Esplendor da Honra
Continuação do Sengundo Capitulo.
Os gritos da batalha torturavam Isabella. Sua mente imaginava todo aquilo que não podia ver, deixando-a presa dentro de um purgatório de pensamentos obscenos. Nunca tinha presenciado uma batalha, e só tinha ouvido exageradas histórias de astúcia e proezas de lábios de soldados vitoriosos que estavam alardeando de seus triunfos. Mas nenhuma daquelas histórias tinha incluído as descrições das mortes, e quando quão soldados combatiam uns com outros terminaram enchendo o pátio, o purgatório mental do Madelyne se converteu em um inferno vivente, com o sangue das vítimas transformada no fogo da vingança de seu captor.
Embora a superioridade numérica favorecia grandemente aos homens do Caius, Isabella não demorou para dar-se conta de que estes não se achavam preparados para enfrentar-se aos bem adestrados soldados do Edward. Viu como um dos soldados de seu irmão elevava sua espada contra o barão de Cullen e perdia a vida devido a isso, e presenciou como outro valente soldado impulsionava sua lança para diante e logo contemplava com estupefação como a lança e o braço eram separados de seu corpo. Um ensurdecedor grito de agonia seguiu ao ataque quando o soldado se desabou para diante e caiu ao chão, agora empapado com seu próprio sangue.
Isabella sentiu que lhe revolvia o estômago ante todas aquelas atrocidades. Fechou os olhos para não ter que seguir vendo o horror, mas as imagens continuaram atordoando-a.
Um moço que Bella pensou que podia ser o escudeiro de Edward foi correndo até ela para ficar-se a seu lado. Tinha o cabelo de um loiro intenso e era de estatura média; era tão musculoso que a simples vista podia parecer gordo. O moço desenvainó uma adaga e a sustentou ante ele.
Apenas se emprestou atenção a Isabella e manteve seu olhar dirigido para Edward, mas ela pensou que se colocou ali para protegê-la. Tão só uns momentos antes tinha visto como Edward o fazia um gesto ao moço.
Fazendo um desesperado esforço, Isabella tratou de centrar seu olhar no rosto do escudeiro. O moço se mordiscava nervosamente o lábio inferior. Bella não estava muito segura de se aquela ação era causada pelo medo ou pela excitação e então o moço jogou acorrer para diante, voltando a deixá-la desamparada.
Voltando-se para Edward , Isabella viu que ele tinha deixado cair seu escudo e logo contemplou como o escudeiro corria a recuperá-lo para seu senhor.
Em sua pressa, o moço deixou cair sua própria adaga.
Isabella correu para ela, recolheu-a do chão e logo voltou para poste para o caso de Edward olhá-la. Ajoelhou-se no chão, com sua capa ocultando sua ação, e começou a cortar a corda que lhe atava as mãos. O acre aroma da fumaça chegou até ela. Isabella levantou a vista com o tempo justo de ver como uma língua de fogo estalava através da entrada aberta do castelo. Os serventes se mesclaram com os homens que combatiam, tentando ganhar sua liberdade enquanto corriam para as portas. O fogo correu atrás deles, abrasando o ar.
Simon, o primogênito do magistrado saxão e agora já um ancião, foi para o lado de Isabella. As lágrimas corriam por seu curtido rosto e o desespero tinha curvado seus robustos ombros.
- Pensava que lhes tinham matado, minha senhora - sussurrou enquanto a ajudava a ficar em pé.
O servente lhe tirou a adaga de entre os dedos e cortou rapidamente a corda com ela. Uma vez que teve ficado livre, Bella lhe colocou as mãos em seus ombros.
- te salve, Simon - disse-lhe - . Esta não é sua batalha. Corre, te afaste daqui. Seu família te necessita.
- Mas você...
- Vai-te, antes de que seja muito tarde - implorou-lhe Isabella.
Sua voz soou enrouquecida pelo medo. Simon era um homem bom e temeroso de Deus, que tinha sido muito amável com ela no passado. Achava-se preso, igual aos outros serventes, pela posição e a herança, atado pela lei à terra de Caius, e por si só, isso já era sentença mais que suficiente com a que ter que carregar para um homem. Deus não podia ser tão cruel para exigir também sua vida.
- Venham comigo, lady Isabella - suplicou-lhe Simon - . Esconderei-lhes.
Bella sacudiu a cabeça, lhe negando aquilo que lhe pedia.
- Tem melhores possibilidades sem mim, Simon. O barão de Cullen iria atrás de mim. Não discuta, por favor - apressou-se a acrescentar quando viu que Simon se dispunha a protestar de novo - . Vai-te! - disse, gritando a ordem e lhe dando uma ênfase adicional quando suas mãos empurraram os ombros do Simon.
- Que o Senhor lhes proteja - murmurou Simon. Entregou-lhe a adaga e se voltou para dirigir-se para as portas. O ancião apenas se afastou uns quantos passos de sua senhora quando foi arrojado ao chão pelo irmão do Edward. Jasper, em sua pressa por atacar a outro dos soldados do Caius, acabava de chocar acidentalmente com o servente. Simon já tinha conseguido ficar de joelhos quando Jasper se voltou subitamente, como se acabasse de dar-se conta de que havia outro inimigo mais à mão que o anterior.
A intenção do Jasper não podia estar mais clara para Isabella. Gritando uma advertência, apressou-se a colocar-se diante do Simon enquanto empregava seu corpo ao fardo de proteger o servente da espada de Jasper.
- te afastes! - gritou Jasper, com a espada levantada.
- Não! - Gritou Bella a sua vez - . Terá que me matar para chegar até ele.
Jasper reagiu imediatamente elevando um pouco mais sua espada, o que indicava que isso ia ser precisamente o que faria. Seu rosto estava avermelhado pela fúria. Isabella pensou que Jasper era mais que capaz de matá-la sem que logo chegasse a padecer nem um só instante de remorso por isso.
Edward viu o que estava acontecendo e correu imediatamente para Isabella. Todos sabiam que Jasper tinha um caráter muito violento, mas Edward não se preocupou que seu irmão machucasse ou não Isabella. Jasper morreria antes que infringir uma ordem. Irmão ou não, Edward era barão dos feudos de Cullen, e Jasper era seu vassalo. Jasper honraria esse vínculo, Edward não poderia ser mais claro: Bella lhe pertencia. Ninguém devia tocá-la. Ninguém.
Os outros serventes, quase trinta em total, também presenciaram o que estava ocorrendo. Quem não se achava o bastante perto da liberdade se apressava a formar um grupo detrás do Simon em busca de amparo.
Bella sustentou o olhar cheia de fúria do Jasper com uma expressão cheia de compostura, mostrando uma tranqüilidade que desmentia o terremoto que estava tendo lugar em seu interior.
Edward se deteve junto a seu irmão com o tempo justo de observar a estranha reação de Isabella. Sua cativa elevou lentamente a mão para seus cabelos e logo se separou a espessa massa de cachos do lado de seu pescoço. Falando com uma voz que não podia estar mais cheia de calma, sugeriu que Jasper afundasse sua espada ali e, se tivesse a bondade de ser o mais rápido possível.
Jasper pareceu ficar atônito ante a reação de Isabella a sua ação, e foi baixando lentamente sua espada até que a ponta ensangüentada ficasse dirigida para o chão.
A expressão de Isabella não se alterou enquanto dirigia sua atenção para Edward.
- o ódio que sente pelo Caius se estende a seus serventes? - perguntou-lhe - . Matas a homens e mulheres inocentes porque a lei os obriga a servir a meu irmão?
Antes que Edward pudesse articular uma resposta, Isabella lhe deu as costas. Logo agarrou da mão ao Simon e o ajudou a levantar-se.
- ouvi dizer que o barão de Cullen é um homem de honra, Simon. Não te separe de mim. Faremo-lhe frente juntos, meu querido amigo. - E, voltando-se novamente para o Edward, acrescentou - e veremos se este nobre é um homem de honra ou se não se diferencia em nada de Caius.
Então Bella, subitamente, ficou consciente de que sustentava a adaga em sua outra mão. Escondeu a evidência detrás de suas costas até que sentiu um súbito rasgar-se no forro de sua capa, e logo deslizou a faca dentro da abertura, rezando para que a prega fosse o bastante forte para poder sustentá-lo. A fim de cobrir sua ação, gritou:
- Todos esses serventes tentaram me proteger de meu irmão, e morrerei antes de ver eles se machucarem! A escolha é tua.
Quando respondeu a seu desafio, a voz do Edward estava cheia de desprezo.
- Diferente de seu irmão, eu não faço presa nos fracos - disse a Isabella - . Vai-te, ancião, e abandona este lugar. Pode te levar contigo os outros.
Os serventes se apressaram a obedecer. Bella os viu correr para as portas; aquela amostra de compaixão por parte do guerreiro a surpreendeu.
- E agora, barão, tenho um pedido a te fazer - disse, voltando-se novamente para o Edward - . Rogo-te que me mate agora. Sei que sou uma covarde ao pedir isso, mas a espera está se tornando insuportável. Faz o que deve fazer.
Acreditava que ele tinha intenção de matá-la. Edward voltou a sentir-se assombrado por seus comentários, e decidiu que lady Isabella era a mulher mais estranha que já havia conhecido.
- Não vou matar-te, Isabella - anunciou antes de dar meia volta e afastar-se.
Uma súbita onda de alívio se apoderou de Isabella. Acreditava que Edward lhe dizia a verdade. Ele parecia ter ficando muito surpreso com aquele pedido... Sim, agora ele estava dizendo a verdade.
Isabella se sentiu vitoriosa pela primeira vez em toda sua existência. Tinha salvado a vida de Edward, e viveria para contar a historia.
A batalha tinha terminado. Os cavalos tinham sido liberados dos estábulos, e expulsos detrás dos serventes através das portas abertas uns instantes antes de que novas e destrutivas chamas devorassem a frágil madeira.
Isabella foi incapaz de sentir a sombra de indignação ante a destruição do lar de seu irmão. Aquele lugar nunca lhe tinha pertencido a ela. Ali não havia lembranças felizes.
Não, não tinha maneira de sentir indignação. A vingança de Edward era o justo castigo aos pecados de seu irmão. Naquela escura noite estava se fazendo justiça, graças à mão de um bárbaro vestido com roupagens de cavalheiro, um radical para a maneira de pensar de Isabella, que se atrevia a passar por cima a forte amizade que unia Caius ao rei da Inglaterra.
O que lhe tinha feito Caius ao barão de Cullen para merecer semelhante represália? E que preço teria que pagar Edward por sua ousadia? Exigiria Guillermo II, quando se inteirasse daquele ataque, a vida de Edward? Sem dúvida o rei comprazeria a Caius se ele ordenasse semelhante ação. Diziam que Caius exercia um insólito domínio sobre o rei, e Isabella tinha ouvido dizer que eram uns amigos muito especiais. Só na semana anterior se inteirou do que realmente significavam todas as obscenidades murmuradas em voz baixa. Marta, que tinha a língua muito larga, tinha extraído um grande deleite de revelar a baixeza da relação intima entre Caius e o rei, depois de ter bebido muitos goles de cerveja.
Isabella não a tinha acreditado. Ficou vermelha e o negou todo, dizendo a Marta que Caius tinha permanecido solteiro porque a dama a qual entregou seu coração tinha morrido. Marta se tinha zombado da inocência de isabella, e finalmente terminou obrigando a sua senhora a admitir a possibilidade.
Até aquela noite, Isabella não tinha se dado conta de que alguns homens podiam chegar a agir muito intimamente com outros homens, e a revelação de que um desses homens era seu irmão e se dizia que o outro era o rei da Inglaterra fazia que todo aquela historia se tornasse ainda mais repulsiva. Sua reação foi físico: Isabella recordava que tinha vomitado o jantar, o qual fez Marta morrer de tanto rir.
- Queimem a capela.
A ordem de Edward ressonou através do pátio, fazendo que os pensamentos do Isabella voltassem para o presente. Levantando a saia, correu imediatamente para a igreja com a esperança de ter tempo para tirar dali suas escassas posses antes de que a ordem fosse levada a cabo. Ninguém parecia estar lhe prestando nenhuma atenção.
Edward a interceptou no preciso instante em que Isabella chegava à entrada lateral. O barão de Cullen deixou cair bruscamente suas mãos sobre a parede, lhe impedindo o passo de ambos os lados. Bella deixou escapar um ofego de surpresa e se voltou para elevar o olhar para ele.
- Não há nenhum lugar no que possa te esconder de mim, Isabella.
Sua voz era suave. Deus, quase parecia aborrecido.
- Não me escondo de ninguém - respondeu Bella, tratando de manter afastada a ira de sua voz.
- Então, é que desejas arder com a sua capela? - Perguntou-lhe Edward - . Ou possivelmente pensa em utilizar a passagem secreta da qual me falou...
- Nenhuma das duas coisas - respondeu Isabella - . Todas minhas posses se encontram dentro da igreja. Dispunha-me às recolher. Disse que não iria matar-me e pensei que poderia levar minhas coisas comigo.
Como Edward não respondeu à explicação que ela acabava de lhe dar, Isabella tentou novamente. No entanto, era difícil formular algum pensamento sentindo o olhar fixo de Edward.
- Não te pedirei uma montaria - disse-lhe – só peço que me permitas pegar minhas roupas que estão atrás do altar.
- Não me pedirá uma montaria? - Edward sussurrou a pergunta. Isabella não soube como reagir a ela, ou ao sorriso que tinha passado a lhe dedicar - . Realmente espera que que eu acredite que estivestes vivendo na igreja?
Isabella desejou ter coragem suficiente para lhe dizer que pouco se importava se ele acreditava ou não nela. Deus, realmente era uma covarde! Mas os muitos anos de duras lições sobre como controlar seus verdadeiros sentimentos lhe foram de grande utilidade naquele momento porque lhe proporcionaram uma expressão tranqüila, obrigando a sua ira a ficar de lado. De fato, inclusive as arrumou para encolher-se de ombros.
Edward viu uma faísca de ira se espalhar nos castanhos olhos de Isabella, faísca essa que não seria notada caso Edward não mantivesse seus olhos tão fixos nos de sua cativa; ela parecia tão serena e controla que ele mal podia acreditar ser verdade. Aquela moça se controlava extraordinariamente bem, levando-se em conta que era apenas uma mulher.
- me responda, Isabella. Desejas que eu acredite que estavas vivendo nesta igreja?
- Não estive vivendo na igreja - respondeu Isabella quando não pôde seguir suportando o penetrante olhar de Edward nem um só instante mais - . Só escondi ali minhas coisas para assim poder escapar pela manhã.
Edward franziu o cenho enquanto refletia sobre o que acabava de ouvir.
Acaso o tomava por louco para pensar que ele chegaria a acreditar numa história tão insana? Nenhuma mulher abandonaria as comodidades de seu lar para viajar durante aqueles meses tão frios. E aonde ela queria que ele acreditasse que iria?
Tomou a rápida decisão de demonstrar crença na falsidade da história de Isabella, só para ver qual era sua reação quando a mentira fosse descoberta.
- Pode ir recolher seus coisas - disse-lhe.
Isabella não ia discutir sua boa vontade. Acreditou que ao dar sua aprovação, Edward também estava aceitando seu próprio plano para deixar a fortaleza.
- Então posso deixar esta fortaleza?
A Pergunta saiu de seus lábios antes de que pudesse conter-se. E Deus, como lhe tremeu a voz ao fazê-la.
- Sim, Isabella, deixará esta fortaleza - respondeu Edward.
Chegou a lhe sorrir. Aquela súbita mudança de humor deixou Isabella um pouco preocupada. Ele voltou o olhar para ele, tratando de lhe ler a mente. Era uma tentativa fútil, como compreendeu em seguida. Edward ocultava muito bem seus sentimentos, bem demais para que ela pudesse decidir se estava dizendo a verdade ou não.
Passando por debaixo de seu braço, Isabella pôs-se a correr pelo corredor que havia na parte detrás da igreja com Edward indo detrás dela.
O pequeno saco de arpillera continuava onde o tinha escondido no dia anterior. Isabella tomou em seus braços e logo se voltou para olhar Edward. Dispunha-se a lhe expressar sua gratidão, mas mudou de idéia assim que voltou a ver a expressão de surpresa em seu rosto.
- Não acreditou em mim? - perguntou, e em sua voz havia tanta incredulidade como a que se achava presente na expressão dele.
Edward lhe respondeu franzindo o cenho. Logo deu meia volta e saiu da igreja andando com passos rápidos e decididos. Isabella o seguiu. Agora suas mãos estavam tremendo de uma maneira que era quase violenta em seus intensos estremecimentos. Bella decidiu que só se tratava do horror da batalha que tinha presenciado e que começava a sortir efeito. Tinha visto tanto sangue, tantos mortos... Seu estômago e sua mente se rebelavam, e a única coisa que podia fazer era rezar para que fosse capaz de manter a compostura até que Edward e seus soldados fossem embora.
Assim que saiu da capela, arrojaram tochas acesas ao interior dela. Como ursos famintos, as chamas devoraram a construção com uma selvagem intensidade.
Isabella ficou contemplando o fogo durante um bom momento, até que se deu conta de que se estava agarrando à mão de Edward. Então se separou imediatamente dele.
Voltou-se e viu que tinham levado ao pátio interior os cavalos dos soldados. A maior parte dos homens de Edward já tinham montado e aguardavam ordens. No centro do pátio esperava a mais magnífica dos animais, um enorme corcel branco quase duas mãos mais alto que qualquer um dos outros cavalos. O escudeiro de loiros cabelos permanecia imóvel diretamente em frente do animal, tentando conservar as rédeas em suas mãos sem que tivesse muito êxito nesse trabalho. Aquele impressionante animal sem dúvida pertencia a Edward , uma besta adequada para a estatura do barão.
Edward assinalou o corcel a Isabella , lhe indicando que devia ir para ele. Bella franziu o cenho ante sua ordem, mas logo pôs-se a andar instintivamente para o enorme cavalo. Quanto mais perto estava dele, mais assustada se sentia. Um negro pensamento foi cristalizando no canto mais recôndito de sua confusa mente.
Santo Deus, não ia deixá-la ali.
Isabella respirou fundo, tentando acalmar-se. Disse-se que estava muito afetada para pensar com claridade. Pois claro que o barão não ia leva-la consigo. Por que ia fazer tal coisa, quando ela não era importante o bastante para tomar a atenção dele?
Decidiu que mesmo assim precisava ouvir sua negativa.
- Não pensará me levar contigo, não? - balbuciou. Sua voz soou claramente enrouquecida pela tensão, e soube que não tinha conseguido evitar que o medo chegasse a fazer ato de presença nela.
Edward foi até Isabella. Agarrou-lhe o saco e o jogou para seu escudeiro. Então Isabella teve sua resposta. Elevando o olhar para Edward, viu-o montar rapidamente e logo lhe estender a mão.
Isabella começou a retroceder. Que Deus a ajudasse, mas ia desafia-lo. Sabia que se tentasse subir naquele garanhão iria correr o risco de desmaiar, ou pior, gritar. Para ser sincera, Isabella acreditava preferir a morte à humilhação.
O corcel lhe dava ainda mais medo que o barão. Bella sentia falta da educação, e não possuía nenhuma instrução das habilidades básicas que compunham a arte de cavalgar. Lembranças de uns dias em que ela ainda era muito jovem, quando Caius tinha utilizado aquelas escassas lições de cavalgar como uma ferramenta a mais para obter sua submissão, ainda retornavam a sua memória de vez em quando. Agora que já era toda uma mulher, Bella se dava conta de que não havia razão alguma para todos esses medos dela, mas mesmo assim a criança assustada que havia dentro dela continuava rebelando-se com um temor tão obstinado como carente de lógica.
Deu outro passo para atrás. Então sacudiu lentamente a cabeça, rechaçando a ajuda de Edward. Sua decisão tinha sido tomada. Com isso os obrigaria a matá-la se o barão realmente estivesse disposto a fazer tal coisa, mas Isabella não ia subir ao corcel.
Sem pensar nem por um só instante em aonde ia, Isabella deu meia volta e pôs-se a andar. Tremia de tal maneira que deu vários tropeções. O pânico ia crescendo rapidamente dentro de seu ser até que terminou vendo-se quase cegada por ele, mas mesmo assim manteve o olhar firmemente dirigido para o chão e continuou andando para diante, dando um passo resolvido detrás de outro.
Deteve-se quando chegou ao corpo mutilado de um dos soldados do Caius. O rosto do homem se achava horrivelmente desfigurado. Aquele espetáculo demonstrou ser o ponto mais à frente do qual Isabella já não podia seguir adiante. Ficou imóvel ali, no centro do lugar onde inúmeros corpos estavam, contemplando ao soldado morto até que ouviu o eco longínquo de um grito cheio de agonia. O som não podia ser mais dilacerador. Isabella levou as mãos aos ouvidos para tratar de sossegar aquele ruído, mas a ação não serviu de nada. O horrível som a seguiu em sua mente.
Edward esporeou seu cavalo fazendo-o avançar assim que ouviu que Isabella começava a gritar. Chegou até ela, inclinou-se e a tomou em seus braços, levantando-a rapidamente do chão sem que tivesse necessidade de fazer algum esforço para isso. .
Isabella deixou de gritar assim que ele a tocou. Edward dispôs sua grossa capa até que sua cativa ficasse completamente coberta por ela. O rosto de Isabella descansava sobre os elos de aço de sua couraça, mas mesmo assim Edward dedicou tempo e atenção a jogar para diante uns quantos pregas da capa dela, de tal maneira que sua bochecha ficasse em cima do suave forro de pele de ovelha.
Nem por um só instante lhe pareceu que houvesse nada de estranho naquele repentino desejo de tratá-la com delicadeza. A imagem Isabella ajoelhando-se ante ele e tomando seus pés quase congelados debaixo de seu próprio vestido para lhes dar calor passou por seus pensamentos. Aquilo tinha sido um ato de bondade, e agora Edward não podia fazer menos por ela. Depois de tudo, ele era o único responsável pelo sofrimento de Isabella.
Edward deixou escapar um prolongado suspiro. Por todos os infernos, e pensar que além disso tinha começado sendo um plano tão fácil de levar a cabo! Sempre se podia confiar em uma mulher para que se complicasse tudo.
Agora havia muitas coisas que tinha que voltar a examinar. Embora o barão soubesse que Isabella não era consciente disso, não cabia dúvida de que ela tinha complicado tudo. Disse a si mesmo que teria que colocar um pouco de ordem em toda aquela confusão. Agora o plano se viu alterado e isso não lhe agradava, porque Edward sabia, com uma certeza que o assombrava e o enfurecia, que nunca deixaria Isabella partir.
Edward segurou a sua cativa com mais força e finalmente deu o sinal de partida. Ficou para trás com a finalidade de formar o fim do cortejo. Quando o último de seus soldados saiu dali, e já só se encontrava flanqueado por Jasper e o jovem escudeiro, dedicou uns minutos preciosos a contemplar a destruição.
Isabella jogou a cabeça para trás para poder ver claramente o rosto de Edward. Este teve que sentir como ela elevava o olhar para ele, porque baixou lentamente a sua até que se encontrou olhando-a diretamente aos olhos.
- Olho por olho, Isabella - disse-lhe.
Bella esperou a que lhe contasse algo mais, que explicasse algo, o que tinha feito seu irmão para provocar semelhante represália. Mas Edward se limitou a seguir contemplando-a em silêncio, como se estivesse desejando com todas suas forças que ela entendesse. Isabella já tinha compreendido que ele não ia oferecer nenhuma desculpa para ser tão implacável. Os vencedores não precisavam justificar-se.
Voltou-se para as ruínas e então se lembrou de uma das histórias queseu tio lhe tinha contado.
Padre Berton, seu tio, tinha falado a respeito das guerras púnicas que se livraram na antigüidade. Havia muitas histórias que tinham acontecido com o passar do tempo, a maioria das quais eram bastante mal vista pela Santa Igreja. Mas mesmo assim o padre Berton as tinha repetido para Isabella.
A batalha que acabava de presenciar tinha feito com que Isabella se lembrasse da história de Cartago. Durante a terceira e última guerra entre dois grandes poderes, os vencedores destruíram por completo a cidade assim que Cartago tevesse caído. O que não tinha sido queimado até converter-se em cinzas tinha sido enterrado debaixo do fértil chão. Nenhuma pedra foi permitida a ficar em cima de outra. Como última medida, os campos foram cobertos com sal para que nada crescesse ali no futuro.
A história se repetia aquela noite; agora tanto Caius como tudo aquilo que lhe pertencia estavam sendo profanado.
- Delenda est Carthago (Cartago precisa ser destruída) - sussurrou Isabella para si mesmo, repetindo o juramento feito há tanto tempo por Cartilha, um tribuno da antigüidade.
A observação que Isabella acabava de fazer deixou Edward um pouco surpreso, e ele se perguntou de como ela tinha conhecimento daquela historia.
- Certo, Isabella. Igual a Cartago, seu irmão deve ser destruído.
- E eu também pertenço ao Cai... a Cartago? - perguntou Isabella, negando-se a pronunciar o nome de seu irmão.
- Não, Isabella. Você não pertence a Cartago.
Bella assentiu e depois fechou os olhos, inclinando-se para diante até que ficou apoiada no peito dele.
Edward utilizou sua mão para lhe levantar o queixo, obrigando-a a que voltasse a olhá-lo.
- Não pertence ao Caius, Isabella - disse-lhe - . A partir deste momento, pertence a mim . Entendeste?
Isabella assentiu com a cabeça.
Edward afrouxou a pressão com que a sujeitava quando viu o muito que a estava assustando. Seguiu contemplando-a por um instante e logo muito devagar e, com muita delicadeza, cobriu-lhe a face com a capa.
Desde seu cálido esconderijo junto a ele, Isabella falou em um sussurro:
- Preferiria não pertencer a nenhum homem.
Edward a ouviu. Um lento sorriso atravessou seu rosto. O que lady Isabella quisesse ou deixasse de querer não significava absolutamente nada para ele. Porque agora lhe pertencia, querendo ou não.
Lady Isabella tinha selado seu próprio destino.
Tinha-lhe esquentado os pés.
Fim do Sengundo Capitulo.
Adriana Paiva: A historia é fantastica, eu realmente me apaixonei por ela, tem a dose perfeita de tudo aquilo que queremos encontrar em um livro. Por isso senti a necessidade de dividir com o maior numero de pessoas possiveis essa obra, eu me apaixonei pelo personagem do Edward. Bom, espero que goste mais ainda.
Nana:Claro que posso te mandar o e-book. Me adiciona no meu e-mai: milateixeira_ , contudo, deixa-me te avisar, o e-book desse livro é um tanto confuso. Eu tive que fazer algumas mudanças, mudar algumas palavras e expressões por serem MUITO complicadas, e as vezes ate sem sentindo. Mas eu te passo sim.
Bibi: O nome do livro é Esplendor da Honra de Julie Garwood, mas se você quiser baixar não vai encontrar com esse nome, procure [no 4shared] por Honra e Paixão. Também sou apaixonada por romances epicos.
Angel Cullen McFellou: Oii, bem vinda. Fico feliz que tenhas gostado.
Giovana: Sim, tem o livro e é fantastico.
Bom, beijos e ate mais.
