– Não acredito que estou aqui! – Rachel reclamou novamente com Santana, que rolou os olhos. – Não acredito que você e Kurt me convenceram.

Elas estavam acabando de chegar ao telhado do prédio de Finn e Puck, que davam uma festa de ano-novo. Rachel protestara, sem querer ir, mas Santana já conseguia ser bastante convincente sozinha, imagina tendo a ajuda de Kurt.

– Para de reclamar e tira essa cara de emburrada. Daqui a pouco é ano novo, você não vai querer virar o ano desse jeito, vai?

Rachel não queria isso, portanto, tentou manter o semblante mais amigável, à medida em que passavam pelas pessoas e cumprimentavam alguns conhecidos. Quando se encontraram com Kurt, que estava com o namorado novo, Blaine, pararam de andar. Rachel passou a vista pelo local, cheio de gente vestida de branco, assim como ela mesma.

Viu Finn num canto mais afastado, conversando, bem próximo, com uma mulher que usava um vestido mais indecente do que o que Rachel usara no dia em que passara a noite com ele. Provavelmente, isso era tudo o que era necessário para obter a atenção de Finn, uma roupa provocativa, que revelava mais do que escondia.

Rachel balançou a cabeça negativamente, em desaprovação, e semicerrou os olhos na direção do casal. Foi quando Finn virou a cabeça e olhou para ela também. Ele continuou olhando-a, mesmo tendo a mulher falando, falando e falando no ouvido dele. Não parecia que estava prestando a mínima atenção no que quer que ela dizia. Ele deu aquele sorriso de canto. Rachel desviou o olhar, tentando fazer com que aquela noite não se transformasse num completo desastre.

Finn não se aproximou para falar com ela durante boa parte da noite. Ele parecia estar ignorando-a de propósito, só para provocá-la. E o pior era que estava dando certo. Por mais que quisesse se convencer de que não queria que Finn Hudson fosse falar com ela, Rachel ficava seguindo-o com o olhar praticamente todo o tempo.

Ela foi para o limite do telhado e se apoiou no parapeito, olhando para baixo. Não era o tipo de pessoa que ficava zonza com a altura. Pelo contrário, gostava da adrenalina que sentia ao ver o chão tão distante. Estava sozinha agora que Brittany havia chegado e Santana a abandonara. Kurt estava em algum lugar também, com Blaine.

Parecia que todo mundo tinha um par ali, e, consequentemente, tinha alguém para beijar quando desse meia-noite, menos ela. Rachel suspirou, comprovando que teria se divertido mais se tivesse ficado em casa, assistindo aos filmes de ano-novo que costumavam passar na TV naquela época, os quais, para falar a verdade, só conseguiam deixá-la ainda mais deprimida, com suas tentativas de passar mensagens de felicidade e esperança para o futuro. Talvez, a essa hora, estivesse se empanturrando com uma caixa de chocolate e curtindo em paz a própria solidão.

Foi quando sentiu uma mão pousar na base de suas costas e subir lentamente, até chegar ao ombro esquerdo e parar. Se a altura não a fizera ficar zonza anteriormente, este simples toque realizara a proeza. Não precisou de nada mais para saber de quem se tratava.

Finn se aproximou ainda mais e colocou a parte da frente do corpo dele em contato com a parte de trás do corpo dela.

– Divertindo-se? – ele perguntou num sussurro, bem próxima ao ouvido dela, o que a fez se arrepiar todinha. Ele riu devido à falta de reação de Rachel, que nem sequer virou a cabeça para olhá-lo, e permaneceu naquela mesma posição. – Não quer um drink?

– Não. – Rachel respondeu, finalmente. – É bom evitar a bebida, para não acabar fazendo nada estúpido.

Finn riu ainda mais com o jeito emburrado com o qual ela falou..

– Eu gosto do jeito que você é engraçada sem ter a intenção de ser.

Rachel franziu o cenho. Não gostava quando ele insistia em ficar falando das coisas que gostava na personalidade dela, da mesma forma que não gostava de pensar nas coisas que gostava na personalidade dele, pois isso fazia com que aquela relação, um tanto quanto conturbada, deixasse de ser puramente física para adquirir um certo aspecto pessoal. A última coisa que Rachel queria era se sentir pessoalmente identificada com Finn.

– Onde estão suas amigas? – ela perguntou, em tom ácido, para tentar manter a distância pessoal. – Você parece ter várias aqui. Do tipo íntimas, se é que me entende.

Ela procurou não pensar no fato de que estava incluída nesse rol também.

– Na verdade nem tantas. – Finn respondeu.

Rachel gostaria que ele se afastasse, para poder pensar com maior clareza.

– Sei... – ela riu, sarcasticamente.

– Está com ciúmes?

Ela olhou para ele, finalmente.

– O quê? Claro que não, não seja ridículo!

– Parece que está.

Rachel bufou, decidindo que não adiantaria discutir, e virou o corpo na direção dele, o que o obrigou a se afastar. Finn retirou a mão do ombro dela e Rachel sentiu falta do contato imediatamente.

– O mundo não gira ao seu redor, Hudson.

Finn lambeu os lábios, enquanto a encarava.

– Quando você me chama de "Hudson", soa de forma tão... Sexy. – ele acrescentou, num sussurro baixo, com o rosto próximo ao dela.

Rachel engoliu em seco.

As pessoas em volta começaram a fazer a contagem regressiva em voz alta. Já estava para dar meia-noite? Ela nem mesmo tinha percebido.

... Quatro... Três... Dois... Um...

– Feliz ano-novo! – gritaram, em uníssono.

De repente, Rachel se viu presa entre os braços de Finn, com a boca dele esmagando a dela. Para falar a verdade, não tentou afastá-loe o envolveu com os braços pelo pescoço, beijando-o de volta, feliz demais por ter um beijo de meia-noite, ao contrário do que estivera pensando.

E que beijo.

Conseguia perceber a si mesma se derretendo entre os braços de Finn, enquanto as línguas de ambos se divertiam juntas. Quando finalmente se separaram, Rachel abriu os olhos lentamente, quase como se não quisesse pôr fim àquele momento.

– Vamos lá para baixo, para o meu apartamento. – Finn propôs, beijando-a por toda a extensão do pescoço. Rachel voltou a fechar os olhos e ronronou como uma gata, inclinando a cabeça, para aumentar o acesso dele a seu pescoço.

– Não mesmo.

– Vamos, Rachel... – ele mudou para o outro lado do pescoço e continuou o que estava fazendo. – Você sabe que também quer.

Ela balançou a cabeça negativamente.

– Nem pensar. – disse, firmemente. – Não vou.


Ela foi.

Não tivera autocontrole o suficiente para continuar negando.

Fora com Finn até o apartamento dele e o ouvira dizer a Puck para nem pensar em incomodá-los no quarto dele, quando decidisse descer também. Tentou ignorar os sorrisinhos que recebeu dele, de Santana e de Kurt, ao andar com Finn até a porta, de mãos dadas.

Sua mente estava completamente em branco. Só queria chegar lá rapidamente e arrancar as roupas dele a as próprias. Não estava se importando com o depois. Pelo menos não naquele exato momento. Provavelmente se arrependeria do que estava prestes a fazer, mas não se importava. Depois se preocuparia com isso.

Nem sequer perdeu tempo tentando parecer inibida, quando eles já estavam no quarto de Finn, beijando-se e tratando de se livrar das roupas. O desejo contido dentro de Rachel era tão grande que a urgência tomou conta dela. E parecia que Finn não ficava atrás. A boca dele era persuasiva e a provocativa, bem como exigente.

Ele começou a dar mordiscos nos lábios dela e Rachel podia sentir uma bola de fogo crescendo dentro dela. As mãos dele em seu corpo eram destras e experientes, tocavam e apertavam nos lugares certos. Elas puxaram o vestido para cima e repousaram, cálidas, em sua pele, na altura da cintura. Rachel podia sentir que já estava ficando úmida.

Finn não conseguia conter o desejo que crescia dentro dele e passou as mãos pelos seios pequenos e firmes. Relembrou-o de como se encaixavam perfeitamente na palma de suas mãos. Com os polegares nos mamilos, começou a provocá-la, sentindo-os já bastante endurecidos.

Os sons que escaparam da garganta dela penetravam gloriosamente no ouvido dele, fazendo-o vibrar. Beijando-a nos lábios, envolveu o corpo feminino completamente com os braços e o apertou forte contra si mesmo. Precisava eliminar todas as barreiras naquele exato momento.

Puxou o vestido de Rachel e o retirou pela cabeça. Logo depois, retirou a própria camisa e voltou a juntar os corpos, agora diretamente em contato um com o outro. O prazer que aquele contato proporcionou deixou-o sem palavras. Rachel tinha o poder de dominá-lo completamente. Finn fora acostumado a ser o caçador em suas relações, mas quando se tratava da pequena Rachel Berry, sentia-se tão atraído que era como se transformasse na presa.

Os braços dela envolveram seu pescoço e prenderam seus cabelos. Rachel puxou a cabeça dele para trás, segurando nos fios, e o olhou nos olhos. Ambos se encararam e depois sorriram um para o outro, antes de voltarem a beijar.

Finn se livrou da calça que estava usando e a levantou, segurando-a no colo, passando as mãos por debaixo dos joelhos dela. Coloco-a delicadamente sobre a cama. Antes de deitar ele mesmo, tratou de se livrar também da cueca. Rachel o observou durante todo o tempo e mordeu o lábio ao vê-lo completamente nu em toda a sua glória masculina. Era ainda melhor do que ela se lembrava.

Finn finalmente subiu na cama, mas ficou de joelhos. Ele colocou as mãos na calcinha de Rachel e começou a puxá-la para baixo. Ela levantou a parte de baixo do corpo para permiti-lo realizar a tarefa. E agora estavam os dois nus, como ambos haviam longamente desejado.

Finn deitou sobre ela, para o deleite do casal, e colocou o rosto na curva de seu pescoço, cravando os dentes na pele suave e macia. Rachel puxou a cabeça dele pelos cabelos de novo para juntas as bocas. Uma energia selvagem estava tomando posse dela.

– Eu quero você, Finn. – ela murmurou, contra a boca dele.

Finn sorriu ao ouvir a voz rouca, completamente tomada pelo desejo.

– Eu sei. – a mão dele deslizou-se pelo corpo dela, indo do ombro até a coxa e subindo outra vez. – E eu quero você. Quero você todinha.

Dizendo isso, ele abocanhou um dos seios e começou a sugar com intensidade. Rachel gemeu alto e sentiu o sangue bombear todo no espaço estratégico entre suas pernas. Finn passou a dar atenção ao outro seio e Rachel já balançava a cabeça de um lado para o outro, devastadoramente entregue ao prazer que estava sentindo por aquele gesto.

Seu corpo estremecia fortemente e ela se esfregou contra ele num movimento frenético, causando em ambos sensações maravilhosas. Finn desceu a mão pelo abdômen dela, até chegar lá, exatamente onde ela queria. Rachel fechou os olhos firmemente, quando ele deslizou, sedutoramente, os dedos ao longo de sua vagina.

Ele introduziu um dedo e então gemeu em uníssono com ela, apertando e penetrando seu recanto quente e molhado. Finn acelerou o movimento, introduzindo mais um dedo e Rachel já não estava aguentando mais se segurar. Os gemidos que soltava eram cada vez mais fortes e altos e ela sentiu o orgasmo a atingir e chacoalhar seu corpo de cima abaixo, explodindo seu mundo em mil cores.

Finn continuou com os dedos dentro dela, sentindo as paredes internas de Rachel contraírem-se. Depois, ele retirou a mão e voltou a beijá-la intensamente.

– Agora chegou o momento mais esperado. – disse Finn, posicionando-se entre as pernas dela, que se abriram para ele em uma feliz bem-vinda.

– Sim, sim, sim! – ela exclamou, ofegante. Queria senti-lo dentro de si. Completamente dentro de si. Havia esperado muito tempo por aquilo e já estava tremendo devido à expectativa.

Que provou não ser nada comparada à realidade. Finn entrou nela totalmente e tê-lo ali, de fato, era muito mais atordoante do que qualquer imaginação. Podia sentir o próprio prazer em forma de fogo líquido. Suas unhas arranharam as costas dele, sabendo que provavelmente deixariam marcas. Isso fez com que ela ficasse ainda mais acesa. Pensar que deixaria sua marca nele intensificou o desejo ainda mais.

Ela moveu o quadril em harmonia junto com o dele. Os corpos suados se roçavam e as partes íntimas criavam o atrito perfeito. Rachel pôde sentir o clímax chegando outra vez. Quando foi atingida novamente, arqueou o corpo contra o de Finn e logo depois caiu deitada contra o colchão de forma mole. Percebendo que o momento de Rachel já havia chegado, ele se permitiu esvaziar dentro dela.


Deitados lado a lado, ninguém falou nada por muito tempo. Os dois estavam tentando voltar ao juízo perfeito, depois de terem chegado às extremidades da lucidez. Estavam também tentando acalmar, bem como entender, os próprios sentimentos e o que significava aquela imensa atração que sentiam.

Assim como havia previsto, o arrependimento bateu em Rachel e a fez pensar com maior clareza. Tensa, constatara que havia se entregado novamente, ainda que tivesse prometido a si mesma que não voltaria a acontecer. Mas não escutara a voz da razão e agora estava na cama de Finn Hudson outra vez, colocando em risco os próprios sentimentos.

Mesmo sabendo que poderia sair extremamente magoada, Rachel cedera à tentação. Finn não era o tipo de homem que estava disposto a se prender a uma mulher e ela não era o tipo de mulher que estava disposta a viver uma aventura que acabaria em lágrimas. Lágrimas essas que, com cem por cento de certeza, seriam as dela.

Mas ainda havia tempo. Tinha que haver.

Rachel se levantou e se pôs de pé, indo atrás de suas roupas.

– O que pensa que está fazendo? – Finn perguntou.

– Indo embora. – encontrou o vestido e tratou de colocá-lo de volta.

Finn se levantou da cama e foi até ela.

– Não pense que vai me deixar de novo.

– Não banque o ofendido, Hudson. Por que você acha que sempre tem que ser você o primeiro a pular fora?

Ele ficou calado depois da acusação. Era bem verdade que estava acostumado a manter distância emocional nas relações que tinha com as mulheres, nunca se envolvendo mais do que devia, deixando-as assim que se apresentava a primeira oportunidade. Ela percebeu a reação hesitante dele e riu sarcasticamente, ao mesmo tempo em que buscava a calcinha por todos os lados do quarto, sem saber exatamente onde Finn a tinha jogado.

– Você é tão patético com esse seu jeito machista. – no quarto escuro, pegou algo branco do chão e examinou, mas constatou que não era sua calcinha branca e sim a cueca dele e voltou a jogá-la. – Foi um erro, como da outra vez. Vamos aceitar isso e seguir em frente.

– Como se não tivesse acontecido?

Rachel se virou e olhou para ele, ao ouvir o tom de voz que soara de uma maneira que ela não sabia precisar qual. Parecia ter um toque de orgulho ferido, mas de um jeito melancólico e não convencido. Mas devia estar enganada, claro. Finn Hudson não era o tipo de homem que se deixava abater por uma mulher.

Ele ainda estava completamente nu, numa presença alta e imponente no meio do quarto. Odiava o jeito como se sentia tão atraída por aquela visão.

– Isso mesmo. – voltou a buscar pela bendita da calcinha que parecia estar se escondendo só com a intenção de fazê-la se irritar. – tenho certeza de que encontrará outra, para que cure suas feridas.

– Rachel...

– Escute, Hudson... – ela deu uma pausa, quando finalmente achou o que procurava e começou a colocá-la. – Eu não quero manter este tipo de relacionamento com você. Claro, o sexo é ótimo, como foi comprovado agora há pouco, mas é só isso, e isso não é o que eu estou procurando. Você não é o tipo de homem que eu tenho a intenção de manter em minha vida. Você é do tipo cafajeste e mulherengo. Quanto mais fria for a relação para você, melhor. – Rachel pôde vê-lo mudando o peso do corpo para a outra perna e cruzando os braços, à medida que ia escutando as palavras acusatórias vindas dela, a expressão ficando ressentida. – Eu não estou julgando, cada um é do jeito que é, mas... Não é exatamente este tipo de caráter que eu procuro num homem. Procuro alguém que tenha uma moral séria e não um depravado, como você. Não estou tentando ser ofensiva. – acrescentou rapidamente, achando que era o que deveria fazer. – Ou cruel. Mas, simplesmente... Não é o que eu quero e ponto final.

Rachel decidiu que já era hora de parar com o seu monólogo. Sabia que, por mais que não quisesse, as palavras tinham soado um pouco duras. Não queria chateá-lo, mas, se isso fosse o que o levaria a manter-se longe dela, então que fosse.

Notou a expressão contrariada no rosto dele. Até mesmo triste. Sentiu uma pontada de culpa, mas procurou ignorar. Não era problema dela se a verdade doía e Finn Hudson era sim um cafajeste. Aliás, era uma reputação da qual, até onde ela sabia, ele se orgulhava de ostentar.

Sem dizer mais nada, pegou a bolsa, calçou as sandálias e foi embora, sem que Finn tentasse impedir.


Capítulo hot outra vez. kkkkk... :P