Capitulo quatro.
Recebi o chá de dona Riza quando ainda estava deitado no sofá. Havia me lembrado de Clarye, e qual era a ligação dela comigo e, com meu pai. Antes de morrer, eles haviam se casado. Minha mãe ainda não havia se recuperado da separação na época. Eu pouco me importei com que ele se casasse de novo, contanto que fosse feliz. E foi o que aconteceu.
* * *
Passou mais algumas horas e eu ainda estava de repouso. Não precisava daquilo, já estava me sentindo melhor. Levantei do sofá e fui me despedir de todas. Clarye estava lá ainda, se ofereceu para me levar para casa e não recusei. Se fizesse isso iria receber broncas de todas.
O silêncio foi absurdo. O caminho todo sem nenhuma palavra. Demorou cinco minutos pra chegar até minha casa de carro. Quando ela estacionou, tirei o sinto e abri a porta, senti algo puxando meu braço. Me virei e vi que era ela me segurando.
-Tem raiva de mim Milo? -Disse sussurrante segurando lágrimas que brotavam rapidamente.
-Porque eu teria? -Fitei-a levemente.
-Porque.. Porque.. Foi.. -Clarye começou a chorar num desespero intenso, soluçava.
Soltei-a de meu braço e abracei-a com força. Tive ela em meus braços com soluços ouvintes e com lágrimas caindo como chuva em dia de temporal. Passei a limpar estas que caíam dos olhos de Clarye e ergui seu rosto. Ela tentava dizer alguma coisa e tentei decifrar.
-Foi.. minha.. minha culp.. culpa ele ter... ter morrido.. -As mãos dela estavam grudadas em em minha camisa.
-Cal.. Calma Clarye, não foi.. Vamos, vamos entrar e conversar com mais calma.
Ela assentiu com a cabeça e desfez o amaço em minha camisa, soltando a mesma. Fomos até meu apartamento sem pressa. O porteiro havia visto a sena dentro do carro e por isso não demorou a abrir o portão para que nós passássemos, subimos as escadas até minha casa e abri a porta. Ela se sentou no sofá e logo fui preparar alguma coisa.
-Porque você disse que era culpada?
-Ahm. Você não se lembra de nada não é? -Ela pegou a xícara de café.
-Não, não lembro nada.
-Entendo. Bom, quando você foi passar as férias na casa da sua mãe, naquela época...
[ Clarye POV'S ]
-Se cuida tá bom? -Sorri para meu enteado lhe entregando a mochila.
-Beleza, e você por favor tome conta dele por mim. -Ele me apontou o pai.
Meu mais novo marido estava correndo mais que suas pernas podiam agüentar. Chegou em nosso alcanço ofegante pondo as mãos no joelho e ofegante. Ele tinha uma aparência jovial para a sua idade. Tinha o corpo moreno e forte, cabelos brancos até abaixo dos ombros lisos e presos. Uma barba mal feita formava em seu queixo, nada de muito informal.
-Filho, boa viagem, e mande lembranças à ela. -Deu um abraço no filho e lhe deu um beijo no rosto.
-O.K. Se cuida. -Milo retribuiu o abraço e eu apenas observei com um sorriso no rosto.
Eu não poderia ter um filho com meu marido, mas, podia dar o amor de uma mãe para aquele que ele tinha. Se ele aceitasse. Logo depois que saímos do Aeroporto, fomos para casa. Dentro do carro conversamos um pouco sobre aquela viagem, o pai de Milo não gostava nada daquilo.
-Vai ficar tudo bem, ele é um bom rapaz. Apesar de ter quinze anos, é muito maduro e responsável.
-Eu sei Clarye, mas, é aquela doença que ele tem. Não sei se Kiara vai cuidar bem dele.
-Ela é uma boa mulher meu amor. -Passava uma das mão no rosto dele enquanto o mesmo dirigia.
-Certo, deixamos isso para lá. -Ele sorria pra mim.
Chegamos depois de quarenta minutos rodando de carro em casa. Era humilde, porém aconchegante. Ficava no terceiro andar. Cumprimentamos Aioros e seu irmão Aioria e adentramos o apartamento. Me joguei troquei rapidamente e me joguei no sofá. Esperando meu amado.
Assistimos TV até a madrugada cair. Passamos aquela madrugada no quarto trancados aproveitando o vazio da casa. Mas não durou muito. Ele iria trabalhar no outro dia e eu também. Ele demorou a dormir. Ainda estava preocupado com o filho.
-Vamos amor, durma um pouco. -Sussurrava eu para ele.
-Não dá, eu não consigo.
-Consegue sim, vamos, você precisa.
-Tá eu tento. -Bufou ele ficando nervoso. Escorpianos.
Não sem a quanto tempo ele ficou acordado, logo quando nos abraçamos peguei no sono. Mas quando acordei, ele não estava mais na cama. Um soado no telefone me chamou a atenção e eu tive que levantar e atender.
-Alô? Ainda sonolenta atendi coçando os olhos.
-Cade ele Clarye!? Preciso falar com o Heros!
-Kiara?! -Respondi em seguida perdendo completamente o sono.
-Cade ele Clarye!? É sério! O Milo....
A linha caiu. Tentei discar o numero que apareceu na bina, mas só dava ocupado e quando chamava ninguém atendia. Corri para o quarto e me vesti de qualquer jeito. Peguei as chaves do carro, desci as escadas de dois em dois e cheguei na garagem. Pela ansiedade não conseguia abrir a porta do carro, quanto mais dar a partida. Droga!
Depois de alguns minutos já estava na rua acelerando e quebrando algumas muitas leis de trânsito. Pontos na carteira é que não iriam faltar. Cheguei rapidamente até o departamento onde Heros trabalhava.
Fui ignorante, pedi para que a atendente chamasse meu marido rápido, e disse que era de um assunto muito importante. Ele não demorou a aparecer. A secretária estava amedrontada com meu tom de voz. Minhas mãos tremiam.
-Heros.. Kiara ligou lá em casa não tem meia hora. Ela disse que queria falar com você... e que..
-Meu Deus! Milo! -Ele levou as mãos até a cabeça me olhando com agonia.
-Sim. Era sobre ele! -Disse eufórica.
-Você fica aqui, eu vou pegar o próximo vôo para Roma.
Não tardou. Me selou os lábios rapidamente e correu porta a fora seguindo caminho até o aeroporto. Não o vi mais. Quando sai para segui-lo, senti uma mão segurar meu braço. Virei meu rosto e encarei o homem. Loiro, expressões sérias e frias. Elegante.
-Me solta moço! Preciso ir até meu marido!
-Deixe ele ir. É caso com a família dele. -Respondeu ríspido.
-Quê? -O indaguei.
-Vá para casa e espere por ele lá.
-Não eu não vou! Quem o senhor pensa que é !? -Me debatia tentando me soltar.
-O chefe dele. Shaka. -Ele me soltou em seguida.
Fiquei parada olhando para os olhos dele, eram brilhantes e intensos. O cabelo dourado longo e a franja cortada caída para os lados. Ele era de fato, lindo. Roupas bem apropriadas, e tudo. Um homem igualmente vestido de cabelos vermelhos apareceu ao seu lado. Havia a mesma expressão do tal Shaka.
-Este á Camus. Meu sócio.
-Prazer. -Estendeu-me a mão.
-É todo seu. -Deu um leve aperto e logo soltei minha mão da dele. -Com licença.
Sai apressada daquele local. Havia algo neles que não me agradava. Peguei meu carro e parti para casa. Não havia mais nada que eu podia fazer. Apenas esperar. Cheguei em casa com o coração na mão. Nenhum parente deles, nenhum sinal de vida de ninguém. Aquilo corroía por dentro.
Já que havia perdido o horário do trabalho, me pus a ficar deitada na cama com o telefone ao lado para caso alguma coisa acontecesse por lá, ou aqui. Dormia pouco e me alimentava mal. Queria logo saber o que tinha acontecido. Não queria ficar parada ali esperando!
Peguei algumas coisas e parti. O avião para ir até França demoraria um pouco para sair. Alguns vôos atrasaram. Assim que consegui embarcar, a ansiedade crescia. Não parava, só crescia cada vez mais. Sabia onde Kiara estava. Antes de sair de casa havia pego na agenda o telefone e o endereço de onde ela morava.
Muitas horas se passaram até o avião pousar com calma. Soltei o sinto. Esperei minha bagagem. Era a última. Fui andando para fora do Aeroporto até encontrar um táxi. Entreguei o papel para ele. Nós não íamos nos comunicar muito bem. Aquilo era provado. Não sabia Frances.
Alguns minutos se passaram. O fuso-horário era uma desgraça! Estava sol e calor. Desci do carro e, me deparei com a casa onde Kiara morava. Bati algumas vezes na porta. Nada. Bati a segunda. Uma moça de cabelos ondulados e roxos apareceu, alta, olhos verdes e corpo esbelto. Ela estava vermelha, seus olhos acompanhavam.
-Deve ser a Clarye não é? -Ela disse com a voz tremula, limpando os olhos.
-Sim. Ham. Desculpe ter chegado assim do nada em sua casa, e com tudo isso acontecendo e..
-Clarye? -Ouvi a voz de Heros me chamar.
-Querido. Perdão. Mas …
-Tudo bem. Kiara.
Ela me deu espaço para entrar. Me senti uma intrusa, mas não ficaria longe do homem que eu amava, quanto mais do filho dele que, vivia com problemas de saúde. Andamos os três até o quarto onde Milo se encontrava. Ele estava dormindo, mas parecia desmaiado. Havia se passado um dia inteiro. Todos estavam cansados.
Eu e Heros nos abrigamos na casa de sua ex. Não dava para pagar mais nada nas condições que nos encontrávamos. O dinheiro que sobrará era para a passagem de volta dos três. Ou somente dois. E o tempo não passava naquele lugar. Era noite e o sol brilhava. Descansamos pouco.
-Heros...
-Sim?
-Ainda me ama? -Soltei as palavras que estavam presas em minha garganta.
-Claro que sim! Porque meu amor? -Ele me abraçou assim que sentei na cama ao seu lado.
-Por nada.. Só acho que, eu não devia estar aqui. -Disse baixo, colando meus lábios nos joelhos enquanto abraçava minhas pernas.
-Eu disse para você ficar. Mas, já que veio, vai ser um alívio para mim. Estar com a pessoa que amo, me dando forças e dando apoio ao meu filho.
-Tudo bem. -Sorri torto e o abracei também, lhe dando um beijo rápido nos lábios. -Te amo. -Sussurrei.
-Também te amo..
Continua.
N/A: Bom, primeiramente desculpa a demora okay? Escola tá comendo meu tempo!! Seguindo aqui a fic. Tive a idéia de fazer a Clarye contar a história toda para o Milo, e assim vocês também saberem o que realmente aconteceu! Mas não pensem que depois que isso acabar, a fic também vai. Hehehehe, vai ter muito mais coisas ainda.
~ A sim, o cap. Ele ficou curto eu sei =/ Mas o próximo eu prometo alongar. ;D
Então até o cap. 5 com a continuação \õ/ bjs bjs
