Capítulo 04: Corpo

Um som de tiro irrompera pelo corredor, e o estômago da pequena Alice Cullen se revirou de ansiedade mais uma vez. Esperava pelo menos uma vez na vida, que não estivesse certa, mas de alguma forma, soubera no mesmo instante que o irmão estava morto.

Assim que ela e os policiais que a acompanhavam arrombaram a porta do apartamento, sentiu o cheiro de sangue fresco. Os pés do irmão estavam a centímetros de distância do seu.

- Chamem alguém da perícia! – Gritou para os policiais logo atrás dela, mas já era tarde demais, e sentia isso antes mesmo de olhar para baixo. De nada adiantaria.

O corpo estirado no chão da sala era a única coisa fora do lugar na casa. Seu irmão era organizado demais com tudo.

- Por que fez isso, meu irmão? – perguntou em voz baixa, fechando-lhe os olhos vidrados. Algo que ela jamais esqueceria.

Sentiu o nó conhecido se formar na garganta. O mesmo nó de quando vira a mãe ser enterrada no ano anterior. Fechou os olhos por alguns segundos e respirou fundo, antes de olhar novamente para baixo. O sangue manchava o carpete bege sob ele, e a morte apenas tornara sua pele mais branca do que já era. Parecia que ele estava apenas dormindo e sonhando, pois tinha a mesma expressão de quando raras vezes ela o via de madrugada dormindo, depois de chegar das mais variadas festas. Sempre caía no sono no sofá e nunca a via chegar, mas era um bom irmão. Mas de uns anos pra cá, ele mudara. Não era mais o mesmo. Mudara em todos os aspectos. Se tornara mais frio e controlado, e...

- Vamos Alice. – Uma voz pediu, segurando-lhe pelos ombros já a levantando e olhando brevemente para o homem aos pés deles com piedade.

- É o meu irmão. Meu irmão, Emm.

- Eu sei, Allie. Mas você deve ir. Eu cuidarei dele por você.

- Ah Emm! – Deixou-se levar e abraçá-lo por um segundo.

Emmett McCarty Cullen era seu primo e melhor amigo. Médico legista. Cuidava dos mortos, e agora cuidaria do próprio primo.

- Vá Lice.

Engoliu o choro por um instante, e o encarou seriamente.

- Eu... eu preciso examinar o corpo. Eu preciso... – e respirou fundo. – Eu preciso investigar. Saber o que o levou a fazer isso.

- Tudo bem – e revirou os olhos. – Hale. – Chamou, acenando para um homem de belos cabelos louros, que já se aproximava. – Vamos precisar dos seus serviços aqui.