Parte 4 – Apenas acredite
- O que você quer? - Dean perguntou sem rodeios.
- Alguém quer me matar ... outra vez - murmurou Dee. - Dee foi assassinada, e agora, vários acidentes inexplicáveis vêm acontecendo comigo, se eu não fosse o que sou, estaria morta há muito tempo.
- Você precisa da nossa ajuda para isso? - Dean riu, pensava que teria de enfrentar demônios terríveis. - Por que não usa seus poderes e resolve tudo?
- Não é engraçado – Dee se aborreceu. - Claro que seria fácil para mim saber quem quer me matar e puni-lo - Dee fechou a mão como se estivesse esmagando algo. - Mas eu não quero usar meus poderes, pelo menos por enquanto, e também, não posso perder tempo com isso, a fortuna de Dee está sendo ameaçada e se ...
- Por que você está com tanto medo de usar seus poderes? - Sam interrompeu.
Dee pensou antes de responder: - Boa pergunta, Sam! Você não imagina o que é o verdadeiro poder. Controlar a vida, decidir o destino das almas, ter todos na palma de suas mãos, o prazer é imenso... daí você perde a noção do que é certo, não importa se você está errado ou não, todas as suas ações são justificadas e cada vez mais torna-se mais difícil controlar-se. É um vício como qualquer outro, o prazer momentâneo cega e você não ouve ninguém, você não vê que destrói a si mesmo e aqueles ao seu redor, você sabe disso não é? - Dee falou, sem desviar o olhar dos olhos de Sam, mesmo quando ele desviou os olhos do dela.
Sam pareceu incomodado com o que ouviu.
- E para que você quer o dinheiro? - Dean perguntou, curioso.
- Dinheiro é essencial para os meus planos - Dee riu alto: - Perdoe-me, mas você tinha que estar lá para ver os ricaços correndo e gritando depois que me levantei do caixão, foi muito engraçado – De repente Dee ficou séria novamente - mas ninguém pareceu feliz por Dee ter voltado a viver, nem a família dela comemorou. Eu investiguei a família e adivinhem, era melhor para todos Dee Hartford ter morrido. Ela tinha bilhões, mesmo se eu gastar vários milhões por dia, isso nem arranhará a conta bancária dela.
"Herança, bom motivo para se matar ", eles pensaram.
- Dee era insuportável, porque ninguém se atrevia a contrariar seus desejos, todos estavam com medo de perder a vida fútil que o dinheiro dela patrocinava.
- Quantos jogadas dá para fazer com ... - Dean pensou alto, imaginando-se nas roletas de Las Vegas.
- Dean! - Sam chamou o irmão de volta à realidade.
- O quê? Eu estava só pensando, não posso? - Dean respondeu.
- Quando fizer dezoito anos eu controlarei todo o dinheiro e parece que alguém não quer que isso aconteça - disse Dee preocupada.
- E o que importa quem matou Dee, você não pode entregá-lo à polícia e parece não ter a intenção de matá-lo. O que vai fazer? - Bobby perguntou.
- Eu sei que o culpado não será punido, mas é importante eu saber quem é para eu não perder a fortuna. A família deseja bloquear o dinheiro de Dee, e eu não posso deixar que isso aconteça, eu preciso de dinheiro para ajudar vocês.
- Nós não precisamos do seu dinheiro - Sam estava irritado.
- Sammy! - Dean chamou a atenção do irmão: "Dinheiro extra não seria tão ruim assim", pensou Dean, sorrindo discretamente.
- Colt protegeu o portão do inferno com uma grande armadilha e eu vou construir uma armadilha maior e mais poderosa para protegê-los.
- Nós sabemos nos cuidar - Sam disse, confiante.
- Claro que sabem. Mas no auge da batalha que virá, precisarão de um refúgio seguro para se proteger e descansar. A fortaleza irá protegê-los dos demônios e de seus seguidores humanos. Acreditem, vocês precisarão dele - Dee estava convencida de que estava certa.
Os caçadores sabiam que não podiam confiar em Dee completamente, mas não havia maneira de distinguir o que era verdadeiro ou falso.
- Só mais uma coisa - Dee disse em uma voz firme.
Os homens olharam curiosos para ela, parecia que iria revelar algo importante.
- Preciso ir ao banheiro novamente e acho que o balde não é boa idéia - disse Dee desafiadora.
Sam e Dean se entreolharam.
- Vamos soltá-lar - disse Sam, raspando uma parte da armadilha com uma faca.
***
- Para que tantas roupas? - Sussurrou Dean para Dee enquanto acenava para a bonita vendedora que sorria para ele descaradamente.
- Será mais fácil para vocês investigarem se forem apresentados como meus guarda-costas - Dee respondeu, olhando de cima a baixo - Sinto muito, mas suas roupas ... Francamente!
- Para mim está tudo certo! - Disse Sam, carregando várias sacolas com ternos e roupas caríssimas, ignorando o olhar reprovador de seu irmão mais velho.
- Por favor, enviem para minha casa. Muito obrigado - Dee entregando o cartão com o endereço para um atendente de loja.
- Não demorem - Dee começou a dar ordens como se eles realmente fossem seus empregados, e Dean não gostou disso, mas não pôde dizer nada para ela, porque Dee fechou a porta do carro e acelerou.
**
Dee estava impaciente, esperando Sam e Dean na entrada do hotel.
- Mas que demora! Ah! Esqueci que você veio dirigindo essa lata velha, lembre-me de comprar um carro novo para você - disse Dee.
Dean tinha controlado por horas a sua própria boca, agüentou firme quando ouviu o demônio dar ordens e criticar suas roupas, mas ouvir alguém fazendo pouco caso de seu carro foi a gota d'água: - Ouça, sua vadia, pega o seu carro novo e ....
- Dean! - Sam interveio, preocupado com as pessoas que os olhavam curiosos.
- Bonito e sem educação. Gosto de homens como você - provocou Dee, jogando uma chave para Sam. - Espero que você goste do quarto.
**
Sam e Dean entraram no quarto e examinaram tudo, enormes camas e uma decoração luxuosa, realmente, tudo era muito diferente dos quartos em que se hospedavam.
- Legal! - Dean disse, jogando-se na cama.
Sam concordou com Dean, mas não podia parar de pensar que não sabiam nada sobre esse demônio de olhos verdes.
***
- Atenda o telefone Sam ... - Dean murmurou, colocando o travesseiro na cabeça para abafar o som do telefone.
Sam, sonolento, abriu os olhos e estendeu a mão para alcançar o telefone: - Olá, ok ... ok ... ok ... - Depois de desligar o telefone, Sam se levantou e chacoalhou o ombro de Dean. - Acorde, Dee quer sair imediatamente e quer nos ver com as roupas novas, ela não pode ser vista ao lado de mendigos.
Para quem ainda estava sonolento, Dean sentou-se rápido demais na cama. - Eu juro que eu perco a paciência e acabo com esse demônio.
Quinze minutos depois, Dee bateu forte na porta do quarto dos Winchester. Assim que a porta se abriu, ela entrou pisando firme e muito mal-humorada.
- Por que as "meninas" não estão prontas? - Dee perguntou, olhando para Dean ainda vestido com um roupão e Sam ainda vestindo sua camisa.
- Estamos esperando o nosso café - Dean respondeu calmamente.
- Eu não acredito! Vocês irão me desafiar o tempo todo?
- Enquanto você nos tratar assim ... - Sam disse, entrando no banheiro.
Dean só assistiu à discussão e ficou surpreso quando Dee sentou-se pesadamente na cama, parecia estar esgotada. Sam voltou para o quarto, vestindo terno azul escuro de corte perfeito e recebeu um olhar de aprovação de Dee que o fez sorrir. O café da manhã foi entregue no quarto. Dee os acompanhou.
- Por favor, desçam rapidamente, estou tendo um mau pressentimento - Dee falou ao terminar a refeição.
***
Dee e os "guarda-costas" chegaram à mansão Hartford.
- Que está acontecendo aqui? - Dee perguntou, surpresa ao ver pessoas estranhas em sua casa.
Rachel correu para cumprimentá-la e olhou curiosa para Sam e Dean, que estavam mais elegantes, mas treinada para ser discreta, não esboçou reação alguma.
- Eles são meus guarda-costas, acomode-os no quarto ao lado do meu - Dee ordenou, enquanto caminhava em direção ao homem de meia-idade. Dee conhecia aquele homem, Dr. Grimm era o médico da família que havia sido chamado às pressas para examiná-la depois que ressuscitou.
Sam explicou para Rachel que estavam investigando o caso e que ela devia permanecer em silêncio. Rachel sorriu feliz por cooperar com os agentes do FBI.
- Desculpe, Senhorita Hartford. Tentamos todo o possível, mas seu pai não respondeu ao tratamento que ... - As palavras do Dr. Grimm confirmaram os receios de Dee, ela correu para o quarto do pai. Leonard Morrison em nada lembrava o homem que ela havia conhecido, o corpo estava esquelético e, quando ele respirava, os ossos pareciam furar a pele fina. Ele estava cercado por várias pessoas desconhecidas, provavelmente médicos e enfermeiros.
- Todo mundo fora. Agora! - Dee gritou, não dando chance para ninguém se opor a sua ordem. Imediatamente, todos saíram do quarto.
- Fechem a porta. - Ordenou Dee para Sam e Dean.
Dee apontou para Leonard: - A última vez que vi este homem, ele estava com a saúde perfeita, isso não é natural! - Dee disse, enquanto ela fazia uma busca na cama.
- O que devemos procurar? Sam perguntou.
- Procure por coisas anormais!
- Nada! - Dean disse, após terminar a procura.
Dee caminhou até Leonard e segurou o rosto dele entre suas mãos, em seguida, ela abriu a boca dele e olhou dentro, ela imediatamente começou a recitar: - "A vero domino, Morrison… Morrison…, cessante causa tollitur effectus. Per se stante, ad exludendum... "
Dee soltou a cabeça de Leonard e então ele começou a se debater na cama.
- Mantenha os braços presos. - Dean e Sam ajudaram Dee enquanto ela colocava a mão na testa dele, pronunciando palavras desconhecidas. Leonard acalmou-se por um instante, mas tossiu parecendo estar engasgado com algo. Leonard teve um acesso de tosse e seu corpo se contorcia, depois vomitou um coágulo de sangue negro e viscoso. Dee recolheu imediatamente o coágulo com uma toalha - Eu preciso me livrar disso. E rapidamente saiu do quarto.
Fim da quarta parte.
Dean e Sam precisam desvendar as mortes, mas não eram simples casos de assassinato como pensavam, afinal, nada é simples e comum na vida dos Winchester, vocês sabem...
