- Capitulo 4 -

Sob ataque

O resto da semana pareceu existir apenas para preencher um espaço vazio, que conduzia a apenas um caminho: as eleições.

Não que eu estivesse preocupada em vencer nem nada disso, por que só restaram duas chapas após o frisson inicial da notícia, e desde o início estava bem claro qual das duas ia vencer, e posso dizer que não era a nossa...

Na segunda feira, enquanto James me encurralava pra me beijar em salas vazias ou praticamente me obrigar a ir com ele ao Baile, uma chapa se desfazia: Sonserina. Suas cores eram verde e prateado, mas isso foi o máximo de informação que chegou ao ouvido dos alunos, pois logo no primeiro dia de campanha uma briga pela presidência entre Severus Snape e Lucius Malfoy acabou com a chapa.

Depois, terça feira, Lufa Lufa se desfez também por razões desconhecidas. Mas essa aí também não veio como uma grande surpresa, visto que a presidente da chapa era Linda Mckiley.Eu posso apostar qualquer coisa que o motivo foi uma briga entre fã clubes:A chapa era formada pela Presidente e Vice dos fãs-clube de Remus, Sirius e James.Juro.É claro que não ia dar em boa coisa, né?

Enfim, lá por quarta-feira esse fato pareceu cair no conhecimento de nossa querida Tia Minnie, pois ao final da aula (último tempo de novo) ela nos impediu de sair da sala para um último comunicado:

"Atenção alunos... Sr. Black, cale a boca! – Ela parou pra repreender Six que estava falando sobre coisas inúteis com James... Ele simplesmente virou pra frente sussurrando algo como "ela me ama", o que resultou em um olhar fuzilante de Mcgonagall. – Chegou ao meu conhecimento – Disse ela voltando a atenção aos alunos – que apenas duas chapas concorrerão para o grêmio estudantil. Assim, por decisão do Professor Dumbledore, nós teremos um debate entre os representantes de cada chapa para fornecer a cada aluno a oportunidade de votar consciente das propostas dos concorrentes."

"Assim, as últimas três classes de amanhã estão canceladas, e todos devem ir ao auditório. A presença é OBRIGATÓRIA e a eleição será nos dois primeiros tempos de sexta feira. O resultado será anunciado no Baile. – Continuou Tia Minnie, apesar do estardalhaço que todos começaram a fazer a partir do trecho 'aulas canceladas' – Entendido? ENTENDIDO? – Todos calaram a boca e concordaram. – Ótimo, classe dispensada."

E assim todos os alunos saíram super animados com o fato de terem cinco aulas canceladas em uma só semana. Todos menos um.Ou melhor, uma aluninha do sexo feminino com cabelos ruivos que estava com uma expressão, por falta de termo melhor, surtada.

Fui falar desesperada com a Tia Minnie sobre o que ela quis dizer com representante de chapa.Ela não poderia estar falando... não poderia ser...a presidente, né?

Desesperada, esperei até a sala de aula esvaziar e me arrastei miseravelmente à mesa da Professora, apenas pra confirmar o desastre:

"Hãn... professora?" Perguntei meio insegura.

"Sim, senhorita Evans?" – Falou ela sem nem mesmo levantar os olhos das lições que estava corrigindo.

"Eu... eu... Hum, quer dizer... Estava pensando em o que você quis dizer com... Representante da chapa?" – Falei desesperada.

Dessa vez ela desviou a atenção dos deveres e me observou atentamente como se eu fosse uma demente (talvez eu seja mesmo...) de uma maneira que, devo acrescentar, não era lá muito didática.

Depois de uns cinco minutos em que parecia refletir se uma pergunta tão burra mereceria uma resposta ela abriu a boca pra responder, e eu me encolhi, com medo de sua expressão. Mas então ela foi interrompida por um grito de um garoto que veio correndo em minha direção:

"LILY! – Era Remus, que parou um momento olhando de mim pra Mcgonagall, e depois falou afobadamente – Preciso falar com você!"

"Mas eu... – Comecei, mas Remus nem me deu tempo de explicar nada, simplesmente me arrastou de lá rapidamente. – O que é?!"

"É que, eu preciso da sua ajuda!" – Falou ele sem olhar nos meus olhos. Pudera, Remus era brilhante em tudo que fazia, se ele precisava de minha ajuda algum dia era por que a coisa tava preta...

"Minha?" – Perguntei, só pra conferir.

"É, é que com o debate amanhã eu tenho que rever as nossas propostas, pra não me sair mal quando. Hum...Estiver lá no palco representando a Grifinória."

Ok, isso foi um alívio. Então quer dizer que o presidente não precisava ser especificamente o representante?!Pulei, literalmente, de alegria. E, sem ao menos pensar na questão, concordei em ir pra casa dele estudar as propostas pra ajudar a decorar.

Mas não importa, não me arrependi. Qualquer coisa pra não ser eu amanhã enfrentado o presidente da Corvinal...


Qual seria o jeito mais doloroso de se matar alguém?Não, por que eu ouvi falar que tortura chinesa é bem eficiente... Mas também, não deveríamos subestimar os poderes de um bom chute nos Países Baixos, né?Quer dizer, não falha nunca...

Bom, talvez você esteja se perguntando por que meus instintos assassinos estavam tão aflorados numa linda tarde de quinta feira, né?Eu até explicaria pra você, mas aí eu teria que te explicar o que estava fazendo em cima de um palco no auditório em pleno horário de aulas... E, bem, talvez fosse relevante mencionar por que um bando de adolescentes está com a atenção focada diretamente para... mim.

Não só pra mim, pra dizer a verdade, também estava focada em Carl Johnson, o Presidente da Corvinal que estava sentado numa cadeira do lado oposto à minha.

Mas a questão não era essa!A questão era por que não estava focada em Remus Lupin, mas em mim. MIM.

Ok, o pesadelo todo começou uns minutos antes, quando todos os alunos da sétima série pra cima haviam sido liberados para assistir o debate (O resto dos alunos não pode votar).

Naquela hora, eu era apenas mais uma na multidão, o que durou até o momento que aquele bastardo desgraçado, mais conhecido como Remus Lupin, veio correndo em minha direção:

"Más notícias..." – Começou o meu ex-amigo.

"O que?" – Perguntei já alarmada.

"Falei com a Mcgonagall hoje e ela..." – Ele parou e se afastou disfarçadamente, como se eu fosse uma bomba prestes a explodir ou algo assim...

"Ela o que?" – Perguntei pressentindo perigo.

"... Me-disse-que-o-presidente-é-que-tem-que-participar-do-debate." – Falou ele rapidamente.

Tive a ligeira impressão de que ele havia falado rápido pra evitar que eu entendesse de primeira. Mas eu já tinha entendido, desde o momento que ele veio correndo em minha direção eu já havia entendido tudo.Tudinho.

"Você planejou isso." – Falei. Não era uma pergunta.Eu conhecia Remus muito bem pra saber que em nenhum plano infalível em que ele era o autor, havia uma falha.Tudo era meticulosamente planejado.Que nem os planos do Cebolinha pra pegar o coelhinho da Mônica.Mas diferentemente dos planos infalíveis do Cebolinha, os do Remus nunca falhavam.

"Claro que não!" – Ele tentou parecer ofendido, mas Sirius, que tinha chegado perto nesse meio tempo falou, rindo:

"Claro que sim!"

Olhei pra Remus, pronta pra dar um murro na cara daquele safado, mas no exato momento que estava arregaçando as mangas do uniforme, Tia Minnie apareceu do nada e falou:

"Ah, senhorita Evans! Aí está você. Já conseguiu descobrir quem representará a sua chapa hoje? – Perguntou sarcástica – Ótimo. – Falou sem esperar resposta – Então pode fazer a gentileza de me acompanhar ao palco? Estamos só esperando a senhorita pra começar."

E, de novo sem esperar resposta, me arrastou para o palco.

Socorro.


Bem, com toda a raiva que Remus provocou em mim eu acabei esquecendo um mínimo detalhe: O porquê de eu estar com raiva. Mas agora que estava começando a me lembrar, não estava gostando nada.

O terror de estar naquele palco finalmente me atingiu quando eu fui acomodada na cadeira. Respirei fundo, tentando me acalmar.Não tinha motivos pra entrar em pânico.Eu tinha repassado tantas vezes nossas propostas com Remus ontem que já tinha memorizado todas (o que sem dúvida fora planejado por ele).É isso aí, sem motivos pra pânico.Estava bem mais calma.

Olhei pro lado oposto do palco e descobri que o presidente da Corvinal era Carl Johnson, um segundanista, o que não era nada bom.Na sétima série os James, Sirius e Remus tinham pregado uma peça nele, depois de terem ouvido que ele queria ficar com a Alice por causa de uma aposta.No final, James e Sirius foram pegos, mas nunca Remie.É claro que ninguém sabe de sua participação nisso além de nós.E Lene.E Aly.Ah, você entendeu!Resumindo, o cara me odiava e com certeza ia fazer de tudo para eu me dar mal.Mas tudo bem, ele não pode me intimidar!

Olhei pro centro do palco, e descobri que as perguntas viriam de um aluno e não de um professor. Até aí tudo bem.Mas o fato é que o cara era Daniel Roberts, outro segundanista que me odiava por que eu dei um fora nele.Mas tudo bem.Quer dizer, ele não poderia levar pro lado pessoal, né?

Então olhei pra frente e me peguei observando toda a população do colégio a partir da sétima série. Ninguém tinha faltado.Mas também, dã, a presença era obrigatória...

Olhei pra primeira fila e vi que estava separada para as chapas. Na direita estavam todos os membros da Corvinal, lado a lado, nos observando atentamente.E na esquerda estavam meus amigos.Olhei pra eles, e esqueci o medo, afinal era só fingir que eu estava falando com eles, certo?Tudo iria ficar bem...

Foi aí que veio a primeira pergunta:

"Qual será sua primeira ação se for eleito?" – Disse Daniel.

Vibrei. Essa era fácil, eu havia passado e repassado com Remie no dia anterior...

"Bem..." – Comecei.

"Demitir a Senhora Pince. – Me cortou Carl – A nossa biblioteca está uma desorganização só e tenho como prioridade remodelar toda a estrutura. E isso só será possível começando com a contratação de uma boa bibliotecária."

"Eu..." – Tentei de novo assim que ele terminou. Se ele queria ir primeiro, por mim tudo bem, eu não iria ficar de briguinhas infantis, esperaria para falar depois.Mas antes que eu pudesse continuar, Daniel me cortou:

"Ótimo, próxima pergunta!"

E me deixou ali, microfone na mão, como se eu não existisse.

Ok, retiro o que eu disse. A coisa iria pro lado pessoal.Carl e Daniel me odiavam, e se juntavam diante dos meus olhos pra acabar comigo.E eu só podia assistir.Eu e toda a platéia de Hogwarts Education Institute.


E assim continuou o massacre. Cada pergunta feita, Carl falava antes de mim e Daniel não me deixava replicar.Parecia até que eles tinham combinado, o que não era uma hipótese muito absurda visto que a cada pergunta Carl parecia ter uma resposta ensaiada na ponta da língua.

Com o passar do tempo comecei a desistir de tentar expor as minhas idéias, afinal, tudo que eu queria era que a Grifinória fosse vice, então não precisava fazer muito esforço, já que de qualquer maneira já estávamos em segundo lugar.

Então, no momento em que desisti de tentar responder, comecei a prestar atenção no que Carl Johnson estava falando. E meu queixo caiu diante dos absurdos que saíam de sua boca sem intervalo...

"Então – Continuou Daniel, me ignorando lá pela milésima vez – qual a sua posição quanto ao lanche que nos é oferecido, uma reclamação constante dos alunos?"

"Estou feliz que tenha perguntado... – Respondeu Carl, presunçoso – Quando eu for eleito – a essa altura ele já tinha abandonado o "Se" há muito tempo e passado a adotar o "Quando" – erradicarei toda e qualquer fast food do cardápio e qualquer comida que contenha carne, por que os alunos desse colégio precisam de alimentos saudáveis para um melhor aproveitamento nos estudos..."

Hãn, de que diabos ele tá falando, desde quando carne não é saudável?Olhei pros alunos. Todos pareciam aprovar a maluquice como se estivessem sofrendo lavagem cerebral.

"E quanto ao uniforme? – Perguntou Daniel – O uniforme é um assunto polêmico desde a criação do grêmio estudantil. Algumas chapas, falam em encurtar as saias. Outras, em abolir as gravatas. E também – Ele olhou pra mim nessa hora, analisando os meus sapatos azuis miosótis com desprezo – muitas já falaram em tornar o uso de sapatos iguais obrigatório. O que você acha Carl?"

Notem que ele nem se preocupava mais em disfarçar. Me ignorava na cara-dura e ninguém parecia perceber...

"Bem – Carl abriu um sorrisinho – Esse será o meu segundo assunto urgente a tratar. Os alunos de Hogwarts não parecem saber o que significa a palavra disciplina em se tratando desse assunto. – E nessa hora ele olhou diretamente pra James que, sentado na primeira fileira estava com os primeiros botões da blusa aberta e já tinha desfeito o nó da gravata há séculos, deixando-a caída displicentemente em volta do pescoço. – A partir da volta das férias os alunos deverão se vestir apropriadamente, com TODOS os botões da blusa fechados, blusas enfiadas dentro da calça ou saia, sapatos azuis marinhos obrigatórios e, ah, - Ele parou para tomar fôlego – A altura da saia deverá voltar ao tamanho original."

O fato de que ninguém pareceu discordar desse último tópico, a não ser, claro, os membros da Grifinória, foi uma mensagem clara de que tinha algo errado. Quer dizer, o tanto que as meninas lutaram para ter a altura mínima da saia reduzida para quatro dedos acima do joelho, em vez da original, que era de dois dedos abaixo, para agora simplesmente comemorarem o fato de estarem restaurando a altura original era loucura. Não que eu me importasse com a altura da saia. Mas esse era o ponto: Elas se importavam.

Mas não parou por aí... Tinha mais:

"Então, e as festas?"

"Bem, as festas serão reduzidas às poucas obrigatórias, como o Baile de Boas Vindas e o da Formatura. Não podemos deixar o aproveitamento dos alunos continuar baixando de nível por causa de tais coisas desnecessárias..."

Só fiquei olhando pra ele estupefata, que diabos...?

"Ok, as perguntas acabaram, acho que você deixou bem claro por que as pessoas devem votar na Corvinal. Algo que queira acrescentar sobre a chapa?" – Finalizou Daniel. Mas Carl ainda tinha mais a falar.Ele não calou a boca nessa hora, e esse foi o seu erro...

"Na verdade, tenho sim. Quero dizer por que vocês devem votar na Corvinal. Por que nosso presidente sabe o que faz, diferente de Lílian Evans, que a única coisa que sabe fazer é cantar musiquinhas. Por que nosso vice serve pra alguma coisa além de fazer gols, diferentemente de James Potter. Por que não colocamos garotas fúteis na chapa, que só estão nessa para se divertir, como Alice Vennon e Marlene Mckinnon... Por que nosso tesoureiro é competente, o que não se pode falar de Remus Lupin... E, finalmente, por que não colocamos pessoas como Sirius Black, que nem sua família atura, na nossa chapa só para vencermos com o número de votos das garotas com as quais ele se atracou..."

Bom, isso foi interessante. De repente, todo o meu choque virou raiva.Aquele cara poderia falas as besteiras que quisesse, mas que não apelasse para insultos aos meus amigos.Ele não sabia com o que estaria se metendo.Estaria se metendo com Lily Evans.

"Hum, hum... – Falei eu cega de raiva – Terminou de monologar aí, Johnson? Já? – Agora fui eu que não esperei por uma reposta – Ótimo."

"Bom... Vamos lá... Já que não me deixaram falar antes, eu esperei a minha vez pacientemente e agora EU – Elevei o tom quando Daniel fez menção de me interromper – vou falar."

"Ok, primeira questão – Vasculhei a minha mente à procura do primeiro absurdo – Ah. Já sei. Biblioteca. Bem, não, eu não iria despedir a Sra. Pince. Acho sim, que precisamos dar uma arrumada na biblioteca, mas quem bagunça somos nós e aposto que com um pouco de boa vontade e de alguns voluntários, faríamos um ótimo trabalho. E não, não acho que demitindo uma mulher de 83 anos, 56 dos quais ela trabalhou aqui, o problema irá se resolver. Algum voluntário para ajudar na arrumação da biblioteca?"

Um número surpreendente de mãos se elevaram na platéia, mas eu não contei. Estava com raiva de mais para isso...

"Ótimo. Segundo problema: – Continuei, ignorando a existência dos outros indivíduos no palco – Refeitório. Concordo que deveríamos mudar o cardápio, afinal comer hambúrguer e cachorro quente todo dia é maluquice. Mas tornar todos os pratos vegetarianos? É ainda mais maluquice. Colocar pratos vegetarianos no cardápio é até aceitável, afinal temos que respeitar a opção de cada um, mas quem disse que carne é prejudicial à saúde? Pois eu, e tenho certeza que a Professora Sprout concordaria comigo, acho que na quantidade apropriada carne faz bem à saúde, sim! – me virei para um Carl chocado – Se chama P-R-O-T-E-Í-N-A."

"Ahn, o que mais? – Algum aluno gritou 'uniforme'. – Ah claro, maluquice número três. Como os alunos desse colégio usam seus uniformes é uma opção deles, não tem NADA a ver com disciplina. Contando que não se destrua o uniforme, qual é o problema de ter a saia dois dedos mais alta que o joelho? Ou colocar a camisa para fora da calça? Quer dizer, já pensou, nem todo mundo fica bem com a camisa pra dentro do uniforme... A maioria fica parecendo um nerd – olhei para Carl com desprezo – o que você deveria saber, por que é o seu caso... Qual o problema de usar um uniforme do jeito que você quer? Não continua sendo um uniforme? Viva e deixe viver, pelo amor de Deus..."

"Festas? – Continuei, sem parar pra ver sua reação. Nada mais me interessava, a não ser o ponto em que eu queria chegar com aquele discurso todo - Isso eu vou ter que explicar para você, Carl. Nós, adolescentes saudáveis gostamos de nos divertir, e isso não abaixa o nosso 'aproveitamento escolar', mas o melhora, por que aí nós podemos descansar das responsabilidades que enfrentamos todo dia. Carpe Diem! Aproveitamos a vida enquanto não estamos presos em escritórios, e não há nada de errado nisso..."

"Agora, chegamos a um ponto curioso. O ponto em que você deveria ter dito por que as pessoas devem votar na Corvinal. Mas ao invés de falar de o quão competentes são os componentes da SUA chapa você preferiu falar da minha. Tudo bem então... Quer falar dos meus amigos? Como você quiser!"

Finalmente, esse era todo o objetivo. Ele ia ver o que acontecia quando alguém falava mal de meus amigos...

"Por onde começar... Remus? Ele é um cara brilhante, que tutora alunos em matemática desde a quinta série, o que, como você deve saber é um recorde... O aluno mais novo a tutorar depois dele estava na sétima série."

"Isso não prova nada! – Falou Carl, desesperado. – Isso não prova sua capacidade de ser tesoureiro. Ele tem que saber mais que somar números pra trabalhar nesse cargo. Tem que ser realmente brilhante!"

Dei um sorrisinho cínico...

"Claro que sim... Bom, eu posso te provar o quanto Remus é capaz... Lembra daquele seu pequeno "incidente" na sétima série? Em que James e Sirius pegaram o pior castigo de suas vidas? – Ele ficou branco diante da mera menção do fato – Então... Remus. Tuuudo Remus. O plano foi de Remus, a execução teve sua participação e sabe qual o mais interessante? – Perguntei com um sorrisinho inocente. Dava pra perceber todos os alunos prendendo a respiração – Ele nunca foi pego. Ninguém nunca desconfiou dele. Brilhante o bastante pra você?"

"Ok, quem mais. Ah, Alice e Marlene. Os pais de Lene são os decoradores mais famosos de Londres, e ela já ganhou prêmios em projetos de arquitetura e decoração, o que ela não conta pra ninguém justamente por não ser fútil. Quanto à Aly, ela tem grande experiência em organizar eventos, pois sua mão é a Presidente do Conselho do Centro Frida Baker, que organiza eventos mensalmente para arrecadar dinheiro e enviar para as pessoas mais necessitadas. Mas não creio que já tenha visto você por lá algum dia, você viu? – Perguntei para Alice, que só acenou negativamente com a cabeça, chocada demais para falar – É, talvez seja por isso que você a chamou de fútil né? Como poderia saber, se nunca se preocupou em participar de eventos beneficentes?!" Praticamente gritei exasperada.

"Vamos para Sirius agora... – Eu não iria parar. Parecia um vulcão explodindo lava pra todos os lados e ai de quem estivesse no meu caminho. – Sim, ele pode ser o maior galinha dessa escola, mas ele nunca ficou com alguém dando falsas esperanças. Até por que não poderia... quem iria acreditar, afinal, com a fama que ele tem? E quanto à sua família – Eu já estava com lágrimas nos olhos de raiva.Quem ele achava que era? – Deixe-os fora disso.Quer botar em dúvida o caráter de Sirius Black, então considere perguntar o que seus amigos acham dele.Pergunte primeiro se ele nos ameaçou para 'aturarmos' ele..."

"E por último, mas não menos importante: James. Não se atreva a falar dele. Ele se ferra de treinar com o time da escola, e nem teria tempo de entrar nessa chapa se não fosse importante. Se ele é o nosso vice é por que se importa, sim.Obrigado, James, por que você é importante..."

Nessa hora, Carl estava bem pequeno, eu o mirava com desprezo, e Daniel já havia fugido do palco há um tempão, com medo de sobrar para ele. Foi nessa hora que ele fez sua última tentativa:

"Está tudo muito bem... Mas você não falou nada em SUA defesa. O que você está fazendo na presidência da Grifinória? Por que não se defende das minhas críticas? Não tem nada a dizer? Por que será? Talvez por que eu esteja certo?"

Olhei para Carl com um olhar cortante, apenas com um pensamento em mente: Duas opções. Ou ele é muito cara-de-pau, ou é muito burro.Optei pela segunda opção...

"Eu não digo nada em minha defesa por que você parece já ter uma opinião bem formada sobre mim, e qualquer coisa que eu diga não poderá mudar isso. Agora, se você faz mesmo tanta questão de saber o que eu tenho a dizer quanto a todas as barbaridades que você disse hoje, então lá vai: Vá se ferrar!"

"Ah, e tem mais. Se eu canto musiquinhas para lá e pra cá é por que eu posso, por que eu tenho talento pra alguma coisa, diferente de você, que tenta se fortalecer no defeito dos outros, pois não tem nada que realmente valha a pena pra mostrar de si mesmo..."

E com isso eu tinha terminado, joguei o microfone na cadeira, (eu tinha me levantado no meio do acesso de fúria) e desci do palco sem olhar pra trás. Não tava a fim de levar detenção por agredir fisicamente um aluno na frente de todos os professores em cima do palco do auditório...


Conforme ia descendo percebi algo muito estranho: Silêncio.

Ninguém falava nada, nem ao menos cochichava. Todos só me acompanhavam com os olhos, chocados de mais para fazer qualquer coisa.

E foi então que aconteceu.

De repente, todos começaram a bater palma. Não palmas educadas, mas entusiasmadas.Os alunos, e alguns professores pude perceber, me aplaudiam estrondorosamente.Não foi que nem naquelas cenas de filme, em que uma pessoa começa a bater palma e de repente todos estão acompanhando.Todos começaram a bater palma ao mesmo tempo, como se estivessem chocados demais para fazer algo antes.

Não consegui passar da primeira fileira, por que dois braços delicados me puxaram e encontrei suas donas, Lene e Aly, gritando emocionadas. Elas choravam e me agradeciam por defender elas daquele jeito e eu ficava lá, sem saber o que fazer.

Fui salva por Sirius que me abraçou e sussurrou um obrigado. Six tinha sérios problemas com a família dele, e isso era meio que uma questão delicada que poucos entendiam.

Depois, fui puxada por James, que me deu um sorrisinho malicioso e falou:

"Quer dizer então que eu importo, hein? – Olhei para ele estupefata. Qual o problema desse cara? Mas acho que ele estava brincando, o que não deu pra descobrir, pois eu fui puxada por outro par de mãos, que dessa vez pertenciam ao Remie...

"Porra Lily, por que você foi contar que fui eu?" – Perguntou indignado. Ao que eu sorri discretamente e falei:

"A vingança é doce, caro Moony" – Ele ficou me observando por uma fração de segundo antes de começar a rir desesperadamente e dizer:

"Fala isso pro Johnson! Pela cara dele parece que ele achou a sua vingança bem amarga!"


No dia seguinte fomos todos votar, dessa vez em dúvida se a Grifinória iria mesmo perder. Aly votou cedinho, e depois ficou conversando com Frank Longbottom, que deu dicas para ela sobre os melhores lugares para organizar festas, já convencido de que iríamos vencer.

Lene votou depois dela, radiante por não ter que assistir aula. Depois fui eu, que não me contentei em votar na Grifinória, mas risquei o nome Corvinal no meu papelzinho.Era melhor Johnson não aparecer na minha frente hoje. Ainda estava com uma raiva mortal.

Sirius foi votar fazer estardalhaço, e posando para câmeras invisíveis, como se fosse um candidato ao Parlamento prestes a votar em si mesmo. Remie foi depois, rindo da cara dele.

E James chegou ao fim do primeiro tempo votou rápido e sentou ao meu lado, de onde eu observava Sirius tentando beijar Marlene, Alice claramente envergonhada com a atenção de Frank, e Remie conversando com Dorcas.

"Deus, parece que todo mundo resolveu usar o tempo livre para namorar!" – Falei risonha, mais para mim mesma.

"Se você quiser, nós podemos namorar também..." – Sugeriu James rindo.

"Bobo!" – Dei um tapinha de brincadeira nele.

"Lily... – falou ele, de repente ficando sério. – Obrigada. Por me defender."

"Que isso James, mexe com meu amigo, mexe comigo!" – Falei, como se isso fosse óbvio.

"É isso que nós somos? Só amigos?" – Perguntou ele. Corei.A semana foi tão cheia que eu meio que tinha conseguido esquecer um pouco o negócio de o ter beijado.

"Jay..." – Eu não sabia o que falar. E foi por isso que dei graças a Deus ao ser interrompida por Remus:

"E aí, gente! Meu plano com certeza vai funcionar!"

"Não sei não Moony – falou James, que parecia ter recuperado o humor – acho que a gente pode até ganhar..."

Remus olhou pra nós e falou:

"Exatamente."

Olhei pra ele indignada, e me levantei. Mas ele foi mais rápido e saiu correndo antes de eu o alcançar.

"Desgraçado!" – Murmurei.

"Esquece, - Falou James, passando a mão pelo meu ombro – afinal de que importa?"

"Não importa." – Falei instantaneamente, surpresa. Afinal, isso não importava quando se tinha amigos como eu tinha, isso não importava quando se sabia que era capaz.E, principalmente, isso não importava quando James estava me abraçando.

Mesmo que ele não soubesse disso.


Ok gente, mil desculpas pela demora...Apesar de eu axar q não fez tanta falta assim, afinal essa fic recebe cada vez menos reviews.Agora, quanto a esse capítulo, eu tive muitas dificuldades para o escrever...Tenho tentado começar por semanas, mas nada me inspirava, mas aí, algo aconteceu...

HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS LANÇOU!!!!

EU DESCOBRI QUEM EH R.A.B!!!

EU FUI AO LANÇAMENTE AQUI NO RIO, NA SARAIVA, E FUI UMA DAS PRIMEIRAS A PEGAR MEU EXEMPLAR!!!

EU ESTOU LENDO VICIADAMENTE!!!!

Mas enfim, depois disso, que foi ontem á noite, eu cheguei em casa li um pouco (até as 3 AM) e depois dormi.Ai, hoje, eu acordei feliz e de repente...POP...Essa idéia aparatou na minha mente.Eu nem escrevi no caderno, cm eu geralmente faço, foi direto no comp mesmo...Então eh isso, to postando logo hoje, por que com o ÚLTIMO Harry Potter em mãos não sei quanto tempo vou ficar sem postar...Mas axo q eh pouco, já to na página 300, então não se aflijam!(Há, cm se vc fossem...)OBRIGADA pelas rewies e quero MAIS!

Kakau – Que bom q a fic te enfeitiçou!Bem, quanto aos atakes, é que eu meio que tenho experiências anteriores traumatizantes...Minhas amigas são meio lokas, então...Não, não vou arriscar...Bjus

Lin Argabash – Hahah, valeu!A Lily é tapada e pronto, só nos resta aceitar isso.Akele cap realmente era um pouquinho maior, e axo q esse tb...Esse daqui teve bastante Lily-Remus...Mas eu axo q ela tava meio maníaca...Bjus

Linah Black – Linha, espero que você tenha conseguido se esconder, por que aí você pode ler essa humilde continuação que eu fiz, uuahah.Obrigada!Bjus

Thaty – Valeu, esse cap não tá lá essas coisas mas eu tinha que passar a fase das eleições para continuar com a fic, entaum...Bjus

Obs: O Centro Frida Baker não existe, é fictício!

Bjus :,

July Prongs