Capítulo IV – Vamos! Avante!

- Perguntas? – quis saber Hinata fechando o livro ao fim daquela aula.

- Então, deixe eu ver se entendi. – falou Naruto apertando os olhos e encarando seu caderno - As linhagens sangüíneas avançadas são genes dominantes?

- Sim.

- Significa que se você, Neji ou o Sasuke tiverem filhos, mesmo que não seja com pessoas do clã, as crianças herdaram as linhagens?

Hinata sorriu satisfeita.

- Exatamente. No meu caso e do Neji-nii-san, o Byakugan. No de Sasuke-san, o Sharingan.

- Hum... – Naruto coçou a cabeça – Acho que entendi. Mas tire uma dúvida: e o Sharigan de Kakashi-sensei?

- Bem – Hinata ajeitou os papéis – o Sharingan de Kakashi-sensei não é hereditário, ele foi adquirido no decorrer da vida dele. Então, os filhos dele não terão Sharingan.

- Ah, certo.

Naruto estava conseguindo compreender tudo até agora para alívio de Hinata. Apesar de ser coisas muito básicas que ele já havia ouvido falar, ela conseguiu aprofundar as teorias que eram muito importantes para os assuntos que viriam depois. Mas ela estava receosa com relação ao tempo. No ritmo que estavam talvez não houvesse tempo para abarcar tudo que era necessário. Pelo menos não se continuassem a estudar apenas três horas por dia. Naruto já parecia ter percebido isso também. No segundo dia em que estudavam, ele perguntara:

- Por que não podemos chegar mais cedo, Hinata?

- Eu tenho que treinar o Time três lembra? Isso consome toda manhã e um pedaço da tarde. – respondera sem jeito.

Ele não havia tocado mais assunto. Tinha consciência que ela possuía suas próprias obrigações e que já estava lhe fazendo um grande favor o ajudando aquelas três horas por dia. Mas ela queria ajudá-lo mais, muito mais. Então, para incentivá-lo a estudar sozinho, Hinata escreveu pequenos livrinhos com os resumos mais importantes. Eles traziam tudo de forma mais simplificada e o objetivo era que ele pudesse ler em qualquer lugar em que se encontrasse. Não sabia que ele realmente os lia até Sakura a encontrar na rua no dia seguinte em que lhe dera o primeiro.

- Você conseguiu uma proeza Hinata! – dissera rindo – O Naruto ta lendo!

E foi assim que soube que ele sempre estava com eles no bolso ou lendo.

Mas o ritmo estava cansando muito seu corpo, a deixando debilitada e enfraquecida. Sua rotina se tornou tão dura e disciplinada quanto à de um monge. Ela acordava antes do sol nascer para treinar com Neji, que fora uma exigência do seu pai.

- Tente aprender alguma coisa com ele! – lhe dizia constantemente.

Em torno das oito horas já se reunia com o Time três e treinava com eles até umas duas. Ficou satisfeita por nenhuma missão lhes ter sido designada durante aquela semana. Se isso acontecesse, seu tempo com Naruto ficava mais restrito do que já era. Depois de se despedir de seus alunos, só tinha tempo de ir em casa, tomar banho e voltar correndo para ensinar a Naruto. Ficava com ele até a biblioteca fechar e quando chegava em casa, mais uma sessão de treino, dessa vez com sua irmã, Hanabi. Acabava ir dormir sem jantar, por que ia preparar a aula do dia seguinte. O bom disso tudo, é que dormia tão profundamente que não se acordava mais durante as noites em suas crises. Nem tinha o que vomitar já que quase não tinha tempo de comer.

E apesar de toda essa dificuldade ela nunca havia se sentindo tão feliz. Sentia-se necessária e podia ficar mais perto de Naruto.

Ainda se sentia um pouco intimidada em sua presença, mas o fato dele estar precisando dela lhe dava uma certa segurança, mais do que ela já tivera antes.

- Bem, acabou a revisão da primeira semana. – anunciou Hinata quando o relógio bateu seis horas – Está pronto para começar o mais estudo pesado amanhã?

Naruto sorriu.

- Com uma professora como você, Hinata, não tenho por que me preocupar.

Ela sentiu seu rosto corar, mas consegui dar um sorrisinho nervoso. Estava conseguindo ficar mais a vontade com ele, mas isso não impedia de ficar corada com aquele comentário. Seu coração também bateu mais rápido e ela desviou a vista para o chão. Ainda não agüentava penetrar na profundidade azul dos olhos dele.

- Ahãm – pigarreou o bibliotecário se aproximando da mesa deles – Hora de fechar.

- Chato... – resmungou Naruto quando iam saindo da biblioteca – Vovó Tsunade deveria deixar essa biblioteca funcionando 24 horas...

Sorrindo do comentário dele, Hinata o acompanhou na saída. O movimento do prédio estava pouco naquela hora. Como as aulas já haviam acabado na academia, que era vizinha ao prédio da Biblioteca, apenas alguns retardatários, como eles, deixavam o local.

- Ei, Hinata! Quer comer um ramen comigo lá no Ichiraku? Por minha conta! – convidou Naruto animado.

Fazia apenas uma semana que eles estavam estudando, mas ele já sentia que tinha uma grande dívida com ela.

- Eu adoraria - disse sinceramente – Mas tenho que voltar para casa.

- Ah, que pena. – ele parecia triste, mas depois sorriu - Fica pra próxima então! Até amanhã!

Eles se separam na metade do caminho, Naruto seguiu para a barraquinha de ramen e Hinata para a casa.

A casa principal dos Hyuuga ficava um pouco afastada da aglomeração da vila e tinha uma grande extensão. Lá não residia apenas ela, o pai e a irmã, mas todo o clã Hyuuga, Souke e Bouke, que morava no mesmo local. Era como se fosse uma pequena vila dentro de Konoha. Pela ultima contagem que fora feita, existiam no clã Hyuuga em média de 250 pessoas. Um verdadeiro exército de Byakugan. Mas nem todos Byakugan eram iguais. Alguns manifestavam habilidades especiais, como a de ver os tenketsus e enxergar à grandes distâncias enquanto outros apenas viam a circulação do chakra. Nem todos Hyuuga se tornavam ninjas também. Muitos Hyuuga, normalmente aqueles de linhagem menos desenvolvidas, apenas faziam as tarefas normais. É claro que os ninjas eram os mais respeitados não havia dúvida. E o líder do clã obrigatoriamente deveria ser ninja. Era isso que estava destinado para ela.

Absorta em seus pensamentos, Hinata não percebeu a aproximação de uma pessoa que já a seguia há algum tempo, mas que se revelou tão logo ela adentrou nos domínios dos Hyuuga.

- Hinata-chan!

A voz trouxe um sentimento de nostalgia e saudosismo para ela.

- Iruka-sensei! Que surpresa! – falou ela parando de andar e esperando que ele a alcançasse.

Iruka se aproximou mais de Hinata, sorrindo.

- Como vão as coisas Hinata? – cumprimentou alegremente - Vejo que você cresceu bastante. Em breve fará dezoito anos se não me engano.

A menção de seu aniversário a deixou um pouco desconfortável e Iruka percebeu isso. O sorriso de seu rosto perdeu um pouco o brilho ao sentir seu estômago se contrair dolorosamente diante da menção daquele dia.

- Algum problema? – indagou preocupado. O rosto dela ficara um pouco pálido diante do comentário dele.

- Não, de forma alguma sensei. – apressou-se em dizer – Apenas surpresa por vê-lo aqui...

- É mesmo. Eu nunca venho para esses lados. – comentou ele olhando ao redor deles - Mas eu precisava falar com você. Sobre o Naruto.

O coração de Hinata começou a bater mais forte. Lembrou claramente do que Sakura falara. Se a garota sabia dos seus sentimentos por Naruto, será que Iruka também tinha conhecimento?

- S-Sobre o N-Na-aruto-kun? – gaguejou receosa.

- Sim. – respondeu ele estranhando a forma como ela estava se comportando. Parecia assustada.

- Gostaria de me acompanhar até minha casa? – convidou Hinata. Se era para conversar sobre Naruto, seria melhor que estivesse sentada. - Podíamos tomar um chá.

- Bem, eu não quero incomodar. – falou Iruka indeciso.

- Não será incomodo. – disse ela sorrindo - Venha.

O caminho da entrada da propriedade até a casa principal era um pouco longo e preenchido com casas de outros Hyuuga e também jardins. Iruka olhava tudo com um sincero interesse. Percebendo a curiosidade do antigo professor, Hinata perguntou:

- É a primeira vez que entra aqui sensei?

- Sim, a primeira. Nunca tinha tido a oportunidade de entrar no clã Hyuuga antes.

A verdade que Iruka não queria mencionar para Hinata com medo de constrangê-la era que o clã Hyuuga tinha a fama de serem péssimos anfitriões, e não querer ninguém de fora andando por suas propriedades. Mesmo acompanhando de Hinata, ele percebeu alguns olhares hostis à sua passagem. Talvez não tivesse sido uma boa idéia aceitar o convite dela.

- Hã... Hinata? – chamou ele timidamente - Será que não podíamos conversar aqui mesmo? O assunto é rápido e eu não quero atrapalhar suas obrigações...

- Não irá atrapalhar sensei. – tranqüilizou a menina - Nunca recebo visitas e por isso estou muito feliz de você ter vindo!

"Ao contrário dos outros da sua família" pensou ele.

A casa principal era enorme, reparou Iruka. Logo que chegaram, uma pessoa veio caminhando decidido na direção deles.

Hanabi parecia extremamente irritada e veio em direção a Hinata com um semblante de raiva.

- Você está atrasada de novo! – exclamou a menina - O que você faz tanto que não consegue chegar cedo? Está com medo de perder pra mim de novo? – acrescentou com um sorrisinho maldoso.

- Olá Hanabi-chan – cumprimentou Iruka sem jeito.

- Oh – exclamou a garota – Iruka-sensei... O que faz por aqui?

- Na verdade eu já estava de s...

- Ele veio me visitar Hanabi. – respondeu Hinata tentando controlar a irritação da menina – Se comporte como uma boa menina enquanto eu resolvo uns problemas de adulto com o sensei, certo? E nada de ouvir atrás da porta. Agora nos dê licença.

A caçula da Souke abaixou a cabeça um pouco inconformada e saiu pisando firme se distanciando dos dois.

Quando entraram na sala, uma jovem da Souke de longos cabelos levantou a cabeça surpresa ao ver Iruka ali.

- Hinata-sama. – cumprimentou ela se curvando – Umino-san, se não me engano.

- Sim, sou eu. – respondeu Iruka sorrindo.

- Umi. – falou Hinata se dirigindo à garota – Poderia preparar um chá para o Iruka-sensei, por favor?

- Sim Hinata-sama.

E ela se curvou mais uma vez e saiu da sala. Hinata apontou o lugar em frente a ela para que Iruka pudesse sentar. Ele se acomodou e observando sua aluna, falou sem jeito:

- Hanabi se tornou uma menina de temperamento bem forte, não foi?

- Forte até demais... – murmurou ela.

- Bem, Hinata-chan, eu nunca vi você tratar alguém daquela forma. – comentou ele rindo. – Tão segura de si.

- Minha irmã esta muito mal acostumada como você mesmo viu sensei – justificou ela com a voz triste – só consigo fazer ela me ouvir daquela forma. Se tratá-la bem quando ela é grossa, ela pisará em mim.

"Mas com certeza pagarei por meu atraso e por dispensá-la daquela forma mais tarde" pensou triste. Hanabi podia ser apenas uma genin, mas sua forma estava em um nível bem elevado e lutava igual à irmã, e podia superá-la facilmente quando se esforçava mais. Tentando tirar aqueles pensamentos de sua cabeça, Hinata perguntou ao seu antigo sensei:

– Mas me diga sensei, você queria falar comigo sobre o Naruto-kun?

Iruka assentiu com a cabeça.

- Você está ensinado a ele, não é mesmo? – perguntou.

- Sim, eu tenho ajudado ele a estudar. – confirmou ela

- O Naruto nunca foi de estudar, acho que você já percebeu. – falou como se pedisse desculpa - Mas eu venho reparando que dessa vez ele parece motivado a aprender, e isso me deixa muito satisfeito. Então eu queria saber: como ele está se saindo com você?

- O Naruto não é esse aluno mal que já me disseram. – defendeu Hinata - Ele até aprende rápido dependendo da matéria!

- Sério? Então você é uma ótima professora, para fazer ele se interessar.

Hinata ficou vermelha diante do elogio e balançou a cabeça veementemente.

- Não é mérito meu. Ele está se esforçando. Só estou com medo de que não dê tempo fazer tudo que eu tinha previsto...

Um mal estar tomou de conta de Iruka. Não havia tempo para estudar e Naruto acabaria falhando por causa disso?

- Por que Hinata-chan? – perguntou nervoso.

- O tempo é curto. Tenho que treinar com o Time três e sobra somente três horas para ajudar o Naruto-kun... Isso se não aparecer nenhuma missão até o dia da prova, o que agravaria a situação... Gostaria de ter mais tempo para ficar com ele. Ensinando, lógico. – acrescentou rapidamente.

Iruka sorriu.

- Que bom que existe alguém que se preocupe tanto com o Naruto. – comentou ele satisfeito - Ele precisa disso. De alguém que goste sinceramente dele.

Hinata abriu a boca para falar algo sobre o comentário de Iruka, mas foi interrompida pela chegada de alguém às suas costas.

Iruka imediatamente se levantou. E se curvando, cumprimentou formalmente:

- Boa noite, Hyuuga-sama.

Um frio pegajoso se apoderou do interior de Hinata. Era seu pai que estava às suas costas. Lentamente ele se aproximou mais, com seus olhos perscrutando o homem à sua frente.

- Ora, ora, temos visitas – falou Hyuuga Hiashi em um tom nada agradável.

Quando Hinata conseguiu encontrar as palavras que haviam fugido dela, falou no tom mais calmo que conseguira:

- Iruka-sensei veio até aqui me fazer uma visita papai. – falou displicentemente, mas torcendo para que seu antigo sensei não mencionasse as aulas que ela dava a Naruto.

Seu pai, nem ninguém do clã sabiam que ela havia se oferecido para servir de professora para Naruto. Não escondeu essa informação de caso pensado, mas achava melhor não comentar nada por enquanto. Não sabia qual seria sua reação.

Hiashi olhou para a filha e depois para Iruka e falou em um tom seco:

– É uma pena que ele tenha que se retirar. – falou sarcástico - Afinal você deve treinar com sua irmã, Hinata.

Um rubor imenso atingiu o rosto de Hinata. Percebendo que aquilo foi uma ordem para se retirar o mais rápido possível, Iruka falou:

- Até depois Hinata. Seu pai tem razão, você tem suas obrigações. Tomamos o chá depois – e sem esperar pela resposta da garota saiu da casa.

Hiashi esperou até que Iruka tivesse se afastado da casa para encarar a fila e dizer friamente:

-Você está perdendo tempo demais com coisas que não tem valor. Em vez de ficar conversando sobre inutilidades, vá treinar com Hanabi e tentar melhorar, se é que isso é possível. – e dando uma pausa sinistra, acrescentou - Afinal o dia de sua posse está perto, para infelicidade do clã.

E retirou-se do ambiente não dando importância para as lagrimas que rolavam no rosto de sua filha.

Na cozinha, Hanabi esperava a volta do seu pai ansiosamente, enquanto brincava com uma maçã despedaçando-a.

- Tomara que o papai já tenha botado o Iruka-sensei pra correr. – falou a garota rindo comendo um pedaço da fruta que acabara de cortar.

- Isso foi muita maldade, Hanabi-sama. – repreendeu Umi – Você não devia ter feito isso.

- Feito o que Umi? – perguntou Neji entrando na cozinha.

Ele parecia ter acabado de chegar de uma missão, pois ainda estava um pouco sujo de poeira. Encostou-se na porta, analisando as duas garotas à sua frente e deteve seus olhos em Umi.

- O que Hanabi-sama fez dessa vez Umi? – insistiu ele.

- Nada de mais Neji! – disse a menina abraçando ele contente – Eu estava com saudades!

- Neji-sama. – falou Umi séria – Hanabi-sama pediu para Hiashi-sama mandar Iruka-sensei embora para que ela pudesse treinar com Hinata-sama.

Neji afastou um pouco a garota e a encarou seriamente.

- Isso é verdade, Hanabi-sama? – quis saber ele.

Hanabi olhou para Umi com raiva e depois para Neji antes de responder irritada:

- Sim, é! Ela devia estar treinando comigo e não conversando! – e se voltando para a garota gritou – Dedo-duro!

E mostrando a língua, saiu da cozinha.

- Ela ainda é muito criança... – comentou Umi.

Neji deu de ombros e foi para seu quarto. Depois de tomar um banho iria ver como estava Hinata. Se realmente o pai da garota tivesse sido indelicado com Iruka, ela não estaria bem. E lembrou, depois do banho, de procurar conversar com Hanabi para ela parar de fazer aquelas coisas se quisesse ser realmente levada a sério dentro da família.

Iruka estava preocupado. Pelo que Hinata falara, não daria tempo de deixar Naruto a par de todo conteúdo necessário para a prova de jounin. Não tinha como ele próprio ensinar o Naruto por causa da academia, e nem precisava porque ela estava fazendo um ótimo trabalho. Tinha plena consciência que Naruto não tinha capacidade de estudar sozinho. Se ao menos tivesse como Hinata e Naruto passarem mais tempo juntos.

Enquanto pensava essas coisas ele voltava para a vila. Uma coisa também o preocupava. A atitude de Hiashi com a própria filha fizera o professor se sentir mal. Hinata estava sendo tão solicita com Naruto, mas parecia que o líder do clã não percebia a pessoa maravilhosa que tinha dentro de casa.

"Mas ele deve agir assim pensando na sucessão dela. Afinal, Hinata será a próxima líder...".

Decidiu deixar aquilo de lado. Afinal, mesmo que quisesse não tinha como ajudar Hinata naquela questão. Tinha que ajuda-la a ajudar Naruto. Era tudo que poderia fazer.

- Iruka-sensei! Tomando um ar noturno?

Shikamaru chegou acompanhado de Chouji e passou a andar ao lado do professor, que lhes sorriu. Os dois pareciam um pouco cansados, reparou Iruka.

- Shikamaru-kun, Chouji-kun! Quem bom rever vocês! O que estão fazendo?

- Estávamos indo comer lá no restaurante. – esclareceu Chouji – Depois do trabalho pesado que tivemos... – ele parecia chateado.

- Trabalho pesado? – estranhou Iruka.

- O Daymiou enviou novos livros para a biblioteca – explicou Shikamaru parecendo entediado – Como não havia mais ninguém disponível quando o carregamento chegou, sobrou para nós dois descarregamos todos aqueles livros... Cara foi tão problemático...

Iruka riu do comentário, mas sem deixar de admirar aqueles garotos que já eram homens e que haviam sido seus alunos. Sentia um imenso orgulho de si mesmo, por ter podido contribuir, ao menos um pouco, na formação deles.

"Queria ter feito mais por Naruto..." pensou tristemente.

Percebendo a preocupação de Iruka, Shikamaru perguntou preocupado:

- Algum problema sensei?

- Não, nenhum. – disse apressado – Só umas coisas que eu tenho que resolver.

- Nada se resolve de barriga vazia. – falou Chouji seriamente – Não quer jantar conosco no restaurante?

- Não posso, mas obrigado pelo convite. – agradeceu sinceramente.

- Não pode por que vai ver a Ayame lá no Ichiraku não é mesmo? – gracejou Shikamaru fazendo Iruka ficar imediatamente vermelho.

- D-De onde você tirou essa idéia menino? – protestou sem jeito – Preciso é falar com a Hokage!

"Mas não era nada mal passar lá no Ichiraku e comer um ramen..." pensou feliz.

- Certo sensei, se você diz... Bem Chouji – disse Shikamaru – Vamos logo comer e voltar para casa antes que cheguem mais caixas.

- Tenho pena de quem vai catalogar todos aqueles livros. – comentou o outro ao se afastarem – Vão passar semanas para terminar o serviço...

Foi então que Iruka teve uma idéia. Diante do que Chouji disse, sabia exatamente como podia ajudar Naruto. Mudando de curso, em vez de ir para o ramen tomou o curso do escritório da Hokage. Falaria com Tsunade sobre sua idéia.

E depois não seria má idéia comer um ramen e ver Ayame.

Correndo com um sorriso no rosto, ele acenou para Shikamaru e Chouji e desapareceu nas sombras da noite.

Hinata caminhava como um fantasma naquela manhã. Seu pai, na noite passada após a saída de Iruka, havia submetido-a a um verdadeiro suplício físico e mental durante o treino. Estava esgotada. Nem a presença de Neji, que a procurara depois para saber se estava tudo bem adiantara. Para piorar, as crises de vômito voltaram mais fortes que antes durante a madrugada e seu esôfago ardia pelo esforço repetitivo, tanto que, nem ao menos tomara o café da manhã.

"Se eu sobreviver a hoje, sobreviverei a qualquer coisa" pensou sombriamente.

Como de costume ela chegou ao local de treinamento bem antes de seus alunos. Sentou em uma pedra e começou a mastigar uma erva medicinal que tinha encontrado durante o percurso. Shino uma vez a ensinara que aquela planta ajudava em problemas estomacais. E realmente sentiu um alívio refrescante quando engoliu a pasta amarga.

Imaginava como estavam seus companheiros de time naquele momento. Fazia alguns meses que não via Shino, desde que ele fora incorporado à anbu. Kiba estava bem atarefado, ajudando a irmã na clínica para animais e estudando para se tornar um veterinário como Inuzuka Hana. E por fim, Kurenai, sua sensei, estava grávida já de quase seis meses, lembrou.

"Preciso visitá-la... Sinto falta de todos... Mas com tantos compromissos, como posso me ausentar do clã? E principalmente agora que com as poucas horas que tenho devo ajudar o Naruto-kun!"

O trio de genins chegou um pouco depois, todos juntos. Yumi e Suzumi vinham alegres e acenaram animadas quando a viram, mas Makoto ainda bocejava e parecia irritado, como sempre.

- O que vamos aprender hoje? – ele já chegou perguntando.

- Bom dia para você também Makoto. – cumprimentou Hinata rindo – Hoje vocês aprenderão a fazer armadilhas.

- Oba!!! – exclamaram as meninas.

- Que chato. – resmungou Makoto – Não tem algo melhor?

As meninas começaram a dar cascudos no garoto, mas a professora não ficou chateada com as palavras dele. Já se acostumara a seu mal-humor.

- Sensei! – chamou Yumi quando soltou o garoto – Papai lhe mandou onigiris!

E estendeu vários bolinhos de arroz para a sua professora. Hinata sentiu o cheiro da comida e teve um espasmo no estômago, sentindo o gosto de bílis na boca misturada com o sabor da erva amarga.

- Obrigada Yumi, mas eu estou sem fome... Por que vocês não saboreiam a comida do pai da Yumi enquanto eu preparo o material?

- Oba, eu quero o de ameixa! – pediu Suzumi.

Nem mesmo Makoto resistia aos lanches que a menina de longos cabelos azuis trazia. Hinata se perguntava se ela herdara aquela meiguice do pai, já que sua mãe era conhecida por ser extremamente dura e exigente.

"Espero que ela se conserve assim..." pensou olhando para Yumi.

- Bem – disse Hinata se levantando depois de conferir o material e ver que eles tinham acabado com os bolinhos de arroz – vamos começar.

Mexer com armadilhas sempre foi o forte do Time oito, lembrava a sensei nostálgica enquanto tentava passar para seus alunos tudo aquilo que sabia daquela técnica. Todavia, a aula mal havia se iniciado quando foi interrompida por alguém.

- Hyuuga Hinata. – chamou uma voz grave

Era um anbu. Estava com a tradicional máscara de animal usada por todo esquadrão, mas Hinata reconheceu a voz como sendo a de Uchiha Sasuke. Seus alunos soltaram as cordas e ficaram olhando o homem à sua frente com uma mistura de respeito e medo.

- A Hokage a convoca junto com o Time três para se apresentarem em seu escritório. – e dando uma pausa, acrescentou - Imediatamente.

- Certo. – disse ela.

Eles guardaram o material e acompanharam Sasuke até onde Tsunade os aguardava. No caminho, enquanto pulavam de prédio em prédio para chegar ao escritório da Hokage, os meninos discutiam animadamente o motivo da chamada repentina.

- Oba, tomara que seja uma missão de rank S! – exclamou Makoto animado.

- Você não tem capacidade nem de participar de uma de rank D. – alfinetou Suzumi fazendo o garoto olhar com raiva para ela.

- Quietos! – reclamou Yumi – Estamos chegando.

Hinata, igual aos seus alunos, também imaginava que o motivo da chamada era uma missão, e diferente deles, não estava nem um pouco animada. Sair em missão significava deixar Naruto sozinho, sem ter quem o ensinara para a prova. E não havia como ela recusar partir em missão, já que sabia que os três genins sobre seu controle não podiam ainda realizar trabalhos sem sua supervisão.

"Tomara que não seja uma missão." Pensava Hinata fervorosamente "E se for que não seja nada demorado!".

Como o escritório estava cheio então eles tiveram que esperar para serem atendidos. Enquanto esperavam, vários ninjas que passavam por ali cumprimentavam alegremente Hinata, entre eles Rock Lee, que fez questão de parar um pouco e falar com ela.

- Como vai a Hanabi-chan? – perguntou animado.

- Muito bem Lee-san. – respondeu com um sorriso no rosto – Espero que ela não esteja te dando trabalho.

- De forma alguma! – negou ele veementemente – Eu adoro meus pupilos! Estou indo me encontrar com eles agora, nós temos uma missão!

- Eu acho que também teremos uma... – falou Hinata mais torcendo para estar errada.

Observando a cena, Yumi comentou timidamente.

- Nossa sensei é bem conhecida não é?

- Grande coisa. – resmungou Makoto – Olhe por quem ela é conhecida, por esse cara estranho de sobrancelhas grossas...

- Você fala como se você fosse normal... – rebateu Suzumi dando um cascudo no menino. – Além de ser um pintor-de-rodapé, tem voz de menina!

Quando Shizune apareceu na porta chamando eles, Lee já havia se despedido de Hinata e Yumi já havia acabado com a briga entre os seus colegas de time.

- Time três – começou Tsunade quando finalmente os atendeu – tenho uma missão de extrema importância para vocês.

- O que é? – perguntou Makoto animado – Espionar um daymio rival? Capturar um ninja do Bingo Book?

- Na verdade, estou precisando que vocês cataloguem os livros novos da biblioteca. – falou dando de ombros.

- O QUÊ?????? – exclamaram os três.

- Desde quando isso é importante?! – perguntou o garoto irritado.

- Ora, você estará contribuindo para a vida intelectual de Konoha! Quer honra maior? – exclamou a Hokage rindo.

Um sentimento de alívio tomou de conta de Hinata. Se aquela era a missão, não iria atrapalhar os seus estudos com Naruto.

– Agora vocês põem ir. - dispensou Tsunade - O chunin responsável pela biblioteca irá mostrar o trabalho a ser feito. Mas, Hinata, espere um pouco quero falar com você a sós.

Quando o time saiu da sala com Makoto praguejando alto, Tsunade olhou para Hinata, sorridente.

- Admiro sua iniciativa de ajudar o Naruto, Hinata. – falou a Hokage

A garota corou um pouco diante do elogio e falou:

- Eu apenas quero ajudá-lo...

- Por isso designei seu time para trabalhar com os livros. Estando na biblioteca o dia todo, você poderá ensinar ao Naruto mais tranquilamente. - E soltando uma risada completou – Mas parece que quem não gostou foi o seu time!

- Obrigada, Tsunade-sama! – agradeceu sinceramente Hinata se curvando – Não sei como agradecer. Eu sei como fazer essa prova é importante para o Naruto-kun!

- Agradeça garantindo que Naruto passe nessa prova. – disse sorrindo para a jounin - Por mim eu teria dado o título a ele sem essa cerimônia toda, mas os conselheiros acharam que já estávamos quebrando regras demais permitindo que um genin fizesse a prova para jounin.

- Entendo. Esforçarei-me bastante Tsunade-sama!

- Agora pode ir e avise àquele moleque que ele terá aulas em período integral.

Quando Hinata deixou a sala muito contente, Iruka, que estava camuflado no fundo da sala, apareceu.

- Obrigado Tsunade-sama, por atender meu pedido.

- Não tem de quê, Iruka. A idéia de colocar o Time três para catalogar os livros, me solucionou dois problemas: o que fazer com aquelas caixas e como ajudar Naruto.

- Hinata-chan foi muito gentil em se oferecer pra ajudar o Naruto. – comentou ele – Ela sempre foi uma ótima aluna e suas notas sempre foram bem próximas às de Sakura.

Tsunade continuou olhando para a porta, por onde a herdeira dos Hyuuga havia saído e sorriu maliciosamente.

- Mas quero lhe avisar uma coisa Iruka: acho que essas aulas não renderão apenas estudos! – e caiu na risada enquanto Iruka a observava sem entender o significado daquelas palavras.