Parte 4: O Primeiro Aluno
Alguns dias se passaram desde que Camus chegou na Sibéria.
Katya chegou na casa de Camus e percebeu que na caixa de correio havia uma carta.Ela leu o envelope e viu que o remetente é o Santuário e que aquela linda carta com letras vermelhas e douradas com o brasão de Athena e do Santuário,era para Camus.Imediatamente ela entrou pela porta da frente,e viu Camus que descia as escadas.
-Bom dia,Katya!!-Camus bocejou um pouco,e em seguida percebeu um olhar animado na moça.
-Bom dia,Camus!!Trago novidades para você!Esta carta chegou hoje e é sua!Acho que é do Santuário,olhe!!-Ela entregou a carta para ele,enquanto tirava o casaco e o pendurava atrás da porta.
-Obrigado,estava mesmo esperando por isso!!-Camus sentia que estava próxima a chance de poder ter seus próprios alunos.Ele abriu a carta cuidadosamente,desdobrou o papel,e em seguida a leu.
Katya também sentia uma pontinha de ansiedade,pois gostaria muito de saber o que o Santuário reservava para Camus,e se ele teria logo novos alunos.
A carta assim estava escrita:
"Prezado Cavaleiro Camus da Décima Primeira Casa Zodiacal do Signo de Aquário:
Eu,o Mestre do Santuário,em nome da nossa Venerável Deusa Athena,venho por meio desta,informar que o seu jovem pupilo Izack,que deve ser treinado nas artes do cosmo pelo digníssimo Cavaleiro de Ouro Camus de Aquário;deve chegar em breve neste vilarejo da Sibéria em que vossa senhoria se encontra.
Junto desta carta,chegará também uma carga,contendo a armadura de bronze da Sagrada Constelação de Cisne,na qual deverá ofertar ao aluno que tiver a melhor aptidão para passar no teste que deverá nele(s) aplicar.
O conteúdo do teste e o treinamento é por total e exclusiva responsabilidade do Cavaleiro de Ouro,Camus de Aquário. Apenas sendo indiretamente supervisionado pelo Santuário.
Quaisquer problemas,ajudas,dúvidas ou incidentes devem ser reportados diretamente ao Santuário,através de cartas,ou outros meios.
Assinado: O Mestre do Santuário,em nome da Grande Deusa Athena."
Camus terminou de ler a carta e ficou um pouco pensativo...
-O que diz a carta?É algo muito importante...-Ela viu que ele demonstrava pelo olhar estar tentando refletir sobre certas coisas.-Ai,desculpe se eu estou sendo inconveniente com meus comentários!!-Seu rosto corou e ela desviou o olhar.
-Não precisa se desculpar,Katya!-Ele deu um sorriso confortador e simpático,pois viu que ela poderia ficar magoada.-Aqui nesta carta não tem nada demais que você não possa saber!É que o Santuário está me informando que logo um novo aluno virá aqui por essas dias e chegará em breve.O nome dele é Izack e tem sete anos,e veio de Moscou. –Ele entregou a carta para que Katya possa vê-la também.- Hum...por acaso você viu uma caixa grande lá fora?
-Uma caixa,você disse?Eu devo ter passado direto e nem percebi!!-Ela lê o conteúdo da carta e verifica que ali menciona uma caixa.
-Sim,está escrito aí mesmo!!Estão falando que junto com esta carta vem também uma caixa com a armadura de bronze de cisne.-Disse Camus apontando para a carta que está na mão de Katya.
-Então deve estar lá fora e eu não vi!!-Ela entregou a carta para Camus e olhando para ele com uma expressão de preocupação.
-Calma,que nós iremos procurar!!-Ele tranqüilizou a moça enquanto abria a porta com a mão direita e com a esquerda guardava a carta no bolso do seu casaco.-Vista logo seu casaco,está frio lá fora!-Ele tirou o casaco dela que estava pendurado atrás da porta e entregou pra ela.
Realmente estava um pouco frio,em constrate com o calorzinho aconchegante do ambiente da casa de Camus.
O ar gélido fazia com que a respiração deles deixasse sair um vapor que se espalhava ao redor do lugar onde estavam.
Katya esfregava as mãos enquanto Camus olhava pra os lados,pelos cantos da varadinha.Não achando nada ali,olhou uma árvore que ficava bem perto da caixa de correio.Embaixo dela estava de fato uma caixa forrada com um grosso papelão e cheio de selos e carimbos.Ela estava amarrada com fita adesiva por vários lados.
Camus se aproximou da caixa e a examinou,deslizando sua mão sobre ela;e em seguida leu algumas informações contidas nela.
-É do Santuário mesmo,não tenho dúvidas!!Katya,venha cá ver isto!!-Ele fez um gesto com a mão,a convidando para dele se aproximar.
Ela observou atentamente a caixa;e então,com as duas mãos tentou empurrá-la,mas não conseguiu.
-É muito pesada,Camus!!-Seu rosto ficou corado com o esforço de tentar empurrá-la.
-Chegue um pouco para o lado,eu vou tentar carregá-la!!Enquanto isso,abra a porta de casa para mim,por favor!!
Katya balançou positivamente com a cabeça,e foi até a varanda,onde abriu a porta da casa,deixando-a totalmente aberta.
Camus se agachou,segurou a caixa com os dois braços posicionados e as duas mãos firmes,e com um único impulso,levantou-se de súbito erguendo a caixa na altura do seu peito.Ele andou até a varanda e então entrou dentro de casa.Katya depois entrou e fechou a porta.
Camus procurou um lugar no meio da sala que estivesse livre de obstáculos e pôs a caixa no chão.
Ele estava com o rosto corado,o coração pulava freneticamente dentro do seu peito.Em seguida,ele sentou-se numa poltrona cor de caramelo que ficava próxima da caixa,suspirando então.E olhou para a caixa com calma.
-A caixa está bem protegida!!Posso sentir isso!!Vamos abri-la logo!!-Ele levantou-se,se aproximando dela.
Katya trouxe uma faca para abrir a caixa e as fitas adesivas.
-Quer ter a honra,Cavaleiro?-Katya disse com um lindo e simpático sorriso.Enquanto oferecia a faca para ele.
-Sim,mas você vai me ajudar!-Ele pegou a faca da mão dela e devolveu-lhe o sorriso.
Eles rasgaram o papelão da caixa e removeram as fitas adesivas,revelando uma caixa de madeira de pinho.
-Uma caixa de madeira?!Você pode usar seu poder para abri-la?
-Acho que não é necessário,Katya.Isto aqui com um martelo basta para abrir.E além disso,seria muito desperdício usar meu cosmo para uma coisa tão mínima...-Camus tinha a completa consciência que seu poder não é feito para coisas mundanas,e para se exibir,como muitos outros cavaleiros que já viu no Santuário fazerem.Ele acha isso um acinte.
-Ah...que pena...Gostaria que um dia desses você me mostrasse o seu poder,eu queria tanto ver...-Seus olhos brilhavam de espectativa.Ela queria muito saber como era um cosmo de verdade.
-Sim!Um dia desses eu prometo à você que mostrarei o meu poder e você irá gostar!-Ele sentiu que ela ficou um pouco desapontada por não poder ver seu poder aquela hora e como estava sentindo que gostava da moça e não queria vê-la triste,deu um sorriso pra confortá-la e prometeu a si mesmo que numa boa oportunidade iria mostrar seu poder pra ela.
-Obrigada,Camus!!-Ela sorriu e foi até um armário abrir uma gaveta,de onde tirou um martelo e o entregou a Camus.
-Isto com certeza irá servir!!Muito bem,Katya,veremos enfim a caixa!!
Camus retirou todos os pregos e abriu a tampa da caixa de madeira,revelando em seu interior uma reluzente caixa metálica e algumas palhas que a amorteciam.
Ele passou a mão dentro da caixa,separando a palha pra o lado,a vim de visualizar a caixa da armadura.Então com as mãos puxou pra fora a caixa metálica e em seguida a descansou em cima de uma mesa grande que fica na sala.
-Então esta é a famosa armadura de Cisne que diz na carta?-Katya ficou emocionada e maravilhada por ver uma caixa tão linda e com belos desenhos de um cisne nas laterais.
-Sim,é ela mesma,Katya!!-Ele sorriu pra moça,enquanto deslizava sua mão pela caixa. –Quer vê-la?Existem duas maneiras de abri-la:Uma é por aqui,manualmente como estou fazendo agora.-Ele levantou a tampa da armadura delicadamente.-E a outra,é usando o cosmo.Mas só o verdadeiro dono que poderá usá-la e não sou eu!-Ele retirou as partes da peça da armadura,uma a uma e as pôs em cima da mesa pra Katya ver.-O que acha dela?Bonita..não?
-É realmente linda...-Seus lindos olhos lilases brilhavam demonstrando surpresa e fascinação por ver a armadura tão bela.-Vai ser do tal Izack esta armadura?
-Talvez...se ele realmente a merecer...-Ele montou a armadura de Cisne com as mãos e a deixou com o formato de um cisne,toda montada e completa.-Vou aplicar um teste no final do treinamento,e se ele for digno de usá-la,a armadura será dele.
-Mas e se ele não passar?Quem ficará com ela?-Katya tocou na armadura e sentiu nela um poder que emanava de dentro dela,um poder que passava uma sensação boa,intensa e agradável.
-Um outro aluno...O Santuário se encarregará de escolher outra criança para que eu a treine.A armadura deverá ter dono sim.Ela não poderá ficar vaga por muito tempo,porque Athena precisa de ter seus defensores sempre em prontidão.É bem possível que eles me mandem mais alunos...
-Camus pensativo por uns instantes,enquanto olhava a armadura.
-Então eles podem mandar a qualquer momento outro garoto além desse tal Izack?-Ela ficou fitando Camus,para tentar descobrir o que ele tanto pensava.
-É bem capaz mesmo que eles me mandem mais crianças para eu treinar,e que as treinem simultâneamente.Pois soube de casos de Cavaleiros que tinham até 12 alunos ou mais!!
-Nossa,isso tudo?!-Ela ficou tão admirada por ouvir isso que ficou pensando em ter que cuidar de 12 crianças ao mesmo tempo e por um instante ficou preocupada em ter que arranjar espaço e comida pra tanta criança.
-Calma que acho que isso não deverá acontecer conosco!!-Ele viu o quanto ela ficou preocupada e olhou em seus olhos com uma expressão amiga e serena para tranqüilizá-la.-No máximo,o Santuário nos poderá mandar umas 4 ou 5 crianças...
E creio que você poderá dar conta de 4 crianças,sinto que você é uma ótima moça,uma boa pessoa;e nesse pouco tempo que a conheço,posso sentir isso!-Ele segurou os ombros da moça e sorriu com seus olhos pra ela.
-Obrigada...Camus...-Ela corou ao ouvir tais palavras vindas dele,e se sentiu ao mesmo tempo bem por ouvi-las.
Camus guardou a armadura dentro da caixa metálica e em seguida a fechou.
E enquanto Katya foi para a cozinha preparar o café da manhã,Camus jogou fora a caixa de madeira,num canto fora da casa,onde ficam restos de madeira,próprios para serem usados na lareira;e depois entrou na casa.
Camus e Katya foram fazer seu desjejum na cozinha.
Katya preparou além do café,dos biscoitos e salsichas de costume,fez também uma surpresa para Camus:Crepe Suzette!Uma receita que ela mesma pesquisou em um livro de culinária francesa na biblioteca da cidade,à fim de agradar Camus,que estava tempo longe demais de sua terra natal.
-Você fez isso por mim?Está muito bom...obrigado!!-Ele ficou bastante comovido com a intenção da moça de fazer este prato para ele. –Eu não como isso há muito tempo!!
-Fico feliz que tenha gostado!Quero que aqui se sinta bem à vontade,e que se sinta feliz vivendo conosco!!
-Obrigado,Katya!-Ela deu um sorriso e em seguida,tocou a mão dela,de modo bem delicado.
-Tem mais café aqui também,tome!!-Ela ficou corada e com um pouco de vergonha,pois gostou do toque suave de Camus em sua mão,mas pra disfarçar ela mudou rápido de assunto.
Assim que terminaram seus desjejuns,foram até a sala,onde a armadura estava em cima da mesa.
-O que vai fazer com ela,Camus?
-Você vai ver...Vista seu casaco agora e venha comigo que eu vou te mostrar uma coisa!!
Os dois vestiram seus casacos,e enquanto Katya abria a porta,Camus pôs a armadura de Cisne nas costas,como se fosse uma mochila,pois as armaduras possuem tiras grossas de couro que servem para apoiar as armaduras nas costas,como uma alça.
-Agora vamos até aquela colina,onde você me mostrou naquele dia,perto de onde há uma geleira.
Os dois seguiram por aqueles caminhos sinuosos,com algumas árvores coníferas e umas poucas árvores com brotação de folhas.Algumas das árvores com neve envolta nelas.
Ao chegarem no lugar depois de vários minutos,Camus tira a armadura de seus ombros e a descansa no chão.
-Aqui é realmente um bom lugar pra ela.Um campo bonito com neve,e mais adiante e uma geleira ali.-Disse apontando para a geleira.-Venha comigo!!-Pegou a armadura e foi com ela pra perto da geleira.
Então,pôs a armadura em cima de uma pedra e olhou pra Katya.
-Agora o que você vai ver é algo que poucas pessoas que não são Cavaleiros como eu,já tiveram oportunidade de presenciar.Isto é uma pequena amostra do meu poder.Apenas gostaria que você se afastasse um pouco,para não ser muito afetada pela energia do meu cosmo congelante.-Ela consentiu com a cabeça,e sorrindo,fez o que ele pediu.
Camus fez um gesto com os braços e as mãos,levantando-os acima de sua cabeça e em seguida fechou os olhos,como se estivesse em meditação;respirou profundamente,soltou devagar o ar em seus pulmões e suspirou.Abriu os olhos subitamente e impôs suas mãos sobre a caixa.
Uma energia vibrante e misteriosa emanava de suas mãos e dela também saía,se ampliando em ondas cintilantes de azul,prata e lilás...crescendo...crescendo e brilhando intensamente.Um ar gélido se tornava mais forte.
-EXECUÇÃO AURORA!!
Subitamente uma grande quantidade de gelo começou a cobrir a armadura de Cisne,que em pouco tempo ficou coberta,se assemelhando a uma jóia que estava numa redoma de vidro numa exposição,de tão translúcido que estava o gelo.
Katya ficou com os olhos arregalados,a expressão de espanto;excitação e muito maravilhada.Pois nunca em toda a sua vida tinha visto algo assim tão belo e fascinante!Algo que seus olhos carnais jamais haviam visto,um poder sobre-humano.Algo que somente pessoas incríveis poderiam fazer,pensou ela.
Camus terminou de congelar a armadura.Sua respiração estava ligeiramente ofegante pelo esforço despreendido pelo uso de uma técnica que consome muito do seu cosmo.
Seu rosto ficou corado e quente,suor descia de seu rosto.
-Venha pra mais perto,Katya!Veja como esse gelo é forte!!Bata nele!! –Disse Camus tocando na parede de gelo.
A moça se aproximou e com o punho fechado socou a parede,mas nada,nem um arranhão produziu na parede...
-É muito dura,Camus!!Eu não consigo quebrar!!-Seu rosto ficou corado e percebeu que sua mão ficou vermelha e dolorida pelo esforço de socar a parede.
Camus observou que as mãos dela estavam vermelhas e inchadas,e sentiu um pouco de remorso por pedir pra ela socar a parede.
-Desculpe por isso...não devia ter te pedido pra fazer isso!!-Em seguida,ele pegou a mão machucada dela,alisou-a e a beijou.Depois impôs sua outra mão sobre a dela e emanou um suave cosmo,que fez com que as dores que ela sentia sumissem e curasse o ferimento.-Isto é algo bem simples,não sou muito bom com técnicas avançadas de cura,pois não sou um Cavaleiro Curandeiro.Mas o básico eu sei e isso é suficiente pra isso.
-Obrigada,Camus!-Ela sorriu e em seguida beijou o rosto dele.-Você é muito bom em tudo que faz.-Ele ficou com o rosto corado pelo beijo dela.Pois sentiu que gostou muito.
Em seguida sentaram-se num tronco de árvore que estava caído no chão,perto de onde estavam.Camus pôs a mão no bolso e tirou a carta de dentro do bolso.E a observou atentamente e ao envelope também...
-Pela data que está aqui impressa,esta carta foi emitida há alguns dias atrás.Creio que pelo tempo decorrido depois disso é bem provável que o garoto chegue hoje ou amanhã.
-Mas já?-Ela segurou o papel com as mãos e olhou pro envelope e a carta.-É...você tem razão.-E então devolveu a ele,que o guardou no bolso do casaco.
-Meu treinamento vai ser rigoroso.Eles precisam aprender a dominar o gelo se quiserem tirar a armadura de lá!Contarei pra eles que ela está ali há centenas de anos,para que eles dêem valor às técnicas que irão aprender.
-Mas porque você vai dizer isso pra eles,Camus?
-Porquê se eu dissesse a verdade,eles não se esforçariam o suficiente pra querer tirar a armadura de lá.Esse é o teste!!Aquele que conseguir tirar a armadura primeiro,será o Cavaleiro de Cisne.E isso não será tão fácil assim,eu lhe garanto!!Aquele gelo que você viu é bastante duro,né?Desculpe se te deixei machucada!!-Ele olhou pra ela com um pouco de constrangimento pelo que ele fez.
-Ah..isso não foi nada,tudo bem!Eu sei que foi tudo com boa intenção!E aquele gelo é realmente duro!E seus alunos terão muitas dificuldades com ele...-Ela sorriu e olhou para Camus com doçura,enquanto esfregava levemente sua mão já curada.-Não sinto mais nada na mão...obrigada!!
-Não foi nada..é o mínimo que podia fazer por você naquela hora!!Prometo ser mais cuidadoso com essas coisas agora!!
Camus gentilmente pôs suas mãos sobre as de Katya,e com ternura olhou pra ela.
Ficaram por alguns minutos conversando sobre seus planos de treinamento,as expectativas de como seria essa criança e outras coisas.
Depois que descansaram e conversaram o suficiente,desceram a colina e passaram pelo caminho do bosque e voltaram para a casa de Camus.
Katya preparou um delicioso almoço para eles:
Frango grelhado com legumes e creme de milho;
um vinho branco e de sobremesa,pêras carameladas!!
-Posso te perguntar uma coisa,Camus?-Disse Katya enquanto segurava a taça de vinho com a mão.
-Sim,claro.O que gostaria de saber?
-Naquela hora em que você usou do seu cosmo para congelar a armadura de Cisne,vi que você não estava usando sua própria armadura.Porque não a usou?Os Cavaleiros não deveriam usar suas armaduras?
-Nem sempre se é necessário usá-las.-Ele descansou o garfo no prato e olhou bem nos olhos lilases dela.-No meu caso,como não havia um oponente com o qual eu estivesse lutando seriamente,não haveria porque eu usá-la.Eu estava apenas cobrindo a armadura de gelo.-Ele deu uma pausa,e pegou uma coxa de frango.-Nós Cavaleiros temos poderes incríveis como você mesma testemunhou;porém,nossos corpos são frágeis e humanos,sujeitos à todo tipo de ferimentos,traumas e doenças.Sou tão humano quanto você e posso me machucar seriamente...e até mesmo morrer!!
Katya ficou com a expressão seria e visivelmente um pouco chocada com as palavras de Camus,enquanto ele deu uma pausa para comer um pedaço do frango.
-Eu...não sabia...-Ela pôs a mão sobre a boca de tão pasma que ficou.
-Como nossos poderes são divinos e nossos corpos não,devemos usar sempre que possível nossas armaduras durante as lutas que forem consideradas sérias.-Ele tomou um gole de vinho,e em seguida continuou.-Para evitar danos sérios em nossos corpos,usamos essas armaduras em nossas batalhas.-Ele terminou de comer a coxa e a segurou em sua mão,observando-a,brincando...-Eu tive a oportunidade infeliz de ver,ferimentos em Cavaleiros e cadáveres de Cavaleiros e o dano que um cosmo possa causar neles.Não é uma coisa muito bonita de se ver...rompimento de fígado,baço,fratura exposta...-Ele quebrou o osso com as mãos e deixou no prato.Em seguida limpou as mãos no guardanapo,e deu um gole de vinho.-Perfuração de pulmão causada por costela quebrada,hemorragia,rompimento de vasos importantes do corpo...Já vi Cavaleiros ficarem inválidos em cadeira de rodas por quebrarem a espinha durante as lutas,outros em coma.Ferimentos horrorosos...Esse é o lado sem glamour dos Cavaleiros...uma vida dura e cruel...A morte não é tão bonita assim.Ela é igual até para nós Cavaleiros!!
-Mas se vocês sofrem tanto assim nas lutas,porque vocês lutam tanto,treinam tanto?-Katya ficou assustada com tais comentários secos e duros sobre a vida dos Cavaleiros.E ficou um pouco entristecida com isso tudo...
-Porque nós temos o dever de proteger Athena,o Santuário,e principalmente o mundo em que nós vivemos!Proteger pessoas maravilhosas como você!Proteger as pessoas que nós mais amamos!Eu quero usar o meu poder,o MEU cosmo para te proteger,Katya!-Ele deu um sorriso confortador para ela e seus lindos olhos acinzentados denunciavam o quanto de afeto sentia por Katya.-Eu quero te proteger muito,porque eu gosto muito de você e eu ficaria me sentindo muito mal e infeliz se alguém ou alguma coisa fizesse mal à você!!Esse é o dever sagrado dos Cavaleiros:Proteger a VIDA.Lutamos por amor ao nosso mundo,à nossa venerável Deusa Athena,ao Santuário e suas tradições...e principalmente para aqueles que nós amamos!!
Katya ficou toda corada com as palavras ditas por Camus,e sentia por ele um imenso afeto crescendo em seu doce coração.Ela pegou a sobremesa e o serviu e a si mesma.
-Katya;nós os Cavaleiros não devemos lutar nunca por causas mesquinhas ou mundanas,como dinheiro,fama,poder, status social e outras coisas assim!!Essas coisas são efêmeras...não duram muito tempo,coisas materiais não nos levam a nada...só os sentimentos que devemos guardar dentro de nossos corações...e por eles, por esse desejo de lutar pelas causas e pessoas que nós amamos é que nos fazem verdadeiros Cavaleiros!!É por isso que lutamos e damos nosso sangue,nossas vidas e nos sacrificamos!!
Katya fitou os olhos de Camus por uns segundos...e ele fitou os dela também...Ela se aproximou dele e ele mais dela.Em seguida,Camus se inclinou,ambos fecharam os olhos e delicadamente Camus beijou os lábios de Katya.Ela abriu os olhos e retribuiu o beijo.Ele olhou pra ela com carinho.
-Eu te amo,Katya!!
-Eu sei...Camus...-Ela sorriu delicadamente seus olhos liláses brilhavam intensamente. –Prove esta sobremesa,ela é especial!!Poire Au Vine!!
-Eu gosto muito deste doce!Muito obrigado,Katya!-Ele sorriu enquanto dava uma garfada no doce.
Após a reifeição,os dois foram pra sala tomar um pouco de café e conversar.
Camus gosta muito de ficar perto da lareira conversando com Katya.Sentia se bem contente com sua agradável companhia.
A Sala é um ambiente aconchegante,com uma lareira com base de madeira e em cima dela uns candelabros de bronze com velas brancas,um relógio,pratos decorativos,vários porta retratos que Camus trouxe do Santuário,com fotos dos seus amigos.
As paredes brancas em cima e revestimento de madeira embaixo.Muitos quadro a enfeitavam,com paisagens e natureza morta e ursos polares,cisnes e etc.
O teto todo de madeira e um lustre de vidro,com formato de tulipa,na cor bege pendia dele.
As janelas eram retas e com batente de madeira branca,estavam enfeitadas com uma cortina de renda branca,e amarradas nas duas extremidades.
Armários na sala tinham três:Uma cristaleira de madeira clara,onde se vê dentro dela copos,taças e garrafas de bebidas diversas.
O outro armário era uma estante de livros,onde Camus acrescentou mais alguns que são seus:Livros de literarura comuns,para lazer;e livros que ensinam e comentam sobre as artes do cosmo e coisas acerca do Santuário.Pois Camus gosta muito de ler nas suas horas de folga.
Há também uma mesa de centro,coberta por uma linda toalha de renda bege,e seis cadeiras com assentos forrados de couro cor de caramelo;e na frente dela, umas poltronas cor de caramelo,de couro bem confortáveis.Sobre elas,lindas mantas de xadrez,nas cores verdes e azuis.E uma mesa de canto perto delas.
Perto da lareira uma estante pequena,com uma televisão e um telefone na outra prateleira.
No chão de madeira ripada,um macio e fofo tapete de pele de urso polar.
Assim que terminaram o café,Katya olhou o relógio que ficava em cima da lareira e ficou preocupada.
-Está ficando tarde!!Tenho que preparar umas coisas pra você amanhã e depois vou pra casa!!Vou fazer uma torta e as roupas eu vou recolher do varal!!Já devem estar secas...
-É uma pena...pois sua companhia me é bastante agradável...Gosto das nossas conversas...-Ele ficou um pouco triste,pois sentia que ela preenchia o vazio que sentia nesta terra tão longe.
Ela lhe dá um doce sorriso,enquanto vestia o casaco para ir lá fora recolher a roupa,quando de repente...
Alguém bate na porta...
-Quem será numa hora dessas?-Disse um Camus intrigado.
-Deixa que eu abro,Camus!!
Quando a moça abriu,ela deu de cara com...Yuri e um menino que aparentava ter uns sete anos e cabelos verdes.
Katya e Camus ficam surpresos com a chegada daquela criança...
Será ela é a tal esperada criança que será seu primeiro pupilo,Izack?
O que o destino aguarda para os três?
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
