- Harry, o que está havendo? – questionei preocupada. - Por que estava brigando com Rony? – questionei preocupada.

O bruxo sentou na cama e me colocou em sua frente.

- As coisas se complicaram, Mione. – ele passou a mão no cabelo e desviou os olhos.

- O que aconteceu com a Gina? – Harry me olhou com tristeza. – Você e Rony estavam brigando por ela! Ninguém me disse nada, nem ao menos tocaram no nome dela. Pensei que ela pudesse estar tão machucada quanto eu, por isso não veio me ver, mas ela não está aqui não é? – o rosto torturado de Harry me apavorou . – Ela não... Harry! Me diga que não...

- Ela está viva, Mione. – Ele esticou os braços e me trouxe para mais perto. – Logo depois que você desmaiou, os reforços chegaram com Luna. Dúzias de Patronos surgiram do meio das árvores, Voldemort estava tão encantado olhando como você estava perto de receber o beijo do dementador, que somente se deu conta do que estava acontecendo quando os dementadores começaram a fugir. Os comensais assustaram-se e a maioria de nós conseguiu fugir deles. Voldemort estava irado com tudo, da onde estava eu podia ver seus olhos procurando os meus. Mas eu não podia pensar em outra coisa a não ser você. E então... – ele fez uma pausa. - Então quando cheguei perto pensei que a tivesse perdido, havia tanto sangue... – parou de falar e se soltou o ar com força.

- Harry... – sussurrei abraçando-o com força.

– Você não estava respirando bem, e eu tinha que tirá-la de lá de qualquer maneira. Foi então que algo explodiu perto de mim, e eu fui jogado para longe. Quando abri os olhos senti alguém me ajudando a levantar e logo em seguida vi Luna colocando em minha mão a minha varinha. Um grunhido alto e feroz se sobrepôs ao barulho da batalha, vi Greyback correndo em sua direção, ele a agarrou e correu. – Harry fechou os olhos com força. – Eu corri o máximo que pude e lancei uma maldição imperdoável, um crucio. Ele caiu e você também. Bastou um olhar para que Luna entendesse. Ela correu para o seu lado e desaparatou.

Eu estremeci de medo.

- E então as únicas coisas que lembro depois disso são dos olhos de Voldemort me encarando, do grito de Gina quando Greyback a encurralou e por fim uma dor insuportável.

- Harry! – uma voz grossa inundou a barraca e imediatamente eu me soltei do bruxo. Olhei para a entrada e vi Lupin. – Tem um minuto?

Ele assentiu e me olhou.

- Fiquei aqui. – apertou minhas mãos e eu retribuí o gesto. - Volto já.

A tarde chegava ao seu fim e o sol começava a se esconder em meio às árvores distantes. Esse era um dos dias mais quentes desde que havíamos chegado e montado acampamento. Mas eu não sentia o calor, pelo contrário tremia de frio.

Deitada cama, eu segurava com toda a firmeza um cobertor pesado e grosso.

O que Harry havia me contado tinha o terrível poder de tirar todo o meu calor e fazer desaparecer a pouca esperança que havia crescido dentro de mim. Quando abri os olhos pela primeira vez depois da emboscada, inocentemente tinha achado que tudo estava bem.

Um barulho perto da barraca despertou a minha atenção e eu não precisei esperar muito tempo para ver Córmaco entrando. Fechei os olhos e respirei fundo.

- Hermione. – disse ele alegremente, e eu senti o colchão ondular.

Abri meus olhos e vi o garoto sentado ao meu lado. Recuei um pouco e tentei sorrir.

- O que faz aqui, Córmaco?

- Queria apenas saber como você está, depois de ter visto a briga de seus dois melhores amigos.

- Eu estou bem. Não precisa se preocupar! –olhei para a entrada, desejando que alguém entrasse naquele momento.

- Bem... – desviou os olhos. - Na verdade eu achei que você ficaria ao menos abalada ao ver Greyback aqui, ainda mais ele estando a sua procura... – o garoto me encarou e por seu semblante de preocupação, percebi que ele notou o medo e a surpresa que eu tentava não demonstrar. – Eu disse alguma coisa errada? Você está pálida, Mione. – chegou mais perto e colocou a mão em meu rosto.

- Córmaco, por favor, não precisa se preocupar. – segurei seu pulso, mas ele manteve a mão no lugar. – Eu estou bem. – me afastei mais um pouco.

- O que está acontecendo? – a voz tensa e raivosa de Harry fez o garoto pular da cama.

- Estava apenas conversando com a Hermione. – disse rápido.

- Bem, a conversa acabou. Ela precisa descansar e eu ainda tenho que falar com ela. – o garoto assentiu.

- Até breve, Mione. – eu não respondi, apenas o segui com o olhar enquanto saia da barraca.

- Ele anda falando com você com freqüência, não é. Vi ele saindo daqui hoje mais cedo. – disse brusco.

- Achei que não tivesse visto. – murmurei.

- Sei de tudo o que diz respeito a você. Mesmo quando não me conta.

- Não queria te preocupar com essas besteiras, desculpe.

- Não são besteiras. – disse ao sentar na cama. – Ele está te incomodando, não é? Posso dar um jeito nisso, você sabe.

- Bem, me incomoda um pouco. E posso dizer que ele entra nas horas mais impróprias. – senti meu rosto esquentar, e não tinha o que fazer para disfarçar o rubor. - Mas não quero que vocês acabem brigando.

- O que ele viu quando entrou mais cedo? – perguntou com o cenho franzido.

- Não viu nada. Eu só...

- Hermione!

- Eu tinha acabado de sair do banho e estava apenas de toalha. – puxei Harry para perto quando vi o corpo grande enrijecido e as mãos se fechando. – Mas não aconteceu nada... eu fiquei constrangida. Ele queria saber como eu estava, só isso.

Harry me encarou por um tempo e respirou fundo.

- Prefiro não saber o resto por hora. Hoje o dia não foi fácil.

- Mas... não há resto. Não aconteceu nada. – por que eu nunca conseguia esconder nada dele?

- Há! Eu sei que tem mais coisa, Mione. Mas eu acabaria fazendo um estrago dos grandes se souber o que foi.

Eu apenas assenti quando o vi levantar.

Sem ânimo algum ele tirou o tênis, lançou um feitiço para bloquear a entrada da barraca e por fim deitou ao meu lado na cama. Passou as mãos no cabelo molhado pelo banho e suspirou.

Ficamos em silêncio por um tempo, abraçados. Sentindo a respiração um do outro. Eu respirei com mais força e tomei coragem. Tinha que saber de uma vez por todas o que estava realmente acontecendo. Levantei o rosto e vi os olhos verdes me olhando, coloquei uma mão em seu peito e perguntei:

- A Gina está mantida como refém?

- Hermione... – Harry virou o rosto, desgostoso.

- Harry, por favor, eu tenho que saber.

- Sim. – disse num sopro. – Ela está com eles.

- Por minha culpa. – disse em pânico. – Se eu não tivesse...

- Não! – bradou ele. – Não foi sua culpa, você não tem culpa de nada, Hermione.

- Eu tenho sim. – cobri o rosto com as mãos. – Se eu tivesse pensado melhor antes de agir... Deus, Harry, o que eu fiz?

- Mione, por favor. – ele puxou o meu corpo para mais perto do dele e me abraçou com força. Senti meu ombro latejar, mas não disse nada. – Você não tem culpa de nada, se alguém tem que ser apontado como culpado, sou eu...

- Não! – meus dedos pousaram em seus lábios. – Não é você, Harry, Sou eu. Eu o provoquei e ela foi pega em meu lugar, eu teria que estar lá fora com aqueles comensais. – um soluço escapou de meus lábios. – Eu! Não ela.

- Você não tem culpa de nada. – segurou meu rosto entre as mãos e beijou meus lábios. – Absolutamente nada, entendeu.

- Voldemort queria a mim, não a Gina. – murmurei. – Eu deveria estar no lugar dela, talvez eu possa falar com...

- Não irá falar com ninguém. Você está exatamente no lugar de onde jamais vai sair! Nunca a deixarei sair de meus braços, Mione. Nunca.

Aconcheguei mais a ele e mordi meu lábio com força, tentando reprimir mais uma pergunta. Mas mesmo com medo da resposta eu teria que saber.

- Harry... o que houve mais cedo? – sussurrei.

- Você já sabe, briguei com Rony por causa...

- Não. – interrompi balançando a cabeça. – Antes disso.

Harry não disse nada.

- Córmaco me disse que Greyback esteve aqui. – escondi meu rosto em seu peito. – Me procurando.

Mais uma vez o corpo masculino enrijeceu, ele estava furioso não tinha como não notar isso. Com um suspiro ele passou os braços por minha cintura e eu estremeci.

- Ele queria propor uma troca. – Harry me olhou e eu engoli em seco. – Você pela Gina.

Arregalei os olhos e me agarrei mais a ele.

- Eu neguei, mas Rony queria que a troca fosse feita. Por isso brigamos. Não sei como ele foi capaz de aceitar isso, as coisas apenas piorariam se assim fosse.

Fiquei em silêncio por um bom tempo. Pude sentir os olhares de Harry sobre mim. Ele estava preocupado, porque sabia o que eu estava pensando.

Aquilo tudo não estava certo, eu não deveria estar ali... Talvez a troca fosse o meio mais fácil de consertar tudo.
O medo sempre presente cresceu violentamente dentro de mim... Mas por mais doloroso que fosse eu tinha que fazer o certo.

- Hermione?

Harry me chamou, a preocupação pelo meu silêncio estava estampada em seu rosto. Eu sorri e o beijei suavemente.

- E o uso da maldição imperdoável?

Harry arregalou os olhos e se desconcertou. Nem eu sabia como aquela pergunta havia saído de meus lábios, mas me agarraria a ela antes que Harry pudesse descobrir algo de meus pensamentos.

- Bem... eu não vou ser preso por causa disso. Em situações como essa, o ministério faz vista grossa.

- Tem certeza? – mordi o lábio e o olhei cheia de dúvida.

- Uhum! – concordou ele. – Não se preocupe, querida. Perguntei para Lupin, ele confirmou.

Os dedos de Harry pousaram sobre o meu anel. Nossa aliança na verdade, embora usasse no dedo médio, e não no anelar. E ele... bem, um pouco de magia para alargá-lo e estava pronto para usar no polegar, assim ninguém saberia do nosso namoro.

Ele levou minha mão aos lábios e a beijou. Eu sorri encantada, ele baixou minha mão e segurou meu rosto. Me aproximei até que nossos lábios se encontraram, o puxei para mais perto e estremeci quando senti a mão grande e quente dele subir por minha cintura. Ofeguei por conta de seu toque e ele exigiu mais do beijo. Não pude conter um gemido quando sua mão pousou em meu seio, e agradeci mentalmente por Harry ter bloqueado a entrada da barraca. Quando senti o corpo dele em cima do meu e também seus beijos ousados descendo por meu pescoço, fechei os olhos com força e tentei apenas sentir as sensações maravilhosas, mas eu sabia que não iria dar certo, eu tinha que falar. Nunca conseguia esconder nada dele por muito tempo, ainda mais quando ele já desconfiava.

- Ele me beijou... – murmurei.

Harry parecia não ter ouvido, já que deslizou a mão por minha perna, fazendo meu corpo inteiro arrepiar. Seus lábios voltaram aos meus, mas antes que o beijo se aprofundasse ele mudou seu alvo, e foi direto para minha orelha. Quando mordiscou suavemente ali e logo em seguida sugou meu pescoço eu gemi contra seu ouvido. Ele sorriu e levantou o rosto.

- O que disse, meu bem? – perguntou e mordeu de leve meu lábio inferior.

- O que eu disse? – questionei, tentando ganhar tempo.

- Exato. – suas mãos novamente subiram por minha cintura e pararam muito perto da onde eu realmente queira que ele tocasse.

- Eu... – mordi o lábio e corei. – Córmaco me beijou.

Os beijos que distribuía por meu colo, imediatamente pararam. Harry levantou o rosto e eu vi seus olhos furiosos.

- Aquele maldito beijou você?

Ele se afastou de mim para levantar da cama, mas eu o segurei no lugar.

- Não. Não foi realmente um beijo... ele apenas encostou os lábios nos meus. Mas eu o empurrei... eu não quis. Ele me assustou, eu estava de toalha, não sabia o que fazer. Não podia correr... Harry, eu não queria, eu não sabia! Eu juro.

- Eu vou acabar com ele!

- Harry, por favor. – disse desesperada. – Não faça nada, ninguém sabe da gente, do nosso namoro. Por favor, Harry. Eu amo você. Só você!

- Eu sei, Mione. – passou a mão pelo cabelo e balançou a cabeça. – Mas não posso deixar as coisas assim! Não posso deixar que ele faça isso.

- Ele não vai fazer, não vai mais. Eu não vou deixar, eu não quero. Você sabe.

- Mione...

- Por favor, por favor.

- Você sabe o que está pedindo?

- Eu só não quero que você comece uma briga por causa disso. A situação já está caótica. – o olhei suplicante. – Desculpe por...

Ele soltou o ar com força e baixou a cabeça. – Tudo bem, Mione. Tudo bem. Você não tem culpa. - acariciou meu rosto e me olhou sério. – Mas se ele tentar mais uma dessas, ou ao menos tentar tocar você... – trincou os dentes e olhou para a entrada da barraca.

- Não vai Harry, eu juro. Vou manter distância.

- Eu sei, confio em você. – roçou os lábios nos meus e sorriu. - E eu também te amo.

Eu sorri e o puxei para baixo, ele novamente deitou sobre mim e eu recomecei o beijo. Ele retribuiu com vontade, seu corpo começava a relaxar e as carícias voltaram com força total.

Eu murmurei que o amava novamente e o ouvi sussurrar de volta!

Quando acordei no meio da noite e ele já não estava mais ao meu lado. Harry sempre voltava para a própria barraca com sua inseparável capa da invisibilidade. Suspirei aflita, mas me acalmei ao lembrar de nossos momentos. Tinha que me agarrar a eles para enfrentar o que estava por vir. Afinal... eu não deveria estar ali.