VII – I Wanna Be Where The Boys Are

Se eu não estivesse vendo seu tórax subir e descer, diria que Rachel passou dessa pra melhor. Ela está esticada na minha modesta cama de casal, que mais parece uma caixa de fósforo, completamente adormecida, ainda que meu relógio esteja marcando 14h20. Não sei se a desperto, ou não. Ela é uma garota certinha, a noite passada deve ter sido a mais louca de todas que ela já passou acordada, então sei por experiência própria que seu corpo e mente necessitam de um pouco mais de cansaço para se livrar da ressaca.

Antes que Sam me ligue, pulo pra fora da cama. Preciso de outro banho, pois ainda estou com o aroma nada agradável daquelas pessoas bêbadas que me rondaram no bar. Não estou com cem por cento da minha disposição habitual, mas me obrigo a ocupar a mente. Sei que faltam poucas horas para alguém aparecer e me colocar de novo dentro da nossa van, por isso preciso me desinfetar o mais rápido possível, me sentir mais uma vez limpa e comum. Sigo para o box e não me preocupo com mais nada. Minha cabeça lateja um pouquinho, mas faço uma nota mental de engolir algum remédio apropriado depois de terminar minha ducha. Quando retorno ao quarto, uns dez minutos depois, Rachel mudou a posição: está meio encolhida, alisando o lençol. Está acordada, mas acho que não está muito operante. "Garota Hobbit?", pergunto, enxugando meu cabelo sem muito cuidado. "Rachel?", pergunto mais uma vez, e agora ela dá sinal de alerta. Seus olhos se deslocam pelo quarto e me focalizam, meio turvos. "Hey", ela diz, piscando trôpega. "Você tem algum comprimido para essa minha dor de cabeça?", ela choraminga em seguida, a voz um fiapo. "Tenho. Quer tomar outro banho?".

Rachel não responde, e isso me leva a pensar que caiu no sono de novo. Seus olhos estão semicerrados e vigiam o espaço. Seus dedos continuam a deslizar pelo lençol. "Rachel?", inquiro mais uma vez, enquanto dispo minha toalha do corpo. Ela olha para mim sem realmente me ver, ou assim parece. Então ela se ergue e fica sentada, olhando para os lados. "Você tem bailarinas. Você não parece uma menina de bailarinas de louça", ela comenta, apontando para as minhas três bailarinas de porcelana que estão em uma prateleira que Puck firmemente pregou assim que me mudei para cá, acima da TV antiga, que está num canto meio ofuscada pela toalha colorida na qual está sendo envolvida. "Não pareço muita coisa pra você", respondi. Ela me olha e então se levanta, meio lacônica; se desiquilibra, afinal há menos de oito horas estava mais bêbada do que jamais estive, e volta a cair na cama. Olho tudo de onde estou. Ela desata a rir, e então leva as mãos na cabeça. "Ai", resmunga. "Chega mais perto, não estou vendo o que está escrito aí", ela aponta para meu corpo ainda despido. Por que ainda não coloquei as roupas? Vai saber. Quer dizer, está quente aqui dentro. Observo minhas costelas. "Não está escrito nada. Não são palavras", digo. "Uau, você está muito bêbada ainda, hein?", rio um pouquinho. "Venha cá", Rachel projeta o corpo um pouco para frente e chega até a mim; me puxa em direção à cama, em frente de seus olhos. Suas pontas dos dedos alisam minha pele marcada pela tinta com leveza. Reprimo a vontade de estremecer, mesmo que esteja com calor. "São... Notas musicais?", ela inquiri, de olhos atentos nas tatuagens. "Yep", confirmo rapidamente. Preciso me afastar, esse toque dela me incita de um jeito esquisito. Ainda parada à sua frente, observo-a inspecionando meu corpo inteiro.

Ela diz: "Por que fez aí, se ninguém pode ver?". Dou de ombros, indiferente. Agora me afasto e vou à arara de roupas. Escolho um vestido estilo vaqueira curto demais para uma vaqueira de verdade. Ainda estou pensando em sua pergunta. "Não costumo me abrir muito às pessoas". É a resposta verdadeira. Estou sendo sincera com ela. "Então, apenas as pessoas com quem tem confiança têm autorização para vê-las", Rachel termina meu raciocínio. Pego-me pensando que Rachel não está me importunando tanto quanto eu gostaria. A questão é que me enjoo muito rápido e fácil das pessoas. Duas, três horas se passam, e eu já estou formulando uma desculpa plausível para me livrar da minha companhia. E não me arrependo depois, acho que isso é o mais desprezível e mim. Eu não me importo de ser uma vaca com as pessoas. Mas a garota Hobbit... Há quantas horas estamos grudadas? Há mais de doze! Apesar de todas as minhas contastações durante a madrugada sobre ela, Rachel ainda não me fez querer colocá-la para correr das minhas vistas. Eu posso suportar a garota Hobbit. Isso é esquisito. Nem somos do mesmo tipo de mundo.

Ofereço uma aspirina à ela, depois que já estou pronta para preparar algo para comermos. "Obrigada", ela diz. Caço o pote de pasta de amendoim do armário e distribuo camadas uniformes dele em cima de duas torradas amanhecidas. Rachel e eu as engolimos em silêncio, mas posso sentir seus olhos amendoados me examinando. No ápice do meu desconforto, deixo escapar: "O que foi?". Rachel enfia um pouco mais de comida na boca, mastiga e só depois responde. "Você tirou aquelas coisas da cara. Você fica muito melhor assim". Pisco, meio atônita. Não sei se isso é um elogio. 'Melhor', em seu contexto, significa 'bonita', ou quê? Quer dizer, não que uma garota não possa achar outra bonita. Eu faço isso o tempo todo, olho para as garotas e as classifico como lindas ou bonitas. Mas Rachel? Porque ela diria uma coisa dessas a mim? Mas esses pensamentos são espantados assim que ela me surpreende mais uma vez. "Por que o Robert achou que eu sou a garota nova? Eu nem me visto como você", Rachel disse.

Oh, droga.

Certo, é justo contar a ela, já que parece que iremos ficar juntas por mais algumas horas. Mas como contar? E se ela disser que precisa ir embora porque se lembrou que precisa fazer algo que, na verdade, não existe? Não que eu me importe. Ou talvez... Bem, o que tem de mais? É, essas horas foram boas com ela. Acho que suporto mais algumas horas em sua companhia.

Seu rosto está impassível, mas seus olhos continuam em mim. De repente, me sinto meio sem graça. É a primeira vez que isso acontece nesse tipo de circunstância.

Sim, eu me sentia atraída por garotas, daquelas que nada tinham a ver comigo, ou então daquelas que tinham tudo a ver comigo. Às vezes, elas eram agressivas e sedentas por atenção; às vezes, eram tão companheiras e tranquilas quanto um bicho preguiça. Mas elas estavam sempre à minha espreita. Gostava de tê-las por perto. Gostava da forma como reagiam a mim. Surpresas, um pouco desconcertadas e muito pouco arredias. As agressivas se entregavam fácil, as outras, muitas vezes, eu tinha de batalhar para conquistar. E não era uma fase. Não como uma de pacman, que nos livramos e logo esquecemos. Eu sempre fora considerada esquisita pelos padrões familiares. As amigas da minha mãe diziam que eu não me parecia nada com uma menina comportada, embora eu fosse. Meu cabelo sempre despenteado e minhas roupas rasgadas delatavam o contrário: eu era um pouco rebelde mesmo sem saber. E foi aos quinze anos, eu acho, que tomei aquilo por inteiro: se já me consideravam rebelde sem nem mesmo me conhecerem, então eu o seria ainda pior. Foi quando cortei meu cabelo e o tingi pela primeira vez de azul-claro. Minha mãe chorou quando me viu, parada da soleira da porta. "Supere isso", eu tinha lhe dito. Eu já tinha superado tantas coisas entre nós, que meu cabelo tingido me parecia um cisco de problema.

Por isso, eu tenho uma sucessão de 'novas garotas'. Se não estou com elas, estou na cama de Puck. Então essa é a minha vida. Sou a garota vadia que anda com outras garotas. É uma vida razoável a se aceitar, na verdade. Não devo nada para ninguém, estou sendo quem sou. E feliz. Um pouco feliz, ao menos. Com as garotas, aproveito a minha vivência.

"Eu gosto de garotas. Não, na verdade eu as amo", eu lhe digo. Não estou envergonhada. Ela me olha sem nenhum tipo de filtro: não há fingimento quando seus olhos delatam toda a sua surpresa. "Oh", ela murmura. "Então ele achou...", ela começa. É uma situação esquisita, por isso atropelo sua frase: "É. Mas ele estava errado". Rachel inclina a cabeça. "Estava", sua confirmação é baixa, quase como um sussurro. Não sei o que isso pode significar. As camuflagens que essa garota usa não me deixam identificar nada mais do que há a minha frente: uma garota certinha, meio virgem, se recuperando de uma ressaca, os olhos um pouco fundos e que exala o aroma do meu sabonete. "Bem, de tal um pouco mais de ação?", pergunto. "O quê? Entre nós?", suas sobrancelhas estão franzidas, e sua voz está tingida de censura. "Eu não sou como você", ela garante. Começo a rir. Essa garota é tão idiota. "Não entre nós", rolo os olhos, explanado melhor. "Vamos sair por aí, antes que os meninos apareçam".

"Vamos para onde?", seus olhos estão curiosos.

"Vamos terminar aquela sua fase no Sírius".

Rachel sorri.

VIII – Little Lost Girls

Estou ao seu lado, enquanto ela joga pela décima vez. Robert está na loja, muito longe de nós. Há outras pessoas aqui também, querendo perder seus tempos como nós.

Ela está feliz; um pouco ainda catatônica, mas feliz. Não se importa mais com o que me ouviu dizer sobre as garotas. Ela continua sendo a garota Hobbit. Às vezes vira para mim e diz coisas como "Você viu? Estou ficando muito melhor!", ou então "A próxima fase é você, se prepare". Mas eu continuo aqui, olhando-a jogar repetidas vezes. Ela gostou mesmo desse jogo. É esquisito. Onde Rachel mora, o que faz, com quem vive? Não sei dizer nada disso. Ela sabe praticamente tudo a meu respeito, e eu não sei nada sobre ela. Se eu sou fechada, então é bem pior. Quer dizer, certo. Ela confessou que já teve um namorado, ou algo assim. E que é tecnicamente virgem. E daí? Isso não diz nada a respeito dela. Só que ela é uma em um milhão.

Os garotos chegam, aos gritos, porque aparentemente alguma coisa importante aconteceu. "Atingimos os 10 mil!", Puck grita no meu ouvido enquanto me rodopia. Algumas pessoas ali presentes fazem um high five com Sam, especialmente as garotas. Mike, o mais calado, apenas observa tudo com um sorriso. "Uma rodada de vodca pra todo mundo por minha conta!", Robert sai de sei lá onde e grita. Depois some outra vez. Todo mundo grita. Rachel está rindo perto de mim. "O que está acontecendo?", ela me questiona. "Nosso primeiro vídeo tem 10 mil visualizações", explico. Quero abraçá-la, mas não sei como ela pode reagir. Certamente acha que pode ser a minha próxima nova garota. Mas não preciso me preocupar: assim que ofereço a minha explicação, sua boca se abre e ela dá saltinhos. Então me engolfa num abraço gratificante. "Que maravilhoso, Quinn!", Rachel exclama perto da minha orelha. Ela está gritando, mas para mim sua voz se parece com aquele sussurro de antes. Sorrio enquanto seus braços estão ao meu redor. Não sei por que essa reação acontece, mas gosto disso. Quando me solta, ambas estamos sorrindo. Ela desvia os olhos de mim para dar atenção aos meninos. Eles a abraçam como se fosse eu, com muito carinho e alegria. Se Rachel nunca se sentiu inserida em nem um grupo, agora pode sentir essa sensação tão boa. É como sempre me sinto quando estou com os meninos, inserida de forma inegável em uma relação que nunca vai se esvair, nunca vai se cansar. Porque me cansar de Sam, Puck e Mike é uma coisa inimaginável. Meio que crescemos juntos, enfrentamos muitas situações horríveis juntos para nos separarmos.

"Quero ver", Rachel diz. Agora fico meio retraída, não esperava por isso. Aliás, por que estou tão cheia de sentimentos controversos? Eu nunca fui retraída, ninguém nunca me deixou sem graça, nunca quis tanto abraçar alguém. "Depois, garota Hobbit", Puck fala. "Porque agora temos que ir".

"Ir para onde?", Rachel quer saber, confusa. Olha para mim, mas por algum motivo finjo que não vejo seu olhar.

"De sábado vamos cantar para as crianças de um retiro", ele explica. Obrigada, Puck.

"Retiro de quê?", ela pergunta. "Meio que retiro de férias, eu acho. Elas crianças são deixadas lá enquanto os pais viajam, ou algo assim", Sam diz. "Awn! Adoro crianças!", ela não deixa de declarar.

Entramos na van, minutos depois. Como a madrugada inteira, eu e Rachel somos deixamos a sós no compartimento de carga. Mas os materiais como a bateria, as guitarras e o baixo não estão lá. Rachel percebe isso e inquire: "Cadê os instrumentos?". "Só usaremos os violões, é uma coisa meio acústica. Afinal, são crianças", responde de forma mecânica. "Gosto de cantar assim também", ela diz. Isso me faz parar de analisá-la apenas como mais uma. "Você canta?".

"Claro! Estou na NYADA. Já enfrentei duas Amostras de Inverno", ela me fala com ar de quem está meio ofendida e surpreendida. "NYADA? Uau", é tudo o que tenho a dizer. Intimamente, estou ainda MUITO surpresa. Caramba, quem é essa garota? Ela é muito mais do que penso ser. "Não me diga que você está pensando em estrelar na Broadway", estou rindo fracamente. Estou sendo ridícula. Não acho certo debochar ou julgá-la desse modo, mesmo que ela já tenha feito isso comigo. Porque ela está um pouco com a razão: acho que tento impor as minhas crenças a todos. E isso, de modo algum, é certo. Ela pode ser uma em um milhão, mas não age como se fosse o máximo. Mesmo que tenha entrado na NYADA. Mesmo que sonhe com a Broadway. Aliás, sonhar com a Broadway é apenas para os corajosos. Certamente, Rachel é um pouquinho especial, agora. "É o que amaria fazer pelo resto da minha vida. Tipo a Julie Andrews", Rachel fala. Uau. Isso com certeza é um giro de 180 graus.

Então quer dizer que enquanto Rachel estuda para pisar nos palcos de musicais, eu saio pelas noites cantando para qualquer um e achando que minha vida está ótima assim?

Impressionante.

Sinto-me um nada agora.

Eu é que sou a garota uma em um milhão.

"Tenho certeza de que vai conseguir", é o que lhe digo. Não poderia lhe dizer algo diferente. E isso vem do fundo do meu peito, carregado de muito carinho e admiração. Conheço esta garota há menos de 24 horas e já a quero para mim. Quer dizer, não daquele jeito. Mas a quero para mim, para sempre, como amiga. Ela é tão especial. Eu nunca me sinto assim. Apesar de me apresentar em lugares horrorosos e escutar alguns aplausos no final (e isso é sensacional, levando em conta as pessoas para as quais sou obrigada a cantar), nunca me senti especial. Gratificada e feliz? Com certeza. Mas especial? Não, nunca. Eu sou apenas mais uma rebelde que corta as noites de NY com uma van dirigida por garotos.

Rachel me sorri. É um sorriso alegre, que diz muita coisa.

Beth é a primeira que vem ao meu encontro. Ela sempre está no retiro, porque seus pais são embaixadores de algo e sempre estão viajando. Diria que se ela se recorda das feições de seus pais já é uma vitória. Nunca os conheci, apesar de muitos pais fazerem questão de nos conhecer – e nunca, acredite ou não, ningué disse algo desagradável para mim. "Kim!", é como ela pronuncia meu nome. Com três anos, ela ainda não domina todas as letras juntas. "Hey, querida", aperto seu corpo contra minhas pernas. Ela é tão pequena. Os meninos a pegam no colo e fazem perguntas bobas a ela. Ela assente, muito comportada, e quando Puck corre com ela de cabeça para baix, ela quase desmaia de tanto rir. Já dentro de uma das salas de recreação, a Sra. Pillsbury, juntamente com seu marido, nos esperam. "Sabem das regras, certo?", a Sra. Pillsbury me pergunta severamente. Nós sabemos das regras. Elas estão pregadas perto do quadro-negro em letras garrafais muito visíveis. "Relaxa, Emma", Puck diz. Sr. Schue lança um olhar de advertência a ele na mesma hora. Sr. Schue é meio que cheio de regrinhas esquisitas: não se pode correr, não se pode liberar as crianças mais cedo, não se pode tratar sua esposa pelo nome. "Desculpe", Puck fala e finge estar ocupada com a tagarelice de Beth.

"Quem é a garota nova?", Sr. Schue me pergunta, se referindo à Rachel. Ela, que está atenta a mim e a todos, logo responde: "Não estamos juntas". Olho-a desconcertada, meio sem jeito. "Não, ela não está na banda", respondo. Nisso, Rachel percebe o erro que cometeu e olha para o chão. "Certo. Bem-vinda, mesmo assim... Ahn...?", Sr. Schue tenta alcançar a mão de Rachel, mas ela está distraída. Ela ergue a mão, meio atrasada. "Ah, oi. Rachel", ela diz, nervosa.

"Bem-vinda, Rachel", Sr. Schue fala. Ele e a esposa se distanciam e nos deixam com as crianças. São onze nessa tarde, cinco a menos que no fim de semana passado. Rachel me toca o pulso, lentamente. "Desculpe. Eu achei que...", ela tenta me dizer, sem saber quais palavras usar. "Não importa. Está tudo bem", acabo mentindo. Meu estômago está meio revirado e gélido. Sr. Schue e Sra. Pillsbury não sabem da minha preferência sexual e prefiro manter as coisas assim. Se as crianças pescarem algo, vai ser esquisito tentar explicar a elas. Como dizer que, não, não há nada de errado em amar de verdade a sua melhor amiguinha? Elas são crianças demais para entender.

Eu e os meninos sentamos no tablado da sala; eu e Puck seguramos os violões. As crianças e Rachel estão dispostas à nossa frente, atentas e curiosas. Olho para Rachel, e ela me retribui com os dedões levantados e com um sorriso. Escondo meu sorriso com uma tossida rápida. Alguém desliga a luz forte e alguma daquelas ferramentas que se parecem com abajures com luzinhas estroboscópicas coloridas é acionada. Tudo fica meio escuro, mas colorido. Os feixes batem em todos e deixa tudo muito bonito. Parece um clima muito favorável às canções acústicas que escolhemos.

Eu sorrio diversas vezes enquanto canto. Fixo meu olhar nas crianças, em seus rostos encantados. Elas estão vidradas em mim, na minha voz. Ninguém é capaz de soltar uma só exclamação enquanto estou empenhada. Estão todas atentas. Desloco minha atenção para Rachel. Sua boca está entreaberta e seu olhar carrega um brilho que cava um buraco no meu coração. Não é um buraco que me faz ficar repentinamente vazia. Na verdade, é um tipo de buraco que consegue preencher tudo o que me falta. Sou preenchida por um calor que sobe pelo meu rosto. Estou ardendo. Ainda bem que há pouca iluminação, assim ninguém pode constatar meu rubor.


Olááá! Um pouco mais de Faberry pra vocês! (:

Não deixem de comentar, amo quando há gente interessada! ;)

Love, Nina.