CAPÍTULO 4 – HARRY POTTER

Eu acordei deitado numa cama de solteiro, relativamente confortável, no que parecia ser um casebre de cômodo único com uma porta que eu acreditava dar pra um banheiro separado. Era um local pequeno, com uma só janela que pouco iluminava o ambiente, mobilhado apenas pela cama na qual eu me encontrava, uma mesa velha de madeira com duas cadeiras, e um armário estreito.

Sentado na beirada da cama estava Draco Malfoy. Mais magro do que eu me lembrava, os ossos proeminentes em seu rosto, olheiras profundas abaixo dos olhos azuis acinzentados.

- Malfoy... Graças a Deus. – eu exclamei, me sentando, ignorando a dor de cabeça do forte feitiço estuporante que tinha recebido. – Você está vivo... não está machucado...

- É com isso que estava preocupado, Potter? – ele perguntou, evidenciando seu estado de estupefação e perplexidade. – Você se deixou levar por um bilhete do meu pai... acreditou que fosse eu... caiu numa armadilha... ficou estuporado por quase três horas.

- Eu sabia que era seu pai. – eu o tranquilizei.

- Você sabia? – se Draco estava perplexo antes, agora parecia completamente assombrado.

- Sim. Seu pai me mandou um bilhete me chamando de Harry. – eu expliquei, dando um sorrisinho. – Você não me chama de Harry. Você me chama de Potter, e de um jeito bem característico, pronunciando a letra "p" como se estivesse pronto pra me cuspir.

Ele ficou alguns segundos em um silêncio pasmo. Me peguei refletindo sobre como aquela expressão de aturdimento deixava o rosto Draco Malfoy bonito. Balancei a cabeça, sem compreender de onde viera aquele pensamento.

- Rodolfo e Rabastan Lestrange nos viram na porta da Sala Precisa, você falando comigo, segurando meu braço. – ele contou, referindo-se a dois comensais da morte que lutaram na Batalha de Hogwarts. – Meu pai pressupôs que éramos mais próximos do que realmente somos. Deixei que ele pensasse assim, achei que teria menos chance dele conseguir te enganar. Mas nunca imaginei que você agarraria qualquer chance de me encontrar, mesmo que fosse obviamente uma armadilha.

- Eu prometi que ajudaria você. – eu reforcei.

- Por que? – ele refez a pergunta que tinha feito alguns dias antes.

Eu o encarei. Tinha pensado muito naquilo ao longo das últimas duas semanas.

- Porque você não merece o que tem passado. Porque você se arriscou pra me ajudar aquele dia na sua casa. – eu falei, sem desviar o olhar. – Porque aos 11 anos você quis ser meu amigo e eu disse que não, achando que você era mimado, egoísta, preconceituoso e cheio de si...

- Eu era tudo isso. – ele me interrompeu. – Muitas vezes ainda sou.

- Eu sei. Mas eu o julguei ano após ano, te rotulei como o típico sonserino puro-sangue intragável, não me permiti ver mais nada. – eu continuei, talvez ansioso demais. – Eu nunca pensei no porquê de você agir como agia, eu nunca pensei na pressão que você sofria em casa, nunca achei que você pudesse não ter tido escolha sobre algumas coisas. Eu nunca parei pra pensar na violência que era ter um pai que te ensinava a odiar, a fazer coisas ruins. Eu só pensei que era sua essência, entende? E eu estava errado.

- É por isso que está aqui? – Draco estava sério. – Porque sente culpa?

- Não, não é por culpa. – eu o toquei, deixando minha mão repousar por cima da dele. – É por justiça... e porque quero um recomeço.

- Um recomeço? – ele arqueou as sobrancelhas, surpreso.

Eu dei um sorriso hesitante.

- Você não vai demorar a descobrir que algumas famílias de bruxo são bem melhores do que outras. Você não vai querer fazer amizade com as ruins. – eu disse, repetindo palavra por palavra o que ele me dissera anos atrás. – Eu posso ajudá-lo nisso.

Draco sorriu de volta pra mim, com tristeza.

- Infelizmente os Malfoy fizeram amizade com muitas famílias de Comensais da Morte. – ele respondeu com amargor. – E acabei obrigado a me tornar um deles.

- Quero ser seu amigo. – eu disse, baixinho.

- Eu poderia, se as coisas fossem diferentes. – ele respondeu, no mesmo tom baixo. – Mas agora tudo que posso fazer por você é tira-lo daqui. Em algumas horas um Elfo Doméstico deve vir me trazer comida, ele é de minha confiança. Vou pedir que ele leve você embora. Tenho certeza de que ele o fará, mesmo contrariando as ordens de meu pai.

- Eu não vou a lugar nenhum sem você. – eu bati o pé, com determinação.

Ele era louco? Como poderia achar que eu o abandonaria ali? Eu tinha segurado aquele pergaminho sabendo que era uma armadilha só para poder encontra-lo.

- Você não entende, eu não posso ir embora... ele está com a minha mãe. – As palavras de Draco eram cheias de dor. – Se eu fugir ele vai machuca-la, talvez até a mate.

- Vamos embora com ela, é claro. – eu respondi. – Nunca tive a intenção de deixar sua mãe pra trás.

- Ele quase nunca a traz aqui. Ela só virá hoje no pôr do sol, para o ritual que ele quer fazer comigo. – Draco explicou, agoniado. – Mas você não pode mais estar aqui quando ele chegar... ele pretende te usar para essa magia... é uma coisa pavorosa...

Eu olhava pra ele com atenção.

- Fique calmo. Tente me contar tudo que sabe. – eu pedi, tentando deixa-lo menos nervoso.

Draco Malfoy respirou fundo.

- Meu pai vinha mantendo minha mãe presa na Mansão Malfoy, com magia de adprehendimus. Na noite da Batalha de Hogwarts ele desfez o aprisionamento e a levou para a escola, eu a procurei todo tempo, planejando encontra-la e usar uma Pedra da Lua para fugirmos. – ele contou, atormentado. – Mas após a queda do Lorde das Trevas meu pai a sequestrou, levando-a para um esconderijo, e ameaçou a vida dela para me atrair para esse casebre.

- Desde então você e sua mãe são reféns. – eu confirmava aquela dúvida que martelava na minha cabeça há dias.

Ele fez um rápido movimento afirmativo com a cabeça.

- Meu pai vem cada vez mais desvairado, achando que agora que o Lorde das Trevas se foi, ele pode reunir os Comensais e tomar seu lugar. – Draco estava assombrado com a loucura de Lúcio. – Quando percebeu que eu e minha mãe não o apoiaríamos, achou melhor nos manter presos. Mais tarde, quando Rodolfo e Rabastan contaram a ele que me viram em Hogwarts junto de você, Granger e Weasley... meu pai ficou furioso. Considerou a mais alta traição que eu tivesse me aliado a vocês três.

Eu entendia o que ele queria dizer. Eu era um mestiço, além de ser Harry Potter. E meus amigos eram uma nascida trouxa e um traidor do sangue.

- Acho que representamos tudo que ele mais abomina. – eu apontei, com calma.

- O ritual que ele pretende fazer usando você, na verdade poderia ser qualquer garoto. – Draco me explicou. – Acredito que ele quer usar você para demonstrar força, pra dizer que derrotou o Eleito, entende?

Eu compreendia. Quando Voldemort fizera, anos atrás, o ritual para voltar a vida, também não precisava ter usado a mim. Serviria qualquer inimigo. Mas ele me escolheu para demonstrar força, para demonstrar que não tinha sido derrotado por um mero garotinho, para acabar com o Menino-Que-Sobreviveu.

- Ele te disse pra que serve esse ritual que ele quer fazer? – eu perguntei.

Qualquer informação que tivéssemos nos poderia ajudar.

- Meu pai acha que não sei sobre o ritual, mas minha mãe descobriu e mandou me avisar através de Terri, nosso Elfo. É Artes das Trevas do tipo mais perverso e nojento. Um encantamento muito antigo, que recorre à magia primitiva, por meio da qual um pai pode garantir a lealdade cega de um filho. Completado esse ritual, eu nunca mais conseguirei desobedece-lo. – A voz de Draco era mórbida e tingida de pavor.

- Onde eu entro? – eu quis saber.

- Eles vão fazer um triângulo em volta de você, provavelmente Rodolfo e Rabastan vão ajuda-lo. Meu pai vai pronunciar os feitiços na língua antiga, invocando forças naturais, magia original. – ele contou, eu nunca tinha ouvido falar em coisas daquele tipo em todo tempo que tinha vivido no mundo mágico. – Em resumo, pra completar o ritual meu pai precisa estuprar um garoto virgem, cortar seu pescoço e me fazer beber seu sangue.

Eu engoli em seco. Aquilo era pavoroso. O tipo de coisa que se via nos filmes de terror mais fantasiosos, que meu primo Duda gostava de assistir com os colegas de escola.

- E se o garoto não for virgem? – eu perguntei, tentando conter o tremor em minha voz.

- Se o garoto não for virgem e os bruxos que formam o triângulo invocarem as forças naturais, vão ficar atordoados, perderão a consciência por alguns minutos, nós teríamos a chance de recuperar as varinhas e escapar com minha mãe. – ele apontou. - Mas meu pai fez um feitiço não verbal em você antes de sair daqui, de manhã. Acredito que estivesse verificando isso. Se você não fosse virgem, ele já teria te levado embora.

Eu olhei pro rosto de Draco por alguns segundos, deixando minha mente trabalhar.

- Não importa se você já transou com uma garota antes. – Draco falou, interpretando erroneamente meu silêncio. – Pros fins desse feitiço, "garoto virgem" significa não ter sido penetrado.

Eu senti meu rosto queimar de vergonha, e olhei para os lençóis. Aquela não era a conversa que eu queria ter. Não ali. Não naquele momento. Não com Malfoy. Mas parecia que não tínhamos outra opção.

- Eu nunca transei com uma garota. – eu murmurei muito baixo. – Não era nisso que eu estava pensando. Estava pensando que só existe uma solução.

- Qual é? – ele perguntou, como se estivesse ansioso para descobrir uma saída.

- Você disse que seu pai vem hoje ao pôr do sol. – eu ergui os olhos, tentando me encher de coragem. – Quando ele vier... não posso mais ser virgem.

Eu vi a ficha de Draco Malfoy cair lentamente, e a incredulidade brilhar em seus olhos acinzentados.

- Você não pode estar falando sério... – ele disse.

- Se eu for embora com Terri, seu pai trará outro garoto, te forcará a beber o sangue dele ameaçando a vida da sua mãe, e você terá que obedecer Lucio pra sempre. Se eu e você formos embora com Terri, sua mãe sofrerá as consequências, talvez seja até mesmo morta. – eu coloquei as coisas, com lógica. – E se eu estiver aqui e ainda for virgem quando seu pai chegar, estarei morto até o final da noite. Só há uma saída.

- Potter, isso não vai dar certo. – Draco estava agitado, os olhos como um dia nublado, faiscando em minha direção. – Eu precisaria ir até o final... precisaria gozar... você entende? Como vou fazer isso com você, sentindo que estou te violentando? Nem sei se vou conseguir ter uma ereção.

Ele não usava meias palavras. Talvez quisesse me assustar, talvez quisesse que eu me desse conta da enormidade do que eu estava sugerindo que fizéssemos. Mas não havia alternativa. Coloquei minha mão sobre a dele outra vez.

- Draco. – eu o chamei pelo nome, a voz gentil. – Você não está me violentando... eu não teria escolhido fazer isso assim... nem você. Mas precisamos. Precisamos fazer isso juntos. Eu posso ajudar você...

Ele parecia perdido, me olhava tão inquieto que eu sentia vontade de abraça-lo. Mas nós não éramos tão próximos, ainda não éramos amigos, eu estava tentando me aproximar.

- Me ajudar? – ele perguntou.

- A ter uma ereção e ir até o final. – eu olhei pra baixo, ruborizando.

Eu estava louco de vergonha, mas precisávamos ser sinceros um com o outro... Aquilo tinha que funcionar. Ele me olhava em silêncio, como se estivesse me vendo pela primeira vez na vida.

- Vamos ter que ser práticos. – eu argumentei. – Quando você olha pra mim, sente algum tipo de repulsa? Nesse caso você poderia fechar os olhos... imaginar uma outra pessoa...

- Repulsa? – Draco exasperou-se.

- Não é hora de ficar pisando em ovos. – eu falei, com lógica. – Quando mais honestos nós formos, mais fácil será.

Ele ficou em silêncio por mais alguns segundos, eu esperei um pouco agoniado, tentando ser paciente.

- Está certo. – ele finalmente concordou, ajeitando a postura. – Não sinto nenhuma repulsa quando te olho. E você?

- Também não. – eu fiquei vermelho. – Você sabe que é bonito.

Draco ergueu uma única sobrancelha.

- Você já sentiu atração por homens? – seu tom era curioso. – Já ficou com um garoto?

- Já senti atração, mas nunca tive nada com menino nenhum. – eu disse, um pouco envergonhado. Eu já tinha imaginado algumas coisas, já tinha tido meus sentimentos, embora eu não tivesse realmente me reconhecido como gay até então. – Você?

- Sim. – ele respondeu, brevemente.

- Isso torna um pouco mais fácil, não? – eu ponderei.

Seria muito mais horrível se fossemos dois rapazes heterossexuais forçados a transar um com o outro.

- Talvez. – ele refletiu sobre o que eu dizia. – Mas ainda que você pensasse em estar com um garoto, não seria nessa situação, e não seria comigo. Com alguém com quem você brigou a vida toda, de quem nunca gostou.

- Achei que tinha dito que queria ser seu amigo. – eu tentava uma brecha em sua resistência dura.

- Acha mesmo que eu seria um bom amigo? – ele me interpelou. – Eu torturei pessoas, eu fiz gente sofrer, eu obedeci ordens do pior bruxo que já pisou sobre a Terra... eu já tive que estuprar um garoto. Você pode não sentir repulsa da minha aparência, mas não sente repulsa disso?

- Não. – eu respondi, tocando seu rosto, fazendo-o arquejar. – Sinto vontade de curar a sua dor.

Eu podia sentir a desorientação de Draco, sua vulnerabilidade. Estava tudo ali, naqueles olhos tão transparentes, de um cinza prateado de luar.

- Eu não vou conseguir. Quando o Lorde das Trevas me forçou a estuprar aquele menino trouxa... eu simplesmente não consegui, mesmo com ele ameaçando minha mãe. – seus olhos encheram-se de lágrimas que ele não deixou cair. Draco não me olhava, encarando as próprias mãos, cheio de ressentimento. – Eu tive que fazer um feitiço pra conseguir ficar duro. Ele descobriu e me torturou durante horas.

- Draco, isso é horrível. Não só com o garoto. Ele te violentou também, te forçou. – eu disse, com delicadeza. – Foi um estupro pra você também. Todo sexo sem consentimento é estupro, não interessa quem está sendo penetrado.

Ele demorou um minuto inteiro para conseguir se controlar. Eu esperei, sabia que ele não queria parecer frágil diante de mim.

- Acha mesmo isso? – seus olhos ergueram-se pra mim, esperançosos, prendendo-se nos meus.

- É claro. – eu garanti. – E é diferente entre nós, apesar da situação em que nos encontramos.

Mantive o olhar fixo nele, para que ele visse a sinceridade no meu rosto, para que soubesse que eu não estava mentindo. Aos poucos via que o convencia.

- Eu se eu te machucar, Potter? – ele me perguntou, aparentando medo.

Eu não sabia se ele se referia ao sexo, ou se era algo mais, se achava que a proximidade entre eu e ele é que me machucaria.

- Eu não sou tão frágil assim... cresci na Grifinória. – eu dei de ombros, sorrindo com valentia. – Me chame de Harry. Não quero ter minha primeira vez com um cara me tratando pelo sobrenome.

- Harry. – ele sussurrou, me olhando. – Eu estou apavorado.

- Eu também. – eu confessei. – Mas vamos fingir que não é desse jeito.

Eu acariciei seu cabelo loiro calmamente, deixando meus dedos correrem pela sua nuca. Nunca tinha tocado um homem assim. Havia algo de extasiante em fazer aquilo, na textura da sua pele clara.

- Vamos fingir que é como? – Draco perguntou, fechando os olhos, deitando a cabeça na minha mão.

- Vamos fingir que não existe medo, nem ameaça, nem ritual, nem trevas. Vamos fingir que não houve guerra, nem mágoa, nem dor. – eu desci minhas mãos para sua camisa, abrindo os botões com calma, sentindo que ele me permitia despi-lo. Seu peito exibia uma grossa cicatriz avermelhada, e no braço esquerdo jazia ainda a Marca Negra. – Vamos fingir que nenhum de nós foi marcado, que o passado foi esquecido. Que só existe eu e você nessa cama pequena.

- Vamos fingir que somos apenas dois garotos? – ele perguntou, sorrindo, puxando minha camisa pela cabeça, me deixando nu da cintura pra cima, igual a ele.

- Sim... um garoto muito bonito e o outro tímido, de óculos e cara de nerd que definitivamente teve muita sorte. – eu brinquei, ruborizando um pouco.

- Você está vermelho... você é realmente tímido. – Draco apontou, perspicaz, e um pouco deslumbrado – E realmente se sente atraído por mim...

- Sem dúvida. – eu confirmei, desabotoei minha própria calça e puxei pra baixo, junto com a cueca, percebendo que meu pênis estava um pouco duro.

- Em nome de Merlin. – ele exclamou, os olhos fixos sobre aquela área específica do meu corpo. – Você está excitado... está excitado...

- Isso é impróprio? – eu perguntei, escondendo meu membro com as mãos.

- É inesperado. – Draco respondeu, parecendo hipnotizado. – Acho que não vou ter nenhum problema pra ter uma ereção...

Eu olhei enquanto ele despia devagar sua calça preta e a cueca boxer da mesma cor, expondo seu membro que também já projetava-se pra cima. Ele era maior do que eu esperava, consideravelmente maior do que eu. E eu tinha certeza que ele era tão grosso, que se eu tentasse fechar a mão entorno dele, meus dedos não encostariam um no outro.

Não contive a reação.

- Caralho... você é enorme. – eu exclamei, boquiaberto. – Não vai caber.

- Normalmente eu consideraria isso um elogio. – ele falou. – Mas nesse momento, só estou preocupado com você.

- Nós vamos com calma. – eu respirei fundo, desviando os olhos de seu pau, para olhar pro rosto dele. – Não vamos?

- Vamos bem devagar. – ele prometeu, me tranquilizando.

Eu me deitei de barriga pra cima, resignado, tentando me acalmar. Separei as pernas e as ergui, aproximando os joelhos do peito. Ele levou um dedo na direção da minha entrada, tocando-me ali.

- Há feitiços que facilitam... que lubrificam... – ele explicou, baixinho. – Mas nenhum de nós tem varinha.

Eu soltei uma risada rouca.

- Sabe, existem trouxas gays. – eu apontei, permitindo-nos aquele momento de descontração. – E as vezes, eles não tem um potinho de lubrificante a mão...

Ele sorriu um pouquinho, também, apesar do nervosismo.

- O que eles fazem? – ele perguntou, curioso.

- Eles cospem, Malfoy. – eu disse, rindo da careta que apareceu em seu rosto.

Draco parece ter achado coerente, molhou um dedo com bastante saliva antes de escorrega-lo pra dentro do meu corpo. Fechei os olhos, medindo a sensação. Não chegava a ser doloroso, mas era no mínimo um contato estranho, movimentando-se leve dentro do meu corpo.

Ele colocou o segundo dedo, me molhando com mais saliva, e eu me senti abrindo, sem tanta resistência. A cadência de seu entra e sai no meu ânus tornou-se um pouco mais veloz, conforme eu me dilatava e relaxava um pouco. Na verdade... não era nada ruim. Em alguns momentos, Draco batia com os dedos em um ponto que me dava uma espécie de prazer doce.

Gemi baixinho, e movi um pouco o quadril, procurando mais.

- O que foi? – Draco perguntou, com preocupação.

- Isso é gostoso. – eu murmurei, abrindo os olhos novamente.

Havia algo no jeito que ele olhava pra mim, algo que não estava lá antes.

- Eu te desejo. – ele disse, como se confessasse um pecado. – Nesse momento, eu te desejo.

- Vem. – eu pedi. – Não vou ficar mais pronto do que já estou.

Ele parecia mensurar a todo tempo o que eu dizia, o que eu expressava, atento a qualquer sinal de que eu queria desistir daquilo.

- Quer continuar nessa posição? – ele perguntou, atencioso. – É a que se sente mais confortável?

- Sim. – eu sussurrei. – Me sinto melhor... de poder te olhar. Saber que não estou sozinho.

Me senti um idiota de dizer aquilo. Claro que eu não estaria sozinho, não importava a posição que eu estivesse, teria um homem enfiando um pênis dentro de mim. Eu ainda não estava preparado pra aquilo, mas não importava, tinha que ser naquele dia, naquela tarde. Eu não tinha escolha, não podia simplesmente ir embora e abandonar Draco ali.

- Você não está sozinho. – ele disse, com mais delicadeza do que eu jamais esperei ouvir na voz de Draco Malfoy. – Estou aqui com você. Segure minha mão.

Ele me deu a mão esquerda, que eu apertei, entrelaçando meus dedos, sentindo o conforto e a segurança que vinham daquele apoio. Com a outra mão, ele se apoiou na minha perna, erguendo um pouco mais meu quadril, encostando seu pênis na minha entrada.

Respirei, tentando relaxar, conforme ele se forçava pra dentro de mim. Meu orifício contraía, tentando opor-se àquela invasão, mas o pênis de Draco me abria, colocando fim à qualquer resistência. Era difícil comportar um membro com aquelas dimensões... à medida que ele avançava lento no meu ânus, eu me sentia rasgar, preencher-me todo de uma dor aguda que retesava todos os meus músculos.

- Pare um pouco. – eu pedi, em voz baixa, fechando os olhos. – Espere um pouco.

- Quer que tire? – eu podia ouvir sua preocupação.

- Não. – eu falei. – Só me dê um tempo pra me acostumar... você é muito grande.

Ele ficou parado, acariciando minha mão com o polegar. Quando a dor suavizou e eu consegui descontrair o corpo, tornei a olhar pra ele.

- Pode continuar. – eu falei.

Draco finalizou o movimento, colocando seu pau inteiro dentro de mim. Ele era tão grosso, me alargava, lacerava-me por dentro. Eu respirava com dificuldade, mordendo o lábio inferior com força, tentando controlar a nova onda de dor.

Ele parou novamente, percebendo meu corpo tensionar e enrijecer, esperando eu me habituar àquela pressão dentro de mim, àquele volume descomunal que me expandia.

- Está doendo muito? – ele perguntou, descontente por me machucar.

- Me beije. – eu supliquei, urgentemente e sem pensar.

- O que? – ele estava surpreso. Não era a resposta que ele esperava.

- Me beije. – eu pedi de novo, mais baixo. – Me leve pra longe da dor.

Ele avançou pra mim, sôfrego, experimentando meus lábios com avidez. Ele me explorava, avançava sobre a minha boca, a língua abrindo espaço pela minha cavidade. Eu respondi com a mesma efervescência. Ele era atraente, me despertava desejo e excitação. Mas era mais do que isso: ele estava ali por mim, segurando a minha mão, estávamos fazendo aquilo um pelo outro.

Deixei o beijo dele me apaziguar, me acalmar pro seu toque. Ele sentiu meu corpo relaxando, começou a arremeter com suavidade pra dentro de mim, parecendo inebriado pelo prazer. Eu me sentia arder em torno dele, uma queimação que não abrandava em meu orifício, mas não importava. Me concentrei em seus lábios doces, urgentes nos meus.

Segundos depois, senti que ele gozava, jorrando quente dentro de mim.