Capítulo 4: "A outra festa em Havana"
Gina acordou na sexta-feira véspera de Natal com todos os deveres prontos, e orgulhosa por causa disso. Passara quase a semana inteira na biblioteca com Colin fazendo os temas e agora estava livre pra fazer o que quisesse. Inclusive ir na festa que iria ter no banheiro dos monitores, segundo Colin.
- Vai ser a coisa mais nojenta que eu já fiz em toda minha vida! – exclamou Gina, na sala comunal, enquanto jogava xadrez bruxo com Colin.
- Ai, Ginny, vai ser legal – disse Colin.
- Vão ter pessoas nuas dentro daquela banheira enorme que eu sei... – disse, fazendo xeque. – Xeque.
- Não vão ter pessoas nuas, só pessoas de biquínis ou roupas de baixo – disse Colin, tirando rei do caminho.
- Não quero ver ninguém além de eu mesma de roupa de baixo, obrigada – disse ela, movendo a rainha.
- É só fechar os olhos – disse Colin. – Eles nos convidaram!
- Você pode ir sozinho dessa vez – disse ela. – Blaise já está na sua. Xeque.
- Não vou deixar minha melhor amiga de fora da maior festa VIP que já aconteceu em Hogwarts – disse ele, comendo o cavalo de Gina. – Precisa ficar com alguém!
- Não quero ficar com ninguém – disse ela, movendo o bispo. – Já decidi que vou ficar só quando gostar realmente da pessoa.
Tinha chegado a essa conclusão no dia em que Colin tinha passado com Blaise.
- Mas precisa conhecer pessoas para se apaixonar por alguém, Ginny – disse ele. – Ou já tem pretendente? Xeque.
- Não tenho ninguém – disse ela, movendo o rei.
- Nem Harry?
- Harry é um chato – disse ela.
Também chegara a essa conclusão no dia em que tinha ficado sem Colin.
- O quê? Ginny Weasley acha Harry Potter um chato?
- Cansei dele e de seus segredinhos – disse ela. – Se não se abre comigo não vou mais me abrir pra ele.
- É assim que se faz garota! – exclamou Colin. – Jogou os anéis fora?
- Sim – disse ela.
- Todos os quatro? – perguntou ele. – Xeque.
Gina desviou o rei novamente e levantou os olhos para Colin, que a mirava suspeitosamente.
- Não – disse ela baixinho.
- Xeque-mate – disse ele. – Então guardou os anéis do Malfoy?
- É – respondeu ela, recolhendo as peças que tinha pedido emprestado a Rony.
- Posso saber por quê? – perguntou Colin, se inclinado para frente, encarando Gina.
Ela crispou os lábios e o encarou
- Não sei – disse, voltando a recolher as peças.
- Vejo segundas intenções nos seus atos – disse ele, sorrindo.
- Nada a ver – disse Gina.
Realmente não sabia porque tinha deixado os anéis, quando já tinha prometido para si mesma que iria esquecer essa história. Ou talvez tivesse esperanças de alguma coisa? Sentiu-se confusa. Por que mesmo ela queria que Draco gostasse dela? Balançou a cabeça.
- Você está em conflito interno ou é impressão? – perguntou Colin.
Como ele sempre sabia o que ela estava passando?
- Mais ou menos – disse ela. – Rony! – chamou.
- O quê? – perguntou o irmão, que estava na frente da lareira conversando com Harry e Hermione.
- Suas peças! – disse ela, erguendo a rainha.
- Ah, trás aqui, maninha! – pediu ele.
Gina bufou.
- Preguiçoso...
Foi até o irmão e largou as peças ao lado dele. Viu de relance um papel de Hermione escrito alguma coisa sobre um príncipe, mas ela escondeu-o rapidamente. Harry sorriu para ela, que fingiu não ver. Voltou para o lado de Colin.
- Fala, amiga – disse ele.
- Não sei porque guardei os anéis dele – começou ela. – Acho que depois que você disse que ele podia ser alguém que queria se apaixonar eu fiquei meio comovida...
- Vi que você ficou olhando ele esses dias... – comentou Colin, malicioso.
Gina fez uma cara de desentendida.
- Mas ao mesmo tempo eu vejo ele ficando com aquelas garotas e usando elas como se fossem nada...
- Kiddo, elas são suficiente conscientes pra não se importarem – disse Colin. – Você não acha que elas o usam também? Aquele garoto é um gato! E pelo que me dizem, faz cada coisa na cama...
Gina fez uma cara feia para o amigo.
- Não me dê os detalhes, por favor... – ele assentiu. – E Camille estava chorando no banheiro, desesperada porque amava ele...
- Ela não ama ele – disse Colin, inconformado que ela pudesse acreditar. – Provável que nunca tenha se apaixonado... Essas garotas que fazem essas coisas e vão nessas festas não querem compromisso, porque ninguém lá quer isso...
- Como não? Você disse que Malfoy quer uma garota de verdade, então porque ele vai nessas festas? – perguntou, aflita.
- Amiga, acorda – ele estalou o dedo na cara dela. – Você acha que Draco Malfoy vai ficar na seca esperando a garota de seus sonhos quando têm todas aquelas outras que estão loucas pra dormir com ele?
Gina suspirou.
- Homens... – comentou.
- Você se importa, então – disse ele, risonho.
- Me importo com o que, Colin? – perguntou, alterada.
- Com ele ser cafajeste!
- Ele que faça o que quiser da vida – murmurou Gina, cruzando os braços. – Não tenho nada a ver com isso...
Colin sorriu para ela.
- Vamos então?
- Pra onde?
- Pra festa!
- Não.
- Ah, vamos, Ginny...
- Não.
- Vou achar que não quer ver Malfoy com Eleonor...
- Está bem. Eu vou...
Ele abraçou a amiga.
- Vamos escolher sua roupa?
- Tá...
Eles se levantaram e subiram para o quarto das garotas do quinto ano. Colin sentou-se na cama como da outra vez e ficou dando as instruções para ela. Depois de escolher a roupa, Gina sentou-se na cama e eles ficaram conversando até a hora em que foram tomar banho e se preparar para a festa.
Gina pôs uma saia de jeans preta até depois do joelho, com uma blusa regata verde escuro e sapatilhas verdes também. Colin puxou e prendeu uma mexa de cabelo da garota para trás. Colin vestia um jeans e uma camiseta azul escuro bem justa, sempre de All Star, só que esse era azul marinho. Pra não morrer de frio que nem da última vez, não se esqueceram de pegar casacos quentinhos antes de sair.
Quando passaram pela sala comunal Harry acompanhou a garota com os olhos, que não deu bola para ele. Estava brava com o garoto, por ser tão egoísta.
- Que coisa mais estúpida – comentou Gina enquanto rumavam pelos corredores. – Fazer uma festa assim em pleno inverno...
- Vai estar climatizado, amiga – disse Colin. – Não vamos precisar dos casacos lá dentro.
- Se querem se vestir assim o ano inteiro vão para um país tropical, como o Chile por exemplo...
- Mas não é sempre quente lá, Ginny – disse Colin. – Faz um frio danado no sul do país...
- Tanto faz – disse ela.
Na verdade só queria esculachar com a festa dos sonserinos. Estava brava. Chegaram na estátua.
- Potter cicatriz nojenta – disse Colin.
Gina abriu um sorrisinho ao ouvir a senha. A estátua se moveu e eles entraram. Dentro estava quente, com uma decoração meio tropical e tocava música cubana. Em um canto havia um garoto fazendo drinques e algumas pessoas dentro da banheira. O local, que era geralmente iluminado, estava com luzes vermelhas e verdes. Avistaram Blaise.
- E ai – disse o garoto, sorrindo para Colin. – Tudo bom, Virgínia?
- Tudo – disse ela.
- Larguem os casacos naquela sala – disse Blaise, apontando.
Era uma sala pequena, parecia um vestiário. Tinham duas garotas fofocando em um canto. Voltaram para a festa e Colin pegou um drinque de morango, Gina pegou uma garrafa de água.
- Vem dançar – disse ele, pegando a mão da garota.
- Não! – disse ela entredentes, mas era tarde demais.
Estavam no meio da pista e ela ficou para olhando para os lados. Colin a encarou enquanto mexia os quadris, braços e pernas.
- Vamos, Ginny – disse ele, se aproximando dela. – Eu sei que você pode.
Deu uma piscadela e a virou, juntou se corpo ao seu e segurou seus quadris, ajudando ela a se mexer.
- Faça um círculo com eles – disse Colin no seu ouvido. – Não um quadrado.
Ele movimentou-se junto com ela. Bebeu um gole de seu drinque.
- Quer um pouco? – ofereceu.
- Não – disse ela. – Álcool, não...
- Deve ter no máximo cinco por cento de álcool nisso, Kiddo – disse ele, virou ela de frente para ele. – Mexa esses braços.
- Álcool é álcool – disse ela. – Não quero ficar bêbada... E eu estou mexendo os braços...
- Sinta a música – disse ele, bebendo mais um gole. – Não é simplesmente balançá-los, é balançá-los no ritmo.
- Sim, senhor – disse ela, emburrada.
Eles dançavam uma música latina ou alguma coisa parecia. Gina mexia-se para lá e para cá monotonamente.
- Vem – disse Colin, puxando a garota para perto e si. – Mexa essa bunda.
Gina riu. Movimentou o quadril em círculos com ajuda do amigo. Ou pelo menos parecia com um.
- Isso, menina – riu ele. – Percebeu que Blaise não tirou os olhos de nós? – comentou ao seu ouvido.
- Não – disse ela. Fitou o sonserino. – Verdade.
- Está morrendo de ciúmes – sorriu Colin.
- Vai ver ele queria que você estivesse ajudando ele a dançar – disse Gina, desdenhosa.
- Com certeza – assentiu Colin.
Os dois deram risadas. Foi então que Gina viu Draco Malfoy e Eleonor Niels, ambos acompanhados de seus capangas, entrarem na festa.
- Olha quem chegou – disse Colin, risonho. – Seu homem.
- Ele não é meu homem! – disse Gina, inconformada.
Colin riu.
- Ele não é meu homem – repetiu ela, entre dentes.
- Como quiser – disse Colin. – Mas com Eleonor Niels ele está perdendo a verdadeira boa da festa.
O amigo riu da cara emburrada de Gina.
- Vamos, beba o resto – disse Colin. Gina fez uma cara feia para o amigo. – Eu prometo que não vai te deixar bêbada. Por favor...
- Está bem – disse ela. Pegou o copo e bebeu o resto em um gole. – Gostoso!
- É de morango – disse Colin, pegando o copo e largando encima de uma bandeja que passava perto eles. – Agora vamos fazer ciúmes nesse loiro.
Colin colou seu corpo no dela e começaram a dançar sensualmente na pista. Gina riu.
- Não vai adiantar – disse ela.
- Não? – ele levantou a sobrancelha. – Então porque ele está olhando pra você agora?
Gina arregalou os olhos e depois mirou Draco Malfoy perto do bar, olhava fixamente para ela. Deixou o queixo cair quando Malfoy virou o rosto.
- Eu não disse – sorriu Colin.
- Eu não acredito – falou Gina, excitada. A bebida estava fazendo efeito. Fitou Malfoy outra vez, ele a observava sentado ao lado de Eleonor perto de Blaise e outros sonserinos. – Passa a mão.
- O quê? – perguntou Colin.
- Passa a mão na minha coxa – disse Gina.
- Está bem – disse Colin. Agarrou a coxa dela, puxando a perna pra cima.
- Agora sobe até a cintura – disse Gina, o encarando. – Como se fosse hetero.
Colin riu e obedeceu. Passou a mão o mais desejo que pode fingir sentir. Viu os olhos de Draco brilharem. Só que ela não sabia se era de ciúmes ou desejo.
- Ele não tirou os olhos de você até agora, Ginny – disse Colin.
- Blaise não tirou os olhos de você – riu Gina, que se sentia mais solta.
- Então pega minha bunda – pediu com urgência.
- Quê? – perguntou ela, rindo.
- Ele disse que adorou pegar na minha bunda – disse Colin, se virando de costas para os sonserinos.
Gina riu e assentiu. Enquanto dançavam, ela passou as mão na bunda do amigo, depois teve que esconder o rosto para eles não verem ela rindo.
- Acho que ele ficou bravo – disse Gina.
Blaise pegou um garota e foi para a pista, começou a dançar bem agarrado com ela.
- Se ficar com ela vai ver – disse Colin, determinado.
Draco Malfoy e Eleonor foram para a pista também. Ela ficou esfregando a bunda excessivamente grande nele.
- Preciso de um drinque – disse Colin, pegando a mão da garota e a tirando da pista.
Eles foram até o cara que fazia drinque e o amigo pediu outro. Sentaram-se. Gina estava com calor e suando.
- Estou morrendo de sede – disse Colin, bebendo metade de uma vez. – Quer?
- Melhor não – disse Gina. – Uma água, por favor.
- Filho duma puta! – exclamou Colin.
Gina virou e viu Blaise beijando a garota com quem estava dançando. Colin fez uma cara inconformada.
- Eu não acredito! – disse ele. Bebeu o resto do seu drinque. – Ele vai ver só quando vier falar comigo.
- Dança comigo – disse Gina. – Mostra pra ele o que tá perdendo.
- Vamos lá, amiga – Colin pegou a mão da amiga e a levou pro meio da pista, bem perto dos dois casais.
Eles dançaram por um bom tempo, sob os olhares de Blaise e Malfoy, quando não agarravam suas garotas. Depois do que pareceu horas, os casais sumiram. Cansados, Gina e Colin decidiram voltar para a sala comunal.
- Vou pegar nossos casacos – disse Gina.
- Eu vou dar uma passada no banheiro – disse Colin.
Ela abriu a porta e escutou um barulho estranho. Uma garota gemendo. Arregalou os olhos e mirou envolta. Atrás de um armário ao fundo tinha um casal, mas ela só podia ver os cabelos loiros de Eleonor espalhados no chão. Apavorada e completamente constrangida deu passos silenciosos até os casacos dela e de Colin.
- Ai, Draco... – escutou ela falar.
Fez uma cara de nojo agudo. Quando pegou o casaco ela pode ver Draco Malfoy encima da garota. A blusa dela estava jogada em um canto, junto com a dele. Correu até a porta e saiu o mais sorrateiramente que pode. Nervosa, foi até a entrada. Avistou Colin de braços cruzados.
- Você não vai acreditar – disseram os dois ao mesmo tempo.
- Fala você primeiro – disse Gina, oferecendo o casaco para Colin.
- Adivinha que estava na cabine do banheiro fazendo sexo? – perguntou, tom sarcástico.
- Blaise? – arriscou Gina, enquanto saiam para os frios corredores de Hogwarts.
- Sim! – exclamou. – Com aquela vadia!
- Ah, Colin... – Gina falou.
- Deu vontade de abrir a porta e afogá-los na privada!
- Nem esquenta – disse ela. – Ele vai se arrepender depois...
- Espero – disse Colin. – Só quero ver ele beijando meus pés agora.
Gina riu.
- Adivinha quem estava no vestiário fazendo no chão atrás do armário? – perguntou ela.
- Malfoy e Eleonor? – perguntou Colin, interessado.
- Sim – disse ela.
- E você viu?
- Só as cabeças loiras dos dois – respondeu Gina, fazendo cara de nojo.
- E como foi? – Colin estava visivelmente curioso.
- Colin, se está perguntando se gosto de voyerismo e fiquei excitada: NÃO – disse ela.
- Tá, mas como é que era? – perguntou ele.
- Não sei! – disse ela. – Ele estava encima dela se mexendo. Foi nojento!
- Não queria estar no lugar dela? – perguntou ele.
- Não, Colin – respondeu ela, ofendida. – Eles podem ter seus bebês loiros, não me importo.
Ele a encarou.
- Que amor você é – disse Colin. - Mas se ele um dia gostar de você?
- Ele não vai – disse ela. – Ei, acorda – disse ao quadro da Mulher Gorda.
- Se algum dia ele gostar? – insistiu. – Estrela cadente – o quadro moveu-se e eles entraram.
- Aí, eu teria que gostar dele... – Gina sentou-se em uma poltrona.
- Dê uma chance, então – disse Colin, sentando-se na frente dela.
- Chance pra quê? – perguntou Gina.
- Pra descobrir o que sente por ele! – disse o amigo. Gina abriu a boca. – E antes de dizer que não sente nada por ele, é melhor pensar!
- Por que eu deveria pensar sobre isso?
- Porque ele precisa de alguém como você!
