The new adventures of little Sam and little Dean.

Capítulo 4 – Não se pode ter tudo o que se quer.

Meu irmão sempre foi um garoto muito esperto, desde pequenininho. Agora, aos seis anos, ele era inteligente até demais para a sua idade. O único problema é que ele tem um gênio do cão. Se ele quer alguma coisa, ele não desiste até conseguí-la, e isso me tira do sério às vezes.

Meu pai tinha recém terminado uma caçada e já nos arrastou para outra cidade. Mais uma vez tivemos que abandonar as poucas amizades que fizemos na última escola e voltar a ser os novatos em outra.

Por um lado, eu sabia bem o que o meu irmão estava sentindo, mas a sua teimosia estava passando dos limites. Como é que alguém com apenas seis anos de idade consegue ser tão teimoso?

A nova escola ficava bem perto do motel onde o papai nos deixou. Ele me instruiu, como sempre fazia antes de partir, e então deixou Sam por minha conta. Naquela manhã eu levantei mais cedo, preparei seu café e então o acordei, mas Sam sequer se mexeu na cama.

- Sammy, anda logo! Eu não quero me atrasar por sua causa!

- Sai daqui Dean! - Ele esperneou quando eu perdi a paciência e arranquei o seu cobertor - Eu não vou pra essa maldita escola!

- Você o quê? Levanta já dessa cama, ou eu vou te jogar um copo d'água. - Ameacei.

- Você não teria cora... - Sam não terminou a frase, se ocupando em secar a água que joguei em seu rosto.

- Por essa você me paga, Dean! – Sam voou para cima de mim feito um galo de briga.

Me pegou desprevenido e quando percebi, eu já estava deitado no chão com meu irmãozinho em cima de mim, tentando me socar.

- Para com isso, Sammy! Senão eu vou ter que bater em você!

- Por que você é tão idiota, Dean? Eu falei que não vou pra escola, e eu não vou! – Ele falou com raiva, tentando se soltar das minhas mãos, que seguravam seus punhos com força.

- Pois você vai pra escola sim e está acabado! Já chega com esta teimosia! Se você não for, o papai vai ficar sabendo e vai acabar sobrando pra mim! - Isso era a mais pura verdade.

- Eu não quero ir! Eu odeio ter que ir sempre pra uma escola diferente, aonde todos ficam me olhando como se eu fosse um ET! Eu odeio o papai por ficar se mudando o tempo todo! E eu odeio você, Dean! – Sam cuspia as palavras, tentando segurar o choro.

Eu apenas fiquei ali, segurando seus punhos para não levar um soco, e o deixando desabafar.

- E por que você me odeia? – Eu tive que perguntar.

- Porque você... Você... Eu não sei! – Ele não encontrou nenhum argumento pra me odiar, o que me deixou aliviado.

- Então deixa de besteira e vá colocar seu uniforme. Seu bebezinho mimado! – Eu provoquei e o empurrei pra longe de mim, mas ele foi muito rápido e revidou, me acertando um soco no nariz, que começou a sangrar.

- Olha o que você fez! – Eu gritei, colocando a mão para estancar o sangue, mas me arrependi de ter gritado no minuto seguinte.

O olhar de Sam, tão assustado e cheio de culpa, fez o meu coração partir ao meio.

- Me... Me de-desculpe, Dean! Eu não queria... – Seus lábios tremiam e as lágrimas rolavam por sua face, ele parecia desesperado, sem saber o que fazer.

- Está tudo bem, Sam. Só pega uma toalha limpa pra mim, por favor? – Eu baixei o tom de voz, tentando acalmá-lo.

- Cla-claro.

Sam trouxe uma toalha e ficou me encarando, esperando pela minha reação.

- Ta doendo muito? Vai parar de sangrar, não vai?

- Não, não dói nada! E já está parando de sangrar. Você me acertou de jeito! – Eu ri para descontrair um pouco. Ver Sam tão preocupado já estava me deixando nervoso.

Fui até o banheiro lavar meu rosto e conferir se o sangramento parou, então voltei para o quarto e me sentei na cama.

- Vem cá, Sammy. – Pedi com jeito e ele se sentou ao meu lado, encarando as próprias mãos.

- Dean, eu... Eu não quis te machucar, eu juro! E eu também não odeio você, eu só... Eu só estava com raiva.

- Eu sei. E eu entendo que você não goste de ficar trocando de escola o tempo todo. Eu também não gosto, Sam. Mas você precisa colaborar, afinal você sabe que o papai precisa viajar, ele...

- Ele precisa vender coisas, eu sei! – Sam bufou – Mas eu só queria que a gente tivesse uma casa, e que ficasse morando num só lugar. Só isso!

Ouvir meu irmãozinho ainda tão pequeno, falando desse jeito, fazia o meu coração apertar. Principalmente porque isso era tudo o que eu mais queria também. Mas eu sei que o meu pai não vende coisas, eu sei que ele caça monstros e criaturas sobrenaturais. O problema é que eu não posso falar isso pro meu irmão. Não ainda. Eu quero que ele continue dormindo tranquilo, achando que monstros não existem.

- Pensa no lado bom, Sam. Quantas cidades nós já conhecemos, hein? Você acha que algum coleguinha da sua nova escola já conheceu tantos lugares como você?

- Não, mas...

- Agora vá colocar seu uniforme, que nós já estamos atrasados. E eu preciso trocar minha camisa, porque está suja de sangue.

- Dean? - Sam parou em minha frente.

- O quê?

- Você acha que algum dia nós vamos ter uma vida normal?

- Normal?

- Assim, como a das outras crianças.

- Eu acho que não – Eu não podia mentir mais ainda – Mas tem uma coisa que eu tenho e as crianças normais não tem.

- O que é?

- O irmãozinho mais pentelho e chato do mundo! – Eu fiz cócegas em suas costelas e Sam dava gargalhadas, se contorcendo e tentando escapar.

- E eu tenho o irmão mais velho mais legal do mundo! – Sam falou em meio às risadas. Estávamos de bem novamente.

FIM do capítulo 4.


Reviews me deixam muuuito feliz e inspirada! Beijos!