3 – A grande serpente
"There's danger on the edge of town Ride the King's highway, baby Weird scenes inside the gold mine Ride the highway west, baby "
"Ride the snake, ride the snake To the lake, the ancient lake, baby The snake is long, seven miles Ride the snake...he's old, and his skin is cold "
Com uma agilidade que não acreditava mais possuir, seguiu com passos rápidos o Diretor até a torre.( Mas vivia se enganando a respeito de tudo e todos, porque não a respeito de si mesmo e de seu corpo ? ).
A gárgula moveu-se ante a senha dita em voz suave por Dumbledore, desvendando a escada, cuja simples visão já permitia que ele se sentisse melhor... literalmente, subia de um pântano em direção ao poder de Hogwarts. Precisava desse poder, desesperadamente precisava desse poder para justificar sua vida... o mesmo poder que tinha matado a todos, em nome de um mundo melhor.
Mas Poder é assim, somente os fortes ficam com ele... ou os muito tolos.
E ele podia ser tudo, menos tolo.
- Não me sinto forte, Dumbledore... agora que tudo acabou, sinto que apenas sobrou o vazio... Fiquei vivo e sozinho, na terra de ninguém, e a terra quebra-se e morre ao contato de meus dedos.
- A terra nunca morre, acredite. E se ela se quebra... coloque sementes nos buracos formados.
- Minhas sementes são somente de ervas daninhas, Diretor... trago a praga onde vou. Herbologia não foi minha melhor matéria, lembra-se ? Disse sorrindo tristemente para o diretor.
- Mas quase foi... quase foi.
- Quase... tudo em minha vida é quase, Alvo ! Quase fui tudo... e hoje sou quase nada. Veja só o que sobrou ! Olha pra mim, veja só o que sobrou !!! - explodiu finalmente, com lágrimas indesejadas e insistentes fugindo dos seus olhos injetados. Subitamente era como se o cansaço dos séculos tivesse se apoderado dele, como se todas as lembranças ruins de uma vida inteira tivessem chegado todas juntas. Sentiu o familiar gosto de sangue na língua, e jogou-se de qualquer jeito em uma das poltronas, para dar um descanso ao corpo que implorava por isso. Não aguentava mais... não aguentava, só isso. Não era forte, não era poderoso, depois de tudo o que havia restado era apenas um homem doente, amargurado e sozinho.
- Gosta de azul ? Não, nunca gostou... mas é o que temos aqui para você, nesse momento. Vamos, vista-se adequadamente e vamos jantar.
- Prefiro ficar aqui, quieto, se não se importa.
- Mas o problema, meu caro, é que eu me importo. Vou pedir a um elfo que o conduza ao seu novo quarto, e traga seu jantar e arrume roupas mais compatíveis com seu gosto. E pelo menos coloque uma capa sobre você, meu caro... caso tenha se esquecido, temos alunas que decididamente enxergam muito bem por aqui e você, com essa roupa toda molhada, embrulhado numa de toalha pelos corredores de Hogwarts provavelmente vai chamar um pouco a atenção das estudantes – disse sem mais delongas, e saiu da sua sala.
O último comentário o fez relaxar e sorrir ... Dumbledore sempre conseguia. Sempre, sempre conseguia. Não era à toa que Voldemort sempre o temera, ele tinha classe... coisa que o "Lord" nunca tivera. E por isso estava morto, não por mais nada.
Jogando a amargura para fora, foi então pegar a capa que estavam sobre a cadeira, e cobriu-se, no exato momento que um elfo doméstico chegava para conduzí-lo a seus aposentos.
Ao virar-se para sair, seu último olhar da torre foi em direção ao lago argênteo... e as ondulações que a lula preguiçosamente fazia nele ao mover- se na superfície.
Como uma gigantesca serpente.
"There's danger on the edge of town Ride the King's highway, baby Weird scenes inside the gold mine Ride the highway west, baby "
"Ride the snake, ride the snake To the lake, the ancient lake, baby The snake is long, seven miles Ride the snake...he's old, and his skin is cold "
Com uma agilidade que não acreditava mais possuir, seguiu com passos rápidos o Diretor até a torre.( Mas vivia se enganando a respeito de tudo e todos, porque não a respeito de si mesmo e de seu corpo ? ).
A gárgula moveu-se ante a senha dita em voz suave por Dumbledore, desvendando a escada, cuja simples visão já permitia que ele se sentisse melhor... literalmente, subia de um pântano em direção ao poder de Hogwarts. Precisava desse poder, desesperadamente precisava desse poder para justificar sua vida... o mesmo poder que tinha matado a todos, em nome de um mundo melhor.
Mas Poder é assim, somente os fortes ficam com ele... ou os muito tolos.
E ele podia ser tudo, menos tolo.
- Não me sinto forte, Dumbledore... agora que tudo acabou, sinto que apenas sobrou o vazio... Fiquei vivo e sozinho, na terra de ninguém, e a terra quebra-se e morre ao contato de meus dedos.
- A terra nunca morre, acredite. E se ela se quebra... coloque sementes nos buracos formados.
- Minhas sementes são somente de ervas daninhas, Diretor... trago a praga onde vou. Herbologia não foi minha melhor matéria, lembra-se ? Disse sorrindo tristemente para o diretor.
- Mas quase foi... quase foi.
- Quase... tudo em minha vida é quase, Alvo ! Quase fui tudo... e hoje sou quase nada. Veja só o que sobrou ! Olha pra mim, veja só o que sobrou !!! - explodiu finalmente, com lágrimas indesejadas e insistentes fugindo dos seus olhos injetados. Subitamente era como se o cansaço dos séculos tivesse se apoderado dele, como se todas as lembranças ruins de uma vida inteira tivessem chegado todas juntas. Sentiu o familiar gosto de sangue na língua, e jogou-se de qualquer jeito em uma das poltronas, para dar um descanso ao corpo que implorava por isso. Não aguentava mais... não aguentava, só isso. Não era forte, não era poderoso, depois de tudo o que havia restado era apenas um homem doente, amargurado e sozinho.
- Gosta de azul ? Não, nunca gostou... mas é o que temos aqui para você, nesse momento. Vamos, vista-se adequadamente e vamos jantar.
- Prefiro ficar aqui, quieto, se não se importa.
- Mas o problema, meu caro, é que eu me importo. Vou pedir a um elfo que o conduza ao seu novo quarto, e traga seu jantar e arrume roupas mais compatíveis com seu gosto. E pelo menos coloque uma capa sobre você, meu caro... caso tenha se esquecido, temos alunas que decididamente enxergam muito bem por aqui e você, com essa roupa toda molhada, embrulhado numa de toalha pelos corredores de Hogwarts provavelmente vai chamar um pouco a atenção das estudantes – disse sem mais delongas, e saiu da sua sala.
O último comentário o fez relaxar e sorrir ... Dumbledore sempre conseguia. Sempre, sempre conseguia. Não era à toa que Voldemort sempre o temera, ele tinha classe... coisa que o "Lord" nunca tivera. E por isso estava morto, não por mais nada.
Jogando a amargura para fora, foi então pegar a capa que estavam sobre a cadeira, e cobriu-se, no exato momento que um elfo doméstico chegava para conduzí-lo a seus aposentos.
Ao virar-se para sair, seu último olhar da torre foi em direção ao lago argênteo... e as ondulações que a lula preguiçosamente fazia nele ao mover- se na superfície.
Como uma gigantesca serpente.
