N/A: Saint Seiya pertence a Masami Kurumada,Toei Animation e Bandai (todos os direitos reservados),mas se fosse uma história minha,a Shunrei e a Saori estariam não existiriam (não que eu não goste da Shunrei,mas esta gosta do Shiryu TT).

Capítulo 4

Milo andava apressado por uma das tantas e movimentadas ruas de Tóquio.Três dias haviam se passado desde o dia que saíra do hospital,e agora ele retornava àquela velha rotina.Tinha que ir para o seu escritório caminhando,porque o seu carro estava fora de cogitação,e Camus já estava no escritório há essa hora.

-Idiota!Por que ele não passou lá em casa pra me levar?-resmungou o grego em voz baixa enquanto olhava para o seu relógio.Já eram 8h30 e ele já devia estar no trabalho há meia hora antes.Entrou na portaria de um prédio recente e muito alto,murmurou um 'bom-dia' para o porteiro e socou o botão do elevador.

-Milo!-gritou uma voz vinda da portaria.Milo girou os olhos e contou até três.

-Ah,oi Saori…-disse ele,dando um sorrisinho sem-graça. "Será que ela nunca vai largar do meu pé?!",repassou ele mentalmente.

-Fiquei sabendo que você sofreu um acidente,né?Podia ter me avisado,eu ficava com você no hospital numa boa…-disse ela enquanto os dois entravam no elevador.Infelizmente eles trabalhavam no mesmo andar (o último,ainda por cima).

-É,mas o Camus já me fez esse favor.-comentou Milo com uma frieza incomum na voz.-E eu não poderia avisar nada pra ninguém,afinal de contas eu estava em coma.

-Camus podia ter me avisado…

-Isso você devia ter resolvido com ele,não sou o culpado,certo?-respondeu ele,impaciente.-Escuta,Saori,lembrei que tenho que resolver uns assuntos pendentes aqui nesse andar…diga ao chefe que já estou indo.

-Tá…-disse ela,abrindo a boca para completar com alguma coisa,mas a porta do elevador se abriu e Milo a deixou sozinha.

-Caramba,será que ela não entende que foi só uma vez e não vai rolar mais nada?!-murmurou ele,esmurrando o botão do outro elevador.Quando a porta se abriu,um sorriso muito branco se abriu pra ele.

-Ah,Milo!Que bom que está de volta!O chefe tá uma fera,se eu fosse você demorava mais um pouco,agora que já está atrasado mesmo…-disse Saga enquanto abotoava sua pasta.

-Será que ele não pode dar uma colherinha de chá só hoje?Eu acabei de voltar!-disse Milo,sorrindo também.

-Ah,não sei,não…Ele tá esbravejando desde a semana passada.Todo mundo comenta que a mulher dele não tá dando um resultado muito bom em casa,sabe como é…não tiro a razão dela,coitada.Ter que aturar um homem feio e chato daqueles deve ser barra pesada.-brincou Saga.

-Ah,é,isso é verdade.Ainda bem que nunca tive esse azar,e espero nunca ter…

-Ih cara,não esquenta com isso não…esse casamento aí foi arranjado pelo pai dela.O pai dela é um desses de família tradicional.Deve ser uma mulher bem infeliz.E ele deve estar assim porque vai ser demitido na semana que vem.

-Demitido?Como assim?-surpreendeu-se Milo enquanto os dois andavam pelo extenso corredor em direção à porta que levava ao escritório onde eles trabalhavam.

-Não ficou sabendo da maior?!-disse Saga,procurando os óculos no bolso interno do paletó.-O tal Julian Solo comprou esse escritório aqui,e o primeiro a rodar vai ser o Sr. Bologna.Você agora trabalha pra uma empresa privada,cara.Pode ir arrumando outro emprego,tenho quase certeza que mais da metade do pessoal vai pro olho da rua.

Milo ficou sem ação.Não podia acreditar no que estava ouvindo.

-Esse palhaço não pode sair demitindo todo mundo que der na telha!-irritou-se o grego.-Quem ele pensa que é?!

-Não sei,mas se você não andar logo vai rodar antes do chefe.-disse Camus,que acabara de se juntar aos dois e estava analisando uns papéis que levava consigo.

-Bom,eu vou por aqui.-disse Saga,pegando o corredor da direita.-A gente se vê no almoço?

-Claro!-disse Milo,acenando amigavelmente para o colega.Ele e Camus entraram na porta em frente.

-MILO!-berrou uma voz de dentro do escritório.

-Que Deus te abençoe…-murmurou Camus,entrando em um dos cubículos separados por divisórias.O outro lançou um olhar feio para o amigo e entrou na sala do chefe.

-O senhor me chamou?-perguntou ele inocentemente ao se sentar diante do furioso Shura Bologna.

-Como você se atreve a chegar atrasado no seu primeiro dia de trabalho depois de ficar uma semana longe do escritório?!-disse ele quase gritando,dando um murro na mesa e se levantando.Milo abaixou a cabeça e limpou a saliva do rosto disfarçadamente.

-Me desculpe,sr. Bologna,isso não vai acontecer de novo.-murmurou ele,tentando passar um ar de arrependimento.

-Me poupe de suas desculpas fajutas!Ouço isso desde o dia que você entrou por essa porta!Que isso não se repita nunca mais,ou você vai ser demitido,está me ouvindo?!

-Sim,senhor.

-Saia da minha sala.-disse Shura,apontando a porta.Milo não esperou segunda ordem e saiu na mesma hora.

-Não arrancou sua cabeça?-perguntou Camus ao ver o amigo ocupar a divisória ao lado.

-Não,mas me deu um banho,como sempre.Hoje ele tá mais atacado que o normal.

-É…deve ser aquela história que o Saga te contou.-disse o francês enquanto digitava um texto particularmente comprido.-O que você tá fazendo aí?

-Tenho que terminar esses projetos aqui.Um prédio novo para a Presidência.Tô ferrado…eles querem que eu comande essa obra!Dá uma olhada aí…-disse Milo,empurrando os papéis por cima da divisória.

-Nossa…é um ótimo investimento.

-Ah,cala a boca!Eu vou ter que comandar e calcular isso aí,você só tem que desenhar e mexer com esses textos idiotas!-reclamou Milo,pegando os papéis que o amigo repassava a ele.

-Fiquei sabendo que você teve uma visita no dia que saiu do hospital…-disse Camus.-E aí,já foi logo na primeira ou você tá esperando ela voltar na sua casa?

-Não vou querer nada com a Moa.-mentiu Milo.

-Mas ela vai voltar,não vai?

-Não sei,isso ela resolve sozinha…aposto que não vai resistir aos meus encantos,que mulher resistiria?

-Ah,isso me faz lembrar uma coisa…já reencontrou sua grande amiga,a Saori?-perguntou Camus,rindo.

-Isso não é motivo para palhaçadas…aquela mulher é insuportável,não sei onde eu estava com a cabeça quando a chamei pra sair.Hoje ela veio falar que "ah,por que não me avisaram que você estava no hospital" e todo aquele papo chato.Você acredita que ela queria ter ficado lá do meu lado enquanto eu estava em coma?

-Ah,é?Por que ela não me disse isso?Eu fazia questão de ceder o meu lugar.

-Eu acho que recobraria os sentidos na mesma hora se aquela louca ficasse no hospital.-disse Milo.-Bom,terminei de calcular as planilhas…cadê a Eiri?Eu preciso que ela leve isso aqui pro Ikki.

-Por que você não levanta da sua cadeira e vai à sala dele?-sugeriu Camus,ajeitando os óculos.

-É,talvez não seja má idéia.Mas se eu encontrar com a Eiri no caminho,vou fazê-la ouvir poucas e boas.O lugar dela é aqui nessa sala.-disse Milo,levantando-se.

-Você acordou com o pé esquerdo hoje,foi?-perguntou Camus,erguendo o olhar para encarar o amigo.

-É,devo ter acordado,por isso me poupe de suas brincadeiras sem-graça,ok?-disse o outro,numa imitação genial do sr. Shura,arrancando boas gargalhadas do francês.O grego saiu da sala carregando as planilhas.Não encontrou Eiri no caminho,o que não fez muita diferença porque ele não estava realmente zangado com ela.Bateu numa porta que ficava no outro extremo do corredor.

-Entre!-disse uma voz grave.-Milo!Ainda bem que voltou!Eu estava precisando dessas planilhas há dias!

-É bom ver você também,Ikki.-disse Milo,sentando-se na cadeira diante da mesa do sr. Amamiya.

-E aí,como foi a recuperação?-perguntou Ikki enquanto analisava os papéis que o outro o entregara.

-Correu tudo bem…é o que parece,não?

-É…que bom então.-murmurou Ikki,recolocando os papéis sobre a mesa.-Esse projeto vai dar trabalho.Olha aqui,se alguma coisa der errada nessa parte,-ele indicou uma área do prédio onde havia vários cálculos.-nossas cabeças vão ser cortadas.

-Verdade…mas eu estive pensando numa coisa melhor.Saga me disse que o governo vendeu a empresa para o Julian,não foi?

-Foi,mas acho que isso não vai mudar nada.Só vão demitir os chefes e deixar o maioral no comando.

-Bom,talvez mude.Oficialmente o Julian já é dono disso aqui,o governo não tem mais nada a ver.Esse projeto agora faz parte da empresa Solo,nós podemos vendê-lo ao engenheiro-chefe pelo preço que gastaríamos pra construir isso,o que me diz?-sugeriu Milo,curvando-se sobre a mesa e quase sussurrando.

-É uma boa idéia…quanto acha que gastaríamos pra por esse prédio de pé?-perguntou Ikki no mesmo tom de voz.

-Uns três bilhões,se forem contar só a mão de obra.Pra instalar essas parafernálias são outros profissionais…engenheiros eletrônicos,mecânicos e elétricos,e até os florestais…agora eles querem colocar aquelas hortas subterrâneas,mas é preciso ver toda essa questão ambiental.Eu sou só um humilde engenheiro civil.-respondeu Milo,voltando a se recostar na sua cadeira.-E então?

-Vamos esperar até o final da semana que vem.Vou resolver isso com o chefe da casa e vou precisar conversar com o Julian também.

-Com licença,sr. Amamiya.-disse uma voz feminina que entrara pela porta atrás de Milo.-Preciso que dê uma olhada nesses cálculos,eu estou meio ocupada…lá em cima está um caos!Ah,oi Milo!

-Moa?O que faz aqui?-perguntou o grego.

-Trabalho aqui agora.Lembra,sou empregada da empresa Solo…essa transição está me deixando maluca.-respondeu ela,sorrindo.

Milo se engasgou com suas palavras.Talvez estivesse impressionado demais com a presença dela no mesmo prédio que ele,não sabia ao certo.

-Se vocês me dão licença,vou tentar acalmar as coisas lá em cima.Obrigada Ikki,eu fico te devendo essa.-disse Moa,saindo da sala.

-Pára de babar,cara,essa aí já tem compromisso.-disse Ikki,rindo.

-Babar,eu?Não estou babando.-negou Milo,embora não tivesse muita certeza do que estava falando.

-Ah é…tá legal,acredito.Então Milo,deixe esse projeto comigo que até semana que vem eu te dou uma notícia sobre sua sugestão.

-Ok.-respondeu Milo,se levantado e saindo.Estava um pouco desnorteado ainda,o suficiente pra ter se esquecido sobre o "compromisso" que Ikki citara.