Capítulo 04 – Correndo por aí

Os dias foram se passando mais ou menos da mesma forma. Tiago se aproximava de Lílian aos poucos. Sabia que se fosse um pouco mais rápido, ela desconfiaria. Melhor dizendo: ela desconfiaria demais. A garota parecia nunca ter realmente acreditado por completo naquela súbita simpatia que ele demonstrava por ela.

Durante uma aula de Poções, o professor se ocupava em dividir a sala em grupos e distribuir a cada um três frascos contendo poções diferentes. A uma mesa, Slughorn colocara Lílian, Mila, Tiago e Pedro.

-Por que será que ele está distribuindo as poções em vidrinhos em vez de deixar nos caldeirões mesmo? – Mila perguntou enquanto ajeitava uma pena amarrotada

-Talvez porque se estivessem nos caldeirões estariam liberando mais vapores e seria mais fácil de identificá-las. – Lily supôs

Pedro ficou com uma expressão de quem não entendera o que a ruiva quisera dizer com "fácil". Pegou o frasco mais próximo contendo um líquido transparente azulado, tirou a tampa e cheirou.

Ocupada em pegar um pergaminho na bolsa, Lílian só viu a cena quando o garoto já estava com o nariz a milímetros da boca do frasco.

-Não! – ela exclamou o mais baixo que pôde para não chamar a atenção da sala, mas suficientemente audível para seu grupo, em especial Pedro, ouvir – Você faltou à primeira aula do primeiro ano?

-Hum, não. – ele olhava para os lados tentando descobrir o que fizera de errado

-Evans, como você espera que alguém se lembre de algo de mais de seis anos atrás? – Tiago perguntou

-Porque Slughorn passou medidas de segurança. Não ponha o frasco direto no nariz para saber que cheiro tem, pode ser algo tóxico. Coloque o recipiente mais ou menos próximo do seu rosto e traga o vapor em sua direção. Assim. – ela pegou o frasco que Pedro tinha na mão e demonstrou o que havia falado

-Evans, que poção pode ser tão tóxica se elas são feitas para serem bebidas? – Tiago replicou

-Ai, Merlin, vai ser uma longa aula. – disse ela fechando os olhos – Já ouviu falar em venenos? Além disso, você não vai querer respirar Veritasserum, vai? Os efeitos são bem menores, mas ainda assim podem ser comprometedores.

Pedro arregalou os olhos, sintoma de alguém que teria algo a esconder, como o fato de ser um animago e de ter um amigo lobisomem. Reação que não passou despercebida por Lily.

-Não precisa se preocupar, Pettigrew. Essa não é transparente como água, portanto, não é Veritasserum.

O garoto pareceu respirar mais tranqüilo depois disso.

-Certo. – Mila voltou à conversa – Você já sabe qual é a poção, então, Lily?

-Não. Só pelo cheiro amendoado não dá pra saber, vamos precisar fazer outros testes.

A aula se passou com os quatro fazendo esses testes, misturando amostras das poções com outros ingredientes para ver reações. Chegaram à conclusão de que a poção azulada era ingerida nos estágios iniciais de transformação animaga, a poção espessa amarelo-escura curava acne e a terceira era Poção Polissuco.

Depois da aula, Lílian demorou nas masmorras tirando dúvidas com o professor. Quando saiu, passando pelo terceiro andar, a caminho da Torre da Grifinória, viu três segundoanistas grifinórios correndo atrás de penas, pergaminhos e tinteiros que fugiam deles.

Cada vez que um dos objetos parava e o menino conseguia pegar, ficava suspenso no ar de cabeça para baixo e só voltava ao chão quando largava o objeto. De longe, a ruiva viu Potter rindo em silêncio atrás de uma armadura

Já ia interferir quando o garoto pareceu cansar da diversão e deixou que os meninos recolhessem seus pertences. Irritada, ela resolveu virar as costas e seguir por outro caminho.

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Era horário de aula vaga e Lílian espalhava livros e pergaminhos por uma mesa do Salão Comunal quando o Quadro da Mulher Gorda girou deixando Tiago entrar.

-Tsk, tsk. Estudando em tempo livre? - ele se aproximou

-Ainda estamos em horário de aula, Potter. – disse sem levantar a cabeça – E não venha com essa de me "ensinar" alguma coisa. Você não tem moral pra isso.

-Não tenho… Que história é essa? – sentou-se na cadeira à frente dela

-Você disse que queria me ajudar. Você nem sabe o que empatia significa.

-Claro que eu sei. É como se colocar no lugar de outra pessoa.

-Ah, então você sabe, só não se importa com o significado.

–Mas o quê... Ah, você por acaso passou pelo corredor do terceiro andar agora há pouco?

-Infelizmente. – ela continuou a não levantar os olhos

-Ora, Evans, foi só uma brincadeira.

-Brincadeira? – ela se indignou finalmente o encarando – Que espécie de trauma é esse que você tem que precisa se reafirmar sobre as pessoas desse jeito?

-Você está levando isso a sério demais.

-Potter, pegar Snape sem motivo é ridículo, mas segundoanistas? É, no mínimo, covardia.

-Ah, daqui a pouco eles nem vão lembrar mais. – disse encostando para trás

-Quem bate esquece, quem apanha, não. – ela resmungou

-Não bati em ninguém.

-Potter, use seus sedentários neurônios e faça a associação por si mesmo. Eu tenho mais o que fazer.

-Está bem, eu sinto muito. – ele agitou os braços

-Primeiro: sente mesmo? Segundo: não é comigo que você tem de se desculpar.

Tiago pegou ar para falar alguma coisa, mas Lily não deu tempo.

-Eu não vou discutir com você.

A ruiva abriu o livro de Transfiguração e procurou a página desejada com considerável ruído indicando claramente "conversa encerrada".

Tiago se levantou e subiu para o dormitório entre bravo pelo sabão que levara e pensativo.

Vendo-o se afastar, a ruiva murmurou:

-Um a um.

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Alguns dias depois, no fim da tarde, Amy e Lily foram à biblioteca.

De longe, Amy identificou Mila de costas em uma mesa bem no canto e dirigiu-se para lá. Mila se assuntou quando ouviu passos logo atrás de si e fechou rapidamente o livro que consultava tomando o cuidado de esconder o título dos olhos da amiga.

Amy percebeu o seu desconcerto, mas não era de fazer perguntas se a pessoa parecia não querer falar. Mila logo levantou dizendo que precisava pegar outro livro.

Lily, assim que entrou na biblioteca, dirigiu-se para a seção de Feitiços. Por um vão da estante feito pela retirada de um livro, viu Tiago se aproximar da mesa na qual três segundoanistas estavam estudando.

Silenciosamente, ela foi até a seção de Invisibilidade e ficou observando-o pedir desculpas e até oferecer ajuda com a lição de Transfiguração. Depois, foi seguindo-o por trás dos livros. Os dois andavam paralelamente com uma prateleira entre eles. No espaço entre duas estantes, se encontraram. Tiago pareceu surpreso ao vê-la ali, não tinha notado a presença dela. Lílian o olhava fixamente.

-Que erro cometi agora? – perguntou ele desanimado

-Não, acho que fez algo bem feito. – respondeu ela de forma agradável – Colegas? – acrescentou estendendo a mão

-Colegas. – disse quase sorrindo por um dos cantos da boca e apertando a mão da garota

Cerca de dez minutos depois, ao encontrar com Sirius no corredor, Tiago se deu conta que enquanto falava com os alunos do segundo ano e com Lílian, não se lembrara da aposta. Percebeu também que não era a primeira vez que isso acontecia...

A partir disso, a convivência entre os dois se tornou levemente mais amigável. É, levemente...

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Na noite do dia seguinte, logo que terminou de jantar, a ruiva viu alguém se esgueirando de fininho para fora do castelo.

-Aquele é o Hagrid? – ela perguntou a Tiago, que estava ao seu lado

-Você conhece mais alguém de quase três metros por aqui? – ele respondeu bem humorado

Achando a cena incomum, a garota levantou e foi em direção ao meio-gigante. Seguindo a deixa, Tiago foi atrás dela.

-Hagrid? – ela o alcançou nos jardins, ainda próximo da entrada principal

-Lily (!). Boa noite. – Hagrid disse olhando para os lados

-Está tudo bem? – indagou Tiago

-Está, tudo ótimo. – Hagrid respondeu com a voz mais aguda

-Tem certeza? Você parece preocupado. – Lílian notou

-Preocupado? Não, estou animado pra falar a verdade. – ele olhou mais uma vez para os lados e abaixou para que somente os dois ouvissem o que viria a seguir – Terei um novo animal de estimação.

-Um novo… E o que seria, Hagrid? – Tiago já tentava imaginar o tamanho dos dentes do mascotinho

-Uma iguana de sangue. – outro respondeu sorrindo

-Uma iguana de sangue!? – Lily tomou o cuidado de manter a voz baixa – Mas elas são perigosas.

-Não, elas são só incompreendidas – Hagrid defendeu como se falasse de um filhote de cocker – Aliás, Lily, você sabe se ela gosta mais de escorpiões ou aranhas?

-Eh, eu, eu pesquiso pra você. – a ruiva sorriu amarelo

-Ah, obrigado. Bom, eu já vou. Já estou arrumando a caminha pra ela. Chega em dois dias.

Tiago então percebeu que havia algo de pelúcia cinza em um dos bolsos do casaco de Hagrid.

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Os dois voltaram a entrar e caminhavam em silêncio no primeiro andar em direção à Torre da Grifinória. Os corredores estavam vazios, faltavam apenas dez minutos para o horário de recolher dos alunos.

Tudo aconteceu tão rápido, que quando Lílian deu por si, tinha sido empurrada com Tiago para dentro de um cômodo escuro – logo depois ela descobriria que se tratava de um armário.

-Agora você vai saber o que é ficar aí até de madrugada, Potter. – disse uma voz feminina do lado de fora, que Lily reconheceu como sendo de uma sonserina, e saiu

-Potter, o que está acontecendo? – Lily tentava manter a voz calma

-Acho que uma vingança. – Tiago tentou soar simplicidade

-Por quê? Você trancou alguém aqui dentro e esse alguém acaba de trancar você aqui dentro?

-Mais ou menos isso.

-E o que eu tenho a ver com isso? – a voz dela estava perigosamente suave

-Hum, nada, eu acho.

-Certo, certo… - continuou no mesmo tom – E será que eu poderia esganar você agora?

-Eu preferia que não se você não se importa. E é melhor evitarmos barulho para Filch não nos encontrar, porque isso nunca é bom.

-Lumus.

Com a luz da varinha, Lílian pôde acomodar-se em um canto no chão. Tiago sentou em um balde virado de cabeça para baixo.

-Quanto tempo vamos ficar aqui? – ela perguntou

-Se for o feitiço que estou pensando, até…

Ele abaixou tanto a voz no fim da frase, que Lily não pôde ouvir.

-Quanto tempo? – perguntou desconfiada.

-Até meia-noite e meia. – ele encolheu os ombros

A ruiva automaticamente olhou o relógio.

-São dez para as nove… Isso dá mais de três horas aqui(!). – disse indignada

-Você fala assim pelo lugar ou pela companhia? – Tiago ainda tentava manter o bom humor

-Tem certeza que quer ouvir a resposta? – ela disparou

-Talvez seja melhor não.

-Ótimo. – falou ela ao tornar a consultar o relógio – Já são 8:51.

-Sabe, Evans, você tem sintomas de quem tem a vida controlada por números.

-Sintomas? – o olhou entre entediada e desconfiada

-É, olhar o relógio o tempo todo, ver que dia tem prova. Você provavelmente depois de saber o nome de uma pessoa, deve perguntar a idade ou quantos irmãos tem…

-Potter, pare de falar como se soubesse tudo da minha vida, porque você não sabe, e é extremamente irritante. E me poupe das filosofias de Saint Exupéry.

-Você leu o Pequeno Príncipe?

-Eu é que pergunto. Até onde eu sei, ele é um escritor trouxa.

-Ele é mesmo. Foi uma amiga da minha mãe que me indicou o livro uns anos atrás.

-Por acaso ela nasceu trouxa?

-Por acaso.

Alguns longos minutos de silêncio. Longos minutos… Um silêncio quase pesado…

-Evans, você tem um namorado fora de Hogwarts?

-Isso não é exatamente da sua conta. – e após uma breve pausa - Por que ele estaria fora de Hogwarts?

-Bom, é que eu não vejo você saindo com ninguém aqui.

-O exato aposto de você, não é mesmo, Potter?

-Um pouco. Mas você não respondeu.

-Por que quer saber?

-Porque estamos aqui presos. E não sei você, mas não pretendo ficar em silêncio por três horas.

Lily foi forçada a admitir, mesmo que só para si mesma, que se não quisesse ficar horas olhando para baldes e esfregões sem fazer nada, a única opção era conversar.

-Não, Potter, não tenho. – respondeu sentindo a garganta fechar por um instante – E honestamente, não faz falta. – acrescentou

-Por que? – Tiago virou-se para ela

Pareceu ao rapaz que havia uma nota diferente na voz dela, algo que ele não sabia o que era. Não era o sarcasmo de sempre, nem uma voz fragilizada.

-Acho que paixão é um distúrbio psicossomático: você vê alguém, o coração bate mais forte, as mãos tremem, o estômago aperta. Sem contar nas enormes chances de se decepcionar. Não vale a pena.

-Não acha isso meio pessimista?

-Eu chamaria de realista.

-Há controvérsias.

-Que seja. – ela desviou os olhos para um esfregão particularmente peludo

-Você também acha que flores são um presente mórbido porque morrem depois?

-Não, não acho.

-Então deve ter uma flor preferida?

-Por que pergunta? – no tom usual de desconfiança

-De novo: porque não temos mais o que fazer.

A linha que dividia o que era a aposta e o que não era ficava cada vez mais embaçada na cabeça de Tiago. Não sabia mais ao certo o que fazia parte de sua "estratégia" e o que era espontâneo.

-Camélias. – ela acabou respondendo

O tempo foi passando. Lílian acordara cedo e estava ficando com sono. Encostou a cabeça na parede, os olhos pesados, mas não podia dormir.

-Você têm irmãos, Evans?

-Uma irmã.

-Não ouço você falar dela.

-Digamos que não temos das melhores convivências. – a garota se mexeu incomodada – Desde que vim para Hogwarts, na verdade. Todas as vezes que vou para casa ela me destrata porque sou bruxa.

-Por que você é bruxa?

-No vocabulário dela, sou "anormal", como ela gosta de repetir.

-É como o preconceito dos sonserinos só que ao contrário?

-Algo assim.

Tiago não falou mais nada. O assunto parecia desagradá-la. Algo em sua voz e no seu jeito de olhar o fez perceber que ter uma irmã assim devia ser… doloroso pra ela. Começava a entender porque Evans era tão fechada.

-Tem irmãos, Potter?

-Praticamente filho único.

-Praticamente? – ela olhou intrigada

-Com Sirius morando lá em casa, eu meio que passei a ter um irmão.

Os assuntos que permearam aquelas três horas não variaram muito. Na esperança de o tempo passar logo, chegaram até a jogar forca.

Finalmente, o relógio bateu 12:30 e um "clique" foi ouvido na fechadura indicando que a porta tinha se aberto.

Os dois se colocaram em pé imediatamente. Tiago espiou por uma fresta para ver se havia alguém no corredor. Deserto.

Tomando todo cuidado para não fazer barulho, os dois saíram do armário. Andavam rente às paredes, tentando dar passos o mais macio possível, os ouvidos atentos a qualquer som que viesse interromper o silêncio em que mergulhara o castelo.

Lílian tinha de admitir que, naquela situação, estar com Tiago era vantajoso. Os atalhos que ele conhecia diminuíam bastante o caminho. Se não fosse a tensão em que ela estava de ser pega por Filch ou um dos professores, a ruiva teria apreciado mais a vista dos quadros dormindo e o sossego dos corredores.

Apenas um andar abaixo do Quadro da Mulher Gorda, um miado a assustou. Virando para trás viu os enormes olhos cor de âmbar de Madame Nor-r-ra fixados neles. Não teve tempo de pensar em mais nada. Tiago a pegara pela mão e corria puxando-a. Não demorou nada para ouvirem a voz do zelador falando com a gata e seus passos mancos ao encalço deles.

Tiago precisava tirar Lílian dali. Se ela pegasse detenção por sua causa, seria muito difícil conversar amigavelmente com ela de novo. Um esconderijo. Precisava de um esconderijo.

Então avistou o quadro de Boris, o Grandalhão. Atrás da armadura ao lado havia uma passagem escondida. Acelerou o passo, murmurou "secretus", entrou no estreito corredor e parou bruscamente.

Lily, por sua vez, mal via aonde estava indo. Toda a sua concentração se voltara para suas pernas para tentar acompanhar Potter e não cair no meio do caminho. O que ela não esperava era aquele brecada repentina. Acabou colidindo com o garoto e precisou apoiar a mão em seu ombro para não cair. Tiago aproveitou o pretexto e a proximidade para segura-la pela cintura. Como a voz de Filch estivesse muito próxima, Lily não se mexeu com medo de que fossem ouvidos ali. Com os olhos e ouvidos atentos e tentando ver alguma coisa pela minúscula fresta, ela apenas tentava encostar nele o mínimo possível.

Depois do que lhes pareceu uma eternidade, a voz do zelador desapareceu com a distância. Antes que não pudesse evitar serem pegos, Tiago voltou a correr novamente puxando a garota. Ao dizer "pergaminhos encantados" a uma sonolenta Mulher Gorda, entraram na Torre da Grifinória.

O Salão Comunal estava vazio para o alívio de Lílian. Ofegante, com mechas do cabelo soltas caindo-lhe pelo rosto e as bochecha coradas pelo exercício, Lily sentou em uma poltrona.

Tiago sentou na poltrona ao lado sorrindo da façanha. Quando, porém, olhou para a esquerda e a viu, seu sorriso diminuiu, ficou mais discreto, pensativo. Ele sempre a achara bonita, mesmo quando recebia uma de suas ironias. Mas naquele momento, não tão rígida, quase largada na poltrona, com a claridade da lareira refletindo em seu rosto, ela estava linda.

Devagar, ele saiu de onde estava e se ajoelhou no chão na frente dela. Já não se lembrava de aposta alguma.

-Sabe o que eu vejo? – disse em uma voz branda

-Não, Potter. – ela respondeu sem o seu habitual sarcasmo e sem olhá-lo diretamente

-Uma pessoa tentando esconder a beleza que tem. – como ela não falasse nada, ele continuou – Posso pedir uma coisa?

-Você tem de estar brincando. Acha que está na condição de me pedir alguma coisa?

Lily ainda encarava algum ponto em cima da lareira. Logo em seguida, porém, abaixou os olhos e encontrou os de Tiago mais próximos do que esperava.

-Merlin, você não está brincando… - ela suspirou – Eu devo estar perdendo a cabeça… O que você quer?

-Solte os cabelos.

-O quê?

-Solte os cabelos. É tão bonita e usa um penteado tão… sério. Não sabe o quanto está ainda mais bonita agora que seu cabelo não está todo repuxado para trás.

Ele pegou nas mexas soltas e sem querer encostou de leve no rosto de Lílian fazendo-a estremecer.

-Solte os cabelos. – pediu mais uma vez

-Potter, eu não…

-Lily, só pra eu ver como fica.

O uso de seu apelido a fez parar, seus olhos se encontraram por um instante. Nunca o tinha ouvido assim… gentil, cavalheiro… não com ela. Lentamente, tirou a piranha. Seu cabelo desenrolou sozinho. Ela deu uma pequena ajeitada e tornou a olhar para Tiago. O vermelho de seus cabelos pareceu acentuar ainda mais o verde dos olhos.

-Linda. – ele disse com um sorriso galante

-Obrigada. – ela sorriu sem jeito abaixando a cabeça.

Percebendo ainda o olhar dele sobre si, sentiu-se desnorteada. E aproveitando um bocejo, murmurou um "boa noite" e subiu para o dormitório feminino.

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N/A – Ois!

Instruções de segurança de Slughorn vindas diretamente das minhas aulas no laboratório de química na época do colégio... rsrsrsrs

Espero que estejam gostando. Mandem um oi se estiverem. =)

Beijos, Palas