Capítulo III
Eu sei, por favor continue aí.
Não.
Ora como não! É necessário. Até a próxima parada.
Soube que ele havia bufado. Ela sorriu de leve e continuou caminhando ao lado de Arya. A história de Alagaësia, dos dragões e elfos e dos cavaleiros, Violet aprendera perfeitamente e perguntava datas de batalhas então. Mas tinha dificuldade com as palavras antigas.
A elfa ia contando o que podia e a garota tentava absorver o máximo. Ela a havia ensinado os cumprimentos que devia fazer em Ellesméra, encantos básicos para o caso de um encontro casual com as tropas de Galbatorix no meio do caminho. Quando perguntava mais sobre tudo, Arya simplesmente dizia que não era ela quem a treinaria. Só voltava a questioná-la se estava preparada para a guerra iminente e se era capaz de compreender todo o contexto em que se encontrava.
- É claro – Ela dizia. E compreendia. Sorria diante daquilo. Gostava de todo esse clima de aventura, essa jornada, essa causa nobre em sua vida. Mas Georhgio odiava tudo cada vez mais.
Queria descer e ficar com elas, planar baixo, mas precisava ficar acima das nuvens poucas como Saphira um dia teve de fazê-lo.
- Eragon estará lá? – Perguntou a Arya, não sem um tom respeitoso para com o nome do cavaleiro.
- Não. Terei de ir buscá-lo depois em Surda. Mas antes, você. Você e Georhgio.
Violet assentiu com a cabeça e mordeu o lábio superior distraída. Arya a olhou.
- Já sente falta da sua casa?
Da taverna imunda? Da viúva Cavendish?
- Não exatamente – Ela disse e sorriu. Judy era boa com ela e sabia que um dia ela faria falta. Mas um dia.
- Então você roubou um livro de um bardo uma vez... – Começou a elfa sem sorrir.
- Não roubei; afanei. – Ela achava que o tom da segunda palavra causava menos remorso.
- E o que você acha disso tudo?
- Disso tudo?
- Sim. – Ela queria uma resposta firme, achou Violet.
- O que eu acho é que...
Vai esperar que a Lua nos dê umas três voltas para pararmos? Apesar de ser um dragão muito novo ainda... Muito sarcasmo. Violet fez uma careta para depois sorrir.
- Não devemos parar agora? – Era verdade que já estava exausta e a elfa tinha um passo muito veloz. Estavam dando a volta pelo deserto e rumo ao Norte.
Arya diminuiu e olhou para o Sul, imaginando se estariam longe o bastante.
- Muito bem – Disse ela.
Arrumaram suas coisas e a elfa não deixou com que acendessem uma fogueira para que não chamassem atenção de nenhuma alma que fosse. O Outono chegava devagar e o vento gelado já fazia com que usassem suas capas.
Violet aconchegou-se perto de Georhgio que descera feliz e deitara ao lado da amiga. A garota olhou para ele.
Que é?
Ela deu de ombros e sorriu.
- Você sabe lutar com espadas? – Perguntou Arya antes de morder um pão amanhecido.
- Não.
É, aquilo devia ser um problema.
- Flechas?
Ela sacudiu a cabeça negando.
Você é um fiasco.
Seria mais agradável de sua parte se ficasse calado um pouco.
Não sabia como era possível a criatura aprender tantas palavras em tão pouco tempo. O elo entre as mentes ainda era novo para os dois, mas Violet não sabia mais como era sua vida antes das frases ferinas do amigo ecoando nos pensamentos.
Ele riu estranho e chegou para perto dela, apoiando a cabeça verde em seu joelho.
- Bem. Você anda aprendendo rápido.
- Já houve cavaleiras mulheres antes?
- Não. Nunca. Você é a única – Violet sentiu todas as responsabilidades que aquilo lhe cabia e sorriu.
- Não há mais ovos? Não haverá mais dragões em Alagaësia? – Era algo que a perturbava às vezes.
- Não se sabe. Mas eles estão em algum lugar onde podem ser selvagens e viver como devem.
Ouviu isso, não é?
- Mas onde?
Arya deu de ombros e quando ela o fazia, era porque Violet não devia fazer mais perguntas.
- Há livros em Ellesméra? – Era a última.
- Muitos. Mas espero que não esteja pensando em afaná-los.
Ela é um pouco amarga.
Sim. Mas ela tem muito a ensinar. Disse Georhgio e seu ar suave de superior.
Claro, claro... Ela respondeu vagamente e repassando sempre as histórias da guerra entre elfos e dragões, dos lendários cavaleiros, dos magos, dos bardos. E decidiu que queria fazer parte delas.
Você sabe que isto é sério, não sabe?
Oh sim, George. Um rosnado. E adoro isso.
Violet riu e ele balançou o comprido pescoço verde; bufou antes de fechar os olhos grandes e adormecer.
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Islanzadí andou de um lado para outro em sua saleta onde, alguns dias atrás, planejara todo o roubo do último ovo. E se perguntava, num ritmo mais rápido que seus passos compassados, sobre sua filha e sobre o paradeiro do último dragão de que se tinha notícia.
A rainha bem tinha consciência, e tinha manuscritos codificados sobre a localização, que existiam, era claro, dragões selvagens em pontos distantes das cidades toscas de Alagaësia e ainda além. Mas então procurá-los era o último e desesperado caso.
No momento então, preocupava-se com Arya. Nenhum contato a elfa fizera desde que partira carregando sua única esperança.
Como de costume, pegou-se olhando como a filha para a janela sem atenção. Na paisagem, os elfos lá embaixo treinavam no campo com seus arcos e preparavam-se para a guerra. Porque se não haviam lutado na última batalha, era fatal que se preparassem para o próximo embate; fariam a diferença. Ou teriam de fazer.
Galbatorix havia apunhalado seu destino de vez quando forçou Shiruikan a ser seu dragão. Vil e execrável magia negra e como obrigar a mais bela criatura a servi-lo?
Ainda havia trunfos. Ainda havia Arya. Arya e o ovo. Quanto mais cedo achassem o novo cavaleiro (e que fosse elfo!) melhor seria. E Islanzadí já previa as flechas em chamas e o colidir das espadas. Sentou-se e cobriu o rosto cansado com as mãos que começavam a envelhecer.
Parou de pensar demais, levantou-se elegante e saiu suspirando.
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N/a: C'mon honey, tramps like us... Baby we were born to ruuuuuuuuuun XD
E aeee. Sei que esse capítulo não foi dos mais interessantes, mas prometo que as coisas vão ficar melhores daqui pra frente.
Obrigada a Pauliiiiiinha-chan de novo XD Valeu por comentar dude!
Beijos para todos... e viva Gratest Hits competition!!!
Bia Black,
11 de Janeiro de 2008.
