4º Capítulo: Quando os homens são mais crianças que as crianças...

Grissom adorava lecionar e gostava muito de seus alunos. Mas se havia algo, que o fazia extremamente feliz era voltar todos os dias, para casa. Pensar em ter aquelas crianças adoráveis, chamando-o de pai e se pendurando, em seu pescoço, era o máximo para ele. Pensar em ter nos braços, a única mulher, que amara de verdade, e continuava a amar com a mesma intensidade, após tantos anos, punha os cabelinhos de seu pescoço em pé.

Aquela tarde não foi diferente; as crianças recepcionaram ruidosamente o pai, adicionados de Theo. Sara foi à sala, beijou o marido e disse-lhe que os Simmons, estavam lá.

Grissom foi até a cozinha e deu um forte abraço no amigo. Soube que Howard ia ajudá-lo a tomar conta das crianças e ficou contente. Sara tratou de pôr um balde de água fria no assunto.

- Nada de se grudarem nos joysticks e se esquecerem das crianças! Não se esqueçam que vocês são os adultos e estão no comando... e não o contrário!- Falou Sara muito séria...

- Claro, Sara! Até parece que somos crianças! – Grissom melindrou-se.

- E as crianças têm que estar na cama às nove. Nem nove e quinze, nem nove e meia: nove horas, Gil!

- Eu sei, eu sei...

- E você esteja em casa a esta hora para pôr o Theo na cama! - Disse Catherine ao marido.

- Está bem, querida! Não se preocupa: está tudo sob controle!

Era o que Sara temia. Toda a vez que ela ouvia esta frase, NADA estava sob controle. Enfim, ela e Catherine saíram para trabalhar.

- Mulheres... - resmungou Grissom ao fechar a porta. - Tratam a gente como imprestáveis...

- É o que somos às vezes... – completou Howard de bom humor.

Grissom deu-lhe razão, balançando a cabeça. Howard perguntou se não tinha nada pela molhar a goela. Grissom arrumando as coisas pra jogarem, pediu para ele pegar cerveja na geladeira. Devia ter, porque Sara nunca deixava faltar.

Howard voltou com um monte de latinhas. Abriu uma e deu para Grissom. Pegou outra pra si. Tinham quatro joysticks, então alguém ficaria de fora. Grissom disse que ele ficaria. Howard protestou; não seria só ele de adulto, na brincadeira. Como os meninos não se decidissem e olhassem aguados para a tela da TV, Robin resolveu-se. Disse que ficaria de fora.

- Tem certeza, detetive? Podemos nos revezar...

- Tenho, padrinho nem gosto muito de games, afinal...

Os quatro começaram a jogar, os grandes muito competitivos. Os pais pressionaram os filhos, que na verdade só queriam brincar. As crianças acabaram desistindo dos games e foram brincar de outra coisa; deixando os adultos se engalfinharem.

Às oito horas as crianças estavam famintas, e Ryan perguntou ao pai, que estava empolgado com o jogo.

- Papai, a que horas vamos jantar? Estamos com fome!

- Eu vou pedir! Um momento!

Levantou-se e foi meio cambaleando até o telefone. Sentiu-se um pouco perdido. Perguntou aflito, onde estavam seus óculos.

- Estão na sua cara, papai. – Falou Robin, com sua voz grave.

- Estão mesmo! – Howard gargalhava. - Esses óculos são pra perto ou pra longe?

- Perto. Deve ser porisso, que eu enxergava tão mal! – Respondeu Grissom, limpando os óculos.

- Deixe, papai, que eu faço isto! – Disse Robin, que estava com fome e queria comer, antes de ficar senil.

- Tem certeza, Robin?

- Ora, papai! Que mistério tem isso?- A menina procurou um papel perto do telefone, onde Sara tinha escrito, o telefone da pizzaria.

Achou-o, teclou, e imitou diretinho o jeito que vira a mãe fazer, inúmeras vezes, ordenando as pizzas e dando seu endereço. Grissom olhava para ela maravilhado. Ela estava muito parecida com Sara; mesmo jeito, mesma voz rouca, mesmo ar voluntarioso...

Foi outra vez se sentar perto do amigo Howard. Tornou a se empolgar com o jogo e Howard deu-lhe outra lata de cerveja. Vinte minutos mais tarde, Robin atendeu o rapaz da pizza, pagou e deu a gorjeta, direitinho. Se Grissom estivesse em condições, teria de novo se orgulhado da filha.

Mas, ele estava sentado no sofá agarrado ao joystick, com o resto de concentração que ainda tinha, focada no jogo! E não viu nada a sua volta.

Eram nove e vinte e cinco, quando tendo uma inesperada calmaria no laboratório, Sara resolveu telefonar para casa, para ver como as coisas estavam indo. Os rapazes tinham ido atender uma ocorrência e as duas mulheres, estavam tranqüilas, processando evidências.

- Alô, Grissom?

- Sim, é ele falando, quem é?

- Como, quem está falando?- Já começava a se formar uma ruga, em sua testa, - Sara, não reconhece mais a minha voz?

- Sara? Ela não está!

Era caso para rir, mas ela não riu. "Aquilo" em sua testa começou a pulsar. Ela teve um mau pressentimento. A fala do marido estava estranha.

- Por que estaria te telefonando, se estivesse aí?

Grissom não soube responder e calou-se no aparelho um momento para poder pensar. O quê, aquela mulher queria dele? No outro lado da linha, Sara estava cada vez mais agitada

- Gil, você está bem? E as crianças, já estão dormindo?

-CRIANÇAS? Que crianças?

Sara quase deixou o fone cair...

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