Capítulo 03 – Entrevistas

Iruka olhou sua lista que continha o nome dos interessados nas vagas de garçom, franziu o cenho, observou novamente o nome, um arrepio percorreu por sua coluna, encarou o garoto com cerca de quatorze anos e expressão fechada a sua frente.

- Sasuke Uchiha, certo? – Iruka tentou acomodar-se o melhor que podia com aquele olhar.

- Sim – Falou o garoto sem alterar sua expressão.

- Pelo que vi em sua ficha você é bem jovem e você tem preferência pelo período integral, mas como ficaria seus estudos? Você ainda estuda, correto? - Iruka necessitava de alguém em período integral, mas não poderia sacrificar os estudos do garoto.

- Meu irmão me auxilia nisto, nunca fui à escola. - Iruka o olhava espantado com a falta de emoção que ele emanava.

- Hum...- uma lembrança desagradável cruzou sua mente... - O meu irmão virá fazer a entrevista para uma das vagas de garçom, por gentileza o contrate! Ele será uma boa aquisição para a doceria, além de também será muito divertido pra mim, não acha?! - depois da solicitação, Sai dá as costas para si e deixa o local - Iruka sente novamente o arrepio ao recordar-se de seu novo ajudante de cozinha... mas, não tinha opção com tão poucos candidatos que lhe apareceu. – Bom, Sasuke, você está contratado! – informa sorrindo e ergue a mão para selarem o acordo.

- Hn.. – Sasuke observa a mão erguida ignorando-a, encara o moreno – Apareço aqui domingo de manhã, com licença.

Iruka suspira ao vê-lo ir embora. – Ai, ai, já vi que vou ter trabalho com esses garotos... Ele me assusta, não tanto quanto o outro, mas que me assusta, assusta!

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Uma menina de cabelo rosado e um sorriso gentil cumprimentou Iruka com um leve balançar de mãos – Olá, sou Sakura Haruno, prazer!

- Oi, sou Iruka Umino! – ele abriu um largo sorriso, estava satisfeito em entrevistar alguém normal, e ela é tão bonitinha – Você veio para a vaga de garçonete?

- Sim, senhor Iruka. – com um movimento com os dedos coloca um mexa de cabelo róseo atrás da orelha. – Mas eu ficarei só meio período, tudo bem?

- A senhorita estuda? – indagou.

- Sim, moro numa república, na zona leste da cidade, estou precisando trabalhar para manter os meus estudos! - diz seriamente.

- Compreendo, mas você mora sozinha? – perguntou Iruka curioso, nunca ouvira falar em repúblicas, uma menina nova igual a ela, não poderia morar sozinha ou poderia?

Sakura estranhou a pergunta, como alguém conseguiria não saber que em uma república ninguém ficaria sozinho! Achou melhor responder tranquilamente - Não, moro junto a minhas amigas! E, desculpe, mas qual será o meu salário?

- Ah quem bom! Serão 15 cents a hora, tudo bem?!

A menina encarou-o incrédula – 15 cents a hora?!

- Sim... – respondeu sem jeito pelo tom que ela usara.

- Tá bom, né!!

Iruka respirou mais tranqüilo - Senhorita Sakura, então estamos acertados: você trabalhara comigo à tarde! Começamos domingo que vem!

Ela sorri despedindo-se – Então até domingo, Senhor Iruka.

- Até!

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Iruka tinha preparado uma bela chávena¹ de chá pra poder continuar esta última entrevista, estava muito agradável a conversa com o espevitado garoto de cabelos louros e olhos azuis, ele é um adorável menino, muito sorridente e comunicativo – Então... Naruto, certo?

- Isso!

- Na sua ficha não mostra se você já trabalhou antes... é seu primeiro emprego?

Ele coçou a cabeça - É que antes eu só trabalhava pro meu avô, mas ele é um muquirana e não me dava um centavo!! Aquele velho gagá quer que eu trabalhe de graça pra ele, você acredita?

- Hã...

Continuou - Deixa eu te contar: como eu não sou bobo nem nada, eu saí por aí procurando um emprego, vi umas coisas bem estranhas por aí, tem gente querendo tirar fotomaria minha... não era fotografia, isso! Nem aceitei! Fiquei muito bravo, achava que era algo sério... mas, foi quando que atropelei sua placa da calçada e vim aqui!

- Ah... – tentou articular com tantas informações que o garoto passara – Naruto, e o seu avô?! Ele não vai precisar de sua ajuda?

- Aquele ero-senin² tem um monte de gente trabalhando pra ele!! E todos ganham salário, só eu que não, porque eu sou neto... E por acaso neto é escravo?!

- Bem...

- Falando em escravo, quanto é o salário?

- Salário será de... hum... 15 cents a hora...

- Nossa!! Sério mesmo?!

-Sim... acha pouco?! É que é só esse valor que posso pagar no moment...

- Não, tá bom!! – interrompeu entusiasmado – Dá pra eu compra muitas coisas pra comer... Hum... Quando eu começo?

- Mas, nós temos que conversar sobre algumas coisas ainda!

- Tá... mas, o quê exatamente?!

-Ahm... Ah! Naruto você estuda?

- Estudo com o meu padrinho em casa, outro ero-senin, ele é um pervertido que vive com a cara enfiada nuns livros de adultos... Por quê?

- Porque temos que definir seu horário de trabalho! – lê a ficha – Aqui tá falando que você quer o período integral, e que horas você vai estudar?!

- Ah! Eu estudo depois, meu padrinho também tá sempre saindo, fica tranqüilo com isso!

- Se você tem certeza disso... então, Naruto, você está contratado, te vejo no domingo às seis, tudo bem?

- Ahm... mas tão cedo?! - Iruka franze o cenho - Brincadeira!! Eu venho sim, Chefe!

Naruto cumprimenta Iruka dá as costas saindo da loja. O moreno começa a juntar as xícaras refletindo – de todas as entrevistas que eu fiz, essa foi a mais divertida! – abre um sorriso – Que bom, que nessa cidade eu encontrei um garoto normal... aqueles dois irmãos me deram arrepio...

- CHEFE !!

Iruka quase derruba as xícaras pelo susto, vê o menino loiro ofegante parado na porta da loja, pensou: - Ah só falta ele ter encontrado outro emprego... - O que foi Naruto? Aconteceu algo? – o menino apóia as mãos no joelho tentando recuperar o fôlego.

- Chefe... tenho que perguntar algo muito importante! Quase esqueci!

O moreno encarou o outro tentando lembrar se tinha se esquecido de algo importante - O salário e os horários já conversamos, não foi?

- Não é isso chefe, é mais importante!

- E o que é!?

O garoto fitou seriamente o outro - Os funcionários podem comer o que é feito!?

Iruka fica observando Naruto por alguns instantes antes de responder, estava igual a um cachorro perdido.

- Ah chefe!! Fala que pode!! Eu adoro doce... por favor! – juntou as mãos implorando.

Iruka riu, concluindo mentalmente: - Na verdade, nessa cidade não tem nenhum garoto bom da cabeça... tô perdido!! – suspirou - Vocês podem comer, desde que não me dê prejuízo...

- IUPEEEEEE!! Pode deixar chefe não vou dar prejuízo!! Então até segunda-feira chefe! - O menino saiu correndo e pulando, Iruka se preocupou, ele poderia se machucar, suspirou novamente, olhando para os lados, vendo que estava sozinho, mas sabia que à partir da próxima semana seria diferente, ele ia trabalhar com sua nova e esquisita equipe...

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A manhã foi bem agitada com as entrevistas, Iruka agora estava cruzando a rua para chegar a uma pequena livraria, depois de algum tempo andando com Genma pela cidade conseguiu memorizar as ruas que levavam até a Confeitaria.

Assim que entrou pode sentir o cheiro dos livros velhos espalhados por diversas estantes, sorriu apenas por estar ali, adorava livros, parou quando encontrou 'O Misterioso Caso de Styles'³, seus olhos brilharam em expectativa, lera diversas vezes aquele livro quando estava na escola, mas nunca tivera a oportunidade de comprá-lo, segurou-o contra o seu peito aproximou-se do balcão não encontrando ninguém, suspirou em desanimo – Será que não tem ninguém?!

- O dono não está! – respondeu uma voz já conhecida, Iruka assustou-se, fazendo seu interlocutor rir – Como está, Iruka?

- Kakashi! Que susto você me deu! – falou virando-se e vendo-o sentado em uma escrivaninha com um livro nas mãos no fim da loja, encabulou-se com o modo que ele o encarava, desviou o olhar lembrando-se do livro – E você sabe se ele não vem pra cá?!

- Acho que não, ele já é velho, deve estar bem cansado... – perguntou levantando e aproximando-se - por quê?! Tem algo que você queira?

- Ah tá... – virou-se desanimado, colocando o livro na pilha – É que eu gosto muito dessa história, queria levar... mas não posso levar em pagar...

- Hum... – encostou seu corpo no de Iruka por trás, pegando novamente o livro entre os braços do moreno, e cochichando em sua orelha – Você pode levar... eu venho aqui sempre, converso com o velho!

Iruka arrepiou-se instantaneamente, segurando o livro e, conseqüentemente, a mão de Kakashi, tornou seu corpo de frente para o dele e cabisbaixo indagou – Não tem problema mesmo?

- Claro que não, é um presente meu! – sorriu puxando-o pelo queixo e proferindo um beijo em sua bochecha, adorando a vermelhidão de seu rosto – Mas, quero um doce para compensar!

Iruka riu – Mas, aí não é presente!

- Hum... tem razão! – falou pensativo – Então eu te acompanho até a confeitaria e você, gentilmente, me oferece um de seus deliciosos bolos, que tal?!

- Uma idéia adorável já que você é o meu guarda-costas! – comentou entrando na brincadeira rindo – Mas, não tem problema deixar a livraria aberta?!

- E quem assaltaria uma livraria velha?

Iruka ponderou abrindo a porta – Eu, oras!

Kakashi riu abertamente acompanhado pelo moreno – Você é um sujeito muito perigoso! Não posso bobear!

- Exatamente! Muito perigoso! Ah! Falando nisso, eu consegui contratar um ajudante de cozinha e garçons! Mas eles são... ahm... um tanto estranhos...

- Você não vai encontrar muitas pessoas normais por aqui... se encontrar desconfie! – advertiu enquanto andavam pela calçada, parou quando viu que o moreno fazer o mesmo – Que foi?!

- Mas, você é normal!

- Que bom que só você acha isso! - sorriu segurando em sua mão e atravessando a rua.

- Só eu?! Mas o que você faz pra ser estranho?!

- Nada de mais... mas, as pessoas não gostam muito de mim... vai saber!

- Eu gosto! – falou rápido – Você foi o meu primeiro amigo aqui! Se não fosse por você eu teria morrido!

- Hum... morrido eu não sei, mas que você ficaria todo quebrado, ficaria! – pararam na frente da confeitaria – Fico feliz que você me considere seu amigo, Iruka! E como amigo, você vai me oferecer o bolo para um morto de fome, não vai?!

- Talvez... tenho que pensar no seu caso! – ria enquanto observava a expressão canina no rosto de Kakashi, que tinha algo de muito semelhante com o que havia visto pela manha – Tô vendo que eu vou ter prejuízos com certas pessoas!

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Asuma estancou no meio da praça quando avistou Iruka andar lado a lado com Kakashi, como se fossem um casal de enamorados, rindo e conversando animadamente... tinha algo de muito suspeito no Pequeno... Raidou, Genma e agora o Capo dos Assassinos dos Gamabunta?!

Teria que agir mais incisivamente... teria que investigá-lo, também, pessoalmente...

Continua...

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Notas:

1. Uma chávena ou xícara no Brasil é um pequeno recipiente em forma de taça com uma pega ou alça que a permite sustentar com o polegar e um ou dois dedos. Geralmente são feitas de cerâmica, porcelana principalmente, mas também se podem encontrar chávenas de vidro. (Wikipédia)

2. Não podíamos deixar de colocar o apelido mais legal dele!

3. The Mysterious Affair at Styles, romance policial de Agatha Christie, publicado em 1920. No meio da noite, a rica proprietária da mansão Styles é encontrada morta na sua cama, aparentemente vítima de um ataque cardíaco. As portas do quarto estavam trancadas por dentro e tudo indicava tratar-se de morte natural. Mas o médico da família levanta uma suspeita: assassinato por envenenamento. Todos os hóspedes da velha mansão, inclusive seu 2° esposo e seus enteados John e Lawrence tinham motivos para matar a Sra. Inglethorp e nenhum deles possui um álibi convincente. Para solucionar o crime entra em ação o detetive Hercule Poirot e seu fiel amigo capitão Arthur Hastings, que fazem as suas estréias neste intrigante caso. (Wikipédia)