Tem lágrimas – Amélia e Sammuel

Sammuel abriu a porta de casa e escutou soluços doloridos vindos do quarto. Arqueou as sobrancelhas e foi chegando mais perto, logo Riot veio e enroscou-se em suas pernas, fazendo um som de choro enquanto lhe olhava com tristeza.

_O que foi garoto? – perguntou, acariciando a cabeça peluda do cachorro.

_Sam? – Amélia chamou, a voz embargada pelo choro e não demorou para Sam aparecer no quarto.

_Amélia? O que aconteceu? Você está bem? O que foi?

Tantas perguntas só fizeram Amélia sair da cama e enroscar-se nele, chorando dolorosamente, enquanto os ombros chacoalhavam. Fechou os olhos e abraçou-a, deu todo o carinho que podia, beijou-lhe o topo da cabeça e passou as mãos pelas costas dela.

Não contou o tempo que ficou ali, abraçando-a, segurando todo o seu mundo nos braços, apenas deu toda a segurança que sentia que Amélia precisava, porque ela era forte e não era qualquer coisa que a fazia desabar daquele modo.

_Desculpe. – ela disse depois do que pareceu uma eternidade. – Me desculpe, Sam. – e os soluços voltaram, mais dolorosos que antes, como se a profundidade de dor que ela tivesse sentindo fosse demais para suportar.

_Desculpar pelo que? O que aconteceu?

Buscou os olhos dela e viu tanta dor que queria que tudo aquilo fosse um pesadelo, sentia quase uma dor física por vê-la daquele modo, a amava demais e sabia que Amélia não merecia sofrer, ela era sempre tão boa.

_Me conta o que aconteceu.

Ela baixou os olhos e se afastou um pouco dele, só então Sam notou o sangue que escorria pelas pernas dela. Se apavorou e os olhos quase saltaram das orbitas, pegou-a no colo e saiu rápido para fora da casa, em direção ao carro.

_Não, Sam, não adianta mais. – e o choro voltou, aquele choro sofrido, choro de alma. – Eu não consegui de novo. Eu nunca vou conseguir.

_Só não é tempo ainda. – disse, ainda tentando se acalmar pela cena que tinha visto.

_Devia ter sido tempo a três anos. Sam... – ela parecia tão abatida que Sam sentiu o peito comprimir. – Estamos tentando há três anos, eu nunca consigo segurar nenhum bebê, eu estou cansada de vê-los morrendo, Sam.

_Vai ficar tudo bem, vamos ter nossos bebês Amélia.

_Quando? – perguntou e viu que Sam suspirou, mordendo os lábios em seguida.

Tirou uma das mãos do volante e buscou uma das mãos dela. Trouxe os dedos brancos até os lábios e os beijou delicadamente, olhou de relance para ela e sorriu, um sorriso triste, mas que ainda assim demonstrava esperança.

_Quando for o tempo certo. – secou uma das lágrimas que escorria pela face dela. – Eu prometo. Agora, não chore mais está bem? – e seu coração diminuiu ainda mais ao vê-la acenar positivamente, tentando sorrir.

Ele seria forte por ela, por si mesmo. Seria forte pelos dois, porque aquela dor, era a pior que se podia sentir.