Seus olhos estavam fechados. Já era noite, e ela havia acabado de deitar em sua cama. O dia foi cheio para ela, que só queria descansar. Principalmente esquecer-se das horas que se passaram. Foi tão decepcionante saber que o homem que ela gostava estava namorando justamente a garota que não apenas ela, mas que quase todos odiavam. Era como se fosse mais uma daquelas histórias onde o garoto bonito fica com a malvada, e ela, a ignorada que gostava do garoto bonito.

Mas, não. Ela não queria viver um clichê daquelas histórias. E daí que eles estavam juntos? Com certeza, Fred não era o único garoto do mundo. Para quê se preocupar com isso, sendo que a vida não era somente arranjar um namorado?

Só que, a única coisa que ainda a deixava descontente era Alice. Por mais que tentava, ela não conseguia parar de imaginar como ela tratava Fred. Tinha certeza também, que o tratava com falsidade, mesmo se gostasse mesmo dele. Pelo jeito que tratava a ela, a Velma e a vários outros, era difícil imaginar que Alice tinha sentimentos verdadeiros por ele.

A ruiva aconchegou-se em sua cama, já pronta para dormir, quando ouviu seu celular tocar. Era Velma chamando-a.

"Ei, Daph!" sua amiga disse pelo celular.

"Oi..."

"Sua voz está estranha. Não acredito que já está na cama."

"Meu dia foi cheio, se é que me entende." A ruiva levantou de sua posição e ficou sentada.

"Se quiser, nos falamos amanhã." Velma disse num tom com uma presença de decepção.

"Não, não. É bom que eu fale com alguém próximo."

"Como foi hoje? Pergunto a ele sobre Alice?"

Ela deu um longo suspiro: "Nem precisei."

"Ah... sinto muito."

"Não precisa sentir. O único de quem sinto pena é de Fred por ter que aturar aquela mulher."

"Tem razão. Ainda mais aquela pessoa que adora tentar nos humilhar."

"Espero que um dia ele veja a verdadeira face daquela cobra..."

Um breve silêncio tomou conta da conversa.

"Daphne, você está bem?" Velma perguntou seriamente.

"Na verdade... não muito.

"Você precisa seguir em frente, minha amiga. Isso vai passar, acredite."

Daphne não respondeu de primeiro momento, mas depois viu que ela estava certa.

"Você tem razão. Não posso ficar me matando por isso."

"Eu vou desligar para que você durma logo." ela comentou rindo "Fique bem, Daph."

"Até mais." A ruiva deu um sorriso e desligou.

Ela novamente deitou em sua cama e adormeceu sem demora. O dia havia terminado.

Dia seguinte. Daphne havia chegado ao colégio, já mais disposta por causa da boa noite de sono que teve. Estava pronta para começar um bom dia, prestes a entrar na sala de aula.

"Oi, Daphne." Uma voz a chamou por trás dela, fazendo-a parar de caminhar.

"O que tenho o desprazer de te ver, Alice?" a ruiva cruzou os braços, mudando sua feição.

"Sei que você tentou ir a casa dele para saber se nós estávamos juntos. E aposto que se decepcionou muito."

"Em primeiro lugar," Daphne respondeu firme "não sei se você tem problema de memória ou é burra mesmo. Porque você mesma sabia que eu estava indo até a casa de Fred para fazer um trabalho com ele."

Alice ficou em silêncio.

"E em segundo lugar, não sabia que era proibido ir à casa dos outros, minha querida. E se me der licença, eu tenho uma aula para assistir."

A ruiva deu as cotas para a loira, que a puxou pelo braço.

"Não pense que eu não sei sobre seu amor por ele. E acho bom você ficar longe do meu namorado." Ela a encarou nos olhos.

"Isso é uma ameaça?" a ruiva revidou sarcasticamente.

"É um aviso, que foi dado."

"Bom saber." Daphne puxou seu braço rapidamente. Estava aliviada que Alice não estudava na mesma sala que a dela.

O dia dela poderia ter começado bem melhor se aquela garota não aparecesse.

Nas horas que se passaram, Daphne mal olhou para trás já que Fred sentava-se atrás dela. Falou com ele somente quando este chegara à sala; Deu um 'olá' seco, quase forçado. No momento queria evitá-lo, pois se o via, ou se pensasse nele, acabava pensando em Alice também. Por isso tentou concentrar-se o máximo possível na aula, agradecendo por Fred não a ter chamado em nenhum momento.

Atrás dela, o loiro a observava. Depois de tanto tempo que os dois se conheciam ele sabia que havia algo de errado, desde ontem, quando ela foi estranhamente embora de sua casa até hoje. Pensamento que foi confirmado por ele próprio. Ele evitou falar com sua amiga no meio da aula, pois deixaria para conversar com ela no final da aula.

As horas pareciam demorar mais do que nunca para os dois. Enquanto Daphne não via a hora da aula acabar para sair dali, Fred ansiava que a aula terminasse para falar logo com ela. O loiro não fazia ideia do que se passava com a ruiva e nem porque o tratou daquele jeito. Ele precisava saber o que estava acontecendo.

Ao término da aula, Daphne foi uma dos primeiros a sair. Pegou rapidamente suas coisas e sequer falou com Fred. O rapaz, vendo aquilo, apressou-se pegando seus pertences para alcançá-la na saída.

"Daph? Ei, Daphne!" gritou ele, correndo até ela, depois de sair da sala.

Como a ruiva não podia evitá-lo, parou de caminhar rápido e virou-se para Fred.

"Oi." Ela falou, desviando o olhar.

"Está tudo bem?" ele perguntou, tocando em seu ombro.

"Estou com um pouco de pressa."

Daphne retomou os passos, mas ele não desistiu, e continuou ao seu lado.

"Vamos, Daphne. O que houve? Por que está me evitando esse tempo todo?"

"Fred, eu não quero ser rude, mas já falei que estou com pressa."

"Foi por causa de ontem, não é?" ele perguntou, parando de caminhar. E aos poucos, ela também.

Daphne estava pronta para abrir a boca; olhou para ele com olhos neutros, tentando disfarçar. Seus olhos encontraram-se, e o loiro realmente achava que iriam se entender ali, mas voltou atrás, deixando-o ali.

P.O.V's Fred

Eu não tinha ideia do que aconteceu com Daphne. Há vários dias ela agia estranhamente, e hoje havia ficado mais evidente. Nunca imaginei que seria, mas achava que minha namorada poderia estar envolvida nisso; depois de ontem, já não parecia mais a mesma. Eu conheço Daph muito bem, e sabia que não era o normal dela ficar daquele jeito. Não a segui, porque achei melhor dar-lhe espaço. Fiquei até em dúvida se ela viria hoje até minha casa. Muito provavelmente que não.

"Freddie!" me virei para trás ao ouvir a voz feminina.

"Ei, Velma." Eu dei um sorriso.

"Como você está? Falou com Daphne?" ela perguntou animada.

Velma poderia saber o que estava acontecendo, então eu tentei saber informações.

"Não consegui. Você sabe o que está havendo com ela?"

Ao ouvir aquilo, o semblante dela mudou rapidamente de animada, para nervosa. Ela começou a olhar para todos os lados, como se estivesse arranjando um meio de correr para fugir dali.

"Ah... ah... então vocês não conversaram?" ela disse, dando dois passos para trás.

"Velma?" eu estendi minhas mãos, mas ela se afastou ainda mais.

"Depois nos falamos, Fred! Até mais!" quando percebi, ela já estava longe, correndo e acenando para mim.

"Porque será que todos estão fugindo de mim hoje!" eu disse alto, fazendo um gesto com as mãos.

De repente, sinto duas mãos cobrindo meus olhos. Já podia imaginar quem era.

"Alice?" perguntei.

"Você nem esperou que eu falasse, Fred!" ela tirou as mãos e me virei para ela, que logo me deu um beijo em meus lábios.

"Desculpe, sou detetive." Respondi rindo.

Ela me deu um leve tapinha no braço.

"Já estou indo embora, quer que eu leve você?"

"Não vou recusar essa oferta."

Então nós fomos. Meu pai havia me emprestado o carro dele, é claro que não podia deixar de usá-lo. Mas, mesmo assim, eu não via a hora de ter o meu próprio, sem ser a Máquina de Mistério, que era de toda a turma.

No meio do caminho, Alice comentou sobre Daphne, coisa que raramente ouvia sair de sua boca.

"Como vocês dois estão indo com o trabalho?" ela perguntou, parecendo não ligar muito.

"Eu e Daphne?"

"Sim."

"Estamos indo bem..."

"Que estranho. Ontem, quando ela saiu de sua casa, parecia estar um pouco... chateada."

"Não sei se era exatamente isso, Alice."

"Você é homem, não entenderia essas coisas."

"Talvez seja isso..." eu disse em voz baixa.

"O quê?"

"Não, nada."

O caminho até a casa dela foi rápido. Antes de sair, nos beijamos.

"Vou sentir sua falta." Eu disse para ela sorrindo, que apenas sorriu de volta.

Fui embora, e meus pensamentos voltaram-se para Daphne. Talvez fosse a hora de conversar com ela.

Voltei até minha casa. Tomei um banho e vesti uma roupa simples. Comi alguma coisa e peguei meu celular depois. Eu precisava tomar coragem e encarar meu medo. Então pesquisei os contatos e liguei para Daphne.

"Você ligou para Daphne Blake. Se estiver ouvindo essa mensagem, é porque não posso atender no momento. Mas deixe uma mensagem após o sinal."

Pensei em desligar assim que ouvia mensagem automática; entretanto, achei melhor falar logo, pois uma hora ela ouviria e quem sabe, me respondesse.

"Daphne? Eh... oi, eu... eu estou ligando pra saber se você virá hoje até minha casa..." meu nervosismo era evidente "podemos continuar o trabalho, e se você quiser, podemos conversar. Então... é isso... até mais."

Bem. Era isso. Fui até a sala e encontrei o livro no sofá. Não tive coragem de abri-lo para ler, pois só faria isso se ela estivesse comigo.