*Esse capítulo ficou um pouco mais longo que os anteriores e foi um pouco mais complicado de se escrever, mas eu espero que vocês gostem.


Após alguns minutos Alma e Carl foram liberados para ver sua neta, e eles se encantaram com a menina, principalmente a mulher, porque estava diante de sua primeira neta.

Durante alguns minutos todos ficaram conversando sobre o que deveriam fazer para a recém-nascida, onde Carl falou mais de uma vez sobre a importância de se abrir uma conta bancária em nome de Santana e depositar uma quantia mensal para o seu futuro acadêmico. Antony já havia pensado nisso, porque um rapaz como ele, que penou para conseguir entrar em uma Universidade, não queria que sua filha tivesse que passar pelas mesmas dificuldades que ele.

Finalmente após a conversa, a menina foi levada para um berçário, onde seus familiares ficaram lhe observando por mais algum tempo, até que outras visitas, como Junior, Yvonne e Malcolm, alguns colegas de Antony e algumas amigas de Marise, e quando ela entrou em uma animada conversa com uma dessas jovens, Antony aproveitou para ir ao berçário, mais uma vez.

E ele ficou ali, por muito tempo, que nem ele mesmo soube ao certo, com um sorriso abobado e as mãos no bolso, olhando Santana dormindo, e foi então que ele sentiu uma mão em seu ombro. Assim que ele virou-se para ver quem era, surpreendeu-se.

"Eu soube que a sua menina nasceu hoje, parabéns filho." Foram as palavras de Albert Larson, antes de abraçar um emocionado Antony.

"Obrigado, professor." Ele agradeceu com certa timidez. Há tempos não via Albert.

"Qual delas é a sua?" Os olhos azulados do professor se voltaram para o berçário.

"É aquela ali" Antony apontou para o último bebê da esquerda. "Santana é o nome dela." Ele disse com um sorriso orgulhoso.

"Eu estou muito feliz por você Antony." Albert abaixou a cabeça por alguns instantes, e em seguida voltou a olhar para Antony. "Você está recebendo o melhor presente da sua vida hoje, então filho, eu tenho um conselho para você." Os olhos do homem mais velho começaram a se encher de lágrimas. "Nunca pense duas vezes se tiver que escolher entre o trabalho e a sua família, porque você sabe o que eu escolhi, e no final das contas tudo o que eu sabia não foi o suficiente para salvar a minha filha." Antony assentiu com a cabeça e engoliu seco. "É um conselho de amigo."

"Muito obrigado professor, as suas palavras sempre significaram muito para mim." Ele agradeceu.

"Não precisa agradecer garoto, eu tenho muita consideração por você, desde a primeira vez em que conversamos eu soube o quão talentoso você é, e que está destinado a uma carreira de sucesso."

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Os dias passaram rápido e logo Santana e Marise vieram para casa, e foi aquela enxurrada de visitas, coisa que Antony detestava, justamente porque naquele momento a gravidez de Suzan estava entrando em sua reta final, e isso seria crucial para a sua experiência.

O bebê clone corria um risco de morte maior do que um bebê normal, e mesmo depois de seu nascimento as chances de ele não sobreviver ainda eram maiores do que as dos demais bebês saudáveis, o que não lhe preocupou tanto no início, mas que agora junto ao choro de Santana estava se tornando o motivo de suas noites insones.

Apenas três semanas após o nascimento de Santana, foi a vez de Judy dar à luz a sua menina, Lucy Quinn Fabray, e no mesmo ritmo, Yvonne deu à luz Mercedes Jones, assim dividindo o foco da família de Marise entre as duas meninas.

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06 de Novembro de 1992- Sexta-Feira

O coração de Suzan acelerou assim que ela ouviu pela primeira vez o choro de sua pequena Brittany. Ela esperou por esse momento durante tanto tempo, e agora que estava acontecendo ela imaginou estar sonhando. O seu próprio choro se mesclou com o choro da recém-nascida.

Quando seus olhos finalmente focaram Antony com um enorme sorriso e o bebê em seus braços, e delicadamente ele a colocou em seus braços. Ela se perdeu na beleza de sua pequena filha. Sua pele era bastante clara, e os poucos fios de cabelo que possuía eram dourados, e seus olhinhos tinham o mais lindo tom de azul que Suzan vira em toda a sua vida. Ela já estava completamente encantada por sua menina.

"Parabéns mamãe, parabéns..." Antony falou sorrindo para Suzan.

"Muito obrigado Dr. Lopez, o senhor é um anjo..." A mulher agradeceu em lágrimas, e voltou a olhar para a sua filha. "Oh Brittany, você é perfeita... Você é linda."

"Brittany é realmente um nome muito bonito." O médico comentou. "Então, como se sente mamãe de primeira viagem?"

"Eu nunca estive tão feliz na minha vida, eu nunca vou poder te agradecer Dr. Lopez..."

"Cuidando dessa garotinha você já vai estar fazendo o melhor agradecimento desse mundo." Antony respondeu e deu uma piscadela para a mulher. "Eu sei que você vai fazer um grande trabalho, Suzan." A mulher sentiu orgulhosa de si mesmo por saber que um homem do porte do Dr. Lopez confiava e acreditava nela

"Eu posso vê-la mais uma vez?" Antony perguntou sorrindo.

"Claro que sim, doutor." Suzan respondeu sem pensar duas vezes, então Antony se aproximou do bebê, que mesmo tendo acabado de nascer tinha alguns traços da adulta Dominique, e os olhos do professor Larson. Ele vencera mais uma etapa.

"Ela é linda mesmo." Antony disse, se afastando enquanto caminhava. "Daqui a pouco a sua mãe será liberada para visitar você e o bebê."

Antony estava tão orgulhoso de si mesmo, de seu trabalho, de como o bebê havia nascido perfeito, sem nem um defeito. Sua maior vontade naquele momento era pegar a bebê e levá-la para Albert e Elizabeth, seus verdadeiros pais, mas ele tinha total noção de que seria impossível, pelo menos por enquanto. Levaria um certo tempo, provavelmente anos, para que ele conseguisse mostrar ao casal Larson, que a filha que eles haviam enterrado no início daquele ano estava viva, outra vez.

Ele desceu até a sala de espera do hospital, onde além de Christine, um homem moreno, aparentemente bastante nervoso e cabisbaixo, com um pedaço de cartolina branca enrolada em mãos, o que deixou Antony pensativo, porque ele não o conhecia, mas não restava dúvidas que era próximo de Christine, que por diversas vezes acompanhara sua visita em suas consultas periódicas.

"Sra. Dwayne..." Os olhos das duas pessoas se voltaram para ele. Ambos ansiosos, e temerosos ao mesmo tempo. "O parto foi um sucesso, sua neta e sua filha estão esperando por sua visita." Um sorriso brilhante surgiu no rosto da mulher.

"Minha filha nasceu? Eu nem acredito que a minha filha nasceu!" Então Antony soube que aquele homem era John Pierce, o ex ou atual marido de Suzan, ele não sabia de mais nada agora, e pelo olhar da Sra. Dwayne ela estava tão confusa quanto ele.

"Fiquem a vontade." Antony disse sorrindo para os dois, que levantaram-se apressadamente.

"Com licença doutor." Christine disse, antes de subir a escada acompanhada pelo genro.

Antony não tinha dúvidas de que a situação da família Pierce não era das melhores ou mais claras, e ele estava começando a se preocupar com Brittany crescendo em um ambiente como aquele, mesmo que fosse por poucos anos. Ele precisaria fazer duas coisas: acompanhar de perto a família Pierce e agir rápido com os Larson, para que eles pudessem aceitar Brittany o mais rápido possível.

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Quando a porta do quarto de Suzan se abriu, ela esperava somente que sua mãe entraria ali, mas quando ela viu John entrar timidamente logo atrás de sua mãe, seu coração derreteu. Ele parecia envergonhado e curioso ao mesmo tempo, estava com as mãos para trás e engoliu seco assim que a esposa olhou diretamente em seus olhos.

"Oh meu Deus, Suzan, ela é linda, parece até um anjinho." Christine exclamou encantada pelo bebê que agora era amamentado por sua filha.

"Olá John." Suzan disse olhando para John com um sorriso apaixonado. Apesar de tudo o que ela tinha sofrido por causa de John, ela não foi deixar de ser capaz de amá-lo. O seu maior sonho era que voltasse para casa e vivesse aquele sonho ao seu lado, a família completa e não seria o mesmo sem ele.

"Oi Suzan." John respondeu, se sentindo horrível. Ele soube do grande erro que cometera e estava extremamente envergonhado de si mesmo. Ele devia ter assumido sua esterilidade e abraçado esse sonho ao lado de Suzan. Ele havia perdido todo o processo da gravidez, mas não queria perder a chance de acompanhar a vida de Brittany, se Suzan o aceitasse de volta, claro. "Eu cometi um grande erro querida, mas estou te pedindo perdão, você... Você me aceita de volta Suzan?"

"Mas é claro que sim." Era tudo o que ela mais queria em sua vida. Ver sua filha crescer com John ao seu lado, como uma verdadeira família.

O sorriso de John não poderia ser maior e mais genuíno.

"Obrigado Suzan, obrigado, eu prometo que vou ser o melhor pai do mundo para ela, eu juro pela alma de minha mãe." John falou emocionado, então ele pegou a cartolina que estava em mãos. "Eu fiz isso para ela, eu espero que você goste Suzan." Ele sorriu e desenrolou a cartolina, e depois mostrou para a esposa.

Nela estava escrita com canetinha vermelha 'Bem-vinda Brittany' Ao lado estavam desenhados várias estrelinhas, patinhos, coraçõezinhos e florezinhas.

"Olha bebê, olha o que o papai fez para você." A mulher falou com voz infantil próxima a filha. "Aposto que se você entendesse, você iria amar, assim como eu." Ao ouvir isso, o homem lentamente se aproximou da esposa e lhe beijou nos lábios, e em seguida ele olhou para Brittany e lhe beijou na testa.

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Quando chegou o dia de Suzan voltar para casa, ela pensou estar vivendo um verdadeiro sonho. Assim que ela adentrou a sala encontrou John esperando por ela com balões cor-de-rosa por toda a sala, e um largo sorriso no rosto.

Os olhos de Suzan reluziram diante tamanho contentamento. John aproximou-se lentamente da esposa e lhe deu um beijo apaixonado.

Há uma semana atrás se alguém lhe dissesse que John estaria de volta e que o ambiente dentro de sua casa estaria tão diferente do tempo nublado e frio lá fora, ela não acreditaria. Tudo estava exatamente como ela sempre quis.

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A cada dia que passava Marise e sua família se encantavam mais com Santana, mas como Mercedes também havia nascido, e com isso a atenção dos Jones acabou se dividindo entre as duas meninas, e como conseqüência disso Alma acabou se tornando mais próxima de sua neta, e sua nora.

Era difícil um dia que Alma não saia de sua casa logo pela manhã e passava o dia todo ajudando Marise a cuidar de Santana, e com o maior prazer, como ela sempre dizia.

Tocada pelo gesto da sogra Marise começou a ajudá-la pagando o táxi, evitando assim que ela atravessasse a cidade em um ônibus lotado, e mesmo assim Alma só aceitou o 'favor' após muita insistência da jovem, que a convenceu que aquilo não era nada perto de tudo o que ela estava fazendo por Santana e ela mesma naquele momento.

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Chegara o Natal, época de confraternização, momentos em família e é claro, compras. Antony não era o maior fã desse período, na verdade ele só queria que tudo acabasse o mais rápido possível e as coisas voltasse a sua rotina normal, principalmente porque lhe trazia lembranças de uma das piores épocas de sua vida.

Sua infância fora marcada pela pobreza, racismo, humilhação por parte de seus colegas de escola, e é claro, a ansiedade de ver seu pai, um soldado, finalmente voltando da guerra, mas apesar de tudo isso, ele ainda tinha esperanças e adorava quando o Natal chegava. Ele adorava mostrar o presépio velho de sua mãe.

Ele sempre passara essas datas ao lado de sua mãe, e de alguns vizinhos latinos como eles. Lima Heights era um bairro cheio de negros e latinos, e o mais pobre da cidade, mas também um dos mais animados para os festejos de final de ano, e ele se lembrava muito bem, de como nunca havia nenhum presente debaixo da árvore de Natal para ele, mas o que ele queria mesmo era ver seu pai entrando pela porta e dizendo que não iria embora nunca mais.

O menino Antony rezava todas as noites para que isso acontecesse. Deus não iria deixar de ouvir o pedido de um pobre menino pedindo pela vida de seu pai, não por dinheiro ou outra coisa que poderia ser considerada fútil, até que finalmente um soldado bateu em sua porta.

Mas o soldado que bateu em sua porta não era Juan Lopez, seu pai, mas sim um superior do exercito, para comunicar a sua mãe que seu pai havia sido assassinado em uma emboscada. Naquele dia Antony perdeu a sua fé em Deus. Não era possível que se Ele existisse mesmo iria deixar de ouvir as preces desesperadas de um pobre menino, não deixaria que um garotinho que já não tinha muita coisa perdesse seu pai de forma tão violenta.

"Tony por que você não pode ir ao shopping comigo hoje?" Marise perguntou com as mãos na cintura, enquanto o médico estava sentado no sofá ao lado da lareira. O frio era intenso, estava até nevando.

"Marise você sabe que eu gosto de ficar em casa, eu tirei esses dias de folga para descansar, não para ficar andando naquele formigueiro humano que é o shopping nessa época do ano." Antony respondeu e suspirou fundo.

"Pelo menos no Natal você poderia tentar ser um pouco diferente, você faz isso sempre Antony." Ela argumentou, fazendo o marido rolar os olhos.

"Para quê? Você sabe que essa época de Natal não passa de uma grande hipocrisia, as pessoas se odeiam o ano inteiro, daí quando chega final de ano, vem dar tapinha nas costas, abraço, começa um novo ano o ódio volta, desculpa, mas eu não quero nem preciso fazer parte desse teatro." Marise sacudiu a cabeça. Às vezes ela pensava em como havia se apaixonado e casado com uma pessoa igual a Antony.

"Tony, por favor..." Ela ainda insistiu, agarrando ao último fio de esperança que havia em seu peito.

"Por que você não chama a Judy ou a Yvonne para ir com você? Eu tenho certeza que elas iam adorar ir a esse passeio com você." O tom de voz de Antony soou um tanto quanto impaciente.

"Tudo bem." Marise respondeu, engolindo o choro e decepcionada. Ela abaixou a cabeça e saiu da sala. Tony bufou e mordeu o lábio inferior, sentindo um pouco de culpa.

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24 de Dezembro de 1991

Era o primeiro Natal que Antony e Marise iriam passar casados, e antes que eles fossem buscar Alma para levá-la à ceia dos Jones , eles foram visitar os Larson.

Durante a maior parte de sua vida, Marise e Dominique passavam o Natal e o fim de ano juntas, um ano com os Jones, outro com os Larson, e em algumas ocasiões Judy se juntava à elas, mas naquele ano seria diferente.

A casa estava enfeitada como todos os anos, mas naquela ocasião, em especial, tudo parecia tão triste, pesado e até um certo vazio.

Assim que o jovem casal entrou na casa, foram recebidos calorosamente pela Sra. Jefferson, que os abraçou e para quem Marise deixou uma lembrancinha, e assim que eles chegaram na sala, encontraram Elizabeth enfeitando o pinheiro que estava no canto do local com bolas de vidro coloridas, enquanto Dominique estava sentada na poltrona, com as pernas cobertas por uma grossa manta branca cheias de pequenas figuras de Papai Noel. Charity, sua gata preta e branca estava em seu colo.

Os olhos azuis da jovem imediatamente se voltaram em direção à Antony e Marise, que estavam de mãos dadas na entrada do cômodo, e um sorriso no rosto de Dominique, que estava exausto. Exausto pela dor de sua doença, pelo cansativo tratamento ao qual ela estava sendo submetida. Seus cabelos dourados estavam opacos e ralos, haviam fortes olheiras marcando seu rosto, e sua pele que já era clara, estava ainda mais pálida, e ainda mais magra do que costumava ser. Era definitivamente de cortar o coração para quem pelo menos uma vez já tinha visto a bailarina há poucos meses atrás, tão cheia de vida.

A doença de Dominique foi extremamente agressiva, alastrando-se rapidamente, e derrubando-a em poucos meses, diferente da maioria dos cânceres.

"Oi Dominique." Marise a cumprimentou, aproximando-se da amiga e lhe dando um beijo na testa. "Oi tia Eliza." A jovem beijou a mulher mais velha no rosto. Antony cumprimentou mãe e filha com um aperto de mão.

"Que bom que você veio, eu queria muito te ver." Dominique falou com um sorriso para Marise. "Eu comprei um presente para você, quer dizer, eu paguei, quem comprou mesmo foi a Celina, ele está ali embaixo do pinheiro, o papel azul." A jovem apontou para um embrulho pequeno, que Elizabeth pegou e entregou a amiga de sua filha. "Espero que você goste."

Marise abriu o presente, e era a fita VHS do filme 'Edward, mãos-de-tesoura. Um sorriso surgiu em seu rosto.

"Adorei, muito obrigada Dominique." A jovem agradeceu, parecia um pouco envergonhada e tímida.

"Você se lembra? Esse foi o último filme que nós assistimos no cinema." Dominique disse. "Nós nos divertimos tanto naquele dia."

"É, foi bem divertido." Marise confirmou.

"Pena que não vai acontecer outra vez..." A loira falou baixo, olhando para a gata em seu colo, evitando tanto o olhar de Marise, que se arregalou ao ouvir aquelas palavras, quanto o de sua mãe, que a olhou com grande perturbação.

"Dominique, mas eu já falei para você não dizer esse tipo de coisa!" Elizabeth falou com impaciência. "Você sabe que eu detesto quando você fala isso!"

"Desculpa mãe, mas é que chega uma hora em quem é impossível acreditar em qualquer coisa." Ela respondeu desanimada.

"Você deveria ser a primeira a querer se curar." Estava claro que não demoraria muito para Elizabeth se desabar em lágrimas.

"Me curar eu quero, o problema é que eu não consigo." A jovem bailarina balbuciou, fazendo Marise se abaixar diante dela e segurar em sua mão.

"Por favor para de dizer essas coisas." Marise praticamente estava implorando. "Isso dói... Demais." O pesar nas palavras de Marise pareceram afetar Dominique, que abriu um sorriso enfraquecido.

"Tudo bem." Ela respondeu, quando Antony se aproximou.

"Eu agora vou fazer uma promessa para você agora, Dominique." Ele disse, e a garota rolou os olhos, com certa impaciência. "Eu posso levar essa sua manta embora?"

"Para quê?" Ela perguntou.

"Não é para sempre, eu só vou levar por uns tempos, e vou te devolver no Natal do ano que vem, quando você estiver totalmente curada." Antony falou com extrema confiança, então Elizabeth se aproximou e colocou sua no ombro do rapaz.

"Está vendo, filha? Um médico como o Dr. Lopez confia na sua recuperação, por que você não se torna otimista também?" Elizabeth sorriu. "você é um ótimo garoto Antony, não é à-toa que o Albert gosta tanto de você."

"Tudo bem, Dr. Lopez." A loira respondeu, entregando Charity para sua mãe, e em seguida pegando o seu cobertor e jogando-o levemente para Antony. "Estou confiando em você."

"É uma promessa Dominique, e eu não costumo falhar com a minha palavra." Ele lhe assegurou, e Marise concordou.

"Bom, agora é minha vez de te presentear." Marise falou, entregando o seu pacote à Dominique, que o abriu com grande curiosidade, e quando seus olhos azulados voltaram a encontrar os olhos negros de sua amiga, eles estavam cheios de lágrimas.

"Eu amei isso... Muito obrigada." Ela disse com a voz embargada, e Marise visivelmente segurava o seu choro.

"Deixa eu ver o presente, filha." Elizabeth disse, então a jovem levantou um álbum, recheado de fotos dela, Marise, e algumas de Judy também.

"Que bom que você gastou seu tempo fazendo isso para mim, mesmo agora sendo uma mulher casada..." Dominique falou, e Antony sorriu.

"Mas isso não muda nada, Dominique." Ele falou com simplicidade.

"É verdade filha, por que você acha isso?" Elizabeth perguntou sorrindo, mas Dominique baixou os olhos.

"Nada não." Ela murmurou, enquanto folheava o seu presente.

"É verdade Dominique." Marise começou, atraindo novamente a atenção da loira. "Você sempre será a minha melhor amiga."

"Claro." Ela respondeu, antes de voltar a atenção ao seu álbum.

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Antony olhou para aquela manta que Dominique jogara em seus braços há um ano atrás. O perfume da jovem bailarina ainda estava presente nela, que ficou guardada um ano inteiro no fundo de seu guarda-roupa. Nem ele, nem Marise colocaram um dedo nela durante esse tempo.

Aquela peça quase que infantil quase lhe fazia chorar e então ele bufou em frustração. Ele não conseguira manter sua palavra, não da forma como Elizabeth e Dominique esperavam, mas ele não deixaria de devolver aquilo à ela, mesmo que de uma forma diferente da esperada.

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O natal dos Pierce não podia ser mais colorido e feliz, perfeitamente combinando com a alegria de ter Brittany com eles pela primeira vez. John comprou um pinheiro que sua sogra fez questão de enfeitar com os mais diferenciados, enquanto ele segurava a bebê admirando o trabalho. Suzan por sua vez, estava na cozinha preparando as mais diferenciadas guloseimas natalinas.

"Alguém quer provar os biscoitos que acabaram de sair do forno?" Suzan perguntou assim que chegou na sala com um pratinho cheio de biscoitos de baunilha com gotas de chocolate, que estavam com um cheiro delicioso, sem dúvida alguma.

John se aproximou da esposa sorrindo e pegou um dos biscoitos, provando-o.

"Delicioso." Ele disse, e deu um beijo de leve nos lábios de sua esposa, que durante todo aquele tempo se imaginava em um sonho. Depois que seu pai morrera, ela nunca tivera um natal tão maravilhoso como o daquele ano.

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O carro de Antony estava estacionado do outro lado da rua da casa dos Larson, e a imagem que ele via naquele momento parecia ter saído diretamente de um pesadelo.

A casa de seu professor era a única na rua sem nem um único enfeite natalino nela, nem mesmo uma mísera guirlanda na porta principal. Com certeza a coisa mais triste que ele vira em toda a sua vida, porque os Larson eram provavelmente a família mais natalina que ele conhecia.

Ele saiu de sua casa disposto a entrar lá e falar com Albert e Elizabeth e devolver a manta que pertenceu à Dominique, mas aquela imagem sugou toda a sua coragem. Ele não conseguiria fazer isso.

Então ele ligou o carro e saiu em direção da casa dos Pierce, que era do outro lado da cidade, em um bairro bem mais humilde. Ele sabia que era errado olhar a ficha de pacientes para obter seu endereço, mas aquele caso era extremo, e ele sempre estaria por perto para assegurar que Brittany cresceria saudável e também feliz, até que finalmente estivesse pronta para viver com sua verdadeira família.

Assim que ele chegou na rua onde a residência dos Pierce ficava ele ficou impressionada. A casa humilde da família estava o oposto da dos Larson, muito enfeitada, com uma bela guirlanda verde, luzes coloridas, e um pequeno papai-noel pendurado na chaminé.

Ele estacionou o carro em frente a casa, pegou a manta e desceu dele. Olhou por alguns segundos para a casa, antes de apertar a campainha e ser atendido por uma surpresa Suzan.

"Dr. Lopez, que surpresa." Ela disse com um grande sorriso. Era notável a admiração que ela mantinha por esse homem. "Entre, está frio aqui fora." O jovem médico acompanhou, e assim que adentrou a simples, mas bem arrumada e enfeitada casa os olhares de Christine e John caíram sobre ele. O da mulher era de simpatia, enquanto o do homem de desconfiança.

"Dr. Lopez, que boa surpresa." Christine disse sorrindo. John apenas abriu um sorrisinho que durou dois segundos.

"Aceita um biscoito?" Suzan falou, trazendo o prato cheio de guloseimas para Antony, que pegou um, por educação.

"Muito obrigado." Ele agradeceu e saboreou o biscoito, que estava realmente delicioso. "Hoje eu vim para uma visita rápida, apenas para entregar esse presente à Brittany." Antony colocou a manta dobrada no colo de Suzan. "Eu espero que vocês gostem, é um presente simples..."

"Imagina doutor, é muita gentileza sua." Suzan agradeceu, enquanto olhava para aquela manta tão bonitinha, infantil e com um perfume delicado. "Eu nem sei como agradecer tudo o que o doutor fez e está fazendo por mim."

"A melhor forma de agradecer é cuidando bem dessa menininha linda que você tem agora." Antony respondeu e olhou para Brittany no colo de John, e mesmo ainda tão pequena seus olhos azuis eram notáveis. Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Antony com a imagem da pequena.

"Não se preocupe quanto a isso, doutor, nós daremos o nosso máximo para que ela tenha tudo do melhor." John falou, e parecia não muito satisfeito com a visita de Antony.

"Sente-se doutor." Suzan falou, mas o homem se recusou.

"Eu não posso, foi só uma visita rápida para deixar o presente da Brittany, minha família está esperando por mim." Ele explicou. "Mas, feliz natal para vocês." Suzan deu um abraço rápido no médico, assim como Christine. John apenas apertou a sua mão, e antes de deixar a casa, ele olhou mais uma vez para os olhos de Brittany, e a satisfação que ele sentiu naquele momento cobriu toda a frustração que o dominava momentos atrás.

Ele cumprirá sua promessa, não da forma esperada por todos, mas dali a alguns anos eles iriam descobrir que ele não quebrou sua promessa, porque Dominique estaria com eles outra vez.


*No próximo capítulo teremos Brittany e Santana e a sua vida em família.

*Por favor deixem reviews, eu gostaria muito de saber o que vocês estão pensando, como está a dinâmica, os personagens que mais gostaram, os que menos gostaram, etc.

*Obrigado por lerem, e até a próxima.