A Lei da Sexualidade por Rakina

Tradução: Rebecca Mae
Beta-reading da tradução: Hanna Snape


Capítulo Quarto: Qualquer encorajamento.

Ponto de vista do HARRY:

Minha consulta com Remus me deixou certo de várias coisas: que eu gostaria de ter minha primeira experiência com um homem e que faria sentido que fosse um homem velho e poderoso o suficiente para me aceitar, bem como os riscos que eu trago de brinde, e quem sabe até me cogitar como consorte. Uma vez que eu aceitei tudo isto, subitamente minha mente parece dar mais alguns passos em direção ao meu despertar sexual.

Eu começo a prestar mais atenção nos homens: na aparência deles, no som de suas vozes, no formato de seus corpos, no modo como interagem uns com os outros, como se movem, qual o cheiro deles... Então começo a sonhar: sonhos eróticos quando durmo, fantasias quando estou acordado. De repente, meu cérebro parece achar sexo um dos temas mais fascinantes do mundo, a despeito do longo tempo em que este foi ignorado.

Descobri que não é como se houvesse muitos candidatos se matando pela chance de ser o Capacitador do Menino que Sobreviveu – não por aqui, de qualquer forma, e nem que eu possa confiar com segurança. Dos homens mais velhos de Hogwarts, os que não são velhos demais, pouquíssimos são os disponíveis e muito menos são aqueles com os quais eu me imaginaria numa cama. Eu sento em minha cama uma noite dessas, com uma pena e um pedaço de pergaminho, escrevendo uma lista de nomes. É uma lista bem curta. Pensei em acrescentar o nome de Remus, mas alguma coisa me fez crer que o velho amigo do meu pai não pensaria em mim dessa forma e eu mesmo nunca pensei em Remus como algo além de um amigo e um conselheiro. O mesmo se aplica a Sirius, é claro; e eu devo acrescentar que a idéia de entregar minha virgindade ao meu padrinho tampouco me parece certa.

Meu senso de lógica se aproxima e parece forçar minha mente em um único nome e este nome tem começado a habitar meus sonhos e fantasias, dando um rosto àquela figura masculina que eu imaginava me beijando, me empurrando e segurando. Para minha completa surpresa, essa pessoa é Severus Snape.

Que espantosa conclusão! O bastardo sebento, o Morcegão das Masmorras, o último sádico filho da mãe... E ainda assim... E ainda assim... Ele é jovem o suficiente – só cerca de vinte anos mais velho que eu, o que significa um nada em comparação à longevidade de um bruxo – certamente é poderoso, está habituado a encontrar com Voldermort muito mais vezes que qualquer um que eu conheço. É atraente, num jeito estranho, obscuro e intenso, e a voz dele é tão... tão... Bom, ela me fascina e me faz sentir como se meus joelhos fossem de geléia. Ele é solteiro (eu perguntei a Hagrid), creio que ele está disponível. Mas... Ele sequer me levaria em consideração? Sem cair na gargalhada ou me expulsar a pontapés de sua sala? Ele ao menos dorme com homens? (Com garotos?)

Toda vez que realizo algum progresso, tomo alguma decisão, parece que sou apenas guiado para mais e mais dúvidas e complicações. Uma pergunta enorme é: posso confiar em Snape? Eu acho que sim, mas... Eu ainda preciso pensar um pouco.

Minha possível escolha de parceiro me deixou desconfortável a princípio, mas quando meus sonhos começaram, quando comecei a encará-lo nas aulas e no Salão Principal... Comecei a aceitar Snape (Severus) como o objeto do meu desejo. A despeito – ou talvez por causa – de nossa história de antagonismo, nossa tentativa falha de aulas de Oclumência, minha traição de sua privacidade, aquela energia infindável que corre através de nós – a qual eu pensei ser ódio, mas agora acho que é... Não! Eu não diria amor! É bobo pensar assim. Só porque eu comecei a realmente querê-lo, não quer dizer que eu sinta qualquer coisa além disso. De um jeito ou de outro, eu sempre acordo com o nome dele nos meus lábios, lembranças de sonhos eróticos, umidade no pijama e às vezes até mesmo uma ereção fraca e que dura apenas alguns golpes ante que eu goze...

Ele não mudou em nada seu comportamento para comigo nas aulas, é claro: o mesmo sarcasmo, os olhares, as críticas... Isso é tudo que ele pensa de mim? Talvez. Ainda que algumas vezes – quando cruzo com ele em Hogwarts, quando o vejo no Largo Grimmauld, quando sinto os olhos dele sobre mim durante as refeições – aí eu acho que há mais sob aquele exterior obscuro e que seus sentimentos não são tão simples quanto ele tenta demonstrar. Se adianta de alguma coisa, eu mudei, e ele deve ter pensado nisso, certo?

Quando voltamos das férias de Páscoa, um sentimento previsível – de tempestade iminente – fica cada vez mais forte e meu aniversário de dezesseis anos parece algo remoto e longínquo, não uma realidade que deve ser enfrentada logo. Preciso do ponto de vista de outra pessoa aqui e eu penso em contatar Remus novamente.

Então eu afasto a idéia. Remus foi um dos Marotos, um dos inimigos de Snape. Remus é muito próximo de Sirius e Severus o odeia com uma paixão figadal, talvez tanto quanto odeia Voldemort. Mesmo que ele tenha se mostrado receptivo às minhas escolhas, não acho que isso se aplicaria ao conhecimento da identidade dessa pessoa; de fato, tenho certeza que não. Ele teria certeza de que perdi as estribeiras e talvez eu tenha perdido, mas eu preciso perguntar a alguém que ao menos vai considerar a hipótese de forma séria e justa, alguém que responderia. Alguém que eu sei que seria objetivo.

Não há, tampouco, uma longa lista de conselheiros. Tento lembrar de meus últimos pensamentos, quando falei com Remus. A pessoa logo abaixo era o Professor Dumbledore.

Ousaria eu ter uma conversa com o Direto?

"Sente-se, Harry; é bom vê-lo novamente." Professor Dumbledore diz.

Eu escolho uma poltrona confortável de espaldar alto perto de sua mesa e me sento enquanto ele se ocupa, conjurando o chá e os biscoitos usuais. Estou nervoso, mas totalmente determinado. Eu preciso mesmo estar certo sobre alguma coisa da minha vida, tudo é sempre tão indeciso. Seria bom ter certeza ao menos do sexo, para variar, ter apoio de um bruxo mais velho e poderoso; muito bom, de fato. Um sentimento morno se espalha pelo meu estômago quando eu imagino numa posição comprometedora, com um braço forte me enlaçando – o braço de Severus. Eu só consigo imaginar o conforto que traria, é um sonho bom. Reconheço o quanto o quero.

"Por que veio me ver, Harry?"

O ancião está me observando com um sorrisinho nos lábios e com gentileza em seus olhos vívidos. Pela primeira vez percebo quão brilhantes e como as cores são vibrantes para um homem de sua idade: sempre pensei que gente velha tivesse olhos cansados. Nada parece cansado em Albus Dumbledore: ele irradia poder.

"Eu me perguntei se poderia falar com o senhor sobre a Lei da Sexualidade." eu começo.

Ele assente, sem qualquer sombra de surpresa, ao que parece, então toma um gole de seu chá e espera. Tomo um gole da minha xícara e a pouso no pires sobre sua escrivaninha. Lá vai:

"Conversei com Remus – Professor Lupin – há um tempo atrás e pedi conselhos sobre quem eu deveria escolher para minha primeira vez. Sou um caso um pouco especial, não quero ser responsável por colocar ninguém em perigo por estar comigo."

Dumbledore assente, mas não interrompe.

"Remus concorda com a idéia de que seria sábio escolher alguém mais velho que eu e poderoso o suficiente para entender os riscos de ser meu parceiro."

"Penso que seria, de fato, uma escolha certa de sua parte, Harry. Como você provavelmente já percebeu agora, idade é um assunto fora de mérito para bruxos. Tendemos a viver um bom período, se me perguntarem." Os olhos de Dumbledore estavam definitivamente pulsando agora, satisfeito pela sua longevidade, ao que parecia.

"Então cheguei à outra decisão, senhor", eu retorno. Cheguei ao ponto onde digo que gostaria de estar com um homem, mas as palavras parecem ter-se perdido em algum lugar da minha garganta.

Ele vê minha hesitação e apanha um vidrinho.

"Tome um pirulito de limão, Harry. São ótimos pra deixar sua boca molhada quando você está falando: ajuda as palavras a fluírem melhor, creio eu."

Eu tomo um dos doces; nunca pensei neles como dicas de conversa antes, mas estou tentando de tudo. O gosto azedo do limão acorda minha boca de uma vez e eu chupo feliz o docinho. Talvez o Diretor não esteja errado em sua devoção a certas coisas, enfim. Eu pigarreio e continuo.

"Eu gostaria de estar com um homem e não uma mulher, senhor."

"Ah. Bem, isso é bom, Harry."

Só isso? Isso é bom? Bom, não era o que eu estava esperando! Eu acho que é bom, mas não esperei que Dumbledore fosse pensar assim também! De que time será que ele é! Será que eu quero mesmo saber? A surpresa parece ter-me tirado da linha de novo e eu chupo o pirulito furiosamente, tentando voltar ao ponto.

"Hum, bem, hum…." Oh, deus!

"Novamente penso que é a melhor coisa que você poderia querer. Uma pessoa mais velha, masculina, nesse caso, seria a pessoa com mais habilidade para compreender sua situação única e ajudá-lo a encontrar seu próprio poder mais fácil e o mais completamente que puder."

Ufa! Sim, foi mais fácil do que eu pensava. Eu estava certo! É um alívio saber que Dumbledore pensa como eu, é sempre bom um apoio, mesmo que eu estivesse completamente certo, é ótimo tê-lo para confirmar. Alguma coisa dentro de mim relaxa ligeiramente.

"Há alguém em sua mente, Harry?" Sua voz é suave, gentil e encorajadora.

Ah, sim, claro que tenho pensado em alguém ultimamente! Quando o Diretor me observa, com uma expressão de interesse, paciência e de... conhecimento? Eu sei que vou contar a ele. Eu sempre tenho, com Dumbledore, a sensação que ele sabe – já sabe – não importando se eu contarei ou não, mas que se eu passar por cima do caso e não contar, ele ficaria desapontado. Eu vim para contar a ele, para perguntar sua opinião e, mesmo depois de tudo isso, é o que farei.

"Há alguém, sim, Diretor."

Ele ainda espera, seus olhos nunca ondulando ou desviando dos meus, suas sobrancelhas ligeiramente suspensas. Ele parece satisfeito em esperar e eu não o sinto me apressar e, surpreendentemente, não me sinto despreocupado também.

"Professor Snape."

"Ah."

É tudo o que ele dirá? Aparentemente sim, então, eu continuo.

"Eu gostaria de saber sua opinião, senhor. Se é uma idéia boba, isto é..."

"Bem, Harry... Uma idéia boba? Superficialmente, num primeiro olhar, muitos poderiam julgar dessa maneira, é claro. Todavia, minha visão de Severus Snape é comumente considerada pouco ortodoxa, então você não ficaria surpreso de saber que minha opinião quanto a essa questão não seria a mesma da maioria, eu espero".

"A respeito de minha opinião sobre ele, é simples: eu confiaria em Severus Snape a minha vida. Ele é uma pessoa complicada e por vezes difícil, mas é forte, um bruxo com quem se pode contar e tem um grande entendimento de vários aspectos da vida e da magia; um homem que viveu mais coisas do que a maioria e que se tornou meu principal apoio durante as dificuldades destes tempos. Escolhê-lo como candidato para ser o seu Capacitador, devo confidenciar, foi uma escolha madura e sinto-me feliz ou orgulhoso de vê-lo pensar tão claramente. Duvido até que eu mesmo pudesse ter-me saído com uma idéia tão boa, Harry!"

"Há aqueles que crêem ser uma atitude prematura, preocupar-se com tal coisa por agora, já que não há lei alguma ditando que você deva perder a virgindade aos dezesseis, mas, novamente, não podemos evitar vê-lo como um caso um tanto quanto especial."

"Eu não havia pensado muito em sexo antes, senhor." Admiti. "Mas quando Ron e Hermione se cobriram de grude..."

"Grude?" Dumbledore perguntou. "Quer dizer que eles foram pegos pelo Sistema de Segurança?"

"Hum… É, se é isso que eles são. Voltaram da torre cobertos de grude azul."

Dumbledore riu, então tomou outro gole de chá para se acalmar novamente e se concentrar no importante assunto de Harry Potter.

"De qualquer forma, fez-me pensar... Sobre meu futuro e como eu não gostaria de pôr ninguém em perigo. Eu não quero pôr o Professor Snape em perigo, é claro. Mas de uma certa forma, penso que ele está acostumado a isso e que entenderia e enfrentaria melhor que qualquer um. Bem, exceto talvez, é claro, do senhor."

"Hum, obrigado por sua confiança em mim, Harry. Entretanto, duvido que você me tome como opção para a escolha de seu Capacitador, seria algo muito grandioso e passível de falhas, não acha?" As sobrancelhas de Dumbledore desapareciam sob seu chapéu de bruxo e seus olhos cintilavam loucamente agora.

Estou um pouco preocupado se eu teria de alguma forma o insultado, mas quando encaro os olhos de Dumbledore, vejo em seus olhos reveladores que ele está brincando comigo. Sorrio.

"É, bom... Eu só pensei que talvez fosse uma boa idéia ter tudo isso refletido. Acho que poderia me ajudar, com tudo o mais acontecendo, sabe?"

"Sim, eu sei, Harry, e concordo totalmente com você. Além do quê, eu acrescentaria que sinto a densidade das coisas aumentando, a guerra se aproxima. Eu preferiria vê-lo ter seus poderes aumentados o mais rápido possível. Se algo acontecer de repente, precisaremos de seus poderes completos, Harry. E ajudaria ter alguém servindo de apoio que esteja tão intimamente ligada a você. Repito, Severus pode ser uma escolha pouco convencional, mas concordo que é uma alternativa muito boa."

Deixo escapar um suspiro enorme de alívio. Não poderia ter esperado notícias melhores. Quando entrei no escritório e me sentei, estava nervoso porque me aterrorizava a idéia de ser motivo de piada, ou que me dissessem que estava completamente fora de questão. Ter a aprovação de Dumbledore foi mais do que eu havia esperado, se eu for honesto.

"Bem, isso é bom, Professor," Digo. "Você e eu parecemos concordar, agora o problema é só o Professor Snape."

Só! Ha! Como se alguma coisa envolvendo Snape pudesse ser 'só' um problema.

"De fato," Dumbledore concorda e parece um tanto solene agora.

"Veja, eu sempre pensei que Professor Snape me odiasse , senhor."

"Oh, não! Eu não diria isso, Harry! Professor Snape é, como disse, um homem um tanto quanto difícil, mas não creio que ele tenha verdadeiramente passado impressão."

Bem, eu acredito que sim. Até recentemente eu estava convencido disso. Acho que teria algo a ver com o fato dele me ver como uma cópia do meu pai. Espero apenas que ele não me veja mais assim.

"A melhor coisa a se fazer, Harry, é você ir ver o Professor Snape. Contar a ele sobre sua escolha. É melhor vir diretamente de você, é algo entre vocês dois, afinal. Asseguro que ele não o odeia. Oh, e se representa qualquer encorajamento: sim, ele realmente prefere homens."

Qualquer encorajamento? Ah sim... Estou encorajado. Estou nervoso, assustado, amedrontado, acabrunhado... mas estou encorajado também! Merlin!


Nota da Tradutora: Queria agradecer sinceramente à Mikage-Sama, Lís (ah, mas convenhamos que homens velhos ruleiam!), Srta. Black (muito obrigada!), Tachel (tudo bem, perdoamos! ), Christina W Snape (concordo plenamente! E não vai demorar muito não!) e Lyra Belacqua (tudo bem, moça, amamos o seu review!).

Beijos e até próxima sexta.

Rebecca Mae