Título: Estranha Obsessão

Autora: Mary Spn

Beta: Thata Martins

Gênero: Wincest / AU

Sinopse: Dois irmãos em conflito. Um amor sem limites... Até onde uma obsessão pode nos levar?

Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, Sam e Dean não são caçadores. É Wincest, portanto, contém cenas de relações sexuais entre dois irmãos.


Estranha Obsessão

Capítulo 4

No domingo, Dean acordou cedo, tomou café, arrumou a casa e saiu para caminhar pelas redondezas. As coisas por ali não tinham mudado muito desde que fora embora, e agora Dean percebia o quanto tinha sentido saudade do lugar.

Era um bairro pacato, sem nada em especial, mas era ali que tinha crescido e guardava muitas lembranças boas.

Passou em frente à escola onde estudara e as lembranças de um Sam pequenininho e nervoso por causa do primeiro dia de aula vieram à sua mente. Era ele quem levava e buscava o irmão do colégio até que este tivesse idade para ir sozinho.

E mesmo quando Sam já era um garoto e não queria mais que ninguém o levasse para a escola, Dean ficava de longe, espiando, para ter certeza que ele ficaria bem.

Voltou para casa e começou a preparar algo para almoçarem, já que Sam não levantaria da cama tão cedo. Também não o culpava, pois seu irmão trabalhava a semana inteira, portanto, tinha todo o direito de descansar no final de semana.

Depois de algum tempo, Sam levantou e pegou uma xícara de café, tomando apressadamente.

- Bom dia pra você também! – Dean falou em tom de brincadeira.

- Bom dia! – Sam pegou uma maçã na fruteira e foi saindo...

- Aonde você vai? O almoço está quase... - Dean não chegou a terminar a frase, pois Sam saiu correndo feito um louco.

- A Jô já deve ter chegado! - Sam gritou da porta.

Sam foi correndo até o bar e parou na porta, sorrindo. Sua amiga estava abraçada com a mãe e não quis interromper aquele momento familiar. Arrependeu-se de ter ido lá tão cedo e já ia saindo quando ouviu Jô lhe chamar.

- Aonde o senhor pensa que vai, Samuel Winchester? - Jô fez cara de brava, mas correu ao seu encontro, pulando em seu pescoço - Eu senti tanto a sua falta!

- Eu também estava morrendo de saudades, Jô! - Sam a ergueu do chão e rodopiou.

- Vem, tem um montão de coisas que eu preciso te contar - Jô puxou Sam pela mão, o levando em direção à porta que dava para a casa.

- Vocês dois, voltem aqui! - Ellen falou com a voz firme e os dois se voltaram, estranhando a sua atitude.

- O que foi agora, mãe?

- Se quiserem conversar vai ser aqui no bar ou na sala lá de casa. Nada de irem pro seu quarto, ouviu bem, Joanna Beth Singer?

- Mãe! - Jô falou aborrecida.

- Estas são as regras! - Ellen reforçou e Jô saiu bufando, arrastando Sam junto com ela até a sala.

- O que foi que deu nela? - Sam não estava entendendo nada, pois antes os dois viviam trancados no quarto de Jô e Ellen nunca se opôs.

- Eu tive que contar a ela - Jô sorriu sem graça.

- Contar o quê? - Sam arregalou os olhos.

- Antes de eu ir viajar com o meu pai, ela veio com aquela conversa, sabe? Dizendo para eu ter cuidado e toda aquela conversa de mãe, achando que eu ainda era... Virgem.

Sam sentou no sofá e escondeu o rosto entre as mãos, não acreditando no que tinha ouvido.

- Jô, eu trabalho com a sua mãe no bar. Você podia pelo menos ter me avisado!

- Eu quis, mas ela não me deixou ir até a sua casa e depois o papai não me deixou sozinha por um minuto sequer, para que eu pudesse te ligar.

- E agora? Eu aposto que ela só não me mandou embora porque meu pai morreu e ela ficou com pena de mim.

- É claro que não, seu idiota! E já fazem dois anos, Sam. Que diferença isso faz agora?

- Ela confiava em mim e agora deve achar que eu me aproveitei de você!

- Ela deve estar achando é que eu me aproveitei de você! - Jô deu risadas - Agora esquece este assunto, que eu tenho muita coisa pra te contar. Mas primeiro eu quero saber de você.

- Saber o quê? - Sam ainda estava emburrado.

- Como você está agora que o Dean voltou?

- Eu estou bem, mas o Dean não vai ficar, ele... Ele logo vai embora de novo.

- Eu pensei que... Agora que ele está formado, que ele fosse ficar por aqui.

- O Dean está noivo, Jô.

- O quê? Como assim? Ele nem tinha namorada!

- Ele tinha, só eu que não sabia. O meu pai escondeu de mim - A mágoa era aparente em sua voz.

- Sam... Eu sinto muito! - Jô sentou ao seu lado e o abraçou.

- Eu vou ficar bem. É só uma questão de tempo. Logo eu vou pra faculdade e isso tudo vai ficar pra trás. Agora me conte as novidades, vai? Eu não quero mais falar sobre o Dean.

Sam ficou quase uma hora ouvindo Jô contar sobre a viagem, e quando voltou para casa Dean já tinha almoçado sozinho e estava sentado na sala, lendo um livro.

Sam almoçou, conversaram um pouco e passaram o restante do domingo assistindo baseball na televisão e jogando videogame, como nos velhos tempos. Ou quase como nos velhos tempos. Porque Sam percebeu que Dean agia de um modo diferente.

O mais velho quase não falava da sua vida e parecia distante. Mas o moreno resolveu deixar para lá e aproveitar os poucos momentos em que conseguiam ficar juntos sem brigar.

Na segunda-feira o dia seguiu normalmente, Sam foi para o trabalho no escritório de advocacia enquanto Dean foi tratar da papelada do seguro de John.

Quando o mais novo voltou do trabalho, Dean o esperava, um pouco ansioso.

- Sammy, adivinha só?

- O que foi? Por que você está tão empolgado?

- Eu tenho boas notícias. Quero dizer, dentro do possível, não é?

- Fala de uma vez!

- Eu fui assinar os papéis do seguro, e... Bom, o papai deixou uma boa quantia em dinheiro, Sam.

- Deixou?

- A apólice de seguro dele não era tão mixuruca assim, você sabia disso?

- Eu nem sabia que ele tinha seguro de vida, Dean!

- Por que é que isso não me surpreende? – Dean alfinetou e Sam revirou os olhos – Mas olha só... Pelos meus cálculos vai dar pra quitar a hipoteca da casa e ainda vai sobrar pra pagar a sua faculdade. Você não vai precisar esperar por uma bolsa, Sam! Isso não é o máximo?

- É estranho.

- O que é estranho?

- Quer dizer que eu devo ficar contente por um dinheiro que nós recebemos pela morte do papai?

- Eu tenho certeza que ele fez isso porque não queria nos deixar com dívidas caso isso um dia acontecesse, entendeu?

- Eu sei, mas... Não deixa de ser estranho, não é? – Sam de repente ficou triste, como se a realidade finalmente o atingisse – Você pode usar esse dinheiro para o seu casamento, Dean. Eu não me importo em esperar por uma bolsa, posso me virar.

- Esse dinheiro vai para a sua faculdade e assunto encerrado, ok? É o que o papai iria querer, eu tenho certeza disso.

- Tanto faz – Sam deu de ombros – Eu vou até o bar, já estou atrasado.

- Você não precisa mais fazer isso.

- O quê?

- Não tem mais necessidade de você trabalhar naquele bar. Não temos mais a hipoteca pra pagar, você pode ficar em casa e estudar.

- Se eu ficar em casa eu enlouqueço, Dean. Eu quero continuar trabalhando, ainda tem quase meio ano até eu ir pra faculdade.

- Você é quem sabe.

A noite passou rapidamente, como todas as outras. Por isso Sam não se importava em trabalhar, quanto mais mantinha sua mente ocupada, melhor.

Só estava evitando ficar a sós com Ellen, porque depois do que Jô contara a ela, tinha certeza que seria demitido ou pelo menos levaria uma bronca da mulher.

- Sam, você pode vir aqui um pouquinho? – Ellen o chamou, quando só restavam alguns poucos fregueses no bar.

- Eu preciso atender a mesa sete, ver se eles querem mais alguma coisa – Sam tentou fugir.

- Eles já estão satisfeitos, Sam. Logo estarão indo embora.

- Mas...

- Sem mas, agora senta aqui um pouquinho, por favor? - Ellen apontou para a banqueta na frente do balcão.

- O que foi? - Sam por fim se sentou.

- Você por acaso está fugindo de mim?

- Eu? Claro que não! - Sam não conseguiu esconder o nervosismo.

- A Jô te falou, não foi?

- Ellen, eu não... Quero dizer, foi uma vez só, e... - Ellen o olhou atravessado - Tudo bem, talvez duas ou três, mas...

- Eu não estou chateada com você, Sam.

- Não? – Sam suspirou aliviado.

- Talvez um pouquinho só. Mas não pelo que aconteceu, e sim por você não ter me contado.

- Ellen, como é que eu ia contar uma coisa dessas pra você?

- Certo, você tem razão. Mas a Jô deveria ter contado. Eu não entendo por que ela escondeu isso de mim o tempo todo.

- Não entende?

- Eu apoio ela em tudo, o que mais eu preciso fazer pra que ela confie em mim?

- Não é uma questão de confiança, Ellen. É claro que ela confia em você, mas...

- Mas?

- Mas você meio que fica tentando proteger ela de tudo e é disso que ela não gosta.

- Eu sou a mãe dela! O que você quer que eu faça? Se eu digo uma coisa, ela faz o contrário. Eu não sei mais o que fazer. Olha essa viagem com o Bobby. Tenho certeza que ela fez isso só pra me provocar.

- Ele é o pai dela, Ellen!

- Mas ele é um irresponsável!

- Foi você quem se casou com ele – Sam teve que rir.

- Precisa me lembrar disso? Mas eu me separei!

- Olha, ela se divertiu muito com ele e voltou inteirinha, você tem que admitir.

- Ok! Obrigada pelo apoio.

- Desculpe.

- Tudo bem. Agora, voltando ao assunto, eu só queria te dizer que... No fundo, eu fiquei feliz, ou melhor, aliviada que a primeira vez dela tenha sido com você. Eu sei que você é um bom rapaz e que a tratou com carinho e respeito.

Sam se sentiu constrangido e não disse nada.

- E fico feliz também que isso não tenha afetado a amizade de vocês.

- Eu já posso ir? – Sam estava desconfortável com a conversa.

- Pode sim, meu anjo. E tome cuidado na rua, ok?

- Sim, mamãe! – Sam sorriu e beijou a bochecha de Ellen antes de sair.

Enquanto caminhava de volta para casa, Sam ficou pensando sobre o que Dean dissera. Sempre quis ir para a faculdade, mas agora que este sonho estava tão próximo de se realizar, já não parecia mais tão empolgante. Sentia um aperto no peito, mas nem era o fato de ir para a faculdade, e sim, que ficaria por muito tempo longe do seu irmão.

Provavelmente enquanto estivesse por lá Dean se casaria, construiria uma família da qual ele não faria parte. E não estava preparado para isso. Amava o seu irmão com todas as suas forças e não deixaria que uma biscate qualquer o levasse embora assim, sem ao menos lutar.

Entrou em casa e viu que Dean estava na cozinha, com alguns papéis e uma calculadora em cima da mesa.

- Hey! – Cumprimentou sem ânimo algum, enquanto se servia de um copo d'água.

- Hey! Saiu mais cedo hoje? Não tinha movimento no bar? – Dean perguntou por perguntar, sem desviar os olhos dos papéis.

- A Ellen me liberou.

- E como é que estão a Jô e o Bobby?

- A Jô está bem. O Bobby eu não vi ainda – Sam respondeu sem vontade.

- Se quiser comer, tem lasanha no micro-ondas.

- Eu não estou com fome.

- Você nunca está com fome! – Dean finalmente o encarou – Do que você vive, afinal?

- Não me enche, Dean! – Sam falou e subiu as escadas quase correndo, rumo ao quarto.

Dean levantou da cadeira e foi atrás, já estava cansado das malcriações do seu irmão. Quando entrou no quarto, Sam estava em frente à janela, olhando para fora.

- Qual é o seu problema, hein?

Sam se virou para encarar o irmão.

- Nenhum, por quê?

- Por quê? Você chega em casa com essa cara, não fala nada e vive descontando sua raiva em cima de mim!

- Eu só não estou a fim de comer, nem de conversar.

- E eu já estou cansado dessas suas atitudes!

- Então por que você ainda está aqui? Hein? O papai já foi enterrado, você já pode voltar pra sua noiva e pra sua vidinha bem longe de mim! – Sam falou com mais rispidez do que pretendia, a raiva explodindo dentro do peito.

- Eu ainda tenho assuntos pendentes pra resolver, eu...

- O advogado está cuidando de tudo, não está?

- É isso o que você quer? Que eu vá embora?

- Por que você está aqui, Dean?

- Porque nós ainda somos uma família, Sam. Eu me importo com você e quero ter certeza de que você vai ficar bem.

- Eu estou bem. Se for isso o que está te impedindo...

- Por que toda essa raiva, Sam? Eu pensei que nós tivéssemos combinado de voltar a ser como antes.

- Nunca vai ser como antes, você sabe.

- Por que não?

- Por quê? Porque antes você não tinha medo de chegar perto de mim. Antes você não esperava até que eu estivesse dormindo pra vir para o quarto se deitar. Antes você saía comigo porque gostava, e não como se isso fosse uma obrigação.

- Você não sabe o que está falando... Eu fiquei um ano longe, é claro que algumas coisas mudaram. Mas isso que você disse não é verdade.

- Não mesmo? – Sam chegou mais perto.

- Claro que não.

- Então por que não fica aqui comigo? Pra sempre?

- Sammy... Eu já te falei que...

- Que você está noivo. Claro. – Sam falou com ironia.

- Sam...

- Como você consegue, Dean?

- O quê?

- Como você consegue fazer de conta que está tudo bem? Que você vai se casar com a... Sei lá o nome dessa...

- Danneel. O nome dela é Danneel.

- Que seja! Você acha mesmo que vai se casar com a Danneel e ser feliz para sempre? Que vai esquecer o que nós...

- Você precisa esquecer o que aconteceu aquela noite, Sam!

- Não foi só aquela noite, Dean. Não se faça de idiota!

- Sammy...

- Um ano não pode ter mudado você tanto assim.

- Eu não mudei! Eu só estou seguindo a minha vida e você deveria fazer o mesmo!

- Me desculpe, mas eu não consigo ser tão hipócrita – Sam se aproximou perigosamente, deixando Dean encurralado entre ele e a parede do quarto – Agora diz pra mim que você não sente nada além de amor fraterno por mim... Diz que não sente nada quando eu me aproximo, diz que você não tem uma vontade louca de fazer aquilo de novo... Hein, Dean?

- Sam, não faz isso, eu não quero brigar com você.

- E se eu continuar, o que você vai fazer? Me bater? – Sam encostou ainda mais, colando seus corpos e colocando seu rosto a poucos centímetros do de Dean.

- Sammy – Dean engoliu em seco, sem conseguir se mover.

- Olha nos meus olhos e diz que não sente nada, que é imaginação minha o que eu vejo cada vez que você me olha...

- Eu... Eu não... Para com isso, Sam! – Dean falou sem convicção alguma.

- Me diz que assim como eu, você não tem esta vontade louca de esquecer que o mundo existe, e rolar comigo naquela cama... – A voz de Sam era quase um sussurro e agora seus lábios estavam a alguns milímetros de distância.

Sam roçou seus lábios nos do irmão muito sutilmente, sentindo a respiração do mais velho causar arrepios em seu corpo.

Seus lábios se tocaram, suavemente no início, até que Sam agarrou Dean pela cintura, enquanto o mais velho o puxou pela nuca, aprofundando o beijo.

Sam conduziu Dean até a cama mais próxima e o derrubou sobre ela, deitando em cima dele sem parar de beijá-lo por um segundo. Quando suas bocas se soltaram em busca de ar, Sam deslizou seus lábios pelo maxilar, até chegar ao pescoço de Dean. Beijou e deu leves mordidinhas na região, fazendo Dean ofegar.

Ambos ficaram excitados rapidamente e seus corpos se esfregavam, ainda vestidos. Sam colocou as mãos por dentro da camiseta do irmão, tocando sua pele, sentindo o seu calor.

Dean já não conseguia mais formar nenhum pensamento coerente, por mais que soubesse o quão errado era aquilo, por mais que lutasse contra o desejo que sentia, suas defesas iam ao chão cada vez que seu irmão se aproximava daquela maneira.

Não tinha forças para resistir, seu toque, seu calor, seu cheiro... Tudo em Sam o enlouquecia de uma forma que não sentia com mais ninguém.

Sentia as mãos grandes de Sam tocando a sua pele que queimava, sentia os lábios e a língua de Sam em seu pescoço e não tinha forças para parar, só conseguia querer mais...

Inconscientemente, Dean empurrava o seu quadril de encontro ao do irmão, em busca de alívio, gemendo e se deliciando com cada toque do mais novo.

Eu um instante só se ouviam gemidos naquele quarto, e no instante seguinte o barulho e a vibração irritante do celular em seu bolso lhes chamava a atenção.

Foi o que bastou para quebrar o clima, e embora Sam não estivesse disposto a parar, Dean o empurrou para o lado e atendeu a ligação.

- O-oi amor! – Dean atendeu, tentando controlar sua respiração ofegante, mas sem conseguir esconder o nervosismo.

Sam apenas balançou a cabeça, incrédulo. Levantou e saiu do quarto, batendo a porta com força.

Continua...


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