Starfire Holiday, 15 de setembro. Indo para a minha casa. Cinco e meia da noite.
-... Agora só falta eu arrumar uma roupa – disse, completando minha fala.
- Você realmente está muito empolgada com esse encontro, não está? – Harry falou baixo.
- Muito! O Draco é o meu sonho de consumo desde o primeiro ano. Não acredito que vamos ter um encontro.
- Desde o ano passado? – pareceu confuso.
- Qual o problema?
- Nada. Só não sabia que tinha esse tempo todo.
- Mas então... – disse, mudando de assunto – Você tem que ficar no restaurante todas as tardes?
- Tenho. Meu pai insiste que pode trabalhar, mas acho melhor que ele descanse. Hoje foi a exceção. Tirei o dia de folga.
- Só para mim? Que lisonjeiro – ele sorriu – O que você faz lá?
- Vou de garçom a gerente. O que estiver precisando – deu de ombros - Os cozinheiros me apelidaram de "o quebra-galho". Mas o bom é que um pessoal do colégio tem ido lá me dar uma força.
- Que pessoal do colégio? – ollhei-o, estreitando os olhos. Ele não costumava a andar com muitas pessoas.
- Ontem, a Ginny deu uma passada lá – ele parecia indiferente – Sábado, foram umas líderes de torcida.
- A Chang foi? – perguntei automaticamente.
- Foi.
- E...?
- "E..." nada. Aconteceu nada entre a gente – ele se irritou – Ah, acho que essa vida de restaurante está me deixando louco.
Refleti um pouco sobre o assunto.
- Você é um bom filho, Harry – fiquei um pouco corada, olhando para a estrada – Sua mãe teria orgulho.
Ele ficou em silêncio. Tive medo de ter tocado em algum assunto que não deveria.
- Desculpe-me.
- Não precisa se desculpar. Não é algum segredo. Eu só estava me perguntando... – mantinha o olhar fixo na direção - Se ela sentiria orgulho mesmo.
- Claro! Você é uma excelente pessoa – sorri – É atencioso, gentil, carinhoso... Claro que às vezes me irrita, mas eu t... – parei no meio da frase.
Eu não sabia como continuar.
Eu nem sabia se era isso mesmo que eu deveria dizer.
- "Mas eu"?
- Mas você ainda é você – corrigi – Harry...
- Hm?
- Como ela... – pensei um pouco – Morreu?
O breve silêncio que se estabeleceu entre a gente quase me matou. O rosto dele se encheu de entendimento.
- Eu tinha dez anos quando aconteceu – ele falava baixo e pausadamente – Não sabia que eu ainda não tinha lhe contado essa história.
- Eu não sabia que podia perguntar – ele girou os olhos.
- Eu ainda morava em Londres.
- Era feliz?
- Sou mais agora – ele deu um sorriso rápido.
- Que bom ouvir isso – sorri também.
Fiz sinal para que ele continuasse.
– Éramos muito próximos. Eu e ela fazíamos tudo juntos. Desde ir às compras até levar o cachorro para passear. Era o meu "porto-seguro" – sorriu, dando uma pequena pausa - Mas como nada pode ser perfeito, ela vivia tendo que ir ao hospital. Tossia muito e tinha crises de asma. Eu não entendia o que estava acontecendo. Era só um menino. Acreditava que poderia curá-la com algum feitiço ou poção mágica – ele deu um sorriso fraco, balançando de leve a cabeça para os dois lados. Eu ouvia atentamente - Ela me falava que o melhor que eu podia fazer por ela era rezar. Por isso eu sempre ficava no meu quarto, ajoelhado ao pé da cama, pedindo a Deus que ela ficasse boa logo, que não permitisse que ela fosse embora – falou devagar – Acho que Ele não me ouviu – deu de ombros – Com tanta gente precisando no mundo, por que ouviria um garotinho tão pequeno e insignificante quanto eu? E eu achava que era importante, que Ele não me deixaria na mão. Eu confiava – ele deu uma risada fraca - Eu tinha medo dela me deixar. Teve câncer no pulmão – pequena pausa – Lembro-me de que, no dia em que ela faleceu, era a apresentação do teatro na minha escola. Eu era Dom Quixote, personagem principal da peça – ele me olhou de rabo de olho. Imaginei o pequeno Harry vestido de Don Quixote... Era até um pouco engraçado – Sei que hoje parece meio gay, mas na época foi importante para mim – ele se explicou - Ela tinha ficado dois meses me ajudando a decorar as falas. Foi quando eu me senti mais próximo dela do que nunca. Passávamos horas encenando... Era até bem divertido. Ainda me lembro de nós dois na sala, usando lençóis como capa – ele riu com alguma lembrança boba – Pena que ela não pôde ver. Não errei nenhuma linha.
Eu queria pedir para que ele parasse antes que eu começasse a chorar (sim, me emociono muito rápido), mas não tive forças. Ele continuou.
- Ela tinha me prometido que ficaria na primeira fileira. Disse-me que não me deixaria sozinho, que staria lá o tempo todo pra me dar apoio – os olhos dele também se enchiam de lágrimas – Quando não a vi, eu sabia que tinha algo errado.
- E seu pai? – perguntei com a voz falha. O choro estava entalado na garganta.
- Só apareceu no final do espetáculo. Consegui vê-lo no fundo. Tinha os olhos inchados. Esperava-me para dar a notícia – estacionou o carro na porta da minha casa.
Eu já estava bastante incomodada com a situação. Parecia que tinha algo esmagando meu peito. Conseguia imaginar perfeitamente o Harry com dez anos. Eu me lembrava dele assim. Conseguia imaginá-lo de capa, mas nunca o imaginei com uma mãe. Deve ser porque eu nunca o tinha visto com uma. Ele tomou ar.
- Ela era... – seus olhos voltaram a ficar vermelhos – Minha melhor amiga.
Vi uma lágrima rolar pela sua bochecha.
Sem pensar duas vezes, soltei meu cinto, tomei impulso e o abracei forte. Ele retribuiu, espalmando as mãos quentes nas minhas costas. Apertei sua blusa, tentando, de alguma forma, fazer com que ficássemos mais próximos. Sentia Harry fazer o mesmo.
Era quase uma necessidade e parecia ir além de um simples consolo. Minhas bochechas deviam estar vermelhas, mas eu não tinha coragem, nem vontade, de me afastar dele.
- Ela era muito parecida com você, Mione – ouvia-o dizer por cima do meu ombro. Minhas lágrimas já estavam rolando – Ela também era uma mulher muito forte... E péssima na cozinha – ele brincou.
Dei um tapa leve nas suas costas.
- Você é um idiota – minha voz estava sendo abafada pela sua camisa – Fez-me chorar.
- Se você não percebeu, também chorei – seu tom era mais leve – Tenho certeza de que ela teria adorado conhecer você. Seria uma pessoa especial na vida dela também.
- Como pode ter certeza? – mais duas lágrimas rolaram dos meus olhos.
- Porque você me faz feliz.
SoHo, Manhattan, minha casa, 18 de setembro. Seis e trinta mais ou menos.
- Olhe bem, Harry – eu dizia para ele, tirando duas roupas do armário. Um vestido verde e um marrom – Qual dos dois?
- O verde. O marrom é muito curto – ele estava sentado na minha cama, folheando uma revista de fofocas qualquer que estava na minha cabeceira.
- Vou com o marrom mesmo – disse, guardando o verde no armário.
- Então por que pediu minha opinião? – ele tinha cara de entediado.
- Por que achei que você pudesse ser útil... Cabelo preso ou solto?
- Tanto faz. Isso é coisa de mulher. Pergunte para a Ginny.
- Mas você me conhece melhor do que ninguém – fiz cara fofa – Diga aí: fico mais bonita de cabelo preso ou solto?
Ele corou.
- Dá na mesma, Hermione. Juro para você que meninos não reparam nessas coisas.
Soltei um "Urgh" (meu rosnado de irritação), enquanto ouvia minha mãe entrar no quarto. Ela trazia uma bandeja com uma fatia de bolo de chocolate para o Harry.
- Obrigado, senhora Granger. Não precisava – ele a ajudou, pegando a bandeja.
- Ah, que é isso, Harry. Por você faço tudo – ela sorriu e ele também. Impressão minha ou minha mãe quer roubar o meu melhor amigo? Nem para mim ela trás comida na cama! Girei os olhos – Ah Hermione...
- Pois não?
- Daqui a dois sábados vai ter o baile de aniversário da empresa do seu pai. Você pode levar um acompanhante se quiser... – ela olhou de rabo de olho para o Harry.
Ele segurou uma risada.
- Se tudo der certo hoje, levo o Draco – olhei-me no espelho com o vestido marrom na minha frente. Minha mãe girou os olhos e saiu do quarto.
- Também já vou indo – Harry disse.
- Para onde vai? – virei-me pra ele.
- Para o restaurante. Ultimamente temos tido mais fregueses. O pessoal precisa de mim – deu de ombros.
- Boa sorte – ele me deu uma encarada e depois sacudiu a cabeça, acordando de um pensamento.
- Para você também.
Café Pierre, Manhattan, 18 de setembro. Oito e dez da noite.
Meu coração estava disparado. Nenhum sinal do Draco no restaurante.
"Calma, Hermione. É sexy chegar uns quinze minutinhos atrasado. Certo?", pensei.
Eu estava usando o vestido marrom, com um cinto dourado largo, abaixo do busto. Cabelo preso de lado e maquiagem leve, realçando as melhores coisas do meu rosto.
Não é por nada, não, mas eu estava gostando da minha aparência. Estava me sentindo bem, bonita. Até uns caras da rua pararam para me olhar enquanto eu entrava no restaurante. Isso deu um "up" na minha auto-estima.
Já eram nove horas. Tinha quase uma hora que eu estava sentada à mesa do restaurante e nada do Draco chegar. Mil coisas estavam passando pela minha cabeça. Já começava a ficar com vergonha das pessoas que me viam ali sozinha.
Peguei o meu celular e comecei a discar o número dele. Pelo menos quem estava em volta veria que eu estava esperando alguém.
Chamando, chamando...
- Alô? – Malfoy atendeu.
Eu ouvia risadas ao fundo. Fiquei um pouco confusa.
- Draco?
- Mione? Ah Mione! – ele deu uma risada.
- Já estou no restaurante. Onde você está? – juntei as sobrancelhas.
Será possível que ele tinha se esquecido? Que tinha me deixado?
- Estou a caminho, querida. Não se preocupe – ele disse.
Ainda ouvia as risadas.
- Está vindo numa van?
- Por que acha que estou vindo numa van?
- Não sei. Estou escutando risadas no fundo. Você deve estar com outras pessoas...
- Não, não. Isso é só o rádio.
- Estou o esperando. Então...
- Ok. Tchau.
Eu ainda estava com o celular no ouvido, ainda podia ouvir o que se passava do outro lado da o Draco tinha colocado o celular no bolso e tinha se esquecido de desligá-lo.
- Draco! – gritei na esperança que ele me ouvisse – Você esqueceu seu celular lig...
- Era ela, cara? – ouvi um garoto perguntar do outro lado da linha. Reconheci a voz de um dos amigos dele.
Estranho... Ele me disse que estava sozinho...
- Era. Ela ainda está me esperando, coitada – Draco deu uma gargalhada.
Meu coração apertou. Eu era a coitada?
- Ah... Sacanagem, Draco – dizia outro – Por que está fazendo isso com a garota? – deu mais uma gargalhada.
- Diversão. Além do mais, vai ser uma honra fazer uma coisa dessas com a queridinha do Harry Potter. Ele vai me pagar por ter roubado as minhas garotas durante todos esses anos.
- Todo mundo sabe que ela é doida por você – o primeiro garoto dizia.
- Até eu sei disso – Malfoy falou como se desse de ombros – Bom que todo mundo fique sabendo que a deixei sozinha no restaurante. Inclusive o Harry. Será um prazer ver como ele reage ao ver o seu amorzinho com o coração partido – Draco fez uma voz um bater de copos como se estivessem brindando. Meus olhos estavam ardendo com as lágrimas que surgiam – Ibope para mim.
- Qual é, cara? A Mione é uma gata – um dos amigos dizia, se divertindo – Não devia deixá-la sozinha assim.
- Mais ibope para mim, então – ouvi alguma coisa ser arremessada – Ei! Mas o que diabos você...
Draco deu um berro rápido. Ouvi coisas sendo quebradas. Nunca desejei tanto que alguém tivesse sido atropelado.
Desliguei meu celular.
Eu estava morrendo de vontade de correr, chorar, gritar... Sei lá! Só queria não ter vindo, voltar no tempo, fazer diferente... Não ter aceitado esse maldito convite para vir a esse restaurante, não ter o deixado chegar o rosto perto do meu. Eu estava sendo usada pelo garoto que eu supostamente amava para atingir o meu melhor amigo. Minha cabeça estava lotada... As coisas faltavam girar.
Eu não conseguia mais esconder que estava ofegante. Minhas lágrimas quentes já escorriam pelo rosto descontroladamente, levando meu blush embora. As pessoas do restaurante me olhavam, enquanto eu mantinha meu olhar fixo em um jarro de flores e deixava que as lágrimas rolassem.
- Que burra eu fui... – sussurrei pra mim mesma.
Meu coração parecia ter sido esmagado por um elefante. Eu estava sem reação, olhando para o vazio que já me parecia embaçado graças ao meu choro.
- Precisa de alguma coisa, madame? – um garçom se aproximou de mim com um lenço na mão.
Segurei o lenço, passando devagar embaixo dos olhos e assoando o nariz. O homem franzino me olhava com pena. Fiz que sim com a cabeça. Sim... Eu precisava de alguma coisa.
- Harry – solucei.
Porta do Café Pierre, Manhattan. Aproximadamente nove e trinta da noite.
Acho que eu estava espantando os fregueses do Café Pierre. Estava sentada na porta do restaurante, descalça, com as sandálias de salto em uma das minhas mãos e o celular na outra.
Eu devia estar meio descabelada também, fora o fato de que meus olhos estavam inchados de chorar e minha maquiagem deveria estar toda borrada. Um bagaço. Eu sei.
- Droga, Harry – falava pra mim mesma – Atenda ao celular!
- Alô? – ele disse com voz de cansaço do outro lado da linha.
- Harry! Preciso de vo... – parei de falar quando vi o Starfire antigo parando à minha frente.
Harry saiu correndo do carro, desligando o celular e vindo ao meu encontro. Tive que piscar várias vezes para acreditar que não era um delírio. Ele me puxou do chão pelo meu braço direito, me envolvendo num abraço forte logo em seguida. Coloquei meus braços em volta dele, apertando-o com força contra o meu corpo.
Minhas lágrimas voltaram.
- Harry? – eu dizia com a voz rouca.
- Hm?
- Quando você se tornou o "The Flash"? – ele deu uma risada fraca. Sorri por ter o divertido – O Draco... Ele...
- Shh... – interrompeu-me – Eu sei, eu sei.
- Como você sabe?
- Explico tudo mais tarde. Tenho que levar você para casa – ele me soltou do abraço, me segurando pela mão e me levando até o carro. Puxei-o. Virou-se pra mim.
- Não quero ir para casa – algumas lágrimas ainda rolavam – Não quero que minha mãe me veja assim. O interrogatório dela é pior do que qualquer outra coisa. E o meu pai... Se me vir assim por um menino, ele... – Harry tampou minha boca com o dedo indicador.
- Não tem problema – ele estava calmo, sem desviar o olhar do meu – Levo você para minha casa.
N/T: Nossa, tadinha a Mione né meus amores?Que dó. Mas pelo menos ela tem o Harry para consola-la :) Quem ai ficou com vontade ou chorou com a história da mãe do Harry?Eu o/
E neste fala : "– Tenho certeza de que ela teria adorado conhecer você. Seria uma pessoa especial na vida dela também.- Como pode ter certeza? – mais duas lágrimas rolaram dos meus olhos.- Porque você me faz feliz." Ownt *-* Mais que fofo. Por que não aparece um Harry desse na minha vida senhor? Por que?
Se quiserem saber o porque da minha demora para atualizar, entrem na fic "Another Life", no ultimo capitulo que postei hoje de madrugada, ta explicado. É que eu to com preguiça de reescrever kkk' Nem sei como acordei antes de 12:00 , hoje já que fui dormi quase duas horas da manha no tumblr e formatando a fic para postar kkk'
Vamos as reviews . Qualquer erro me avisem.
LilyLuna: Oh God, obrigada minha linda :) Não é? A Mione é meio burrinha kkk' O Harry todo lindo e fofo atrás dela e parece que ela não vê.E você acertou de novo, o Draco foi um imbecil com ela. O que achou do capitulo?
Likah Weasley: Que legal saber que está gostando da fic. Fico muito feliz mesmo em saber. Espero que continue acompanhando. E ai gostou do capitulo?Esse Harry é muito fofo né? Se a Mione não quiser, eu quero kkk'
jujurego : Thank you so much. Mas só lembrando que eu estou transcrevendo a história, os créditos são para a autora... Mesmo assim eu agradeç diga sua opinião sobre este capitulo ê gostou? Descreva o Draco com uma palavra e o Harry com outra. Também se não quiser tudo bem :)
Hachi-chan 2: Ownt, assim você me deixa sem graça. Estou vendo que a fic está deixando em você o mesmo efeito que deixou em mim *-* E mais a diante, ela vai ficando cada vez mais ê não desiste mesmo né? kkk' Olha, eu não disse nada sobre o Harry já gostar dela, você tirou suas próprias conclusões HAHA Acompanhe a fic e você verá. Add nas favoritas? Obrigadaa mesmo. Gostou do capitulo?
Rafaella1d : Hey Rafa. Posso de chamar assim?Fico lisonjeada em sabe que gosta das minhas fic's. Sério mesmo. Espero que continue acompanhando todas e não desista. Por que posso demorar para atualizar as vezes, mas não vou abandona-las. Pode ter certeza disso. O que achou do capitulo?
08/07/2012 - 12:32 p.m
