Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.
Titulo: Learn to Love
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom: Supernatural
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.
Sumário: Um caçador. Um jornalista. Passado. Presente. Juntos eles aprendem a amar.
Fanmix: HTTP : / tinyurl . com / 2bxegxm Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.
Capa NOVA: http : / tinyurl . com / 2ca554rPor EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.
Capítulo IV
Jared escutou o barulho de panelas vindo da cozinha e afundou o rosto no travesseiro. Com certeza era o Tom tentando fazer seu café novamente, mas ao sentir o cheiro de bacon e ovo frito, e, descobriu que não era ele. Mas quem seria o maldito que estaria em sua casa? Abriu os olhos lentamente. As lembranças da noite passada e de onde estava vieram com tudo em sua mente, fazendo com que afundasse novamente a cabeça no travesseiro.
Quando saiu do banheiro, fazendo o que conseguiu de uma higiene matinal. Caminhou até a cozinha com o maior cuidado possível, pois sentia que a qualquer momento aquela calça iria estourar.
E teve que rir da sua desgraça, como sempre. Quando olhou para mesa, apreciou a visão que teve. A mesa estava feita com dois pratos cada lado e ao centro, muito bacon, ovos fritos, pão caseiro, bolachas, suco e café. Sentiu seu estômago revirar. Estava tão cansado que nem havia se lembrado de pedir algo para comer, e sorriu ao escutar Jensen o chamando para sentar.
— Bom dia! – Jared disse sorrindo.
— 'Dia! Pode se servir. – Jensen respondeu com seu tom seco, olhando-o intensamente. Jared o viu servir-se de algumas torradas, de bacon e ovos, e fez o mesmo.
Jensen ficou impressionado com a quantidade de comida que Jared conseguia colocar na boca de uma só vez. Talvez seu tamanho fizesse com que ele comesse demais.
Continuaram a comer em silêncio, mas o que Jensen tinha a perguntar era sobre o que aquele cara realmente estava fazendo ali. No entanto, ele mantinha a boca muito ocupada para poder responder suas perguntas. Resolveu que faria todas as perguntas depois que ambos terminassem.
Quando Jared deu por si, havia comido mais que o necessário. Sorriu educadamente e envergonhado.
— Estava morto de fome!
— Imagino!
— Você não tem telefone? – Jared perguntou já sabendo a resposta, pois havia olhado pela casa, e não encontrara um único aparelho.
— Não.
— Computador?
— Não.
— Então, estou mesmo preso aqui e sem comunicação.
— Sim. – Jensen respondia a cada pergunta que o outro fazia.
— Pelo seu olhar, você quer saber mais coisas. – Jared firmou, vendo uma das sobrancelhas de Jensen se levantar indagando-o. – Sou bom com leitura facial. Acho que foi a única coisa de bom que aprendi enquanto estava com o Tom, mas isso não vem ao caso. Se quiser saber qualquer coisa... É só perguntar, não tenho problemas em responder!
— Quando eu terminar de comer. – Jensen disse educadamente, e voltou a ficar em silêncio, mas continuou a fitar seu hóspede.
Jared havia notado outra coisa no olhar de Jensen. Era um misto de sentimentos. Ele via medo, insegurança, solidão e, principalmente, desconfiança. Tudo refletido naqueles lindos orbes esverdeados. Não agüentando manter o contato visual por muito tempo, desviou o olhar para o suco de laranja que estava a sua frente. Temia que Jensen também fosse bom em interpretar olhares, e não queria que ele o analisasse. Então, parou de fazer o mesmo com ele.
Quando o viu terminar de comer, suspirou, pois aquela conversa seria difícil, ou talvez nem tanto, mas temia pelo que viria.
— Não sei dizer se está mentindo, Jared Padalecki, mas queria saber o verdadeiro motivo que lhe trouxe aqui! Seja franco. – Jensen falou como se tudo que Jared havia dito até então fosse mentira.
— Você quer saber tudo ou só a parte que me trouxe até aqui? – perguntou rindo, pois esse era seu jeito, não conseguia ficar sério, nunca.
— A que você desejar!
— Em New York, eu morava em um prédio, num loft, que ficava de frente ao mar, e que dava direito ter uma boa visão da estátua da Liberdade. – era inevitável fechar os olhos e não se lembrar daquela magnífica visão que tinha. – Morei durante três anos naquele lugar, mas nos últimos dois meses, o dono resolveu vender. Se não conseguisse vender, iria transformá-lo em apartamentos, meu loft era enorme! – disse fazendo um movimento exagerado com os braços. – Mas então, um belo dia, exatamente há duas semanas, ele conseguiu um comprador, que pagou o preço maior que o pedido...
— Quem faria isso? – Jensen o interrompeu, mas não soube o porquê, talvez fosse por não estar acreditando naquela história.
— Meu ex-namorado! – firmou Jared com cautela, pois não era sempre que as pessoas reagiam bem quando ele falava de seu psicótico ex-namorado. Talvez por que não fosse comum, para um homem ter um ex-namorado. Vendo que Jensen não teve nenhuma surpresa com aquele fato, resolveu continuar. – Quando Tom descobriu que eu realmente morava naquele endereço e há muito tempo, resolveu comprá-lo e dá-lo de presente para mim. Ao ficar sabendo que ele havia comprado, eu praticamente pirei, e resolvi sair de New York. – suspirou e bebeu um gole do suco, para umedecer os lábios. – Foi quando contei ao Jeffrey que estava de partida. Disse que quando vencesse o meu contrato, que foi exatamente ontem, iria sair de New York e ir para a Pensilvânia, ou voltar para o Texas. Mas ele me disse que tinha uma cabana, aqui. Então, você já sabe o resto da história.
— Estranho. – disse Jensen notando que conforme Jared ia falando de seu loft, e do tal Tom, seu sorriso brilhante ia sumindo e dando lugar a um largo sorriso, mas de tristeza.
— O que é estranho? – Jared perguntou, fazendo voltar seu sorriso normal, pois não deixaria que tais acontecimentos o abalassem.
— Nada! – Jensen disse, vendo o rosto de Jared empalidecer.
— Mais que porra! –Jared falou um pouco mais alto que o habitual e bateu com a palma da mão na testa. – Jeffrey pediu que eu lhe entregasse uma carta... – por aquela revelação Jensen não esperava, deixou transparecer sua surpresa e estendeu o braço, com a palma da mão virada para cima – Mas estava chovendo tanto e eu não sabia o que fazer. Eu a deixei no carro.
Jared viu a mão de Jensen voltar ao lugar onde estava e o rosto dele voltar ao normal. Levantando-se lentamente, começou a retirar os pratos da mesa, sendo seguido pelo olhar atento de Jensen.
— Mesmo sendo um 'visitante' acho que meu dever é a ajudar. Se vou ficar preso aqui, e não quero ser um peso. – Jensen não disse nada, somente levantou e o auxiliou a colocar os pratos e copos na lavadora, ajudando-o a organizar tudo.
Jared tomou à frente, e os utensílios que não poderiam ser lavados na lavadora, ele mesmo lavou à mão. Às vezes gostava do silêncio, mas só quando estava sozinho. Quando tinha outra pessoa, era impossível manter o sorriso fora do rosto, e era impossível não tentar fazer aquela pessoa sorrir. Mas Jensen não deixava uma única brecha.
Viu quando ele foi para sala, sentando em frente à lareira apagada, e pegou seu livro para ler. Mesmo que a casa fosse toda equipada com tecnologia de última geração, ele não tinha telefone, computador e nem televisão. Estava tentando descobrir como aquele cara vivia sem saber dos acontecimentos, sem ser atualizado. Se fosse ele, Jared Padalecki, já estaria pirando numa hora dessas.
Quando terminou de arrumar a cozinha, procurou o que fazer pela casa. Não conseguiria ficar muito tempo parado sem ter seu laptop na mão. Andou em direção ao quarto e viu que a cama ainda estava do jeito que ele havia deixado. Resolveu arrumá-la. Quando notou que não tinha mais o que arrumar no quarto, voltou para a sala para ver se tinha alguma coisa fora do lugar, mas não encontrou nada.
Estava parado ao meio da sala quando sentiu o olhar de Jensen preso em seu corpo, e foi quando lembrou que as roupas estavam apertadas demais para ele. Não sabia o que estava sentindo, se estava envergonhado por ser olhado daquela forma, ou lisonjeado. Mas antes que pudesse chegar a uma conclusão, escutou a voz de Jensen.
— Suas roupas já estão lavadas e devidamente secas! – quando Jared o olhou ele estava novamente com os olhos presos em seu livro. E quando avaliou o que estava pensando, sentiu-se muito envergonhado. Então, resolveu que seria melhor livrar-se logo daquelas roupas.
Estava sendo difícil acreditar em toda aquela história que Jared havia lhe contado. Parecia mais um roteiro de um filme, e não estava achando a mínima graça em tudo aquilo. Sua cabeça não parava de trabalhar. Estava achando que Jared estava atuando, às vezes bem e, às vezes, muito mal.
Mas o que estava dificultando muito as coisas, era o fato de Jared ser extremamente atraente e seu corpo reagia involuntariamente. Jared havia dito que era bom em ler expressões faciais, mas ele também não ficava muito atrás. Depois que começou a agir racionalmente, e isso aconteceu durante o café, conseguira perceber algumas falhas. Aquele sorriso que estampava seu rosto era um tipo de máscara, assim como os atores faziam, para que ninguém percebesse o que eles realmente estavam sentindo. E quando olhou diretamente nos olhos dele, percebeu que era verdade.
Os olhos dele refletiam as mesmas coisas que ele sentia, mas não sabia se seus olhos falavam da mesma maneira, via neles insegurança, solidão e muito medo.
Em certo momento até pensou que tudo que ele estava falando poderia, sim, ser verdade, mas seria quase impossível disso acontecer, pois essas coisas não acontecem na vida real. E se estivesse acontecendo com ele agora, definitivamente não estava gostando. Jensen Ackles não era uma pessoa que gostava de muitas modificações em sua vida monótona.
Viu Jared se aproximar, vestido já em suas próprias roupas limpas, mas resolveu não olhá-lo. Odiava o que seu corpo fazia consigo quando o olhava, mas quando estava olhando, não conseguia parar, e isso o irritava muito. Continuou a fingir que lia seu livro, quando o viu se aproximar de sua estante e escolher um livro. Escutou-o balbuciar um pedido, para poder ler o livro que havia escolhido, e não negou, assim poderiam ficar em silêncio, e era o que mais prezava em sua vida.
Haviam passado horas, e eles ainda continuavam a ler em silencio. Jensen, sentado em sua poltrona em meio à sala, e Jared, deitado de mau jeito no pequeno sofá que tinha no canto da mesma. Se haviam trocado meia dúzia de palavras, era muito. Jensen já havia percebido o quão inquieto Jared estava. Ele não aparentava ser uma pessoa que apreciava o silêncio, pois pelo que percebera, gostava de falar e sorrir muito.
Não sabia em que momento havia apagado naquele sofá, mas sabia que havia dormido muito tempo. Talvez só houvesse acordado mesmo por causa do vindo da cozinha. Levantou, espreguiçando-se. Estava sendo um tédio ficar preso dentro daquela cabana sem nada para fazer.
Quando chegou à cozinha, viu alguns lanches em cima da mesa, e nem precisou dizer que estava ali, pois o arrastar de seus pés quando caminhou até lá já o tinham denunciado para Jensen, que já estava sentado a sua espera.
— Não precisava ter me esperado! – Jared disse sentando-se de frente ao loiro, sorrindo.
— Educação! – foi à única coisa que Jensen respondeu e começou a comer.
Com certeza aquele cara não era de conversa. Foram poucas as vezes que havia conseguido uma resposta com mais de três palavras, mas naquele momento havia prometido a si mesmo, que o faria falar o máximo que pudesse e ficaria contando quantas palavras ele falava. Talvez isso fizesse seu tédio acabar.
E sorriu verdadeiramente desde que saiu de New York, ato que não passou despercebido, pelo olhar atento de Jensen. Mesmo achando que aquele era o sorriso mais lindo que havia visto na vida, não fez nenhum comentário.
As horas se arrastavam com tanta lentidão que Jared achava que iria acabar pirando. O que ajudou a manter sua sanidade, foi o livro que estava lendo. Sempre gostara muito de ler, mas depois que havia mudado para New York sua vida havia se tornado tão conturbada, que seus livros haviam sido esquecidos na prateleira de seu escritório.
Não conseguia nem pensar a que altura do dia estava, pois, do lado de fora da janela, o dia parecia noite e a noite continuava como havia ficado. Procurou por um relógio, mas não achou, Jensen era mesmo uma pessoa muito estranha. Tentou imaginar o que teria levado uma pessoa como ele, a se esconder no meio das montanhas, sem nenhum tipo de comunicação, mas não conseguiu encontrar nenhum motivo. Na realidade parou de pensar, pois achou que seus neurônios iam começar a fritar se continuasse com essa busca.
Já não agüentando mais o silêncio, que há horas estava atormentando, resolveu pensar em algum assunto, sem que nada viesse a sua mente.
Jared o viu levantar para colocar lenha na lareira e poder acendê-la. Não havia percebido, mas estava frio, e a casa começava a ficar pouco aconchegante. E sorriu ao ver que aquele era um trabalho fácil para Jensen, pois não demorou muito para que o fogo começasse a esquentar o ambiente. Não pensou duas vezes antes de levantar e ir sentar-se em frente à lareira. Achava magnífico o som de madeira estalando enquanto o fogo a queimava lentamente.
— Você tem bastante prática com isso! – Jared disse esticando as palmas das mãos para pode aquecê-la com o fogo.
— Costume.
— Eu nunca consegui acender a lareira do meu apartamento! – Jared disse rindo. – Por isso fiquei feliz quando Jeffrey me comprou um aquecedor.
— Normalmente os lofts já têm aquecedor! – Jared sorriu, Jensen havia falado mais que três palavras.
— Mas o lugar era tão velho que os aquecedores não funcionavam! – justificou afastando-se um pouco do fogo. Jensen, antes de levantar colocou mais um pouco de lenha na lareira e olhou para Jared que sorria, aquele sorriso que havia visto mais cedo, e estava com as bochechas coradas pelo calor do fogo. Desviou o olhar o mais rápido que pôde.
— Compreendo. – foi o que Jensen disse, fazendo o sorriso de Jared murchar, mas ele não percebeu.
Jared tinha conseguido fazer com que ele falasse uma frase completa e havia regredido drasticamente na última resposta dele, mas não havia desistido.
— Alem de acender o fogo com essa rapidez, o que mais faz? – Jared perguntou. Essa pergunta estava ecoando em sua mente desde que chegou, mas não havia encontrado uma brecha para fazê-la, pois quem fazia as perguntas era sempre Jensen, e ele somente respondia.
— Caço! – Jensen respondeu sentando-se em sua poltrona novamente e tomando seu livro novamente nas mãos.
— O que caça?
— Raposas, guaxinins, cervos, coelhos, mas depende da temporada. – Jensen respondeu sem desviar os olhos do livro, pois sabia que os olhos de Jared estavam sobre ele.
— E quais são as temporadas? – Jared havia se interessado por caça logo quando escutou sobre o caçador, mas não iria realmente caçar, sentia pena dos pequenos animais.
— Cada ano é diferente, esse ano foi melhor caçar coelhos, no ano passado raposas. – Jensen respondeu levantando o olhar para a lareira. – Cada ano tem mais animais de uma espécie do que da outra, e nós mantemos o equilíbrio entre elas.
Jared estava se sentindo satisfeito. Havia voltado a sorrir, não sabia o porquê, mas sentia-se bem ao escutar a voz de Jensen. Ficava olhando atentamente os lábios dele se movendo a cada palavra que ele dizia, e foi nesse momento que percebeu o quão deliciosos eles eram.
E para continuar fazendo-o falar, fazia várias perguntas ao mesmo tempo. Estava deliciando-se. Mas não pode deixar de perceber que Jensen estava evitando o olhar diretamente.
Passaram horas conversando, ou melhor, Jared fazendo perguntas e Jensen respondendo, quando ambos sentiram o estômago reclamar. Já deveria ser hora do jantar, mas não se importaram, pois estavam apreciando a presença um do outro.
Jensen mesmo achando aquilo muito estranho, estava gostando da companhia do moreno. Começava a achar que ele não estava mesmo fingindo, mesmo achando aquela situação muito estranha. Não dando para ignorar mais seu estômago roncando, resolveu levantar e caminhar até a cozinha.
— Jantar! – disse simplesmente.
— Estava pensando nisso nesse momento! – Jared concordou e sorriu seguindo-o – Quer ajuda?
— Não. – não sabia o porquê, mas toda vez que Jensen resolvia ser monossilábico, desanimava. Agora sabia como tirar informações dele. Conversar com pessoas era o seu forte, e talvez fosse por isso que Tom o queria por perto. Era de certa forma um espião para ele, sempre detestou ter que fazer isso, saber o que falar para tirar as informações certas. Era jornalista, e sabia o que fazer para conseguir as informações que necessitava, mas como sempre dizia para si mesmo: "Informações são sem graça!".
E uma coisa que o estava intrigando era que, com Jensen, ele não conseguia fazer o que sempre fez com todos. Com ele era diferente. Ele era diferente. Tinha medo de magoá-lo, ou de entrar em um assunto que o afastasse, pois conseguir chegar perto, para fazê-lo falar como estava, havia sido muito difícil. E falar qualquer besteira, iria fazê-lo voltar à estaca zero.
— Todos os anos são assim, aqui em Hampshire? – Jared perguntou sentando-se no lugar à mesa que havia ocupado nas duas outras refeições.
— São!
— Mas não o ano todo?
— Não. – Jensen afirmou, indo na direção da geladeira. – Na primavera e no verão aqui é um ótimo lugar. Calor durante o dia, fresco durante a noite.
— Mas, se a época é tão boa, por que o tempo está desse jeito?
— Estamos saindo do inverno, para entrar no primavera. – Jensen disse como se fosse a coisa mais óbvia. E vendo que o moreno não havia entendido tentou explicar. - Durante o inverno a neve fica sobre todo o solo e sobre as montanhas, e no final dele, quando elas começam a derreter, fazem o solo ficar úmido, o que causa a lama, e como a frente fria entra em contato com a massa de calor, causando as chuvas. – Jared sorriu duplamente: ele havia conseguido fazer Jensen falar mais do que qualquer outra vez, e também entendera o motivo daquele horrível tempo.
— E durante esse período todos ficam dentro de casa?
— Isso mesmo. – Jensen parou e o olhou.
— Pensei em perguntar mais cedo se dava para ir tentar desatolar meu carro, mas a chuva estava pior que ontem.
— Não teria como.
— Foi o que eu imaginei.
— Mesmo com o tempo um pouco melhor, até guinchos e tratores atolam na lama. – Jensen disse trazendo dois sanduíches já prontos e pegando a jarra de suco na geladeira.
— Você só come lanches?
— Na maioria das vezes.
— Não gosta de comida?
— Tenho preguiça de fazer. – Jensen o olhou nos olhos e viu os olhos de Jared brilhando. Não havia visto, mas o que mais estranhou, era que estar falando mais que o normal. Talvez nessas últimas duas horas, havia falado mais do que havia falado em quatro anos que morava ali. E não gostou nem um pouco dessa constatação.
— Se quiser posso cozinhar.
— Não.
Jared havia percebido que o semblante de Jensen havia mudado. Havia ele feito alguma coisa errada? Tentou pensar nas coisas que havia dito, mas não se lembrou de nada que pudesse tê-lo feito mudar daquela forma. Pensou que talvez ele tivesse se cansado de falar. Iria arrancar ainda mais palavras dele no dia seguinte, e era uma promessa. E ele nunca faltava com suas promessas.
— Obrigado. – Jared agradeceu assim que terminou de comer. Esperou que Jensen terminasse, então levantando-se da mesa, lavando seu prato e copo. – Estou indo deitar! Boa noite.
E como na noite anterior havia deixado Jensen sozinho na cozinha, mas o dia havia rendido. Mesmo com as horas de tédio, havia conseguido arrancar muitas palavras de Jensen. Não que na noite passada ele pensasse que iria querer conversar com Jensen a todo o momento.
Não se lembrava de já ter sentido isso com alguém, pois quando saiu do San Antonio, nem pensava em relacionamento com ninguém. A morte de seus pais e de sua irmã haviam-no abalado muito.
Não sabia nada sobre seu irmão mais velho; ele havia saído de casa e nunca havia mandado notícias. E o que sentiu por Tom não chegava nem perto do que estava sentindo com Jensen, sem nem mesmo tê-lo tocado. Com Tom era uma troca de favores. Ele tinha lugar para dormir, comer e banhar-se, e ele teria que ajudar a conseguir informações dos clientes. Como sempre fôra sorridente e comunicativo, conquistava as pessoas no primeiro instante, e fazia com que elas confiassem nele, e a faculdade de jornalismo que havia feito ajudava muito nisso.
E depois de passar tanto tempo junto ao Tom, era quase impossível não sentir-se atraído por ele. A carência não ajudava muito, e foi quando tornaram-se amantes, mas era inocente demais ou não percebia as coisas que ele fazia só para mantê-lo por perto.
Resolveu parar de pensar em Tom, pois sempre que pensava nele, sentia nojo de si mesmo. Tirou sua blusa de moletom e a calça jeans, ficando somente de camiseta e boxer, e deitou.
Jensen ficou pensando no que havia acontecido durante o dia, quando viu Jared vestido com suas roupas e como elas ficavam apertadas e seu corpo, marcando-o por todos os lados, não conseguiu parar de olhá-lo.
E após aquele acontecimento, esteve evitando olhá-lo, mas parecia ser impossível, pois quanto mais não queria, mais seus olhos iam de encontro a ele. E isso irritava, e muito.
Não tinha mais o que fazer a não ser ler seu livro ou deitar. Não queria deitar, pois teria que deitar ao lado dele, e isso o deixava com medo. Não sabia o que sua consciência faria com ele enquanto dormisse. Na realidade estava assustado, pois nunca havia se sentido daquela forma. Nunca fôra de falar demais, sempre o necessário, até mesmo na época negra de sua vida.
Naquela época era um Super Star não precisava abrir a boca para conseguir levar alguém pra cama. Não precisava abrir a boca para a pessoa perceber que era hora de ir embora. E nunca precisou pensar demais sobre essas coisas, pois nunca estava sóbrio o suficiente para pensar. Mas aquilo era diferente. Ele queria afastar Jared, mas ao mesmo tempo mantê-lo perto. Queria que ele fosse embora de sua cabana, mas queria que ele ficasse para lhe fazer companhia.
Estava começando a enlouquecer. Não sabia o que Jared havia feito com ele, pois não conseguia parar de pensar nele um único momento. E isso o irritava.
Resolvendo parar de pensar sobre essas coisas, resolveu que dormir seria a melhor solução. E tinha certeza que nada iria acontecer. Com esses pensamentos foi para seu quarto que estava sendo dividido com Jared. Estranhou ao ver que ele estava encolhido de baixo do edredom. Pelo que percebera na noite anterior, ele dormia bem espalhado, conseguindo ocupar os dois lados da cama. Trocou suas roupas por uma mais leve e deitou no lado vago da cama.
Era estranho dividir a cama com alguém. Nunca havia deixado alguém dormir em sua cama duas noites seguidas. Sempre fora acostumado a ter sua enorme cama de casal somente para si, mas estranhou na noite passada ao tentar se mover e ter um corpo ao seu lado e sentir o calor do mesmo, fazendo com que sua cama não fosse mais tão gélida.
Nesses quatro anos em que vivia em New Hampshire, havia saído com poucas pessoas, mas nunca as havia levado para sua cabana. Sempre que esses encontros aconteciam, era no motel barato da cidade, e com o único propósito de se aliviar. Mas estava sendo difícil segurar-se enquanto tinha ao seu lado um dos homens mais bonitos que havia conhecido, mesmo já tendo conhecido vários. Ele fôra o que mais chamara sua atenção. Quando ele sorria, iluminava o lugar. Sua face ficava serena, e havia percebido as covinhas que ele tinha em cada bochecha, fazendo com seu sorriso ficasse ainda mais lindo.
Não sabia o motivo, mas desde que havia feito o curativo nas costas de Jared, não conseguia evitar a vontade de abraçá-lo e quando percebeu a dor e a solidão que aqueles olhos carregavam, só pensava em consolá-lo e protegê-lo.
Fazia muito tempo que havia deitado, mas não conseguira pregar os olhos um único instante. Já estava cansado de tentar em vão. Sua mente não o deixava, estava pensando em Jensen. Não sabia como era possível. Havia passado todo o dia com ele. Não teria o porquê de pensar nele, mas não se cansava. Tentava em vão entendê-lo, tentava especular coisas sobre ele, mas não conseguia chegar a nenhuma resposta.
Sentiu a cama balançar quando ele deitou ao seu lado. Foi inevitável não sentir o calor do corpo dele quando ele entrou debaixo da coberta. Era estranho estar em uma cama estranha, deitado ao lado de um estranho. Era o que deveria sentir, mas não conseguia.
Passaram-se infinitos minutos, e ainda não conseguia dormir, pensando que Jensen já estivesse dormindo, pois pelo menos um deles deveria conseguir. Enganou-se quando se virou e encontrou Jensen com os olhos abertos, olhando para o teto. Só conseguiu identificar, pois o fogo da lareira iluminava parte do quarto.
— Não consegue... – Jared teria perguntado se Jensen não conseguia dormir, se o próprio não o teria interrompido quando ele balançou a cabeça negativamente. – Eu também não!
Jensen nada disse, sendo seguido por Jared que estava ao seu lado, mas quando escutou a voz dele, minutos atrás, foi inevitável não virar para olhá-lo, e agora, naquele instante, estava com seus olhos presos nos olhos dele.
Sentia que ele estava mais agitado, a respiração dele estava acelerada, assim como a sua. Muitas coisas passaram por sua mente, vendo refletir solidão naqueles olhos. Mas o que mais estava o atormentando era a vontade de abraçar Jared.
Quando o viu se mexer para virar-se, não conseguiu se segurar. Antes que ele o fizesse, passou os braços em volta dele, da melhor forma que havia conseguido, e o puxou para perto de si.
Aquela não seria uma atitude que Jensen Ackles tomaria, mas ele não estava pensando como Jensen naquele momento.
Continua...
Nota:
E aí galera... Desculpa a demora. Eu tava tendo uns problemas aí... Sei que to demorando pra postar, e para responder as reviews... Man, esse novo email, eu não consigo aconfirmação dele, então assim que eu conseguir eu respondo as reviews. Prometo. E hoje tem mais um capitulo e amanhã sai mais um... Espero reviews hein. Beijinhos... Amo vocês