Intrincado - Alguns sentimentos são confusos demais.

Capítulo 4 – Castigo, por Scorpius Hiperion Malfoy

Aquilo era um castigo.

Alguma brincadeira distorcida do universo.

Alguma piada sem graça de algum deus, se é que os deuses existem. E eu duvido muito que existam, pois nada pode ser tão sádico. Talvez meu avô seja sádico dessa maneira, mas nem ele iria sonhar ou querer algo assim para um Malfoy.

Não, isso era apenas uma piada de muito mau gosto.

Não tenho certeza de quando havia me interessado por garotos. Na verdade, como já disse, parece uma ironia do destino. A única coisa que meu avô fez questão de dizer e que meu pai não censurou foi que eu deveria crescer, me tornar um homem grande, casar e ter um herdeiro. Adoção não é uma opção para um Malfoy. É necessário transmitir o sangue. As propriedades mágicas e características e um bilhão de outras explicações que vovô gostava de discursar sobre o bem do puro sangue correndo nas veias dos bruxos enquanto vovó apenas lia algum romance visivelmente trouxa e altamente erótico, nas poucas paginas que consegui ler uma vez.

O fato é que eu nunca olhei para uma mulher.

Nem mesmo minha mãe alguma vez me chamou a atenção. Ela parecia perfeita para o papel de mãe carinhosa e esposa exemplar. Nada além disso. Foi com esse pensamento que me dei conta que talvez meu pai também não ligasse para mulheres. Eu não tinha certeza se os dois dormiam juntos e nem me importava com isso. Havia um certo consolo em pensar que eu não era o único Malfoy a gostar de rapazes.

Havia a parte lastimável que possivelmente eu também teria que me casar com uma mulher para gerar um herdeiro e isso significava dividir a mesma cama e tocar. Talvez o corpo de uma mulher não fosse tão diferente assim e de qualquer maneira eu nunca toquei nenhum homem ou mulher para ter certeza, mas eu nunca ficava animado quando pegava alguma das minhas colegas no banho depois do quadribol, quando eram os garotos, eu confesso que nunca ficava muito animado também.

Havia apenas um garoto que me tirava completamente o ar.

Exatamente o filho daquele que havia infernizado a vida do meu pai durante todo o seu tempo escolar. E sem contar que tinha mandado meu avô para Azkaban como ele gostava de lembrar.

Eu sabia que não podia ser certo ver aqueles olhos esverdeados e o rosto corado se encaminhando para a mesa da Lufa-Lufa.

Eu não tenho certeza quando nos tornamos amigos. Talvez tenha sido no primeiro esbarrão no trem, ou quando nossos olhos se encontraram na mesa do salão principal, mas Al costuma dizer que foi na detenção que tivemos no primeiro ano juntos na floresta proibida em que fugimos daquelas aranhas monstruosas.

Al sempre diz que o perigo transforma as pessoas em grandes amigos.

O certo é que depois daquela detenção que foi na primeira semana de aula não nos desgrudamos mais. Bem... Ainda tínhamos que viver em casas separadas e o irmão do Al quase teve um enfarte nas primeiras semanas assim como os alunos da sonserina, mas no fim tudo se acertou.

Meu pai conseguiu acalmar meu avô ameaçando expulsa-lo de casa e minha avó achou a coisa mais fofa do mundo. Minha mãe sorriu feliz e continuou arrumando seu jardim perfeito. Estranhamente depois da minha amizade com Albus meu pai passou a visitar mais frequentemente a casa dos Potters.

Eu estava presente no enterro da mãe do Al. Fiquei do seu lado para apoiá-lo e foi naquele ambiente agourento que me dei conta que me importava muito com ele e também percebi o quanto ele era próximo de James. Próximo demais.

Foi difícil me descobrir apaixonado e ver a proximidade deles sem poder fazer nada, mas eu também via a dor nos olhos verdes. James era como uma droga para Al. Ele não conseguia recusar, porém aquilo fazia muito mal a ele.

Quando soube que James iria embora, eu fiquei muito feliz. Ele tinha sido aceito, de alguma maneira, possivelmente por ser filho de Harry Potter, como gostava de enfatizar meu pai, para a escola de aurores. No entanto Al parecia que iria quebrar em mil pedaços tamanho o desespero que tomou conta dele.

Decidi tomar coragem, algo que sonserinos realmente não possuem, e lutar pelo que desejava. Eu não podia esconder meus sentimentos eternamente e eu sou egoista o suficiente para desejat ter Al apenas para mim. Afinal eu sou um Malfoy e minha família sempre me diz que eu tenho tudo o que quero.

Eu queria Albus Severus Potter.

Tenho certeza que meu rosto estava com a mesma expressão séria de sempre, mas Al conhecia bem demais meus olhos para não perceber meu nervosismo. Não consigo acreditar que eu o beijei. Não foi um beijo arrebatador, tinha um gosto de ternura, delicado. Se eu já não estivesse tão apaixonado diria que aquele beijo roubou de vez meu coração e eu fiz a única coisa que conseguiria fazer no momento.

Segurei seu rosto e o pedi em namoro.

Bem... Al arregalou os olhos e fugiu...

Eu tinha consciência que aquilo poderia acontecer, afinal Albus é um lufa-lufa e não um grifinório. Coragem não é o forte dele também. No primeiro momento me senti magoado, mas no fundo eu sabia que Al havia corrido para Lilly, ele sempre corria para a irmã quando queria fazer algo muito importante.

Só esperava que ele me recusasse para esperar James. Eu faria de tudo para tirar aquele arrogante da mente dele, eu daria todo o amor que um Malfoy pode proporcionar para ele, eu o trataria com toda a delicadeza e cuidado, faria tudo por ele. Cultuaria cada pequena marca e arrancaria dele todos os tipos de gemidos e suspiros.

Eu o faria feliz.