Se eu me apaixonar
Romance – Yaoi
Fanfiction de Sion Neblina
N/A: Capítulo também não betado, por isso, peço o velho favor de me avisar sobre possíveis erros, para que conserte.
Boa leitura
Nota do capítulo: Nesse capítulo tem Lemon
Um homem como outro qualquer
IV Capítulo:
Quarto dia:
Aos poucos, a espera da festa pareceu aliviar a tensão no santuário. Parecia em fim, o mesmo lugar agradável que era em época de paz. Se bem que, sabiam, essa paz estava novamente ameaçada, e o pior era o segredo que o mestre e a deusa faziam disso, o clima estava mais uma vez instável.
Shaka não fazia parte da organização do evento. Não era de festa e nem estava de bom humor. Os amigos percebiam isso e preferiam manter a distância do indiano que sabia ser bastante desagradável nessas ocasiões.
Somente Mu e Aiolia, os mais próximos do guardião da sexta casa, ainda se atreviam a visitá-lo e interrogá-lo sobre seu estado não muito habitual. Contudo, raramente obtinham respostas maiores que monossílabas.
Naquela manhã, o casal tentava convencer o amigo a sair da reclusão, já que mal se viam nos últimos dias e, naquele em especial, o louro permanecia enclausurado na sexta casa e dizia que não sairia nem mesmo se a deusa pedisse.
— Ah, vocês dois! Deixe-me em paz. Já disse que não estou interessado em festinhas e nem farei parte das orgias de vocês! Se querem exibir seus namoricos, procurem por outro! — bufou zangado; estava cansado daquela vida de santuário sempre tão tumultuada e também não queria ver Ikki de jeito nenhum, depois de tudo que aconteceu.
— Você está muito azedo! — reclamou o leonino — Precisa mesmo é de um namorado para acabar com esse mau humor!
Shaka olhou o amigo, boquiaberto e depois sorriu com ironia.
— Esquece quem eu sou, Aiolia? — o pedantismo em sua voz era tão notório que irritou o plácido ariano.
— Você é um homem arrogante que pensa ser moralmente superior a todos a sua volta, mas não é! – disse Mu, calmamente — Quem você é Shaka de Virgem, além de um cavaleiro como eu e o Aiolia?
Shaka sorriu com o canto dos lábios pequenos e carnudos.
— Ah, Mu, por favor, você sabe que não somos assim tão iguais, nunca fomos...
— Se você fizer questão, posso lembrá-lo de que já fomos sim, Shaka, bem iguais! — o ariano encarou o amigo que empalideceu e abriu os olhos para olhá-lo também.
— Você não usaria isso contra mim agora, Mu! Seria muita vileza! — falou nervoso o cavaleiro de virgem.
Aiolia que não sabia do que eles falavam ficou olhando de um para o outro confuso, mas preferiu manter-se fora daquela história, fosse lá o segredo que aqueles dois dividiam, era deles e de mais ninguém.
Mu respirou fundo; estava cansado da pose de santo amargurado do amigo, porém, era íntegro o bastante para não usar um segredo de anos, confiado a ele, mesmo que fosse para ajudar Shaka a ser feliz.
— Você sabe muito bem que não seria capaz...
O louro quase que suspirou de alívio. Realmente não queria ressuscitar mágoas do passado.
— Agora, meu amigo... — continuou Áries — Não adianta você tentar dissimular o que todos já sabem, é bobagem negar...
O louro corou e baixou a cabeça, voltando a fechar os olhos.
— O que todos já sabem? — sussurrou.
— Ah, louro, todo mundo ouviu a discussão de ontem! — falou Aiolia e o indiano balançou a cabeça.
— Vocês querem que me mate agora, ou ficarão me lembrando disso para que eu morra aos poucos? — ironizou.
— Não, só queremos que você acorde e pare de se comportar como um covarde, fugindo de seus próprios sentimentos! — tornou o ariano — Nos preocupamos com você, meu amigo!
— Que triste que você pense isso, Mu, de você realmente não esperava. Pensei que ao menos você me compreenderia, já que todos nesse santuário pensam que sou apenas um homem caprichoso...
— E não é? Até que ponto isso deixou de ser missão e se transformou num capricho, Shaka de Virgem?
— Não é um capricho, mas, sinceramente, não tenho intenção nenhuma de me justificar para vocês. Eu sei quem sou e isso me basta, se vocês não podem compreender, lamento.
Áries suspirou; sabia que não conseguiria mudar os pensamentos daquele teimoso, embora enxergasse claramente o quanto ele sofria.
— Shaka, o que há de mau em se divertir, hein? Por que você não pode se alegrar como qualquer pessoa numa comemoração?
— Mu, estamos comemorando o quê? Em breve teremos uma batalha e com certeza... teremos perdas...
— Então, nada mais natural que comemoremos enquanto estamos vivos... — disse Aiolia e o indiano balançou a cabeça.
— Agradeço o interesse, cavaleiros, mas estou bem aqui no meu templo. Tenho que meditar. — sua voz continuava plácida e escondia todo o seu estado de perturbação mental.
— Ah, estou cansado disso, Mu! Vamos embora! — o leonino caminhou para fora do templo do amigo, mas Mu continuou encarando o louro:
— Não seria melhor, viver agora o que queremos? — falou — Por que você não se dá esse direito, Shaka? Dessa vez seria bom que não fugisse...
— Não sei do que você está falando... — virou a cabeça em direção oposta ao amigo — Eu não sou homem de fugir, nunca fugi de nada na minha vida; eu simplesmente abdico de certas coisas por minha própria vontade...
— Sabe sim, do que estou falando, mas agora, refiro-me apenas a certo cavaleiro de bronze que você ama e não quer admitir!
— Pare... Mu, você é meu amigo, mas está trilhando um caminho que pode mudar essa situação... – ele falou. A voz fria, metálica, deixava claro que não brincava.
O ariano recuou. Percebeu que estava sendo indiscreto com os sentimentos do amigo e não faria isso nem mesmo para ajudá-lo. Se ele não queria falar daquilo, não insistiria, conhecia o temperamento ácido de Shaka e não se arriscaria a perder sua amizade que lhe era muito cara.
- Desculpe-me, Shaka, prometo que não mais tocarei nesse assunto... – falou e se aproximou dele — Só quero que se lembre de uma coisa, meu amigo; somos cavaleiros, e não sabemos até quando sobreviveremos a tantas batalhas. Talvez, um dia, nossa sorte acabe. Então viva. Viva enquanto pode e não deixe que um capricho tolo o impeça disso.
Depois de dizer essas palavras, Mu deixou a casa de virgem.
Shaka entrou para seu quarto, pensando no que faria dali em diante. Tentava negar, mas, queria realmente que Fênix voltasse atrás em sua decisão de se manter longe. Cansara de mentir pra si mesmo e de ostentar uma santidade que estava longe de possuir.
Sentou-se na cama e nesse momento uma serva pediu permissão para entrar. Permissão concedida, ela depositou sobre uma cadeira um cesto de roupa e se retirou.
Os olhos do indiano instintivamente desviaram-se para algumas peças escuras, dobradas. Peças de roupas que não eram suas.
Pegou a calça e a túnica de treinamento. Esquecera-se completamente que naquela noite ele havia partido com uma roupa sua, e as dele continuavam em seu poder. Desviou o olhar novamente para as peças passadas e dobradas sobre a cadeira, enxergando a cueca boxer preta. Corou e nem soube por quê.
Puxou a cueca da pilha e dobrou junto à calça e a camisa, ficando um bom tempo com os tecidos entre as mãos. Os levariam até o nariz, quando desistiu no meio do caminho, atirando-os sobre a cama.
— Que ridículo! — regougou, levantando-se. Não deveria fazer aquele tipo de coisa, não era digno dele. Estava zangado com suas próprias atitudes, sentindo-se fraco e patético. Mas no meio de tudo isso, seu coração era aquecido pela certeza de que Ikki gostava dele, sim, ele gostava e por isso, tinha desistido.
—"Mestre, o que devo fazer? Por que minha vontade não é forte como a sua? Por que não consigo resistir? Eu não posso ser seu representante na terra, não posso, eu sou fraco e humano..."
Jogou-se na cama, estático, seu mestre não lhe respondeu; somente as palavras de Mu ecoavam em sua cabeça: Viva... Viva... enquanto pode...
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Ikki aproveitou à tarde amena, para treinar, treinar e treinar, era só isso que fazia. Tentava acalmar os pensamentos. Sentia saudade do indiano e queria encontrá-lo nem que fosse para uma discussão. Sorriu; a maior parte do tempo queria bater nele, humilhar aqueles lábios desdenhosos e, ainda assim, sua companhia era tão necessária. Não poderia mentir: gostava dele, gostava muito, embora pouco tenham sido os momentos bons que passaram juntos.
Sabia que não conseguiria manter a distância, por mais que quisesse, aquele louro arrogante parecia ter um imã que o atraia. Mas, teria que tentar, ele prometeu que o deixaria em paz, não poderia simplesmente voltar atrás e procurá-lo, embora fosse isso que desejasse.
O virginiano era terrível, fazia questão de despertar seu ódio, seu lado mais perigoso. Mas naquela manhã não. Daquela vez, ele estava triste e confuso; parecia tão humano e frágil que isso levava o cavaleiro de fênix a se perguntar se não teria sido muito duro com as palavras.
"Preciso parar de pensar nele, como realizarei a missão de Athena se eu não tirá-lo da minha cabeça?"
Lembrou-se da noite fracassada com Misty e balançou a cabeça, chegando mesmo a ruborizar só com os pensamentos. Trocar o nome de alguém na cama era uma ofensa indesculpável. E, mesmo assim, o francês foi tão carinhoso com ele, tão amigo. Tinha que agradecê-lo e se desculpar mais uma vez.
Continuou pensando em Shaka e seus sentimentos oscilavam entre o amor e o ódio, como ele conseguia fazer aquilo?
Milo de Escorpião o observava, balançando a cabeça. Desceu os degraus que os separavam e se aproximou dele.
— Olá, Fênix.
— Oi, Milo. — respondeu sem olhá-lo continuando a distribuir golpes.
— Está pensando no Shaka, não é?
O cavaleiro de bronze parou e olhou seu interlocutor com uma expressão interrogativa.
— Ah, dá pra ver de longe que vocês se gostam... — sorriu o Escorpião — Então, por que não param com essa frescura e ficam logo, juntos?
Ikki bufou aborrecido.
— Acho que isso não é da sua conta...— resmungou — Além do mais, aquele arrogante, não aceita o que sente por mim, ele se acha um Deus.
— E você desiste muito fácil... — continuou o escorpiano — Sejamos francos, Ikki, seria difícil pra você também, caso tivesse as mesmas obrigações que o Shaka.
— Obrigações todos vocês tem, Milo, e nenhum dos cavaleiros de ouro se comportam como se estivessem num mosteiro, só ele.
— Você chegou ao x da questão, caro Ikki, o nosso querido virginiano é praticamente um monge. Ele adotou esse estilo de vida e não é fácil deixá-lo.
— Isso não me interessa mais, estou farto desse joguinho. — falou o mais jovem — Estou cansado desse cerco, é a pior batalha que já enfrentei.
Milo riu e Ikki acabou rindo também da comparação. Realmente, conquistar aquele louro teimoso estava se tornando uma batalha sangrenta.
— Se fosse você, tentaria uma estratégia mais agressiva... — sugeriu o protetor da oitava casa — Sabemos, nós dois, que ele, no mínimo sente atração por você.
— E daí? — o leonino já estava se irritando com a insistência do escorpiano.
— Use a pele, Ikki, se não pode vencê-lo pelos sentimentos, use seus tão bem trabalhados, argumentos físicos. — Milo sorriu maliciosamente — Por mais que sua cabeça esteja cheia de dúvidas, o corpo tem linguagem e raciocínio próprios, sei que ele não resistirá.
— Sim, nós transamos e depois ele me escorraça como um cão sarnento, não é? — ironizou o mais jovem — Não, obrigado!
— Tenho certeza que ele não fará isso, mas, você que sabe. Tentar é uma questão de saber o quanto você o quer, e se o quer de verdade.
Com essas palavras Milo começou a deixar a arena.
Ikki ponderou sobre as palavras do escorpiano e resolveu que não teria nada a perder, faria sua última tentativa com o indiano e resolveria a história deles, definitivamente.
O guardião da oitava casa ficou em dúvida se aquela estratégia funcionaria com Shaka... Bem, funcionou com Camus e o máximo que poderia acontecer, era o louro arremessar Fênix num dos seis mundos. Engoliu em seco os próprios pensamentos, mas depois sorriu:
—"Ah, isso não é problema, se ele o arremessar como aconteceu na batalha, ele mesmo fará questão de trazê-lo de volta, igualzinho daquela vez..."— Voltou rindo para seu templo, a sorte estava lançada.
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Shaka estava meditando quando sentiu a presença dele; estremeceu mesmo sem querer. O que Fênix poderia querer com ele depois das coisas que lhe falou? Conhecia-o suficiente para saber que ele não era homem de voltar atrás, e que também não se humilharia demonstrando arrependimento. Então o que ele queria?
Seu coração disparava à medida que sentia o cosmo dele se aproximar, um misto de felicidade e angústia dominava seu ser a cada passo que ouvia.
Quase sorriu de alívio; ele só poderia ter mudado de idéia, mas será que aquilo era bom? Balançou a cabeça para afastar os pensamentos, decidiu que o melhor era não pensar em nada naquele momento, apenas sentir, e sentia seu coração acelerado e seu corpo quente e aquela era uma sensação boa, embora, angustiante.
Levantou-se ajeitando a bata sobre a calça branca, estava descalço e seus pés finos eram agredidos pelas pedras rudes da entrada da sexta casa.
— Fênix! — disse friamente, controlando a voz ao extremo para que ele não percebesse o quanto estava trêmulo — Eu queria...
— Não diz nada... — falou Ikki, provocante o empurrando para dentro da casa de virgem com a mão espalmada em seu peito.
— O...o que está fazendo...? — Shaka engoliu em seco, andando de costa, sendo praticamente guiado pela mão de ferro em seu peito.
— Vamos conversar, mas lá dentro... — continuou o moreno, baixo, mas sua voz não escondia à lasciva. Ele vestia uma calça jeans e uma camisa preta e seus cabelos ainda estavam molhados pelo banho. Da sua pele escapava o cheiro cítrico do sabonete e somente isso, levava arrepios ao corpo do indiano.
Shaka deixou-se empurrar para dentro do templo, até ser encostado contra uma parede, estava sendo difícil resistir, nem sabia se realmente queria. Talvez, os amigos tivessem razão, talvez fosse inútil lutar contra o que sentia, contra a necessidade de seu próprio corpo.
— Já estamos aqui dentro, pode me soltar agora... — tentou manter a frieza, duas forças poderosas lutavam dentro dele, Kama e Dharma e se perguntava se não seria possível que elas se harmonizassem, implorando que a resposta fosse positiva.
— "Há um momento em que o mais corajoso dos guerreiros precisa parar de lutar. Nesse momento, ele se senta na sombra de uma árvore e somente observa os acontecimentos, até que a hora de empunhar a espada chegue..."
— "Desculpa, mas eu não quero conselhos agora!" — Shaka respondeu ao mestre, mentalmente e mal humorado e então a voz de Buda desapareceu.
Naquele momento, queria apenas se concentrar no homem que o pressionava contra a parede.
— Abra os olhos... — ordenou Ikki e o louro se surpreendeu tanto que nem reclamou do tom autoritário da voz dele.
— Estão fechados há muito tempo, se eu fizer isso, você morre... — mentiu, pois não queria encará-lo.
— Você sabe muito bem, como providenciar para que isso não aconteça. — sussurrou, colando seu corpo ao dele e prendendo seus braços ao lado do rosto.
— Mas eu não vou fazer isso, eu não entendo... você disse que... não insistiria... — a determinação budista do virginiano estava sendo vencida pela proximidade daquele corpo moreno e gostoso e ele lutava para manter o bom senso.
— Você tem medo que eu veja alguma coisa nos seus olhos, louro? — tornou Ikki, ignorando as palavras ditas e colando ainda mais o corpo ao dele, que já estava meio ofegante com o contato.
— Não seja... — ele foi interrompido pela mão forte do moreno em seu queixo.
— Não se atreva a tentar uma discussão agora, não vou deixar... — Volveu o mais jovem e o olhou maliciosamente — Se você quisesse já teria saído dos meus braços, por que ainda não fez isso?
Shaka corou e nada respondeu.
— Estou esperando... — Continuou Ikki.
— Fênix, por Buda, o que você quer comigo? — perguntou nervoso, seu corpo reagindo com impulsos incontroláveis, todos os seus sentidos atentos aos movimentos dele.
— Você sabe muito bem o que quero, Shaka, eu quero você e você me quer também, não adianta negar, eu posso sentir...
Shaka nunca teve seus argumentos tão instantaneamente vencidos. Lembrou-se das palavras de Mu: os leoninos são determinados, e aquele estava obcecado por vencer sua resistência, só não sabia ao certo por que resistia; seria o orgulho de ser subjugado, de perder aquilo que, para eles, já se tornara uma batalha?
— Seu amante com certeza não dá conta dos seus anseios... — disse o indiano, e por mais que tentasse esconder, sua voz deixou transparecer o ciúme e o desespero de quem tentava realmente resistir a algo irresistível.
— Então isso ainda o incomoda? — riu Ikki pressionando seu corpo contra a parede e escorregando a perna para ficar entre as do louro, roçando-se lascivamente em seu corpo.
Shaka ruborizou ainda mais, sentindo o corpo queimar de desejo.
— Não me incomoda, eu nada tenho a ver com isso! — replicou zangado, mas sua voz tremeu — Se quer ficar com aquela boneca...
Respirou fundo; apesar das palavras de Athena, a cena da mão de Misty brincando com o peito do moreno o enfurecia. Saber que eles dormiram juntos o enfurecia ainda mais.
— Já disse que ele não é meu amante, foi só uma... gostosa e quente... trepada... — sussurrou, sentindo que em breve poderia ser arremessado num dos seis mundos, tamanha a raiva que via no rosto geralmente plácido do indiano. Mas não recuaria, ele provocou, agora, agüentasse as conseqüências.
— Então o que faz aqui? Se gostou tanto, por que não fica com ele? — Shaka arfava entre a raiva e o desejo, e Ikki provocava, roçando-se despudoradamente nele, até o ponto de fazê-lo abafar um gemido.
— Porque, por mais que tenha sido bom, tem um louro mentido que não sai da minha cabeça... — falou deslizando os lábios no rosto ruborizado do cavaleiro — E é ele que eu quero... Deve ser que prefiro algo mais... másculo que aquela boneca como você mesmo gosta de dizer...
— Por que você não me deixa em paz, seu moleque insolente?! — última tentativa de manter a razão e equilíbrio, talvez, se o destratasse, ele fosse embora por si, já que não tinha mais forças para repeli-lo.
— É mesmo o que quer? Seu corpo não me diz isso, na verdade, nunca disse. Você sempre se arrepia cada vez que nossas peles se tocam, acha que não percebo?
— Isso é... — Shaka não tinha mais argumentos para usar contra ele, era verdade, seus olhares sempre se buscaram; sempre se pediram mais do que suportava; e ele sempre o quis; desde que o viu pela primeira vez, desde que seus dedos deslizaram por seu corpo ao tratar de seus ferimentos depois daquela batalha...
— Diz alguma coisa, louro, me manda embora, me xinga... — Ikki roçou os lábios no pescoço dele — Ao contrário, eu não vou deixá-lo fugir... Começo a perceber que a negação faz parte da sua natureza e que por mais que queira como eu sei que quer, você negará, negará sempre...
Shaka arfou e cravou as unhas afiadas nos ombros dele.
— Deixe-me, Ikki, por favor... — sua voz foi um fio.
— Teme não resistir, meu santinho? É isso, está com medo?
Ikki provocava movendo sensualmente os quadris contra o corpo do indiano, percebendo o quanto aquilo estava excitando-o, sua face ficava ruborizada e sua respiração estava cada vez mais forte, além do volume que se delineava em seu baixo ventre.
Tomou-lhe os lábios fogosamente, com força, sem nenhuma delicadeza, ele não queria amá-lo, queria puni-lo por sua arrogância, pelas palavras dita de forma tão desdenhosa. Mas não conseguiu manter esses pensamentos por muito tempo; senti-lo daquela forma o desarmava, abria suas defesas e deixava Cavaleiro de Fênix, totalmente vulnerável.
Shaka correspondeu ao beijo sem reservas, seu corpo finalmente relaxou se entregando aos braços do cavaleiro de bronze, e sua boca procurou a dele, ansiosa e faminta. Não tinha mais controle sobre sua própria vontade. Vontade? Será que possuía alguma além a de ter aquele corpo musculoso contra o seu?
Cravou suas mãos na camisa dele, o livrando da peça, totalmente dominado pelo instinto. O mais jovem por sua vez, com um único golpe, livrou-o da bata, começando a explorar o peito nu com a boca;
mordiscando, marcando, devorando aquela pele macia, firme e deliciosa.
O louro gemia sob as carícias quentes do outro, mais um resquício de razão ainda brilhou em sua cabeça, estavam no salão da casa de virgem e os outros cavaleiros poderiam aparecer a qualquer momento, aquilo seria muito constrangedor.
— Ikki... vamos lá pra dentro... — balbuciou, era difícil articular uma frase tendo aquele delicioso leonino acariciando seu corpo e naquele momento ele poderia querer tudo, menos que ele parasse.
Que os céus o devorasse; que sua nobre Senda Óctupla fosse ao inferno, ele queria aquilo, queria mais que tudo!
Puxou o moreno para dentro do seu quarto, sem que parassem os beijos. Caíram sobre a cama; Ikki fez questão de livrar o indiano da calça branca, deixando-o só com a cueca também branca. Shaka com pressa levou as mãos ao botão da calça jeans que ele vestia, puxando-a pra baixo com violência.
Fênix riu ao perceber que o louro estava mais sedento por aquilo que ele próprio. Virgem o empurrou na cama, lambendo seu peito, em fim, abrindo os olhos e olhando dentro das safiras escuras de Ikki, num pedido mudo para que ele o ajudasse a livrá-lo do jeans apertado. Ele concordou, porque já estava mesmo incomodo; a ereção comprimida contra a peça. Livrou-se dela ficando apenas de cueca também.
Ajoelharam-se na cama voltando a se beijar, o moreno empurrou o louro delicadamente para que ele deitasse.
Shaka não mais resistiria aos seus sentimentos, estava cansado de negar. Naquele momento não era nada além de um homem sedento de amor. Não mais existia o cavaleiro; não mais existia o discípulo de Buda; não mais existia o homem sagrado do céu até o inferno.
Existia apenas um homem como outro qualquer...
— Eu posso, meu anjo... — Ikki pediu num sussurro malicioso, olhando dentro dos olhos do louro e deslizando as mãos pelas pernas brancas dele até chegar ao cós da cueca imaculada.
— Pode...— respondeu o virginiano umedecendo os lábios com a língua — Seja rápido...
— Está tão ansioso assim? — provocou puxando a peça sensualmente, até expor a prova do toda a excitação do outro cavaleiro, sorriu com malícia — Vejo que sim...
— Ah, Ikki... Até aqui você quer me irritar, faz logo! — esbravejou o louro mexendo os quadris, aflito.
O moreno passou a língua por sua virilha provocando com um sorriso safado.
— E você acha que até aqui pode me dá ordens?
— Argh... eu vou matar você...— resmungou Shaka, segurando-lhe os cabelos e guiado seus lábios para onde queria. Ikki preferiu não provocar mais, começou a lamber a enorme ereção que despontava no baixo ventre do louro, ouvindo-o gemer mais alto e cravar as mãos nos lençóis. Continuou a lamber, explorar, passando a língua suavemente na glande, chupando, mas sem colocar na boca. Shaka já pingava de suor e desejo, enquanto tentava conter os gemidos que se tornavam cada vez mais altos e entrecortados pela respiração ofegante.
— Ikki...por favor... — ele ouviu o apelo do indiano e olhou para seu rosto ruborizado e desesperado; percebeu que o torturava demais e resolveu começar de verdade o sexo oral, colocando tudo na boca, subindo e descendo, enquanto a língua passeava por ele. Shaka gemeu mais alto, rebolando os quadris, totalmente enlouquecido.
Mas, Ikki não parecia ter pressa, alternava a velocidade, deliciosamente, excitado com os gemidos do indiano e não querendo que ele parasse.
Virgem não suportou por muito tempo aquela carícia luxuriante e se derramou na boca do amante, enquanto um grito rouco saía de sua garganta sem que conseguisse controlar. Fênix lambeu os lábios engolindo o gozo do louro e olhou para a expressão extasiada dele, totalmente abandonado na cama, relaxado e sereno como ele nunca viu antes.
— louro? — ele chamou subindo nele e beijando-lhe o rosto — Está dormindo?
— Humhum... — respondeu Shaka. Na verdade ele nem sabia se estava sonolento ou em estado de contemplação, aquela sensação intensa que há tanto não sentia, dominava todo o seu ser, deixando-o quase inerte. Além de tudo, o cansaço dos últimos dias, explodiu naquele orgasmo e ele o mais poderoso cavaleiro de ouro estava exaurido.
— Deixarei você dormir, então... — disse Ikki com um sorriso, mas isso não escondia a decepção em sua voz. Shaka abriu os olhos e o enlaçou pelo pescoço. Nunca imaginaria uma reação tão meiga de alguém como ele.
Beijou-lhe os lábios ardentemente, seu corpo voltando a queimar de desejo. Ikki vendo que ele estava novamente disposto tratou de descer os lábios pela pele branca, envolvendo sua cintura, puxando o corpo magro contra o seu, enquanto umedecia os dedos para explorar onde mais queria.
Shaka gemeu ao ser invadido pelo dedo dele que se enfiava no seu corpo e levava deliciosas sensações. Ele colocou o segundo, indo mais fundo, estimulando a próstata, fazendo-o gemer alto. Seu membro doía de tão ereto e ele ansiava por possuir o corpo gostoso e apertado do indiano. Colocou o terceiro dedo, alargando aquele local estreito, sentindo a contração do corpo e vencendo a resistência, enquanto o louro soltava gemidos de dor e prazer. Sorriu ao ver a ereção que voltava a se formar no baixo ventre do amante e provocou:
— E você que me dizia que não pensava nessas coisas...
— Não pensava até conhecê-lo... — confessou Shaka — Agora cala essa boca e vem logo!
— Calma, amor...estou indo... — ele sussurrou enquanto enroscava os dedos nos dele e o louro passava as pernas em sua cintura. Começou a penetrar devagar, sentindo a dificuldade inicial e ouvindo os gemidos doloridos do virginiano que fechou os olhos e mordeu os lábios. Ikki delicadamente se enterrava no amante, até romper qualquer resistência e entrar por completo, sentindo que ele rebolava um pouco procurando uma posição mais confortável, enquanto lágrimas involuntárias umedeciam seus olhos.
Parou os movimentos e fitou o rosto de anjo, ruborizado.
— Eu machuquei você...? — perguntou se inclinando e dando vários beijinhos nas lágrimas que se formavam apenas nos cantos dos belos olhos azuis.
Shaka suspirou extasiado, surpreendente; nunca pensou que aquele garoto rude e arrogante, pudesse ser um amante tão terno e atencioso.
— Não...continue... isso não é nada... — ele rebolou mais, o que fez um gemido de prazer escapar dos lábios do moreno, que começou a estocar lentamente em movimentos sensuais que levava o cavaleiro de virgem a loucura.
O louro levantou um pouco para enlaçar-lhe o pescoço, quase colando seus corpos enquanto Ikki continuava as estocadas rítmicas e profundas, saindo e entrando no seu corpo de forma vigorosa e ardente, tocando-o no fundo, levando-o a loucura.
— Ikki... — Shaka gemeu seu nome alto e eles se beijaram. Os olhos do moreno fixo na expressão de prazer no rosto dele. Aquilo deixou-o desvairado, gemeu alto e segurou-lhe o queixo sem parar os movimentos.
— Abra os olhos meu anjo... — gemeu — Quero ver seus olhos.
Shaka o obedeceu e dois pares de safiras se encontraram.
— Ikki... — ele gemeu alto novamente; a caminho de outro orgasmo.
— Shaka...eu te... aaaahh — gozaram juntos, os deliciosos espasmos percorrendo o corpo de ambos, o louro apoiado nos ombros do moreno. Abraçaram-se fortemente, sentindo o descompasso do coração um do outro.
Ikki deitou o corpo trêmulo de Shaka na cama com carinho, saindo dele e deitando ao seu lado, ainda sem desgrudar os olhos, dos azuis sonolentos à sua frente.
— Muito cansado, louro? — sorriu e o indiano estendeu a mão acariciando o rosto moreno e suado dele.
— Sim... Nem me lembrava mais dessa sensação... — deixou escapar um sorriso.
— Hum... então você não era virgem? — provocou o leonino.
— Não, não era... eu tive minha fase de adolescente rebelde, assim como você... — disse e acariciou o rosto do moreno — Digamos que eu cheguei a questionar minha missão certa época da minha vida...
— Então, isso me exime de qualquer responsabilidade, não é? — continuou e puxou o louro pra si, passando o braço ao redor de sua cintura enquanto apoiava a cabeça num dos cotovelos para olhá-lo melhor.
— Ah, Fênix, até na cama você é irritante! — riu.
— Sou e já percebi que você gosta disso.
O indiano sorriu e resolveu não responder, se sentia bem, apesar de sua cabeça continuar confusa.
— Ikki... o que você diria antes de...? — corou, mas a curiosidade intensificava o brilho dos seus olhos e Ikki o achou ainda mais encantador.
— Antes do quê? — provocou.
— Você sabe...mas, não precisa responder, estou sendo indiscreto... — Shaka corou, mas adoraria que ele respondesse, sentia-se inseguro e incerto de todos os seus sentimentos e todos os sentimentos do rapaz a seu respeito.
— Indiscreto? — provocou o moreno — Acho que agora, temos intimidade o suficiente para fazer qualquer tipo de pergunta...
— Eu sei, mas é que...
— Eu diria que te amo, seu louro metido... — agora foi a vez de Ikki ruborizar e baixar o olhar.
Shaka sentiu o coração acelerar e corou também, baixando os olhos.
— Isso é verdade ou só estratégia para me levar pra cama de novo? — sorriu, o coração sendo preenchido de um calor tão intenso que ele achou que fosse arrebentar.
— Você se acha mesmo! — riu o mais jovem — Acha que trepa tão bem assim?
— Não sei, não tenho mais ninguém para fazer essa pergunta nos últimos dez anos, além de você, mas... acho que sim. É, acho que sim, eu sou muito bom em tudo que faço... — falou com um sorriso malicioso.
— E se disser que não? — provocou.
— Seus gemidos não mentiriam...
— Eu fingi ... — sorriu também.
— Ninguém finge tão bem... — Shaka não conseguiu conter um bocejo, estava realmente exausto — Mas, se for verdade, então, você não quer nunca mais?
— Nunca mais? — Ikki fingiu ponderar o que fez o indiano rir — Não, só preciso de algum tempo para ensiná-lo tudo direitinho. Não se preocupe, louro, eu agüento, porque te amo...
O louro riu com vontade e Ikki o puxou pra si, o aninhando em seu peito.
— Eu... acho que também te amo, Ikki... — disse sonolento.
— Acha? — o moreno fez uma carinha decepcionada e o virginiano suspirou.
— Dei-me um tempo... é tudo muito difícil pra mim...
— Eu lhe darei todo o tempo do mundo, afinal, agora teremos tempos de paz, não é?
— Não exija tanto de mim, garoto. Ainda duvido muito, se poderemos ficar mais de cinco minutos juntos sem começarmos a brigar.
— Teremos que conseguir; você não vai querer arremessar seu namorado num dos seis mundos, não é?
— Namorado... — Shaka repetiu a palavra, não parecia ruim, não se imaginava tendo um "namorado", mas aquela idéia lhe fazia bem, aliás, enchia seu peito de alegria há muito não sentida.
Com esses pensamentos o louro adormeceu nos braços do seu moreno que também dormia.
Continua...
Notas finais: Em fim acabou o chove e não molha, mas isso não vai ficar assim, não é? Se ficasse não teríamos um continua... ohoh, hehehehe. Gente, a Sion está louca? Na hora H, o Shaka mandou até o Buda para o tártaro uashushushahs!!!!
Mas, pense bem, o coitadinho pediu conselho, pediu, implorou e nada, e na hora H com aquele monumento oriental o prensando contra a parede o nossa adorado Sidartha Gautama resolve aparecer?! Fala sério!
Ah, desculpe pela linguagem chula, é que tem coisas que em minha opinião dá mais vivacidade ao texto e perdoem o lemon que acho que ficou meio tosco (me acho muito ruim de lemon), tentei fazer o melhor que pude!
Que segredo será que o Shaka e o Mu guardam hein? Sei não, acho que isso ficará para a próxima, essa eu já estou terminando e não quero que seja longa. Hahahahahaha....
Como deixei claro, essa fic é despretensiosa, fiz pra ser algo leve e bem humorado, por favor, não me cobre muito, mas tenho algumas considerações a fazer:
Considerações sobre o Shaka:
Muitas fics que eu li do Shaka me surpreenderam pelo excesso de "bondade" do discípulo de Buda. Eu pensava; pera aí! Ninguém assistiu ao anime? Ninguém viu a luta dele com o Ikki, onde por diversas vezes, ele se mostrou arrogante e malvado? Acho que as autoras focam mais na fase Hades, onde ele se mostrou todo sabedoria, mas mesmo nela, no inferno ele se desespera e perde o controle. Bem, apesar da alcunha de iluminado, isso me levou a crer que nosso virginiano tem um temperamento bem quente, apesar da disciplina budista mantê-lo sobre controle. Espero que esteja conseguindo passar isso nessa fic, pois é assim que o vejo, um homem forte, equilibrado e sábio, mas arrogante e ciumento como todo virginiano (sou casada com um hehehehe).
Considerações sobre o Ikki: Certo, pra mim, meu Frango Flambado nunca foi o grosseirão que vejo em muitas fics (principalmente as das autoras "Mushakistas"), sempre o considerei um homem forte, rude, mas com um grande coração e isso é notório no mangá e anime. O turrão sempre diz que não vai ajudar, mas quando o "bicho pega" olha ele salvando todo mundo. Além do mais, alguém que fosse canalha não teria uma afeição tão sincera pelo irmão e amigos, chegando mesmo a dar a vida por eles. Então, meu Ikki é assim, provocador, insolente, grosseiros muitas vezes, mas no fundo é amoroso, protetor e amigo.
Só para aqueles que vierem, por ventura, classificá-los como OOC.
Agradecimentos especialíssimos aos meus mega leitores!
Amaterasu Sonne, Suellen-san, BananaMari, Amamyia fã (querida a parte das roupas só aconteceu por sua causa, tenho que confessar que tinha esquecido delas hehehehe, valeu por lembrar!) Danieru, liliuapolonio que deixaram reviews maravilhosos no capítulo anterior.
E também a todos que vem deixando ao longo dos capítulos.
Beijos e obrigada a todos que leram!
Sion Neblina
