Eles se depararam com a porta de seu quarto sendo levemente empurrada e se cobriram rapidamente com um lençol, ao olhar para a porta novamente perceberam que era apenas o Black Hayate, ficaram aliviados por um segundo, mas perceberam que o cachorro começou a latir, tentando mostrar-lhes alguma coisa fora daquele quarto. Ambos tentaram ignorar o cachorro, mas não adiantava, ele latia com insistência.

Pouco tempo se passou para que Riza ficasse furiosa e se levantasse da cama – ainda enrolada nos lençóis – foi ver o que tanto o cachorro queria lhe mostrar, deixando Roy muito irritado na cama. Ela saiu do quarto seguindo Black Hayate, ele lhe levara a porta do quarto de seu filho mais velho.

"Por que o Black me trouxe até aqui? Será que o Richard está aprontando?" Ela se perdia em pensamentos, sem entender por que Black Hayate a queria ali. Riza abriu a porta, tentando não fazer nenhum barulho e viu Richard acordado, ele estava deitado na cama e olhando para o teto.

- Está tudo bem com você filho?

Richard se assustou ao ver sua mãe na porta, nem ao menos reparou a porta se abrir, estava tão distraído em seus pensamentos que nem ao menos a reparou.

- Estou bem sim mãe, apenas sem sono.

Riza entra completamente dentro do quarto, senta-se na cama do filho e coloca uma de suas mãos sobre a testa dele.

- Você está doente?

- Não.

- Não é possível um filho de Roy Mustang estar sem sono, seu pai é o cara mais preguiçoso que eu conheço.

Ele sorriu – Eu estou bem mãe.

- Então me conta o porquê dessa sua carinha tão pensativa.

- Não é nada.

- Se não fosse nada você não perderia o seu sono e não preocuparia o Black Hayate.

- Não é nada, eu juro.

- Você me fez sair do meu quarto, me levantar desse jeito e me diz que não é nada. – ela agora falava com ele um pouco brava – quer que eu chame o seu pai?

- Não precisa mãe.

- Então me diz o que é.

- Você não vai entender você é mulher.

- Sou sua mãe acima de tudo, então desembucha.

- Er...

- Anda logo que eu não tenho a noite toda.

- Eu acho que estou gostando de uma garota.

- Violet?

Ele ficou um pouco espantado com que sua mãe dissera.

- Não.

- Quem?

- Uma garota que eu conheci na escola.

- Eu acho melhor você conversar dessas coisas com o seu pai mesmo.

- Mãe...

- Não se preocupe ele é um profissional nesses assuntos – ela se levantou e foi em direção a porta – mas deixa essa conversa para amanhã e vai dormir, essa menina não vai fugir de você nesse tempo.

- Tudo bem mãe, boa noite.

- Boa noite querido – antes que fechasse a porta ela alertou – e não quero saber de ser avó tão cedo entendeu rapaz.

- Entendi Capitã.

- Que bom.

Ela voltou para o seu próprio quarto – ela estava ainda enrolada naqueles lençóis – encontrou Roy dormindo de bruços e com as mãos por baixo do travesseiro, ela deitou-se na cama do lado dele e direcionou os seus lábios até a orelha dele.

- Já se cansou de brincar comigo meu amor – Riza sussurrava.

Ele deu um pequeno sorriso e virou-se devagar.

- Eu nunca me canso de você. – a puxando para um beijo – e o que o Black queria te mostrar?

- Deixa isso para amanhã, temos coisas muito melhores para fazer.

Eles se amaram a noite inteira e sem se importar se os seus filhos iriam escutá-los. Na manhã seguinte, o casal desceu para tomar café um pouco tarde, perceberam isso ao ver os três filhos já sentados à mesa e tomando o seu café.

- Que milagre é esse mãe? – Raymond dizia ao olhar para o relógio.

- Qual?

- A gente está no horário e vocês não.

- Milagre sou eu não escutar brigas logo pela manhã.

- A culpa não é minha, o Richard é que está chato hoje.

Ela olha para o mais velho que nem tocara na comida.

- Você está bem Richard?

- Estou sim, apenas sem fome.

- É melhor comer ou ficara doente.

- Não me importo.

Ela pega a arma e a dispara perto de Richard, que dá um salto ao ver a bala passar ao seu lado.

- Filho meu não fica doente por besteiras entendeu?

- Sim senhora.

- Pois bem, então coma.

Dessa vez ele não se opôs ao pedido DELICADO de sua mãe, tomou o seu café com uma velocidade espantosa. Quanto todos terminaram de tomar os seus respectivos cafés, eles foram para a escola e durante todo o percurso Richard se manteve calado e afastado de todos.

- O que houve com ele Ray? – Violet perguntava.

- Não sei, ele acordou assim hoje.

- Aconteceu alguma coisa na casa de vocês?

- Não.

- Ele não falou nem bom dia, eu estranhei.

- Iria estranhar mais ainda ao vê-lo no café.

- Por que?

- Longa história, no intervalo eu te conto.

- Ta legal.

O tempo foi passando, assim como as aulas e Richard continuava quieto em todas elas, até mesmo os professores o estavam achando um pouco estranho. Uma das professoras tentou falar com ele, mas não obteve nenhum resultado. No intervalo, Richard ficou em um canto isolado, olhando para as nuvens que estavam no céu.

- Olha como ele está, parece um bobo. – Violet ainda estava intrigada.

- O deixa Violet, não está vendo que ele quer ficar sozinho. – Gregori a aconselhava.

- Mas isso eu não vou deixar, tem que ter alguma solução para aquela solidão – ela estava disposta a ir ao encontro dele, mas desistiu ao ver que outra garota já havia o feito.

- Por um momento achei que você iria lá falar com ele.

- Parece que alguém já foi primeiro – ela apontava em direção a ele.

- Não acredito, até quando ele está na maior melancolia, ele consegue uma garota bonita para consolá-lo, esse cara é meu ídolo.

- Não exagera Greg.

- Não é exagero.

- Não sei como essas garotas caem na lábia dele.

- Pelo que a tia Riza falou você sabe muito bem.

- Cala a boca seu idiota.

- Se eu não calar você vai fazer o que?

- Queimar as suas revistas de mulheres peladas.

- Já calei, apesar de ser verdade.

Ela tentava não olha-lo, mas quando o olhou novamente, viu ele aos beijos com aquela garota, não um beijo qualquer, mas um daqueles beijos de cinema. Violet sentiu o seu coração ficar apertado, os olhos começarem a ficar marejados, ela não acreditava que o que ele lhe dissera na tarde anterior era mentira, que ele estava apenas querendo mais uma garota para a sua lista de conquistas, que ela era mais uma de tantas outras.

Nas outras aulas quem ficara quita desta vez era Violet, que já não prestava atenção nenhuma as aulas e que rabiscava coisas sem sentido em seu caderno, com os pensamentos distantes, distantes o suficiente para chamar a atenção de todos os seus colegas e professor.

- Senhorita Elric!

- Sim professor.

- Eu a estou chamando já faz cinco minutos, onde a senhorita está que não me escuta?

- Desculpe professor, será que eu poderia ir um minuto no banheiro, não estou me sentindo muito bem.

- Tudo bem, você é uma aluna exemplar, tem que ser algo muito sério para te deixar assim, pode ir.

- Obrigada.

Ela saiu da sala e foi ao banheiro, lavou o rosto e se encarou no espelho.

- Pare de pensar naquele idiota, ele não te merece e nem merece o seu desempenho acadêmico.

Ditas tais palavras a si mesma, ela se dirige para fora do banheiro, anda pelos corredores em direção a sua sala quando esbarra com alguém.

- Ai.

- Desculpa, foi mal.

- Deixa para lá – ela olha para cima – Richard?

- Violet! O que você está fazendo aqui?

- Não te interessa, e o que você faz aqui?

- Nada. – ele desvia o olhar – só estava passando.

- Desculpa por ser tão grossa

- Não tem problema, você sempre foi assim e não sou eu quem vai te mudar.

- Bom, acho melhor irmos para as nossas salas.

- Concordo.

Ela começou a andar quando o sentiu lhe segurando pelo braço.

- O que foi Richard, esqueceu alguma coisa?

- Desculpa – ele estava olhando para o chão.

- Desculpa por quê? Você não me fez nada.

- Desculpa por brincar com os seus sentimentos, essa não era a minha intenção.

- E qual era a sua intenção?

- Deixa para lá. – soltando o braço dela.

- Agora que começou, termine. – ela o encarava.

- Esquece, é melhor assim.

- Melhor para você, por que para mim está um inferno.

- Não diga isso.

- E o que você quer que eu diga? Que nos beijamos e quase fizemos... e que estou feliz por ter acabado assim?

- Não complique.

- Quem está complicando é você Richard.

Ele ficou em silêncio, não sabia que palavras usar ou que gestos fazer para não magoa-la mais do que já estava.

- Me esquece Violet.

Ele saiu daquele local sem ao menos lhe dar tempo para uma resposta, agora Violet estava mais confusa do que antes. Ela voltou para a sua sala e ficou em sua carteira pensando no que havia acontecido no corredor até o final da aula.

Todos voltaram para casa em silêncio, como se alguém muito importante tivesse morrido, como se aquele silêncio fosse obrigatório. Raymond, Gregori e Rachel andavam quietos e sem assunto, Violet andava junto a eles e Richard andava na frente, mas subitamente ele parou.

- O que foi Rich? – perguntava a caçula.

- Nada não pequena – ele tentava disfarçar o olhar – vão para casa que depois eu vou.

- Para onde você vai? – Agora quem perguntava era Raymond.

- Vou dar uma volta por aí, esfriar os meus pensamentos.

- E o que eu digo para a mamãe?

- Diz para ela não se preocupar que eu chego a tempo do jantar.

Richard saiu andando em uma direção diferente, fora em direção a praça, Violet apenas observou ele se distanciar, não entendia o que estava acontecendo com ele, "Richard nunca foi assim" ela o tentava entender. Quando chegaram à casa dos Mustang, Gregori entrou na casa dos amigos, mas Violet decidiu ir direto para casa, precisava descansar e ficar um pouco sozinha.

Ela chegou a sua casa e não havia ninguém, seu pai estava no quartel e sua mãe deveria estar na casa dos Mustang, mas ela nem se importou, era disso mesmo que ela precisava, silêncio. Violet foi para seu quarto e se debruçou na janela – que dava uma bela vista para a praça e o lago – ficou debruçada ali por um tempo, apenas observando a paisagem quando encontrou um rosto familiar em meio a tão bela vista, era Richard.

- O que será que ele está fazendo ali?

Violet falava sozinha no quarto sem ao menos perceber tal ato.

- O que será que ele está pensando? Por que ele está estranho o dia todo? Por que eu me sinto assim?

- Assim como? – uma voz feminina lhe surpreendia.

Violet se virou rapidamente para trás ao escutar a pergunta, se assustou quando viu a sua mãe parada na porta a olhando, não conteve as lágrimas e correu para os braços da mãe.

- O que foi minha querida? O que está sentindo?

Entre soluços e enxugando as lágrimas que não paravam de escorrer pelo seu rosto ela encarou Winry.

- Mãe... Como você sabia que o papai era o homem certo para você?

Ela riu. – Às vezes eu acho que sempre soube mas nunca quis admitir, mas porque essa pergunta Violet?

- Eu acho que...

- Está gostando de alguém?

- Mais ou menos, eu não sei ainda.

- E quem é esse rapaz que está mexendo com o coração da minha menininha?

- É...

- Espera! Deixa-me adivinhar.

- Mãe...

- É um garoto alto, moreno, com os olhos...

- Chega mãe...

- É o Richard não é?

Ela apenas afirmou com a cabeça e voltou a abraçar a mãe com força.

- A vida prega peças na gente filha, quando eu era mais ou menos da sua idade eu também vivia brigando com o seu pai, mas o resultado das nossas brigas de infância foram anos de casamento e dois filhos maravilhosos.

- Você se arrepende de ter brigado com ele naquela época mãe?

- Nenhum pouco, ele era desordeiro, sempre vivia quebrando a prótese e me tirando do sério... Mas no fundo eu sempre gostei disso.

- Por quê?

- Assim eu podia ficar sempre perto dele, apesar das discussões, estávamos sempre juntos.

- E...

- Não pense muito, uma vez uma pessoa me ensinou que as vezes devemos apressar o rumo das coisas, não devemos perder tempo com a pessoa que amamos.

Violet sorriu e se levantou.

- obrigada mãe – ela caminhou até a porta, mas antes que saísse – mãe quem te deu esse conselho?

- Riza.

- Me lembre de agradecê-la mais tarde.

- E lembre-se: Não deixe o amor passar na sua frente e escapar.

- Foi a Riza que disse isso também?

Winry respondeu a filha com um sorriso e afirmando com a cabeça. Violet saiu de casa correndo em direção a praça, ela corria com um sorriso enorme nos lábios, procurou por todo o canto Richard e após tanta procura o achou na beira do lago, ele estava sentado olhando para o horizonte.

- Richard! – Ela gritou ao avistá-lo.

Ele olhou para trás e viu Violet correndo ao seu encontro, ele não entendia nada, o porquê dela estar ali o chamando, mas ficou feliz ao vê-la. Ela se sentou ao lado dele e lhe depositou um beijo. Richard ficou sem reação, a única coisa que fez foi retribuir o beijo e após alguns minutos se separaram – olha o maldito oxigênio aí de novo só para atrapalhar os outros.

Continua...