CAPÍTULO IV

Precisa-se de um amigo


A saída repentina de Dawn havia sido há três dias atrás e ela ainda não havia voltado. Gui estava ficando cada vez mais preocupado. O que havia acontecido pra que ela tivesse que voltar às pressas pra casa? Olhou para a mesa da Sonserina e nenhum sinal dela. Será que foi a maneira que o professor Snape encontrou de afastar os dois? Não podia ser, afinal, teria sido uma medida drástica demais não? Não pode evitar olhar novamente em direção à mesa cheia de sonserinos. A verdade é que nunca se perdoaria se ela tivesse que sair de Hogwarts por causa dele. Ia se virar para procurar Dawn novamente, mas ao girar o corpo encontrou uma garota de pé atrás dele.

"Não pude deixar de notar que me procuravas, Gui".

"Eu não te procurava, Sofia".

"Não procurava, é mesmo?", disse ela sorrindo levemente e se abaixando para falar-lhe ao pé do ouvido, "Mas então procuravas o que entre os sonserinos?"

"Não procurava nada, e mesmo que procurasse, não seria de teu interesse".

"Tudo bem, gatinho. Não precisas dizer. Sabias que estou indo pra Hogsmead sozinha hoje?"

"Bem, cuidado pra não te perderes então. Acho que já vou indo, já acabei de tomar meu café".

"Queres companhia? Quer dizer, eu vou sozinha e tu vais sozinho, então..."

"Eu não vou sozinho. Agora, se me deres licença...", ele se levantou e caminhou até Anne, que estava sentada mais ao final da mesa com outras garotas, e lhe falou ao ouvido, "Me acompanhas até Hogsmead? É questão de vida ou morte", riu ele, "Te explico no caminho".

Ela riu, ao se levantar e disse, "Faço o sacrifício, mas vais ter que me fazer companhia durante um chocolate quente".

"Será um prazer!", disse ele e, fazendo uma reverência às meninas que continuaram sentadas à mesa rindo, "Espero encontrá-las mais tarde". Assim saíram os dois, seguidos de longe pelos olhares de Sofia.

Quando já haviam alcançado o caminho que levava até a cidade, Anne perguntou, "A que devo o convite repentino?"

"A Sofia queria vir comigo".

"Ah, sim... Compreendo".

"Espero que não fiques chateada comigo, mas foste a primeira pessoa que me passou na cabeça..."

"Sem problemas", disse ela lhe dirigindo um sorriso que dirimiu todas as suas dúvidas sobre se a garota estava ou não magoada com ele, "Eu não tinha nada planejado pra hoje mesmo. Desta forma eu ao menos vou ganhar um chocolate quente", riu ela.


"Cavalo para o F4"

"Bispo para o F4. Xeque-mate", disse Gui. Ele e o irmão estavam debruçados a mais de uma hora sobre o tabuleiro de xadrez. Gui já havia ganhado duas vezes.

"Ótimo...", suspirou Carlinhos, ele já estava sem paciência pra continuar jogando.

"Vamos mais uma vez?"

"Claro que não, ficaste maluco?", Carlinhos se levantou e passou a recolher as peças do xadrez, "É entediante ficar perdendo, sabias?"

"É só ganhares da próxima vez".

"Muito engraçado... Além do mais, não tens nenhuma lição pra fazer? Porque eu tenho uma gigantesca para Trato das Criaturas Mágicas"

"Também tenho. Acho melhor tentar começar a fazer mesmo..."

"O que tens, meu irmão?"

"Não é nada não, Carlinhos", sorriu Gui se levantando para pegar sua mochila, "Só estou um pouco preocupado".

"E posso saber com o quê?", disse o irmão seriamente, mas depois abriu um sorriso e completou, "Ou seria melhor perguntar com quem?"

"Tu não prestas", riu Gui, "Mas é com uma amiga..."

"Ah, sim... Uma amiga...", Carlinhos aproximou seu rosto do do seu irmão e disse baixinho, "Sabe, acho que a Anne gosta de ti".

"Deixa de ser bobo, Carlinhos...", disse ao empurrar o irmão de volta à poltrona.

"Sabes que não costumo me enganar com esse tipo de coisa..."

Com isso os dois irmãos passaram a fazer suas lições, mas Gui não conseguia se concentrar. Se falasse isso para Carlinhos, ele com certeza ia dizer que era porque estava pensando em Anne, que estava preocupado em saber se ela gostava dele ou não. Carlinhos não entendia o que estava passando pela cabeça de Gui. Seus pensamentos ficavam ao redor de um único ponto: Dawn já estava desaparecida havia uma semana. Estava preocupado, sim, mas não era só isso, ele sabia. Estava com saudades dela. Temia que ela não voltasse nunca mais. Tinha que descobrir alguma coisa ou então ficaria maluco. Mas não agora... Se ela não aparece para a aula de História da Magia amanhã ele iria tentar descobrir alguma coisa. Nem que tivesse que ir falar com o Mestre de Poções...


Nenhum sinal. Sua última esperança era encontrá-la na sala de aula do Professor Binns, mas ali também não a encontrou. Seguia pelo corredor, mas, ao invés de ir para o Salão Principal almoçar como todos os outros alunos, ele rumava às masmorras, ia conversar com Professor Snape agora. No entanto, ao entrar num corredor, lá estava ela. Quase não a reconheceu: os cabelos estavam soltos e lhe cobriam o rosto de forma que ele, da onde estava, não podia vê-lo, mas tinha certeza que era ela. Apressou o passo em sua direção. Quando chamou por ela, madame Ponfrey surgiu em seu caminho.

"Fale baixo, Weasley. E o que precisas?"

"Desculpe, madame Ponfrey", foi então que ele se deu conta que havia entrado na ala hospitalar, "Eu só gostaria de falar com Dawn".

"Ah, sim. Mas vais ter que esperar um pouco, primeiro vou atendê-la", com isso ela adentrou a ala hospitalar e fechou a porta. Gui ficou sentado do lado de fora. O que será que havia acontecido? Esperou por cerca de meia hora até que a enfermeira reapareceu.

"Pronto. Já podes entrar", sorriu ela abrindo passagem, "Mas fique sabendo que estarei aqui ao lado com os olhos e ouvidos bem atentos".

Ele se dirigiu calmamente para a cama em que ela estava. Logo que o viu, Dawn baixou a cabeça e deixou que os cabelos voltassem a esconder seu rosto.

"Não esperava que me visses chegar..."

"Eu estava passando por acaso quando te vi no corredor", sorriu ele ao se sentar ao lado da cama dela, "Resolvi vir te devolver o livro e te agradecer o empréstimo", disse ele ao entregar o livro com um pequeno pacote sobre ele. Quando ela estendeu a mão para o livro ele notou que o braço dela estava machucado, mas nada disse.

"O que é isso?", disse ao pegar o pacote.

"Um presente pra agradecer e pra te dar as boas vindas de volta às aulas", disse sem evitar de ficar levemente enrubescido, "Espero que gostes...". Ao abrir o pacote, ela viu um pequeno aro de madeira com um trançado em forma de teia em seu interior, enfeitado com pequenas pedras e penas. Antes que a garota perguntasse, Gui disse, "É um apanhador de sonhos. Dizem que ele filtra os sonhos ruins e só deixa os bons passarem... Assim talvez durma melhor", ela ficou em silêncio, olhando o objeto, "Desculpe, é um presente bobo".

"É lindo. Muito obrigada", disse ela sorrindo e o olhando pela primeira vez naquele dia. O rosto dela estava marcado da mesma forma que o braço.

"Estás toda machucada, o que aconteceu? Achei que tinhas ido resolver algum problema de família".

"E fui. E já está tudo resolvido. Os machucados logo passam..."

"Mas quem fez isso?"

"Não precisa se preocupar, ok? Logo tudo isso vai acabar...", ele fez menção de continuar, mas ela interrompeu, "Não quero conversar sobre isso, tudo bem?"

"Tudo bem. Acho que vou indo, então", ele se levantou para sair, mas ela alcançou o braço dele com sua mão, "Queres que eu fique mais um pouco?", ela simplesmente balançou a cabeça afirmativamente e ele voltou a sentar.


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