Capítulo IV – É O QUE PARECE SER?
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- Não mais, chega, por favor! - suplicou Rukia, atirando-se no chão.
Era uma da tarde de segunda-feira e já estava quebrada. Que maneira de começar a semana era essa?
- Levante-se Kuchiki! Você apenas fez cinco mil! - Rukia levantou o olhar, indignada.
- Apenas?! - Gritou, fulminando com o olhar a sua torturadora - Soi Fong-taichou! Durante toda a manhã a senhora me pôs para fazer agachamentos, abdominais e todo tipo de exercícios, não aguento mais! É um exagero!
- Bah, Kuchiki! Não sejas tão chorona! O que você fez não foi nada comparado à rotina de exercícios do nosso esquadrão - disse Soi Fong em seu tom usual - Não é mesmo, rapazes? - Perguntou girando o rosto para ver o seu esquadrão, que estava observando o treinamento, o.k., a tortura de Kuchiki Rukia.
- Sim, Soi Fong Taichou! – Gritaram em coro. Rukia deixou os olhos em branco, o pessoal do 2° esquadrão definitivamente era masoquista.
- Vamos Kuchiki, se continuar assim jamais logrará a Bankai! - Lhe advertiu Soi Fong.
- A Bankai? A isso me refiro! - Disse Rukia enquanto se incorporava com uma careta de dor. - Este tipo de treinamento que está me dando, não tem nada que ver com a bankai.
- Tsk… Kuchiki! E o que tu sabes sobre o treinamento da Bankai? – Alfinetou Soi Fong. Rukia franziu o entrecenho. - Não podemos começar sério se tu ainda não estás pronta.
- Claro que estou! Já posso controlar muito bem a shikai e…
- Isso é o de menos! – respondeu a capitã ao mesmo tempo em que fazia um gesto com a mão, como se espantasse algo. A pequena shinigami se surpreendeu. O de menos?
- Como nunca treinou para a bankai, primeiro deve adquirir resistência física e força! Que pelo o que eu vejo, você não tem. E nem tampouco o teu corpo parece ter se desenvolvido. - Rukia sentiu uma pontada de irritação ante tal comentário e estava a ponto de fazer uma cortante observação de que Soi Fong tampouco havia se desenvolvido muito que se possa assim dizer, foi quando notou que o pessoal do esquadrão estava fazendo sinais frenéticos, lhe indicando que não falasse nada sobre isso, ela então, decidiu levá-los em consideração.
- Bem… Não é que eu não tenha resistência física, senão que acabo de regressar de uma longa missão, sabe? É normal que eu esteja cansada - se defendeu Rukia.
- Isso são desculpas, Kuchiki! E quer se apressar? Estou perdendo a paciência! - Replicou Soi Fong. – Você sabe muito bem que não estou fazendo isto porque quero, mas porque Yoruichi-sama me pediu. Portanto, farei com que consiga a bankai ainda que seja a última coisa que eu faça, não penso em decepcionar Yoruichi-sama!
- Ugh… esta mulher está louca… - pensou Rukia, mas logo teve uma boa ideia - Er… Então o que importa é realizar o pedido de Yoruichi-san, não? E o que ela quer é que eu volt... Quer dizer, que eu obtenha a bankai… Porém não disse que era obrigatório que a senhora me treinasse, né?
- Exato, porém ninguém mais pode te treinar, lembra-te do teu irmão... - disse Soi Fong, que já estava levando em consideração a proposta de Rukia. Porém era certo que ninguém em seu juízo perfeito se atreveria a treinar para bankai a pequena Kuchiki, já que seguramente Kuchiki Byakuya o despedaçaria sem piedade.
Rukia estava prestes a responder quando apareceu uma borboleta infernal.
- Oh… Já está quase na hora. - Murmurou Soi Fong. - Está bem Kuchiki, isto é tudo por hoje. Nos vemos amanhã.
- De jeito nenhum! – Pensou a de olhos azuis.
- Mmm… Por acaso… - Murmurou a capitã. – Você também irá à cerimônia, ou melhor, na demonstração, não é? - Rukia assentiu. - Pois bem, deve prestar atenção em todos os movimentos que realizarem.
- Claro… - respondeu Rukia, pensando em como escaparia no dia de amanhã.
A garota não soube como conseguiu chegar à mansão Kuchiki com suas pernas que mais pareciam feitas de gelatina. Tomou um banho rápido e enquanto se trocava teve uma luta interior. Sua cama a chamava... Ah, parecia tão confortável… Como desejava se deitar e tirar um bom cochilo (de pelo menos uns dois dias…), mas não… Tinha que ir nesta estúpida cerimônia… Se bem que, não deveria estar se queixando, meia Sereitei mataria para poder assistir a esse evento e ela era uma das poucas privilegiadas que poderiam ir. Bem, não é que ela pudesse ir, ela era obrigada a ir; a menos que quisesse desonrar seu sobrenome.
Suspirou, ao menos presenciaria um grande espetáculo; não era todo dia que se via, aqueles que tinham bankai fazerem uma demonstração.
-Ah, é mesmo, me pergunto se ele já foi… - falou Rukia pra si mesma – Hehehe irei lhe desejar boa sorte e de quebra incomodar um pouquinho... – Terminou de ajeitar sua roupa. – Peraí... É minha imaginação ou o kimono está mais largo… hmmp… - A garota decidiu jogar a culpa em Soi Fong. – Tinha me custado tanto aumentar uns quilinhos…
Dirigiu-se ao quartel do 6° esquadrão ainda cambaleando... E jogando pragas em Soi Fong e Yoruichi-san, por lhe ocorrer pedir justo à capitã do 2° esquadrão que lhe treinasse, começou então a buscar o escritório de Renji.
Estava tão ocupada xingando e pensando que suas pernas nunca mais seriam as mesmas, que não percebeu quando alguém apareceu, de repente, na sua frente.
Chocaram-se e Rukia caiu de bunda no chão.
- Ai que dor! - Exclamou a morena enquanto massageava a dolorida retaguarda.
- Oh, me desculpe, Kuchiki fukutaichou-sama! - Gritou uma garota, claramente assustada. Rukia a olhou. Era a terceira em comando do 6° esquadrão: Aonuma Keiko – Sinto muito mesmo, não foi minha intenção, é que não a vi... – Na garota de olhos azuis saltou uma veia em uma de suas têmporas. Sim, era pequena, sabia disso, mas era necessário que lhe esfregarem isso na cara o tempo todo?
- Eh… Não se preocupe tanto Aonuma-san. - Murmurou Rukia enquanto se colocava em pé com um pouco de dificuldade. Quando parou, se fixou em Keiko. Era alta (para os parâmetros de Rukia claro) já que a morena apenas lhe chegava à altura das omoplatas, seu cabelo era castanho e caía até os ombros; seus olhos eram verdes e nesta hora parecia muito nervosa. – Não precisa ficar assim e, aliás, não é necessário me chamar com esta formalidade. Não sou meu irmão, sabe? Pode me chamar pelo nome…
- Oh claro… Novamente, sinto muito Rukia-san e a senhora…, digo, você pode usar o meu primeiro nome também.
- Ah tá… - Rukia percebeu que estavam na frente da sala do seu amigo - Oye… Veio ver o Renji? Por que vinha com tanta pressa?
- Eh… Não… Só queria lhe desejar boa sorte, mas não importa… - Por alguma razão, a garota ficou vermelha.
- Tem certeza Keiko-san? - Perguntou a morena.
-Sim… Acabo de lembrar que Kuchiki-taichou me pediu que fizesse algo muito importante… Eto… Será melhor que me apresse… A-adeus Rukia-san! - Dizendo isso deu meia volta e se afastou depressa.
A pequena shinigami deu de ombros e entrou no escritório de Renji. Surpreendeu-se ao encontrar o dito cujo profundamente adormecido em cima da mesa. A princípio lhe deu vontade de gritar o mais alto possível, mas logo pensou em algo melhor. Limpou a garganta enquanto se aproximava dele na ponta dos pés.
- Renji… - Sussurrou Rukia no ouvido do seu amigo, imitando de forma perfeita, (e em parte arrepiante) a Byakuya. O que ocorreu a seguir foi muito engraçado, Renji deu um salto enorme enquanto gritava "Ah Taichou! Juro que não estava dormido!" Rukia começou a se afogar de tanto rir.
- Que saco Rukia! O que foi? Quer que eu infarte?! - Protestou o ruivo. A garota que já tinha conseguido recuperar a compostura respondeu:
- Tsk… Tonto… Por que está bravo? Na verdade te fiz é um favor, já está quase na hora - Renji que ainda a xingava, olhou para o relógio.
- Droga! Por que não me disse antes? - Exclamou o ruivo enquanto tentava se arrumar o mais rápido possível. A pequena shinimagi pôs os olhos em branco, seu amigo não tinha remédio! - Oi Rukia, por acaso viu a minha insígnia de tenente?
-Não… E se fosse você me apressaria, faltam 15 minutos para a cerimônia começar. - Comentou a garota enquanto observava como Renji buscava, feito louco, por sua insígnia. Quando seu amigo por fim a encontrou (no meio de uns livros) Rukia olhou para o seu rosto; pelo canto da boca do ruivo escorria um fiozinho de saliva, além disso tinha a bochecha manchada de tinta, certamente por haver utilizado um dos documentos como almofada. Uma parte malvada do ser de Rukia lhe disse para não falar nada para o amigo... E ela a seguiu. – Bem, está pronto? Vamos?
-Ah… Espera! E Zabimaru?!
Dez minutos depois (demoraram para encontrar a zanpakutou) os dois shinigamis corriam o mais rápido possível em direção à arena do 1° esquadrão.
-Oi, e então, pra que você foi à minha sala? - Perguntou Renji enquanto corria.
- Mmm… Pois pra te desejar boa sorte, não é óbvio? - Respondeu Rukia, que já tinha perdido completamente a sensibilidade das suas pernas.
-Oh… Obrigado… - Murmurou o garoto.
- Renji… Te desejo sorte, mas no fundo quero que você vá mal. - Disse a garota, quase num sussurro. O ruivo a olhou sem acreditar no que acabava de ouvir. - Os Illuminati…
- Ah… - Abarai então compreendeu a que se referia sua amiga.
Os Illuminati… O motivo da cerimônia… Os Illuminati são um grupo de shinigamis escolhidos pelo próprio Rei da Soul Society, para que sejam seus mais leais servos e guardiões. Eles são muito mais importantes que o Ouzoku Tokumo. Os Illuminati vivem no próprio palácio do rei e são os únicos que o conhecem em pessoa. Supõe-se que são dezessete, mas há o rumor de que há anos não estão completos. A cada 150 anos se realiza na SS uma espécie de cerimônia/apresentação onde todos os shinigamis da Seireitei que já alcançaram a Bankai fazem uma demonstração desta. Cinco Illuminati assistem a este evento como observadores e depois de dois meses, anunciam o nome do shinigami que foi escolhido para ser um deles. Uma vez tomada esta decisão não se pode fazer mais nada.
Os Illuminati… A elite da elite…
- Tsk… Rukia por que se preocupa…? Você acha que poderiam escolher a mim? - Perguntou o ruivo. A garota fulminou seu amigo com o olhar.
- Claro que sim, Renji! Não leve na brincadeira!
- Tch… Claro… Mas o que há de mal em ser um deles?
- Vejamos… Em primeiro lugar para ser um Illuminati… Tens que morrer!
- Rukia… Nós já estamos mortos… - Replicou Renji com tom cansado. – E não é assim, não tens que morrer.
- Pois bem, não literalmente, porém sim! O shinigami ao qual escolherem será despojado completamente de seus sentimentos, para que se preocupe somente pelo rei e por suas obrigações.
- Mmm… Mas é assim que um shinigami deve ser…
- Não é justo! Nós shinigamis também temos sentimentos! Sim, até Nii-sama! - Abarai a olhou surpreendido, a garota inclusive surpreendeu a si mesma… Talvez tivesse passado tempo demais com os humanos…
- Você sabe a que me refiro! - Ela continuou. - Não somos tão expressivos como os humanos, mas ainda assim… Não somos como os Illuminati, que carecem completamente de sentimentos, ou melhor dizendo, os tiram! O único que lhes importa é seu dever, lutar, o rei… Seriam capazes de assistir o assassinato de seu melhor amigo sem mover um dedo, caso não ordenem ajudar… São como um grupo de Kenpachis ou pior que ele…
- Certo, certo… Cometerei um erro de propósito para cair no ridículo… - Murmurou Renji dando um suspiro. - Por Deus mulher, não te angustie por coisas que nem ocorreram…
- Fico feliz Renji… É que eu não gostaria de te ver convertido em algo assim…
-Ah… O que me espanta é que você não está preocupada com seu irmão. Ele sim, de longe, é muito melhor que eu. – Disse o ruivo.
- Tsk… Claro, o mais certo é que o elejam, porém perdem seu tempo... Nii-sama é o cabeça dos Kuchikis e tem o direito de escolher se quer fazer parte deles ou não… Sua participação é pura formalidade, já que duvido muito que ele aceite.
-Hmph… A sorte dos nobres… - Comentou Renji. A garota franziu a testa - Ah! Claro que não aceitará, pois se o fizer, você ficaria responsável pelo clã Kuchiki. Hahahaha!
Seria o fim da família!
Rukia adoraria dar um soco no amigo, porém neste momento seu corpo não estava em condições de semelhante esforço físico, já era suficiente estar correndo; assim que lhe dedicou o seu olhar mais assassino, enquanto imaginava que algo lhe acontecia. Renji percebeu que sua amiga não lhe machucou e estava prestes a debochar dela quando bateu com o dedão do pé em uma pedra.
-Ouch! - Se queixou o ruivo, enquanto a garota ria e considerava a possibilidade de ter poderes telepáticos. – Deixa de gozação e se apressa… Droga! Se eu chegar atrasado, Kuchiki-Taichou me usará para sua demonstração de bankai…
- Tsk… É culpa sua por ficar dormindo… - De repente, Rukia arregalou os olhos como se acabasse de se dar conta de algo. - É isso Renji! Você pode usar a bankai!
- Oh louvada seja Rukia, a deusa da percepção! - Disse o shinigami acidamente. A garota estava tão alegre pela ideia que acabava de ter que nem sequer se ofendeu pelo comentário do amigo.
- Woosh! Está decidido! Pelo resto da semana, você me ajudará a treinar para a bankai. - Exclamou a pequena shinigami alegremente.
- EU O QUÊ?!
- É o mais lógico. - Disse Rukia e lhe explicou tudo o que havia passado durante a manhã com Soi Fong.
-Tch… Não fazia ideia de que estava se preparando para a bankai… Surpreende-me que tenha escolhido sua semana livre para isso, pensei que fosse visitar Ichigo.
- Bem… Isso era o que eu pretendia fazer... - Comentou a garota com sinceridade e um pouco vermelha. - Porém Yoruichi-san me propôs o treinamento e não podia dizer que não (melhor dizendo, não devia) assim tive que cancelar minha visita à Terra… - Suspirou - Então… Me ajudará?
Renji esteva tentado a recusar, um: porque achava que era muito arriscado para ela; dois: se Byakuya descobrisse, já poderia ir despedindo-se de suas extremidades por causa de Senbonzakura. Apesar disso, Abarai continuava sem defesas frente ao olhar de "boa menina" de Rukia, e isso que ela já o havia usado muitas vezes com ele desde que eram pequenos.
- Ah… De acordo… - Disse Renji derrotado.
- Obrigada Renji! - Disse Rukia contente, enquanto entravam na arena do 1° esquadrão.
Ao chegarem, se dirigiram para a tarimba à esquerda, onde se encontravam os outros que iam participar da apresentação.
- Rukia… Renji… Estão atrasados – saudou Byakuya friamente.
- Sentimos muito, nii-sama - murmurou Rukia. O capitão Kuchiki observou seu tenente… Mais especificamente seu rosto…
- Renji… Depois daqui, regressará ao escritório, pois te darei outros três relatórios...
- Mas…
- Vejo… que já dormiu o suficiente…
- Eh? - Renji estava perplexo, como ele sabia? Então, percebeu que todos ali presentes estavam lhe olhando de uma forma muito estranha. Aproximou-se de Ikkaku, e para o desgosto do último, se olhou na cabeça deste.
- Oye desgraçado! Não me use como espelho!
- RUKIA! - Rugiu Renji, ao mesmo tempo em que procurava sua amiga com o olhar e limpava a bochecha com o dorso da mão. Neste meio tempo a garota já havia seguido o ditado que diz: "Melhor correr do que aqui morrer" e estava a salvo sentada na ala da nobreza, ao lado do mordomo dos Kuchiki.
Rukia fez uma careta enquanto se acomodava em sua almofada-assento – suspirou; o pior é que agora sua consciência estava pesada. Bem, acompanharia a Renji para terminar seu trabalho... Adeus horas de sono...
Disfarçadamente, começou a inspecionar ao seu redor. Atrás dela haviam outros nobres, que estavam entre as pessoas mais chatas e amarguradas que ela conhecia. Seus lugares eram os que tinham a melhor visão… Como de costume, o melhor para a nobreza.
A garota mordeu o lábio inferior, se sentia um pouco incômoda. Desde onde se encontrava, podia ver para todos os lados, mas também todos podiam vê-la... Isso não lhe agradava. Preferiria mil vezes estar sentada com os tenentes e poder ouvir os comentários (principalmente os de Matsumoto) ao invés de estar ali entediada, com um monte de nobres antipáticos que se achavam a oitava maravilha...
- Rukia-sama - susurrou o mordomo - olhe a sua direita… - Ela obedeceu e se assombrou com o que viu.
- Os Illuminati... - Murmurou a pequena shinigami.
Exato, em torno de cinco metros de distância dali, sentados em fila, estavam eles. Por alguma razão, a garota não conseguia tirar os olhos deles. Os cinco estavam sentados de uma forma muito elegante, até mesmo para os nobres, vestiam capas de mangas compridas, semelhante a dos capitães, só que negras, além de terem o rosto encapuzado. As capas estavam ornamentadas com uns estranhos símbolos cor de ouro.
Um gongo trouxe a garota de volta à realidade. Um shinigami, que se encontrava no meio da arena, pediu atenção e silêncio, pois o evento estava prestes a iniciar.
De má vontade, Rukia desviou o olhar dos Illuminati para a arena. Era estranho… mas era como se em volta deles houvesse uma aura misteriosa que lhe chamava a atenção… Afinal de contas, nunca os tinha visto.
Viu como Ikkaku desembainhava sua Zanpakutou…. Por algum motivo ver as bankai se tornou algo tedioso.
Distraidamente, os olhos azuis observaram a bankai de Ikkaku e também dos outros três que lhe seguiram, porém quando chegou a vez de Soi Fong voltou a dirigir seu olhar para os Illuminati.
- Sem sentimentos né? - Pensou Rukia. A verdade é que os imaginava diferentes, altos e com um aspecto temível, porém pareciam bastante normais. - Ah, mas mantém o rosto coberto… – A garota começou a imaginar que debaixo dos capuzes se escondiam umas caras com horríveis olhos, com enormes presas e com a pele purulenta… - Ugh… não, isso já pareciam zumbis… Ou seja lá como se chamavam aqueles monstros do filme que assistiu com Inoue…
- Independente da aparência, no fundo… Segundo o que li... Sim, eram uns monstros… - algo que a caracterizava era a curiosidade; nos tempos da academia foi quando ouviu falar dos Illuminati. Este assunto lhe chamou muito a atenção e leu tudo o que pode encontrar sobre eles... Se decepcionou ao ler como em realidade eram - Bah… só valia a pena ser Illuminati pelo fato de serem os únicos a conhecerem o Rei. Tirando claro, o privilégio de poder entrar no lugar onde ele mora sem a necessidade da Ouken (a chave que tanto Aizen queria). Bem… agora que penso, isso não é grande coisa... Eh Sakura!?
Do nada, umas pétalas de sakura passaram na frente da garota. Rukia girou seu olhar o mais rápido que pode para a arena. "Nii-sama!"
De fato, nestes instantes Kuchiki Byakuya estava demonstrando sua bankai frente a todos. Era surpreendente… Inclusive desde onde se encontrava, a garota se sentia um tanto intimidada ante semelhante poder e isso que já a havia visto por duas vezes. Se perguntou como seria sentir a bankai de seu irmão frente a frente em uma luta… Deveria ser uma sensação quase irreal; ver essa chuva de belas pétalas de cerejeira que ao mesmo tempo eram o presságio de uma morte inevitável... Certamente a esperança morreria neste momento... Ao menos que fosse...
- "Ichigo…"
Sim, ele era… O único que tinha derrotado o seu irmão… Quem havia deixado a SS de pernas pro ar somente por causa dela... Pela primeira vez em dois meses, se alegrou por Ichigo não estar na SS com ela. De todos, ele era o mais apropriado para semelhante cargo e ele não poderia negar uma petição do próprio Rei.
Rukia estremeceu somente com a ideia de ver a um Ichigo despojado de sentimentos e capaz de fazer qualquer coisa com a finalidade de seguir as leis do rei (estas, às vezes, bastante injustas), seria terrível. Suspirou... Sim, ficar na Terra foi a melhor decisão.
Começou a se fazer as mesmas perguntas que seguia fazendo durante esses dois meses...
Como estaria? Estava indo bem nas aulas? Haveria acontecido algo de ruim com ele?... Sentia a sua falta? Pensava nela? Estaria irritado, porque não tinha ido visitá-lo? Não... Com certeza não... Afinal ela só o incomodava... Ichigo não tinha mais uma vida normal, e era por sua culpa... Não admitiria, mas esta semana estava criando expectativas, pois poderia visitar Ichigo (e seus amigos também!). Claro, já não mais... Porém, e se fosse...? Seria apropriado ir vê-lo? Inconscientemente, Rukia levou a mão aos lábios, ainda podia sentir... Os lábios dele…
A garota não percebeu que, desde o momento em que começou a pensar em Kurosaki, um Illuminati a estava observando.
- Rukia-sama. – Chamou o mordomo. Ela se virou para vê-lo. - Quando passarem na nossa frente teremos que fazer uma reverência.
- Quem? - Não terminou a pergunta, os Illuminati estavam a um passo de passar na frente deles. Rukia se levantou em um salto e estava prestes a se inclinar para a reverência quando… -"Agh, cãimbra!"
Cambaleou, perdeu o equilíbrio e caiu pra frente. Esperou o golpe contra o solo, porém este nunca chegou... Chocou-se com algo, mas… Abriu os olhos. Estava rodeada de preto, lentamente olhou para cima e o que viu a paralisou. Uns olhos iguais aos de Yoruichi-san, só que estes eram de homem (muito jeitoso por sinal), seu cabelo negro cobria de forma atraente esses olhos cativantes e neste momento ele sorria.
- Oye pequena, está bem? – Perguntou o Illuminati.
Rukia demorou uns instantes para se dar conta de que estava apoiada no Illuminati, que tinha seu rosto no peito dele e que este a segurava pela cintura.
- Eh… - Para Rukia, por alguma razão, falar se converteu em uma tarefa difícil. Estava completamente vermelha e o coração batia a mil por hora.
- O que foi? Tenho algo estranho na cara? – Interrogou o sujeito alegremente.
- Eto... Eu… - Começou a dizer a garota em voz baixa. Sua mente estava dando nós. O Illuminati estava sorrindo para ela, mas… Eles podem sorrir? Supõe-se que eles não têm sentimentos, sendo assim deveriam ser os mestres da inexpressividade... Porém... Talvez estivesse fingindo... Ou talvez... Já não pode continuar pensando, pois uma fria voz lhe tirou de seus devaneios.
- Rukia… Se pode saber o que está fazendo? - Disse Kuchiki Byakuya. O Illuminati soltou a pequena shinigami enquanto esta se separava o mais rápido possível dele.
- Yo, Byakuya – Cumprimentou.
O capitão do 6° esquadrão inclinou a cabeça de forma indiferente, o Illuminati sorriu ainda mais.
- Me desculpe! - Exclamou a morena fazendo uma reverência.
- Não se preocupe… Eh… Rukia-chan. – Respondeu sorrindo. - Tenha mais cuidado da próxima vez, ok? - E com isso, deu meia volta e seguiu seus companheiros. A garota o acompanhou com o olhar e percebeu que na parte detrás de sua capa, havia um bordado com o número um, no mesmo estilo dos capitães. Ele era realmente um Illuminati?
- Rukia… Pare de perder tempo. – Ela suspirou pesadamente, havia se esquecido de Byakuya.
- Sim Nii-sama! Lamento! – Disse ao mesmo tempo em que começou a seguir seu irmão, que já ia em direção à mansão, se esquecendo completamente de que ajudaria Renji.
Na manhã seguinte, para a infelicidade de Abarai, Rukia chegou para acordá-lo bem cedo. Bocejando e ainda mais adormecido do que desperto, seguiu sua amiga até o lugar que ela escolhera para treinar; por alguma razão sentiu que o caminho lhe era um tanto familiar.
Antes que ela parasse, Renji percebeu onde estavam e levou um bom susto.
- Peraí! Este lugar é onde Ichigo treinou para a bankai, porém, como diabos, VOCÊ conhece este lugar?! - Gritou ele.
- Eh… Yoruichi-san me disse…
- Mmm… Ah certo… - Disse o shinigami, coçando a cabeça, ainda estava um pouco lerdo, por isso não notou a hesitação da amiga quando lhe respondeu.
- Então, começamos? - Perguntou a morena mudando de assunto.
- Ah… Woosh! Que tal uns mil abdominais pra iniciar? - Rukia lhe deu um chute - Ouch! Era brincadeira, era brincadeira… Suponho que o mais importante seja primeiro praticar a materialização da zanpakutou… - A garota concordou.
- Eh… Certo, a materialização da zanpakutou é importante para lograr a bankai, necessita de um diálogo e sincronização com est…
- Isso eu já sei… - Murmurou Rukia com um gesto de fastio. Renji fraziu o entrecenho.
- Assim, você deve invocar a zanpakutou, o que seria quase o mesmo que entrar no seu mundo interior só que...
- Isso eu também já sei... - Abarai franziu ainda mais o entrecenho e apareceu uma veia em sua testa.
- O ruim é que para lograr a materialização da zanpakutou levam-se ao menos 10 anos de treinamento árduo. – Rukia bocejou e ele perdeu completamente a paciência.
- Maldita seja! Oh, perdoe-me Rukia-sama! Acaso há algo que a senhora não saiba?! - Cutucou o ruivo. A garota ao invés de se irritar, levou uma das mãos ao queixo e baixou os olhos em ato reflexivo.
- Vamos ver… Deixe-me pensar…
- Não me diga que está pensando em me responder?!
- Tch… É que a única coisa que você está fazendo é… - Começou a queixar-se a morena, mas Renji a cortou.
- Oh, cale-se e observe! - O shinigami se colocou de pé e desembainhou sua zanpakutou. - Uero Zabimaru!- Estendeu seu braço com a espada já em modo shikai... Silêncio… Um minuto… Dois minutos… Nada…
- Eh, Zabimaru é invisível? - Perguntou a garota perplexa, ela nunca vira a materialização da arma de seu amigo. Ele, como ela, estava muito confuso.
- Eto… - Murmurou Abarai. – Acho que não quer aparecer... Parece que continua ofendida… - (no dia anterior Zabimaru foi encontrada atirada atrás da porta, digamos que isso não lhe pareceu muito agradável.). Um sorriso debochado começou a se formar nos lábios da pequena shinigami.
- Droga! Deixa de brincar e saia daí! - Gritou Renji. Em sua histeria começou a agitar a espada como louco. Rukia já não aguentava mais, desatou a rir com vontade. Isso irritou ainda mais ao shinigami. – Que saco, não deboche! - A garota não lhe deu ouvidos. -Vamos... Devia ter algum modo de envergonhá-la também...
- Ah! Pelo menos eu não fico desmaiando só pra abraçar um Illuminati. – Disse Renji maliciosamente.
- O que disse? – Perguntou a de olhos azuis, parando de rir imediatamente, e estando agora um pouco vermelha e bastante irritada.
- Oh… Você sabe o que eu estou dizendo… Puxa Rukia, não sabia que você era tão… Qual seria a palavra certa...?
- Não há palavra certa porque não aconteceu nada!
- Bem… Não foi o que todos viram… Hehehe… Oh! A grande Kuchiki Rukia completamente encantada por um estranho...
-"Não… Devo… Matar… Renji… Não devo matar Renji…" – Dizia a garota a si mesma.
- Poxa Rukia e eu que pensei que você gostasse do Ichigo...
-"Não devo… eh?! Renji me provocando com Ichigo? Impossível!" - Pensou a morena.
Abarai sabia que com este comentário já estava entrando em terreno perigoso. Sua amiga, neste instante, tinha um olhar que prometia lhe dar uma dolorosa semana no hospital. Mesmo assim, se arriscou e disse algo que jamais havia dito... Tudo em prol de irritar Rukia e de sobra comprovar algo.
- Pensando bem… Que nobre em seu pleno juízo escolheria a um simples humano de 17 anos ao invés de um... Bem...Illuminati… - Tarde demais o shinigami se deu conta que havia cruzado o limite… E muito…
- Mae Sode no Shirayuki! - O ruivo se assustou, pensava lhe atacar? - Renji… Deixa de perder tempo… Estamos aqui para treinar não para falar besteiras… - Disse friamente a pequena shinigami. O rapaz estremeceu, não lhe agradava este tom de voz, realmente a havia ofendido.
- De… Desculpa Rukia… Não era minha intenção… - Murmurou Abarai arrependido. Ela não lhe respondeu - Ah vamos… Era brincadeira. Não fique assim. – Ela continuou ignorando - Oye eu só queria...
- Não se meta no que não é chamado...
Renji ficou perplexo.
- Agh… Tá, como queiras. Porém, de agora em diante, tu tampouco te metas nos meus assuntos! - Gritou ofendido.
- Certo!
- Certo! - Replicou Abarai – Então tá… Iniciamos isto de uma vez!- Disse enquanto empunhava sua zanpakutou, a garota fez o mesmo. Nenhum deles tentou consertar a situação.
Na sexta-feira pela manhã, Rukia chegou ao lugar do treinamento mais cedo do que de costume. Esse seria seu último dia e tinha que aproveitá-lo ao máximo. Não é que fizesse muita diferença, nessa semana não progredira quase nada... Afinal de contas se necessitavam dez anos... Ainda que ela já... Demônios! Era tão frustrante...
Sentou-se… Se sentia um pouco enjoada e lhe doía a cabeça, talvez tivesse algo a ver com o fato de que não tinha comido quase nada durante toda a semana (somente um onigiri) mas é que desde segunda (para ser mais exata, desde o choque com o Illuminati) não tinha lhe dado nada de fome.
- Yo! - Cumprimentou Renji, que acabava de chegar. Levava um pacote nas mãos, o qual colocou com cuidado no chão. – Veio bem cedo... Iniciamos?
Rukia sorriu e se colocou em pé. Já tinham feito as pazes e estavam tão contentes como sempre, até o aborrecimento de Zabimaru passou e ela se materializou na quinta-feira.
Não se detiveram, até que algumas horas mais tarde, uma borboleta infernal passou na frente deles, indicando que já era meio-dia.
- Que bom, hora do almoço! - Exclamou Renji alegremente. Rukia pôs os olhos em branco. Como podia se alegrar pelo almoço? Durante a semana, o único que ele havia comido era onigiri, já deveria estar farto. Assim, a surpresa da garota foi grande quando Abarai revelou que seu misterioso pacote era uma caixa de o-bentou.
O Quê? Renji com bentou? Impossível. O ruivo era incapaz de cozinhar algo mais ou menos comestível. A garota se lembrou dos meninos da terra que levavam almoços assim... Por acaso… Acaso Renji tinha namorada?!
- Renji… De onde tirou isso? - Perguntou a garota como quem não quer nada. O shinigami esboçou um sorriso malicioso.
- Sinto muito Rukia, não posso te dizer. Não se meta nos meus assuntos, lembra?
A garota girou a cabeça fingindo indignação. Droga! Estúpido Renji, havia ganhado a discussão. Mas… Então... Tinha uma namorada? É que... Ele com namorada? E ela sem saber? Isso era tão… Se esse fosse o caso, agora faria sentido o porquê de Renji estar lhe incomodando com Ichigo e... Os pensamentos da morena morreram quando seu amigo abriu a caixa de o-bentou… Simplesmente espetacular… Justo neste instante o estômago de Rukia decidiu voltar à vida... "Parece delicioso" Um momento! Isso… Isso não importa! O que importa é de onde o tirou… Quem? Quem o terá dado? "Agh, estou morrendo de fome!"
- Quer? - Perguntou Renji, lhe mostrando o almoço.
-"Sim!" Não, não tenho fome. - Mentiu a morena. O ruivo deu de ombros e começou a comer. A pequena shinigami tragou saliva e decidiu afastar-se um pouco dali, antes que seu amigo ouvisse como roncava seu estômago. – Enquanto come seguirei treinando...
Por volta das seis da tarde, a garota estava esgotada e suas tripas rugiam de fome.
Levava quase duas horas na mesma posição; parada empunhando sua zanpakutou e tentando fazer com que Sode no Shirayuki decidisse se materializar.
- "Vamos! Vamos, saia daí!"
- Ei Rukia! Não se pressione tanto - disse Renji, que a estava observando.
- "Devo me concentrar... Devo me concentrar… vou morrer de inanição... Devo me concentrar..."
- Oi! Está me ouvindo?
- "Eu posso… Isto não deveria custar tanto… Se supõe que eu…"
- Deveria descansar. - Murmurou o ruivo, um pouco preocupado.
- "Droga! Sode o que está esperando?!"
- Rukia, este não é o método de Urahara. Apenas faz uma semana e recorda que isto leva ao menos 10 anos…
- "Agh! Não comerei nada até que possa te invocar!"
De repente, tudo ao redor dela se iluminou. Renji se incorporou de imediato. O que estava acontecendo? A luz era muito intensa e não podia ver nada, pouco a pouco essa foi desaparecendo e ele pode distinguir novamente a sua amiga.
Não podia acreditar no que via, na frente de Rukia estava uma mulher de feições delicadas, vestida completamente de branco e de longos cabelos negros. Era muito bonita.
- Há quanto tempo, Sode… - Murmurou Rukia com voz cansada.
- Tch… Irreverente… - Disse Sode no Shirayuki, meio brincando, meio sério. A garota somente sorriu e voltou-se para ver Renji, que estava de boca aberta pelo assombro; a ponto de zombar dele estava, quando sentiu uma tontura e desfaleceu.
- Rukia! - Gritou o shinigami, enquanto corria para onde estava sua amiga. A misteriosa mulher havia desaparecido.
Renji se abaixou para ver como estava Rukia. Inesperadamente, Rukia abriu os olhos… Um silêncio incômodo… Seus rostos estavam muito próximos… Demais… Sem saber o que fazer, o rapaz a beijou, após um segundo de assombro, ela correspondeu. Logo, o beijo se tornou mais apaixonado. O ruivo começou a delicadamente, lhe tirar a roupa…
Hã? HAHAHA! Vocês acreditaram? Eh… Eto… Huhum…
Renji se abaixou para ver como estava Rukia. Suspirou aliviado, pelo que pode ver ela só estava profundamente adormecida. Com cuidado a levantou para carregá-la em seus braços e, então, decidiu levá-la ao 4° esquadrão… Ah… Teria muitas coisas a explicar…
Enquanto seguia pelo caminho que levava do bosque à Seretei, Abarai ia inventando as justificativas mais loucas que pudesse imaginar... Normalmente, quando um shinigami logra invocar pela primeira vez, o esforço é tamanho que passa ao menos dois dias na cama. Seguramente, sua amiga passaria pelo mesmo, sendo assim teria que dizer algo convincente para que ninguém descobrisse o que aconteceu... Mmm… Certo, isso era ter esperança demais...
O rapaz voltou a ver a morena… Era incrível que alguém que às vezes conseguia ser tão irritante, pudesse parecer tão doce e inocente enquanto dormia.
- Puxa Rukia, você me surpreendeu muito! - Murmurou Renji, vendo de canto de olho a morena que dormia em seus braços. - Lamento se fui muito exigente contigo… Afinal… Era a tua primeira vez… - Sorriu e lhe deu um beijo na testa. - Deve estar exausta…
De repente, ela gritou: "NATTO?!" E começou a mover os braços como louca. Seu amigo levou um baita susto, perdeu o equilíbrio e caiu de costas no chão.
- Maldição Rukia! O que foi? - Exclamou Renji. A garota, que havia aterrissado um metro na frente e que nestes instantes estava esfregando o rosto, lhe respondeu:
- Ah… Desculpe-me. É que tive um sonho esquisito…
- Oh… - O garoto pestanejou. – Espera aí! Como? Você já está bem?
- Eh… Sim… Por que pergunta? - Disse Rukia estranhando. Do nada, se ouviu um: "Grrrrrr…"
- O que foi isso? - Perguntou o ruivo.
- Nada!
- Peraí … Isso… Isso foi teu estômago?
- Nãããooo…
- Não me diga que… Não me diga que, desmaiou por fome e não pela invocação?! – Rukia não respondeu, assim que Renji o interpretou como um sim. – Não posso acreditar, isso foi muita irresponsabilidade!
- Claro que não. É que eu não tinha apetite!
- Ah claro… Hey! Então, se não estivesse faminta… Não teria desvanecido… Isso significa que… Você já sabia materializar, diga-me a verdade!
- Tch… Sinto muito Renji… Não posso te dizer, não se meta em meus assuntos, tá? - Disse a morena enquanto se colocava de pé. - Nos vemos! - Lhe mostrou a língua e desapareceu usando shunpo.
- Esta mulher… Não tem remédio. - Disse o ruivo com um sorriso.
Quando Byakuya chegou à mansão encontrou algo muito entranho; todos os empregados estavam cochichando entre eles e pareciam muito espantados. O capitão franziu a testa. Que maneira de se comportar era essa? Dirigiu-se para a Sala de Jantar, segundo o que pôde ouvir, ali estaria ocorrendo algo digno de se ver. Quando chegou a seu destino, levou uma grande surpresa. A mesa estava cheia de pratos vazios, porém só havia uma pessoa sentada…
- Rukia? - Murmurou Byakuya ainda mantendo a compostura. A garota e os dois serventes, que a estavam olhando boquiabertos, levaram um susto.
- Nii-sama… Nii-sama, bem-vindo ao lar! - Exclamou a morena, com toda a elegância que lhe era possível tendo a boca cheia de arroz.
- Parece… Que você estava com fome… - Disse seu irmão, levantando uma sobrancelha. Ela havia comido tudo sozinha?
- Eh… - Tragou saliva. - Um pouco… - Disse a garota de olhos azuis um tanto nervosa.
- Um dia cansativo? - Perguntou Bya-kun, sem mostrar muito interesse.
- Mmm… Não. No fim, não foi tão mau… Acho que foi um bom dia…
Ah… Pobre Rukia, não fazia nem ideia das terríveis consequências que lhe traria esta sexta, em um futuro não muito distante…
