Gente muito obrigada pelos Reviews, fiquei muito feliz quando li, Que bom que estão gostando da fic. Logo logo tem mais e mais.
bjus
Agora vamos finalmente à fic...
Sua tarde não foi nada tentadora, teve aula de DCAT e logo depois a detenção com a professora.
Estava tão cansado quando caminhava para sua primeira aula de Oclumência. Sua mão machucada pela detenção ainda vertia sangue onde estava escrito " não devo contar mentiras".
Sua cabeça doía, mas seu coração estava leve, não sabia exatamente o motivo, mas sempre sentia-se mais leve, mais livre quando saia dessas detenções com a Umbridge. Ao chegar em frente a porta daquele escritório Harry respirou fundo e fechou os olhos. Não queria estar ali mesmo, então por que não ia embora? Estava dolorido, cansado. Ainda teria que suportar essas aulas por causa de Dumbledore, para fazer mais um de seus caprichos, ganhando em troca apenas a sua indiferença.
Deu as costas para a porta e quando pensou em ir embora ela se abriu revelando o professor com sua incrível e permanente expressão de poucos amigos.
Talvez tenha sido o cansaço e a pouca vontade de ouvi-lo tirando mais pontos de sua casa que fez Harry voltar e entrar silenciosamente na sala.
Mancou até a frente da mesa do professor e esperou. Snape fechou a porta e se dirigiu para sua mesa, ao sentar percebeu a mão sangrenta do menino, mas nada disse, apenas o observou, tão pálido e abatido quanto uma pessoa sugada por um dementador.
- O senhor terá aulas de Oclumência toda noite às dez horas, comigo.
- Essa parte eu já sei.
- Não me interrompa Potter, não torne essa situação mais irritante do que já é.
Harry deu de ombros e olhou para os vidros com olhos de cobras que estavam na estante ao lado. Nesse ângulo Snape pôde ver as marcas em seu rosto e pescoço.
- Oclumência é a arte de fechar a mente – Continuou – O Lord das Trevas está tentando dominar sua mente, se ele conseguir poderá controlá-lo, torturá-lo e até matá-lo. Essas aulas ajudarão a fechar sua mente. Se esforçar-se poderá impedir a invasão.
Harry mantinha-se parado com o olhar baixo. Parecia estar longe dali, em outro planeta talvez.
- Potter está me entendendo?
- Cada palavra, senhor – Retrucou
Estava sem paciência, senti ódio por aquele homem de cabelos escorridos que agora o olhava intensamente como se o avaliasse.
- Teremos que começar imediatamente, isso quer dizer que é agora. Sente-se na cadeira no centro da sala.
Harry foi até a cadeira e sentou-se com certa dificuldade, colocou a mochila no chão e observou o professor aproximar-se até parar a sua frente com a varinha na mão.
-- Com bastante treinamento o oclumente e legilimente não precisará de varinha, mas hoje usarei para que aprenda, pois após conseguir fechar a mente também aprenderá a ler a mente do outro.
Harry ouvia tudo com atenção, olhava o professor com sua postura imponente com a varinha na mão e pensava que deveria estar com a sua também, afinal ele e Snape nunca foram melhores amigos.
- Eu tentarei ler sua mente insana e o senhor irá tentar me impedir. Concentração é algo muito importante, talvez o mais importante, por isso concentre-se.
Harry estremeceu ao ver o professor apontar a varinha para seu rosto. Estava despreparado para qualquer ataque que viesse a acontecer, sua varinha estava no bolso e não daria tempo de pegá-la, se Snape quisesse fazer qualquer coisa com ele agora seria o melhor momento. Snape o odiava, como sabia se não o amaldiçoaria? Por mais que fosse professor de Hogwarts e estivesse obedecendo ordens de Dumbledore Harry temia que Snape quisesse descontar toda a raiva nele. Os olhos negros transmitiam, para Harry, ira, ódio, rancor, raiva.
Sempre se perguntava se Snape o diferenciava de seu pai, se quando olhava em seus olhos via o Harry ou o James.
- Concentração Potter. Legilimens.
Aquela sensação era dolorosa, ele entrava em sua mente como um balde de gelo. Snape vasculhava a mente de Harry como se quisesse achar algo. As imagens passavam em cenas rápidas. A maioria em Hogwarts.
Pôde ver Harry com seus amigos, Harry no lago, Harry no quadribol, em aula, em seu dormitório. Aquela monotonia o estava cansando, foi mais fundo até que achou uma barreira. Achou estranho Potter o bloquear, ele não seria capaz, tentou mais uma vez, não conseguiu.
Quando parou e voltou a sala encontrou Harry ofegante e suado. Pensou em quanto tempo tinha ficado naquela mente vendo imagens borradas, parecia ter sido muito.
O que aquele menino escondia para que sua mente mantivesse isso bloqueado, tão escondido de todos?
- Potter, o senhor me expulsou de sua mente?- Perguntou apenas querendo saber se sua teoria estava certa.
- Não – Disse ofegante.
Harry sentia uma forte dor no peito devido a falta de ar. Sua cabeça doía, sentiu Snape invadindo sua mente, vasculhando suas lembranças, memórias, sofrimentos. Já não era demais sofrer sozinho? Tinha que ter alguém sabendo? E esse alguém tinha que ser justo ele?
- Tentaremos mais algumas vezes Potter, sua mente me expulsou sozinha, uma defesa dela. O senhor tentará me expulsar sozinho desta vez. Legilimens.
Harry não esperava e acabou caindo e cortando o contato visual.
- Potter será que é capaz de manter-se em pé?
Snape estava raivoso, odiou ter aceitado aquele castigo maldito para ajudar o moleque a não morrer sendo que ele mesmo queria matá-lo com as próprias mãos. Harry não conseguia se mexer e continuava no chão. A dor em seu corpo era tamanha que um movimento parecia rasgá-lo.
- Levante-se
Harry tentou levantar devagar, com muito custo ficou em pé encarando o professor com os olhos marejados.
- Podemos parar por aqui?
- Parar? – Perguntou Snape avançando e fazendo Harry recuar – Acha que o Lord das Trevas descansa? Prepare-se. Legilimens.
Novamente Snape vasculhou aquela mente querendo achar o que não conseguia. Passou mais um tempo assistindo as lembranças mimadas, alegres do mais novo apanhador do século, do campeão Tribruxo, do menino de ouro.
- Chega – Disse saindo daquela mente – Por hoje chega. Está dispensado Potter, volte amanhã na mesma hora, sem atraso.
Harry tentou sair o mais rápido possível daquela sala subindo pelas escadas que se moviam. Continuou subindo e andando até que o familiar vento cortante da torre mais alta misturou-se com as lágrimas.
- Por que? – Perguntou baixinho quase que para ele mesmo.
Esperou a resposta, mas esta não veio acompanhada com vento e sim por uma voz desconhecida a um canto.
- Por que o quê?
- Quem é você? – Perguntou Harry vendo a silhueta de alguém em meio as sombras.
A pessoa não se moveu, perguntou novamente e aguardou silenciosamente.
- Quem é você e como sabe que eu estava aqui?
- Quem sou não ´e importante e não é difícil saber que vem sempre aqui não é Harry? Não se incomoda que eu o chame assim, incomoda?
- Claro que sim, eu nem ao menos sei quem é você. Diga o seu nome e o que quer.
- Já disse que meu nome não é importante. E respondendo a segunda pergunta, o que quero é ajudá-lo.
- Mais uma pessoa tentando me ajudar. Sou uma pessoa de sorte – Ironizou olhando em direção a floresta.
Harry manteve-se olhando para a floresta até que sentiu um arrepio na espinha e virou. Atras dele estava parado uma pessoa, um homem alto pelo que pôde perceber, mas não podia ver seu rosto por causa do capuz que usava, não conseguia saber quem era, mas o seu aroma era tão gostoso, tão reconfortante, tão envolvente. Era um aroma doce, mas ao mesmo tempo provocante e sensual.
- Por que duvida de mim?
Aquela voz era arrastada, entrava em seus ouvidos e se instalava em seu peito, por algum motivo ele sabia que já havia visto aquela pessoa.
- Primeiro porque não te conheço, não sei quem é, e segundo porque todos dizem que querem me ajudar, mas ninguém se importa verdadeiramente.
- Eu me importo.
- Você nem me conhece – Harry deu as costas para o homem e foi em direção as portas, pronto para ir embora.
- Você que pensa – Disse o homem fazendo Harry parar quando já estava com o pé no corredor – Eu sei muita coisa sobre sua vida, não somente o que sai nos jornais senhor Potter.
Harry voltou com a varinha na mão apontando para o peito do homem. O desconhecido não se moveu apenas levantou a mão pedindo para que ele parasse onde estava.
- Não vou machucá-lo Harry e nem quero duelar com você, como disse antes, quero apenas ajudá-lo a superar suas dores e tristezas que vejo em seus olhos.
- Como posso acreditar em alguém que não conheço?
O homem aproximou-se devagar e abaixou a varinha de Harry tocando rapidamente em sua mão.
- Não pedi para acreditar em mim.
Harry tentava saber quem era o homem, mas não conseguia ver seu rosto por mais que tentasse. Será que podia aceitar uma ajuda oferecida com tanta vontade e ainda mais de um estranho?
O homem retirou a mão da varinha de Harry e foi até a porta. Antes de ir embora virou-se com sua varinha em mãos.
- Um pequeno presente para se lembrar de mim.
Fez um movimento com a sua varinha e foi embora. Harry permaneceu olhando para a porta pensando o porque de não ter reagido quando o viu com a varinha na mão e muito menos quando ele fez o movimento. Dentro dele, Harry sabia que nada aconteceria e que ele não faria mal algum.
Ficou tentando entender suas atitudes ate que sentiu algo caindo em seus cabelos. Ao pegar viu que era uma pétala azul. Logo outras pétalas caíram do céu e o chão ficou azul. Uma única flor caiu pousando no tapete de pétalas. Harry a pegou e viu que era a mesma da outra noite.
Foi correndo ate o corredor, mas este já estava vazio, somente o vento passava por ali.
Harry continuava com a flor em sua mão olhando para fora onde o chão continuava se enchendo de pétalas. Por isso sentia que já Havaí visto o homem, era o mesmo que o ajudou uma outra vez, que o pegou quando desmaiou e o levou para a sala vazia deixando Harry dormindo em um confortável colchão e de lembrança deixou a mesma rosa azul que segurava na mão nesse momento.
Olhando para a rosa tão bela e formosa se perguntava quem era aquela pessoa misteriosa que lhe ajudara, lhe oferecera ajuda sem nada pedir em troca, nem mesmo para que acreditasse nele e ainda lhe dera o mais belo banho de chuva, uma chuva azul, quente e macia.
Deu um leve sorriso sentindo-se igualmente leve, voltou ao seu dormitório e deitou em sua cama deixando a flor em cima do criado ao lado. Antes de fechar os olhos fez uma nota mental de que ainda teria que descobrir quem era o cavalheiro negro.
