai fazer alguma coisa agora?

– Bem... eu ia dar apenas uma volta para pensar um pouco.

– Está bem tarde.

–Sim, eu sei. É que a lua a essa hora da noite fica num ponto interessante no céu e gosto de admirá-la, especialmente quando ela se encontra nessa fase. Então, por que quer saber afinal?

– Se incomoda se eu for com você? – perguntou hesitante.

– Não me incomodo. – respondeu firmemente.

Os dois foram descendo as casas em silêncio. Chegaram em um ponto mais alto do lugar, perto onde os treinamentos ocorriam. De fato, a visão do céu observado daquele ponto era muito belo, porém não conseguia parar de admirar a mulher ao seu lado. Ana ficava mais linda ainda quando estava distraída com aquela paisagem que refletia em seu olhos acinzentados e iluminava a sua pele morena. Seus lábios eram avermelhados dando mais cor ao seu rosto. Ventava frio e Milo pôde notar o corpo dela reagir.

– Está com frio. Quer voltar?

– Não vou ficar mais um pouco se quiser você pode ir. – disse batendo o queijo.

– Não eu não posso ir. – disse Milo deixando a semideusa curiosa.

– Não? Por quê?

– Porque está com frio e vou te aquecer enquanto continua a observar a lua. – disse se aproximando e abraçando a morena por trás deixando-a com um misto de irritação pela ousadia e ao mesmo tempo confortável por estar nos braços daquele cavaleiro.

– Sua namorada não vai gostar nada disso.

"Droga, ela tinha que falar na Lavínia" pensou Milo.

– Ela não é bem a minha namorada, sabe. Eu tenho é que me preocupar com o seu.

– Não tenho nada com Abáris. – falou secamente.

– É que ele...

– Ele não sabe perder, apenas isso. – disse Ana com um tom de voz alterado.

Milo percebeu que eles já tinham tido algo e isso a incomodava. Como em um instinto a abraçou mais de contra seu corpo, ficando bem colado a ela, podendo sentir um pouco das suas curvas apesar da roupa de frio. Ana por sua vez estava sem defesas por estar envolvida por aqueles braços, sentindo a respiração desritmada dele e por sentir seu volume de contra seu corpo. Fechou os olhos e se aconchegou por fim nele. Milo sentia que Ana estava relaxada e entregue em seus braços. Resolveu investir um pouco. Com seu rosto perto do pescoço, começou a roçar os lábios na pele macia dela e ao mesmo tempo sentia seu perfume. Uma de suas mãos envolveu a mão dela enquanto a outra começava a acariciar a região do abdômen dela. Ana mordeu os próprios lábios com aquele toque sendo percebido por ele. Milo beijava o pescoço de Ana, dando leves chupadas em sua pele e arrancando suspiros por parte da semideusa. Sem pensar, Ana vira ficando de frente a ele e em um impulso, o cavaleiro a beija intensamente. A morena retribui com a mesma intensidade. O escorpião a segura pela cintura com uma mão, enquanto a outra acaricia suas costas descendo até as nádegas, arrancando gemidos da semideusa, deixando-o mais excitado. Ana passa também a explorar o corpo daquele homem, colocando a mão por debaixo da sua jaqueta, sentindo seu abdômen bem definido e indo para as costas, dando leves arranhadas, fazendo-o se arrepiar. Cada toque dela fazia seu corpo reagir violentamente, enquanto o toque dele a fazia perder completamente a razão. Eles nunca tinham sentido tal coisa. Os seus corpos pareciam ter uma necessidade crescente de estarem juntos, era se como pedissem isso. As carícias foram se tornando mais vorazes, Milo já tinha jogado a jaqueta no chão e a blusa da semideusa já estava desabotoada, expondo seus seios fartos em um sutiã preto de renda. O frio parecia não existir mais para eles, seus corpos estavam queimando de desejo por dentro. Milo a encostou em uma árvore e começou a beijar o seu colo, enquanto apertava um seio ainda coberto. Ana colocava a cabeça para trás enquanto passava a mão pelos cabelos dele. Quando o cavaleiro ia expor o que tanto desejava, viu a pedra no colar dela brilhar. Ana rapidamente o afastou e abotoou depressa a roupa.

– O que está acontecendo? – perguntou o escorpião intrigado.

– Preciso ir.

– Não sem antes me dizer o que está acontecendo.

– Me Solta! Já disse que preciso ir. – falou de forma imperativa. Os olhos dela de cinzas adquiriram um tom avermelhado, com rajadas escuras, assustando o cavaleiro. Ana saiu rápido dali, deixando o cavaleiro para trás. Ela correu o mais rápido que pôde e quando estava a uma boa distância dele parou. Seu colar brilhava mais intensamente agora e uma luz esverdeava a rodeava.

– Anaplekte.

– Pai.

...

Continua...