Sam estava na praça da cidade. Se não fosse o clima pesado que ele estivesse sentindo, a praça seria um lugar perfeito para passar a noite porque tinha muitas árvores bonitas, uma fonte, vários tipos de flores e era lua cheia. Na verdade, estava meio clichê e só não estava um clichê total porque Sam não estava admirando o lugar. Ele estava machucado por dentro, uma dor que jamais iria passar, pois sabia que quando acordasse não veria Dean ao seu lado, não trabalharia mais em caso algum com ele e o pior de tudo, não teria mais ninguém para lhe chamar de Sammy, um apelido que ele rejeitou tanto no começo, mas se apegou depois.
"Que droga Sam! Você podia ter deixado esse sentimento estúpido enquanto podia e continuar a ter o seu irmão." Sam estava se martirizando por tudo aquilo. Tudo bem que a culpa era dele, mas como ele ia guardar esse sentimento? Como ele iria olhar para o seu irmão toda hora tendo aquele desejo animal e doentio que não poderia ser compartilhado por familiares? "Agora não adianta chorar pelo leito derramado. Você fez besteira, você tem que pagar pelo que fez e o preço é nunca mais ver Dean." As lágrimas que havia cessado voltaram a escorrer pelo rosto de Sam. Ele nunca mais veria o sorriso de Dean, nunca mais sentiria o abraço de Dean, ele nunca mais teria nada que tivesse ligação com Dean.
Sam continuou ali, sem um lugar para ficar, pois na infelicidade do momento em que já tinha saído do motel, ele se lembrou que havia deixado todo o seu dinheiro no carro de Dean. Sam queria se matar naquele momento porque ele teria que dormir na rua, sem dinheiro, sem comida, com apenas algumas roupas e para piorar, a praça era perto do motel onde Dean estava o que o fazia ter uma vontade enorme de voltar lá e concertar tudo. Mas era impossível e o único culpado de tudo: Sam Winchester. Ele adormeceu pouco tempo depois, querendo esquecer que aquele dia existiu. E o que ele faria amanhã? Isso era uma pergunta que nem ele saberia responder.
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Dean estava deitado em sua cama. Ele conseguia dormir porque não conseguia esquecer tudo o que aconteceu naquela noite. Ele não estava acreditando que seu irmão tinha feito aquilo, mas o que ele não queria acreditar era que tinha expulsado o seu irmão da sua vida. Sam errou ao fazer aquilo? Errou, mas como a família deve ser unida, ele deveria ter conversado com Sam antes de ter tomado as decisões precipitadas. Sam passou todos esses anos com Dean e tudo foi destruído em menos de um dia, ele apenas não queria acreditar que nunca mais veria o seu irmão, nuca mais veria o Sammy. Como Sam estava? Dean não sabia, mas sabia que com pouco dinheiro, ele não terá o que comer e com certeza ele não estava no motel e não acharia nenhum lugar para ficar a essa hora da noite. Todos esses pensamentos embaralhavam a mente de Dean, mas o que foi feito está feito. Gostava muito de seu irmão, mas o melhor que eles podem fazer é ficar longe um do outro.
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Sam acordou dolorido. Tinha que anotar que os banquinhos de praça são os piores lugares para dormir. Ele teve alguns pesadelos na última noite e todos se resumiam a uma só pessoa: Dean Winchester. Sam era incapaz de esquecer o seu irmão, era incapaz de esquecer aquele corpo o segurando, forçando ele a falar uma coisa que não queria e não conseguia esquecer aqueles lábios macios que só o seu irmão tinha.
- Sam? – Sam foi acordado de seu devaneio e ao se sentar, viu David parado ao seu lado. Viu também que já devia ter passado das dez da manhã e que todas as pessoas que passavam na estavam olhando para ele. – O que você está fazendo aqui? Não devia estar com o seu irmão? Você bebeu muito a noite passada?
Sinceramente, Sam não entendeu o porquê de David estar fazendo tantas perguntas, mas mesmo assim, se sentiu bem em ter alguém para conversar.
- Eu briguei com meu irmão e eu tive que dormir aqui. – Sam estava muito cansado. Definitivamente, aquela foi a pior noite de toda a sua vida. Estava com fome e queria muito beber alguma coisa.
- Então deve ter sido sério. Mas vocês se entendem. – David se aproximou um pouco mais de Sam e recuou ao ver que ele tinha percebido a aproximação. – Eu tenho que te contar uma coisa.
- Pode falar. – Sam estava achando David muito estranho e começou a achar que ele talvez estivesse tentando flertar.
- O espírito do James me atacou novamente ontem quando eu fui buscar algumas coisas em minha casa. – David mostrou um pequeno corte nas costas.
"Que droga! E como vai ficar esse caso? Acho que eu vou ter que resolver sozinho." Sam se lembrou que mesmo tendo que pesquisar sozinho sobre o caso, ele e Dean estavam juntos naquilo.
- Olha David, eu realmente não sei o que está acontecendo. – Sam tentava acalmar David, pois não queria falar que não sabia nada do que estava acontecendo no caso e que estava pior que cego em tiroteio. – Eu quero muito ajudar, mas...
- Eu sei que você está confuso e não te culpo por isso. – David deu um sorriso de lado. Ele estava mesmo entendendo a situação de Sam e estava na cara que o problema era "aquele tipo de problema." Claro que David sabia, ele já tinha passado por um e estava gostando de saber que Sam era do mesmo time que ele. – Eu acho que posso te ajudar, vamos até o bar e eu te conto. É bom que você aproveita e come alguma coisa, você parece faminto.
Sam não questionou. Ele sabia que David estava estranho, estava mais atencioso e até imaginava o porquê dele estar assim, mas Sam estava muito faminto para recusar aquela oferta, ele realmente não se lembrava da última coisa que havia comido.
Não demorou muito e eles chegaram ao bar e Sam sabia que poderia encontrar Dean com "aquela" garota. Mas ele não estava ali por Dean, ele estava ali para ajudar alguém com um problema sobrenatural. Os dois se sentaram em uma mesa, o dono os atendeu e David pediu um suco para ele e a especialidade do dia para Sam. Era estranho, mas Sam estava gostando disso. Ele estava se sentindo querido, mas ele não queria nada com David, estava apenas carente naquele momento. Pouco tempo depois, a comida chegou e Sam começou a devorar tudo como um animal.
- Está boa? – David perguntou com aquele sorriso no canto da boca. Mais poucos passos e Sam poderia ficar com ele. Ele estava querendo muito isso. Mas sabia que era questão de tempo até isso acontecer.
- Está. Obrigado! – Sam continuava a comer. Tinha se esquecido de tudo, só pensava em fazer o seu estômago feliz.
- Sem problema. – David continuava rindo. Ele desejava Sam mais do que tudo. Ele tinha um plano para Sam. Dois, na verdade, mas antes, ele precisava que Sam se sentisse a vontade com ele. "Tão ingênuo e tão sexy." David pensava enquanto olhava para aqueles cabelos de Sam que caiam no rosto, para aquelas covinhas que se formavam em suas bochechas e para aquele corpo que todo mundo, homens e mulheres, gays ou heteros deveriam desejar.
Sam estava se sentindo mais a vontade com David. Óbvio que ele não deixaria nada passar da amizade, mas David era diferente de seu irmão. Dean era bom quando queria, mas David estava todo bonzinho e tudo mais. Sam desejou que nada daquilo fosse por segundas intenções mesmo sabendo que era, afinal, era impossível não perceber os olhares de David nele. David não forçou nenhum assunto e Sam estava terminando de comer até que viu a porta do bar se abrindo e para sua surpresa Dean estava entrando com a garota que Sam havia visto aquela vez. Parecia que Dean já tinha se esquecido do que tinha acontecido na noite passada.
Dean percebeu que seu irmão estava no bar, mas não deu a mínima. Ele simplesmente se sentou ao lado de Anne. Com certeza Sam estava ali para resolver o caso de David, afinal de contas, nenhum dos dois haviam progredido em nada enquanto estavam juntos.
- Merda! – Sam largou o prato. Tinha perdido o apetite e David percebeu o motivo. O irmão de Sam estava ali. Não teria problema nenhum se os dois não tivessem brigado.
- Se você quiser, podemos ir para um lugar mais reservado. – David estava na expectativa de que Sam aceitasse e então poderia colocar os seus planos em ação. Precisava de Sam urgente.
- Não! Podemos ficar aqui. – Sam não podia aceitar aquele convite, seria dar muita brecha para David e isso poderia levar a ele pensar que Sam estava querendo alguma coisa. O sorriso bobo de David desapareceu. – Posso te perguntar uma coisa?
- O que quiser. – David tentava parecer indiferente, mas não conseguia esconder o seu desejo.
- Quem é aquela garota com Dean? – Sam parecia muito nervoso, não com Dean, mas com a garota que estava junto com ele e isso não passou despercebido por David que por falar nisso, achou estranha a pergunta, mas respondeu:
- Ela é a Anna, garota muito legal, todos na cidade gostam dele e ela trabalha muito aqui no bar.
- Sei. – Sam não escondia a sua raiva pela garota. "Grande trabalhadora, já vi ela aqui dentro sem fazer nada duas vezes." O ódio estava crescendo, sabia que a garota não tinha culpa, mas o ciúme estava falando mais alto.
Sam e David ficaram em silêncio por um tempo, olhando para Anna e Dean. David estava desconfiado de alguma coisa. Anna percebeu que estava sendo vigiada, sorriu sarcasticamente para Sam e beijou Dean e nem ele esperava isso. Não queria fazer aquilo na frente do irmão agora, mas seria bom que ele reconheceria o erro que fez, pediria desculpas e voltariam a ser como antes.
Sam não aguentou ver aquilo, a garota parecia saber do que tinha acontecido entre ele e Dean. Óbvio que Dean não teria contado, mas do jeito que ela sorriu, pareceu que ela queria provocar.
- Pensando bem, nós podemos ir para um lugar mais reservado. – David abriu um longo sorriso. Tudo estava indo como ele queria e tinha que agradecer Anna por ter feito aquilo. Sam não queria ter dito aquilo, foi o calor do momento, mas mesmo assim, ficou feliz de saber que iria sair daquele lugar.
David e Sam saíram do bar. Dean e Anna haviam terminado o beijo e quando Dean percebeu, seu irmão não estava mais ali. Anna fez a cara mais lavada do mundo e disse:
- Acho que o David e aquele rapaz que estava com ele estavam incomodados coma a nossa presença aqui.
- Era o meu irmão. – Dean disse indiferentemente. – Como você sabe que aquele era o David?
- Ele é conhecido na cidade e todos sabemos da morte do James, coitado. – Anne estava se fazendo de desentendida, pois sabia muito bem quem era o irmão de Dean. Parecia que ela tinha pesquisado a vida dele. – Mas o David nunca foi de fiar com alguém por muito tempo e pelo o que eu percebi, é melhor o seu irmão tomar cuidado. O David tem um poder de sedução imenso.
- Sam não vai se engraçar com qualquer um por ai. – Dean percebeu o erro que havia feito ao ver a cara de surpresa de Anna. Uma expressão facial que dizia "Nossa? Ele é gay?" Dean não queria que o seu irmão ficasse falado na cidade mas ele percebeu outra coisa. Sentiu uma pontada dentro de si, uma coisa que não aceitaria de jeito nenhum que Sam ficasse com outra pessoa e ele precisava parar com isso o mais rápido que pudesse.
Claro que Anne já sabia de tudo o que estava aconteceu, ela estava por dentro da história de alguma maneira. Ela tinha coisas para fazer com Dean também e seriam coisas maravilhosas. E Dean não teve tempo para pensar em nada quando outro beijo o fez ficar sem respiração.
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Sam estava no quarto do motel onde David, e Dean, estavam hospedados. Não sabia o porquê de ter deixado David o convencer de ir até lá. Mas como estava com raiva e o estrago estava feito, ele não tinha nada a perder.
- O clima está bem pesado entre vocês. – David estava sentado ao lado de Sam, iria atacar aqueles lábios a qualquer momento.
- Está mesmo. – Sam queria evitar assuntos desse tipo, simplesmente queria esquecer Dean. – Mas falando sobre o caso, me explique tudo o que aconteceu lá na sua casa.
- Posso te falar uma coisa antes? – David se aproximou e Sam não se afastou, na verdade, talvez fosse bom se acontecesse alguma coisa que o fizesse se esquecer de Dean de uma vez por todas.
- Pode. – E essa foi a ultima palavra que ele falou antes de sentir David o dando um beijo intenso, melhor que o beijo com o seu irmão.
Para o espanto de David e de Sam, o beijo foi correspondido e foi aumentando a intensidade. David começou a avançar alguns passos e começou a levantar a blusa de Sam mas suas mãos foram paradas antes do objetivo se cumprir.
- Desculpe! Eu não posso. – Sam se levantou. Ele gostava muito de Dean e não tinha como impedir isso e ele não gostava de David para fazer sexo ou coisas do tipo, sem contar que a sua primeira vez com um homem, não poderia ser com quem ele não quisesse fazer.
- Eu é que peço perdão, eu não devia... – David estava com raiva por dentro. Ele estava tão perto e o bom senso de Sam o fez parar.
- Me desculpe mesmo! Eu... Eu tenho que ir.
E falando isso, Sam saiu do quarto. Estava muito confuso, tinha que resolver algumas coisas com Dean, estava com raiva de Anna, arrumou mais um problema com David e tinha que resolver um caso. Aquilo estava acabando com Sam, era muita coisa para ele aguentar sozinho. No quarto, ficou um David com raiva, pois seu plano não havia dado certo.
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A noite estava mais fria, o que significava que Junho estava começando e aquela noite fria daria lugar a três meses de puro calor. Alguém estava conversando no telefone, nenhuma das duas pessoas pareciam contentes mas nem com raiva, elas estavam apenas indiferentes.
- Conseguiu fazer o que havia sido combinado? – A voz dizia do outro lado da linha, era uma voz fria, uma voz de alguém que precisava fazer alguma coisa o mais rápido possível.
- Não! Mas está quase perto. – A outra voz estava mais calma, mas não estava muito contente. – E você?
- Estou indo melhor do que a encomenda. Mas ainda não é o bastante. – A voz estava mais animada dessa vez, parecia até uma pessoa que mudava de personalidade toda hora. – Você sabe o que tem que fazer, então faça logo.
- Você que manda. – A pessoa desligou o celular.
Essa mesma pessoa começou a descer uma escada e chegou a um local escuro. E começou a ouvir alguns gemidos vindo lá do fundo.
- Não pense que você vai sair daqui. – A pessoa gritou para a outra, tinha sarcasmo na voz e um tom ameaçador de tremer os ossos. – Não até conseguirmos o que queremos. Infelizmente algumas coisas estão nos atrapalhando e vamos fazer com que seja uma brincadeira lenta e adorável.
_X_
Anali: Que bom que você não me abandonou e continuou lendo. TPM total do Sam não ée? Espero que esteja gostando...
Me deu uma dor no coração escrever esse capítulo inteiro sem Dean e Sam juntos.
Perola: Leitora nova! AHHHHH. Obrigado pelos elogios, já li histórias suas e você também é ótima. David está passando por umas crises bem malucas tbm... Vou confessar que também gosto de ver o Sam sofrendo, tadinho! (Maldade batendo na porta), espera que tem algumas coisinhas ruins para acontecer com ele ainda. *Riso maléfico*
Joey Belmont: Três leitores... MORRENDO. Obrigado por ler. Concordo com tudo o que você falou.
Frieza total para o Sam. Ele provou AQUELES lábio (Calor agora). E quero ver quanto tempo o Dean aguenta sem o seu Sammy.
Me desculpem se tiver alguns erros, não estava muito bem ontem e nem hoje e deu aquela preguiça de revisar. Dei uma lidinha rápido então...
